“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 19 DE FEVEREIRO DE 2024
19 de fevereiro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 21 DE FEVEREIRO DE 2024
21 de fevereiro de 2024TERÇA-FEIRA DA I SEMANA DA QUARESMA
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos efusivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada no link abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=GpepgbrwL74

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4277-liturgia-de-20-de-fevereiro-de-2024>]
Antífona da entrada
– Senhor, vós vos tornastes um refúgio para nós de geração em geração; desde sempre e para sempre vós sois Deus (Sl 89,1).
Coleta
– Olhai, Senhor, vossa família e fazei que, interiormente mortificados pela penitência corporal, resplandeça sempre mais em nós a luz da vossa presença. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Is 55,10-11
Salmo Responsorial: Sl 33,4-7.16-19
– O Senhor liberta os justos de todas as angústias.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 6,7-15
Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor!
Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor!
– O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus (MT 4,4).
Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor!
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (Is 55,10-11): Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, 11. assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 33,4-7.16-19): Glorificai comigo ao Senhor, juntos exaltemos o seu nome. 5. Procurei o Senhor e ele me atendeu, livrou-me de todos os temores. 6. Olhai para ele a fim de vos alegrardes, e não se cobrir de vergonha o vosso rosto. 7. Vede, este miserável clamou e o Senhor o ouviu, de todas as angústias o livrou. 16. Os olhos do Senhor estão voltados para os justos, e seus ouvidos atentos aos seus clamores .17. O Senhor volta a sua face irritada contra os que fazem o mal, para apagar da terra a lembrança deles. 18. Apenas clamaram os justos, o Senhor os atendeu e os livrou de todas as suas angústias. 19. O Senhor está perto dos contritos de coração, e salva os que têm o espírito abatido.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mt 6,7-15): Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. 8. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais. 9. Eis como deveis rezar: PAI NOSSO, que estais no céu, santificado seja o vosso nome; 10. venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. 11. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; 12. perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam; 13. e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. 14. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. 15. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da liturgia do dia 20 de fevereiro de 2024 compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (Is 55,10-11) que a chuva e a neve caem do alto e não voltam sem ter regado a terra, fecundando-a e fazendo germinar as plantas semeadas, com as quais se produzem os alimentos. Do mesmo modo, as palavras que provém da boca de Deus não retornam ser ter produzido o efeito, executando a vontade divina, cumprindo sua missão. Cumpre-nos, pois, absorver a Palavra de Deus para que regue nosso terreno interior, fecundando-o, fazendo germinar bons frutos que se transformam em boas obras para servir nossos semelhantes. Que a cada dia mais realizemos a vontade divina e cumpramos nossa missão de filhos amados de Deus!
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 33,4-7.16-19).
O Santo Evangelho (Mt 6,7-15) compele-nos, pelas palavras de Jesus, a orar de forma concisa e serena, cientes de que não seremos ouvidos à força de palavras, pois o Pai sabe o que necessitamos antes mesmo de pedirmos. Cumpre-nos, pois, cultivar as atitudes de louvar ao Senhor; de invocar a vinda do Reino de Deus; de nos colocarmos à disposição para realizar a vontade divina; de nos postarmos com humildade pedindo perdão e ao mesmo tempo com compaixão – com sincera disposição de perdoar os que nos ofenderam; e de reconhecimento de que por nós mesmos não somos capazes de resistir as tentações, os embustes e ciladas do maligno, cumprindo-nos pedir ao Senhor que livre-nos do mal. Oremos, pois, conforme Jesus nos ensinou: Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, vem a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, não nos deixei cair em tentação mas livrai-nos do mal. Amém.
Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da liturgia do dia 20 de fevereiro de 2024, que esclarece em especial em Isaías 55,10-11 que a chuva e a neve caem do alto e não voltam sem ter regado a terra, fecundando-a e fazendo germinar as plantas semeadas, com as quais se produzem os alimentos. Do mesmo modo, as palavras que provém da vossa boca não retornam ser ter produzido o efeito, executando a vossa divina vontade, cumprindo sua missão. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que absorvamos com cada vez mais eficácia a vossa Palavra, regando-a com devoção em nosso terreno interior, para que a fecundeis, fazendo germinar bons frutos que se transformem em boas obras para servir nossos semelhantes. Que a cada dia mais realizemos a vossa divina vontade e cumpramos nossa missão de vossos filhos amados!
Fazemos coro com o louvor orante do salmista (Sl 33,4-7.16-19): Glorificai comigo ao Senhor, juntos exaltemos o seu nome. 5. Procurei o Senhor e ele me atendeu, livrou-me de todos os temores. 6. Olhai para ele a fim de vos alegrardes, e não se cobrir de vergonha o vosso rosto. 7. Vede, este miserável clamou e o Senhor o ouviu, de todas as angústias o livrou. 16. Os olhos do Senhor estão voltados para os justos, e seus ouvidos atentos aos seus clamores .17. O Senhor volta a sua face irritada contra os que fazem o mal, para apagar da terra a lembrança deles. 18. Apenas clamaram os justos, o Senhor os atendeu e os livrou de todas as suas angústias. 19. O Senhor está perto dos contritos de coração, e salva os que têm o espírito abatido.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que, conforme ilumina o Santo Evangelho (Mt 6,7-15), oremos conforme ensinou Jesus, de forma concisa e serena, cientes de que não seremos ouvidos à força de palavras, pois o Pai sabe o que necessitamos antes mesmo de pedirmos. Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que em nossa oração vos louvemos com profunda piedade; invoquemos a vinda do vosso Reino; nos coloquemos à disposição para realizar a vossa divina vontade; nos postemos com humildade pedindo perdão e ao mesmo tempo com compaixão – com sincera disposição de perdoar os que nos ofenderam; e reconheçamos que por nós mesmos não somos capazes de resistir as tentações, os embustes e ciladas do maligno, cumprindo-nos pedir ao Senhor que livre-nos do mal. Oremos, portanto: Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixei cair em tentação mas livrai-nos do mal. Amém. Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental! Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia. Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 20 de Fevereiro
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/02/santos-do-dia-da-igreja-catolica-20-de-fevereiro/>]

Santo Euquério
O bispo francês Euquério foi um grande defensor da Igreja em seu tempo. Defensor não só de seus conceitos e dogmas, mas também dos seus bens, que tanto atraíam os poderosos. Euquério nasceu em Órleans, na França, e recebeu disciplina e educação cristã desde o berço. Assim que a idade o permitiu, entrou para o mosteiro de Lumièges, às margens do rio Sena. Seus sete anos de atuação ali foram marcados pela penitência que, de tão severa, chegava a lembrar os monges eremitas do Oriente. Esse período fez dele o candidato natural à sucessão do bispo de sua cidade natal. Humilde, Euquério tentou recusar, mas foram tantos os pedidos de seus irmãos de hábito e do povo em geral, que acabou aceitando. Seu bispado foi marcado pelo respeito às tradições e à disciplina. Euquério chegou a enfrentar o rei francês Carlos Martel, que pretendia se apossar de bens da Igreja, dirigindo-lhe censuras graves, como faria a qualquer outra ovelha de seu rebanho, se fosse necessário. O rei, apesar de precisar dos bens para aumentar as finanças e continuar a guerra contra os sarracenos muçulmanos, deixou de lado sua intenção. Entretanto, tramou a transferência do bispo, para afastá-lo de sua querida cidade de Órleans. Euquério foi transferido para Colônia, na Alemanha, aonde também conquistou o respeito e o carinho do povo e do clero. Então o vingativo rei conseguiu que fosse mandado para mais longe, Liège. Ele viveu seis anos no exílio e passou seus últimos dias no convento de São Trondom. O bispo Euquério morreu no dia 20 de fevereiro de 738 e suas relíquias permaneceram guardadas na igreja desse convento, na diocese de Mastrichiti. O seu culto se perpetua pela devoção dos fiéis tanto na França, quanto na Alemanha e em todo o mundo cristão. Sua festa litúrgica se dá no dia de sua morte.

Santo Ulrico
Ulrico Nasceu em Bristol, Inglaterra. Sabemos muito pouco a respeito de sua vida. Inicialmente Ulrico estava entregue aos vícios da nobreza inglesa. Muitos sacerdotes não observavam as normas da Igreja. Certa vez, Ulrico foi abordado por um mendigo. Este o advertiu a respeito de seus atos e da decadência dos costumes daquela época. Ulrico reconheceu envergonhado a verdade nas palavras daquele mendigo.
Resolveu juntar-se a um grupo de padres que viviam disciplinadamente, trabalhando na agricultura e na indústria de lã. Eles trabalhavam, estudavam e pregavam o evangelho, distanciando-se da vida mundana. Ulrico desaparece das festas e penitencia seu corpo, vestindo uma malha de ferro sobre a pele nua. Passa a celebrar missas, pregar apaixonadamente, trabalhar pela Igreja e copiar livros. Enfim, ele havia reencontrado o caminho que o levaria de volta a Deus.
O padre Ulrico ficou muito conhecido entre os pobres e humildes, tornando-se um dos poucos que os escutavam. Tornou-se a voz dos pobres, pregando a esperança. Alguns diziam que ele tinha o dom da profecia e o próprio rei Henrique II fora visitá-lo a fim de ouvir seus conselhos.
O sacerdote Ulrico viveu os últimos anos de sua vida numa pequena cela na Igreja de Haselbury. Tinha conquistado a fama de um homem santo e gente de todo o país vinha em peregrinação para vê-lo e ouví-lo. Quando da sua morte, aos 20 de fevereiro de 1154, uma grande comoção tomou conta do povo humilde que o amava. Sua cela tornou-se sacristia da Igreja de Haselbury.

Santo Eleutério
Eleutério nasceu no ano de 456 na cidade de Tournai, França. São Gregório de Tours, que foi um dos primeiros historiadores da Igreja da França, narrou que na infância enquanto Eleutério brincava com os amiguinhos, um deles lhe disse que iria chegar a ser um bispo. Não foi um aviso profético. Certamente foi um gracejo maldoso, pois na sua época, as responsabilidades desta função geralmente incluíam ameaças de morte.
Ele viveu num período conturbado da história da França, que ainda estava sendo evangelizada, e sentia o domínio dos povos do norte europeu. Foi alvo de sucessivas invasões, ora dos visigodos ora dos burgundis, ainda não pagãos, que só obedeciam à força militar, identificada na pessoa do rei ou dos generais. Assim, tornou-se, em parte, um território dos Francos, cujo rei era Clodoveo, ainda pagão.
Eleutério seguiu a carreira eclesiástica, desenvolvendo sua ação pastoral neste campo.
Chegou de fato a ser eleito bispo, o primeiro da diocese de Tournai, da qual foi o desbravador, que com imenso sacrifício, mas vencendo as dificuldades, fixou as bases para a futura grandeza daquela diocese. Somou-se ao incessante esforço da Igreja da França pela conversão dos povos recém-migrados, começando com o rei Clodoveo e a rainha Clotilde, que ele conseguiu converter com ajuda do amigo, também santo, bispo Remígio, de Reims.
Naquela época, era muito difícil organizar uma diocese com estruturas mínimas de clero, igrejas, centro de evangelização. O trabalho mais árduo era criar o espírito pacífico entre os habitantes da região, que viveram grande parte do tempo em confrontos por um pedaço de terra onde sobreviver. Além disto, havia a complicada questão das conversões em massa, que se desencadeava a partir da conversão do rei. Confundindo nação com religião, a maioria da população queria se converter também. Deste modo, as conversões não eram bem feitas, a maioria era puramente exterior, ou apenas uma questão de política, não modificavam o interior das pessoas.
Mas, o bispo Eleutério conseguiu com poucos padres e monges, fazer uma evangelização sólida e bem feita, durante os dez anos que dirigiu aquela Igreja. Foi um verdadeiro operário de Cristo, tenaz, zeloso, enérgico, vigilante contra as heresias e bondoso na tarefa de conversão dos pagãos. Mesmo assim, Eleutério foi vítima de uma conspiração, morrendo como mártir em 531, na sua querida Tournai.
Os restos mortais deste humilde bispo, foram guardados numa urna na Catedral de Tournai e o local se tornou meta de peregrinação. A cidade de Tournai esta situada hoje na Bélgica e se destaca como uma das maiores dioceses do mundo. A igreja canonizou Santo Eleutério designando o dia 20 de fevereiro para a sua festa, data em que a Catedral foi dedicada à ele.

Santa Jacinta de Jesus Marto
Jacinta de Jesus Marto nasceu em Aljustrel, Fátima, a 11 de março de 1910. Foi batizada uma semana depois. Á ela junto com o irmão Francisco e a prima Lúcia, três simples crianças pastoras analfabetas, foi dada a graça de presenciar as aparições de Nossa Senhora, na sua pequenina aldeia.
Além das cinco aparições da Cova da Iria e uma dos Valinhos, Nossa Senhora apareceu à Jacinta mais quatro vezes em casa durante a doença, uma grave pneumonia que a acometeu juntamente com seu irmão Francisco.
Nessa primeira aparição, quando ambos já estavam acamados, assim descreve a pequenina: “Nossa Senhora veio nos ver e diz que vem buscar o Francisco muito em breve. E a mim perguntou-me se queria ainda converter mais pecadores. Disse-lhe que sim”. De fato, logo depois Francisco morreu santamente.
Nessa ocasião, ao aproximar-se o momento da partida de Francisco, Jacinta recomenda-lhe: “Leve muitas saudades minhas a Nosso Senhor e a Nossa Senhora e diz-lhes que sofro tudo quanto Eles quiserem para converter os pecadores”. Jacinta ficara tão impressionada com a visão do inferno durante uma das aparições da Virgem em Fátima, ocorrida em 13 de julho de 1917, que nenhuma mortificação e penitência era demais para salvar os pecadores.
A vida da pequena Jacinta foi cacterizada por esse extremo espírito de sacrifício, o amor ao Coração de Maria, ao Santo Padre e aos pecadores. Sempre levada pela preocupação da salvação dos pecadores e do desagravo ao Coração Imaculado de Maria, de tudo oferecia um sacrifício a Deus, dizendo sempre a oração que Nossa Senhora lhes ensinara: “Ò Jesus, é por Vosso Amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria”.
Quase um ano depois da morte de Francisco, Jacinta faleceu, era 20 de fevereiro de 1920. O seu corpo foi enterrado no cemitério de Ourém, sendo transladado em 1935 para o cemitério de Fátima. Em 1951 foi finalmente transferida para a Basílica do Santuário. No dia 13 de maio de 2001,dia da festa de Nossa Senhora de Fátima, foi um dia muito especial não só para os portugueses, mas para a família católica inteira. O Papa João Paulo II, esteve na cidade portuguesa para beatificar Jacinta de Jesus Marto, marcando sua celebração para a data de sua morte. A cerimônia ocorreu na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, com a presença da Irmã Lúcia de Jesus. Os acontecimentos de Fátima e os pastorzinhos são porta-vozes do convite materno de Maria ao acolhimento, ao amor, à confiança, à pureza de vida e de coração e à entrega de si mesmo a Deus e aos outros, em atitude de solidariedade e de fé inquebrantável. A beatificação de Jacinta de Jesus Marto nos lembra a vocação última da Igreja e a comunhão dos santos. Jacinta foi canonizada em 13 de maio de 2017 pelo Papa Francisco.

ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 20 de Fevereiro de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro do Êxodo 6, 29 – 7, 25
Primeira praga do Egipto
O Senhor falou a Moisés, dizendo: «Eu sou o Senhor. Repete ao Faraó, rei do Egito, quanto vou dizer-te». Moisés respondeu ao Senhor: «Eu tenho dificuldade em falar. Como há de escutar-me o Faraó?».
O Senhor disse a Moisés: «Eu te coloquei em vez de Deus perante o Faraó, e teu irmão Aarão será o teu profeta. Dirás tudo o que Eu mandar, e teu irmão Aarão falará ao Faraó, para que deixe partir do seu país os filhos de Israel. Mas Eu permitirei que se endureça o coração do Faraó e multiplicarei os meus sinais e prodígios na terra do Egito.
O Faraó, porém, não vos escutará, e Eu estenderei a minha mão sobre o Egito: farei sair da terra do Egito os meus exércitos, o meu povo, os filhos de Israel, por meio de grandes castigos. Assim os egípcios reconhecerão que Eu sou o Senhor, quando estender a minha mão contra o Egito e fizer sair do meio deles os filhos de Israel».
Moisés e Aarão assim fizeram: procederam exatamente como o Senhor lhes ordenara. Moisés tinha oitenta anos e Aarão oitenta e três, quando falaram ao Faraó.
O Senhor disse a Moisés e a Aarão: «Quando o Faraó vos disser: ‘Realizai um prodígio’, tu dirás a Aarão: ‘Pega na tua vara e atira-a para diante do Faraó, para que se transforme em serpente’». Moisés e Aarão foram ter com o Faraó e fizeram o que o Senhor lhes mandara: Aarão atirou a sua vara para diante do Faraó e dos seus servos, e a vara transformou-se em serpente.
Então o Faraó chamou os seus sábios e feiticeiros, e esses magos do Egito fizeram o mesmo com os seus sortilégios: atiraram cada qual a sua vara, e as varas transformaram-se em serpentes. Mas a vara de Aarão devorou as varas deles. No entanto, o coração do Faraó manteve-se obstinado e não lhes deu ouvidos, como predissera o Senhor.
O Senhor disse a Moisés: «O Faraó tem o coração duro: recusou-se a deixar partir o meu povo. Vai ter com o Faraó de manhã cedo, quando sair em direção às águas. Esperá-lo-ás à beira do Rio, tendo na mão a vara que se transformou em serpente, e dir-lhe-ás: ‘O Senhor, Deus dos hebreus, mandou-me a ti para te dizer: Deixa partir o meu povo, para que Me preste culto no deserto; mas até agora não Lhe deste ouvidos. Assim fala o Senhor: Nisto reconhecerás que Eu sou o Senhor: com a vara que tenho na mão vou fustigar as águas do Rio, e elas se converterão em sangue. Os peixes que há no Rio morrerão e as águas do Rio ficarão poluídas, e os egípcios não mais poderão beber das suas águas’».
O Senhor ordenou a Moisés: «Dá esta ordem a Aarão: Pega na tua vara e estende a mão sobre as águas do Egito, sobre os seus rios, canais, lagoas e quaisquer depósitos, para que se convertam em sangue. Haja sangue em toda a terra do Egito, até nas vasilhas de madeira e de pedra».
Moisés e Aarão fizeram como o Senhor lhes ordenara: Aarão ergueu a vara e fustigou as águas do Rio à vista do Faraó e dos seus servos, e todas as águas do Rio se converteram em sangue. Os peixes que estavam no Rio morreram; o Rio ficou poluído, e os egípcios já não puderam beber das águas do Rio. Havia sangue em toda a terra do Egito.
Entretanto, os magos do Egito fizeram o mesmo com os seus sortilégios. O coração do Faraó manteve-se obstinado e não lhes deu ouvidos, como predissera o Senhor. O Faraó foi-se embora, regressando ao palácio, sem prestar qualquer atenção ao caso. Todos os egípcios cavaram poços nas imediações do Rio, para obterem água potável, pois não podiam beber das águas do Rio. E passaram sete dias completos desde que o Senhor fustigara o Rio.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Do tratado de São Cipriano, bispo e mártir, sobre a oração dominical
(Cap, 1-3: PL 4, 519-521) (Sec. III)
Quem nos deu a vida, ensinou-nos a orar
Os preceitos evangélicos, irmãos caríssimos, outra coisa não são que ensinamentos divinos, fundamentos para edificar a esperança, alicerces para consolidar a fé, alimento para revigorar o coração, leme para dirigir o caminho, refúgio para garantir a salvação. Enquanto instruem na terra os espíritos dóceis dos fiéis, conduzem-nos para o reino dos Céus.
Outrora quis Deus falar e fazer-Se ouvir de muitas maneiras pelos Profetas, seus servos. Mas muito mais sublime é o que nos diz o Filho, a Palavra de Deus, que já estava presente nos Profetas e agora dá testemunho pela sua própria voz. Já não manda preparar o caminho para Aquele que há de vir, mas vem Ele mesmo, abrindo e mostrando-nos o caminho, a fim de que nós, que andávamos errantes, improvidentes e cegos nas trevas da morte, iluminados agora pela luz da graça, sigamos o caminho da vida sob a proteção e guia do Senhor.
Entre outros ensinamentos e preceitos divinos, com que orienta o seu povo para a salvação, ensinou-nos também o Senhor o modo de orar, e Ele mesmo nos instruiu e aconselhou sobre o que havemos de pedir na oração. Aquele que nos deu a vida, também nos ensinou a orar com a mesma bondade com que Se dignou conceder-nos tantos outros benefícios, a fim de que, dirigindo nós ao Pai a súplica e oração que o Filho nos ensinou, mais facilmente sejamos atendidos.
O Senhor tinha já anunciado que ia chegar a hora em que os verdadeiros adoradores haviam de adorar o Pai em espírito e verdade. E cumpriu o que prometeu. De fato, tendo nós recebido da sua graça santificadora o espírito e a verdade, podemos adorar a Deus verdadeira e espiritualmente segundo os seus ensinamentos.
Poderá haver oração mais espiritual do que aquela que nos foi dada por Cristo, se foi Ele que nos enviou também o Espírito Santo? E que oração poderá ser aos olhos do Pai mais verdadeira do que aquela que saiu dos lábios do próprio Filho, que é a Verdade? Rezar de maneira diferente daquela que o Senhor nos ensinou, seria não somente ignorância mas também culpa, como Ele próprio advertiu dizendo: Desprezais o mandamento de Deus para seguir a vossa tradição.
Rezemos, portanto, irmãos caríssimos, como Deus nosso mestre nos ensinou. A oração agradável e querida por Deus é a que rezamos com as suas próprias palavras, fazendo subir aos seus ouvidos a oração de Cristo.
Reconheça o Pai as palavras de seu Filho quando fazemos oração: Aquele que habita interiormente no nosso coração esteja também na nossa voz; e, uma vez que O temos como advogado pelos nossos pecados junto do Pai, usemos as palavras do nosso advogado, quando, como pecadores, suplicamos pelas nossas iniquidades. Se Ele disse que tudo o que pedirmos ao Pai em seu nome nos será dado, quanto mais eficaz não será a nossa súplica para obtermos o que pedimos, se o pedimos com a sua mesma oração?
LEITURA BREVE
Joel 2, 12-13
Convertei-vos a mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai os vossos corações e não os vossos vestidos. Convertei-vos ao Senhor vosso Deus, porque ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso, pronto a desistir dos castigos que manda.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Joel 2, 17
Entre o vestíbulo e o altar, chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, dizendo: Perdoai, Senhor, perdoai ao vosso povo e não entregueis a vossa herança à ignomínia e ao escárnio das nações.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Jer 3, 25b
Pecamos contra o Senhor nosso Deus, nós e nossos pais, desde a nossa juventude até ao dia de hoje, e não escutamos a voz do Senhor nosso Deus.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 58, 1-2a
Clama em alta voz, sem cessar; levanta como trombeta a tua voz; denuncia ao meu povo os seus pecados e à casa de Israel as suas faltas. Todos os dias me procuram e desejam conhecer os meus caminhos, como se fosse um povo que pratica a justiça, sem nunca ter abandonado a lei do seu Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Tg 2, 14.17.18b
Irmãos, de que serve a alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Poderá essa fé obter-lhe a salvação? A fé sem obras está completamente morta. Mostra-me a tua fé sem as obras, que eu, pelas obras, te mostrarei a minha fé.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Pedro 5, 8-9
Sede sóbrios e estai vigilantes: o vosso inimigo, o demônio, anda à vossa volta, como leão que ruge, procurando a quem devorar. Resisti-lhe firmes na fé.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
