“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 22 DE JANEIRO DE 2024
22 de janeiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 24 DE JANEIRO DE 2024
24 de janeiro de 2024TERÇA-FEIRA DA III SEMANA DO TEMPO COMUM
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos vivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:
https://youtu.be/Dpml3EUkzPw?si=1Xze5VrMK3FXOLuj

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4247-liturgia-de-23-de-janeiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira. Glória e esplendor em sua presença, santidade e beleza no seu santuário (Sl 95,1.6).
Coleta
– Deus eterno e todo-poderoso, dirigi nossas ações segundo a vossa vontade, para que em nome do vosso dileto Filho, mereçamos frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 2Sm 6,12b-15.17-19
Salmo Responsorial: Sl 24,7-10
– Dizei-nos: “Quem é este Rei da glória?” “É o Senhor, o valoroso, o grandioso!”
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelastes os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25)
Aleluia, aleluia, aleluia.
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos: Mc 3,31-35.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (2Sm 6,12b-15.17-19): Foi então Davi e fê-la transportar da casa de Obed-Edom para a cidade de Davi, no meio de grandes regozijos. 13. Quando os carregadores da arca do Senhor completavam seis passos, sacrificavam-se um boi e um bezerro cevado. 14. Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor, cingido com um efod de linho. 15. O rei e todos os israelitas conduziram a arca do Senhor, soltando gritos de alegria e tocando a trombeta. 17. A arca foi introduzida e instalada em seu lugar, no centro do tabernáculo que Davi construíra para ela, e Davi ofereceu holocaustos e sacrifícios pacíficos. 18. Terminadas essas cerimônias, abençoou o povo em nome do Senhor dos exércitos, 19. e distribuiu a toda a multidão do povo de Israel, tanto aos homens como às mulheres, a cada um, um bolo, um pedaço de carne e uma torta. E retirou-se toda a multidão, indo cada um para a sua casa.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 23,7-10): Levantai, ó portas, os vossos dintéis! Levantai-vos, ó pórticos antigos, para que entre o Rei da glória! 8. Quem é este Rei da glória? É o Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na batalha. 9. Levantai, ó portas, os vossos dintéis! Levantai-vos, ó pórticos antigos, para que entre o Rei da glória! 10. Quem é este Rei da glória? É o Senhor dos exércitos! É ele o Rei da glória.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mc 3,31-35): Chegaram sua mãe e seus irmãos e, estando do lado de fora, mandaram chamá-lo. 32. Ora, a multidão estava sentada ao redor dele; e disseram-lhe: “Tua mãe e teus irmãos estão aí fora e te procuram.” 33. Ele respondeu-lhes: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” 34. E, correndo o olhar sobre a multidão, que estava sentada ao redor dele, disse: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos. 35. Aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia do dia 23 de janeiro de 2024 compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (2Sm 6,12b-15.17-19) sobre o transporte da arca do Senhor para a cidade de Davi, que acompanhou o trajeto dançando com todas as suas forças diante do Senhor; o povo acompanhava o rei com gritos de alegria, ao som das trombetas. A arca foi instalada no lugar a ela destinado e em seguida foi distribuído a cada integrante da multidão um bolo, um pedaço de carne e uma torta em comemoração do memorável e venturoso evento.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 23,7-10).
O Santo Evangelho (Mc 3,31-35) compele-nos em especial à impregnar-nos da consciência de que, ao ser dito a Jesus que sua mãe e seus irmãos (tratavam-se dos primos, que em hebraico e aramaico eram também chamados irmãos) estavam ali à sua procura, ele afirmou que aqueles que fazem a vontade de Deus são seus irmãos, suas irmãs e sua mãe. Cumpre-nos refletir o quão verdadeiras são tais palavras, que designam a família estendida de Jesus, que podemos denominar de família divina. Além dos milhares, quiçá milhões de irmãos e irmãs consagrados à vida religiosa, bilhões de leigos também a integraram ao longo dos vinte séculos em que o cristianismo cresce no mundo, sendo a nós também concedido esse imenso privilégio. E dentre os que se empenham por fazer a vontade de Deus, integrando assim a família divina de Jesus, ninguém o fez de forma tão ampla e efetiva quanto Maria Santíssima, a cheia de graça (conforme Lucas, 1,28), reconhecida como Mãe da Igreja, da qual Cristo é a cabeça (Ef 1,22) e nós seus membros (1Cor 12:27).

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da liturgia do dia 23 de janeiro de 2024, que esclarece em especial em 2 Samuel 6,12b-15.17-19 sobre o transporte da arca do Senhor para a cidade de Davi, que acompanhou o trajeto dançando com todas as suas forças diante do Senhor; o povo acompanhava o rei com gritos de alegria, ao som das trombetas. A arca foi instalada no lugar a ela destinado e em seguida foi distribuído a cada integrante da multidão um bolo, um pedaço de carne e uma torta em comemoração do memorável e venturoso evento. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos alegremos e regozijemos intensamente, ainda que o seja de forma discreta, no interior de nossos corações, pela oportunidade de nos colocarmos diante da presença divina no Santíssimo Sacramento Eucarístico, em todos os sacrários do mundo – e que aproveitemos ao máximo as oportunidades para nos colocarmos em adoração, junto à vossa presença! Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 23,7-10): Levantai, ó portas, os vossos dintéis! Levantai-vos, ó pórticos antigos, para que entre o Rei da glória! 8. Quem é este Rei da glória? É o Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na batalha. 9. Levantai, ó portas, os vossos dintéis! Levantai-vos, ó pórticos antigos, para que entre o Rei da glória! 10. Quem é este Rei da glória? É o Senhor dos exércitos! É ele o Rei da glória. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que, conforme esclarece Santo Evangelho de Marcos 3,31-35, nos impregnemos da consciência de que, ao ser dito a Jesus que sua mãe e seus irmãos (tratavam-se dos primos, que em hebraico e aramaico eram também chamados irmãos) estavam ali à sua procura, ele afirmou que aqueles que fazem a vontade de Deus são seus irmãos, suas irmãs e sua mãe. Cumpre-nos refletir o quão verdadeiras são tais palavras, que designam a família estendida de Jesus, que podemos denominar de família divina. Além dos milhares, quiçá milhões de irmãos e irmãs consagrados à vida religiosa, bilhões de leigos também a integraram ao longo dos vinte séculos em que o cristianismo cresce no mundo, sendo a nós também concedido esse imenso privilégio. E dentre os que se empenham por fazer a vossa santa vontade, integrando assim a família divina de Jesus, ninguém o fez de forma tão ampla e efetiva quanto Maria Santíssima, a cheia de graça (conforme Lucas, 1,28), reconhecida como Mãe da Igreja, da qual Cristo é a cabeça (Ef 1,22) e nós seus membros (1Cor 12:27). Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para fazer cada vez mais a vossa santa vontade e assim usufruir plenamente a herança divina de filhos de Deus que Jesus, nosso irmão, conquistou para nós com sua vida e sacrifício na cruz. Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 23 de Janeiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/01/santos-do-dia-da-igreja-catolica-23-de-janeiro/>]

Santo Ildefonso
Segundo os registros, foi por intercessão de Nossa Senhora, a pedido de seus pais, que Ildefonso nasceu. Assim, o culto mariano tomou grande parte de sua vida religiosa, ponteada por aparições e outras experiências de religiosidade.
Ildefonso veio ao mundo no dia 08 de dezembro de 607, em Toledo, na Espanha. De família real, que resistiu aos romanos, mas que se rendeu politicamente aos visigodos, foi preparado muito bem para o futuro. Estudou com Santo Isidoro em Sevilha. Depois de fugir para o mosteiro de São Damião, nos arredores de Toledo, Ildefonso conseguiu dos pais aprovação para se tornar monge, o que aconteceu no mosteiro próximo de sua cidade natal.
Pouco depois de tornar-se diácono, herdou enorme fortuna devido à morte dos pais. Empregou todas as posses em favor dos pobres e fundou um mosteiro para religiosas. Seu trabalho era tão reconhecido que após a morte do abade de seu mosteiro foi eleito por unanimidade para sucedê-lo. Em 636 dirigiu o IV Sínodo de Toledo, sendo o responsável pela unificação da liturgia espanhola.
Mais tarde, quando da morte de seu tio e bispo de Toledo, Eugênio II, contra sua vontade, foi eleito para o cargo. Chegou a se esconder para não ter que aceitá-lo, sendo então convencido pelo rei dos visigodos, que o procurou pessoalmente. Depois disso, Ildefonso desempenhou a função com reconhecida e admirada disciplina nos preceitos do cristianismo – a mesma que exigia e obtinha de seus comandados.
Nessa época, Ildefonso escreveu uma obra famosa contra os hereges que negavam a virgindade de Maria Santíssima, sustentando que a Mãe de Deus foi Virgem antes, durante e depois do parto. Exerceu importante influência na Idade Média com seus livros exegéticos, dogmáticos, monásticos e litúrgicos.
Entre suas experiências de religiosidade constam várias aparições. Além de ter visto Nossa Senhora rodeada de virgens, entoando hinos religiosos, recebeu também em visão a visita de Santa Leocádia, no dia de sua festa, 09 de dezembro. Ildefonso tentava localizar as relíquias da santa e esta lhe indicou exatamente o lugar onde seu corpo fora sepultado.
O sábio bispo morreu em 23 de janeiro de 667, sendo enterrado na igreja de Santa Leocádia. Mas, anos depois, com receio da influência que a presença de seus restos mortais representava, os mouros pagãos os transferiram para Zamora, onde ficaram até 888. Somente em 1400 seus despojos foram encontrados sob as ruínas do local e expostos à veneração novamente.
Santo Ildefonso recebeu o título de doutor da Igreja e é tido pela Igreja como o último Padre do Ocidente. Dessa maneira são chamados os grandes homens da Igreja que, entre os séculos dois e sete, eram considerados como “Pais” tanto no Oriente como no Ocidente, porque foram eles que firmaram os conceitos da nossa fé, enfrentando as heresias com o seu saber, carisma e iluminação. São aos responsáveis pela fixação das tradições e ritos da Igreja.

São João Esmoler
Este santo dava tanta importância à esmola, que não só dela vivia como com ela provia uma grande quantidade de famílias, e até cidades inteiras. Assim foi o apostolado do bispo João, chamado de “Esmoler”.
O século sete é tido, para a humanidade, como uma época de opulência para os poderosos e de miséria para o povo, mas o bispo João nunca deixou de atender a quem quer que o tenha procurado. Os registros e a tradição mostram que a Providência Divina sempre vinha à sua ajuda e, de uma forma ou de outra, os mantimentos de que precisava acabavam chegando às suas mãos. Certamente Deus queria fazer dele um exemplo.
João pertencia a uma família cristã e nasceu no ano 556, na Ilha de Chipre, numa cidade chamada Amatunte, onde seu pai além de muito rico era o governador. João sentia-se chamado para a vida religiosa desde pequeno, alimentando esse desejo até a idade adulta. Como os pais o impediram de se tornar um sacerdote, com a humildade que lhe era peculiar, João obedeceu às suas ordens e se casou. Mas seu caminho já estava traçado por Deus. Pouco tempo depois do casamento a esposa faleceu. Embora, o sofrimento fosse muito grande com a perda, ele decidiu seguir seu chamado e se tornou um sacerdote.
Seu trabalho junto aos pobres deu tantos frutos que foi eleito bispo de Alexandria e, nesta posição de destaque, pôde fazer mais ainda pelos necessitados. Prontamente mandou cadastrar todos os pobres da cidade, onde se catalogaram mais de sete mil e quinhentos. Às quartas e sextas-feiras eram recebidos e auxiliados em tudo que estivesse ao seu alcance. Quando a população católica da Pérsia se viu perseguida por causa de sua fé, foi no Egito do bispo João Esmoler que encontrou alimento e abrigo.
Na época em que Jerusalém foi arrasada pelos pagãos, também foi o bispo João quem para lá mandou comida e até recursos para a reconstrução das igrejas. Entretanto, consigo mesmo era o desapego em pessoa. Tinha uma única coberta, velha e maltrapilha. Quando um amigo de posses lhe deu um cobertor novinho e felpudo, jogando a velha coberta fora, João dormiu apenas uma noite com ele, em sinal de agradecimento, e no dia seguinte o colocou à venda. Sabedor do gesto do bispo, o doador comprou o cobertor e lhe deu de presente outra vez. Como seu admirador, lhe propôs um jogo: quantas vezes ele o colocasse à venda, tantas vezes o compraria para lhe dar de presente novamente. Assim, o lucro para os pobres foi grande.
Já sexagenário, em 619, decidiu viajar para Constantinopla aceitando o convite do imperador, que desejava vê-lo. Porém, ao chegar à cidade de Rhodes, recebeu uma mensagem profética, de que a sua morte estava bem próxima. João Esmoler chamou o discípulo que o acompanhava, disse-lhe que ia cancelar a visita ao imperador, “pois o Rei dos reis também o chamava” e Ele tinha prioridade. Assim, foi para sua Ilha de Chipre onde morreu serenamente no dia 23 de janeiro desse mesmo ano.
Em 1974, o cardeal de Veneza, Albino Luciani, que depois se tornaria o Papa João Paulo I, teve a honra de hospedar na Igreja Matriz de Casarano as relíquias do corpo de Santo João Esmoler e seu chapéu de bispo, este que continua guardado nessa igreja e localidade. Desse modo percebemos que o seu culto se mantém cada vez mais forte e vigoroso.

Nicolau Gross (Bem-Aventurado)
Nicolaus Gross nasceu a 30 de setembro de 1898, nos arredores da cidade de Essen, na Alemanha. Ainda adolescente, começou a trabalhar como mineiro, aproveitando o tempo livre para estudar. Afiliando-se à associação sindical dos mineiros cristãos, foi depois eleito seu secretário para a seção juvenil.
Em seguida, casou-se com Elisabeth Koch, com quem teve sete filhos. Amava a sua família mais do que qualquer outra coisa e foi um pai exemplar, distinguindo-se por um profundo sentido de responsabilidade em todos os âmbitos da vida. Em 1927, começou a colaborar com um jornal do sindicato, do qual se tornou redator-chefe. Aplicando a doutrina social da Igreja, ajudava os operários a resolver os problemas que atingiam a sociedade dessa época. Assim, desde o início do nazismo opôs-se à sua ideologia política e criticou os seus princípios e atividades, o que provocou o fechamento do seu jornal por parte das autoridades do governo.
Entre muitas outras coisas, escreveu: “É preciso obedecer a Deus mais do que aos homens. Se nos pedem algo que é contrário a Deus ou à fé, temos o dever moral e absoluto de não obedecer”.
Alguns dos seus escritos caíram nas mãos da Gestapo, que o condenou. No dia 12 de agosto de 1944 foi preso com a falsa acusação de ter participado num atentado falido contra a vida de Adolf Hitler. Torturado, encontrava a fonte da sua força na oração. Em 15 de janeiro de 1945 o tribunal pronunciou a sua sentença à morte, com a seguinte justificação:
“Nadava… na corrente da traição e por isso, nela deve morrer”. No dia 23 de janeiro foi enforcado na prisão de Berlin-Plotizense. Como os nazistas não desejavam mártires, queimaram os seus restos mortais e espalharam as suas cinzas. O Capelão do cárcere, que o abençoou na sua última viagem, disse que o rosto de Nicolaus “parecia iluminado com o esplendor d’Aquele por quem estava prestes a ser recebido”.
O Papa João Paulo II, declarou Beato Nicolaus Gross no ano 2001, designando o dia de sua morte para as homenagens litúrgicas.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 23/01/2023
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do Livro do Deuteronômio 26, 1-19
Profissão de fé dos filhos de Abrão
Naqueles dias, Moisés falou ao povo, dizendo:
«Quando tiveres chegado à terra que o Senhor teu Deus te vai dar como herança, tiveres tomado posse dela e nela habitares, recolherás as primícias de todos os frutos da terra que tiveres cultivado no país que o Senhor teu Deus te vai dar e, dispondo-as num cesto, dirigir-te-ás ao lugar que o Senhor teu Deus tiver escolhido para aí estabelecer o seu nome. Irás ter com o sacerdote em exercício nesses dias e dir-lhe-ás: ‘Venho hoje declarar ao Senhor teu Deus, que entrei na terra que aos nossos pais o Senhor jurou conceder-nos’.
O sacerdote receberá o cesto da tua mão e colocá-lo-á diante do altar do Senhor teu Deus. E diante do Senhor teu Deus dirás as seguintes palavras: ‘Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito com poucas pessoas, e aí viveu como estrangeiro até se tornar uma grande nação, forte e numerosa. Os egípcios maltrataram-nos, oprimiram-nos e sujeitaram‑nos a dura escravidão. Invocamos então o Senhor, Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu a nossa voz, compadeceu‑se da nossa miséria, dos nossos trabalhos e da opressão que nos dominava. O Senhor fez-nos sair do Egito com mão poderosa e braço estendido, espalhando um grande terror e realizando sinais e prodígios. Conduziu-nos a este lugar e deu-nos este país, terra onde corre leite e mel. E agora venho trazer-vos as primícias dos frutos da terra que me destes, Senhor’. Então colocá-las-ás diante do Senhor teu Deus e prostrar-te-ás na presença do Senhor teu Deus. Depois alegrar-te-ás com o levita e o estrangeiro que viverem junto de ti, por todo o bem que o
Senhor teu Deus te concedeu a ti e à tua família.
No terceiro ano, o ano da dízima, quando tiveres levado a dízima de todos os teus frutos e a tiveres dado ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para eles comerem na tua cidade e ficarem saciados, dirás na presença do Senhor teu Deus: ‘Tirei da minha casa o que era sagrado e dei-o ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, conforme todos os mandamentos que me destes. Não transgredi nem esqueci nenhum dos vossos mandamentos: não comi desse alimento quando me encontrava de luto, nada tirei dele em estado de impureza, nada dele ofereci a um morto. Escutei a voz do Senhor meu Deus; cumpri tudo o que me ordenastes. Da vossa morada santa, lá no Céu, lançai o olhar e abençoai Israel, vosso povo, e a terra que nos destes, como jurastes aos nossos pais, essa terra onde corre leite e mel’.
O Senhor teu Deus ordena-te hoje que cumpras estas leis e mandamentos. Tu os guardarás e cumprirás com todo o teu coração e com toda a tua alma.
Hoje obtiveste do Senhor a promessa de que Ele será o teu Deus; e tu deves seguir os seus caminhos, cumprindo os seus mandamentos, leis e preceitos, e escutando a sua voz. E hoje o Senhor obteve de ti a promessa de que serás o seu povo, como Ele tinha declarado; e cumprirás os seus mandamentos. Ele te elevará pela glória, fama e esplendor, acima de todas as nações que formou, e serás um povo consagrado ao Senhor teu Deus, como ele te prometeu».
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Da Regra monástica maior de São Basílio Magno, bispo
(Resp. 2, 2-4; PG 31, 914-915) (Sec. IV)
Como agradecer ao Senhor por tudo o que nos deu?
Como poderíamos descrever devidamente os dons de Deus? São tantos que não podem contar-se; são tão grandes e de tal qualidade que um só deles bastaria para merecer toda a nossa gratidão. Mas há um que forçosamente temos de referir, e seria absolutamente inadmissível que alguém, de mente sã e capaz de refletir, deixasse de falar, embora muito aquém do que é devido, acerca deste insigne benefício de Deus:
Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, honrou-o com o conhecimento de si mesmo, dotou-o de razão que o torna superior a todos os outros seres vivos, deu-lhe a possibilidade de gozar a magnífica beleza do paraíso terrestre e, finalmente, constituiu-o rei de toda a criação. Depois que o homem, enganado pela serpente, caiu no pecado e, pelo pecado, na morte e tribulações que mereceu, nem por isso o abandonou; ao contrário, deu-lhe o auxílio da Lei, colocou-o sob a proteção e vigilância dos Anjos, enviou os Profetas para corrigir os vícios e ensinar a virtude, reprimiu e extirpou mediante ameaças as suas tendências para o mal e estimulou com promessas o seu esforço no caminho do bem, manifestando antecipadamente em várias ocasiões, com o exemplo concreto de diversas pessoas, qual a sorte final que espera os bons e os maus. E depois de tudo isto, apesar de perseverarmos na nossa obstinação, não se afastou de nós.
Na sua bondade, o Senhor não nos abandonou, embora a nossa insensatez nos tivesse levado a desprezar as suas honras; e não se extinguiu o seu amor por nós, apesar da insolência que mostramos para com o nosso benfeitor. Pelo contrário, fomos resgatados da morte e restituídos à vida por intermédio do próprio Senhor Jesus Cristo. E o que ainda é mais admirável, é o modo como nos fez este benefício: Ele que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus; mas aniquilou-se a si próprio, tomando a condição de servo.
Mais ainda: Tomou sobre si as nossas enfermidades, suportou as nossas dores, foi ferido por causa das nossas culpas, a fim de que pelas suas chagas fôssemos curados; salvou-nos da maldição, tornando-se maldito por nosso amor, e sofreu a morte mais ignominiosa para nos conduzir a uma vida gloriosa. E não se limitou a restituir à vida os que estavam mortos, mas também os fez participantes da sua própria divindade e lhes preparou um descanso eterno e uma felicidade que supera toda a imaginação humana.
Que poderemos oferecer ao Senhor por tudo o que nos deu? Ele é tão bom que não nos exige retribuição; contenta-se com a gratidão do nosso amor.
Quando medito em tudo isto – para dizer o que sinto – fico aterrorizado e inquieto pelo receio de que alguma vez, por leviandade ou preocupação com coisas vãs, me esqueça do amor de Deus e seja para Cristo causa de vergonha e opróbrio.
LEITURA BREVE
1 Jo 4, 14-15
Nós vimos e damos testemunho de que o Pai enviou o Filho como Salvador do mundo. Se alguém confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Jer 22, 3
Praticai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos do opressor. Não deixeis que o estrangeiro, o órfão e a viúva sofram vexames e violências. Não derrameis sangue inocente.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 15, 7-8
Se houver no meio de ti um pobre entre os teus irmãos, em alguma das tuas cidades, na terra que o Senhor teu Deus te há de dar, não endurecerás o teu coração nem fecharás a mão diante do teu irmão pobre; mas abrir-lhe-ás a mão e emprestar-lhe-ás segundo as necessidades da sua indigência.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Prov 22, 22-23
Não roubes o pobre, porque é pobre; nem oprimas o infeliz às portas da cidade. Porque o Senhor advogará a sua causa e tirará a vida aos opressores.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Rom 12, 9-12
Seja a vossa caridade sem fingimento. Detestai o mal e aderi ao bem. Amai-vos uns aos outros com amor fraterno. Rivalizai uns com os outros na estima recíproca. Não sejais indolentes no zelo, mas fervorosos no espírito. Dedicai-vos ao serviço do Senhor. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Pedro 5, 8-9a
Sede sóbrios e estai vigilantes: o vosso inimigo, o demônio, anda à vossa volta, como leão que ruge, procurando a quem devorar. Resisti-lhe firmes na fé.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
