LITURGIA DE 15 DE SETEMBRO DE 2023 – SEXTA FEIRA – NOSSA SENHORA DAS DORES
15 de setembro de 2023LITURGIA DE 18 DE SETEMBRO DE 2023 – SEGUNDA FEIRA – XXIV SEMANA DO TEMPO COMUM
18 de setembro de 2023Néctar espiritual potencializador da prática cristã extraído do estudo da Liturgia Diária de 16/09/2023
As santas palavras desta liturgia instam em especial a assumir o compromisso – cumprindo pedir o auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na primeira leitura (1Tm 1,15-17), de atuar cientes de que Jesus veio para salvar os pecadores, manifestando toda a sua misericórdia e magnanimidade, cumprindo-nos atuar exemplarmente no seu seguimento, como fez o Apóstolo Paulo, para que muitos creiam e obtenham a vida eterna. As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 112) instam-nos a louvar o nome do Senhor, bendizendo-o agora e para sempre; que a cada dia, do nascer ao pôr do sol, seja louvado o nome do Senhor! […] Concitam-nos ainda à consciência de que o Senhor levanta do pó o indigente e retira o pobre do monturo, para fazê-los assentar-se entre os nobres, ou seja, nos resgata das situações mais degradantes e eleva-nos às realidades mais altaneiras. […] O Senhor tudo pode e aquele que põe fielmente nele sua esperança vive o melhor que a vida pode proporcionar! Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre! O Santo Evangelho (Lc 6,43-49) insta-nos à plena consciência de que árvores más produzem maus frutos e árvores boas produzem bons frutos, sendo cada árvore conhecida pelo fruto que produz. Assim, daquilo que sai do coração de um homem e transforma-se nas obras de seu viver se conclui sobre sua benignidade ou maldade. Para sermos bons, precisamos absorver e praticar o que Jesus ensina, tornando desse modo nosso viver assentado sobre a rocha, inabalável, inexpugnável! […]

São Cornélio Papa
séc. III
Cornélio nasceu em Roma. Foi eleito para o pontificado, depois de um período vago na cátedra de São Pedro, devido à violenta perseguição imposta pelo imperador Décio. O papa Cornélio foi eleito quase por unanimidade, menos por Novaciano, que esperava ser o sucessor, martirizado por aquele cruel tirano. Assim, Novaciano consagrou-se bispo e proclamou-se papa, isto é, antipapa. Nessa condição, criou-se o primeiro cisma da Igreja.
Segundo os partidários de Novaciano, Cornélio teria adotado um discurso e uma postura muito indulgente, boa e compreensiva para com os desertores da fé católica. Atitudes que lhe valeram grandes atribulações e incompreensões. Mas a toda essa oposição contou sempre com o apoio incondicional e fiel do bispo Cipriano de Cartago, Argélia, norte da África.
A Igreja debatia, internamente, para tentar uma solução definitiva quanto à conduta a ser adotada em relação a um dos seus maiores problemas da época, referente aos “lapsos”, nome dado aos sacerdotes e fiéis que renegavam a fé e separavam-se da Igreja durante as perseguições que se impunham aos cristãos. Entretanto o imperador Décio morreu em combate, sendo sucedido por Galo, que voltou com as perseguições. Assim, o papa Cornélio acabou preso e exilado para um lugar que hoje se chama Cività-Vecchia, em Roma.
No exílio, o papa Cornélio passou os últimos dias da sua vida. Onde encontrava um pouco de alegria era nas cartas que recebia do bispo Cipriano, seu admirador e amigo de fé, muito preocupado em mandar-lhe algumas palavras de consolo. Morreu em junho de 253, sendo sentenciado ao martírio por ordem daquele imperador, por não aceitar prestar culto aos deuses pagãos. Foi sepultado no Cemitério de São Calixto. A festa litúrgica do santo papa Cornélio foi colocada, no calendário da Igreja, no dia 16 de setembro, junto com a de são Cipriano, que depois também foi martirizado pela fé em Cristo.

São Cipriano
séc. III
Cipriano era filho de uma nobre e rica família africana de Cartago, capital romana no norte da África. Foi considerado um dos personagens mais empolgantes e importantes do século III. Primeiro pelo destaque alcançado como advogado, quando ainda era pagão. Depois por ser considerado um mestre da retórica e defensor irrestrito da unidade da Igreja. Mas o fator principal foi sua conversão ao cristianismo, já na maturidade, entre os trinta e cinco e quarenta anos de idade, causando um grande alvoroço e espanto na sociedade da época.
Cipriano não deixou apenas sua vida de pagão, mas também distribuiu quase toda a sua fortuna entre os pobres, renunciando à ciência profana da qual se alimentara até então. Com muito pouco tempo, foi ordenado sacerdote e, por eleição direta do clero e do povo, imediatamente substituiu o bispo de Cartago logo após sua morte. Cipriano o fez contrariando seu próprio desejo, mas em obediência à Igreja.
Nos anos de 249 a 258, durante o episcopado de Cipriano, a Igreja africana passou por sérios problemas. Os imperadores Valeriano e Décio empreenderam uma perseguição sem tréguas aos cristãos. Além disso, uma grande e terrível peste atacou o norte da África, causando muitas mortes e sofrimento. Como se não bastasse, a Igreja ainda se agitava com problemas doutrinários, internamente. Durante a perseguição do imperador Décio, em 249, grande número de fiéis e sacerdotes, até mesmo bispos, fraquejaram perante as torturas e renunciaram à fé cristã. Por esses atos ficaram conhecidos como “cristãos lapsos”. A Igreja, então, mergulhou, definitivamente, na polêmica do “lapso”, criando o seu primeiro grande cisma, isto é, uma divisão entre o clero. Não se sabia que atitude tomar contra os fiéis que abandonavam a fé e depois desejavam voltar para o seguimento de Cristo.
Em Roma, fora eleito o papa Cornélio, com amplo apoio dos bispos liderados por Cipriano, que apreciava muito a conduta de seu colega bispo, com o qual trocava muita correspondência. Mas havia Novaciano, em Roma, que se elegeu antipapa e começou uma forte corrente a favor da não-reconciliação dos desertores. Já na África, um certo Felicíssimo era completamente contra tal atitude, rogando pela clemência e reintegração do rebanho desgarrado. Assim, liderados, novamente, pelo bispo Cipriano, Novaciano foi perdendo força.
Uma outra controvérsia, que assolava a Igreja na época, era a validade ou não dos batismos realizados por hereges. Essa era a única divergência que existia entre o papa Cornélio e o bispo Cipriano. O papa, seguindo a tradição da doutrina, considerava válidos os batismos, já o bispo dizia que “não se pode dar a fé a quem não a tem”. Assim, a questão permaneceu sem solução. Em 258, ainda com a perseguição contra a Igreja, Cipriano foi denunciado e sentenciado à morte por decapitação. As atas escritas revelam que nesse dia, quando o pró-cônsul determinou a sentença, as únicas palavras proferidas por Cipriano foram “Graças a Deus!“ Foi executado no dia 14 de setembro de 258.
São Cipriano deixou-nos inúmeros escritos, entre os quais oitenta e uma cartas que se tornaram uma fonte de informação preciosa da vida eclesiástica daquele tempo. A Igreja declarou-o padroeiro da África do Norte e da Argélia, sendo sua festa litúrgica marcada para o dia 16 de setembro, quando se comemora a festa do santo papa Cornélio, o amigo de fé que ele tanto defendeu. [Fonte <https://oespiritosanto.com/916-sao-cornelio-papa-sao-cipriano-martires>]
Antífona da entrada
– Alegram-se nos céus os santos que na terra seguiram a Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; exultarão com ele eternamente.
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso Senhor, estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.
Oração do dia
– Ó Deus, que em são Cornélio e são Cipriano destes ao vosso povo pastores dedicados e mártires invencíveis, fortificai, por suas preces, nossa fé e coragem, para que possamos trabalhar incansavelmente pela unidade da Igreja. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1ª Leitura: 1Tm 1,15-17
Salmo Responsorial: Sl 112
– Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Quem me ama realmente, guardará minha Palavra e meu Pai o amará, e a ele nós viremos! (Jo 14,23).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: (Lc 6,43-49)
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.
– Glória a vós, Senhor!
Busca do reto entendimento – invocação do Espírito Santo
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!
Ensinamento
As santas palavras desta Liturgia Diária ensinam em especial, na primeira leitura, sobre que afirmou o escritor sagrado (1Tm 1,15-17): Eis uma verdade absolutamente certa e merecedora de fé: Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o primeiro. 16.Se encontrei misericórdia, foi para que em mim primeiro Jesus Cristo manifestasse toda a sua magnanimidade e eu servisse de exemplo para todos os que, a seguir, nele crerem, para a vida eterna.17. Ao Rei dos séculos, Deus único, invisível e imortal, honra e glória pelos séculos dos séculos! Amém.
O Salmo Responsorial oportuniza-nos fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 112): Aleluia. Louvai, ó servos do Senhor, louvai o nome do Senhor. 2.Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre. 3.Desde o nascer ao pôr-do-sol, seja louvado o nome do Senhor. 4.O Senhor é excelso sobre todos os povos, sua glória ultrapassa a altura dos céus. 5.Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem seu trono nas alturas, 6.e do alto olha o céu e a terra? 7.Ele levanta do pó o indigente e tira o pobre do monturo, 8. para, entre os príncipes, fazê-lo sentar, junto dos grandes de seu povo. 9.E a mulher, que, antes, era estéril, ele a faz, em sua casa, mãe feliz de muitos filhos.
No Santo Evangelho, sobre que disse Jesus (Lc 6,43-49): Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto. 44.Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos. 45.O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio. 46.Por que me chamais: Senhor, Senhor… e não fazeis o que digo? 47.Todo aquele que vem a mim ouve as minhas palavras e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante. 48.É semelhante ao homem que, edificando uma casa, cavou bem fundo e pôs os alicerces sobre a rocha. As águas transbordaram, precipitaram-se as torrentes contra aquela casa e não a puderam abalar, porque ela estava bem construída. 49.Mas aquele que as ouve e não as observa é semelhante ao homem que construiu a sua casa sobre a terra movediça, sem alicerces. A torrente investiu contra ela, e ela logo ruiu; e grande foi a ruína daquela casa.
Compromisso
Tais santas palavras e ensinamentos instam em especial a assumir o compromisso – cumprindo pedir o auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na primeira leitura (1Tm 1,15-17), de atuar cientes de que Jesus veio para salvar os pecadores, manifestando toda a sua misericórdia e magnanimidade, cumprindo-nos atuar exemplarmente no seu seguimento, como fez o Apóstolo Paulo, para que muitos creiam e obtenham a vida eterna.
As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 112) instam-nos a louvar o nome do Senhor, bendizendo-o agora e para sempre; que a cada dia, do nascer ao pôr do sol, seja louvado o nome do Senhor! Pois ele é excelso sobre todos os povos, sua glória ultrapassa as alturas dos céus. Concitam-nos ainda à consciência de que o Senhor levanta do pó o indigente e retira o pobre do monturo, para fazê-los assentar-se entre os nobres, ou seja, nos resgata das situações mais degradantes e eleva-nos às realidades mais altaneiras. Faz também com que a mulher estéril se torne mãe feliz de muitos filhos. O Senhor tudo pode e aquele que põe fielmente nele sua esperança vive o melhor que a vida pode proporcionar! Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre!
O Santo Evangelho (Lc 6,43-49) insta-nos à plena consciência de que árvores más produzem maus frutos e árvores boas produzem bons frutos, sendo cada árvore conhecida pelo fruto que produz. Daquilo que sai do coração de um homem e transforma-se nas obras de seu viver se conclui sobre sua benignidade ou maldade. Para sermos bons, precisamos absorver e praticar o que Jesus ensina, tornando desse modo nosso viver assentado sobre a rocha, inabalável, inexpugnável!
Oração final
Ó Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos e sustentai-nos para atuarmos cientes de que Jesus veio para salvar os pecadores, manifestando toda a sua misericórdia e magnanimidade, e que cumpre-nos atuar exemplarmente no seu seguimento, como fez o Apóstolo Paulo, para que muitos creiam e obtenham a vida eterna. Louvamos o vosso nome, bendizendo-vos agora e para sempre! A cada dia, do nascer ao pôr do sol, em cada pulsar de nossos corações; em cada aspiração e em cada expiração de nossos pulmões, louvado seja o nome do Senhor! Vós sois excelso sobre todos os povos, vossa glória ultrapassa as alturas dos céus. Vós levantais do pó o indigente e retirais o pobre do monturo para fazê-los assentar-se entre os nobres, ou seja, vós nos resgatais das situações mais degradantes e nos elevais às realidades mais altaneiras. Vós fazeis com que a mulher estéril se torne mãe feliz de muitos filhos, pois vós tudo podeis e aquele que põe fielmente em vós a esperança vive o melhor que a vida pode proporcionar! Bendito seja o vosso nome, agora e para sempre! Pedimo-vos iluminação para nos investirmos plenamente da consciência de que árvores más produzem maus frutos e árvores boas produzem bons frutos, sendo cada árvore conhecida pelo fruto que produz e que daquilo que sai do coração de um homem e transforma-se nas obras de seu viver se conclui sobre sua benignidade ou maldade. Dai-nos ser bons; que cada vez mais absorvamos e pratiquemos o que Jesus ensina, tornando desse modo nosso viver assentado sobre a rocha, inabalável, inexpugnável! Cremos, Senhor, mas aumentai nossa fé!
Leitura complementar
LEITURAS DA LITURGIA DAS HORAS DE 16 DE SETEMBRO DE 2023<http://www.ibreviary.com/m2/opzioni.php>
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Livro das Lamentações 5, 1-22
Prece pela libertação do povo
Lembrai-Vos, Senhor, do que nos aconteceu, olhai e vede a nossa humilhação. A nossa herança passou para as mãos de estranhos, as nossas casas foram entregues a desconhecidos. Ficamos órfãos de pai e nossas mães são como viúvas. A água que bebemos custa-nos dinheiro, temos de pagar a nossa lenha. Levando o jugo ao pescoço, somos perseguidos; estamos esgotados e não temos descanso. Estendemos a mão ao Egito e à Assíria, para sermos saciados de pão.
Os nossos pais pecaram, deixaram de existir, e nós suportamos o peso das suas faltas. Somos governados por escravos, ninguém nos arranca às suas mãos. Com risco da nossa vida procuramos o pão, enfrentando a espada do deserto. A nossa pele abrasa como um forno, sob os ardores da fome. Violentaram mulheres em Sião e jovens nas cidades de Judá. Os chefes foram enforcados pelas mãos dos inimigos, e não respeitaram os anciãos. Os adolescentes foram obrigados a trabalhar com a mó, os jovens vergaram ao peso dos fardos de lenha. Os anciãos já não aparecem na Porta e os novos deixaram os seus instrumentos de música.
Apagou-se a alegria do nosso coração, as nossas danças converteram-se em luto. Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós porque pecamos! Por isso desfalece o nosso coração; por isso escureceram-se os nossos olhos de tanto chorar: o Monte Sião está devastado, e nele andam à solta os chacais.
Mas Vós, Senhor, sois eterno, o vosso trono permanece de geração em geração. Porque nos esqueceríeis para sempre e nos abandonaríeis por tanto tempo? Reconduzi-nos a Vós, Senhor, e voltaremos; fazei que voltem os dias de outrora, se não nos rejeitastes completamente, irritado contra nós sem medida.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Das Cartas de São Cipriano, bispo e mártir
(Ep. 60, 1-2.5: CSEL 3, 691-692.694-695) (Sec. III)
Fé generosa e firme
Cipriano a Cornélio, irmão no episcopado.
Tivemos conhecimento, irmão caríssimo, do glorioso testemunho da vossa fé e fortaleza, e a glória da vossa pública confissão de fé deu-nos tanta alegria que nos consideramos participantes e companheiros dos vossos méritos e louvores. De fato, se formamos todos uma só Igreja, se temos um só coração e uma só alma, qual é o sacerdote que não se congratula com a glória de outro sacerdote, como se fosse própria, e qual é o irmão que não se alegra com a felicidade dos seus irmãos?
Não se pode exprimir suficientemente a alegria e o contentamento que aqui se manifestaram, quando fomos informados da vossa vitória e fortaleza, quando soubemos que vós fostes um verdadeiro chefe dos irmãos na confissão da fé e que a mesma confissão de fé do chefe foi confirmada pela confissão dos irmãos. Deste modo, sendo o primeiro a caminhar para a glória, levastes muitos companheiros a participar da mesma glória; e sendo o primeiro a confessar a fé em nome de todos, persuadistes o povo à confissão da mesma fé. Não sabemos o que mais havemos de louvar em vós, se a vossa fé generosa e inquebrantável, se a inseparável caridade dos irmãos. Assim se manifestou publicamente a coragem do bispo à frente do seu povo e se afirmou claramente a fidelidade do povo em plena solidariedade com o seu bispo. Em vós toda a Igreja de Roma deu um magnífico testemunho, unida num só coração e numa só voz.
Brilhou em todo o seu esplendor, irmão caríssimo, a fé que o Apóstolo elogiava na vossa comunidade. Já então ele previa em espírito esta gloriosa coragem e fortaleza. Já então, anunciando o futuro, celebrava a glória dos vossos méritos e, exaltando os louvores dos pais, estimulava a coragem dos filhos. Com a vossa perfeita concórdia e com a vossa fortaleza, destes a todos os cristãos um magnífico exemplo de união e constância.
Irmão caríssimo, a providência do Senhor nos adverte que está iminente a hora do nosso combate. A bondade divina nos vai prevenindo, com salutares inspirações, de que se aproxima o dia da nossa prova. Por isso, em nome da caridade que nos une, ajudemo nos uns aos outros, perseverando assiduamente com todo o povo nos jejuns, vigílias e orações. Estas são as nossas armas celestes que nos conservam firmes, fortes e perseverantes. Estes são os dardos espirituais e os baluartes divinos que nos protegem.
Lembremo nos uns dos outros, em perfeita concórdia e unidade de espírito; oremos sempre e em toda a parte uns pelos outros; e procuremos aliviar esta hora de tribulação e angústia com a nossa mútua caridade.
ou
Das Atas proconsulares do martírio de São Cipriano, bispo
(Acta 3-6: CSEL 3, 112-114) (Sec. III)
Numa questão tão justa, não é preciso refletir mais
Na manhã do dia catorze de Setembro, reuniu-se uma grande multidão em Sesti, como tinha ordenado o procônsul Galério Máximo. E assim, o mesmo procônsul Galério Máximo, que nesse dia tinha marcado uma audiência no átrio Saucíolo, mandou que trouxessem Cipriano à sua presença. Quando lhe foi apresentado, o procônsul Galério Máximo disse ao bispo Cipriano: «Tu és Táscio Cipriano?». O bispo Cipriano respondeu: «Sim, sou eu».
O procônsul Galério Máximo disse: «És tu que te apresentas como chefe de uma doutrina sacrílega?». O bispo Cipriano respondeu: «Eu mesmo».
O procônsul Galério Máximo continuou: «Os sacratíssimos imperadores ordenaram-te que oferecesses sacrifícios aos deuses». O bispo Cipriano disse: «Não o faço».
Galério Máximo insistiu: «Reflete bem». O bispo Cipriano respondeu: «Faz o que te foi mandado; numa questão tão justa, não é preciso refletir mais».
Galério Máximo, depois de consultar os seus acessores, proferiu, com dificuldade e pesar, esta sentença: «Viveste muito tempo segundo esta doutrina sacrílega e associaste muitos outros à tua seita nefasta, constituindo-te inimigo dos deuses romanos e dos seus cultos sagrados, sem que os piedosos e sacratíssimos príncipes Valeriano e Galieno, nossos Augustos, e Valeriano, nosso nobilíssimo César, tenham conseguido reconduzir-te à observância das suas cerimônias religiosas. Por isso, tendo sido reconhecido como autor e instigador dos piores crimes, servirás de exemplo àqueles que associaste ao teu delito: com o teu sangue será restabelecido o respeito pela lei». Dito isto, leu em alta voz o decreto: «Foi decidido que Táscio Cipriano seja decapitado». O bispo Cipriano disse: «Graças a Deus».
Ao ouvir esta sentença, a multidão dos irmãos dizia: «Nós também queremos ser decapitados com ele». Por isso gerou-se uma grande agitação entre os irmãos; e seguiu-o numerosa multidão. Assim foi conduzido Cipriano ao campo de Sesti. Chegado aí, tirou o manto e o capuz, dobrou os joelhos por terra e prostrou-se em oração ao Senhor. Tirou depois a dalmática, entregou‑a aos diáconos e ficou com a túnica de linho; e assim esperou a vinda do verdugo.
Quando este chegou, o bispo mandou aos seus que dessem ao verdugo vinte e cinco moedas de ouro. Entretanto os irmãos estendiam diante dele lençóis e lenços. Então, o bem-aventurado Cipriano vendou os olhos com as suas próprias mãos; mas como não conseguia atar as pontas do lenço, intervieram para o ajudar o presbítero Juliano e o subdiácono Juliano.
Assim sofreu o martírio o bem-aventurado Cipriano. Para evitar a curiosidade dos gentios, o seu corpo foi depositado num lugar próximo. Daí foi retirado durante a noite e trasladado, com círios e archotes, com preces e em grande triunfo, para o cemitério do procurador Macróbio Candidiano, situado na via Mapaliense, perto das piscinas. Poucos dias depois, morreu o procônsul Galério Máximo.
O bem-aventurado Cipriano sofreu o martírio no dia catorze de Setembro, sendo imperadores Valeriano e Galieno, mas sob o reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo ao qual seja dada honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE LAUDES
2 Cor 1, 3-5
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para podermos consolar aqueles que estão atribulados, por meio do conforto que nós próprios recebemos de Deus. Assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também por Cristo abunda a nossa consolação.
LEITURA BREVE DA HORA TERÇA
1 Sam 15, 22
Porventura agradam tanto ao Senhor os holocaustos e sacrifícios como a obediência à sua voz? A obediência vale mais do que o sacrifício, a docilidade vale mais do que a gordura dos carneiros.
LEITURA BREVE DA HORA SEXTA
Gal 5, 26; 6, 2
Não procuremos a vanglória. Não haja provocações nem invejas entre nós. Suportai os fardos uns dos outros, e deste modo cumprireis a lei de Cristo.
LEITURA BREVE DA HORA NONA
Miq 6, 8
Já te foi indicado, ó homem, o que deves fazer, o que o Senhor exige de ti: praticar a justiça e amar a misericórdia e ser humilde diante o teu Deus.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE VÉSPERAS
2 Pedro 1, 19-20
Temos bem confirmada a palavra dos profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e a estrela da manhã nasça em vossos corações.
Antes de tudo, deveis saber que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular, porque nenhuma profecia foi proferida por vontade dos homens; mas foi em nome de Deus que os homens santos falaram, inspirados pelo Espírito Santo.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE COMPLETAS
Deut 6, 4-7
Escuta, Israel. O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração. Hás de recomendá-las a teus filhos, e nelas meditarás, quer estando sentado em casa quer andando pelos caminhos, quando te deitas e quando te levantas.
Confraria Contardo Ferrini
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados.
