LITURGIA DE 14 DE SETEMBRO DE 2023 – QUINTA FEIRA – EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ
14 de setembro de 2023LITURGIA DE 16 DE SETEMBRO DE 2023 – SANTOS CORNÉLIO E CIPRIANO – PAPA E BISPO MÁRTIRES
16 de setembro de 2023Néctar espiritual potencializador da prática cristã extraído do estudo da Liturgia Diária de 15/09/2023
As santas palavras desta liturgia instam em especial a assumir o compromisso – cumprindo pedir o auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na primeira leitura(Hb 5,7-9), de seguir o exemplo de Jesus, que nos dias em que esteve neste mundo vivendo como homem, dirigindo preces e súplicas com grandes clamores e lágrimas ao Pai, foi atendido, realizando inúmeros milagres e prodígios; porém se submeteu plenamente à vontade do Pai, mantendo-se obediente mesmo diante dos mais cruciais sofrimentos […]. Cumpre-nos, pois, dirigir preces e súplicas com grandes clamores e lágrimas ao Pai e obedecer diante de toda e qualquer situação que possa surgir, contribuindo da melhor forma possível para a salvação eterna de muitos. As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 30) instam a buscar refúgio e livramento junto do Senhor Deus e sua justiça, pois ele é rocha, refúgio e fortaleza salvadora. […] Em que pese os momentos de tribulação, tristeza, amargura, agonia, aflição; as situações mais degradantes pelas quais possamos passar – em que nos tornamos opróbrio para os inimigos, motivo de chacota para os circunstantes e até mesmo de pavor para os conhecidos, que voltam as costas diante de nossas misérias que inspiram atitudes de indiferença, rechaço e rejeição… – ainda assim, nos mais aviltantes abismos existenciais, cumpre confiar no Senhor Deus e invocá-lo para que nos livre dos perseguidores e colocar em suas mãos nossos destinos, contando com sua misericódia salvífica. […] O Santo Evangelho (Lc 2,33-35) insta-nos à consciência da profecia de Simeão feita na ocasião da apresentação de Jesus no templo e a purificação de Nossa Senhora, no sentido de que Jesus seria causa de queda de uns e soerguimento de outros, sendo um sinal provocador de muitas contradições e de revelação dos pensamentos de muitos corações; bem como que uma espada de dor trespassaria a alma de Maria. Cumpre-nos, pois, como cristãos, como integrantes do Corpo de Cristo, que é sua Igreja, filhos de Maria, mãe de Jesus, cabeça da Igreja – e portanto mãe da Igreja por excelência – ser também sinais no mundo, atuando com coerência evangélica, com coragem e não com pusilanimidade […] preparados para ter a alma trespassada por muitas dores e desilusões; que nada nos demova de nosso dever de dar testemunho de Jesus e de Maria Santíssima, seguindo seus divinos exemplos!
Nossa Senhora das Dores

A igreja celebra duas festas em honra de Nossa Senhora das Dores: a primeira na sexta feira da semana da paixão, e a segunda no dia 15 de setembro. A primeira é celebrada na Igreja desde 1727, instituída pelo papa Bento VIII. A segunda foi determinada por Pio VIII em 18 de setembro de 1814, porém já acontecia em muitas Igrejas.
É provável que a propagação da primeira festa tenha ocorrido em 1413, por ocasião do concílio provincial ocorrido em Edônia, para falar sobre os hereges hussitas, que desfiguravam as imagens de Jesus Cristo e da Virgem Dolorosa. Assim, estabeleceu-se que todos os anos, na sexta-feira seguinte ao domingo da Paixão, se celebrasse a festa da comemoração das angústias e dores da Virgem Maria.
Na festa seguinte ao domingo da Paixão, celebramos a paciência e a força com que Nossa Senhora viu a paixão de seu Filho, e depois se deixou atravessar pela espada que lhe profetizara o santo velho Simão. Na segunda festa, a de setembro, celebram-se todas as dores de Maria, principalmente as sete dores principais pelas quais Ela passou durante a vida, paixão e morte de Jesus Cristo.
Já a segunda festa tem origem com a Ordem dos Servitas, inteiramente dedicada à devoção de Nossa Senhora (os sete santos Fundadores no século XIII instituíram a “Companhia de Maria Dolorosa”), em 1667 obteve a aprovação da celebração litúrgica das sete Dores da Virgem, esta festa foi celebrada também com o título de Nossa Senhora da Piedade e A compaixão de Nossa Senhora, tendo sido promulgada por Bento XIII (1724-1730) a festa com o título de Nossa Senhora das Dores, e que durante o pontificado de Pio VII foi acolhida no calendário romano e lembrada no terceiro domingo de setembro. Foi o Papa Pio X que fixou a data definitiva de 15 de Setembro, conservada no novo calendário litúrgico, que mudou o título da festa, reduzida a simples memória: não mais Sete Dores de Maria, mas menos especificadamente e mais oportunamente: Virgem Maria Dolorosa. Com este título nós honramos a dor de Maria aceita na redenção mediante a cruz. É junto à Cruz que a Mãe de Jesus crucificado torna-se a Mãe do corpo místico nascido da Cruz, isto é, nós somos nascidos, enquanto cristãos, do mútuo amor sacrifical e sofredor de Jesus e Maria. Eis porque hoje se oferece à nossa devota e afetuosa meditação a dor de Maria. Mãe de Deus e nossa.
A devoção, que precede a celebração litúrgica, fixou simbolicamente as sete dores da Co-redentora, correspondentes a outros tantos episódios narrados pelo Evangelho: a profecia do velho Simeão, a fuga para o Egito, a perda de Jesus aos doze anos durante a peregrinação à Cidade Santa, o caminho de Jesus para o Gólgata, a crucificação, a Deposição da cruz, a sepultura, portanto, somos convidados hoje a meditar estes episódios mais importantes que os evangelhos nos apresentam sobre a participação de Maria na paixão, morte e ressurreição de Jesus. [Fonte: <https://site.ucdb.br/santos-do-dia/nossa-senhora-das-dores/227/>]
Antífona da entrada
– Simeão disse a Maria: Teu Filho será causa de queda e de ressurreição para muitos. Ele será sinal de contradição e teu coração será transpassado como por uma espada (Lc 2,34s).
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.
Oração do dia
– Ó Deus, quando o vosso Filho foi exaltado, quisestes que sua mãe estivesse de pé junto à cruz, sofrendo com ele. Dai à vossa Igreja, unida a Maria na paixão de Cristo, participar da ressurreição do Senhor. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.
1ª Leitura: Hb 5,7-9
Salmo Responsorial: Sl 30
– Salvai-me pela vossa compaixão, ó Senhor Deus!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Feliz a virgem Maria, que, sem passar pela morte, do martírio ganha a palma, ao pé da cruz do Senhor!
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: (Lc 2,33-35)
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.
– Glória a vós, Senhor!
Busca do reto entendimento – invocação do Espírito Santo
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!
Ensinamento
As santas palavras desta Liturgia Diária ensinam em especial, na primeira leitura, sobre que afirmou o escritor sagrado (Hb 5,7-9): Nos dias da sua vida mortal, Cristo dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento. E tendo atingido a sua plenitude, tornou‑Se, para todos os que Lhe obedecem, causa de salvação eterna.
O Salmo Responsorial oportuniza-nos fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 30): Ao mestre de canto. Salmo de Davi. 2.Junto de vós, Senhor, me refugio. Não seja eu confundido para sempre; por vossa justiça, livrai-me! 3.Inclinai para mim vossos ouvidos, apressai-vos em me libertar. Sede para mim uma rocha de refúgio, uma fortaleza bem armada para me salvar. 4.Pois só vós sois minha rocha e fortaleza: haveis de me guiar e dirigir, por amor de vosso nome. 5.Vós me livrareis das ciladas que me armaram, porque sois minha defesa. 6.Em vossas mãos entrego meu espírito; livrai-me, ó Senhor, Deus fiel. 7.Detestais os que adoram ídolos vãos. Eu, porém, confio no Senhor. 8.Exultarei e me alegrarei pela vossa compaixão, porque olhastes para minha miséria e ajudastes minha alma angustiada. 9.Não me entregastes às mãos do inimigo, mas alargastes o caminho sob meus pés. 10.Tende piedade de mim, Senhor, porque vivo atribulado, de tristeza definham meus olhos, minha alma e minhas entranhas. 11.Realmente, minha vida se consome em amargura, e meus anos em gemidos. Minhas forças se esgotaram na aflição, mirraram-se os meus ossos. 12.Tornei-me objeto de opróbrio para todos os inimigos, ludíbrio dos vizinhos e pavor dos conhecidos. Fogem de mim os que me vêem na rua. 13.Fui esquecido dos corações como um morto, fiquei rejeitado como um vaso partido. 14.Sim, eu ouvi o vozerio da multidão; em toda parte, o terror! Conspirando contra mim, tramam como me tirar a vida. 15.Mas eu, Senhor, em vós confio. Digo: Sois vós o meu Deus. 16.Meu destino está nas vossas mãos. Livrai-me do poder de meus inimigos e perseguidores. 17.Mostrai semblante sereno ao vosso servo, salvai-me pela vossa misericórdia. 18.Senhor, não fique eu envergonhado, porque vos invoquei: Confundidos sejam os ímpios e, mudos, lançados na região dos mortos. 19.Fazei calar os lábios mentirosos que falam contra o justo com insolência, desprezo e arrogância. 20.Quão grande é, Senhor, vossa bondade, que reservastes para os que vos temem e com que tratais aos que se refugiam em vós, aos olhos de todos. 21.Sob a proteção de vossa face os defendeis contra as conspirações dos homens. Vós os ocultais em vossa tenda contra as línguas maldizentes. 22.Bendito seja o Senhor, que usou de maravilhosa bondade, abrigando-me em cidade fortificada. 23.Eu, porém, tinha dito no meu temor: Fui rejeitado de vossa presença. Mas ouvistes antes o brado de minhas súplicas, quando clamava a vós. 24.Amai o Senhor todos os seus servos! Ele protege os que lhe são fiéis. Sabe, porém, retribuir, castigando com rigor aos que procedem com soberba. 25.Animai-vos e sede fortes de coração todos vós, que esperais no Senhor.
No Santo Evangelho, sobre que disse Jesus (Lc 2,33-35): Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. 34.Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições,35. a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.
Compromisso
Tais santas palavras e ensinamentos instam em especial a assumir o compromisso – cumprindo pedir o auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na primeira leitura (Hb 5,7-9), de seguir o exemplo de Jesus, que nos dias em que esteve neste mundo vivendo como homem, dirigindo preces e súplicas com grandes clamores e lágrimas ao Pai, foi atendido, realizando inúmeros milagres e prodígios; porém se submeteu plenamente à vontade do Pai, mantendo-se obediente mesmo diante dos mais cruciais sofrimentos, atingindo assim a plenitude e tornando-se, para os que obedientemente ouvem e colocam em prática suas palavras, causa de eterna salvação. Cumpre-nos, pois, dirigir preces e súplicas com grandes clamores e lágrimas ao Pai e obedecer diante de toda e qualquer situação que possa surgir, contribuindo da melhor forma possível para a salvação eterna de muitos.
As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 30) instam a buscar refúgio e livramento junto do Senhor Deus e sua justiça, pois ele é rocha, refúgio e fortaleza salvadora. O Senhor guia e dirige, livrando das ciladas armadas pelos pérfidos e ajudando as almas angustiadas. Em que pese os momentos de tribulação, tristeza, amargura, agonia, aflição; as situações mais degradantes pelas quais possamos passar – em que nos tornamos opróbrio para os inimigos, motivo de chacota para os circunstantes e até mesmo de pavor para os conhecidos, que voltam as costas diante de nossas misérias que inspiram atitudes de indiferença, rechaço e rejeição… – ainda assim, nos mais aviltantes abismos existenciais, cumpre confiar no Senhor Deus e invocá-lo para que nos livre dos perseguidores e colocar em suas mãos nossos destinos, contando com sua misericódia salvífica. O Senhor faz calar os lábios mentirosos e insolentes, pois grande é a bondade reservada aos que o temem e nele se refugiam das conspirações dos ímpios. O Senhor ouve os brados, as súplicas sinceras, protegendo os que lhe são fiéis e fazendo os soberbos colher o que plantaram. Cumpre, pois, ter bom ânimo e com fortaleza esperar no Senhor!
O Santo Evangelho (Lc 2,33-35) insta-nos à consciência da profecia de Simeão feita na ocasião da apresentação de Jesus no templo e a purificação de Nossa Senhora, no sentido de que Jesus seria causa de queda de uns e soerguimento de outros, sendo um sinal provocador de muitas contradições e de revelação dos pensamentos de muitos corações; bem como que uma espada de dor trespassaria a alma de Maria. Cumpre-nos, pois, como cristãos, como integrantes do Corpo de Cristo, que é sua Igreja, filhos de Maria, mãe de Jesus, cabeça da Igreja – e portanto mãe da Igreja por excelência – ser também sinais no mundo, atuando com coerência evangélica, com coragem e não com pusilanimidade e sendo inclusive, se for o caso, causa de queda de uns e soerguimento de outros, podendo ser também provocadores de muitas contradições e gerar a revelação dos pensamentos de muitos corações, a exemplo de Jesus. E cumpre-nos estar preparados para ter a alma trespassada por muitas dores e desilusões; que nada nos demova de nosso dever de dar testemunho de Jesus e de Maria Santíssima, seguindo seus divinos exemplos!
Oração final
Ó Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos e sustentai-nos para seguir o exemplo de Jesus, que nos dias em que esteve neste mundo vivendo como homem, dirigindo preces e súplicas com grandes clamores e lágrimas, foi por vós atendido, realizando inúmeros milagres e prodígios; porém se submeteu plenamente à vossa vontade, mantendo-se obediente mesmo diante dos mais cruciais sofrimentos, atingindo assim a plenitude e tornando-se, para os que obedientemente ouvem e colocam em prática suas palavras, causa de eterna salvação. Dirigimo-vos também nossas preces e súplicas com grandes clamores e pedimo-vos forças para nos manter obedientes diante de toda e qualquer situação que possa surgir, de modo que possamos contribuir da melhor forma possível para a salvação eterna de muitos. Em vós e em vossa justiça buscamos refúgio e livramento, pois vós sois nossa rocha, nosso refúgio e e nossa fortaleza salvadora. Vós sois o guia que nos dirige, livrando-nos das ciladas armadas pelos pérfidos e ajudando as almas angustiadas. Em que pese os momentos de tribulação, tristeza, amargura, agonia, aflição; as situações mais degradantes pelas quais possamos passar – em que nos tornamos opróbrio para os inimigos, motivo de chacota para os circunstantes e até mesmo de pavor para os conhecidos, que voltam as costas diante de nossas misérias que inspiram atitudes de indiferença, rechaço e rejeição… – ainda assim, nos mais aviltantes abismos existenciais, confiamos em vós e vos invocamos que nos livreis dos perseguidores. Colocamos em vossas mãos nossos destinos, contando com vossa misericódia salvífica. Vós fazeis calar os lábios mentirosos e insolentes, pois grande é a bondade reservada aos que vos temem e em vós se refugiam das conspirações dos ímpios. Vós ouvis nossos brados, nossas súplicas sinceras, protegendo os que vos são fiéis e fazendo os soberbos colher o que plantaram. Dai-nos bom ânimo e fortaleza para esperar confiantes em vós! Como Jesus foi causa de queda de uns e soerguimento de outros, sendo sinal provocador de muitas contradições e de revelação dos pensamentos de muitos corações, pedimo-vos iluminação e fortaleza para, como cristãos, integrantes do Corpo de Cristo, que é sua Igreja, filhos de Maria, mãe de Jesus, cabeça da Igreja – e portanto mãe da Igreja por excelência – ser também sinais no mundo. Que possamos atuar com coerência evangélica, com coragem e não com pusilanimidade. Que possamos ser inclusive, se for o caso, causa de queda de uns e soerguimento de outros, podendo ser também provocadores de muitas contradições e gerar a revelação dos pensamentos de muitos corações, a exemplo de Jesus. Dai-nos estar preparados para ter a alma trespassada por muitas dores e desilusões; que nada nos demova de nosso dever de dar testemunho de Jesus e de Maria Santíssima, seguindo seus divinos exemplos! Cremos, Senhor, mas aumentai nossa fé!
Leitura complementar
LEITURAS DA LITURGIA DAS HORAS DE 14 DE SETEMBRO DE 2023<http://www.ibreviary.com/m2/opzioni.php>
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Livro das Lamentações 3, 1-33
Lamentação e esperança
Eu sou o homem que sentiu a miséria sob a vara da ira do Senhor. Ele me conduziu e me fez andar nas trevas e sem luz. Contra mim volve e revolve a sua mão o dia inteiro.
Consumiu a minha carne e a minha pele, quebrou-me os ossos; ergue contra mim um cerco de fel e amargura. Fez-me habitar nas trevas, como os mortos de há muito tempo.
Cercou-me com um muro para eu não poder sair, carregou-me de pesados grilhões. Por mais que eu grite e implore, Ele abafa a minha prece. Vedou-me os caminhos com pedras de cantaria, confundiu as minhas veredas.
Foi para mim como urso na emboscada, como leão no esconderijo. Desviou-me do meu caminho, dilacerou-me, fez de mim uma ruína. Retesou o arco e colocou-me como alvo da sua flecha.
Cravou nos meus rins as setas da sua aljava. Tornei-me objeto de escárnio para todo o meu povo, o objeto constante das suas canções. Saturou-me de amargura, inebriou-me de absinto.
Quebrou-me os dentes com cascalho, prostrou-me na cinza. A minha alma não conhece a paz, não sei o que seja a felicidade. Eu disse: «Desapareceu a minha força e a esperança que me vinha do Senhor».
A recordação da minha miséria e da minha vida errante é absinto e veneno. A pensar nisto constantemente, a minha alma desfalece dentro de mim. Eis o que vou recordar em meu coração para reavivar a esperança:
A misericórdia do Senhor não acabou, não tem limites a sua compaixão, mas renova-se todas as manhãs; é grande a sua fidelidade. «O Senhor é a minha herança», diz a minha alma; por isso espero n’Ele.
O Senhor é bom para quem n’Ele confia, para a alma que O procura. É bom esperar em silêncio a salvação do Senhor; é bom para o homem suportar o jugo desde a sua juventude. Esteja solitário e silencioso, quando o Senhor lho impuser; ponha a sua boca no pó da terra, porque talvez ainda haja esperança; apresente a face a quem lhe bate, suporte as afrontas.
O Senhor não repele o homem para sempre: se Ele castiga, também Se compadece, porque é grande a sua misericórdia. Não é por gosto que Ele humilha e aflige os filhos dos homens.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Dos Sermões de São Bernardo, abade
(Sermo in dom. infra oct. Assumptionis, 14-15: Opera omnia, ed. Cisterc. 5 [1968], 273-274) (Sec. XII)
A Mãe de Cristo estava junto à cruz
O martírio da Virgem é recordado tanto na profecia de Simeão como na história da paixão do Senhor. Diz o santo ancião acerca do Menino Jesus: Este foi predestinado para ser sinal de contradição; e, referindo‑se a Maria, acrescenta: E uma espada trespassará a tua alma.
Na verdade, ó santa Mãe, uma espada trespassou a vossa alma. Porque nunca ela podia atingir a carne do Filho sem atravessar a alma da Mãe. Depois que aquele Jesus – que é de todos, mas especialmente vosso – expirou, a cruel lança que Lhe abriu o lado, sem respeitar sequer um morto a quem já não podia causar dor alguma, não feriu a sua alma mas atravessou a vossa. A alma de Jesus já não estava ali, mas a vossa não podia ser arrancada daquele lugar. Por isso a violência da dor trespassou a vossa alma, e assim, com razão Vos proclamamos mais que mártir, porque os vossos sentimentos de compaixão superaram os sofrimentos corporais do martírio.
Não foi, porventura, para Vós mais que uma espada aquela palavra que verdadeiramente trespassa a alma e penetra até à divisão da alma e do espírito: Mulher, eis o teu Filho? Oh que permuta! Entregam‑Vos João em vez de Jesus, o servo em vez do Senhor, o discípulo em vez do Mestre, o filho de Zebedeu em vez do Filho de Deus, um simples homem em vez do verdadeiro Deus. Como não havia de ser trespassada a vossa afetuosíssima alma ao ouvirdes estas palavras, quando a sua simples lembrança despedaça o nosso coração, apesar de ser tão duro como a pedra e o ferro?
Não vos admireis, irmãos, de que Maria seja chamada mártir na sua alma. Admire‑se quem não se recorda de ter ouvido Paulo mencionar entre as maiores culpas dos pagãos o fato de não terem afeto. Como isso estava longe do coração de Maria! Longe esteja também dos seus servos.
Mas talvez alguém possa dizer: «Porventura não sabia Ela que Jesus havia de morrer?». Sem dúvida. Não esperava Ela que Jesus havia de ressuscitar?». Com toda a certeza. «E apesar disso sofreu tanto ao vê‑l’O crucificado?». Sim, com terrível veemência. Afinal, que espécie de homem és tu, irmão, e que estranha sabedoria é a tua, se te surpreende mais a compaixão de Maria do que a paixão do Filho de Maria? Ele pôde morrer corporalmente e Ela não pôde morrer com Ele em seu coração? A morte de Jesus foi por amor, aquele amor que nenhum homem pode superar; o martírio de Maria teve a sua origem também no amor, ao qual depois do de Cristo, nenhum outro amor se pode comparar.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE LAUDES
Col 1, 24-25
Agora alegro‑me com os sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu Corpo que é a Igreja. Dela me tornei ministro, em virtude do cargo que Deus me confiou a vosso respeito: anunciar em plenitude a palavra de Deus.
LEITURA BREVE DA HORA TERÇA
Rom 1, 16b-17
O Evangelho é força de Deus para a salvação de todo o crente. Porque no Evangelho se revela a justiça de Deus, que tem origem na fé e conduz à fé, conforme está escrito: «O justo viverá pela fé».
LEITURA BREVE DA HORA SEXTA
Rom 3, 21-22a
Independentemente da lei de Moisés, manifestou-se agora a justiça de Deus, de que dão testemunho a Lei e os Profetas; porque a justiça de Deus vem pela fé em Jesus Cristo, para todos os crentes.
LEITURA BREVE DA HORA NONA
Ef 2, 8-9
É pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de nós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE VÉSPERAS
2 Tim 2, 10-12a
Tudo suporto por causa dos eleitos, para que obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com a glória eterna. É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE COMPLETAS
Jer 14, 9
Estais no meio de nós, Senhor, e sobre nós foi invocado o vosso nome. Não nos abandoneis, Senhor nosso Deus.
Confraria Contardo Ferrini
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados.
