
“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 03 DE DEZEMBRO DE 2023 – 1º DOMINGO DO ADVENTO
3 de dezembro de 2023
“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 05 DE DEZEMBRO DE 2023 – TERÇA-FEIRA DA I SEMANA DO ADVENTO
5 de dezembro de 2023Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, você vá escolhendo, conforme apetecer, como em um bufê, alguns os vídeos disponibilizados que puder assistir – buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Concitamos, porém, que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã extraído do estudo orante desta Liturgia Diária (Lectio Divina), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual.

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4196-liturgia-de-04-de-dezembro-de-2023>]
Antífona da entrada
– Ó nações, escutai a palavra do Senhor; levai a boa nova até os confins da terra. Eis que chega o nosso salvador, não tenhais medo! (Jr 31,10; Is 35,4).
Coleta
– Senhor nosso Deus, dai-nos esperar solícitos a vinda de Cristo, vosso Filho. Que ele, ao chegar, nos encontre vigilantes na oração e proclamando o seu louvor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco vive reina na unidade do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Is 2,1-5
Salmo Responsorial: Sl 121
– Que alegria, quando me disseram: “Vamos à casa do Senhor!”
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Ó vinde libertar-nos, Senhor e nosso Deus; mostrai a vossa face e nós seremos salvos! (Sl 79,4)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 8,5-11
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (Is 2,1-5): Visão de Isaías, filho de Amós, acerca de Judá e Jerusalém. 2. No fim dos tempos acontecerá que o monte da casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas, e dominará as colinas. Para aí acorrerão todas as gentes, 3. e os povos virão em multidão: Vinde, dirão eles, subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó: ele nos ensinará seus caminhos, e nós trilharemos as suas veredas. Porque de Sião deve sair a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor. 4. Ele será o juiz das nações, o governador de muitos povos. De suas espadas forjarão relhas de arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se arrastarão mais para a guerra. 5. Casa de Jacó, vinde, caminhemos à luz do Senhor.
As santas palavras do Salmo Responsorial (Sl 121): Cântico das peregrinações. De Davi. Que alegria quando me vieram dizer: Vamos subir à casa do Senhor… 2. Eis que nossos pés se estacam diante de tuas portas, ó Jerusalém! 3. Jerusalém, cidade tão bem edificada, que forma um tão belo conjunto! 4. Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor, segundo a lei de Israel, para celebrar o nome do Senhor. 5. Lá se acham os tronos de justiça, os assentos da casa de Davi. 6. Pedi, vós todos, a paz para Jerusalém, e vivam em segurança os que te amam. 7. Reine a paz em teus muros, e a tranquilidade em teus palácios. 8. Por amor de meus irmãos e de meus amigos, pedirei a paz para ti. 9. Por amor da casa do Senhor, nosso Deus, pedirei para ti a felicidade.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mt 8,5-11): Entrou Jesus em Cafarnaum. Um centurião veio a ele e lhe fez esta súplica: 6. Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito. 7. Disse-lhe Jesus: Eu irei e o curarei. 8. Respondeu o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado. 9. Pois eu também sou um subordinado e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz… 10. Ouvindo isto, cheio de admiração, disse Jesus aos presentes: Em verdade vos digo: não encontrei semelhante fé em ninguém de Israel. 11. Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos céus com Abraão, Isaac e Jacó[…].

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia deste dia compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope a profecia de Isaías (Is 2,1-5), de que na plenitude dos tempos as multidões se dirigiriam à casa do Senhor, que ensinaria os seus caminhos para que fossem trilhadas as suas veredas, tendo a palavra do Senhor como ponto de partida Sião e Jerusalém; que o Senhor Deus se constituiria juiz das nações e governador de muitos povos, gerando como consequência que uma nação não mais se levantasse contra a outra e que os povos não mais se arrastariam para a guerra. Concita-nos ainda o profeta Isaías a caminharmos à luz do Senhor. Cumpre impregnar-nos da consciência de que tal profecia se cumpriu, pois multidões se dirigem à casa do Senhor, nas Igrejas a ele consagradas mundo afora, onde aprendem a trilhar os seus caminhos, mormente a partir do Evangelho pregado por Jesus em Israel, cuja culminação se deu em Jerusalém; bem como pelas orientações apostólicas que dele emanaram – tudo compilado pela Igreja no Novo Testamento. No período histórico denominado Cristandade, nos séculos XII, XIII e XIV, a Igreja, liderando os povos que a reconheceram como representante de Deus, teve no Papa o juiz das nações, orientando os governos de muitas nações, sendo que nesse período uma nação não se levantou contra a outra e os povos por ela orientados não se arrastaram para a guerra. Cumpre-nos, conforme orienta o profeta, caminhar à luz do Senhor, envidando os mais intensos esforços para restaurar, em consonância com as circunstâncias históricas atuais, os parâmetros divinos para o governo do mundo, com especial cuidado para evitar as desvirtuações que fragilizam os representantes de Deus e ensejam o avanço dos agentes do maligno.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 121).
O Santo Evangelho (Mt 8,5-11) compele-nos em especial a seguir o exemplo do centurião romano, em primeiro plano, atuando com compaixão e proativamente face aos sofrimentos dos que sabemos em estado de necessidade, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para auxiliar e intercedendo por auxílio divino em relação ao que não está ao nosso alcance. No que tange a esse auxílio divino, cabe-nos atuar cientes de que Jesus se dispõe a atender nossos pedidos, cumprindo-nos postar-nos com a mesma fé expectante desse centurião, que manifestou convicto: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado. 9. Pois eu também sou um subordinado e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz… Tal atitude de fé ensejou a declaração de Jesus, de que multidões do oriente e do ocidente se assentariam no Reino do Céu, que não se limita ao povo de Israel, mas aos que professam a fé e atuam em consonância com a fé que professam. Tudo é possível para Deus, portanto, tudo é possível ao que crê. Atuemos, pois, com compaixão e proativamente face aos sofrimentos dos que sabemos em estado de necessidade, façamos tudo que estiver ao nosso alcance para auxiliá-los e, quanto ao que não pudermos fazer, invoquemos o auxílio divino, certos do poder e autoridade de Jesus para fazer tudo quanto for pedido, desde que esteja em consonância com a santa vontade de Deus.

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope sobre o profetizado por Isaías (Is 2,1-5), de que na plenitude dos tempos as multidões se dirigiriam à vossa casa; que ensinarieis os vossos caminhos para que fossem trilhadas as vossas veredas, tendo a vossa palavra como ponto de partida Sião e Jerusalém; que vos constituirieis juiz das nações e governador de muitos povos, gerando como consequência que uma nação não mais se levantaria contra a outra e que os povos não mais se arrastariam para a guerra. Concita-nos ainda o profeta Isaías a caminharmos à luz do Senhor. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência de que tal profecia se cumpriu, pois multidões se dirigem à vossa casa, nas Igrejas a vós consagradas mundo afora, onde aprendem a trilhar os vossos caminhos, mormente a partir do Evangelho pregado por Jesus em Israel, cuja culminação se deu em Jerusalém; bem como pelas orientações apostólicas que dele emanaram – tudo compilado pela Igreja no Novo Testamento. No período histórico denominado de Cristandade, nos séculos XII, XIII e XIV, a Igreja, liderando os povos que a reconheceram como representante de Deus, teve no Papa o juiz das nações, orientando os governos de muitas nações, sendo que nesse período uma nação não se levantou contra a outra e os povos orientados pela Igreja não se arrastaram para a guerra. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que, conforme orienta o profeta, caminhemos à luz do Senhor, envidando os mais intensos esforços para restaurar, em consonância com as circunstâncias históricas atuais, os parâmetros divinos para o governo do mundo, com especial cuidado para evitar as desvirtuações que fragilizam os representantes de Deus e ensejam o avanço dos agentes do maligno. Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 121): Cântico das peregrinações. De Davi. Que alegria quando me vieram dizer: Vamos subir à casa do Senhor… 2. Eis que nossos pés se estacam diante de tuas portas, ó Jerusalém! 3. Jerusalém, cidade tão bem edificada, que forma um tão belo conjunto! 4. Para lá sobem as tribos, as tribos do Senhor, segundo a lei de Israel, para celebrar o nome do Senhor. 5. Lá se acham os tronos de justiça, os assentos da casa de Davi. 6. Pedi, vós todos, a paz para Jerusalém, e vivam em segurança os que te amam. 7. Reine a paz em teus muros, e a tranquilidade em teus palácios. 8. Por amor de meus irmãos e de meus amigos, pedirei a paz para ti. 9. Por amor da casa do Senhor, nosso Deus, pedirei para ti a felicidade. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para seguir o exemplo do centurião romano, em primeiro plano, atuando com compaixão e proativamente face aos sofrimentos dos que sabemos em estado de necessidade, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para auxiliar e intercedendo por auxílio divino em relação ao que não está ao nosso alcance. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para, no que tange a esse auxílio divino, atuarmos cientes de que Jesus se dispõe a atender nossos pedidos, cumprindo-nos postar-nos com a mesma fé expectante desse centurião, que manifestou convicto: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado. 9. Pois eu também sou um subordinado e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz… Tal atitude de fé ensejou a declaração de Jesus, de que multidões do oriente e do ocidente se assentariam no Reino do Céu, que não se limita ao povo de Israel, mas aos que professam a fé e atuam em consonância com a fé que professam. Tudo é possível para Deus, portanto, tudo é possível ao que crê. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que atuemos com compaixão e proativamente face aos sofrimentos dos que sabemos em estado de necessidade, fazendo tudo que estiver ao nosso alcance para auxiliá-los e, quanto ao que não pudermos fazer, invoquemos o auxílio divino, certos do poder e autoridade de Jesus para fazer tudo quanto for pedido, desde que esteja em consonância com a santa vontade de Deus. Cremos, Senhor, mas aumentai e nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 4 de Dezembro

São João Damasceno
João Damasceno é considerado o último dos santos Padres orientais da Igreja, antes que o Oriente se separasse definitivamente de Roma, no ano 1054. Uma das grandes figuras do cristianismo, não só da época em que viveu, mas de todos os tempos, especialmente pela obra teológica que nos legou.
Seu nome de batismo era João Mansur. Nasceu no seio de uma família árabe cristã no ano 675, em Damasco, na Síria. Veio daí seu apelido “Damasceno” ou “de Damasco”. Nessa época a cidade já estava dominada pelos árabes muçulmanos, que acabavam de conquistar, também, a Palestina. No início da ocupação, ainda se permitia alguma liberdade de culto e organização dos cristãos, dessa forma o convívio entre as duas religiões era até possível. A família dos Mansur ocupava altos postos no governo da cidade, sob a administração do califa muçulmano, espécie de prefeito árabe.
Dessa maneira, na juventude, João, culto e brilhante, se tornou amigo do califa, que depois o nomeou seu conselheiro, com o título de grão-visir de Damasco. Mas como era, ao mesmo tempo, um cristão reto e intransigente com a verdadeira doutrina, logo preferiu se retirar na Palestina. Foi ordenado sacerdote e ingressou na comunidade religiosa de São Sabas, e desde então viveu na penitência, na solidão, no estudo das Sagradas Escrituras, dedicado à atividade literária e à pregação.
Saía do convento apenas para pregar na igreja do Santo Sepulcro, para defender o rigor da doutrina. Suas homilias, depois, eram escritas e distribuídas para as mais diversas dioceses, o que o fez respeitado no meio do clero e do povo. Também a convite de João V, bispo de Jerusalém, participou, ao seu lado, no Concílio ecumênico de Nicéia, defendendo a posição da Igreja contra os hereges iconoclastas. O valor que passou para a Igreja foi através da santidade de vida, da humildade e da caridade, que fazia com que o povo já o venerasse como santo ainda em vida. Além disso, por sua obra escrita, sintetizando os cinco primeiros séculos de tentativas e esforços de sedimentação do cristianismo.
Suas obras mais importantes são “A fonte da ciência”, “A fé ortodoxa”, “Sacra paralela” e “Orações sobre as imagens sagradas”, onde defende o culto das imagens nas igrejas, contra o conceito dos iconoclastas. Por causa desse livro, João Damasceno foi muito perseguido e até preso pelos hereges. Até mesmo o califa foi induzido a acreditar que João Damasceno conspirava, junto com os cristãos, contra ele. Mandou prendê-lo a aplicar-lhe a lei muçulmana: sua mão direita foi decepada, para que não escrevesse mais.
Mas pela fé e devoção que dedicava à Virgem Maria tanto rezou que a Mãe recolocou a mão no lugar e ele ficou curado. E foram inúmeras orações, hinos, poesias e homilias que dedicou, especialmente, a Nossa Senhora. Através de sua obra teológica foi ele quem deu início à teologia mariana. Morreu no ano 749, segundo a tradição, no Mosteiro de São Sabas. Tão importante foi sua contribuição para a Igreja que o papa Leão XIII o proclamou doutor da Igreja e os críticos e teólogos o declararam “são Tomás do Oriente”. Sua celebração, no novo calendário litúrgico da Igreja, ocorre no dia 4 de dezembro.

Santa Bárbara
Filha de pais pagãos, Bárbara aprendeu a amar a Deus observando a natureza, o céu, o sol, as estrelas e todas as maravilhas da terra.
Bárbara nasceu na Nicomédia, Bitínia, atual Turquia. Num lar pagão, desde pequena participava dos cultos e homenagens aos deuses. A menina cresceu bela e inteligente e aprendeu os valores cristãos a ponto de apegar-se a eles com toda a força da alma. Assim, instruída no cristianismo às escondidas, recebeu o batismo.
Mas chegou o dia em que seu pai tomou conhecimento disso. A princípio, tentou persuadi-la a voltar aos valores pagãos com argúcia e artimanhas. O tempo foi passando e nada de Bárbara render-se. As pressões sobre ela aumentaram e a sua desobediência também. Até que, um dia, o pai a agrediu fisicamente, com castigos severos. Bárbara resolveu fugir de suas mãos e escondeu-se numa gruta.
Foi encontrada por dois pastores e entregue ao pai, que a maltratou, novamente, de maneira terrível. Estava apenas começando o seu sofrimento e martírio. Nada conseguindo, o pai a entregou ao governador romano Marciano.
Impressionado com a beleza da jovem, o governante, a princípio, evitou maltratá-la. Tentou a tática da conquista, não somente para sua religião como também para si. Nada conseguiu e a jovem começou a ser flagelada sadicamente, várias horas seguidas, durante dias inteiros. Conta-se que jamais se ouviu uma queixa ou lamento.
Segundo a tradição, Bárbara era confortada e tratada à noite por um anjo, de tal modo que no dia seguinte se apresentava a Marciano como se nada lhe tivesse acontecido durante o dia anterior. Tanto foi seu sofrimento que uma outra jovem cristã se ofereceu para tomar o seu lugar. Tinha vinte anos de idade e seu nome era Emiliana. Não conseguiu substituí-la, sendo depois morta no mesmo dia que ela.
Nessa ocasião, foi seu próprio pai que lhe serviu de carrasco. O golpe da espada paterna fez rolar sua cabeça e nesse instante foi fulminado por um raio que caiu sobre ele. Tudo isso transcorreu no século III.
Por isso, até hoje, santa Bárbara é invocada a proteger seus devotos durante as grandes tempestades de raios e trovões. A cristandade do mundo todo a homenageia com a escolha do nome no batismo, também emprestado para várias cidades que a têm como padroeira. A sua tradicional festa acontece no dia 4 de dezembro.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 04/12/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/opzioni.php>]
https://www.youtube.com/watch?v=TxESJRJWP60
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Isaías 1, 21-27; 2, 1-5
Julgamento e salvação de Sião
Afluência das nações
Como se prostituiu a cidade fiel!
Outrora habitavam nela a justiça e o direito,
e agora é um antro de assassinos.
A tua prata converteu-se em escória,
o teu vinho generoso diluiu-se em água.
Os teus chefes são rebeldes e companheiros de ladrões.
Todos eles gostam de presentes, correm atrás das gratificações.
Não fazem justiça ao órfão e não os preocupa a causa da viúva.
Por isso – diz o Senhor, Deus do Universo, o Forte de Israel –:
«Pedirei satisfações aos meus adversários,
castigarei os meus inimigos.
Voltarei a minha mão contra ti:
purificarei no crisol as tuas escórias,
separarei de ti toda a impureza.
Farei que os teus juízes sejam como outrora
e os teus conselheiros como antigamente.
Então serás chamada ‘Cidade Justa’, ‘Cidade Fiel’.
Sião será resgatada segundo o direito,
e os seus convertidos segundo a justiça».
Visão de Isaías, filho de Amós,
acerca de Judá e de Jerusalém:
Sucederá, nos dias que hão de vir,
que o monte do templo do Senhor
se há de erguer no cimo das montanhas
e se elevará no alto das colinas.
Ali afluirão todas as nações
e muitos povos acorrerão, dizendo:
«Vinde, subamos ao monte do Senhor,
ao templo do Deus de Jacob.
Ele nos ensinará os seus caminhos
e nós andaremos pelas suas veredas.
De Sião há de vir a lei
e de Jerusalém a palavra do Senhor».
Ele será juiz no meio das nações
e árbitro de povos sem número.
Converterão as espadas em relhas de arado
e as lanças em foices.
Não levantará a espada nação contra nação,
nem mais se hão de preparar para a guerra.
Vinde, ó casa de Jacob,
caminhemos à luz do Senhor.
SEGUNDA LEITURA
Das Cartas Pastorais de São Carlos Borromeu, bispo
(Acta Ecclesiae Mediolanensis, t. 2, Lugduni, 1683, 916-917) (Sec. XVI)
O tempo do Advento
Eis chegado, irmãos caríssimos, o tempo tão celebrado e solene, o tempo favorável, como diz o Espírito Santo, os dias da salvação, da paz e da reconciliação. É o tempo que outrora os Patriarcas e Profetas tão ardentemente desejaram com seus votos e suspiros; o tempo que o justo Simeão finalmente pôde ver cheio de alegria, que a Igreja sempre tem celebrado solenemente, e que também nós devemos santificar em todo o momento com fervor, dando graças e louvores ao Pai eterno pela infinita misericórdia que nos revelou neste mistério: Ele enviou-nos seu Filho Unigênito, pelo imenso amor que tem aos homens, pecadores, para nos livrar da tirania e do império do demônio, convidar-nos para o Céu, revelar-nos os mistérios do seu reino celeste, mostrar-nos a luz da verdade, ensinar-nos o caminho da perfeição, comunicar-nos o gérmen das virtudes, enriquecer-nos com os tesouros da sua graça e, enfim, adotar-nos como filhos seus e herdeiros da vida eterna.
Ao celebrar todos os anos este mistério, a Igreja convida-nos a renovar perpetuamente a memória do amor infinito que Deus mostrou para conosco; e ao mesmo tempo nos ensina que o advento de Cristo não foi apenas para os seus contemporâneos, mas que a sua eficácia nos é comunicada a todos nós, se quisermos receber, mediante a fé e os sacramentos, a graça que nos mereceu, e orientar de acordo com ela os costumes da nossa vida segundo os seus mandamentos.
Além disso, a Igreja espera fazer-nos compreender que assim como Ele veio uma vez, revestido da nossa carne, a este mundo, também está disposto, se não oferecermos resistência, a vir de novo, em qualquer hora e momento, para habitar espiritualmente em nossas almas com abundantes graças.
Por isso, a Igreja, como Mãe piedosa e solícita pela nossa salvação, ensina-nos durante este tempo, com diversas celebrações, com hinos, cânticos e outras vozes do Espírito Santo, a receber convenientemente e de coração agradecido este benefício tão grande e a enriquecer‑nos com o seu fruto, de modo que o nosso espírito se disponha para a vinda de Cristo nosso Senhor, com tanta solicitude como se Ele estivesse para vir novamente ao mundo e com a mesma diligência e esperança com que os Patriarcas do Antigo Testamento nos ensinaram, tanto em palavras como em exemplos, a preparar a sua vinda.
https://www.youtube.com/watch?v=tG2sF2ke-UM
ORAÇÃO DE LAUDES (NO INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
LEITURA BREVE Is 2, 3
Vinde, subamos à montanha do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos e andaremos pelas suas veredas. Porque de Sião sairá a lei e de Jerusalém a palavra do Senhor.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Cf. Is 10, 20-21
Naquele dia, o resto de Israel e os sobreviventes de Jacob hão de colocar sinceramente toda a sua confiança no Senhor, o Santo de Israel. Voltará um resto, um resto de Jacob, ao Deus forte.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 10, 24. 27
Eis o que diz o Senhor Deus dos Exércitos: Meu povo, que habitas em Sião, não temas. Naquele dia, será tirado o fardo dos teus ombros e será arrancado o jugo do teu pescoço.
https://www.youtube.com/watch?v=ksB6sF0lqns
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 13, 22 – 14, 1
A sua hora está prestes a chegar e os seus dias não tardarão. O Senhor terá compaixão de Jacob e Israel será salvo.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Cf. Filip 3, 20b-21
Esperamos o Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador, que transformará o nosso corpo miserável, para o tornar semelhante ao seu Corpo glorioso, pelo poder que Ele tem de sujeitar a Si todo o universo.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Tes 5, 9-10
Deus destinou-nos para alcançarmos a salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, a fim de que, velando ou dormindo, vivamos unidos a Ele.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos.
** O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária. Nestes estudos apresentamos o Salmo completo, a não ser que seja excessivamente extenso, e eventualmente inserimos algumas passagens suprimidas que reputamos importantes para a melhor compreensão e compenetração no ensinamento bíblico). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
*** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
**** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
***** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

