LITURGIA DE 10 DE NOVEMBRO DE 2023 – SEXTA-FEIRA – SÃO LEÃO MAGNO – PAPA E DOUTOR (ANO A)
10 de novembro de 2023LITURGIA DE 12 DE NOVEMBRO DE 2023 – DOMINGO DA XXXII SEMANA DO TEMPO COMUM (ANO A)
12 de novembro de 2023Néctar espiritual potencializador da prática cristã extraído do estudo da Liturgia Diária de 11/11/2023 – sabedoria bíblica “na veia” para cristãos de todas as denominações.
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura (Rm 16,3-9.16.22-27), de seguir o exemplo de Prisca e Áquila, cooperando na causa de Cristo Jesus, ainda que com o risco da própria vida, disponibilizando, se necessário for, as nossas próprias casa para os cristãos se reunirem. Demos glória a Deus que é poderoso para nos confirmar, segundo o Evangelho, na pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério, guardado durante séculos, mas manifestado por ordem do eterno Deus por meio das Escritura proféticas, para que seja dado a conhecer a todas as nações, a fim de levá-las à obediência na fé ao Deus único e sumamente sábio, por Jesus Cristo, dando-lhe glória por toda a eternidade. Amém! As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 144) compelem-nos a louvar, glorificar e bendizer eternamente o Senhor Deus, contribuindo para que uma geração apregoe à outra as suas obras e proclame o seu poder esplendoroso em majestade, cujo brilho se reflete na criação, que estampa sua grandeza. Pois são imensas a bondade e a justiça do Senhor, bem como sua clemência, compassividade, longanimidade e bondade, sendo bom para com todos – sua misericórdia se irradia por sobre todas as suas obras. Cumpre-nos, pois, apregoar a glória do Reino de Deus e anunciar o poder desse reino eterno, cujo império se estende por todas as gerações, sendo o Senhor fiel em tudo o que diz e santo em tudo que faz, pois sustenta os que vacilam e soergue os abatidos. Os olhos esperançosos se direcionam ao Senhor, que a seu tempo atende com benevolência os que o buscam, se aproxima dos que o invocam com sinceridade e satisfaz os desejos dos que o temem, salvando os que a ele dirigem seus clamores, pois o Senhor vela pelos que o amam, porém exterminará todos os maus. O Santo Evangelho (Lc 16,9-15) compele-nos a bem proceder com as riquezas deste mundo; que elas venham a ser razão de honra e consideração no convívio com nossos circunstantes; que sejamos fiéis desde as coisas aparentemente mais insignificantes – pois, conforme ensina Jesus, quem é fiel no pouco também o é no muito e quem não é fiel e justo nas coisas pequenas, também não o é nas grandes. Atuemos, pois, cientes de que, se não formos fiéis em tudo o que tivermos à disposição neste mundo, que é passageiro, nos tornaremos indignos de receber as verdadeiras riquezas na eternidade. Cumpre-nos, pois, ser fiéis ao alheio, tornando-nos assim aptos a receber o que é nosso. Comprometamo-nos com o Reino de Deus, cientes de que não é possível servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo, pois, conforme esclarece São Paulo, a avareza, o apego ao dinheiro, se constitui abominável idolatria (Efésios 5,5). Atuemos, pois, cientes de que Deus conhece nossos corações e de que aquilo que é valioso, elevado, altamente considerado aos olhos do mundo, é desprezível aos olhos de Deus.
LITURGIA DIÁRIA
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.
Antífona da entrada
– Farei surgir um sacerdote fiel, que agirá segundo o meu coração e minha vontade, diz o Senhor (1Sm 2,35).
Oração do dia
– Ó Deus, que fostes glorificado pela vida e a morte do bispo São Martinho, renovai em nossos corações as maravilhas da vossa graça, de modo que nem a morte nem a vida nos possam separar do vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1ª Leitura: Rm 16,3-9.16.22-27
Salmo Responsorial: Sl 144
– Bendirei o vosso nome pelos séculos, Senhor!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Jesus Cristo, Senhor nosso, embora sendo rico, para nós se tornou pobre, a fim de enriquecer-nos mediante sua pobreza (2Cor 8,9).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 16,9-15
Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!
LEITURA ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (Rm 16,3-9.16.22-27): Saudai Prisca e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus; 4.pela minha vida eles expuseram as suas cabeças. E isso lhes agradeço, não só eu, mas também todas as igrejas dos gentios. 5.Saudai também a comunidade que se reúne em sua casa. Saudai o meu querido Epêneto, que foi as primícias da Ásia para Cristo.6. Saudai Maria, que muito trabalhou por vós. 7.Saudai Andrônico e Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são muito estimados entre os apóstolos e se tornaram discípulos de Cristo antes de mim. 8.Saudai Ampliato, amicíssimo meu no Senhor. 9.Saudai Urbano, nosso colaborador em Cristo Jesus, e o meu amigo Estáquis. 16.Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Todas as igrejas de Cristo vos saúdam. 22.Eu, Tércio, que escrevi esta carta, vos saúdo no Senhor. 23.Saúda-vos Gaio, meu hospedeiro, e de toda a Igreja. 24.Saúda-vos Erasto, tesoureiro da cidade, e Quarto, nosso irmão. 25.Àquele que é poderoso para vos confirmar, segundo o meu Evangelho, na pregação de Jesus Cristo – conforme a revelação do mistério, guardado em segredo durante séculos, 26.mas agora manifestado por ordem do eterno Deus e, por meio das Escrituras proféticas, dado a conhecer a todas as nações, a fim de levá-las à obediência da fé – , 27.a Deus, único, sábio, por Jesus Cristo, glória por toda a eternidade! Amém.
As santas palavras do Salmo Responsorial nos ensinam pelo salmista (Sl 144): Louvor. De Davi. Ó meu Deus, meu rei, eu vos glorificarei, e bendirei o vosso nome pelos séculos dos séculos. 2.Dia a dia vos bendirei, e louvarei o vosso nome eternamente. 3.Grande é o Senhor e sumamente louvável, insondável é a sua grandeza. 4.Cada geração apregoa à outra as vossas obras, e proclama o vosso poder. 5.Elas falam do brilho esplendoroso de vossa majestade, e publicam as vossas maravilhas. 6.Anunciam o formidável poder de vossas obras e narram a vossa grandeza. 7.Proclamam o louvor de vossa bondade imensa, e aclamam a vossa justiça. 8.O Senhor é clemente e compassivo, longânime e cheio de bondade. 9.O Senhor é bom para com todos, e sua misericórdia se estende a todas as suas obras. 10.Glorifiquem-vos, Senhor, todas as vossas obras, e vos bendigam os vossos fiéis. 11.Que eles apregoem a glória de vosso reino, e anunciem o vosso poder, 12.para darem a conhecer aos homens a vossa força, e a glória de vosso reino maravilhoso. 13.Vosso reino é um reino eterno, e vosso império subsiste em todas as gerações. O Senhor é fiel em suas palavras, e santo em tudo o que faz. 14.O Senhor sustém os que vacilam, e soergue os abatidos. 15.Todos os olhos esperançosos se dirigem para vós, e a seu tempo vós os alimentais. 16.Basta abrirdes as mãos, para saciardes com benevolência todos os viventes. 17.O Senhor é justo em seus caminhos, e santo em tudo o que faz. 18.O Senhor se aproxima dos que o invocam, daqueles que o invocam com sinceridade. 19.Ele satisfará o desejo dos que o temem, ouvirá seus clamores e os salvará. 20.O Senhor vela por aqueles que o amam, mas exterminará todos os maus. 21.Que minha boca proclame o louvor do Senhor, e que todo ser vivo bendiga eternamente o seu santo nome.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Lc 16,9-15): Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos. 10.Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes. 11.Se, pois, não tiverdes sido fiéis nas riquezas injustas, quem vos confiará as verdadeiras? 12.E se não fostes fiéis no alheio, quem vos dará o que é vosso? 13.Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 14.Ora, ouviam tudo isto os fariseus, que eram avarentos, e zombavam dele.m15.Jesus disse-lhes: Vós procurais parecer justos aos olhos dos homens, mas Deus vos conhece os corações; pois o que é elevado aos olhos dos homens é abominável aos olhos de Deus.
Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura (Rm 16,3-9.16.22-27), de seguir o exemplo de Prisca e Áquila, cooperando na causa de Cristo Jesus, ainda que com o risco da própria vida, disponibilizando, se necessário for, as nossas próprias casa para os cristãos se reunirem. Demos glória a Deus que é poderoso para nos confirmar, segundo o Evangelho, na pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério, guardado durante séculos, mas manifestado por ordem do eterno Deus por meio das Escritura proféticas, para que seja dado a conhecer a todas as nações, a fim de levá-las à obediência na fé ao Deus único e sumamente sábio, por Jesus Cristo, dando-lhe glória por toda a eternidade. Amém!
As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 144) compelem-nos a louvar, glorificar e bendizer eternamente o Senhor Deus, contribuindo para que uma geração apregoe à outra as suas obras e proclame o seu poder esplendoroso em majestade, cujo brilho se reflete na criação, que estampa sua grandeza. Pois são imensas a bondade e a justiça do Senhor, bem como sua clemência, compassividade, longanimidade e bondade, sendo bom para com todos – sua misericórdia se irradia por sobre todas as suas obras. Cumpre-nos, pois, apregoar a glória do Reino de Deus e anunciar o poder desse reino eterno, cujo império se estende por todas as gerações, sendo o Senhor fiel em tudo o que diz e santo em tudo que faz, pois sustenta os que vacilam e soergue os abatidos. Os olhos esperançosos se direcionam ao Senhor, que a seu tempo atende com benevolência os que o buscam, se aproxima dos que o invocam com sinceridade e satisfaz os desejos dos que o temem, salvando os que a ele dirigem seus clamores, pois o Senhor vela pelos que o amam, porém exterminará todos os maus.
O Santo Evangelho (Lc 16,9-15) compele-nos a bem proceder com as riquezas deste mundo; que elas venham a ser razão de honra e consideração no convívio com nossos circunstantes; que sejamos fiéis desde as coisas aparentemente mais insignificantes – pois, conforme ensina Jesus, quem é fiel no pouco também o é no muito e quem não é fiel e justo nas coisas pequenas, também não o é nas grandes. Atuemos, pois, cientes de que, se não formos fiéis em tudo o que tivermos à disposição neste mundo, que é passageiro, nos tornaremos indignos de receber as verdadeiras riquezas na eternidade. Cumpre-nos, pois, ser fiéis ao alheio, tornando-nos assim aptos a receber o que é nosso. Comprometamo-nos com o Reino de Deus, cientes de que não é possível servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo, pois, conforme esclarece São Paulo, a avareza, o apego ao dinheiro, se constitui abominável idolatria (Efésios 5,5). Atuemos, pois, cientes de que Deus conhece nossos corações e de que aquilo que é valioso, elevado, altamente considerado aos olhos do mundo, é desprezível aos olhos de Deus.
Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para seguir o exemplo de Prisca e Áquila, cooperando na causa de Cristo Jesus, ainda que com o risco da própria vida, disponibilizando, se necessário for, as nossas próprias casa para os cristãos se reunirem. Damo-vos glória, vós que sois poderoso para nos confirmar, segundo o Evangelho, na pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado durante séculos, mas manifestado por vossa ordem por meio das Escrituras proféticas, para que seja dado a conhecer a todas as nações, a fim de levá-las à obediência a vós na fé – vós que sois Deus único e sumamente sábio! Louvamo-vos, glorificamo-vos e bendizemo-vos eternamente e desejamos ardentemente contribuir para que uma geração apregoe à outra as vossas obras e proclame o vosso poder esplendoroso em majestade, cujo brilho se reflete na criação, que estampa vossa grandeza. Pois são imensas a vossa bondade e justiça, bem como vossa clemência, compassividade, longanimidade e bondade, sendo bom para com todos – vossa misericórdia se irradia por sobre todas as vossas obras. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para apregoar a glória do Vosso Reino e anunciar o poder desse reino eterno, cujo império se estende por todas as gerações, sendo o Senhor fiel em tudo o que diz e santo em tudo que faz, pois sustenta os que vacilam e soergue os abatidos. Os olhos esperançosos se direcionam a vós, que oportunamente atendeis com benevolência os que vos buscam; vos aproximais dos que vos invocam com sinceridade e satisfazeis os desejos dos que vos temem, salvando os que a vós dirigem seus clamores, pois velais pelos que vos amam, porém exterminareis todos os maus. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para bem proceder com as riquezas deste mundo; que elas venham a ser razão de honra e consideração no convívio com nossos circunstantes; que sejamos fiéis desde as coisas aparentemente mais insignificantes – pois, conforme ensina Jesus, quem é fiel no pouco também o é no muito e quem não é fiel e justo nas coisas pequenas, também não o é nas grandes. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para atuarmos cientes de que, se não formos fiéis em tudo o que tivermos à disposição neste mundo, que é passageiro, nos tornaremos indignos de receber as verdadeiras riquezas na eternidade. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para sermos fiéis ao alheio, tornando-nos assim aptos a receber o que é nosso. Que nos comprometamos com o Reino de Deus, cientes de que não é possível servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo, pois, conforme esclarece São Paulo, a avareza, o apego ao dinheiro, se constitui abominável idolatria (Efésios 5,5). Satisfaçamo-nos, pois, com o necessário, o suficiente, atuando cientes de que Deus conhece nossos corações e de que aquilo que é valioso, elevado e altamente considerado aos olhos do mundo é desprezível aos olhos de Deus. Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!
4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 11 de Novembro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2023/11/santos-do-dia-da-igreja-catolica-11-de-novembro/> Postado em: 10/11/2023 por: marsalima]

São Martinho de Tours
“Senhor, se o vosso povo precisa de mim, não vou fugir do trabalho. Seja feita a vossa vontade”, dizia Martinho, bispo de Tours, aos oitenta e um anos de idade.
Ele despertou para a fé quando ainda menino e depois, mesmo soldado da cavalaria do exército romano, jamais abandonou os ensinamentos de Cristo. A sua vida foi uma verdadeira cruzada contra os pagãos e em favor do cristianismo. Quatro mil igrejas foram dedicadas a ele na França, e o seu nome dado a milhares de localidades, povoados e vilas; bem como em toda a Europa, nas Américas. Enfim, em todos os países do mundo.
Martinho nasceu na Hungria, antiga Panônia, por volta do ano 316, e pertencia a uma família pagã. Seu pai era comandante do exército romano. Por curiosidade começou a frequentar uma Igreja cristã, ainda criança, sendo instruído na doutrina cristã, porém sem receber o batismo. Ao atingir a adolescência, para tê-lo mais à sua volta, seu pai o alistou na cavalaria do exército imperial. Mas se o intuito do pai era afastá-lo da Igreja, o resultado foi inverso, pois Martinho continuava praticando os ensinamentos cristãos, principalmente a caridade. Depois, foi destinado a prestar serviço na Gália, atual França.
Foi nessa época que ocorreu o famoso episódio do manto. Um dia, um mendigo que tiritava de frio pediu-lhe esmola e, como não tinha, o cavalariano cortou seu próprio manto com a espada, dando metade ao pedinte. Durante a noite, o próprio Jesus apareceu-lhe em sonho usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.
Com vinte e dois anos, já estava batizado, provavelmente pelo bispo de Amiens, afastado da vida da Corte e do exército. Tornou-se monge e discípulo do famoso bispo de Poitiers, santo Hilário, que o ordenou diácono. Mais tarde, quando voltou do exílio, em 360, doou a Martinho um terreno em Ligugé, a doze quilômetros de Poitiers. Lá, Martinho fundou uma comunidade de monges. Mas logo eram tantos jovens religiosos que buscavam sua orientação que Martinho construiu o primeiro mosteiro da França e da Europa ocidental.
No Ocidente, ao contrário do Oriente, os monges podiam exercer o sacerdócio para que se tornassem apóstolos na evangelização. Martinho liderou, então, a conversão de muitos e muitos habitantes da região rural. Com seus monges, ele visitava as aldeias pagãs, pregava o Evangelho, derrubava templos e ídolos e construía igrejas. Onde encontrava resistência, fundava um mosteiro. Com os monges evangelizando pelo exemplo da caridade cristã, logo todo o povo se convertia. Dizem os escritos que, nessa época, havia recebido dons místicos, operando muitos prodígios em beneficio dos pobres e doentes que tanto amparava.
Quando ficou vaga a diocese de Tours, em 371, o povo aclamou-o, unanimemente, para ser o bispo. Martinho aceitou, apesar de resistir no início. Mas não abandonou sua peregrinação apostólica: visitava todas as paróquias, zelava pelo culto e não desistiu de converter pagãos e exercer exemplarmente a caridade. Nas proximidades da cidade, fundou outro mosteiro, chamado de Marmoutier. E sua influência não se limitou a Tours, tendo se expandido por toda a França, tornando-o querido e amado por todo o povo.
Martinho exerceu o bispado por vinte e cinco anos. Morreu, aos oitenta e um anos, na cidade de Candes, no dia 8 de novembro de 397. Sua festa é comemorada no dia 11, data em que foi sepultado na cidade de Tours.
Venerado como são Martinho de Tours, ele se tornou o primeiro santo não-mártir a receber culto oficial da Igreja e também um dos santos mais populares da Europa medieval.
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS – ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – 11 DE NOVEMBRO DE 2023
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Primeiro Livro dos Macabeus 9, 1-22
Judas Macabeu morre na batalha
Naqueles dias, Demétrio soube que Nicanor e o seu exército tinham sucumbido no campo de batalha. Resolveu então mandar de novo báquides e Alcimo à terra de Judá à frente da ala direita do exército. Dirigiram-se pelo caminho de Gálgala, acamparam diante de Masalot de Arbela, tomaram-na e mataram muita gente.
No primeiro mês do ano cento e cinquenta e dois, acamparam perto de Jerusalém. Depois partiram e dirigiram-se a berset com vinte mil soldados de infantaria e dois mil cavaleiros. Judas acampara em Elasa com três mil homens escolhidos. Ao verem a multidão das forças adversárias, ficaram cheios de medo e muitos afastaram-se do acampamento; dos judeus ficaram apenas oitocentos homens. Judas, vendo que o seu exército se tinha dispersado quando a batalha estava iminente, sentiu o coração angustiado, porque já não tinha tempo de reagrupar os soldados, e ficou consternado.
Mas sempre disse aos que tinham ficado: «Coragem! Marchemos contra os adversários; talvez possamos fazer-lhes frente». Eles, porém, tentaram dissuadi-lo, dizendo: «Agora não podemos senão salvar as nossas vidas; depois voltaremos com os nossos irmãos e combateremos o inimigo; agora somos muito poucos». Judas respondeu: «Longe de nós fazer tal coisa e fugir diante deles. Se a nossa hora chegou, morramos corajosamente pelos nossos irmãos e não deixemos a nossa fama com esta mancha».
O exército inimigo saiu do acampamento e tomou posição diante deles. A cavalaria dividiu-se em duas partes: os arremessadores de pedras com fundas e os arqueiros seguiam na vanguarda do exército, e os mais valentes colocaram-se na primeira fila. Báquides estava na ala direita. A falange avançava por ambos os lados, ao toque das trombetas. Os soldados de Judas tocaram também as trombetas. A terra tremeu com o fragor dos exércitos, e o combate durou desde a manhã até à tarde.
Judas viu que báquides e a parte mais forte do exército se encontravam na ala direita; e juntando à sua volta os homens mais corajosos, desbaratou a ala direita e perseguiu-a até ao sopé da montanha. Os da ala esquerda, ao verem derrotada e posta em fuga a ala direita, perseguiram Judas e os seus companheiros pelas costas. Recrudesceu a batalha e morreram muitos de ambas as partes. Judas também sucumbiu, e os restantes fugiram.
Jonatas e Simão tomaram o corpo de seu irmão Judas e sepultaram-no no túmulo de seus pais em Modin. Todo o Israel o chorou e fez por ele grande luto. Lamentaram-se durante muitos dias, dizendo: «Como sucumbiu o herói, o salvador de Israel!».
Os restantes feitos de Judas, as batalhas e proezas que realizou, bem como os seus títulos de glória, não foram escritos, por ser excessivamente grande o seu número.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Das Cartas de Sulpício Severo
(Epist. 3, 6.9-10.14.15-17.21; SC 133, 336-344) (Sec. V)
Martinho, pobre e humilde
Martinho soube com muita antecedência o dia da sua morte e comunicou a seus irmãos que a separação do seu corpo estava iminente. Entretanto, viu‑se obrigado a visitar a diocese de Candes. Tinham surgido, com efeito, desavenças entre os clérigos desta igreja e Martinho desejava restaurar a paz. Apesar de não ignorar o fim próximo dos seus dias, não recusou partir perante motivo desta natureza, por considerar como bom termo da sua atividade deixar a paz restabelecida nessa igreja.
Permaneceu algum tempo nessa povoação ou comunidade para onde se dirigia. Depois de feita a paz entre os clérigos, pensou em regressar ao mosteiro. Mas de repente sentiu que lhe faltavam as forças do corpo. Reuniu os irmãos e participou‑lhes que ia morrer. Então começou o pranto, a consternação e o lamento unânime de todos: «Pai, porque nos abandonas? A quem nos confias na nossa orfandade? Lobos ferozes assaltam o teu rebanho; quem nos defenderá das suas mordeduras, se nos falta o pastor? Sabemos sem dúvida que suspiras por Cristo, mas a tua recompensa está assegurada e não será diminuída se for adiada. Antes de mais, compadece‑te de nós, que nos deixas abandonados».
Então, comovido por estes lamentos e transbordando da terna compaixão que sempre sentia no Senhor, diz‑se que Martinho se associou ao seu pranto e, voltando‑se para o Senhor, assim falou diante daqueles que choravam: «Senhor, se ainda sou necessário ao vosso povo, não me recuso a trabalhar; seja feita a vossa vontade».
Ó homem extraordinário, que não fora vencido pelo trabalho nem o haveria de ser pela morte e que, igualmente disposto a uma ou outra coisa, nem teve medo de morrer nem se furtou a viver! Entretanto, com as mãos e os olhos sempre elevados para o céu, o seu espírito invencível não abandonava a oração. Quando os presbíteros, que se tinham reunido à sua volta, lhe pediram para aliviar o seu pobre corpo mudando de posição, disse: «Deixai‑me, irmãos, deixai‑me olhar antes para o céu do que para a terra, para que a minha alma, ao iniciar a sua marcha para Deus, siga bem o seu caminho». Ao dizer isto, reparou que o diabo se encontrava perto. «Porque estás aqui, disse, besta sanguinária? Nada encontrarás em mim, maldito; o seio de Abraão me recebe».
Depois de pronunciar estas palavras, entregou o seu espírito ao Céu. Martinho, cheio de alegria, foi acolhido no seio de Abraão. Martinho, pobre e humilde, entrou rico no Céu.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE LAUDES
Hebr 13, 7-8
Lembrai-vos dos vossos chefes, que vos anunciaram a palavra de Deus. Considerai o êxito da sua carreira e imitai a sua fé. Jesus Cristo é sempre o mesmo, ontem, hoje e por toda a eternidade.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DA HORA TERÇA
1 Sam 15, 22
Porventura agradam tanto ao Senhor os holocaustos e sacrifícios como a obediência à sua voz? A obediência vale mais do que o sacrifício, a docilidade vale mais do que a gordura dos carneiros.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DA HORA SEXTA
Gal 5, 26; 6, 2
Não procuremos a vanglória. Não haja provocações nem invejas entre nós. Suportai os fardos uns dos outros, e deste modo cumprireis a lei de Cristo.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DA HORA NONA
Miq 6, 8
Já te foi indicado, ó homem, o que deves fazer, o que o Senhor exige de ti: praticar a justiça e amar a misericórdia e ser humilde diante o teu Deus.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE VÉSPERAS
2 Pedro 1, 19-20
Temos bem confirmada a palavra dos profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e a estrela da manhã nasça em vossos corações.
Antes de tudo, deveis saber que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular, porque nenhuma profecia foi proferida por vontade dos homens; mas foi em nome de Deus que os homens santos falaram, inspirados pelo Espírito Santo.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE COMPLETAS
Deut 6, 4-7
Escuta, Israel. O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração. Hás-de recomendá-las a teus filhos, e nelas meditarás, quer estando sentado em casa quer andando pelos caminhos, quando te deitas e quando te levantas.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
[Fonte: <https://salvaimerainha.org.br/santo-do-dia/utm_source=google&utm_medium=grants.acnsf.1&utm_content=santo.do.dia.pc.c>]
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática




O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.
1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?
2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.
3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…
4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
