“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 22 DE JUNHO DE 2024
22 de junho de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 24 DE JUNHO DE 2024
24 de junho de 2024DOMINGO DA XII SEMANA DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu empregue especial empenho e dedicação em prosseguir na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: o Invitatório; as orações da Liturgia das Horas “Ofício das Leituras” e “Laudes”; a Santa Missa e a Meditação da Palavra do Senhor. Que na sequência, eu me empenhe em extrair o néctar espiritual potencializador da prática cristã nas sessões: IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese da história de vida do santo do dia) e ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA – em que consistem as demais orações da Liturgia das Horas. Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
PRIMEIRA LEITURA
Do Primeiro Livro de Samuel 16, 1-13
David é ungido rei
Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: «Até quando chorarás por Saul, tendo-o eu rejeitado, para que não reine mais sobre Israel? Enche a âmbula de óleo e parte. Vou enviar-te a Jessé de Belém, pois escolhi um rei entre os seus filhos». Samuel respondeu: «Como poderei ir? Se Saul o souber, mandará matar-me». O Senhor disse: «Levarás contigo uma novilha e dirás: ‘Vim oferecer um sacrifício ao Senhor’. Convidarás Jessé para o sacrifício, e eu te indicarei o que hás de fazer: ungir-me-ás aquele que eu te indicar».
Samuel fez o que o Senhor lhe tinha dito e tomou o caminho de Belém. Os anciãos da cidade saíram alvoroçados ao seu encontro e perguntaram-lhe: «É por bem a tua vinda?». Ele respondeu: «Sim, é por bem. Vim oferecer um sacrifício ao Senhor. Purificai-vos e vinde comigo ao sacrifício». Samuel purificou Jessé e os seus filhos e convidou-os para o sacrifício.
Quando eles chegaram, Samuel viu Eliab e pensou consigo: «Certamente é este o ungido do Senhor». Mas o Senhor disse a Samuel: «Não te impressiones com o seu belo aspecto, nem com a sua elevada estatura, porque não foi esse que eu escolhi. Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração». Jessé chamou Abinadab e conduziu-o à presença de Samuel. Mas Samuel disse: «Também não foi este que o Senhor escolheu». Jessé trouxe Samá, e Samuel disse: «Ainda não foi este que o Senhor escolheu». Jessé fez assim passar os sete filhos diante de Samuel, mas Samuel declarou-lhe: «O Senhor não escolheu nenhum destes».
E perguntou a Jessé: «Estão aqui todos os teus filhos?». Jessé respondeu-lhe: «Falta ainda o mais novo, que anda a guardar o rebanho». Samuel ordenou: «Manda-o chamar, porque não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar». Então Jessé mandou-o chamar: era ruivo, de belos olhos e agradável presença. O Senhor disse a Samuel: «Levanta-te e unge-o, porque é este mesmo». Samuel pegou na âmbula do óleo e ungiu-o na presença dos irmãos. Daquele dia em diante, o Espírito do Senhor apoderou-Se de Davi. Então Samuel pôs-se a caminho e regressou a Ramá.
SEGUNDA LEITURA
Do tratado de Faustino Luciferano, presbítero, sobre a Trindade
(Nn 39-40: CCL 69, 340-341) (Sec. IV)
Cristo é rei e sacerdote para sempre
O nosso Salvador foi verdadeiramente ungido, segundo a carne, como verdadeiro rei e verdadeiro sacerdote. O Salvador foi uma e outra coisa, para que nada faltasse à sua excelsa condição redentora. Ele mesmo afirma a sua dignidade real, quando diz: Fui constituído rei sobre Sião, a sua montanha sagrada. E o Pai dá testemunho da sua dignidade sacerdotal, quando proclama: Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec. Na antiga Lei, o primeiro a ser consagrado sacerdote com a unção do crisma foi Aarão; mas não se diz «segundo a ordem de Aarão», para que não se pense que o sacerdócio do Salvador foi recebido por sucessão, como o sacerdócio da Lei. O sacerdócio do Salvador não se transfere para outrem por sucessão, porque Ele permanece sacerdote eternamente, como está escrito: Tu és sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec.
Portanto, o Salvador é rei e sacerdote segundo a sua humanidade; a sua unção, porém, não é material mas espiritual. Entre os israelitas, os reis e sacerdotes eram consagrados pela unção do óleo material; e não eram as duas coisas ao mesmo tempo; uns eram reis e outros sacerdotes. Só a Cristo pertence a perfeição e a plenitude em todas as coisas, ele que veio para dar plenitude à Lei.
Mas embora nenhum israelita fosse rei e sacerdote ao mesmo tempo, aqueles que eram consagrados reis ou sacerdotes com a unção material eram chamados cristos [ungidos]. O Salvador, porém, que é o verdadeiro Cristo, foi ungido pelo Espírito Santo, para se cumprir o que estava escrito a seu respeito: Por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo da alegria, de preferência aos teus companheiros. A sua unção supera a dos companheiros, porque foi ungido com o óleo da alegria, que significa o Espírito Santo.
Sabemos que isto é verdade pelas palavras do próprio Salvador. De fato, quando ele recebeu e abriu o livro de Isaías e leu: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, proclamou que ali mesmo estava cumprida a profecia que acabavam de ouvir. Também Pedro, o príncipe dos Apóstolos, ensinou que aquele crisma com que foi ungido o Salvador é o Espírito Santo e o poder de Deus, quando, nos Atos dos Apóstolos, falava ao centurião, homem cheio de fé e misericórdia, dizendo entre outras coisas: Começando pela Galileia, depois do batismo que João pregou, Jesus de Nazaré, a quem Deus ungiu, pelo seu poder e pelo Espírito Santo, passou pela terra realizando prodígios e milagres e libertando todos os possessos do diabo.
Como vês, também Pedro afirma que Jesus foi ungido, segundo a sua condição humana, pelo Espírito Santo e pelo seu poder. Portanto, Jesus, enquanto homem, é o verdadeiro Cristo ou ungido, porque pela unção do Espírito Santo foi constituído rei e sacerdote para sempre.
2 Tim 2, 8.11-13
Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de Davi, ressuscitou dos mortos. É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanecerá fiel, porque não pode negar-se a si mesmo.
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4402-liturgia-de-23-de-junho-de-2024>]
DOMINGO DA XII SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – IV semana do saltério)
Antífona
– O Senhor é a força do seu povo, é a fortaleza de salvação do seu ungido. Salvai, vosso povo, Senhor, abençoai vossa herança e governai-a pelos séculos (Sl 27,8s).
Coleta
– Concedei-nos, Senhor, a graça de sempre temer e amar vosso santo nome, pois nunca cessais de conduzir os que firmais solidamente no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Jó 38,1.8-11
Salmo Responsorial: Sl 107,23-24.25-26.28-29.30-31 (R 1b)
– Dai graça ao Senhor porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia!
R: Dai graça ao Senhor porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia!
– Os que sulcam o alto-mar com seus navios, para ir comerciar nas grandes águas, testemunharam os prodígios do Senhor e as suas maravilhas no alto-mar.
R: Dai graça ao Senhor porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia!
– Ele ordenou, e levantou-se o furacão, arremessando grandes ondas para o alto;
aos céus subiam e desciam aos abismos, seus corações desfaleciam de pavor.
R: Dai graça ao Senhor porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia!
– Mas gritaram ao Senhor na aflição, e ele os libertou daquela angústia. Transformou a tempestade em bonança, e as ondas do oceano se calaram.
R: Dai graça ao Senhor porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia!
– Alegraram-se ao ver o mar tranquilo, e ao porto desejado os conduziu.
Agradeçam ao Senhor por seu amor e por suas maravilhas entre os homens!
R: Dai graça ao Senhor porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia!
2ª Leitura: 2 Cor 5,14-17
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Um grande poeta surgiu, surgiu e entre nós se mostrou; é Deus que seu povo visita, seu povo meu Deus visitou (Lc 7,16).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 4,35-41
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!


Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz.
[Fonte: <XII DOMINGO DO TEMPO COMUM | A liturgia>]
LEITURA I Jó 38, 1.8-11
O Senhor respondeu a Jó do meio da tempestade, dizendo: «Quem encerrou o mar entre dois batentes, quando ele irrompeu do seio do abismo, quando eu o revesti de neblina e o envolvi com uma nuvem sombria, quando lhe fixei limites e lhe tranquei portas e ferrolhos? E disse-lhe: ‘Chegarás até aqui e não irás mais além, aqui se quebrará a altivez das tuas vagas’».
Job sente-se perdido no meio da tempestade em que se transformou a sua vida. Reclama com Deus por se sentir injustiçado. Deus é mais forte que qualquer tempestade, pode dominar a força do mar e se Jó quiser pode aproveitar aquele momento difícil para fortalecer a sua confiança no Senhor.
Salmo Responsorial Salmo 106 (107), 23-24.25-26.28-29.30-31(R. 1b)
O salmo 106 é um hino de ação de graças, que a comunidade reunida canta ao Senhor louvando-o por tudo quanto ele fez a favor do seu povo.
LEITURA II 2Cor 5, 14-17
Irmãos: O amor de Cristo nos impele, ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram. Cristo morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para aquele que morreu e ressuscitou por eles. Assim, daqui em diante, já não conhecemos ninguém segundo a carne. Ainda que tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, agora já não o conhecemos assim. Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram: tudo foi renovado.
Para Paulo, não é necessário ter conhecido Jesus segundo a carne para ser apóstolo de Cristo. Cristo morreu por todos e ressuscitou e, agora, todos o podem conhecer, já não segundo a carne, mas como ressuscitado.
EVANGELHO Mc 4, 35-41
Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse aos seus discípulos: «Passemos à outra margem do lago». Eles deixaram a multidão e levaram Jesus consigo na barca em que estava sentado. Iam com ele outras embarcações. Levantou-se então uma grande tormenta, e as ondas eram tão altas que enchiam a barca de água. Jesus, à popa, dormia com a cabeça numa almofada. Eles acordaram-no e disseram: «Mestre, não te importas que pereçamos?». Jesus levantou-se, falou ao vento imperiosamente e disse ao mar: «Cala-te e fica quieto». O vento cessou e fez-se grande bonança. Depois disse aos discípulos: «Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?». Eles ficaram cheios de temor e diziam uns para os outros: «Quem é este homem, que até o vento e o mar lhe obedecem?».
A tempestade que se levanta no lago, enquanto os discípulos atravessam para a outra margem, é uma oportunidade para Jesus se revelar e para os discípulos afirmarem a sua confiança nele, porque ele é o Filho de Deus.


2o e 3o degraus da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer e oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.
[Fonte: <XII DOMINGO DO TEMPO COMUM | A liturgia>]
Reflexão da Palavra
Jó foi alvo de uma tempestade que alterou a sua vida. Na tranquilidade dos dias da sua vida, construída com o seu trabalho, Jó entendia-se a si mesmo e era entendido pelos seus amigos como um homem justo. Dedicado ao Senhor, a quem permanecia fiel, fora abençoado com muitos filhos, muitos rebanhos e muitas propriedades. Era um homem tranquilo e feliz até ao dia em que uma tempestade transformou a sua vida num caos, deixando-o impotente perante a realidade.
O mar era, na mentalidade da época, o lugar do caos. Escondem-se nele monstros e demónios, que ninguém consegue dominar. A vida de Jó, que era um mar sereno e tranquilo, viu-se transformada num mar revolto, que ele não consegue dominar e não alcança uma explicação para o sucedido. Os seus amigos levantam suspeitas que põem em causa a sua honestidade. O próprio Jó se questiona sobre a sua situação, sem encontrar resposta. Não faz sentido, segundo a sua maneira de ver, que o justo tenha que enfrentar tamanho sofrimento.
Na nostalgia do passado, Jó exclama “quem me dera voltar a ser como dantes, nos dias em que Deus me protegia” (Jó 29,2) e tece uma série de considerações sobre a sua situação que podemos resumir nas afirmações “chamo por ti, e tu não me respondes; insisto e não fazes caso. Tornaste-te cruel comigo, persegues-me com toda a força da tua mão. Levantas-me ao alto e fazes-me cavalgar com o vento e, depois, arrastas-me na tempestade. Bem sei que me levas à morte” (Jó 30, 20-23). Diz Jó “que Deus me pese na balança justa e reconhecerá a minha inocência” (Jó 316), “acaso a infelicidade não é para o ímpio, e o infortúnio, para os que praticam a iniquidade?” (Jó 31,3).
O texto da primeira leitura faz parte da resposta de Deus a Jó, que se sente injustamente tratado. Na resposta, Deus não procura ter razão nem dar razão a Jó, mas mostrar qual o lugar do homem diante de Deus. Eliú já se tinha irritado contra Jó por causa das suas palavras insensatas, dizendo-lhe “Deus é maior do que o homem. Porque te queixas contra Ele? Por não dar resposta aos teus discursos? Deus fala, ora de uma maneira ora de outra, mas o homem não entende”. Jó não percebeu que aquela tempestade era uma manifestação de Deus e do seu poder. Deus é mais forte que todas as tempestades e domina a fúria das águas do mar com a sua palavra.
A resposta de Deus, vem “do meio da tempestade” e revela que, para o Senhor, o mar não passa de um recém-nascido a quem ele domina com o poder da sua palavra, “chegarás até aqui e não irás mais além, aqui se quebrará a altivez das tuas vagas”. Jó ainda não percebeu que, apesar de ser justo, Deus não lhe deve nada, ele continua a ser uma criatura a quem Deus salva das tempestades e de quem Deus cuida, mas segundo os seus critérios inexplicáveis para os homens.
O salmo 106 é um hino de ação de graças comunitário que se compõe de duas partes (Vs. 1-33 e 33-43) sendo a segunda um acrescento posterior à composição. O hino original (v. 1 a 33) começa com um convite ao louvor “dai graças ao Senhor…”, depois, em quatro conjuntos temáticos apresenta as razões para dar graças. Primeiro, “andavam errantes… tinham fome e sede… clamaram ao Senhor… Ele deu de beber… e matou a fome… conduziu-os por um caminho seguro”. Depois, “viviam nas trevas… prisioneiros…clamaram ao Senhor… Ele livrou-os”. Mais adiante “enfraquecidos por causa dos seus pecados… clamaram ao Senhor… livrou-os da morte”. Finalmente recorda “os que se fizeram ao mar…soprou o vento de tempestade e as ondas levantaram-se… clamaram ao Senhor… transformou a tempestade em bonança”. Os vários momentos da história de Israel são motivo para dar graças ao Senhor porque Ele continua hoje a libertar o seu povo. No meio das tempestades da vida, Deus está sempre presente.
Na segunda carta aos coríntios, resposta de Paulo depois dos conflitos ali levantados por causa de alguns que entendiam que ele não tinha a mesma autoridade de apóstolo dos doze, recorda-se o centro das nossas relações e a perspectiva através da qual nos conhecemos uns aos outros. Não ter conhecido Jesus segundo a carne não é nenhum impedimento para anunciar o evangelho, porque “agora já não o conhecemos assim”. A Cristo já ninguém o conhece segundo a carne, nem mesmo os doze, mas segundo a sua nova realidade de ressuscitado.
A morte de Cristo altera todo panorama da humanidade diante de Deus. Anunciado por Isaías como aquele por cuja morte se reconcilia com Deus toda a humanidade, ele é o justo no qual Deus concentra o seu olhar e graças a ele todos os outros são salvos das suas infidelidades. “um só morreu por todos” e nele “todos morreram” para si mesmos, a fim de viverem “para aquele que morreu e ressuscitou por eles”. Do mesmo modo que Deus encontra a todos e a todos reconcilia na cruz de Cristo, também todos, contemplando a Cristo no mistério da cruz, se encontram com Deus. É na cruz que todos se tornam “uma nova criatura” e, por isso, já não vê cada um segundo os critérios humanos, mas segundo os critérios de Cristo. Neste sentido, todos conhecemos a Cristo como ele é agora, ressuscitado e conhecemos a todos a partir da cruz e da ressurreição de Cristo, porque todos fomos renovados na sua morte. Paulo, apesar de não ter conhecido a Cristo segundo a carne, conheceu-o do modo que ele agora pode ser conhecido, tal como ele é, segundo a perspectiva da grande renovação provocada pela sua morte e ressurreição.
Já sabemos que Marcos tem a preocupação de apresentar Jesus ao leitor do seu evangelho. Começa por dizer que este é o “evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” e termina com a afirmação do centurião “verdadeiramente este homem era filho de Deus”. No texto deste domingo surge a pergunta “quem é este homem…?” à qual o leitor já pode responder dizendo “é o Filho de Deus”, pois só Deus tem poder sobre o mar, como se viu no texto de Jó, primeira leitura.
A pergunta dos doze, que estão na barca com Jesus em plena tempestade, revela já uma inquietação que os domina. Eles sabem que só Deus tem poder sobre o mar, por isso se enchem de temor “ficaram cheios de temor”, porque se experimentam diante do enviado de Deus. Estavam assustados por causa da força das vagas, mas agora não é o medo, mas o temor que os domina e impede de falar. A pergunta contém uma admiração, uma contemplação de Jesus e do seu mistério.
O episódio narrado por Marcos realiza-se quando desce a noite, “ao cair da tarde”, e no meio do lago, “passemos à outra margem do lago”, quando se dirigem para território pagão. Estão reunidos todos os elementos para Jesus se manifestar como Filho de Deus. O lago é o lugar dos demônios, a noite, ausência de luz, é o ambiente indicado para a prática do mal e do outro lado do lago e aguarda-os um lugar de gente pouco recomendável. Para culminar a cena, Jesus dorme, o que dá às forças do mal margem para atuarem livremente. É aí que se levanta uma tempestade com o vento à solta e as “ondas a lançarem-se sobre o barco”.
Os discípulos fazem a experiência da impotência no meio da tempestade. Clamam a Jesus, que dorme, e ele impõe a sua autoridade falando “falou ao vento imperiosamente e disse ao mar”. Perante a palavra de Jesus o caos, as forças do mal, são dominadas: “o vento cessou e fez-se grande bonança”, tal como Deus já tinha dito a Jó.
Restaurada a harmonia, Jesus questiona os discípulos sobre a fé. Não esqueçamos que Marcos escreve para o leitor se questionar sobre a sua relação com Jesus. Perante as forças do mal, que atitude toma o discípulo de Jesus? Enche-se de medo ou confia? Como é que, ainda não tendes fé, confiança? Quem é mais forte, as forças do mal ou a palavra de Jesus?
Meditação da Palavra
Começa com o texto do evangelho deste domingo a revelação de Jesus através do poder sobre as forças do mal. Marcos tem a preocupação de ajudar o leitor a reconhecer Jesus como o Filho de Deus, por isso, no final do texto coloca na boca dos discípulos a pergunta: “Quem é este homem…?”. Ele, Marcos, sabe que é Jesus o Filho de Deus, e o leitor também sabe desde o início que este é “o evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”. No entanto, à medida que avança na revelação, o evangelista vai regressando sempre à pergunta sobre Jesus para que o leitor afirme a sua fé, tornando-se discípulo.
A Palavra coloca Deus e o homem frente a frente em contexto de limite. A tempestade domina, de forma direta ou indireta, os textos da liturgia deste domingo. Na primeira leitura Jó vive a dor de um sofrimento injusto, realidade que se torna na sua vida como uma tempestade que altera para sempre aquilo que ele foi construindo com a sua fidelidade a Deus e com o seu trabalho. Reclama de Deus uma resposta, porque não entende como é possível que ele, o justo, sofra o castigo dos ímpios. Afinal, a infelicidade é o destino dos ímpios e o infortúnio a recompensa dos que praticam a iniquidade. Jó considera-se justo aos olhos de Deus e dos homens e reclama, porque todos, perante o seu sofrimento, o consideram um ímpio a quem Deus castigou por viver disfarçado de justo.
Deus responde a Jó e a resposta de Deus ajuda a compreender depois o evangelho. A resposta de Deus é dada a Jó no meio da tempestade, que é a sua vida naquele momento, porque “Deus fala, ora de uma maneira ora de outra”, como dizia Eliú. E na sua resposta faz compreender que ele é o Senhor, criou tudo sem precisar de Jó: “onde estavas quando lancei os fundamentos da terra?” (Jó 38, 4). E acrescenta que ele, o Senhor, domina as forças do mal que se manifestam de diversas maneiras, simbolizadas na irreverência do mar. Foi o Senhor quem fechou com chave as portas ao mar impondo-lhe limites: “fixei limites e lhe tranquei portas e ferrolhos”. O Senhor domina com a sua voz, com a sua palavra todas as tempestades. Nenhuma tempestade vai além dos limites impostos por Deus.
O evangelho, mostrando o poder de Jesus sobre o mar e as forças do mal que nele se escondem revela que ele é o Filho de Deus. Marcos recorda que tudo começa quando cai a noite e deixa de brilhar a luz, no meio do lago, em cuja profundidade se refugiam os demônios. Estes elementos estão a dizer aos discípulos que é arriscado seguir por aquele caminho e naquela direção. No entanto, Jesus ordena e eles lançam-se no cumprimento da missão. Para agravar a situação, já de si difícil, Jesus dorme. Vai no barco, mas vai a dormir.
Era previsível a tempestade com todos aqueles sinais negativos. As forças do mal parecem vencer e a resistência da barca de Pedro é posta em causa. Os discípulos acordam Jesus com uma súplica. Foi assim que Israel conseguiu chegar à terra prometida no regresso do Egito. Andavam errantes, tinham fome e sede, passaram pelas trevas e pela prisão, experimentaram o peso dos pecados e enfrentaram as ondas e o vento de tempestade e clamaram ao Senhor que os conduziu por um caminho seguro, os alimentou, libertou da aflição e da morte, como recorda o salmo 106.
A súplica dos discípulos é atendida, mas não sem uma repreensão de Jesus questionando-os sobre a sua falta de confiança. Quem acreditais que tem poder sobre as tempestades que se levantam na vossa vida, na vida da vossa comunidade e mesmo no mundo onde habitais? O poder está nas forças do mal que resistem ao anúncio de Jesus, o Filho de Deus, ou no próprio Jesus que fala na palavra anunciada?
É Paulo quem responde a esta questão afirmando que a fé em Jesus implica uma renovação que se opera graças à sua morte e ressurreição. Uma renovação que faz conhecer Jesus, não na impotência da sua carne, como muitos que acompanharam Jesus desde a Galileia até Jerusalém, mas num conhecimento novo, na força da ressurreição, que o próprio Paulo viveu no caminho de Damasco e que fez dele um apóstolo de Jesus.
O discípulo de Cristo é uma nova criatura que nasceu da morte de Cristo, porque ali onde Cristo morreu por todos, todos morreram, porque já não vivem para si mesmos, mas para Cristo e estão nele pela ressurreição e nele se reconhecem uns aos outros como membros da comunidade crente.
Rezar a Palavra
Como Jó, reclamo, Senhor a tua atenção. Sinto a força das palavras daquele justo que se sente injustiçado, não por eu ser justo, mas por ser difícil suportar as tempestades em que, por vezes, me vejo mergulhado. E como ele digo: “Chamo por ti, e tu não me respondes; insisto e não fazes caso”. Eu sei que sempre me escutas e vens em socorro da minha aflição. Tu és mais forte que as forças do mal e com a tua palavra calas o vento e amainas o mar. Não permitas que perca a confiança em ti, Senhor.
Compromisso semanal
Invoco o Senhor no meio das tempestades e renovo a minha confiança na sua voz pacificadora.

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, , ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. E que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários – ou pelo menos as ouça.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 23 de Junho
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2023/06/santos-do-dia-da-igreja-catolica-23-de-junho/>]

São José Cafasso
José Cafasso nasceu em Castelnuovo d’Asti, em 1811, quatro anos antes do conterrâneo João Bosco, o Apóstolo dos Jovens e também santo da Igreja. Ambos trabalharam, na mesma época, em favor do povo e dos menos favorecidos, material e espiritualmente.
Mas enquanto João Bosco era eloqüente com os estudantes, um verdadeiro farol a iluminar os caminhos tormentosos da adolescência, Cafasso dedicava-se à contemplação e a ouvir seus fiéis em confissão, o que acabou levando-o aos cárceres e prisões.
Estava determinado a ouvir os criminosos que queriam se confessar e depois consolá-los mesmo fora da confissão. Era uma figura magra e encurvada devido a um defeito na coluna que o fazia manter-se nessa posição mesmo nas horas em que não estava no confessionário.
Padre Cafasso freqüentou o curso de teologia de Turim e ordenou-se aos vinte e dois anos. Difícil predizer que seria um grande predicador, mas com sua voz mansa e suave era muito requisitado pelos companheiros de sacerdócio, que procuravam os seus conselhos.
Formado, passou a dar aulas e acabou tendo João Bosco como aluno. Apoiou Bosco em todas as suas empreitadas, inclusive quando lotou a escola de jovens pobres de toda a região que não tinham dinheiro para a educação.
Quando Bosco retirou a criançada e a levou para sua própria casa, em Valdocco, foi a ajuda financeira de seu mestre José Cafasso que tornou isso possível. E ele fez mais: pouco antes de morrer, doou tudo o que possuía a João Bosco, para que ele continuasse sua obra no ensino e orientação dos jovens.
Morreu jovem, com apenas quarenta e nove anos, no dia 23 de junho de 1860. O título de “Padroeiro dos Encarcerados e dos Condenados à Pena Capital” esclarece bem como viveu o seu apostolado. Suas visitas aos cárceres eram o consolo dos presos e sua figura tornou-se a presença mais constante em todos os enforcamentos realizados em sua cidade, Turim. Mas sua ajuda não se limitava aos encarcerados, estendia-se às famílias, ao socorro às esposas e aos filhos para que não se desviassem do caminho de Cristo.
Padre José Cafasso era sempre o último companheiro de todos os que seriam executados no cadafalso, por isso ficou conhecido, entre o povo, como o “padre da forca”. Em 1947, foi canonizado, e sua veneração litúrgica designada para o dia de seu trânsito.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 22 de Junho de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 6, 19-20
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não vos pertenceis a vós mesmos: fostes resgatados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 10, 12
Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que respeites o Senhor teu Deus, que sigas todos os seus caminhos, que o ames e sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Cant 8, 6b-7
O amor é forte como a morte, e a paixão é violenta como o abismo. É uma chama ardente, um fogo divino. As águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Atos 13, 23-25
Da descendência de David, como prometera, Deus fez nascer Jesus, o Salvador de Israel. João tinha proclamado antes da sua vinda um batismo de penitência a todo o povo de Israel. Prestes a terminar a sua carreira, João dizia: «Eu não sou quem julgais; mas depois de mim vai chegar alguém, a quem eu não sou digno de desatar as sandálias de seus pés».
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
