“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 29 DE JUNHO DE 2024
29 de junho de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 01 DE JULHO DE 2024
1 de julho de 2024DOMINGO – SÃO PEDRO E SÃO PAULO
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu empregue especial empenho e dedicação em prosseguir na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: o “Invitatório” das orações da Liturgia das Horas seguido do “Ofício das Leituras” e “Laudes”; a Santa Missa e a Meditação da Palavra do Senhor. Que na sequência, eu me empenhe em extrair o néctar espiritual potencializador da prática cristã nas sessões: IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA – em que consistem as demais orações da Liturgia das Horas. Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Do Primeiro Livro de Samuel 28, 3-25
Saul consulta a nigromante de Endor
Naqueles dias, Samuel tinha morrido e todo Israel chorava a sua morte. Sepultaram-no na sua cidade de Ramá. Entretanto Saul tinha expulsado do país os nigromantes e adivinhos.
Os filisteus concentraram-se e vieram acampar em Suném. Saul reuniu todo o Israel e acampou em Gelboé. Ao ver o acampamento dos filisteus, Saul ficou cheio de medo e o seu coração estremeceu de terror. Consultou o Senhor, mas o Senhor não lhe respondeu, nem por sonhos, nem pelos sacerdotes, nem pelos profetas.
Então Saul disse aos seus servos: «Procurai-me uma nigromante, para eu a ir consultar». Eles responderam: «Há uma nigromante em Endor». Saul disfarçou-se, mudando de vestuário, e partiu com dois homens. Chegaram já de noite a casa da mulher, e ele disse-lhe: «Peço que consultes um espírito e evoques quem eu te disser». A mulher respondeu: «Sabes muito bem o que fez Saul: expulsou do país os nigromantes e adivinhos. Porque vens armar uma cilada à minha vida, para me matares?». Saul jurou-lhe pelo Senhor: «Tão certo como o Senhor estar vivo, não te acontecerá mal algum». A mulher perguntou: «Quem queres que eu faça aparecer?». Ele disse: «Faz-me aparecer Samuel».
Ao ver Samuel, a mulher soltou um grande grito e disse a Saul: «Porque me enganaste? Tu és Saul». Tornou-lhe o rei: «Não tenhas medo. Que vês?». Respondeu a mulher: «Vejo um espírito a subir da terra». E ele perguntou-lhe: «Que figura tem ele?». Ela disse: «É um ancião que sobe envolvido num manto». Saul compreendeu que era Samuel; inclinou o rosto para a terra em profunda reverência.
Samuel disse a Saul: «Porque perturbaste o meu repouso, fazendo-me aparecer?». Saul respondeu: «Vejo-me numa grande aflição. Os filisteus atacam-me e Deus abandonou-me: já não me responde, nem pelos profetas, nem pelos sonhos. Por isso chamei por ti, para que me digas o que hei de fazer. Samuel replicou: «Porque me consultas, se Deus te abandonou e se tornou teu inimigo? O Senhor fez-te o que havia anunciado por meu intermédio: arrancou-te da mão a realeza, para a dar a outro homem, a Davi. Por não teres ouvido a voz do Senhor e não teres executado o furor da sua ira contra Amalec, assim te tratou o Senhor neste dia. Além disso, o Senhor entregará Israel, juntamente contigo, nas mãos dos filisteus. Amanhã estareis comigo, tu e os teus filhos; e o Senhor entregará também o exército de Israel nas mãos dos filisteus».
Saul, aterrorizado com as palavras de Samuel, caiu estendido por terra; também as forças lhe faltaram, porque não tinha tomado nenhum alimento em todo aquele dia e toda aquela noite. A mulher aproximou-se de Saul e ao vê-lo apavorado, falou-lhe assim: «A tua serva obedeceu-te: arrisquei a vida para obedecer à ordem que me deste. Agora peço-te que ouças também a voz da tua serva. Vou dar-te um pouco de alimento para que comas e tenhas forças para te pores a caminho». Ele recusou dizendo: «Não quero comer». Mas os companheiros e aquela mulher insistiram com ele, e por fim ele atendeu o seu pedido. Levantou-se do chão e sentou-se num divã. A mulher tinha em casa um vitelo gordo e apressou-se a matá-lo; e tomando farinha, amassou e cozeu pães sem fermento. Depois serviu-os a Saul e aos seus homens. Eles comeram; e em seguida levantaram-se e partiram nessa mesma noite.
RESPONSÓRIO cf. 1 Cron 10, 13.14
R. Saul morreu por causa da sua infidelidade, porque não obedeceu ao mandamento do Senhor. * E Deus transferiu o seu reino para Davi.
V. Consultou uma nigromante, em vez de ter confiança no Senhor. * E Deus transferiu o seu reino para Davi.
SEGUNDA LEITURA
Das homilias do Papa Paulo VI
(Homilia proferida em Manila no dia 29 de Novembro de 1970)
Anunciamos a Cristo em toda a terra
Ai de mim se não evangelizar! Fui enviado por ele, pelo próprio Cristo, precisamente para isso. Sou apóstolo, sou testemunha. Quanto mais longínqua está a meta, quanto mais difícil se torna a missão, tanto mais fortemente a caridade me impele. Devo pregar o seu nome: Jesus é Cristo, o Filho de Deus vivo, o revelador de Deus invisível, o primogênito de toda a criatura, o fundamento de todas as coisas; ele é o Mestre da humanidade e o seu redentor, que nasceu, morreu e ressuscitou por nós.
Ele é o centro da história e do mundo; é aquele que nos conhece e nos ama, o companheiro e amigo da nossa vida, o homem da dor e da esperança; ele é, enfim, aquele que há de vir, e que um dia será o nosso juiz e também, como esperamos, a plenitude eterna da nossa vida e a nossa felicidade.
Nunca mais acabaria de falar dele. Cristo é a luz, a verdade, ou melhor, é o caminho, a verdade e a vida; é o pão e a fonte da água viva, para a nossa fome e para a nossa sede; é o pastor, o nosso guia, o nosso modelo, o nosso conforto, o nosso irmão. Como nós, e mais do que todos nós, ele foi pequeno, pobre, humilde, trabalhador, oprimido e paciente. Foi para nós que ele falou, realizou milagres e inaugurou um novo reino, em que os pobres são bem-aventurados, em que a paz é o princípio da convivência, em que os puros de coração e os que choram são exaltados e consolados, em que os sedentos de justiça são saciados, em que os pecadores podem ser perdoados, em que todos são irmãos.
Jesus Cristo! Já ouvistes falar dele, ou melhor, a maior parte de entre vós já lhe pertenceis, já sois cristãos. Pois bem. A vós, cristãos, repito o seu nome, ao mesmo tempo que o anuncio a todos: Jesus Cristo é o princípio e o fim, o alfa e o ômega, o rei do novo mundo, o segredo da história, a chave dos nossos destinos, o mediador, a ponte entre a terra e o Céu. Ele é, por antonomásia, o Filho do homem, porque é o Filho de Deus, eterno e infinito, e simultaneamente o Filho de Maria, a bendita entre todas as mulheres, sua Mãe segundo a carne e nossa Mãe pela participação no Espírito do Corpo místico.
Jesus Cristo! Lembrai-vos: este é o nosso anúncio perene, este é o pregão que fazemos ressoar em toda a terra e por todos os séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO 2 Tim 1, 10b; Jo 1, 16; Col 1, 16b-17
R. Jesus Cristo, nosso Salvador, destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do Evangelho. * Da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça.
V. Por ele e para ele tudo foi criado; ele é anterior a todas as coisas e por ele tudo subsiste. * Da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Ap 7, 10b.12
Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!




1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.
[Fonte: <Domingo XIII do Tempo Comum | A liturgia>]
LEITURA I Sb 1, 13-15; 2, 23-24
Não foi Deus quem fez a morte, nem ele se alegra com a perdição dos vivos. Pela criação deu o ser a todas as coisas, e o que nasce no mundo destina-se ao bem. Em nada existe o veneno que mata, nem o poder da morte reina sobre a terra, porque a justiça é imortal. Deus criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem da sua própria natureza. Foi pela inveja do Diabo que a morte entrou no mundo, e experimentam-na aqueles que lhe pertencem.
O mal e a morte não têm a sua origem em Deus, mas na inveja do Diabo. De Deus vem a vida e a incorruptibilidade, porque fomos criados à imagem da sua natureza.
Salmo Responsorial Sl29 (30), 2.4.5-6.11.12a.13b (R. 2a)
Eu Vos louvarei, Senhor, porque me salvastes.
Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes
e não deixastes que de mim se regozijassem os inimigos.
Tirastes a minha alma da mansão dos mortos,
vivificastes-me para não descer ao túmulo.
Cantai salmos ao Senhor, vós os seus fiéis,
e dai graças ao seu nome santo.
A sua ira dura apenas um momento
e a sua benevolência a vida inteira.
Ao cair da noite vêm as lágrimas
e ao amanhecer volta a alegria.
Ouvi, Senhor, e tende compaixão de mim,
Senhor, sede Vós o meu auxílio.
Vós convertestes em júbilo o meu pranto:
Senhor meu Deus, eu Vos louvarei eternamente.
O salmista vive uma experiência de limite. Para os seus inimigos já nada o pode livrar da morte. Ele, porém, confia no Senhor e dirige-lhe a sua súplica, por isso, foi atendido.
LEITURA II 2Cor 8, 7.9.13-15
Irmãos: Já que sobressaís em tudo – na fé, na eloquência, na ciência, em toda a espécie de atenções e na caridade que vos ensinamos – deveis também sobressair nesta obra de generosidade. Conheceis a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: ele, que era rico, fez-se pobre por vossa causa, para vos enriquecer pela sua pobreza. Não se trata de vos sobrecarregar para aliviar os outros, mas sim de procurar a igualdade. Nas circunstâncias presentes, aliviai com a vossa abundância a sua indigência, para que um dia eles aliviem a vossa indigência com a sua abundância. E assim haverá igualdade, como está escrito: «A quem tinha colhido muito não sobrou, e a quem tinha colhido pouco não faltou».
Paulo verifica que a generosidade dos coríntios está amortecida. Convida-os a olhar para Cristo que, sendo rico se fez pobres para nos enriquecer. Desta forma regenera-se neles a caridade que leva à partilha de bens com os irmãos pobres da Palestina.
EVANGELHO Forma longa Mc 5, 21-43
Naquele tempo, depois de Jesus ter atravessado de barco para a outra margem do lago, reuniu-se uma grande multidão à sua volta, e ele deteve-se à beira-mar. Chegou então um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Ao ver Jesus, caiu a seus pés e suplicou-Lhe com insistência: «A minha filha está a morrer. Vem impor-lhe as mãos, para que se salve e viva». Jesus foi com ele, seguido por grande multidão, que o apertava de todos os lados. Ora, certa mulher que sofria de uma perda de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de vários médicos e gastara todos os seus bens, sem ter obtido qualquer resultado, antes piorava cada vez mais, tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-lhe por detrás no manto, dizendo consigo: «Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada». No mesmo instante estancou a perda de sangue, e sentiu no seu corpo que estava curada da doença. Jesus notou logo que saíra uma força de si mesmo. Voltou-se para a multidão e perguntou: «Quem tocou nas minhas vestes?». Os discípulos responderam-lhe: «Vês a multidão que te aperta e perguntas: ‘Quem me tocou?’». Mas Jesus olhou em volta, para ver quem lhe tinha tocado. A mulher, assustada e a tremer, por saber o que lhe tinha acontecido, veio prostrar-se diante de Jesus e disse-lhe a verdade. Jesus respondeu-lhe: «Minha filha, a tua fé te salvou. Vai em paz e fica curada do teu mal». Ainda ele falava, quando vieram dizer da casa do chefe da sinagoga: «A tua filha morreu. Porque estás ainda a importunar o Mestre?». Mas Jesus, ouvindo estas palavras, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; basta que tenhas fé». E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus encontrou grande alvoroço, com gente que chorava e gritava. Ao entrar, perguntou-lhes: «Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu; está a dormir». Mas riram-se dele. Jesus, depois de os ter mandado sair a todos, levando consigo apenas o pai da menina e os que vinham com ele, entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: «Talita Kum», que significa: «Menina, eu te ordeno: levanta-te». Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos. Ficaram todos muito maravilhados. Jesus recomendou-lhes insistentemente que ninguém soubesse do caso e mandou dar de comer à menina.
Através da cura de uma mulher e da ressurreição de uma menina, filha de Jairo, Jesus apresenta-se como o Filho de Deus que salva porque ele é o Senhor da vida e tem poder sobre a morte.
Reflexão da Palavra
O livro da Sabedoria, escrito já na segunda metade do século I a.C., foi atribuído a Salomão, ou aos amigos de Salomão que o teriam escrito em honra deste rei. No entanto, a data tardia em que foi escrito descarta estas possibilidades, afirmando-se como certo que o autor é um judeu piedoso, anônimo, que se faz passar por Salomão. Trata-se de um livro sapiencial, escrito com a finalidade de instruir na fé a comunidade judaica que vive em ambiente pagão, de influência grega, na região de Alexandria. Tenta responder às grandes questões do homem, como a morte, o mal, a injustiça, a imortalidade, com a tradição judaica, para salvar os judeus da influência exercida pela filosofia grega.
O texto da primeira leitura começa por revelar o que é dito no início do livro dos Gênesis (Gn 1, 26), Deus é a origem de todas as coisas e tudo o que Deus fez é bom, “deu o ser a todas as coisas, e o que nasce no mundo destina-se ao bem”. Afirma também que o homem foi criado “à imagem” de Deus, “à imagem da sua própria natureza”. “Por isso, não pode atribuir-se a Deus a origem da morte “não foi Deus quem fez a morte”, pelo contrário, “criou o homem para ser incorruptível”. Nas criaturas habita a “salvação” e não o “veneno de morte”.
Então, de onde vem a morte? O autor não fala da morte corporal, fala da morte espiritual, que é fruto de uma opção livre do homem tal como acontece com Adão e Eva (Gn 3,1-13), e encontra uma resposta: “foi pela inveja do Diabo que a morte entrou no mundo”. Os que praticam o mal, “os ímpios, atraem o Hades com palavras e obras” (Sb 1,16). A morte espiritual é afastamento de Deus e conduz a uma existência definitiva longe dele, enquanto a justiça conduz a uma existência junto de Deus, “porque a justiça é imortal” e o homem foi criado para a incorruptibilidade. Perante esta revelação cada um pode escolher, viver como os pagãos que entendem que todo o bem e todo o mal desaparecem com a morte, ou de acordo com a verdade da imortalidade, onde cada um recebe a recompensa do bem ou do mal realizado em vida.
O salmista realiza uma ação de graças “eu vos glorifico”. A situação do salmista é a de quem caiu até ao fundo do poço, está às portas da “mansão dos mortos”, está prestes a “descer ao túmulo”. Não sabemos a causa desta situação nem sabemos se o problema é social, físico ou espiritual. Sabemos que é uma morte. Desde aquela situação o salmista apela, clama, implora a Deus e, por isso, é atendido “livraste a minha alma”, “poupaste-me a vida”, “tu me curaste”, “foste bom para mim”, “deste-me segurança”, “converteste o meu pranto em festa”, “tiraste-me o luto”, “vestiste-me de júbilo”. Porque Deus não tira vantagem da morte do homem, da sua descida à sepultura.
Depois de viver esta experiência dramática, por causa do mal que o atingiu, o salmista percebe que foi Deus quem o salvou, porque escutou a sua oração e veio em seu auxílio. Por isso, o salmista exulta de alegria, “convertestes em júbilo o meu pranto” e sente uma dívida eterna para com Deus, “eu te louvarei para sempre”.
Em Paulo encontramos uma permanente preocupação pelo anúncio do evangelho e pelo auxílio aos irmãos mais pobres. A sua ligação espiritual à comunidade de Jerusalém dá-lhe o sentido da responsabilidade cristã por atender às necessidades desta primeira comunidade. Na carta aos coríntios recorda que eles mesmos tinham tomado a iniciativa de fazer uma coleta para enviar àqueles irmãos mais pobres “desde o ano passado, fostes os primeiros não só a empreender a obra mas até a projetá-la” (2Cor 8,10). Depois, porém, por muitas razões, foram esquecendo esta iniciativa.
O texto da segunda leitura, tirado do capítulo oito, é uma chamada de atenção de Paulo à generosidade enfraquecida dos coríntios. De fato, o apóstolo faz ver aos cristãos desta comunidade que eles pretendem “sobressair em tudo”, mas os irmãos da Macedônia, que são mais pobres do que eles, foram mais generosos, “no meio de muitas tribulações com que foram provadas, a sua superabundante alegria e extrema pobreza transbordaram em tesouros de generosidade… indo além das nossas expectativas, deram-se a si mesmos” (2Cor 8, 2-5; cf. Rm 13, 26-27).
Os coríntios achavam-se mais ricos que os demais, na fé, no dom da palavra, na ciência, no zelo e no amor. Paulo solicita que sejam também ricos nesta “obra de generosidade”, recordando-lhes o exemplo de Cristo “que era rico, fez-se pobre por vossa causa, para vos enriquecer pela sua pobreza”. Trata-se de uma partilha de bens espirituais e materiais (cf. Rm 13, 26-27). O apóstolo insiste ainda que este pedido não pretende ser uma sobrecarga para eles, mas uma forma de justiça, para que, pela partilha de bens, haja igualdade entre os irmãos e não falte a quem dá nem sobre a quem recebe. Ninguém deve querer mais do que o necessário para a sua subsistência. Não se trata de uma obrigação imposta mas de uma generosidade espontânea.
Depois de ter ido à terra pagã, onde libertou um homem de um espírito impuro, Jesus regressa, de barco, ao território judaico. Marcos narra duas situações em que Jesus se revela como Filho de Deus, aquele que tem poder sobre as forças do mal. Primeiro é o chefe da sinagoga que vem prostrar-se diante de Jesus, reconhecendo que ele é Deus. Na sua aflição vem interceder pela filha de doze anos que “está a morrer”. O homem propõe a Jesus que lhe imponha a mãos, gesto curativo e conhecido da prática habitual. Segundo Marcos, Jesus decide imediatamente ir a casa daquele homem, “Jesus foi com ele”.
O trajeto é interrompido com uma segunda situação. Uma mulher, doente há doze anos, atreve-se a realizar um gesto, que era suposto ficar no silêncio porque representava para ela uma situação de impureza, mas Jesus faz vir a público perguntando “quem me tocou?”. Ela espera ficar curada, porque já tinha tentado todas as possibilidades da medicina da época e não tinha conseguido, pelo contrário, estava cada vez pior e, porque tinha “ouvido falar de Jesus”, acredita que pode ficar curada se lhe tocar nas vestes. Está posta em Jesus a última esperança desta mulher. O diálogo de Jesus com ela não é sobre a impureza que significava o fluxo de sangue na sua vida, nem sobre o gesto de atrevimento de lhe tocar sendo impura, mas sobre a fé “minha filha, a tua fé te salvou”. Ou seja, a fé que surgiu nela por ter ouvido falar de Jesus, levou-a a querer conhecer aquele de quem lhe falaram e ele, Jesus, salvou-a quando mais ninguém a podia salvar. É isto que faz em nós o batismo.
A situação da primeira cena, a do Jairo, adensa-se com a notícia da morte da menina. Jesus demora-se com a mulher e a menina acaba por morrer. Na visão dos mensageiros, já não há nada a fazer “porque estás ainda a importunar o mestre?”. No entanto, para Jesus, a questão está em aberto e depende dele e da fé de Jairo, ‘não te deixes tomar pelo medo mas pela fé’ são as palavras de Jesus “não temas; basta que tenhas fé”.
A consequência da fé de Jairo é que todos se riem, mas ele pode privar com Jesus e confirmar que ele tem poder sobre a morte. A mudança do choro em riso não está em consonância com o espírito do salmo, “ao cair da noite vêm as lágrimas e ao amanhecer volta a alegria”, porque no evangelho o choro é fingido, é das carpideiras, e o riso é sarcástico e incrédulo.
Ao contrário do que Jairo tinha proposto, Jesus pega na mão da menina, como fizera com a sogra de Pedro, (Mc 1,31) e desafia a morte a dar lugar à vida, com uma ordem, “Talita Kum”, com um poder que se manifesta imediatamente. Na sequência a menina “começou a andar”, o que significa seguimento de Jesus.
Mais uma vez Marcos impõe silêncio sobre Jesus que, o leitor sabe, é o Filho de Deus.
Meditação da Palavra
O relato evangélico deste domingo, através de duas intervenções de Jesus em situações difíceis e consideradas limite, pois não havia nada a fazer, revela que Jesus é aquele que salva, é o Senhor da vida. Mais do que milagres ou curas, Jesus desafia tanto a mulher como Jairo a viverem com ele uma experiência que os arranca da fé dos milagres para a fé que liberta e salva através da comunhão íntima com aquele, o único, que pode salvar. Por isso diz à mulher “a tua fé te salvou” e a Jairo, “não temas, basta que tenhas fé”.
É necessário que a fé destes dois personagens passe do medo para a confiança, vencendo os obstáculos que se interpõem entre eles e Jesus, entre eles e a salvação que Jesus oferece, entre a morte e a vida. A mulher vive no escondimento social porque a sua hemorragia é considerada uma impureza legal e ela tem medo que, sendo conhecida a sua situação, seja excluída do convívio com os outros, particularmente da participação na Sinagoga, lugar central na vida do povo judeu. A multidão aparece no relato também como um impedimento para que se realize o encontro com Jesus, pois a mulher é apenas uma entre muitos e isso impede a verdadeira intimidade com Jesus que implica ser vista por ele.
Do mesmo modo, Jairo tem que vencer obstáculos. Desde logo, a morte da filha que o deixa sem esperança. “Já não há nada a fazer” não é resposta para aquele que vive da fé em Jesus. Jesus é o Senhor da vida e da morte, diante dele a morte retira-se e surge a vida em plenitude e Jairo precisa confiar nesta verdade. Por outro lado, Jairo tem que vencer o mundo descrente que se ri da sua fé, perante aquilo que considera definitivo, a morte. Que pode Jesus fazer, agora, que a menina morreu?
Jesus é o Senhor da vida e todo aquele que que se encontra com ele pode alcançar a vida, se cumprir a única condição necessária, ter fé. O poder de Jesus vai para lá das curas que as multidões estão habituadas a ver. O poder de Jesus vai até à ressurreição dos mortos. Ali, onde já não há nada a fazer é o lugar de preferência para Jesus atuar. Doze anos, com tudo o que o número doze significa, de procura incansável da cura, resultam num estado cada vez pior. Com doze anos a menina já não tem futuro. É aqui que Jesus se manifesta como resposta para uma e como futuro para outra.
As duas personagens do evangelho revelam, no encontro com Jesus, a afirmação da primeira leitura “não foi Deus quem fez a morte” e “em nada existe o veneno que mata”, pelo contrário ele “deu o ser a todas as coisas”. “Deus criou o homem para ser incorruptível e fê-lo à imagem da sua própria natureza”. Se o mal e a morte existem no mundo vêm de outro, não de Deus. Deus é o Senhor da vida e não permite que a morte, “reine sobre a terra”. Jesus é a manifestação do poder de Deus que salva.
Do mesmo modo que Jesus estende a mão à filha de Jairo e a levanta da morte, também estende a mão a cada um de nós, na sua vez, para arrancar da morte aqueles que, como diz o salmista, se encontram na mansão dos mortos e à beira da sepultura. Jesus é aquele que tira “a minha alma da mansão dos mortos” e me dá a vida “para não descer ao túmulo” e não permite “que de mim se regozijem os inimigos”.
Trata-se de uma onda de generosidade que tem origem em Cristo e transforma a condição humana, como explica Paulo aos coríntios “Ele que era rico, fez-Se pobre por vossa causa, para vos enriquecer pela sua pobreza”. Imitando a Cristo nesta generosidade também nós adquirimos a vida pela partilha generosa de nós mesmos, como fizeram os irmãos da Macedónia, que “indo além das nossas expetativas, deram-se a si mesmos”. Desta forma os dons de Deus são repartidos para que haja igualdade, nem uns tenham demais nem outros de menos.
A proposta de Jesus passa pela fé nele, como opção de viver na sua intimidade e encontrar nele a verdadeira vida. É verdade que se podem levantar muitos obstáculos à fé e impedimentos a seguir com Jesus, mas para aquele que crê verdadeiramente nada é impossível. A fé é a única condição imposta por Jesus para sair do isolamento e da morte e reencontrar o lugar dentro da comunidade.
Rezar a Palavra
Tu, Senhor, consegues encontrar-me no meio da multidão e não há nenhum obstáculo que te impeça de vires à minha procura. A minha pobreza é para ti lugar de encontro e a minha morte oportunidade para de revelares como aquele que salva. Por isso, hoje quero crescer na fé e amadurecer a confiança em ti, para te tocar, te acompanhar e te deixar entrar em minha casa, pois só tu me podes dar a vida.
Compromisso semanal
Afirmo a minha confiança em Jesus como único salvador.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, , ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. E que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários – ou pelo menos as ouça.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 30 de Junho
[Fonte: <Santos do Dia da Igreja Católica – 30 de Junho – Sagrada Missão (sagradamissao.com.br)>]

Primeiros Mártires do Cristianismo
Certo dia, um pavoroso incêndio reduziu Roma a cinzas. Em 19 de julho de 64, a poderosa capital virou escombros e o imperador Nero, considerado um déspota imoral e louco por alguns historiadores, viu-se acusado de ter sido o causador do sinistro. Para defender-se, acusou os cristãos, fazendo brotar um ódio contra os seguidores da fé que se espalharia pelos anos seguintes.
Nero aproveitou-se das calúnias que já cercavam a pequena e pouco conhecida comunidade hebraica que habitava Roma, formada por pacíficos cristãos. Na cabeça do povo já havia, também, contra eles, o fato de recusarem-se a participar do culto aos deuses pagãos. Aproveitando-se do desconhecimento geral sobre a religião, Nero culpou os cristãos e ordenou o massacre de todos eles.
Há registros de um sadismo feroz e inaceitável, que fez com que o povo romano, até então liberal com relação às outras religiões, passasse a repudiar violentamente os cristãos. Houve execuções de todo tipo e forma e algumas cenas sanguinárias estimulavam os mais terríveis sentimentos humanos, provocando implacável perseguição.
Alguns adultos foram embebidos em piche e transformados em tochas humanas usadas para iluminar os jardins da colina Oppio. Em outro episódio revoltante, crianças e mulheres foram vestidas com peles de animais e jogadas no circo às feras, para serem destroçadas e devoradas por elas.
Desse modo, a crueldade se estendeu de 64 até 67, chegando a um exagero tão grande que acabou incutindo no povo um sentimento de piedade. Não havia justificativa, nem mesmo alegando razões de Estado, para tal procedimento. O ódio acabou se transformando em solidariedade.
Os apóstolos são Pedro e são Paulo foram duas das mais famosas vítimas do imperador tocador de lira, por isso a celebração dos mártires de Nero foi marcada para um dia após a data que lembra o martírio de ambos.
Porém, como bem nos lembrou o papa Clemente, o dia de hoje é a festa de todos os mártires, que com o seu sangue sedimentaram a gloriosa Igreja Católica Apostólica Romana.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 22 de Junho de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 15-16
Vós não recebestes um espírito de escravidão, para recair no temor, mas o Espírito de adoção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 22-23
Nós sabemos que toda a criação geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não somente ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adoção filial e a libertação do nosso corpo.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Tim 1, 9
Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça, essa graça que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 3-4
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as tribulações, para podermos também confortar aqueles que sofrem qualquer tribulação, por meio da consolação que nós próprios recebemos de Deus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
