16 DE JULHO – XV DOMINGO DO TEMPO COMUM
16 de julho de 202318 DE JULHO – TERÇA-FEIRA DA XV SEMANA DO TEMPO COMUM
18 de julho de 2023Néctar espiritual extraído da Liturgia Diária de 17/07/2023
Essas santas palavras nos concitam de forma à consciência da crueldade pagã extrema; de que a salvação só vem de Deus e de que cumpre-nos enfrentar o bom combate para a conquista da paz profunda, que deriva da conversão e da conformação de tudo à santa vontade de Deus.
Biografia
Inácio de Azevedo nasceu em Portugal, na cidade do Porto, em 1527. Seus pais, Manuel e Violante, eram descendentes de famílias lusitanas, ricas e poderosas. Desde pequeno foi educado sob preceitos cristãos e recebeu também vasta cultura acadêmica. Aos dezoito anos, tornou-se administrador dos bens da família, pois tinha inteligência acima da média.
Mas sua vocação era a religião. Após um retiro na cidade de Coimbra, entrou para a Companhia de Jesus em 1548. Cinco anos depois, recebeu a ordenação sacerdotal. Seus estudos eram tão avançados e seus conhecimentos tão extensos que, mesmo sem terminar o curso de teologia, foi nomeado reitor do Colégio Santo Antonio, em Lisboa.
Em 1565, foi escolhido pelos jesuítas para representá-los, em Roma, na eleição do novo geral, que era ninguém menos que o próprio Francisco Borja, hoje santo. Admirado com a capacidade de Inácio, deu-lhe a incumbência de vistoriar as missões jesuítas nas Índias e no Brasil. Tal viagem de inspeção durou três anos.
No Brasil, a evangelização começara havia apenas dezesseis anos, mas o trabalho dos jesuítas dava frutos em profusão. A Companhia de Jesus já estava presente em sete tribos no interior e, no litoral, possuía escolas e seminários.
Ao voltar, Inácio relatou ao geral que o trabalho ia muito bem, mas poderia render ainda mais se houvesse um número maior de missionários. Recebendo autorização do superior, recrutou jesuítas na Espanha e Portugal. Após cinco meses de preparativos, ele e mais trinta e nove companheiros partiram para o Brasil, em 5 de junho de 1570, num navio mercante.
Na mesma data, partiu também uma embarcação de guerra comandada por dom Luis Vasconcelos, governador do Brasil, onde seguiam mais trinta jesuítas. Oito dias depois, os dois navios pararam na ilha da Madeira, para esperar ventos mais fortes e melhor direcionados. O navio de guerra ali permaneceu, mas o capitão do mercante, que era Inácio, resolveu zarpar em direção às ilhas Canárias.
Apesar dos boatos da existência de piratas calvinistas no caminho, que estariam no encalço dos jesuítas, ele não quis ouvir os conselhos de não seguir viagem. Inácio e seus parceiros preferiram permanecer a bordo e não desistir, pois não temiam a morte. Ela, de fato, os encontrou em alto mar. O navio foi atacado pelo corsário calvinista francês Jacques Sourie, que partira de La Rochelle, justamente no encalço dos missionários. O navio foi dominado, os tripulantes e demais passageiros poupados, mas todos os jesuítas foram degolados imediatamente. Era o dia 15 de julho de 1570.
O culto a Inácio de Azevedo e companheiros foi aprovado pelo papa Pio IX em 1854. A festa ocorre no dia do trânsito dos quarenta de jesuítas martirizados pelas mãos de piratas calvinistas. São venerados como os “Mártires do Brasil”.
Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br
Antífona da entrada
– Ao nome de Jesus todo joelho se dobre, no céu, na terra e nos abismos; e toda língua proclame, para glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor! – Fl 2,10-11.
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.
Oração do dia (Coleta)
– Ó Deus, que escolhestes Inácio de Azevedo e seus trinta e nove companheiros para regarem com seu sangue as primeiras sementes do Evangelho lançadas na Terra de Santa Cruz, concedei-nos professar, constantemente, para vossa maior glória, a fé que recebemos de nossos antepassados. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1ª Leitura: Ex 1,8-14.22
Salmo Responsorial: Sl 123
– Nosso auxílio está no nome do Senhor.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Felizes os que são perseguidos por causa da justiça do Senhor, porque o reino dos céus há de ser deles! –Mt 5,10
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 10,34-11,1
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus
– Glória a vós, Senhor!
Ensinamentos
As santas palavras desta Liturgia Diária ensinam em especial, na primeira leitura (Ex 1,8-14.22), sobre a opressão estabelecida sobre o povo de Israel pelos egípcios, constituindo feitores para impor-lhes trabalhos penosos, impondo-lhes a mais dura servidão, amargurando-lhes a vida com trabalhos penosos, como produzir argamassa e fabricar tijolos, trabalhos nos campos e as mais diversas tarefas, que lhes eram impostas de forma tirânica. Como o povo de Israel continuava crescendo e se multiplicando, apesar de toda a carga de trabalhos escravos que lhe era imposta, o faraó ordenou que todo o filho homem que nascesse do povo de Israel fosse jogado no rio Nilo e somente as meninas poderiam sobreviver.
O Salmo Responsorial oportuniza-nos fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 123): 1. Cântico das peregrinações. De Davi. Se o Senhor não tivesse estado conosco, sim, diga-o Israel, 2. se o Senhor não tivesse estado conosco, os homens que se insurgiram contra nós 3.ter-nos-iam então devorado vivos. Quando seu furor se desencadeou contra nós, 4.as águas nos teriam submergido. Uma torrente teria passado sobre nós. 5.Então nos teriam recoberto as ondas intumescidas. 6.Bendito seja o Senhor, que não nos entregou como presa aos seus dentes. 7.Nossa alma escapou como um pássaro, dos laços do caçador. Rompeu-se a armadilha, e nos achamos livres. 8.Nosso socorro está no nome do Senhor, criador do céu e da terra.
No Santo Evangelho, sobre que disse Jesus (Mt 10,34-11,1): 34. Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. 35.Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, 36.e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa. 37.Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim. 38.Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. 39.Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á. 40.Quem vos recebe, a mim recebe. E quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41.Aquele que recebe um profeta, na qualidade de profeta, receberá uma recompensa de profeta. Aquele que recebe um justo, na qualidade de justo, receberá uma recompensa de justo. 42.Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é meu discípulo, em verdade eu vos digo: não perderá sua recompensa. Depois de dar instruções aos doze discípulos, Jesus prosseguiu em sua jornada, ensinando e pregando nas cidades daquela região.
Busca do reto entendimento – invocação do Espírito Santo
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!
Compromisso
Tais santas palavras e ensinamentos instam a assumir o compromisso – cumprindo pedir o auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na primeira leitura (Ex 1,8-14.22), de tomar consciência do estado de penosa escravidão a que foi submetido o povo de Israel no Egito, tendo as imposições tirânicas se estabelecido gradual e progressivamente, chegando ao ponto de o faraó – temeroso de perder o poder – determinar o infanticídio, via morte por afogamento, de todos os meninos nascidos de mães hebreias. Os poderosos pagãos não medem consequências para se locupletar em seus interesses: procedimento similar foi adotado por Herodes, que também temeroso de perder o trono, determinou a morte dos santos inocentes, esperando com isso ceifar a vida de Jesus. Em nossos tempos, muitos poderosos patrocinam os que se empenham por instituir leis lenientes com o assassinato de crianças nos ventres de suas próprias mães…
As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 123) concitam a invocar o auxílio divino, sem o qual não há esperança de salvação, pois é o Senhor que nos livra das insídias do maligno; é nele, o criador do céu e da terra, que está o nosso socorro.
As santas palavras do Santo Evangelho (Mt 10,34-11,1) instam ao compromisso de se colocar em estado de prontidão e se lançar ao bom combate nas mais diversas frentes, pois o cristão, o que segue Jesus, o que labora na construção do Reino de Deus não se acomoda com a paz superficial, de aparência, pois tem a consciência de que a paz profunda é que precisa ser conquistada, a que deriva da conversão e da conformação de tudo à santa vontade de Deus. Assim, tal bom combate – travado com as armas do amor fraterno responsável, qualificado, temperado pelas virtudes cristãs – precisa ser travado nas relações entre pais e filhos e demais familiares, não podendo o cristão se acomodar pusilanimemente diante da derrocada dos seus face ao maligno, vitimados pelas forças espirituais do mal espalhadas pelos ares que tornam nossos inimigos as pessoas de nossas próprias casas. Cumpre manter-nos fiéis aos ensinamentos das Sagradas Escrituras e da sã doutrina, amando dessa forma a Jesus e refletindo nos circunstantes o amor que dele emana, tomando a cruz, colocando a vida efetivamente a serviço do Reino de Deus, recebendo, acolhendo e colocando em prática os ensinamentos ministrados por Jesus e pelos seus enviados que se mantém fiéis aos seus ensinamentos, buscando também com contribuir, da melhor forma possível, para que sejam bem sucedidos em seus trabalhos. Cumpre ainda tomar consciência de que Jesus se dedicava a instruir seus discípulos, ensinando o que e como deviam fazer, e ele mesmo fazia, efetivava aquilo que ensinava, laborando incansavelmente, ensinando e pregando de cidade em cidade.
Oração final
Senhor, neste mundo em que campeia a crueldade pagã extrema, vivemos cientes de que a salvação só vem de Deus. Auxilia-nos a assumir denodadamente o bom combate para a conquista da paz profunda, que deriva da conversão e da conformação de tudo à santa vontade de Deus. Cremos, Senhor, mas aumentai nossa fé! Amém!
Leitura complementar
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS DA LITURGIA DAS HORAS DE 17 DE JULHO DE 2023 <http://www.ibreviary.com/m2/breviario.php?s=ufficio_delle_letture>
SEGUNDA LEITURA
Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo
(Hom. Sobre a glória nas tribulações 2.4: PG 51, 158-159.162.164) (Sec. IV)
Os sofrimentos e a glória dos mártires
Considera a sabedoria de Paulo. Que diz ele? Penso que os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há de manifestar em nós. Então, diz ele, porque me falais dos tormentos, dos altares, dos algozes, dos suplícios, da fome, do exílio, das privações, das cadeias e das algemas? Embora apresenteis todas as coisas que atormentam os homens, nada podeis mencionar que seja digno daquele prêmio, daquela coroa, daquela recompensa. Porque as provações acabam-se com a vida presente, ao passo que a recompensa é imortal, permanece para sempre.
A isto mesmo aludia o Apóstolo noutro lugar: As leves e passageiras tribulações do momento presente. Ele diminui a qualidade com a quantidade e alivia a dureza com a brevidade do tempo. Como as tribulações que então sofriam eram por sua natureza penosas e duras, Paulo serve-se da sua brevidade para diminuir a sua dureza, dizendo: As leves e passageiras tribulações do momento presente preparam-nos, para além de toda e qualquer medida, o peso eterno de uma sublime e incomparável glória. Não olhamos para as coisas visíveis, mas para as invisíveis; as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas.
Vede como é grande a glória que acompanha a tribulação! Vós próprios sois testemunhas do que dizemos. Ainda antes que os mártires tenham recebido as suas recompensas, os seus prêmios, as suas coroas, enquanto se vão ainda transformando em pó e cinza, já nós acorremos com entusiasmo para os honrar, convocamos uma assembleia espiritual, proclamamos o seu triunfo, exaltamos o sangue que derramaram, os tormentos, os golpes, as aflições e as angústias que sofreram; e, deste modo, as próprias tribulações são para eles uma fonte de glória, ainda antes da recompensa final.
Depois de termos reflectido nestas verdades, irmãos caríssimos, suportemos generosamente todas as adversidades que sobrevierem. Se Deus as permite, é porque são para nossa utilidade. Longe de desesperarmos ou perdermos a coragem ante a dureza dos sofrimentos, resistamos com fortaleza e demos graças a Deus pelos benefícios que nos concedeu, a fim de que, depois de gozarmos dos seus dons na vida presente, alcancemos os bens da vida futura, pela graça, misericórdia e bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao qual, com o Pai e o Espírito Santo, pertence a glória e o poder, agora e para sempre e por todos os séculos. Amém.
Confraria Contardo Ferrini
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes realizados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode também digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados.
