A fé abre portas a dádivas e tesouros inimagináveis
30 de novembro de 2023“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 02 DE DEZEMBRO DE 2023 – SÁBADO – XXXIV SEMANA DO TEMPO COMUM (ANO A)
2 de dezembro de 2023
Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, você vá escolhendo, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados para assistir. Concitamos, porém, que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã extraído do estudo orante desta Liturgia Diária, para sustento, remédio e fortalecimento espiritual.

LITURGIA DIÁRIA
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4193-liturgia-de-01-de-dezembro-de-2023>]
Antífona da entrada
– É a paz que o Senhor vai falar a seu povo e a seus fiéis, e aos que a ele se converterem (Sl 84,9).
Oração do dia
– Levantai, Senhor, nós vos pedimos, o ânimo dos vossos fiéis, para que, fazendo frutificar com solicitude a obra da salvação, recebam maiores auxílios de vossa paternal bondade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Dn 7,1-14
Salmo Responsorial: Dn 3,75-81
– Louvai-o e exaltai-o, pelos séculos sem fim!
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Levantai vossa cabeça e olhai, pois a vossa redenção se aproxima! (Lc 21,28)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 21,29-33
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

LEITURA ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (Dn 7,2-14): No primeiro ano do reinado de Baltazar, rei de Babilônia, Daniel, estando em seu leito, teve um sonho e visões surgiram em seu espírito. Consignou por escrito esse sonho e a substância dos fatos. 2. Assim se manifestou: Via, no transcurso de minha visão noturna, os quatro ventos do céu precipitarem-se sobre o Grande Mar. 3. Surgiram das águas quatro grandes animais, diferentes uns dos outros. 4. O primeiro parecia-se com um leão, mas tinha asas de águia. Enquanto o olhava, suas asas foram-lhe arrancadas, foi levantado da terra e erguido sobre seus pés como um homem, e um coração humano lhe foi dado. 5. Apareceu em seguida outro animal semelhante a um urso; erguia-se sobre um lado e tinha à boca, entre seus dentes, três costelas. Diziam-lhe: Vamos! Devora bastante carne! 6. Depois disso, vi um terceiro animal, idêntico a uma pantera, que tinha nas costas quatro asas de pássaro; tinha ele também quatro cabeças. O império lhe foi atribuído. 7. Finalmente, como eu contemplasse essas visões noturnas, vi um quarto animal, medonho, pavoroso e de uma força excepcional. Possuía enormes dentes de ferro; devorava, depois triturava e pisava aos pés o que sobrava. Ao contrário dos animais precedentes, ostentava dez chifres. 8. Como estivesse ocupado em observar esses chifres, eis que surgiu, entre eles outro chifre menor, e três dos primeiros foram arrancados para dar-lhe lugar. Este chifre tinha olhos idênticos aos olhos humanos e uma boca que proferia palavras arrogantes. 9. Continuei a olhar, até o momento em que foram colocados os tronos e um ancião chegou e se sentou. Brancas como a neve eram suas vestes, e tal como a pura lã era sua cabeleira; seu trono era feito de chamas, com rodas de fogo ardente. 10. Saído de diante dele, corria um rio de fogo. Milhares e milhares o serviam, dezenas de milhares o assistiam! O tribunal deu audiência e os livros foram abertos. 11. Olhei então, devido à balbúrdia causada pelos discursos arrogantes do chifre, olhei até o momento em que o animal foi morto, seu corpo subjugado e a fera jogada ao fogo. 12. Quanto aos outros animais, o domínio lhes foi igualmente retirado, mas a duração de sua vida foi fixada até um tempo e uma data. 13. Olhando sempre a visão noturna, vi um ser, semelhante ao filho do homem, vir sobre as nuvens do céu: dirigiu-se para o lado do ancião, diante de quem foi conduzido. 14. A ele foram dados império, glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-no. Seu domínio será eterno; nunca cessará e o seu reino jamais será destruído.
As santas palavras do Salmo Responsorial (Dn 3,75-81): Montes e colinas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 76. Tudo o que germina na terra, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 77. Mares e rios, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 78. Fontes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 79. Monstros e animais que vivem nas águas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 80. Pássaros todos do céu, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!81. Animais e rebanhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Lc 21,29-33): Acrescentou ainda esta comparação: Olhai para a figueira e para as demais árvores. 30. Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o verão. 31. Assim também, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, sabereis que está perto o Reino de Deus. 32. Em verdade vos declaro: não passará esta geração sem que tudo isto se cumpra. 33. Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece nesta perícope (Dn 7,2-14) que são muitos os reinos, os impérios humanos que se estabeleceram sobre a terra, cada um com suas características, sendo que todos eles passaram e todos os que existem e vierem a existir passarão. Somente o reino eterno, que foi concedido pelo Pai a Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, permanecerá eternamente.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Dn 3,75-81): Montes e colinas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 76. Tudo o que germina na terra, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 77. Mares e rios, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 78. Fontes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 79. Monstros e animais que vivem nas águas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 80. Pássaros todos do céu, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!81. Animais e rebanhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
O Santo Evangelho (Lc 21,29-33) compele-nos em especial a impregnar-nos da consciência de que cumpre-nos discernir os sinais naturais e da mesma forma os atinentes ao sentido da vida, ao que nos espera após esta breve passagem em que se constitui o viver humano. Nos tempos da jornada evangelizadora de Jesus, a ciência estava voltada principalmente à agricultura. Em nossos tempos, a ciência avançou, se sabem muitas coisas a respeito de muitas áreas, porém o conhecimento mais importante é o que diz respeito àquilo que todos, indistintamente, inescusavelmente, passaremos: ao final dessa jornada, aguarda-nos o juízo divino – seja quando Jesus retornar ou seja quando concluirmos nossa jornada nesta terra. Temos a opção, momento a momento, de nos aproximarmos do Reino de Deus, de nele caminhar para nele definitivamente adentrar, porém a insensatez humana, as distrações, as seduções do mundo incitadas pelo maligno fazem com que muitos vivam semelhantes a marionetes por ele movidas. Esse alerta de Jesus é de fundamental importância para nos convertermos, para deixarmos de viver dominados pelos impulsos de baixo calão, alienados desse aspecto da realidade, que é o mais relevante e importante de todos.

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece nesta perícope (Dn 7,2-14) que são muitos os reinos, os impérios humanos que se estabeleceram sobre a terra, cada um com suas características, sendo que todos eles passaram e todos os que existem e vierem a existir passarão. Somente o reino eterno, que foi concedido pelo Pai a Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, permanecerá eternamente. Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Dn 3,75-81): Montes e colinas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 76. Tudo o que germina na terra, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 77. Mares e rios, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 78. Fontes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 79. Monstros e animais que vivem nas águas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! 80. Pássaros todos do céu, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!81. Animais e rebanhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente! Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para discernir os sinais naturais e da mesma forma os atinentes ao sentido da vida, ao que nos espera após esta breve passagem em que se constitui o viver humano. Nos tempos da jornada evangelizadora de Jesus, a ciência estava voltada principalmente à agricultura. Em nossos tempos, a ciência avançou, se sabem muitas coisas a respeito de muitas áreas, porém o conhecimento mais importante é o que diz respeito àquilo que todos, indistintamente, inescusavelmente, passaremos: ao final dessa jornada, aguarda-nos o juízo divino – seja quando Jesus retornar ou seja quando concluirmos nossa jornada nesta terra. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que atuemos cientes de que temos a opção, momento a momento, de nos aproximarmos do Reino de Deus, de nele caminhar para nele definitivamente adentrar, porém a insensatez humana, as distrações, as seduções do mundo incitadas pelo maligno fazem com que muitos vivam semelhantes a marionetes por ele movidas. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência desse alerta de Jesus e nos convertermos, que deixemos de viver dominados pelos impulsos de baixo calão, que deixemos de viver alienados desse aspecto da realidade, que é o mais relevante e importante de todos.

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 01 de Dezembro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2022/11/santos-do-dia-da-igreja-catolica-01-de-dezembro/> ]

Santo Elói ou Elígio
Bispo, escultor, modelista, marceneiro e ourives, Elói ou Elígio foi um artista e religioso completo. Nasceu na cidade de Chaptelat, perto de Limoges, em 588, na França. Seus pais, de origem franco-italiana, eram modestos camponeses cristãos com princípios rígidos de honestidade e lealdade, transmitidos com eficiência ao filho. Com sabedoria e muito sacrifício, fizeram questão que ele estudasse, pois sua única herança seria uma profissão.
Assim foi que, na juventude, Elói ingressou na escola de ourives de Limoges, a mais conceituada da Europa da época e respeitada ainda hoje. Ao se formar mestre da profissão, já era afamado pela competência, integridade e honestidade. Tinha alma de monge e de artista, fugia dos gastos com jogos e diversões. Tudo dispendia com os pobres. Levava uma vida austera e de oração meditativa, ganhando o apelido de “o Monge”. Conta-se que sua fama chegou à Corte e aos ouvidos do rei Clotário II, em Paris. Ele decidiu contratar Elói para fazer um trono de ouro e lhe deu a quantidade do metal que julgava ser suficiente. Mas, com aquela quantidade, Elói fez dois tronos e entregou ambos ao rei. Admirado com a honestidade do artista, ele o convidou para ser guardião e administrador do tesouro real. Assim, foi residir na Corte, em Paris.
Elói assumiu o cargo e também o de mestre dos ourives do rei. E assim se manteve mesmo depois da morte do soberano. Quando o herdeiro real assumiu o trono, como Dagoberto II, quis manter Elói na corte como seu colaborador, pois lhe tinha grande estima. Logo o nomeou um de seus conselheiros e embaixador, devido à confiança em suas virtudes.
Elói também realizou obras de arte importantes, como o túmulo de são Martinho de Tours, o mausoléu de são Dionísio em Paris, o cálice de Cheles e outros trabalhos artísticos de cunho religioso. Além disso, e acima de tudo, Elói era um homem religioso, não lhe faltou inspiração para grandes obras beneméritas e na arte de dedicar-se ao próximo, em especial aos pobres e abandonados. O dinheiro que recebia pelos trabalhos na Corte, usava-o todo para resgatar prisioneiros de guerra, fundar e reconstruir mosteiros masculinos e femininos, igrejas e para contribuir com outras tantas obras para o bem-estar espiritual e material dos mais necessitados. Em 639, o rei Dagoberto II morreu. Elói, então, ingressou na vida religiosa.
Dois anos depois, foi consagrado bispo de Noyon, na região de Flandres. Foi uma existência totalmente empenhada na campanha da evangelização e reevangelização, no norte da França, Holanda e Alemanha, onde se tornou um dos principais protagonistas e se revelou um grande e zeloso pastor a serviço da Igreja de Cristo.
Durante os últimos dezenove anos de sua vida, Elói evitou o luxo e viveu na pobreza e na piedade. Foi um incansável exemplo de humildade, caridade e mortificação. A região de sua diocese estava entregue ao paganismo e à idolatria. Com as pregações de Elói e suas visitas a todas as paróquias, o povo foi se convertendo até que, um dia, todos estavam batizados.
Morreu no dia primeiro de dezembro de 660, na Holanda, durante uma missão evangelizadora. A história da sua vida e santidade se espalhou rapidamente por toda a França, Itália, Holanda e Alemanha, graças ao seu amigo bispo Aldoeno, que escreveu sua biografia.
A Igreja o canonizou e autorizou o seu culto, um dos mais antigos da cristandade. A festa de santo Elói ou Elígio, padroeiro dos joalheiros e ourives, ocorre na data de sua morte. Entretanto ele é celebrado também como padroeiro dos cuteleiros, ferreiros, ferramenteiros, celeiros, comerciantes de cavalos, carreteiros, cocheiros, garagistas e metalúrgicos.

Charles de Foucauld (Bem-Aventurado)
Charles de Foucauld nasceu em Strasburg, na França, em 15 de setembro 1858. Era descendente de família nobre, de tradição militar. Aos doze anos, morava com o avô, pois já era órfão. Aos dezesseis anos, Charles escolheu a carreira militar e, ao final dos estudos nas melhores escolas militares, era um subtenente do exército francês. Foi uma época repleta de entusiasmos, crises e desvios, que o levaram a abandonar a fé. Entregava-se, facilmente, a prazeres e amores libertinos, escandalizando a cidade. Porém sentia necessidade de preencher sua vida tão vazia e sem rumo.
Em 1883, Charles deixou o exército e viajou para o Marrocos, na África. Ele conhecia a Argélia e tinha fascínio pelo país que conhecera como oficial francês. Disfarçou-se de um rabino pobre, vivendo entre as comunidades judaicas, organizando mapas e esboços dos lugares por onde passava. Esse trabalho lhe conferiu uma medalha de ouro oferecida pela Sociedade Francesa de Geografia.
Desde a saída do exército começou a mudança de vida. Com grande apoio dos parentes e de seu conselheiro espiritual, retornou à fé cristã, que o arrebatou de vez. Em 1890, Charles decidiu viver apenas para servir a Deus. Ingressou como noviço num mosteiro trapista de Nossa Senhora das Neves, onde ficou por alguns anos. Mas a mesa farta e a disciplina pouco rígida, como ele próprio concluiu, não produzia monges “tão pobres quanto o Senhor Jesus”. Decidiu procurar um estilo de vida que se assemelhasse à humildade de Jesus.
Abandonou o mosteiro e foi à Terra Santa. Lá, sentiu-se mais próximo de Jesus e adotou a vida de pobreza total. Foi aceito no Mosteiro das irmãs clarissas de Nazaré, trabalhando nos serviços gerais. Em 1900, retornou a Paris e completou os estudos no Mosteiro de Nossa Senhora das Neves; recebeu a ordenação sacerdotal e voltou à África. Mas agora com uma nova missão: levar os ensinamentos de Cristo àqueles povos que não o conheciam.
Padre Charles desembarcou em Argel, capital da Argélia, em 1901 e rumou para o sul, bem próximo dos muçulmanos. Em pouco tempo, tornou-se um verdadeiro eremita e muito querido pela população local. Mas seu objetivo maior era ir para o Marrocos, evangelizar a terra dos muçulmanos. Contatou amigos tuaregues, espécie de nômades do deserto, para obter ajuda no seguimento da missão. Intensificou o estudo da língua nativa daqueles povos. Em 1904, já havia traduzido os quatro evangelhos na língua dos tuaregues, além de um dicionário tuaregue-francês. Estava estabelecido no povoado de Tamanrasset, era amigo do chefe dos tuaregues e tinha construído uma pequena cabana para viver, depois transformada no seu eremitério.
Em 1912, estourou a guerra entre a Turquia e a Itália. A tensão entre as tribos tuaregues aumentava. Embora o eremitério de Charles parecesse uma fortaleza, não era suficiente para protegê-lo. No dia primeiro de dezembro de 1916, ele foi brutalmente assassinado com um tiro na cabeça, por um adolescente de quinze anos, durante uma tentativa de sequestro e roubo naquele local.
O exemplo de Charles de Foucauld jamais foi esquecido. Em 1933, seus seguidores fundaram a união dos Irmãozinhos de Jesus, em sua homenagem. Mais tarde, em 1939, uma congregação feminina coirmã foi fundada. Ambas adotaram o estilo de vida que ele sugerira. A obra continuou a florescer e atingiu o alvorecer do terceiro milênio, com mais de dez famílias de religiosos e leigos que seguem o seu carisma, espalhadas em missões em todos os continentes, especialmente no africano. A Santa Sé considerou “venerável” Charles de Foucauld em 2001 e em 13 de novembro de 2005 o papa João Paulo II o declarou Bem-Aventurado.

Maria Clementina Anuarite Nengapeta (Bem-Aventurada)
Anuarite Nengapeta era a quarta das seis filhas de Amisi e Isude. A família de pagãos africanos da etnia Wadubu vivia na periferia de Wamba, no Congo. Ela nasceu no dia 29 de dezembro de 1939, como depois comprovou a Santa Sé. Ao ser batizada em 1943, acrescentaram-lhe o nome Afonsina. Na ocasião, também receberam esse sacramento sua mãe e quatro irmãs. A mais velha nunca acompanhou a doutrina cristã. Seu pai, ao contrário, até começou a preparar-se para a conversão. Mas depois desistiu, pois formou outra família, enquanto trabalhava como soldado do exército congolês.
A nova situação familiar refletiu pouco na formação de Anuarite, que teve uma infância e adolescência consideradas normais. Era vivaz e caridosa, de personalidade marcante e temperamento amistoso e generoso. O nervosismo, porém, era o ponto fraco do seu caráter. Era muito sensível e instável, talvez por causa da separação de seus pais. Gostava de frequentar a igreja, ia à missa aos domingos, com a mãe e as irmãs. Em seguida, ficava estudando o catecismo para poder receber a primeira comunhão, que ocorreu em 1948.
Iniciou os seus estudos e diplomou-se junto ao colégio das Irmãs do Menino Jesus de Nivelles, missionárias na África. Em 1957, decidiu ingressar na Congregação da Sagrada Família. Foi aceita e, durante o noviciado, teve como orientador espiritual o bispo de Wamba. Em 1959, diplomou-se professora, vestiu o hábito e emitiu os votos definitivos, tomando o nome de Maria Clementina. Desde então se dedicava e empenhava muito às funções a ela destinadas: foi sacristã, auxiliar de cozinheira e professora de uma escola primária. Devota extremada de Maria e de Jesus, vivia feliz por ter-se consagrado ao seu serviço.
O Congo da época era governado pelos brancos. Em 1960, havia uma grande campanha contra esse domínio europeu. Fervilhava o ódio racial e não durou muito para traduzirem-se em barbárie os ideais políticos. A revolução dos Simbas explodiu no ano seguinte, iniciando um violento massacre para eliminar todos os europeus, seus amigos e colaboradores negros.
No Convento de Bafwabaka, tudo era calmo até 1964. Em agosto daquele ano, os rebeldes já tinham ocupado grande parte do país. A cada dia avançavam mais, saqueando e matando milhares de civis congoleses indefesos. Mais de cento e cinquenta missionários, entre sacerdotes, religiosos e irmãos já haviam morrido também.
Os rebeldes chegaram ao convento em 29 de novembro e levaram as trinta e seis integrantes da Sagrada Família, entre elas irmã Maria Clementina Anuarite, de caminhão, para Isiro. Na noite do dia primeiro de dezembro de 1964, o coronel Olombe tentou seduzi-la. Mas como ela se recusou a satisfazer seus desejos carnais, ele a esbofeou e golpeu com uma coronhada do fuzil, depois disparou, matando-a. Antes, porém, ela o perdoou e clamou ao Pai para que o perdoasse.
O papa João Paulo II, durante sua viagem ao Congo em 1985, beatificou Maria Clementina Anuarite Nengapeta. Tornou-se a primeira mulher “banto” a ser elevada aos altares da Igreja Católica, cuja festa deve ser celebrada no dia de sua morte. Na solenidade de beatificação, o sumo pontífice definiu Anuarite como modelo de fidelidade para todos os católicos do mundo. Depois, enalteceu sua castidade, e a igualou a Santa Inês, mártir do início da cristandade, dizendo: “Anuarite é a Inês do continente africano”.

LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 01/12/2023 – ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/opzioni.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Da Segunda Epístola de São Pedro 3, 1-18
O Senhor é fiel: esperemos a sua vinda
Caríssimos: Esta é a segunda carta que vos escrevo. Tanto numa como noutra, procuro despertar as vossas recordações. Lembrai‑vos das coisas preditas pelos santos profetas e do preceito do Senhor e Salvador, transmitido pelos vossos Apóstolos. Sabei, antes de mais, que nos últimos tempos surgirão homens céticos, cheios de zombarias, guiados pelas próprias paixões, dizendo: «Onde está a promessa da sua vinda? Desde que os nossos pais morreram, tudo continua como no princípio do mundo».
Esquecem‑se propositadamente de que outrora existiam céus e terra que surgiram, à palavra de Deus, do seio da água e por meio da água, e que, pelas mesmas causas, o mundo de então pereceu inundado pela água. Mas os céus e a terra que agora existem são guardados pela mesma palavra e reservados para o fogo no dia do juízo e da perdição dos ímpios.
Há, porém, uma coisa, caríssimos, que não deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de paciência para convosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos possam arrepender‑se. Entretanto, o dia do Senhor virá como um ladrão: nesse dia, os céus desaparecerão com fragor, os elementos dissolver‑se‑ão nas chamas e a terra será consumada com todas as obras que nela existem.
Uma vez que todas as coisas serão assim dissolvidas, como deve ser santa a vossa vida e grande a vossa piedade, esperando e apressando a vinda do dia de Deus, em que os céus se dissolverão em chamas e os elementos se fundirão no ardor do fogo.
Nós esperamos, segundo a sua promessa, os novos céus e a nova terra, onde habitará a justiça.
Portanto, caríssimos, enquanto esperais tudo isto, empenhai‑vos, sem pecado nem motivo algum de censura, para que o Senhor vos encontre na paz. Considerai esta paciente espera de Nosso Senhor como uma oportunidade para alcançardes a salvação, como o nosso querido irmão Paulo vos escreveu segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando disto em todas as suas cartas. Há nelas certos pontos difíceis de entender, que as pessoas ignorantes e pouco firmes na fé deturpam, como fazem com as outras Escrituras, para sua perdição.
Portanto, caríssimos, assim prevenidos, acautelai‑vos, para não decairdes da vossa firmeza, arrastados pelo desvario dos ímpios. Crescei antes na graça e no conhecimento de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Glória a Ele, agora e para sempre. Amém!
SEGUNDA LEITURA
Do Tratado de São Cipriano, bispo e mártir, sobre a morte
(Cap. 18.24.26: CSEL 3, 308.312-314) (Sec. III)
Superemos o pavor da morte com o pensamento da imortalidade
É necessário ter presente que não é a nossa vontade que devemos fazer mas a de Deus, como o Senhor nos ensinou a rezar todos os dias. Que contrassenso pedirmos que se faça a vontade de Deus, e depois, quando Ele nos chama e nos convida a sair deste mundo, não obedecermos prontamente à sua vontade! Resistimos e lutamos, e somos levados à presença do Senhor como servos rebeldes, com mágoa e tristeza, partindo deste mundo, não de bom grado, mas forçados por uma lei inevitável. E ainda pretendemos que nos honre com prémios celestes Aquele para quem vamos de tão má vontade! Então porque rogamos e pedimos que venha a nós o reino dos Céus, se continuamos agarrados à prisão da terra? Porque é que pedimos e imploramos tão insistentemente que se apresse o tempo do reino, se o nosso desejo de servir o diabo neste mundo supera o desejo de reinar com Cristo?
Se o mundo odeia o cristão, porque amas aquele que te odeia e não segues antes a Cristo que te redimiu e te ama? João, na sua epístola, clama e exorta a não amarmos o mundo, seguindo os desejos da carne: Não ameis o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida – não vem do Pai mas do mundo. Ora o mundo passa com as suas concupiscências, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente. Ao contrário, irmãos caríssimos, com espírito sincero, fé inabalável e ânimo forte, estejamos prontos a cumprir a vontade de Deus em tudo. Superemos o pavor da morte com o pensamento da imortalidade que nos espera. Mostremos na prática esta fé que professamos.
Devemos considerar, irmãos caríssimos, e meditar frequentemente que renunciamos ao mundo e que, entretanto, andamos na terra como hóspedes e peregrinos. Acolhamos com júbilo o dia em que a cada um de nós se indicará a sua própria morada, o dia em que, libertos das cadeias deste mundo, entraremos no paraíso e no reino eterno. Quem não tem pressa de regressar à pátria, quando anda longe dela? Para nós a pátria é o Paraíso. Lá nos espera um grande número de entes queridos, lá nos aguardam os nossos pais, os nossos irmãos, os nossos filhos, em festiva e alegre companhia, seguros já da própria felicidade e solícitos da nossa salvação. Que alegria, tanto para eles como para nós, poder vê‑los e abraçá‑los a todos! Que felicidade, naquele reino celeste, nunca mais temermos a morte, mas gozarmos da vida para sempre!
Ali está o coro glorioso dos Apóstolos, a milícia exultante dos Profetas, a multidão inumerável dos mártires, coroados de glória pelo triunfo do combate e dos tormentos; ali estão as virgens triunfantes, que venceram a concupiscência da carne e do corpo com a virtude da continência; ali são recompensados os misericordiosos, que praticaram obras da justiça, alimentando e socorrendo com os seus bens os pobres, e assim observaram os preceitos do Senhor, transformando os bens terrenos em tesouros celestes. Apressemo‑nos, irmãos caríssimos, com todo o entusiasmo, a juntar‑nos à companhia destes bem‑aventurados. Veja Deus este nosso pensamento, contemple Cristo este propósito da nossa mente e da nossa fé, porque tanto maior será a recompensa do seu amor, quanto mais ardente for o desejo de chegarmos à sua presença.
ORAÇÃO DE LAUDES (NO INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Ef 2, 13-16
Foi em Cristo Jesus que vós, outrora longe de Deus, vos aproximastes d’Ele, graças ao Sangue de Cristo. Cristo é, de fato, a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gentios um só povo, e derrubou o muro da inimizade que os separava, anulando, pela imolação do seu Corpo, a Lei de Moisés com as suas prescrições e decretos. E assim, de uns e outros Ele fez em Si próprio um só homem novo, estabelecendo a paz. Pela cruz, reconciliou com Deus uns e outros, reunidos num só Corpo, levando em Si próprio a morte à inimizade.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut1,31b
O Senhor conduziu-vos, como um pai conduz o seu filho, por todo o caminho por onde andastes até chegar a este lugar.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Bar 4, 28-29
Quisestes apartar-vos de Deus: ponde agora dez vezes mais zelo em procurá-l’O. Aquele que sobre vós fez cair a catástrofe, dar-vos-á, com a libertação, a alegria eterna.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Sab 1, 13-15
Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra com a perdição dos vivos. Pela criação deu o ser a todas as coisas, e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a terra, porque a justiça é imortal.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1Cor 2, 7-10a
Nós falamos da sabedoria de Deus, misteriosa e oculta, que já antes dos séculos Deus tinha destinado para a nossa glória. Nenhum dos príncipes deste mundo a conheceu; porque, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Mas, como está escrito: «Nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam». Mas a nós, Deus o revelou por meio do Espírito Santo.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Jer 14, 9
Estais no meio de nós, Senhor, e sobre nós foi invocado o vosso nome. Não nos abandoneis, Senhor nosso Deus.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo, a não ser que seja excessivamente extenso, e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
[Fonte: <https://salvaimerainha.org.br/santo-do-dia/utm_source=google&utm_medium=grants.acnsf.1&utm_content=santo.do.dia.pc.c>]
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
