“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 26 DE MARÇO DE 2024
26 de março de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 28 DE MARÇO DE 2024
28 de março de 2024QUARTA-FEIRA DA SEMANA SANTA
Concitamos que empregue especial empenho e dedicação em sorver o néctar espiritual potencializador da prática cristã no IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA), para sustento, remédio e fortalecimento espiritual. A leitura dos EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ e dos ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA complementam essa refeição espiritual. Sugerimos que, na medida das possibilidades, nos tempos livres do pensamento, escolha para assistir, conforme apetecer, como em um bufê, alguns dos vídeos disponibilizados, buscando aumentar a “ingestão” desses conteúdos e diminuir os “do mundo”. Que o Senhor derrame copiosas bênçãos sobre sua vida e seu organismo espiritual se fortaleça a cada dia mais para produzir preciosos frutos de vida cristã autêntica, com muita graça e unção!
Recomendamos efusivamente que ouça a oração da manhã disponibilizada abaixo:

SAUDAÇÃO
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

LITURGIA DIÁRIA
[Fonte: <http://novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4313-liturgia-de-27-de-marco-de-2024>]
Antífona da entrada
– Ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, pois o Senhor se fez obediente até a morte e morte de cruz. E por isso Jesus Cristo é Senhor para a glória de Deus Pai (Fl 2,10.8.11).
Coleta
– Ó Deus, para livrar do poder do inimigo quisestes que vosso Filho padecesse o suplício da cruz; concedei aos vossos fiéis alcançar a graça da ressurreição. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Is 50,4-9
Salmo Responsorial: Sl 68,8-10.14.20-22.31.33-34
– Respondei-me pelo vosso imenso amor, neste tempo favorável, Senhor Deus.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 26,14-25
Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!
Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!
– Salve, nosso rei, somente vós tendes compaixão dos nossos erros.
Salve, Cristo, luz da vida, companheiro na partilha!
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz
As santas palavras da 1ª Leitura nos ensinam pelo escritor sagrado (Is 50,4-9):
O Senhor Deus deu-me a língua de um discípulo para que eu saiba reconfortar pela palavra o que está abatido. Cada manhã ele desperta meus ouvidos para que escute como discípulo; 5. (o Senhor Deus abriu-me o ouvido) e eu não relutei, não me esquivei. 6. Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. 7. Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado; enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado. 8. Aquele que me fará justiça aí está. Quem ousará atacar-me? Vamos medir-nos! Quem será meu adversário? Que se apresente! 9. O Senhor Deus vem em meu auxílio: quem ousaria condenar-me? Cairão em frangalhos como um manto velho; a traça os roerá.
As santas palavras do Salmo Responsorial apresentam o louvor orante do salmista (Sl 68,8-10.14.20-22.31.33-34): pois foi por vós que eu sofri afrontas, cobrindo-se meu o rosto de confusão. 9. Tornei-me um estranho para meus irmãos, um desconhecido para os filhos de minha mãe. 10. É que o zelo de vossa casa me consumiu, e os insultos dos que vos ultrajam caíram sobre mim. 14. Minha oração, porém, sobe até vós, Senhor, na hora de vossa misericórdia, ó Deus. Na vossa imensa bondade, escutai-me, segundo a fidelidade de vosso socorro. 20. Bem vedes minha vergonha, confusão e ignomínia. Ante vossos olhos estão os que me perseguem: 21. seus ultrajes abateram meu coração e desfaleci. Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, quem me consolasse, e não encontrei. 22.Puseram fel no meu alimento, na minha sede deram-me vinagre para beber. 31.Cantarei um cântico de louvor ao nome do Senhor, e o glorificarei com um hino de gratidão. 33.Ó vós, humildes, olhai e alegrai-vos; vós que buscais a Deus, reanime-se o vosso coração, 34. porque o Senhor ouve os necessitados, e seu povo cativo não despreza.
O Santo Evangelho ensina-nos pelo Evangelista (Mt 26,14-25): Então, um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e perguntou-lhes: 15. “Que quereis dar-me e eu vo-lo entregarei”. Ajustaram com ele trinta moedas de prata. 16. E desde aquele instante, procurava uma ocasião favorável para entregar Jesus. 17. No primeiro dia dos ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: “Onde queres que preparemos a ceia pascal?”. 18. Respondeu-lhes Jesus: “Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com meus discípulos”. 19. Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado e prepararam a Páscoa. 20. Ao declinar da tarde, pôs-se Jesus à mesa com os doze discípulos. 21. Durante a ceia, disse: “Em verdade vos digo: um de vós me há de trair”. 22. Com profunda aflição, cada um começou a perguntar: “Sou eu, Senhor?”. 23. Respondeu ele: “Aquele que pôs comigo a mão no prato, esse me trairá. 24. O Filho do Homem vai, como dele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!”. 25. Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: “Mestre, serei eu?”. “Sim” – disse Jesus.

Compromisso – 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer
As santas palavras da Liturgia Diária da Quarta-Feira da Semana Santa (dia 27 de março de 2024) compelem-nos em especial a assumir o compromisso – e pedimos auxílio divino para fazê-lo da melhor forma possível – na 1ª Leitura, de nos impregnarmos da consciência do que revela e nos empenharmos denodadamente para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina, que esclarece em especial nesta perícope (Is 50,4-9) que o Senhor deu-nos língua de discípulos para reconfortar pela palavra os que estão abatidos, despertando a cada manhã nossos ouvidos para escutar como discípulos, aprendizes, seguidores fiéis…
Aos que nos ferem, cumpre-nos apresentar as espáduas e as faces aos que desejam nos arrancar a barba, sem também desviar-nos dos escarros. O Senhor Deus vem em nosso auxílio e por maiores que sejam as perseguições, os ultrajes, cumpre-nos seguir o exemplo supremo de Jesus em sua via crucis, mantendo-nos determinados, passo a passo, rumo à meta, com absoluta convicção de que o Pai, que tudo sabe, ao seu tempo e ao seu modo fará com que tudo transcorra da forma como deve ser.
Cumpre-nos manter-nos confiantes de que o Senhor atuará e fará justiça, auxiliando os injustiçados e recompensando-os prolificamente, como ocorreu com nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que depois da cruz ressuscitou e ascendeu aos céus. Cabe-nos empenhar-nos para ver com olhos espirituais, para além das aparências, buscando conectar-nos com os desígnios divinos, que são imensamente superiores aos humanos.
As santas palavras do Salmo Responsorial compelem-nos a fazer coro com o louvor orante do salmista (Sl 68,8-10.14.20-22.31.33-34).
O Santo Evangelho (Mt 26,14-25) apresenta com clareza a queda em tentação de Judas Iscariotes para entregar Jesus, ajustando com os príncipes dos sacerdotes fazê-lo sob a paga de 30 moedas de prata. Cumpre-nos mantermo-nos vigilantes e orantes, conforme advertiu Jesus (Mateus 26,41), para não cairmos em tentação, pois a carne é fraca – ainda que nos empenhemos para estar em estado de prontidão espiritual seguindo Jesus e buscando fazer o que Jesus orienta.
Vigiemos, pois; mantenhamo-nos em estado de alerta, circunspectos, cientes de que as tentações irão abater-se sobre nós quando menos esperarmos. Cumpre-nos também, conforme orienta São Paulo Apóstolo (Tessalonicenses 5,17), orar sem cessar, cientes de que, conforme São Geraldo Magela: “A melhor oração é fazer o que agrada a Deus, e quando se faz por amor a Deus, tudo é oração.”

Oração consolidadora do compromisso – 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus
Néctar espiritual extraído da Primeira Leitura e Salmo – Oração de reiteração da confiança de que o Senhor fará justiça e recompensará prolificamente os injustiçados.
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras Liturgia Diária da Quarta-Feira da Semana Santa (dia 27 de março de 2024), que esclarece em especial na Primeira Leitura (Is 50,4-9) que vós nos destes língua de discípulos para reconfortar pela palavra os que estão abatidos, despertando a cada manhã nossos ouvidos para escutar-vos como vossos discípulos, aprendizes, seguidores fiéis…
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que cumpramos com nossos deveres de discípulos, de seguidores de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: aos que nos ferem, cumpre-nos apresentar as espáduas e as faces aos que desejam nos arrancar a barba, sem também desviar-nos dos escarros.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para atuarmos cientes de que vós vindes em nosso auxílio e por maiores que sejam as perseguições, os ultrajes… cumpre-nos seguir o exemplo supremo de Jesus em sua via crucis, mantendo-nos determinados, passo a passo, rumo à meta, com absoluta convicção de que vós, que tudo sabeis, ao seu tempo e ao seu modo fareis com que tudo transcorra da forma como deve ser.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos mantenhamos confiantes de que o Senhor atuará e fará justiça, auxiliando os injustiçados e recompensando-os prolificamente, como ocorreu com nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que depois da cruz ressuscitou e ascendeu aos céus.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos empenhemos para ver com olhos espirituais, para além das aparências, buscando conectar-nos com os desígnios divinos, que são imensamente superiores aos humanos.
Fazemos coro com o o louvor orante do salmista (Sl 68,8-10.14.20-22.31.33-34): pois foi por vós que eu sofri afrontas, cobrindo-se meu rosto de confusão. 9. Tornei-me um estranho para meus irmãos, um desconhecido para os filhos de minha mãe. 10. É que o zelo de vossa casa me consumiu, e os insultos dos que vos ultrajam caíram sobre mim. 14. Minha oração, porém, sobe até vós, Senhor, na hora de vossa misericórdia, ó Deus. Na vossa imensa bondade, escutai-me, segundo a fidelidade de vosso socorro. 20. Bem vedes minha vergonha, confusão e ignomínia. Ante vossos olhos estão os que me perseguem: 21. seus ultrajes abateram meu coração e desfaleci. Esperei em vão quem tivesse compaixão de mim, quem me consolasse, e não encontrei. 22. Puseram fel no meu alimento, na minha sede deram-me vinagre para beber. 31. Cantarei um cântico de louvor ao nome do Senhor, e o glorificarei com um hino de gratidão. 33. Ó vós, humildes, olhai e alegrai-vos; vós que buscais a Deus, reanime-se o vosso coração, 34. porque o Senhor ouve os necessitados, e seu povo cativo não despreza.
Néctar espiritual extraído do Santo Evangelho – Oração de súplica para não cairmos em tentação e para nos impregnemos do hábito de vigiar e orar sem cessar.
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos impregnemos da consciência do que revela e nos empenhemos para modelar nossas condutas a partir do que ilumina a sabedoria divina que emana das santas palavras da Liturgia Diária da Quarta-Feira da Semana Santa (dia 27 de março de 2024), que esclarece em especial no Santo Evangelho (Mt 26,14-25) sobre a queda em tentação de Judas Iscariotes para entregar Jesus, ajustando com os príncipes dos sacerdotes fazê-lo sob a paga de 30 moedas de prata.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que nos mantenhamos vigilantes e orantes, conforme advertiu Jesus (Mateus 26,41), para não cairmos em tentação, pois a carne é fraca – ainda que nos empenhemos para estar em estado de prontidão espiritual seguindo Jesus e buscando fazer o que ele orienta.
Iluminai-nos, inspirai-nos, orientai-nos e sustentai-nos para que vigiemos – nos mantenhamos em estado de alerta, circunspectos, cientes de que as tentações irão abater-se sobre nós quando menos esperarmos. Oremos sem cessar, conforme orienta São Paulo Apóstolo (Tessalonicenses 5,17), cientes de que, conforme São Geraldo Magela: “A melhor oração é fazer o que agrada a Deus, e quando se faz por amor a Deus, tudo é oração.”
Cremos, Senhor, mas aumentai a nossa fé!

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo
Esse é um passo individual, sendo os anteriores base, estímulo e impulso para dá-lo da forma mais elevada possível. A participação na Santa Missa (ou, alternativamente, assisti-la por meio eletrônico), a récita do Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais nos sentimos particularmente tocados (em especial invocando a proteção e orientação dos anjos) são práticas de importância fundamental!
Prosseguir nas leituras abaixo também contribui para elevar-se a esse quarto degrau. Elas dão a conhecer a história de vida dos santos com seus exemplos de prática cristã. Proporcionam ainda a compenetração no teor das leituras destacadas nas orações da Liturgia das Horas (recomendamos recitar ou pelo menos ouvir essas orações em seus respectivos horários) – que consistem em estímulos para a santificação do dia.
Além disso, recomendamos usufruir os infinitos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual. Cumpre-nos, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades de cada um, avançar na prática de orações mentais meditando leituras recomendadas para tal, bem como avançar na busca de ampliar o conhecimento da fé, da doutrina cristã expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos. São tesouros de inimaginável valor que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41).
E o principal: seguir o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino – na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária; no engajamento em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos…
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 27 de Março
[Fonte: <Santos do Dia da Igreja Católica – 27 de Março – Sagrada Missão (sagradamissao.com.br)>]

São Ruperto
Ruperto era um nobre descendente dos condes que dominavam a região do médio e do alto Reno, rio que percorre os Alpes europeus. Os Rupertinos eram parentes dos Carolíngios e o centro de suas atividades estava em Worms, onde Ruperto recebeu sua formação junto aos monges irlandeses.
No ano 700, sua vocação de pregador se manifestou e ele dirigiu-se à Baviera, na Alemanha, com este intuito. Com o apoio do conde Téodo da Baviera, que era pagão e foi convertido por Ruperto, fundou uma igreja dedicada a São Pedro, perto do lago Waller, a dez quilômetros de Salzburgo. Mas, o local não condizia ainda com os objetivos de Ruperto, que conseguiu do conde outro terreno, próximo do rio Salzach, nos arredores da antiga cidade romana de Juvavum.
Nesse terreno, o mosteiro que o bispo Ruperto construiu é o mais antigo da Áustria e veio a ser justamente o núcleo de formação da nova cidade de Salzburgo. Teve para isso o apoio de doze concidadãos, dois dos quais também se tornaram santos: Cunialdo e Gislero. Fundou, ao lado deste, um mosteiro feminino, que entregou a direção para sua sobrinha, a abadessa Erentrudes. Foi o responsável pela conversão total da Baviera e, é claro, de toda a Áustria.
Morreu no dia 27 de março de 718, um domingo de Páscoa, depois de rezar a missa, no mosteiro de Juvavum. Antes, como percebera que a morte estava próxima, fez algumas recomendações e pedido de orações à sua sobrinha, e irmã espiritual, Erentrudes. Suas relíquias estão guardadas na belíssima catedral de Salzburgo, construída no século XVII. Ele é o padroeiro de seus habitantes e de suas minas de sal.
São Ruperto, reconhecido como o fundador da bela cidade de Salzburgo, cujo significado é cidade do sal, aparece retratado com um saleiro na mão, tamanha sua ligação com a própria origem e desenvolvimento da cidade. Foi seu primeiro bispo e sua influência alastrou-se tanto, que é festejado nesse dia, não só nas regiões de língua alemã, como também na Irlanda, onde estudou, porque ali foi tomado como modelo pelos monges irlandeses.

Francisco Faà de Bruno (Bem-Aventurado)
No grande cenário dos santos sociais italianos, despontados na região da cidade de Turim, Francisco Faà de Bruno é uma das figuras mais complexas. A maioria deles ingressou na vida religiosa para se formar já na condição de sacerdotes diocesanos. Ele ingressou “tarde” na ordenação sacerdotal, tendo exercido o seu apostolado de laico nos campos fundamentais.
Francisco nasceu na cidade italiana de Alexandria, em 29 de março de 1825, era o caçula dos doze filhos de uma nobre família muito cristã. Aos dezesseis anos, ingressou na Real Academia Militar, com o objetivo de seguir uma carreira no exército. Porém, por ser um cristão convicto, entrou em conflito pessoal com relação à irreligiosidade “de prescrição” decorrente do mundo político-militar. Por isto, doze anos depois trocou a carreira pelo estudo acadêmico das ciências exatas. Viajou à Paris e na universidade de Sorbone, obteve o título de doutor com louvor.
Retornando à sua cidade foi trabalhar como professor de matemática. Em 1871, Faà de Bruno era um conceituado professor da universidade de Turim, sendo o titular da cadeira. Seus trabalhos matemáticos o tornaram famoso em todo o mundo, sendo publicados e traduzidos em vários países. Entretanto, simultaneamente à sua atividade intelectual, Faà de Bruno sempre se manteve em contato e atuando junto às comunidades religiosas. Era amigo pessoal do padre João Bosco que, em Turim, trabalhava para ajudar os meninos que chegavam à procura de um emprego urbano. Dom Bosco patrocinava aos jovens, instrução profissionalizante, religiosa, alojamento e recreação.
Faà de Bruno percebeu que deveria atuar na outra ponta, auxiliando as meninas, que ficavam expostas às armadilhas urbanas, enquanto buscavam a sobrevivência e um emprego. Criou para elas, com um grupo de senhoras, a Obra de Santa Zita que mantinha as jovens sob sua guarda no Conservatório do Sufrágio, uma casa similar às fundadas por Dom Bosco, para os meninos. Não satisfeito, fundou a Tipografia do Sufrágio, que funcionava como escola tipográfica para as jovens. Ali ele imprimia a Revista de Matemática, que era vendida em países e cujas divisas eram revertidas para a Obra.
Em 1867, no pequeno povoado de São Donato, iniciou-se a construção da igreja de Nossa Senhora do Sufrágio, cujo projeto foi feito por ele. Nove anos depois, ele escolheu esta igreja para celebrar a sua primeira Missa. Isto mesmo, Faà de Bruno, o professor, seguindo o conselho de Dom Bosco, desejou ser padre aos cinquenta anos de idade, e se fez em dez meses, por intervenção direta do Papa Pio IX. Depois, para dar estabilidade à Obra de Santa Zita, o padre fundou em 1881, a ordem religiosa das Irmãs Mínimas de Nossa Senhora do Sufrágio.
Padre Francisco Faà de Bruno morreu serenamente em 27 de março de 1888. Exatamente um século depois, o Papa João Paulo II, o beatificou, para ser reverenciado no dia de sua morte. As suas relíquias estão guardadas na igreja que ele projetou, em Turim, Itália. As irmãs continuaram a sua Obra e hoje estão presentes na Europa e América Latina.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 27 de Março de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
Da Epístola aos Hebreus 12, 14-29
Aproximamo-nos do monte do Deus vivo
Irmãos: Procurai a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor. Tende cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, para que nenhuma raiz amarga lance rebentos e cause perturbações e por ela se contamine a comunidade. Não haja nenhum impudico ou profanador, como Esaú, que por um só prato vendeu o seu direito de primogénito. Bem sabeis como ele depois foi rejeitado, quando quis receber a bênção, porque não conseguiu a mudança de sentimentos, embora a tivesse implorado com lágrimas.
Vós não vos aproximastes de uma realidade sensível: o fogo ardente, a nuvem escura, as trevas densas ou a tempestade, o som da trombeta e aquela voz tão retumbante que os ouvintes suplicaram que lhes não falasse mais, porque não podiam suportar aquela intimação: «Todo aquele que tocar a montanha, ainda que seja um animal, será apedrejado». E era tão terrível o espetáculo que Moisés exclamou: «Estou aterrorizado e a tremer».
Vós aproximastes-vos do Monte Sião, da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste; de muitos milhares de Anjos em reunião festiva; de uma assembleia de primogénitos inscritos no Céu; de Deus, juiz do universo; dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição; de Jesus, mediador de uma nova aliança; e do sangue de aspersão que fala mais eloquentemente que o sangue de Abel.
Acautelai-vos: não recuseis ouvir Aquele que vos fala. Porque, se não escaparam ao castigo os que se negaram a ouvir Aquele que proclamava os oráculos sobre a terra, muito menos escaparemos nós, se voltarmos as costas a quem nos fala do alto dos Céus. Aquele cuja voz outrora abalou a terra, faz agora esta promessa: «Ainda uma vez, abalarei não só a terra mas também o céu». As palavras «ainda uma vez» indicam a transformação das coisas que participam da instabilidade do mundo criado, para que permaneçam as coisas inabaláveis.
E porque nós recebemos um reino inabalável, conservemos a graça, e por ela prestemos a Deus um culto que Lhe seja agradável, com reverência e temor, porque o nosso Deus é um fogo devorador.
SEGUNDA LEITURA DO OFÍCIO DAS LEITURAS
SEGUNDA LEITURA
Dos Tratados de Santo Agostinho, bispo, sobre o Evangelho de São João
(Tract. 84, 1-2: CCL 36, 536-538) (Sec. V)
A plenitude do amor
Irmãos caríssimos: O Senhor definiu a plenitude do amor com que devemos amar-nos uns aos outros, quando disse: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Daqui se conclui o que o mesmo evangelista São João diz na sua Epístola: Cristo deu a sua vida por nós, e nós também devemos dar a vida pelos nossos irmãos, amando-nos uns aos outros como Ele nos amou até dar a sua vida por nós.
O mesmo se lê nos Provérbios de Salomão: Quando te sentares à mesa de um grande senhor, olha com atenção o que está diante e considera que terás de preparar coisas semelhantes.
A mesa do grande senhor é a mesa em que se recebe o Corpo e Sangue d’Aquele que deu a sua vida por nós. Sentar-se a ela significa aproximar-se com humildade. Olhar com atenção o que está diante é tomar consciência da grandeza deste dom. E considerar que temos de preparar coisas semelhantes significa o que já disse antes: assim como Cristo deu a sua vida por nós, também nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos. É o que diz o apóstolo São Pedro: Cristo sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos. Isto significa preparar coisas semelhantes. Assim fizeram os santos mártires, movidos por um amor ardente; e, se não quisermos celebrar inutilmente as suas memórias e sentar-nos sem proveito à mesa do Senhor onde eles se saciaram, é necessário que, como eles, preparemos coisas semelhantes.
Por isso, quando nos aproximamos da mesa do Senhor, não recordamos os mártires do mesmo modo que aos outros que descansam em paz, isto é, não oramos por eles, mas antes pedimos para que eles orem por nós, a fim de seguirmos o seu exemplo; e o seu exemplo foi dar a maior prova de caridade, segundo a palavra do Senhor. Eles apresentaram aos seus irmãos o mesmo que tinham recebido da mesa do Senhor.
Não queremos dizer com isto que possamos igualar Cristo Senhor, ainda que, por seu amor, sofrêssemos até ao testemunho do nosso sangue. Ele podia dar a sua vida e tomá-la de novo; nós não podemos viver quanto queremos e morremos mesmo contra a nossa vontade. Ele, ao morrer, matou em Si a morte; nós somos livres da morte pela sua morte. A sua carne não conheceu a corrupção; a nossa, só depois de passar pela corrupção há de ser por Ele revestida da incorruptibilidade no fim dos tempos. Ele não precisou de nós para nos salvar; nós, sem Ele, nada podemos fazer. Ele é para nós como a videira para os ramos; nós, separados d’Ele, não podemos ter a vida.
Finalmente, ainda que os irmãos morram pelos irmãos, nenhum mártir derramou o seu sangue para remissão dos pecados de seus irmãos, como Ele fez por nós; isto não foi um exemplo para imitarmos, mas um motivo para agradecermos. Os mártires, ao derramarem o sangue pelos irmãos, não apresentaram senão o que tinham recebido da mesa do Senhor. Amemo-nos também nós uns aos outros, como Cristo nos amou, entregando-Se a Si mesmo por nós.
LEITURA BREVE
Is 50, 5-7
O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas aos que me batiam e as faces aos que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor veio em meu auxílio, e por isso não fiquei envergonhado: tornei o meu rosto duro como pedra e sei que não ficarei desiludido.
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Tim 2, 4-6
Deus, nosso Salvador, quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que se entregou à morte pela redenção de todos. Tal é o testemunho que foi dado a seu tempo.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 15, 3
Cristo não procurou o que lhe era agradável, como está escrito: «Os ultrajes daqueles que te ultrajavam caíram sobre mim».
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Hebr 9, 28
Cristo ofereceu-se uma só vez para tomar sobre Si os pecados de muitos. Aparecerá segunda vez, sem aparência de pecado, para dar a salvação àqueles que o esperam.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Ef 4, 32 – 5, 2
Sede bondosos e compassivos uns para com os outros, e perdoai-vos mutuamente como Deus vos perdoou em Cristo. Sede imitadores de Deus, como filhos muito amados. Caminhai na caridade, a exemplo de Cristo, que nos amou e se entregou por nós, oferecendo-se como vítima agradável a Deus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ef 4, 26-27
Não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio.
confraria@catolicospraticantes.com.br
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
