LITURGIA DE 02 DE NOVEMBRO DE 2023 – QUINTA–FEIRA – COMEMORAÇÃO DOS FINADOS (ANO A)
2 de novembro de 2023LITURGIA DE 04 DE NOVEMBRO DE 2023 – SÁBADO – SÃO CARLOS BORROMEU – BISPO E AMIGO DOS POBRES (ANO A)
4 de novembro de 2023Néctar espiritual potencializador da prática cristã extraído do estudo da Liturgia Diária de 03/11/2023 – sabedoria bíblica “na veia” para cristãos de todas as denominações.
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura (Rm 9,1-5), de impregnar-nos da consciência de que São Paulo Apóstolo – que foi um fariseu perseguidor de cristãos – após sua conversão e dedicado à jornada evangelizadora, sentia um grande pesar, uma grande amargura no coração, pelo afastamento, a renitência, a recusa de seus irmãos judeus no sangue e na carne a aderir à fé cristã. Muito embora os israelitas tenham sido os primeiros a quem foi concedida a dádiva da adoção divina – a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas e os patriarcas, sendo deles também descendente o próprio Cristo segundo a carne, ele que é Deus bendito para sempre – ainda assim significativa parcela do povo judeu não se converteu a Cristo. Oremos por esses e outros irmãos separados, bem como por toda a humanidade que vive em agruras pelo distanciamento do Evangelho e das infinitas graças que dele emanam, para que abram suas mentes e corações para acolher a boa nova e assim libertar-se de suas condições degradantes, decorrentes do afastamento da graça divina! Obrigado, Senhor, pela oportunidade de vivermos cada vez mais próximos de vós e de vossa graça e pela consciência de que os que se afastam de vós se distanciam da graça e autocondenam a derrocar suas vidas na desgraça. As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista adaptado à nossa realidade atual (Sl 147): Louvamo-vos, ó Senhor, trilhando vossos caminhos rumo à Jerusalém celeste, recebendo, em decorrência dessa decisão, bênçãos sobre bênçãos, tornando nosso viver a cada dia mais seguro e abençoado, vivendo como filhos em vosso seio. Junto a vós se torna cada vez mais significativa a paz que desfrutamos na convivência com os nossos circunstantes e somos nutridos com os mais refinados alimentos espirituais, que nos tornam pessoas a cada dia melhores para melhor amar-vos e amar e servir com mais completude os que nos são próximos. Vossa palavra revelada nas Sagradas Escrituras nos restaura em todos os aspectos, tornando-nos cada vez mais cientes do vosso infinito poder, ó Deus que criastes a terra, os céus e tudo o que neles existe. Obrigado por todo esse carinho divino, por essas preciosas orientações! Que possamos a cada dia mais tornar-nos instrumentos de irradiação da vossa santa palavra para que muitos sejam convertidos, mudando o curso de suas vidas do rumo abismal – que leva ao aprofundamento no pecado e na morte – para o rumo celestial, que leva, passo a passo, dia a dia, à Jerusalém celeste! O Santo Evangelho (Lc 14,1-6) compele-nos a arraigar-nos na determinação de fazer o bem em todas as ocasiões que se apresentarem para tal, independentemente de protocolos e convenções sociais. Cumpre-nos impregnar-nos da consciência de que fazer o bem é uma questão de emergência, pois a pessoa que está necessitando esse bem é comparável a quem caiu em um poço ou em uma vala, consistindo em dever imperioso estender-lhe a mão para resgatá-la de tal situação. Não há lei legítima que possa impedir-nos de assim proceder, pois a lei da caridade é suprema e soberana, sendo superior a todas as demais – assim ensinou e deu o exemplo o Mestre dos mestres e Senhor dos Senhores, Jesus Cristo, Rei no Universo, Filho de Deus que se fez homem para nos salvar!
LITURGIA DIÁRIA
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.
Antífona da entrada
– Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face (Sl 104, 3).
Oração do dia
– Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1ª Leitura: Rm 9,1-5
Salmo Responsorial: Sl 147
– Glorifica o Senhor, Jerusalém!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 14,1-6
Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!
LEITURA ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (Rm 9,1-5): 1.Digo a verdade em Jesus Cristo, não minto; a minha consciência me dá testemunho pelo Espírito Santo: 2.sinto grande pesar, incessante amargura no coração. 3.Porque eu mesmo desejaria ser reprovado, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são do mesmo sangue que eu, segundo a carne. 4.Eles são os israelitas; a eles foram dadas a adoção, a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas 5.e os patriarcas; deles descende Cristo, segundo a carne, o qual é, sobre todas as coisas, Deus bendito para sempre. Amém.
As santas palavras do Salmo Responsorial nos ensinam pelo salmista (Sl 147): 1.(12)Salmo. Louva, ó Jerusalém, ao Senhor; louva o teu Deus, ó Sião, 2.(13)porque ele reforçou os ferrolhos de tuas portas, e abençoou teus filhos em teu seio. 3.(14)Estabeleceu a paz em tuas fronteiras, e te nutre com a flor do trigo. 4.(15)Ele revelou sua palavra a Jacó, e aí ela corre velozmente. 5.(16)Ele faz cair a neve como lã, espalha a geada, como cinza. 6.(17)Atira o seu granizo como migalhas de pão, diante de seu frio as águas se congelam. 7.(18)À sua ordem, porém, elas se derretem; faz soprar o vento e as águas correm de novo. 8.(19)Ele revelou sua palavra a Jacó, sua lei e seus preceitos a Israel. 9.(20)Com nenhum outro povo agiu assim, a nenhum deles manifestou seus mandamentos.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Lc 14,1-6): 1.Jesus entrou num sábado em casa de um fariseu notável, para uma refeição; eles o observavam. 2.Havia ali um homem hidrópico. 3.Jesus dirigiu-se aos doutores da lei e aos fariseus: É permitido ou não fazer curas no dia de sábado? 4.Eles nada disseram. Então Jesus, tomando o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5.Depois, dirigindo-se a eles, disse: Qual de vós que, se lhe cair o jumento ou o boi num poço, não o tira imediatamente, mesmo em dia de sábado? 6.A isto nada lhe podiam replicar.
Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura (Rm 9,1-5), de impregnar-nos da consciência de que São Paulo Apóstolo – que foi um fariseu perseguidor de cristãos – após sua conversão e dedicado à jornada evangelizadora, sentia um grande pesar, uma grande amargura no coração, pelo afastamento, a renitência, a recusa de seus irmãos judeus no sangue e na carne a aderir à fé cristã. Muito embora os israelitas tenham sido os primeiros a quem foi concedida a dádiva da adoção divina – a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas e os patriarcas, sendo deles também descendente o próprio Cristo segundo a carne, ele que é Deus bendito para sempre – ainda assim significativa parcela do povo judeu não se converteu a Cristo. Oremos por esses e outros irmãos separados, bem como por toda a humanidade que vive em agruras pelo distanciamento do Evangelho e das infinitas graças que dele emanam, para que abram suas mentes e corações para acolher a boa nova e assim libertar-se de suas condições degradantes, decorrentes do afastamento da graça divina! Obrigado, Senhor, pela oportunidade de vivermos cada vez mais próximos de vós e de vossa graça e pela consciência de que os que se afastam de vós se distanciam da graça e autocondenam a derrocar suas vidas na desgraça.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista adaptado à nossa realidade atual (Sl 147): Louvamo-vos, ó Senhor, trilhando vossos caminhos rumo à Jerusalém celeste, recebendo, em decorrência dessa decisão, bênçãos sobre bênçãos, tornando nosso viver a cada dia mais seguro e abençoado, vivendo como filhos em vosso seio. Junto a vós se torna cada vez mais significativa a paz que desfrutamos na convivência com os nossos circunstantes e somos nutridos com os mais refinados alimentos espirituais, que nos tornam pessoas a cada dia melhores para melhor amar-vos e amar e servir com mais completude os que nos são próximos. Vossa palavra revelada nas Sagradas Escrituras nos restaura em todos os aspectos, tornando-nos cada vez mais cientes do vosso infinito poder, ó Deus que criastes a terra, os céus e tudo o que neles existe. Obrigado por todo esse carinho divino, por essas preciosas orientações! Que possamos a cada dia mais tornar-nos instrumentos de irradiação da vossa santa palavra para que muitos sejam convertidos, mudando o curso de suas vidas do rumo abismal – que leva ao aprofundamento no pecado e na morte – para o rumo celestial, que leva, passo a passo, dia a dia, à Jerusalém celeste!
O Santo Evangelho (Lc 14,1-6) compele-nos a arraigar-nos na determinação de fazer o bem em todas as ocasiões que se apresentarem para tal, independentemente de protocolos e convenções sociais. Cumpre-nos impregnar-nos da consciência de que fazer o bem é uma questão de emergência, pois a pessoa que está necessitando esse bem é comparável a quem caiu em um poço ou em uma vala, consistindo em dever imperioso estender-lhe a mão para resgatá-la de tal situação. Não há lei legítima que possa impedir-nos de assim proceder, pois a lei da caridade é suprema e soberana, sendo superior a todas as demais – assim ensinou e deu o exemplo o Mestre dos mestres e Senhor dos Senhores, Jesus Cristo, Rei no Universo, Filho de Deus que se fez homem para nos salvar!
Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que São Paulo Apóstolo – que foi um fariseu perseguidor de cristãos – após sua conversão e dedicado à jornada evangelizadora, sentia um grande pesar, uma grande amargura no coração, pelo afastamento, a renitência, a recusa de seus irmãos judeus no sangue e na carne a aderir à fé cristã. Muito embora os israelitas tenham sido os primeiros a quem foi concedida a dádiva da adoção divina – a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas e os patriarcas, sendo deles também descendente o próprio Cristo segundo a carne, ele que é Deus bendito para sempre – ainda assim significativa parcela do povo judeu não se converteu a Cristo. Oramos por esses e outros irmãos separados, bem como por toda a humanidade que vive em agruras pelo distanciamento do Evangelho e das infinitas graças que dele emanam, para que abram suas mentes e corações para acolher a boa nova e assim libertar-se de suas condições degradantes, decorrentes do afastamento da graça divina! Obrigado, Senhor, pela oportunidade de vivermos cada vez mais próximos de vós e de vossa graça e pela consciência de que os que se afastam de vós se distanciam da graça e autocondenam a derrocar suas vidas na desgraça. Louvamo-vos, ó Senhor, trilhando vossos caminhos rumo à Jerusalém celeste, recebendo, em decorrência dessa decisão, bênçãos sobre bênçãos, tornando nosso viver a cada dia mais seguro e abençoado, vivendo como filhos em vosso seio. Junto a vós se torna cada vez mais significativa a paz que desfrutamos na convivência com os nossos circunstantes e somos nutridos com os mais refinados alimentos espirituais, que nos tornam pessoas a cada dia melhores para melhor amar-vos e amar e servir com mais completude os que nos são próximos. Vossa palavra revelada nas Sagradas Escrituras nos restaura em todos os aspectos, tornando-nos cada vez mais cientes do vosso infinito poder, ó Deus que criastes a terra, os céus e tudo o que neles existe. Obrigado por todo esse carinho divino, por essas preciosas orientações! Que possamos a cada dia mais tornar-nos instrumentos de irradiação da vossa santa palavra para que muitos sejam convertidos, mudando o curso de suas vidas do rumo abismal – que leva ao aprofundamento no pecado e na morte – para o rumo celestial, que leva, passo a passo, dia a dia, à Jerusalém celeste! Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos arraiguemos na determinação de fazer o bem em todas as ocasiões que se apresentarem para tal, independentemente de protocolos e convenções sociais, pois cumpre impregnar-nos da consciência de que fazer o bem é uma questão de emergência, visto que a pessoa que está necessitando esse bem é comparável a quem caiu em um poço ou em uma vala, consistindo em dever imperioso prontamente estender-lhe a mão para resgatá-la de tal situação. Não há lei legítima que possa impedir-nos de assim proceder, pois a lei da caridade é suprema e soberana, sendo superior a todas as demais – assim ensinou e deu o exemplo o Mestre dos mestres e Senhor dos Senhores, Jesus Cristo, Rei no Universo, Filho de Deus que se fez homem para nos salvar! Cremos, Senhor, mas aumentai nossa fé!
4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam também a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 03 de Novembro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2023/11/santos-do-dia-da-igreja-catolica-03-de-novembro/> Postado em: 02/11/2023 por: marsalima]

Martinho de Lima, ou melhor, Marinho de Porres, conviveu com a injustiça social desde que nasceu, em 9 de dezembro de 1579, em Lima, no Peru. Filho de Juan de Porres, um cavaleiro espanhol, e de uma ex-escrava negra do Panamá, foi rejeitado pelo pai e pelos parentes por ser negro. Tanto que na sua certidão de batismo constou “pai ignorado”. O mesmo aconteceu com sua irmãzinha, filha do mesmo pai. Mas depois Juan de Porres regularizou a situação e viveu ainda algum tempo com os filhos, no Equador. Quando foi transferido para o Panamá como governador, deixou a menina aos cuidados de um parente e Martinho com a própria mãe, além de meios de sustento e para que estudasse um pouco.
Aos oito anos de idade, Martinho tornou-se aprendiz de barbeiro-cirurgião, duas profissões de respeito na época, aprendendo numa farmácia algumas noções de medicina. Assim, estava garantido o seu futuro, podendo dar a volta por cima na vida.
Mas não demorou muito para a vocação religiosa falar-lhe mais alto. E ele, novamente por ser negro, somente a muito custo conseguiu entrar como oblato num convento dos dominicanos. Tanto se esforçou até que professou como irmão leigo e, finalmente, vestiu o hábito dominicano. Encarregava-se dos mais humildes trabalhos do convento e era barbeiro e enfermeiro dos seus irmãos de hábito. Conhecedor profundo de ervas e remédios, devido à aprendizagem que tivera, socorria todos os doentes pobres da região, principalmente os negros como ele.
A santidade estava impregnada nele, que além do talento especial para a medicina, foi agraciado com dons místicos. Possuía muitos dons, como da profecia, da inteligência infusa, da cura, do poder sobre os animais e de estar em vários lugares ao mesmo tempo. Segundo a tradição, embora nunca tenha saído de Lima, há relatos de ter sido visto aconselhando e ajudando missionários na África, no Japão e até na China. Como são Francisco de Assis, dominava, influenciava e comandava os animais de todas as espécies, mesmo os ratos, que o seguiam a um simples chamado.
A fama de sua santidade ganhou tanta força que as pessoas passaram a interferir na calma do convento, por isso o superior teve de proibi-lo de patrocinar os prodígios. Mas logo voltou atrás, pois uma peste epidêmica atingiu a comunidade e muitos padres caíram doentes. Então, Martinho associou às ervas a fé, e com o toque das mãos curou cada um deles.
Morreu aos sessenta anos, no dia 3 de novembro de 1639, após contrair uma grave febre. Porém o padre negro dos milagres, como era chamado pelo povo pobre, deixou sua marca e semente, além da vida inteira dedicada aos desamparados. Com as esmolas recebidas, fundou, em Lima, um colégio só para o ensino das crianças pobres, o primeiro do Novo Mundo.
O papa Gregório XVI beatificou-o em 1837, tendo sido canonizado em 1962, por João XXIII, que confirmou sua festa no dia 3 de novembro. Em 1966, Paulo VI proclamou são Martinho de Porres padroeiro dos barbeiros. Mas os devotos também invocam sua intercessão nas causas que envolvem justiça social.

São Humberto de Liège
Muito pouco se sabe sobre a vida de Humberto, que nasceu no ano 656. Pertencia a uma família da nobreza, pois seu pai, Beltrão, era rei da Aquilânia, hoje França. Desde a infância mostrou prazer pela caça, crescendo forte e muito valente neste esporte. Conta a tradição que ele, na juventude, salvou a vida do rei, seu pai, que fora atacado por uma fera, numa de suas habituais caçadas.
Depois disso, foi enviado para estudar na Bélgica, mas seu pai, temendo que a corrupção daquela corte pudesse envolver o jovem príncipe herdeiro, enviou-o aos cuidados do rei Pepino de Lotaríngia, Alemanha, que o preparou na carreira militar. Nessa carreira foi tão repleto de sucessos que foi recompensado com um casamento. Para esposa, escolheu a filha do conde Dagoberto de Louvânia. Da união nasceu um filho, Floriberto.
Segundo uma antiga tradição cristã, a conversão de Humberto ocorreu de maneira surpreendente. Numa Sexta-Feira da Paixão, dia de recolhimento cristão, ele resolveu ir caçar. Durante a perseguição de um veado, este parou diante do príncipe, que viu, entre os chifres do animal, um crucifixo iluminado. No mesmo instante, ouviu uma voz dizendo: “Se não voltares para Deus, cairás eternamente no inferno”.
Foi procurar seu confessor, o bispo Lamberto, que dirigia a sede episcopal de Liège, na Bélgica, e converteu-se sinceramente, tornando-se católico fervoroso. Pouco tempo depois, sua mulher morreu e seu pai agonizou em seus braços. A partir desses fatos, Humberto desistiu da vida da corte. Abriu mão do trono em favor do irmão, mas deixou-lhe a tarefa de educar seu filho Floriberto, que mais tarde ordenou-se sacerdote. Entregou ao menino parte da herança e o restante doou aos pobres, indo dedicar-se à vida espiritual, recolhendo-se num mosteiro beneditino, entregando-se ao estudo da religião e trabalhando como horteleiro e pastor. Nessa ocasião, foi a pé, em peregrinação, para Roma, visitar os túmulos de São Pedro e São Paulo.
Ao retornar, Humberto procurou o bispo Lamberto, que o ordenou sacerdote e o enviou para evangelizar as populações que viviam nos bosques de Ardene. Mas pouco depois, Lamberto, que havia transferido a sede episcopal para Maastrich, Holanda, foi assassinado pelos inimigos do cristianismo. Humberto, então, foi convocado pelo papa Sérgio I, que, em Roma ,o consagrou sucessor daquele bispo.
Anos depois, por sua conduta de homem justo, reto na fé em Cristo, na obediência ao papa e austero na pertinência e caridade cristã, recebeu do Espírito Santo o dom dos milagres e da sabedoria. O seu bispado foi de transformação, pois além de fundor e reformar igrejas, mosteiros, instituiu vasta assistência aos pobres e doentes abandonados. Os pagãos que habitavam os bosques foram batizados e a região tornou-se uma grande comunidade cristã. A sua fama de santidade espalhou-se e, em 722, pôde retornar a sede episcopal para Liège.
Ficaram célebres os milagres operados por Deus através de suas mãos, como ele mesmo apregoava. Mas certo dia do ano 727, Humberto ouviu uma voz que anunciava a aproximação de sua morte. Entregou todas as atividades nas mãos dos seus sacerdotes e dedicou-se ao jejum, às orações e à penitência, falecendo no mesmo ano.
Sepultado na Catedral de São Pedro, em Liège, teve sua festa indicada para o dia 3 de novembro, data em que suas relíquias foram trasladadas para o altar maior dessa catedral, em 743. O seu culto, muito difundido na Europa, espalhou-se para todo o mundo cristão ocidental, que venera são Humberto de Liège como o padroeiro dos caçadores.

Santa Sílvia
Sílvia era italiana, nasceu em Roma em torno do ano 520, numa família de origem siciliana de cristãos praticantes e caridosos. Os dados sobre sua infância não são conhecidos. Porém a sua adolescência coincidiu com um difícil e turbulento período histórico: o declínio do Império Romano e sua tomada pelos bárbaros góticos.
Ela entrou para a família dos Anici em 538, quando se casou com o senador Jordão. Essa família romana era muito rica e influente, e muitos nomes forneceu para a história do senado italiano. Sílvia foi residir na casa do marido, um palácio que ficava nas colinas do monte Célio, onde ele vivia com suas duas irmãs, Tarsila e Emiliana.
O casal logo teve dois filhos. O primeiro foi Gregório, nascido em 540, e o segundo, que o próprio irmão citava com frequência, não teve o nome registrado na história. As cunhadas Tarsila e Emiliana tornaram-se santas, incluídas no calendário da Igreja, e seu primogênito foi o grande papa Gregório Magno, santo, doutor da Igreja e glória de Roma do século VI.
Sílvia soube conduzir essa família de verdadeiros cristãos e romanos autênticos. Não permitiu que o ambiente da corte que frequentavam impedisse a santificação pela fé, mantendo sempre a pureza dos costumes separada da notoriedade pública. As cunhadas são um exemplo da figura de Sílvia, mãe providente e benfeitora, que soube conciliar as exigências de uma família de político atuante, como era o marido Jordão, com o desejo de perfeição espiritual representado pelas duas cunhadas.
Por falta de notícias precisas, a santidade de Sílvia aparece refletida através daquela de seu filho. Sem dúvida, sobre são Gregório Magno o exemplo e o ensinamento da mãe foi de um peso que não se pode ignorar. embora ele tenha escrito muito pouco sobre a mãe e as tias, nas pregações costumava citar-lhes o exemplo.
Dados encontrados sobre a vida de Silvia relatam que, quando o senador Jordão morreu em 573, ela tratou de uma doença grave do filho Gregório, que já adulto atuava no clero, levando-lhe pessoalmente as refeições, até sua pronta recuperação. Depois disso, entregou o palácio onde residia para que o filho o transformasse num mosteiro.
Quando Gregório não precisou mais da sua ajuda e nem de sua orientação, Sílvia retirou-se para a vida religiosa num dos mosteiros existentes fora dos muros de Roma no qual, com idade avançada, faleceu serenamente, num ano incerto, mas depois de 594.
O Martirológio Romano indica o dia 3 de novembro para o culto litúrgico em memória de Santa Sílvia. Em 1604, suas relíquias foram levadas para a igreja de santos André e Gregório, construída no antigo mosteiro e palácio de Monte Célio, onde o papa São Gregório Magno nasceu e santa Sílvia viveu com as duas cunhadas santas.
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS – ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Livro da Sabedoria 8, 1-21
A sabedoria deve pedir-se a Deus
A sabedoria estende o seu vigor dum extremo ao outro da terra e tudo governa excelentemente.
Amei-a e procurei-a desde a minha juventude;
procurei tomá-la por esposa, enamorado da sua beleza.
Na intimidade com Deus manifestou a nobreza da sua origem,
porque é amada pelo Senhor do universo.
Está iniciada na ciência de Deus e preside às suas obras.
Se a riqueza é um bem desejável na vida,
que há de mais rico do que a Sabedoria, que tudo realiza?
Se a inteligência é eficiente,
quem é superior à Sabedoria, que fez todo o universo?
Se alguém ama a justiça,
o fruto dos seus trabalhos são as virtudes,
porque ela ensina a temperança e a prudência,
a justiça e a fortaleza,
que são os bens mais úteis aos homens na vida.
Se alguém deseja uma grande experiência,
ela conhece o passado e entrevê o futuro,
entende os artifícios dos discursos e a solução dos enigmas,
prevê os sinais e os prodígios,
a sucessão das idades e dos tempos.
Por isso decidi tomá-la por companheira da minha vida,
sabendo que seria a minha conselheira nos dias felizes
e o meu conforto nas preocupações e tristezas.
Graças a ela, alcançarei glória entre as multidões
e, apesar de jovem, conseguirei honra entre os anciãos.
Hão-de considerar a inteligência dos meus julgamentos
e admirar-me-ão todos os poderosos.
Se me calar, esperarão que eu fale;
e se falar, hão-de escutar-me atentamente;
se prolongar o meu discurso, conservarão a mão sobre a boca.
Por ela alcançarei a imortalidade
e deixarei memória eterna à minha descendência.
Governarei os povos e ser-me-ão sujeitas as nações.
Ao ouvirem falar de mim, tremerão os soberanos poderosos.
Mostrar-me-ei benigno com o meu povo e forte na guerra.
Entrando em minha casa, descansarei junto dela,
pois não causa amargura a sua companhia,
nem tristeza a sua convivência,
mas satisfação e alegria.
Pensando comigo nestas coisas
e considerando no meu coração
que a imortalidade se encontra na união com a sabedoria,
a alegria perfeita na sua amizade,
riquezas inesgotáveis no trabalho de suas mãos,
inteligência na sua intimidade assídua,
fama no trato com as suas palavras,
procurei-a por toda a parte para a tomar para mim.
Eu era um menino de boa índole
e coube-me em sorte uma alma boa,
ou antes, sendo bom, entrei num corpo sem mancha.
E compreendendo que não podia possuir a sabedoria,
a não ser por dom de Deus
– e já era fruto da sabedoria saber donde vem este dom –
dirigi-me ao Senhor e pedi-lha com todo o coração.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Das Obras de Balduíno de Cantuária, bispo
(Tract. 6: PI 204, 451-453) (Sec. XII)
A palavra de Deus é viva e eficaz
A palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes. Aos que buscam a Cristo, que é a palavra, o poder e a sabedoria de Deus, fica bem declarada nesta expressão da Escritura toda a grandeza, força e sabedoria d’Aquele que é a verdadeira Palavra de Deus. Esta Palavra, eterna como o Pai desde o princípio, foi revelada no devido tempo aos Apóstolos e por estes anunciada aos povos e humildemente acolhida com fé. Por conseguinte, a Palavra está no Pai, na boca dos pregadores e no coração dos crentes.
Esta Palavra de Deus é viva, porque o Pai lhe comunicou o poder de ter a vida em Si mesma, tal como Ele tem a vida em Si mesmo. Por esta razão, ela não somente é viva, mas é a própria vida, como de Si mesma proclama: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Precisamente porque esta Palavra é a vida, é viva e vivificante. De fato, assim como o Pai ressuscita os mortos e dá a vida, assim também o Filho dá a vida a quem quer. Dá a vida quando chama o morto do sepulcro, dizendo: Lázaro, sai para fora.
Quando esta Palavra é anunciada mediante a voz do pregador, transmite pela voz que se ouve exteriormente a voz que atua interiormente e que chama os mortos à vida para renascerem na alegria dos filhos de Abraão. Portanto, é viva esta Palavra no coração do Pai, é viva na boca do pregador, é viva no coração de quem crê e ama. E se é assim tão viva, é também, sem dúvida, eficaz.
É eficaz na criação do mundo, eficaz no governo do mundo, eficaz na redenção do mundo. Que há de mais eficaz e mais poderoso que esta Palavra? Quem poderá contar as suas obras e proclamar todos os seus louvores? É eficaz quando atua e eficaz quando é anunciada. Não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter realizado a sua missão.
É eficaz e mais penetrante que uma espada de dois gumes, quando é acreditada e amada. Que há de impossível para quem crê e que há de difícil para quem ama? Quando esta Palavra faz ouvir a sua voz, as suas palavras trespassam o coração, como as setas aguçadas dum herói; e penetram tão profundamente que atravessam até ao mais íntimo segredo da alma. É mais cortante esta Palavra que uma espada de dois gumes, porque é mais incisiva que todo o poder e toda a força, mais sutil que toda a agudeza humana, mais penetrante que toda a sabedoria e todas as palavras da sutileza humana.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE LAUDES
Ef 2, 13-16
Foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes d’Ele, graças ao Sangue de Cristo. Cristo é, de fato, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gentios um só povo, e derrubou o muro da inimizade que os separava, anulando, pela imolação do seu Corpo, a Lei de Moisés com as suas prescrições e decretos. E assim, de uns e outros Ele fez em Si próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. Pela cruz, reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só Corpo, levando em Si próprio a morte à inimizade.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DA HORA TERÇA
Deut 1,31b
O Senhor conduziu-vos, como um pai conduz o seu filho, por todo o caminho por onde andastes até chegar a este lugar.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DA HORA SEXTA
Bar 4, 28-29
Quisestes apartar-vos de Deus: ponde agora dez vezes mais zelo em procurá-l’O. Aquele que sobre vós fez cair a catástrofe, dar-vos-á, com a libertação, a alegria eterna.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DA HORA NONA
Sab 1, 13-15
Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra com a perdição dos vivos. Pela criação deu o ser a todas as coisas, e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a terra, porque a justiça é imortal.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE VÉSPERAS
1Cor 2, 7-10a
Nós falamos da sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que já antes dos séculos Deus tinha destinado para a nossa glória. Nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu; porque, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito: «Nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam». Mas a nós, Deus o revelou por meio do Espírito Santo.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE COMPLETAS
Jer 14, 9
Estais no meio de nós, Senhor, e sobre nós foi invocado o vosso nome. Não nos abandoneis, Senhor nosso Deus.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
[Fonte: <https://salvaimerainha.org.br/santo-do-dia/utm_source=google&utm_medium=grants.acnsf.1&utm_content=santo.do.dia.pc.c>]
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática




O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.
1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?
2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.
3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…
4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
