LITURGIA DE 21 DE NOVEMBRO DE 2023 – TERÇA FEIRA – APRESENTAÇÃO DE NOSSA SENHORA (ANO A)
21 de novembro de 2023LITURGIA DE 23 DE NOVEMBRO DE 2023 – QUINTA FEIRA – XXXIII SEMANA DO TEMPO COMUM (ANO A)
23 de novembro de 2023Néctar espiritual potencializador da prática cristã extraído do estudo da Liturgia Diária de 22/11/2023 – sabedoria bíblica “na veia” para cristãos de todas as denominações.
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que apresenta nesta perícope (2Mc 7,1.20-31 ) o exemplo da mãe que viu perecer seus sete filhos no espaço de um só dia por se manterem fiéis aos preceitos do Senhor Deus. Cumpre-nos, pois, estar dispostos a atuar espelhados nesse nível de heroísmo diante de toda e qualquer adversidade que possa advir sobre nós, pois nossa esperança repousa no Senhor! Cumpre-nos ainda, a exemplo dessa mãe, exortar aos que nos rodeiam e passam por dificuldades a tudo suportar com grande coragem, cientes de que foi o Senhor Deus quem criou do nada tudo o que existe, nos deu a alma e a vida, tendo nos formado no ventre de nossas mães. Ele, que deu existência a todas as coisas, nos restituirá, em sua misericórdia, tanto o espírito quanto a vida, caso tenhamos que sacrificá-la pelo Reino de Deus.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista, cientes de que nossos inimigos são os principados e potestades do maligno, os quais consistem nas forças espirituais do mal espalhadas pelos ares (Efésios 6,12), que tudo fazem para nos induzir em caminhos tortuosos, com tentações e seduções das mais variadas ordens (Sl 17): 1.Ao mestre de canto. De Davi, servo do Senhor, que dirigiu as palavras deste cântico ao Senhor, no dia em que ficou livre de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. 2.Disse: Eu vos amo, Senhor, minha força! 3.O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza e meu libertador. Meu Deus é a minha rocha, onde encontro o meu refúgio, meu escudo, força de minha salvação e minha cidadela. 4.Invoco o Senhor, digno de todo louvor, e fico livre dos meus inimigos. 5.Circundavam-me os vagalhões da morte, torrentes devastadoras me atemorizavam, 6.enlaçavam-se as cadeias da habitação dos mortos, a própria morte me prendia em suas redes. 7.Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei para meu Deus: do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor em sua presença chegou aos seus ouvidos. 8.A terra vacilou e tremeu, os fundamentos das montanhas fremiram, abalaram-se, porque Deus se abrasou em cólera: 9.suas narinas exalavam fumaça; sua boca, fogo devorador, brasas incandescentes. 10.Ele inclinou os céus e desceu, calcando aos pés escuras nuvens. 11.Cavalgou sobre um querubim e voou, planando nas asas do vento. 12.Envolveu-se nas trevas como se fossem véu, fez para si uma tenda das águas tenebrosas, densas nuvens. 13.Do esplendor de sua presença suas nuvens avançaram: saraiva e centelhas de fogo. 14.Dos céus trovejou o Senhor, o Altíssimo fez ressoar a sua voz. 15.Lançou setas e dispersou os inimigos, fulminou relâmpagos e os desbaratou. 16.E apareceu descoberto o leito do mar, ficaram à vista os fundamentos da terra, ante a vossa ameaçadora voz, ó Senhor, ante o furacão de vossa cólera. 17.Do alto estendeu a sua mão e me pegou, e retirou-me das águas profundas, 18.livrou-me de inimigo poderoso, dos meus adversários mais fortes do que eu. 19.Investiram contra mim no dia do meu infortúnio, mas o Senhor foi o meu arrimo; 20.pôs-me a salvo e livrou-me, porque me ama. 21.O Senhor me tratou segundo a minha inocência, retribuiu-me segundo a pureza de minhas mãos, 22.porque guardei os caminhos do Senhor e não pequei separando-me do meu Deus. 23.Tenho diante dos olhos todos os seus preceitos e não me desvio de suas leis. 24.Ando irrepreensivelmente diante dele, guardando-me do meu pecado. 25.O Senhor retribuiu-me segundo a minha justiça, segundo a pureza de minhas mãos diante dos seus olhos. 26.Com quem é bondoso vos mostrais bondoso, com o homem íntegro vos mostrais íntegro; 27.puro com quem é puro; prudente com quem é astuto. 28.Os humildes salvais, os semblantes soberbos humilhais. 29.Senhor, sois vós que fazeis brilhar o meu farol, sois vós que dissipais as minhas trevas. 30.Convosco afrontarei batalhões, com meu Deus escalarei muralhas. 31.Os caminhos de Deus são perfeitos, a palavra do Senhor é pura. Ele é o escudo de todos os que nele se refugiam. 32.Pois quem é Deus senão o Senhor? Quem é o rochedo, senão o nosso Deus? 33.É Deus quem me cinge de coragem e aplana o meu caminho. 34.Torna os meus pés velozes como os das gazelas e me instala nas alturas. 35.Adestra minhas mãos para o combate e meus braços para o tiro de arco. 36.Vós me dais o escudo que me salva. Vossa destra me sustém, e vossa bondade me engrandece. 37.Alargais o caminho a meus passos, para meus pés não resvalarem. 38.Dou caça aos inimigos e os alcanço, e não volto sem que os tenha aniquilado. 39.De tal sorte os despedaço, que não mais poderão levantar-se: eles ficam caídos a meus pés. 40.Vós me cingis de coragem para a luta e ante mim dobrais os meus adversários. 41.Afugentais da minha presença os meus inimigos e reduzis ao silêncio os que me aborrecem. 42.Gritam por socorro, mas não há quem os salve; clamam ao Senhor, mas não responde… 43.Eu os disperso como o pó que o vento leva, e os esmago como o barro das estradas. 44.Vós me livrais das revoltas do povo e me colocais à frente das nações; povos que eu desconhecia se tornaram meus servos. 45.Gente estranha me serve abnegadamente e me obedece à primeira intimação. 46.Gente estranha desfalece e sai tremendo de seus esconderijos. 47.Viva o Senhor e bendito seja o meu rochedo! Exaltado seja Deus, que me salva! 48.Deus, que me proporciona a vingança e avassala nações a meus pés. 49.Sois vós que me libertais dos meus inimigos, me exaltais acima dos meus adversários e me salvais do homem violento. 50.Por isso vos louvarei, ó Senhor, entre as nações e celebrarei o vosso nome. 51.Ele prepara grandes vitórias a seu rei e faz misericórdia a seu ungido, a Davi e a sua descendência para sempre.
O Santo Evangelho (Lc 19,11-28) compele-nos em especial a impregnar-nos da consciência de que a quem é fiel no pouco, Deus dará mais, cumprindo-nos por dever frutificar, render frutos ao Senhor de tudo o que generosa e prolificamente nos proporciona, pois tudo o que temos de mais precioso dele recebemos – a vida, a família, a saúde… E tudo o mais que tenhamos conquistado, foi a partir de tais dádivas maiores, sem as quais nada teríamos. Frutifiquemos, pois, e prestemos denodadamente nossos mais esmerados serviços a Deus e ao próximo – é o que nos cumpre por dever!
LITURGIA DIÁRIA
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.
Antífona da entrada
– Louvem as virgens o nome do Senhor, porque só ele é excelso; sua glória excede a terra e o céu (Sl 148,12).
Oração do dia
– Ó Deus, sede favorável às nossas súplicas e dignai-vos atender às nossas preces pela intercessão de Santa Cecília. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1ª Leitura: 2Mc 7,1.20-31
Salmo Responsorial: Sl 17
– Ao despertar me saciará vossa presença, ó Senhor!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Eu vos escolhi afim de que deis, no meio do mundo, um fruto que dure (Jo 15,16).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 19,11-28
Glória a vós, Senhor!
Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!
LEITURA ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (2Mc 7,1.20-31 ): Havia também sete irmãos que foram um dia presos com sua mãe, e que o rei por meio de golpes de azorrage e de nervos de boi, quis coagir a comerem a proibida carne de porco. 20.Particularmente admirável e digna de elogios foi a mãe que viu perecer seus sete filhos no espaço de um só dia e o suportou com heroísmo, porque sua esperança repousava no Senhor. 21.Ela exortava a cada um no seu idioma materno e, cheia de nobres sentimentos, com uma coragem varonil, ela realçava seu temperamento de mulher. 22.Ignoro, dizia-lhes ela, como crescestes em meu seio, porque não fui eu quem vos deu nem a alma, nem a vida, e nem fui eu mesma quem ajuntou vossos membros. 23.Mas o criador do mundo, que formou o homem na sua origem e deu existência a todas as coisas, vos restituirá, em sua misericórdia, tanto o espírito como a vida, se agora fizerdes pouco caso de vós mesmos por amor às suas leis. 24.Receando, todavia, o desprezo e temendo o insulto, Antíoco solicitou em termos insistentes o mais jovem, que ainda restava, prometendo-lhe com juramento torná-lo rico e feliz, se abandonasse as tradições de seus antepassados, tratá-lo como amigo, e confiar-lhe cargos. 25.Como o jovem não deu importância alguma, o rei mandou que a mãe se aproximasse e o exortasse com seus conselhos, para que o adolescente salvasse sua vida; 26.como ele insistiu por muito tempo, ela consentiu em persuadir o filho. 27.Inclinou-se sobre ele e, zombando do cruel tirano, disse-lhe na língua materna: Meu filho, compadece-te de tua mãe, que te trouxe nove meses no seio, que te amamentou durante três anos, que te nutriu, te conduziu e te educou até esta idade. 28.Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra; reflete bem: tudo o que vês, Deus criou do nada, assim como todos os homens. 29.Não temas, pois, este algoz, mas sê digno de teus irmãos e aceita a morte, para que no dia da misericórdia eu te encontre no meio deles. 30.Logo que ela acabou de falar, o jovem disse: Que estais a esperar? Não atenderei às ordens do rei; eu obedeço àquele que deu a lei a nossos pais por intermédio de Moisés. 31Mas tu, que és o inventor dessa perseguição contra os judeus, não escaparás à mão de Deus.
As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 17): 1.Ao mestre de canto. De Davi, servo do Senhor, que dirigiu as palavras deste cântico ao Senhor, no dia em que ficou livre de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. 2.Disse: Eu vos amo, Senhor, minha força! 3.O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza e meu libertador. Meu Deus é a minha rocha, onde encontro o meu refúgio, meu escudo, força de minha salvação e minha cidadela. 4.Invoco o Senhor, digno de todo louvor, e fico livre dos meus inimigos. 5.Circundavam-me os vagalhões da morte, torrentes devastadoras me atemorizavam, 6.enlaçavam-se as cadeias da habitação dos mortos, a própria morte me prendia em suas redes. 7.Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei para meu Deus: do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor em sua presença chegou aos seus ouvidos. 8.A terra vacilou e tremeu, os fundamentos das montanhas fremiram, abalaram-se, porque Deus se abrasou em cólera: 9.suas narinas exalavam fumaça; sua boca, fogo devorador, brasas incandescentes. 10.Ele inclinou os céus e desceu, calcando aos pés escuras nuvens. 11.Cavalgou sobre um querubim e voou, planando nas asas do vento. 12.Envolveu-se nas trevas como se fossem véu, fez para si uma tenda das águas tenebrosas, densas nuvens. 13.Do esplendor de sua presença suas nuvens avançaram: saraiva e centelhas de fogo. 14.Dos céus trovejou o Senhor, o Altíssimo fez ressoar a sua voz. 15.Lançou setas e dispersou os inimigos, fulminou relâmpagos e os desbaratou. 16.E apareceu descoberto o leito do mar, ficaram à vista os fundamentos da terra, ante a vossa ameaçadora voz, ó Senhor, ante o furacão de vossa cólera. 17.Do alto estendeu a sua mão e me pegou, e retirou-me das águas profundas, 18.livrou-me de inimigo poderoso, dos meus adversários mais fortes do que eu. 19.Investiram contra mim no dia do meu infortúnio, mas o Senhor foi o meu arrimo; 20.pôs-me a salvo e livrou-me, porque me ama. 21.O Senhor me tratou segundo a minha inocência, retribuiu-me segundo a pureza de minhas mãos, 22.porque guardei os caminhos do Senhor e não pequei separando-me do meu Deus. 23.Tenho diante dos olhos todos os seus preceitos e não me desvio de suas leis. 24.Ando irrepreensivelmente diante dele, guardando-me do meu pecado. 25.O Senhor retribuiu-me segundo a minha justiça, segundo a pureza de minhas mãos diante dos seus olhos. 26.Com quem é bondoso vos mostrais bondoso, com o homem íntegro vos mostrais íntegro; 27.puro com quem é puro; prudente com quem é astuto. 28.Os humildes salvais, os semblantes soberbos humilhais. 29.Senhor, sois vós que fazeis brilhar o meu farol, sois vós que dissipais as minhas trevas. 30.Convosco afrontarei batalhões, com meu Deus escalarei muralhas. 31.Os caminhos de Deus são perfeitos, a palavra do Senhor é pura. Ele é o escudo de todos os que nele se refugiam. 32.Pois quem é Deus senão o Senhor? Quem é o rochedo, senão o nosso Deus? 33.É Deus quem me cinge de coragem e aplana o meu caminho. 34.Torna os meus pés velozes como os das gazelas e me instala nas alturas. 35.Adestra minhas mãos para o combate e meus braços para o tiro de arco. 36.Vós me dais o escudo que me salva. Vossa destra me sustém, e vossa bondade me engrandece. 37.Alargais o caminho a meus passos, para meus pés não resvalarem. 38.Dou caça aos inimigos e os alcanço, e não volto sem que os tenha aniquilado. 39.De tal sorte os despedaço, que não mais poderão levantar-se: eles ficam caídos a meus pés. 40.Vós me cingis de coragem para a luta e ante mim dobrais os meus adversários. 41.Afugentais da minha presença os meus inimigos e reduzis ao silêncio os que me aborrecem. 42.Gritam por socorro, mas não há quem os salve; clamam ao Senhor, mas não responde… 43.Eu os disperso como o pó que o vento leva, e os esmago como o barro das estradas. 44.Vós me livrais das revoltas do povo e me colocais à frente das nações; povos que eu desconhecia se tornaram meus servos. 45.Gente estranha me serve abnegadamente e me obedece à primeira intimação. 46.Gente estranha desfalece e sai tremendo de seus esconderijos. 47.Viva o Senhor e bendito seja o meu rochedo! Exaltado seja Deus, que me salva! 48.Deus, que me proporciona a vingança e avassala nações a meus pés. 49.Sois vós que me libertais dos meus inimigos, me exaltais acima dos meus adversários e me salvais do homem violento. 50.Por isso vos louvarei, ó Senhor, entre as nações e celebrarei o vosso nome. 51.Ele prepara grandes vitórias a seu rei e faz misericórdia a seu ungido, a Davi e a sua descendência para sempre.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Lc 19,11-28): Ouviam-no falar. E como estava perto de Jerusalém, alguns se persuadiam de que o Reino de Deus se havia de manifestar brevemente; ele acrescentou esta parábola: 12.Um homem ilustre foi para um país distante, a fim de ser investido da realeza e depois regressar. 13.Chamou dez dos seus servos e deu-lhes dez minas, dizendo-lhes: Negociai até eu voltar. 14.Mas os homens daquela região odiavam-no e enviaram atrás dele embaixadores, para protestarem: Não queremos que ele reine sobre nós. 15.Quando, investido da dignidade real, voltou, mandou chamar os servos a quem confiara o dinheiro, a fim de saber quanto cada um tinha lucrado. 16.Veio o primeiro: Senhor, a tua mina rendeu dez outras minas. 17.Ele lhe disse: Muito bem, servo bom; porque foste fiel nas coisas pequenas, receberás o governo de dez cidades. 18.Veio o segundo: Senhor, a tua mina rendeu cinco outras minas. 19.Disse a este: Sê também tu governador de cinco cidades. 20.Veio também o outro: Senhor, aqui tens a tua mina, que guardei embrulhada num lenço; 21.pois tive medo de ti, por seres homem rigoroso, que tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. 22.Replicou-lhe ele: Servo mau, pelas tuas palavras te julgo. Sabias que sou rigoroso, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei… 23.Por que, pois, não puseste o meu dinheiro num banco? Na minha volta, eu o teria retirado com juros. 24.E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas. 25.Replicaram-lhe: Senhor, este já tem dez minas!… 26.Eu vos declaro: a todo aquele que tiver, dar-se-lhe-á; mas, ao que não tiver, ser-lhe-á tirado até o que tem. 27.Quanto aos que me odeiam, e que não me quiseram por rei, trazei-os e massacrai-os na minha presença. 28.Depois destas palavras, Jesus os foi precedendo no caminho que sobe a Jerusalém.
Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que apresenta nesta perícope (2Mc 7,1.20-31 ) o exemplo da mãe que viu perecer seus sete filhos no espaço de um só dia por se manterem fiéis aos preceitos do Senhor Deus. Cumpre-nos, pois, estar dispostos a atuar espelhados nesse nível de heroísmo diante de toda e qualquer adversidade que possa advir sobre nós, pois nossa esperança repousa no Senhor! Cumpre-nos ainda, a exemplo dessa mãe, exortar aos que nos rodeiam e passam por dificuldades a tudo suportar com grande coragem, cientes de que foi o Senhor Deus quem criou do nada tudo o que existe, nos deu a alma e a vida, tendo nos formado no ventre de nossas mães. Ele, que deu existência a todas as coisas, nos restituirá, em sua misericórdia, tanto o espírito quanto a vida, caso tenhamos que sacrificá-la pelo Reino de Deus.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista, cientes de que nossos inimigos são os principados e potestades do maligno, os quais consistem nas forças espirituais do mal espalhadas pelos ares (Efésios 6,12), que tudo fazem para nos induzir em caminhos tortuosos, com tentações e seduções das mais variadas ordens (Sl 17): 1.Ao mestre de canto. De Davi, servo do Senhor, que dirigiu as palavras deste cântico ao Senhor, no dia em que ficou livre de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. 2.Disse: Eu vos amo, Senhor, minha força! 3.O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza e meu libertador. Meu Deus é a minha rocha, onde encontro o meu refúgio, meu escudo, força de minha salvação e minha cidadela. 4.Invoco o Senhor, digno de todo louvor, e fico livre dos meus inimigos. 5.Circundavam-me os vagalhões da morte, torrentes devastadoras me atemorizavam, 6.enlaçavam-se as cadeias da habitação dos mortos, a própria morte me prendia em suas redes. 7.Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei para meu Deus: do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor em sua presença chegou aos seus ouvidos. 8.A terra vacilou e tremeu, os fundamentos das montanhas fremiram, abalaram-se, porque Deus se abrasou em cólera: 9.suas narinas exalavam fumaça; sua boca, fogo devorador, brasas incandescentes. 10.Ele inclinou os céus e desceu, calcando aos pés escuras nuvens. 11.Cavalgou sobre um querubim e voou, planando nas asas do vento. 12.Envolveu-se nas trevas como se fossem véu, fez para si uma tenda das águas tenebrosas, densas nuvens. 13.Do esplendor de sua presença suas nuvens avançaram: saraiva e centelhas de fogo. 14.Dos céus trovejou o Senhor, o Altíssimo fez ressoar a sua voz. 15.Lançou setas e dispersou os inimigos, fulminou relâmpagos e os desbaratou. 16.E apareceu descoberto o leito do mar, ficaram à vista os fundamentos da terra, ante a vossa ameaçadora voz, ó Senhor, ante o furacão de vossa cólera. 17.Do alto estendeu a sua mão e me pegou, e retirou-me das águas profundas, 18.livrou-me de inimigo poderoso, dos meus adversários mais fortes do que eu. 19.Investiram contra mim no dia do meu infortúnio, mas o Senhor foi o meu arrimo; 20.pôs-me a salvo e livrou-me, porque me ama. 21.O Senhor me tratou segundo a minha inocência, retribuiu-me segundo a pureza de minhas mãos, 22.porque guardei os caminhos do Senhor e não pequei separando-me do meu Deus. 23.Tenho diante dos olhos todos os seus preceitos e não me desvio de suas leis. 24.Ando irrepreensivelmente diante dele, guardando-me do meu pecado. 25.O Senhor retribuiu-me segundo a minha justiça, segundo a pureza de minhas mãos diante dos seus olhos. 26.Com quem é bondoso vos mostrais bondoso, com o homem íntegro vos mostrais íntegro; 27.puro com quem é puro; prudente com quem é astuto. 28.Os humildes salvais, os semblantes soberbos humilhais. 29.Senhor, sois vós que fazeis brilhar o meu farol, sois vós que dissipais as minhas trevas. 30.Convosco afrontarei batalhões, com meu Deus escalarei muralhas. 31.Os caminhos de Deus são perfeitos, a palavra do Senhor é pura. Ele é o escudo de todos os que nele se refugiam. 32.Pois quem é Deus senão o Senhor? Quem é o rochedo, senão o nosso Deus? 33.É Deus quem me cinge de coragem e aplana o meu caminho. 34.Torna os meus pés velozes como os das gazelas e me instala nas alturas. 35.Adestra minhas mãos para o combate e meus braços para o tiro de arco. 36.Vós me dais o escudo que me salva. Vossa destra me sustém, e vossa bondade me engrandece. 37.Alargais o caminho a meus passos, para meus pés não resvalarem. 38.Dou caça aos inimigos e os alcanço, e não volto sem que os tenha aniquilado. 39.De tal sorte os despedaço, que não mais poderão levantar-se: eles ficam caídos a meus pés. 40.Vós me cingis de coragem para a luta e ante mim dobrais os meus adversários. 41.Afugentais da minha presença os meus inimigos e reduzis ao silêncio os que me aborrecem. 42.Gritam por socorro, mas não há quem os salve; clamam ao Senhor, mas não responde… 43.Eu os disperso como o pó que o vento leva, e os esmago como o barro das estradas. 44.Vós me livrais das revoltas do povo e me colocais à frente das nações; povos que eu desconhecia se tornaram meus servos. 45.Gente estranha me serve abnegadamente e me obedece à primeira intimação. 46.Gente estranha desfalece e sai tremendo de seus esconderijos. 47.Viva o Senhor e bendito seja o meu rochedo! Exaltado seja Deus, que me salva! 48.Deus, que me proporciona a vingança e avassala nações a meus pés. 49.Sois vós que me libertais dos meus inimigos, me exaltais acima dos meus adversários e me salvais do homem violento. 50.Por isso vos louvarei, ó Senhor, entre as nações e celebrarei o vosso nome. 51.Ele prepara grandes vitórias a seu rei e faz misericórdia a seu ungido, a Davi e a sua descendência para sempre.
O Santo Evangelho (Lc 19,11-28) compele-nos em especial a impregnar-nos da consciência de que a quem é fiel no pouco, Deus dará mais, cumprindo-nos por dever frutificar, render frutos ao Senhor de tudo o que generosa e prolificamente nos proporciona, pois tudo o que temos de mais precioso dele recebemos – a vida, a família, a saúde… E tudo o mais que tenhamos conquistado, foi a partir de tais dádivas maiores, sem as quais nada teríamos. Frutifiquemos, pois, e prestemos denodadamente nossos mais esmerados serviços a Deus e ao próximo – é o que nos cumpre por dever!
Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que apresenta nesta perícope (2Mc 7,1.20-31 ) o exemplo da mãe que viu perecer seus sete filhos no espaço de um só dia por se manterem fiéis aos preceitos do Senhor Deus. Cumpre-nos, pois, estar dispostos a atuar espelhados nesse nível de heroísmo diante de toda e qualquer adversidade que possa advir sobre nós, pois nossa esperança repousa no Senhor! Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para, a exemplo dessa mãe, exortar aos que nos rodeiam e passam por dificuldades a tudo suportar com grande coragem, cientes de que foi o Senhor Deus quem criou do nada tudo o que existe, nos deu a alma e a vida, tendo nos formado no ventre de nossas mães. Ele, que deu existência a todas as coisas, nos restituirá, em sua misericórdia, tanto o espírito quanto a vida, caso tenhamos que sacrificá-la pelo Reino de Deus. Fazemos coro com o louvor orante do salmista, cientes de que nossos inimigos são os principados e potestades do maligno, os quais consistem nas forças espirituais do mal espalhadas pelos ares (Efésios 6,12), que tudo fazem para nos induzir em caminhos tortuosos, com tentações e seduções das mais variadas ordens (Sl 17): 1.Ao mestre de canto. De Davi, servo do Senhor, que dirigiu as palavras deste cântico ao Senhor, no dia em que ficou livre de todos os seus inimigos e das mãos de Saul. 2.Disse: Eu vos amo, Senhor, minha força! 3.O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza e meu libertador. Meu Deus é a minha rocha, onde encontro o meu refúgio, meu escudo, força de minha salvação e minha cidadela. 4.Invoco o Senhor, digno de todo louvor, e fico livre dos meus inimigos. 5.Circundavam-me os vagalhões da morte, torrentes devastadoras me atemorizavam, 6.enlaçavam-se as cadeias da habitação dos mortos, a própria morte me prendia em suas redes. 7.Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei para meu Deus: do seu templo ele ouviu a minha voz, e o meu clamor em sua presença chegou aos seus ouvidos. 8.A terra vacilou e tremeu, os fundamentos das montanhas fremiram, abalaram-se, porque Deus se abrasou em cólera: 9.suas narinas exalavam fumaça; sua boca, fogo devorador, brasas incandescentes. 10.Ele inclinou os céus e desceu, calcando aos pés escuras nuvens. 11.Cavalgou sobre um querubim e voou, planando nas asas do vento. 12.Envolveu-se nas trevas como se fossem véu, fez para si uma tenda das águas tenebrosas, densas nuvens. 13.Do esplendor de sua presença suas nuvens avançaram: saraiva e centelhas de fogo. 14.Dos céus trovejou o Senhor, o Altíssimo fez ressoar a sua voz. 15.Lançou setas e dispersou os inimigos, fulminou relâmpagos e os desbaratou. 16.E apareceu descoberto o leito do mar, ficaram à vista os fundamentos da terra, ante a vossa ameaçadora voz, ó Senhor, ante o furacão de vossa cólera. 17.Do alto estendeu a sua mão e me pegou, e retirou-me das águas profundas, 18.livrou-me de inimigo poderoso, dos meus adversários mais fortes do que eu. 19.Investiram contra mim no dia do meu infortúnio, mas o Senhor foi o meu arrimo; 20.pôs-me a salvo e livrou-me, porque me ama. 21.O Senhor me tratou segundo a minha inocência, retribuiu-me segundo a pureza de minhas mãos, 22.porque guardei os caminhos do Senhor e não pequei separando-me do meu Deus. 23.Tenho diante dos olhos todos os seus preceitos e não me desvio de suas leis. 24.Ando irrepreensivelmente diante dele, guardando-me do meu pecado. 25.O Senhor retribuiu-me segundo a minha justiça, segundo a pureza de minhas mãos diante dos seus olhos. 26.Com quem é bondoso vos mostrais bondoso, com o homem íntegro vos mostrais íntegro; 27.puro com quem é puro; prudente com quem é astuto. 28.Os humildes salvais, os semblantes soberbos humilhais. 29.Senhor, sois vós que fazeis brilhar o meu farol, sois vós que dissipais as minhas trevas. 30.Convosco afrontarei batalhões, com meu Deus escalarei muralhas. 31.Os caminhos de Deus são perfeitos, a palavra do Senhor é pura. Ele é o escudo de todos os que nele se refugiam. 32.Pois quem é Deus senão o Senhor? Quem é o rochedo, senão o nosso Deus? 33.É Deus quem me cinge de coragem e aplana o meu caminho. 34.Torna os meus pés velozes como os das gazelas e me instala nas alturas. 35.Adestra minhas mãos para o combate e meus braços para o tiro de arco. 36.Vós me dais o escudo que me salva. Vossa destra me sustém, e vossa bondade me engrandece. 37.Alargais o caminho a meus passos, para meus pés não resvalarem. 38.Dou caça aos inimigos e os alcanço, e não volto sem que os tenha aniquilado. 39.De tal sorte os despedaço, que não mais poderão levantar-se: eles ficam caídos a meus pés. 40.Vós me cingis de coragem para a luta e ante mim dobrais os meus adversários. 41.Afugentais da minha presença os meus inimigos e reduzis ao silêncio os que me aborrecem. 42.Gritam por socorro, mas não há quem os salve; clamam ao Senhor, mas não responde… 43.Eu os disperso como o pó que o vento leva, e os esmago como o barro das estradas. 44.Vós me livrais das revoltas do povo e me colocais à frente das nações; povos que eu desconhecia se tornaram meus servos. 45.Gente estranha me serve abnegadamente e me obedece à primeira intimação. 46.Gente estranha desfalece e sai tremendo de seus esconderijos. 47.Viva o Senhor e bendito seja o meu rochedo! Exaltado seja Deus, que me salva! 48.Deus, que me proporciona a vingança e avassala nações a meus pés. 49.Sois vós que me libertais dos meus inimigos, me exaltais acima dos meus adversários e me salvais do homem violento. 50.Por isso vos louvarei, ó Senhor, entre as nações e celebrarei o vosso nome. 51.Ele prepara grandes vitórias a seu rei e faz misericórdia a seu ungido, a Davi e a sua descendência para sempre. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que a quem é fiel no pouco, vós dareis mais, cumprindo-nos por dever frutificar, render frutos para vós de tudo o que generosa e prolificamente nos proporcionais, pois tudo o que temos de mais precioso de vós recebemos – a vida, a família, a saúde… E tudo o mais que tenhamos conquistado, foi a partir de tais dádivas maiores, sem as quais nada teríamos. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que frutifiquemos e prestemos denodadamente nossos mais esmerados serviços a vós, na vossa Igreja e ao próximo, cientes de que é o que nos cumpre por dever! Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!
4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 22 de Novembro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2022/11/santos-do-dia-da-igreja-catolica-22-de-novembro/> Postado em: por: marsalima]

Santa Cecília
Certa vez, o cardeal brasileiro dom Paulo Evaristo Arns assim definiu a arte musical: “A música, que eleva a palavra e o sentimento até a sua última expressão humana, interpreta o nosso coração e nos une ao Deus de toda beleza e bondade”. Podemos dizer que, na verdade, com suas palavras ele nos traduziu a vida da mártir santa Cecília.
A sua vida foi música pura, cuja letra se tornou uma tradição cristã e cujos mistérios até hoje elevam os sentimentos de nossa alma a Deus. Era de família romana pagã, nobre, rica e influente. Estudiosa, adorava estudar música, principalmente a sacra, filosofia e o Evangelho. Desde a infância era muito religiosa e, por decisão própria, afastou-se dos prazeres da vida da Corte, para ser esposa de Cristo, pelo voto secreto de virgindade. Os pais, acreditando que ela mudaria de idéia, acertaram seu casamento com Valeriano, também da nobreza romana. Ao receber a triste notícia, Cecília rezou pedindo proteção do seu anjo da guarda, de Maria e de Deus, para não romper com o voto.
Após as núpcias, Cecília contou ao marido que era cristã e do seu compromisso de castidade. Disse, ainda, que para isso estava sob a guarda de um anjo. Valeriano ficou comovido com a sinceridade da esposa e prometeu também proteger sua pureza. Mas para isso queria ver tal anjo. Ela o aconselhou a visitar o papa Urbano, que, devido à perseguição, estava refugiado nas catacumbas. O jovem esposo foi acompanhado de seu irmão Tibúrcio, ficou sabendo que antes era preciso acreditar na Palavra. Os dois ouviram a longa pregação e, no final, converteram-se e foram batizados. Valeriano cumpriu a promessa. Depois, um dia, ao chegar em casa, viu Cecília rezando e, ao seu lado, o anjo da guarda.
Entretanto a denúncia de que Cecília era cristã e da conversão do marido e do cunhado chegou às autoridades romanas. Os três foram presos, ela em sua casa, os dois, quando ajudavam a sepultar os corpos dos mártires nas catacumbas. Julgados, recusaram-se a renegar a fé e foram decapitados. Primeiro, Valeriano e Turíbio, por último, Cecília.
O prefeito de Roma falou com ela em consideração às famílias ilustres a que pertenciam, e exigiu que abandonassem a religião, sob pena de morte. Como Cecília se negou, foi colocada no próprio balneário do seu palacete, para morrer asfixiada pelos vapores. Mas saiu ilesa. Então foi tentada a decapitação. O carrasco a golpeou três vezes e, mesmo assim, sua cabeça permaneceu ligada ao corpo. Mortalmente ferida, ficou no chão três dias, durante os quais animou os cristãos que foram vê-la a não renegarem a fé. Os soldados pagãos que presenciaram tudo se converteram.
O seu corpo foi enterrado nas catacumbas romanas. Mais tarde, devido às sucessivas invasões ocorridas em Roma, as relíquias de vários mártires sepultadas lá foram trasladadas para inúmeras igrejas. As suas, entretanto, permaneceram perdidas naquelas ruínas por muitos séculos. Mas no terreno do seu antigo palácio foi construída a igreja de Santa Cecília, onde era celebrada a sua memória no dia 22 de novembro já no século VI.
Entre os anos 817 e 824, o papa Pascoal I teve uma visão de santa Cecília e o seu caixão foi encontrado e aberto. E constatou-se, então, que seu corpo permanecera intacto. Depois, foi fechado e colocado numa urna de mármore sob o altar daquela igreja dedicada a ela. Outros séculos se passaram. Em 1559, o cardeal Sfondrati ordenou nova abertura do esquife e viu-se que o corpo permanecia da mesma forma.
A devoção à sua santidade avançou pelos séculos sempre acompanhada de incontáveis milagres. Santa Cecília é uma das mais veneradas pelos fiéis cristãos, do Ocidente e do Oriente, na sua tradicional festa do dia 22 de novembro. O seu nome vem citado no cânon da missa e desde o século XV é celebrada como padroeira da música e do canto sacro.

Tomás Reggio (Bem-Aventurado)
Descendente de nobres, Tomás nasceu na cidade de Gênova, na Itália, em 9 de janeiro de 1818. Aos vinte anos, decidiu dedicar-se à vida religiosa, deixando para trás o luxo e uma carreira brilhante. Escolha essa definitiva, pois, ao receber a ordenação sacerdotal, fez voto de pobreza.
Apesar da pouca idade, foi nomeado vice-reitor do seminário de Gênova, aos vinte e cinco anos, e logo depois assumiu a titularidade da reitoria. Sua dedicação na formação dos futuros sacerdotes era para que realmente eles estivessem dispostos a um compromisso pleno e total de suas vidas, sem receios, com Deus e com Igreja.
Em 1877, foi consagrado bispo de uma diocese genovesa muito pobre, chamada Ventimiglia, onde foi um pastor visionário e verdadeiro guia espiritual do seu rebanho. Convocou três sínodos em quinze anos, criou novas paróquias, renovou a liturgia e trabalhou para aumentar a atuação da assistência social aos pobres e doentes da diocese.
No primeiro ano de seu bispado, fundou a Congregação das Religiosas de Santa Marta, com o objetivo de acolher os mais pobres entre os pobres. Essas religiosas aprenderam com ele a adorar a Deus em silêncio, a alimentar-se da oração, a encontrar, de joelhos, as razões de uma fé que faz descobrir Cristo nos mais necessitados. Mais tarde, dom Tomás direcionou a Congregação das Religiosas de Santa Marta para servir como enfermeiras nos asilos, orfanatos e hospitais de misericórdia.
Apesar da idade avançada, quando um terremoto devastou a região dom Tomás agiu rapidamente. Pedindo ajuda financeira aos nobres locais, imediatamente construiu um orfanato e um hospital, que foram entregues aos cuidados de suas religiosas. Também conseguiu verba para reconstruir sua diocese, recuperando todas as igrejas e paróquias atingidas pela catástrofe.
O papa Leão XIII nomeou dom Tomás arcebispo de Gênova quando ele já contava com setenta e quatro anos de idade. Apesar das dificuldades, entrou em ação e criou a Pontifícia Faculdade Católica de Direito e a Escola Superior de Religião.
Foi ele também que celebrou em Roma o ritual religioso para o sepultamento do rei Humberto I, assassinado em Monza em 1900. No ano seguinte, aceitou o convite para a festa de inauguração da estátua do Redentor instalada no alto do monte de uma cidade de sua diocese. Quando viajava, como sempre na terceira classe de um trem, passou mal e não conseguiu chegar ao destino. Morreu, na cidade de Triora, em 22 de novembro de 1901.
O papa João Paulo II proclamou-o bem-aventurado no ano jubilar de 2000. As suas filhas, Religiosas de Santa Marta, hoje se encontram servindo em muitos países de todos os continentes, até no Brasil. Por isso a festa que celebra a sua lembrança, e que ocorre no dia de sua morte, é muito comemorada pelos fiéis.
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 22/11/2023 – ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Da Profecia de Zacarias 10, 3 – 11, 3
Libertação e regresso de Israel
Assim fala o Senhor: «Contra os pastores se inflamou a minha ira, contra os cabritos irei proceder. O Senhor do Universo visitará o seu rebanho, a casa de Judá; fará dela o seu glorioso cavalo de combate. De Judá sairá a pedra angular, o mastro da tenda, o arco de guerra; de Judá sairão todos os chefes. Serão como soldados valentes, que pisam no combate a lama dos caminhos. Lutarão porque o Senhor está com eles e derrotarão os que montam a cavalo. Fortalecerei a casa de Judá, salvarei a casa de José. Vou fazê‑los voltar, porque tenho pena deles. Ficarão como se Eu nunca os tivesse rejeitado, porque sou o Senhor seu Deus e hei de ouvi‑los. Efraim será como um herói, e o seu coração se alegrará como quem bebe vinho. Os seus filhos verão tudo isto e ficarão cheios de alegria, e o seu coração exultará no Senhor. Com um assobio os chamarei e reunirei, porque os libertei, e eles serão tão numerosos como outrora. Dispersei‑os entre as nações, mas lá ao longe lembrar‑se‑ão de Mim, educarão os seus filhos e tornarão a vir. Tirá‑los‑ei da terra do Egito, reuni‑los‑ei da Assíria.
Eu os farei entrar na terra de Galaad e no Líbano, mas isso não lhes bastará. Atravessarão o mar do Egito: o Senhor ferirá as ondas do mar, e as profundezas do Nilo ficarão secas. Então o orgulho da Assíria será abatido e o Egito perderá o cetro. Eu os fortalecerei no Senhor e eles caminharão em seu nome – oráculo do Senhor. Abre de par em par as tuas portas, ó Líbano, e o fogo devore os teus cedros. Geme, cipreste, porque o cedro caiu, porque os poderosos foram abatidos. Gemei, carvalhos de Basã, porque a espessa floresta foi derrubada. Ouvem‑se as lamentações dos pastores, porque a sua riqueza foi destruída. Ouvem‑se os rugidos dos leõezinhos, porque o orgulho do Jordão foi abatido.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Dos Comentários de Santo Agostinho, bispo, sobre os Salmos
(Ps. 32, sermo 1, 7-8: CCL 38, 253-254) (Sec. V)
Cantai a Deus com arte e com júbilo
Dai graças ao Senhor com a cítara, tocai em sua honra o saltério de dez cordas. Cantai-Lhe um cântico novo. Despojai-vos do homem velho, pois conheceis já o cântico novo. Homem novo, testamento novo, cântico novo. O cântico novo não é para homens velhos. Só o aprendem os homens novos, que foram renovados pela graça despojando-se do pecado e pertencem já ao novo testamento que é o reino dos Céus. Por ele suspira todo o nosso amor e lhe canta um cântico novo. Cante-lhe um cântico novo, não a nossa língua, mas a nossa vida.
Cantai-Lhe um cântico novo, cantai-Lhe com arte e com alma. Cada qual pergunta como há de cantar ao Senhor. Canta para Ele, mas não cantes mal. Deus não quer ouvir um cântico que ofenda os seus ouvidos. Cantai bem, irmãos. Se te pedem que cantes para um bom apreciador de música de modo que lhe agrade, não te atreves a cantar se não tens preparação musical, pelo receio de lhe desagradar, porque um bom artista notará os defeitos que a qualquer outro passam despercebidos. Quem se atreverá a cantar para Deus, tão excelente conhecedor de cantores, juiz tão completo e tão bom apreciador de música? Como poderás oferecer-Lhe tão excelente audição de canto que em nada ofendas ouvidos tão perfeitos?
Mas eis que Ele mesmo te sugere a maneira como Lhe hás de cantar. Não andes à procura de palavras, como se com elas pudesses expressar aquilo que agrada a Deus. Canta com júbilo. Cantar bem para Deus é cantar com júbilo. Que é cantar com júbilo? Compreender e não poder explicar com palavras o que se canta com o coração. Os que cantam na colheita, na vindima ou em qualquer trabalho intenso, começam a exultar de alegria com as palavras do cântico; mas depois, quando cresce a emoção, sentem que já não podem explicá-la por palavras, desprendem-se da letra das palavras e entregam-se totalmente à melodia jubilosa.
O «júbilo» é aquela melodia que traduz a incapacidade de exprimir por palavras o que sente o coração. E a quem pode consagrar-se este cântico de júbilo senão ao Deus inefável? É realmente inefável Aquele que não podes dar a conhecer por palavras. E se não tens palavras para O dar a conhecer e não deves permanecer calado, nada mais te resta senão cantar com júbilo. Sim, para que o coração possa expandir a imensidade superabundante da sua alegria sem se ver coartado pelas sílabas das palavras, cantai ao Senhor com arte e com júbilo.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE LAUDES
2 Cor 1, 3-5
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para podermos consolar aqueles que estão atribulados, por meio do conforto que nós próprios recebemos de Deus. Do mesmo modo que abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também por Cristo abunda a nossa consolação.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DA HORA TERÇA
1 Pedro 1, 13-14
Tende o vosso espírito alerta e sede vigilantes. Ponde toda a vossa esperança na graça que vos será concedida, quando Jesus Cristo Se manifestar. Como filhos obedientes, não vos conformeis com os desejos de outrora, quando vivíeis na ignorância.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DA HORA SEXTA
1 Pedro 1, 15-16
À semelhança do Deus santo que vos chamou, sede santos, vós também, em todas as vossas ações, como está escrito: «Sede santos, porque Eu sou santo».
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DA HORA NONA
Tg 4, 7-8a. 10
Submetei-vos a Deus. Resisti ao demônio e ele fugirá de vós. Aproximai-vos de Deus e Ele aproximar-Se-á de vós. Humilhai-vos diante do Senhor e Ele vos exaltará.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE VÉSPERAS
1 Pedro 4, 13-14
Caríssimos, alegrai-vos na medida em que participardes nos sofrimentos de Cristo, a fim de que possais também alegrar-vos e exultar no dia em que se manifestar a sua glória. Felizes de vós, se sois ultrajados pelo nome de Cristo, porque o Espírito de glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vós.
LEITURA BREVE DA ORAÇÃO DE COMPLETAS
Ef 4, 26-27
Não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo, a não ser que seja excessivamente extenso, e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
[Fonte: <https://salvaimerainha.org.br/santo-do-dia/utm_source=google&utm_medium=grants.acnsf.1&utm_content=santo.do.dia.pc.c>]
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática




O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.
1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?
2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.
3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…
4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
