Efésios 4, 26-27
19 de julho de 2024Do Primeiro Livro dos Reis 22, 1-9.15-23.29.34-38
20 de julho de 2024SÁBADO XV SEMANA COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu empregue especial empenho e dedicação em prosseguir na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações da Liturgia das Horas: “Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”; a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor… Que eu me empenhe especialmente em extrair o néctar espiritual potencializador da prática cristã nas sessões: IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA – em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas. Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Do Segundo Livro dos Reis 2, 1-15
Assunção de Elias
Naqueles dias, quando o Senhor quis arrebatar o profeta Elias para o céu num redemoinho, Elias e Eliseu partiram de Gálgala. E Elias disse a Eliseu: «Fica aqui, porque o Senhor envia-me a betel». Eliseu, porém, respondeu: «Tão certo como o Senhor estar vivo e tu também, não te deixarei». E desceram a betel.
Os filhos dos profetas que viviam em Betel saíram ao encontro de Eliseu e disseram-lhe: «Sabes que o Senhor vai arrebatar hoje o teu mestre por cima da tua cabeça?». Eliseu respondeu: «bem sei. Calai-vos». Disse-lhe Elias: «Eliseu, fica aqui, porque o Senhor envia-me a Jericó». Mas ele respondeu: «Tão certo como o Senhor estar vivo e tu também, não te deixarei». E seguiram para Jericó.
Os discípulos dos profetas que estavam em Jericó vieram ter com Eliseu e disseram-lhe: «Sabes que o Senhor vai arrebatar hoje o teu mestre por cima da tua cabeça?». Ele respondeu: «bem sei. Calai-vos». Disse-lhe Elias: «Fica aqui, porque o Senhor envia-me ao Jordão». Mas ele respondeu: «Tão certo como o Senhor estar vivo e tu também, não te deixarei». E os dois seguiram juntos. Seguiram-nos cinquenta dos discípulos dos profetas, que pararam a certa distância, diante deles, enquanto os dois se detinham na margem do Jordão.
Então Elias tomou a sua capa e enrolou-a, bateu com ela nas águas, que se apartaram para um e outro lado, e ambos passaram a pé enxuto. Depois de terem atravessado, Elias disse a Eliseu: «Pede o que quiseres, antes que eu seja arrebatado para longe de ti. Que posso fazer em teu favor?». Eliseu respondeu: «Possa eu herdar uma dupla porção do teu espírito». Elias respondeu: «Pedes uma coisa difícil. Entretanto, se me vires quando eu for arrebatado para longe de ti, terás o que pedes. Mas se não me vires, não o terás».
Iam eles entretidos a conversar, quando um carro de fogo com dois cavalos também de fogo os separou um do outro. E Elias subiu ao céu num redemoinho. Enquanto o avistou, Eliseu exclamava: «Meu pai, meu pai! Carro e condutor de Israel!». Quando deixou de o ver, tomou os seus vestidos e rasgou-os em dois pedaços. Apanhou a capa que tinha caído a Elias e, voltando, parou na margem do Jordão. Com a capa que tinha caído a Elias, bateu nas águas e disse: «Onde está o Senhor, o Deus de Elias?» Bateu nas águas, que se apartaram para um e outro lado, e Eliseu passou à outra margem.
Os discípulos dos profetas de Jericó, que observavam a distância, disseram: «O espírito de Elias repousa sobre Eliseu». Vieram logo ao seu encontro e prostraram-se por terra diante dele.
RESPONSÓRIO Mal 3, 23-24b; Lc 1, 15.17a
R. Vou enviar-vos o profeta Elias, antes de chegar o dia grande e terrível do Senhor. * Ele há-de trazer o coração dos pais a seus filhos e o coração dos filhos a seus pais.
V. João Batista será grande aos olhos do Senhor e irá à sua frente com o espírito e a força de Elias. * Ele há-de trazer o coração dos pais a seus filhos e o coração dos filhos a seus pais.
SEGUNDA LEITURA
Do Tratado de Santo Ambrósio, bispo, «Sobre os Mistérios»
(Nn. 52-54: SC 25 bis, 186-188.190) (Sec.IV)
Este sacramento que recebes realiza-se pela palavra de Cristo
Vimos que a graça tem maior poder do que a natureza e todavia apenas consideramos a graça da bênção profética. Ora se a bênção de um homem teve tanto valor que transformou a natureza, que diremos da consagração divina, em que atuam as palavras do nosso Senhor e Salvador? Porque este sacramento que recebes realiza-se pela palavra de Cristo. Ora se a palavra de Elias teve tanto poder que fez descer fogo do céu, não terá poder a palavra de Cristo para mudar a natureza dos elementos? A propósito das criaturas de todo o universo, leste que Deus disse e foram feitas; Ele mandou e foram criadas. Por conseguinte a palavra de Cristo, que do nada pôde criar o que não existia, não poderá mudar as coisas que existem naquilo que não eram? Maior poder supõe dar uma natureza ao que não existe do que mudá-la ao que já existe.
Mas para que estamos a servir-nos de argumentos? Sirvamo-nos dos seus exemplos e provemos a verdade deste mistério com o próprio mistério da Encarnação. Porventura foi segundo a ordem natural que o Senhor Jesus nasceu de Maria? Segundo a ordem natural, a geração provém da união da mulher com o homem. É evidente, portanto, que a concepção virginal de Cristo não foi segundo a ordem natural. Pois bem. O que nós tornamos aqui presente é o mesmo Corpo do Senhor nascido da Virgem. Porque hás de procurar a ordem natural no Corpo de Cristo, se o Senhor Jesus nasceu da Virgem, fora das leis da natureza? Era verdadeira a Carne de Cristo que foi crucificada, que foi sepultada; é, portanto, verdadeiro o sacramento da sua Carne.
O próprio Senhor Jesus proclama: Isto é o meu Corpo. Antes da bênção das palavras celestes era outra realidade; depois da consagração é o Corpo de Cristo. Ele próprio diz também que é o seu Sangue. Antes da consagração recebia outro nome; depois da consagração é o Sangue de Cristo. E tu respondes: «Amém», quer dizer: «É verdade». O que a boca pronuncia professe-o o espírito; o que a palavra afirma sinta-o o coração.
Por isso a Igreja, ao ver tão grande graça, exorta os seus filhos, exorta os seus amigos, a que se aproximem dos sacramentos, dizendo: Comei, meus amigos; bebei e inebriai-vos, meus irmãos. O Espírito Santo indicou noutra passagem, por meio do Profeta, o que vamos comer e beber: Saboreai e vede como o Senhor é bom; feliz o homem que nele se refugia. Naquele sacramento está Cristo, porque é o Corpo de Cristo. Não é, portanto, um alimento corporal, mas espiritual. Por isso diz o Apóstolo a respeito da sua prefiguração: Os nossos pais comeram um alimento espiritual e beberam uma bebida espiritual. Porque o Corpo de Deus é um Corpo espiritual, o Corpo de Cristo é o Corpo do Espírito divino, porque Cristo é Espírito como lemos: Cristo Senhor é Espírito diante de nós. E na Epístola de Pedro lemos também: Cristo morreu por nós. Finalmente, o Profeta recorda que este alimento fortalece o nosso coração e esta bebida alegra o coração do homem.
RESPONSÓRIO Mt 26, 26; Job 31, 31
R. Durante a Ceia, Jesus tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo: * Tomai e comei: Isto é o meu Corpo.
V. Diziam os que habitavam comigo: Quem nos saciará da sua mesa? * Tomai e comei: Isto é o meu Corpo.
Oração
Senhor nosso Deus, que mostrais aos errantes a luz da vossa verdade para poderem voltar ao bom caminho, concedei a quantos se declaram cristãos que, rejeitando tudo o que é indigno deste nome, sigam fielmente as exigências da sua fé. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Filipenses 2, 14-15
Fazei tudo sem murmurar nem discutir, para serdes irrepreensíveis e puros, filhos de Deus sem mancha, no meio duma geração perversa e depravada, onde vós brilhais como estrelas no mundo.
MEDITAÇÕES DA PALAVRA DO SENHOR
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4429-liturgia-de-20-de-julho-de-2024>]
SABADO XV SEMANA COMUM
(verde – ofício do dia)
Antífona
– Contemplarei justificado, a vossa face; e ficarei saciado quando se manifestar a vossa glória (Sl 16,15).
Coleta
– Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram, para retornarem ao bom caminho, dai aos que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão e abraçar tudo o que é digno desse nome. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Mq 2,1-5
Salmo Responsorial: Sl 10,1-2.3-5.7-8.14 (R: 12b)
– O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos.
R: O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos.
– Ó Senhor, por que ficais assim tão longe, e, no tempo da aflição, vos escondeis, enquanto o pecador se ensoberbece, o pobre sofre e cai no laço do malvado?
R: O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos.
– O ímpio se gloria em seus excessos, blasfema o avarento e vos despreza; em seu orgulho ele diz: “Não há castigo! Deus não existe!” É isto mesmo que ele pensa.
R: O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos.
– Só há maldade e violência em sua boca, em sua língua, só mentira e falsidade. Arma emboscadas nas saídas das aldeias, mata inocentes em lugares escondidos.
R: O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos.
– Vós, porém, vedes a dor e o sofrimento, vós olhais e tomais tudo em vossas mãos! A vós o pobre se abandona confiante, sois dos órfãos vigilante protetor.
R: O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos.
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Em Cristo, Deus reconciliou consigo mesmo a humanidade; e a nós ele entregou essa reconciliação (2Cor 5,19).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 12,14-21
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/sabado-da-semana-xv-do-tempo-comum-4/>]
Leitura I (anos pares) Mq 2, 1-5
Ai daqueles que, deitados em sua cama, planeiam a injustiça e tramam o mal! Ao romper do dia, logo o praticam, porque está ao seu alcance. Cobiçam os campos e roubam-nos, desejam as casas e apoderam-se delas. Escravizam o homem e a sua casa, o dono e a sua herança. Por isso, diz o Senhor: «Eu penso em mandar contra esta gente um castigo de que não podeis livrar a cabeça. Não mais andareis de fronte erguida, pois será um tempo de desgraça. Nesse dia entoarão contra vós uma sátira e vos cantarão assim os seus lamentos: ‘Estamos totalmente arruinados. Os bens do meu povo foram confiscados e não há ninguém para lhos devolver; os nossos campos são entregues a quem nos tiraniza’. Por isso não haverá ninguém que tire à sorte uma porção para vós, na assembleia do Senhor».
Compreender a palavra
A injustiça é a situação mais abominável aos olhos do Senhor. Miqueias faz-se arauto da palavra do Senhor contra aqueles que praticam a injustiça. Planeiam durante a noite e põem em prática logo pela manhã. A Injustiça fere a Deus porque para ele todos os homens são iguais em direitos e deveres. Ora os ricos e poderosos, usando das suas artimanhas, enganam e exploram os pobres roubando-lhes o pouco que possuem. Não basta não terem o suficiente senão ainda serem roubados pelos que têm tudo. Deus ergue a sua voz por meio do profeta e ameaça-os de castigo implacável: “Eu penso em mandar contra esta gente um castigo de que não podeis livrar a cabeça”.
Meditar a palavra
A injustiça de que fala o profeta tem a ver com a posse de bens. A economia de Israel estava assente na distribuição da terra feita por Josué à chegada à terra prometida, depois da saída do Egito. O que se vendia ou arrendava ao longo de cinquenta anos voltava, no ano jubilar, à sua origem, porque se vendiam e arrendavam os anos de colheita. Mas, há sempre aqueles que maquinam formas injustas para se apoderarem da desgraça alheia e acabam por enriquecer e tornar-se poderosos e sem escrúpulos. Hoje, como ontem, na relação entre os homens, pode ver-se a injustiça quanto aos bens da terra, em relação ao bom nome das pessoas e nas oportunidades que são dadas a uns e impedidas a outros por critérios pouco honestos. Mas também nos compadrios, nas amizades oportunistas, na maledicência despudorada e em tantas formas de oprimir, esmagar e reduzir a nada a dignidade daqueles que são homens e mulheres, filhos amados de Deus como nós.
Rezar a palavra
Por ti clamo, Senhor, escuta a minha voz porque te invoco. Põe uma sentinela de guarda à minha boca, para que não humilhe os pobres e defende a porta dos meus lábios para que não danifique a dignidade de ninguém. Não me deixes escorregar na maldade nem praticar a iniquidade com os ímpios e livra-me das intrigas dos que praticam o mal. Para ti, Senhor, se voltam os meus olhos; em ti me refugio, não me abandones.
Compromisso
É o Senhor quem guarda o meu coração da injustiça.
Evangelho Mt 12, 14-21
Naquele tempo, os fariseus reuniram conselho contra Jesus, a fim de o fazerem desaparecer. Mas Jesus, ao saber disso, retirou-se dali. Muitos o seguiram e ele curou-os a todos, mas intimou-os que não revelassem quem ele era, para se cumprir o que o profeta Isaías anunciara, ao dizer: «Eis o meu servo, a quem eu escolhi, o meu predileto, em quem se compraz a minha alma. Sobre ele farei repousar o meu Espírito, para que anuncie a justiça às nações. Não discutirá nem clamará, nem se fará ouvir a sua voz nas praças. Não quebrará a cana já fendida, nem apagará o pavio que ainda fumega, enquanto não levar a justiça à vitória; e as nações colocarão a esperança no seu nome».
Compreender a palavra
Jesus começa a sentir a perseguição dos fariseus. Na sua missão, mais importante do que todas as deliberações daqueles que o querem eliminar, a prioridade é para a justiça. Levar a justiça às nações é o seu programa de vida. Entenda-se “justiça” como misericórdia de um Deus que vem salvar o homem oprimido, esmagado pela vida, pela sociedade, pela lei cega e indiferente, pelo sofrimento nas suas múltiplas expressões. Jesus cura a todos na simplicidade e no silêncio porque o reino de Deus acontece no silêncio do encontro de cada homem com Ele. E assim se cumprem as Escrituras.
Meditar a palavra
Libertar o coração de todos os preconceitos em relação aos outros. Muitas vezes sinto o outro como uma ameaça. Porque é melhor, porque faz de outra forma, porque consegue mais resultados, porque atrai mais adeptos ou simplesmente porque revela no seu agir, as minhas fragilidades. Em vez de assumir, acolher o outro e gerar comunhão construindo juntos, prefiro criar obstáculos, gerar conflito, afastar e eliminar. Jesus torna-se presente e cura todos os que o seguem de coração livre. Cura deste preconceito, desta agressividade, deste mau sentimento que vê o outro como adversário e inimigo. O segredo que Jesus nos diz ao ouvido é o da abertura de coração. Abre-te à novidade do Reino que está a gerar-se no silêncio dos corações que se deixam seduzir no encontro com Ele.
Rezar a palavra
É tão difícil, Senhor, com algumas pessoas, pela sua maneira de ser, pela forma como se apresentam, pelas suas atitudes, acolhê-las e assimilá-las no coração reconhecendo-as como irmãos, como dom, como dádiva que vem para enriquecer a nossa vida. Prefiro tantas vezes criar animosidade, indiferença ou mesmo travar uma guerra inútil. Dá-me um coração novo que saiba acolher a novidade.
Compromisso
Vou vencer os maus sentimentos que há em mim e evitar que outros se instalem e criem raízes.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. E que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários – ou pelo menos as ouça.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 20 de Julho
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/07/santos-do-dia-da-igreja-catolica-20-de-julho/>]
Santa Margarida
Margarida nasceu no ano 275, na Antioquia de Pisídia, uma florescente cidade da Ásia Menor. Órfã de mãe desde pequena e filha de um sacerdote pagão e idólatra, Margarida tinha tudo para jamais aproximar-se de Deus, se “algo” não acontecesse. E algo divino aconteceu: o pai acabou confiando sua educação a uma ama extremamente católica e a vida de Margarida enveredou por outro caminho. Caminho que a levaria à santidade.
Cresceu inteligente e muito dedicada às coisas do espírito. Mas o pai começou a perceber que ela não ia aos cultos ou mesmo ao templo para participar dos sacrifícios aos deuses – sem suspeitar que, à noite, ela participava de cultos cristãos. Como não podia sequer imaginar tal fato, alguém tratou de abrir seus olhos.
Foi aí que começou o suplício de Margarida. Ele exigiu que ela abandonasse o cristianismo. Como ela se recusou, primeiro impôs-lhe um severo castigo, mandando a jovem para o campo, trabalhar ao lado dos escravos. Depois, como nem a força fazia a filha mudar de ideia, entregou-a ao prefeito local para que fosse julgada pelo “crime de ser cristã”.
O martírio da jovem Margarida foi tão terrível e de resultados tão fantásticos que se tornou uma das páginas da tradição cristã mais transmitida através dos séculos. Justamente por ter sido tão cruel, o povo apegou-se de tal forma ao sofrimento da jovem que à sua narrativa acrescentaram-se fatos lendários. O certo foi que primeiro ela foi levada à presença do juiz e prefeito e, diante dele, negou-se a abandonar a fé cristã. Foram horas de pressão e tortura psicológica que, por fim, viraram tortura física. Margarida foi açoitada, depois teve o corpo colocado sobre uma trave e rasgado com ganchos de ferro. Dizem que a população e até mesmo os carrascos protestaram contra a pena decretada.
No dia seguinte, ela apareceu, sem o menor sinal de sofrimento, na frente do governante, que. irado com o estranho fato, determinou que ela fosse assada viva sobre chapas quentes. Novamente, a comoção tomou conta de todos, pois nem assim a jovem morria ou demonstrava sofrer. Diz a tradição que Margarida teria sido visitada no cárcere pelo próprio satanás, em forma de um dragão que a engoliu. Mas Margarida conseguiu sair do seu ventre, firmando contra ele o crucifixo que trazia nas mãos. Ela foi, então, jogada nas águas de um rio gelado. Quando saiu de lá viva, com as correntes arrebentadas e sem sinal das torturas aplicadas, muita gente ajoelhou-se, converteu-se e até se ofereceu para morrer no lugar dela. Mas o prefeito enfurecido mandou que a decapitassem.
Ela morreu no dia 20 de julho de 290, com a idade de quinze anos. O seu corpo foi recolhido e levado para um lugar seguro, onde foi enterrado pelos cristãos convertidos, passando a ser venerada em todo o Oriente. No século X, foi trasladado para a Itália e desde então seu culto se difundiu também em todo o Ocidente, de tal modo que santa Margarida foi incluída entre os “quatorze santos auxiliadores”, aos quais o povo cristão recorre, rogando pela intercessão nos momentos mais difíceis. Santa Margarida é solicitada para proteger as grávidas nos partos complicados.
Santo Aurélio
Onde e quando nasceu Aurélio, não se tem registro. As informações sobre ele aparecem a partir de 388, quando vivia em Cartago, era apenas um diácono e amigo do futuro santo e doutor da Igreja, Agostinho. Em 391, este último era o bispo da Hipona, atual Annaba, na Argélia, enquanto Aurélio tornava-se o bispo de Cartago.
Ele foi considerado um dos principais líderes da Igreja na chamada “província da África”, que ocupava a faixa norte do continente, exceto o Egito. Encontrou essa Igreja em ruínas, pois enfrentara um cisma no início do século. A crise explodira no fim da perseguição romana aos cristãos, quando o bispo da Numídia, Donato, se declarara uma força política e religiosa. Dizia que viera para purificar a Igreja, separando-a do mundo profano e do Império Romano. Os que ficaram ao seu lado foram chamados donatistas, hereges que se opunham aos católicos.
Instaurava-se uma crise e um cisma que só viria terminar com a morte de Donato, na deportação em 355. Os seus seguidores dividiram-se internamente. Nessa situação, Aurélio e seu amigo encontraram uma Igreja devastada, fiéis com uma apatia generalizada, pobre de fé assim como de obras. A doutrina fora esquecida, os templos serviam também para festas e banquetes, com muitos monges recusando-se a trabalhar.
Aurélio engajou-se, então, na reforma da Igreja e na revitalização dos costumes morais, dos ritos e da doutrina católica. Diante do estado de ânimo daquela gente, Aurélio mostrou-se um pai caridoso, preocupado e sábio. E foi durante o Concílio de Hipona que Aurélio mostrou-se ainda mais cordial e acolhedor para com os antigos bispos donatistas. A todos esses, desejosos de retornarem ao seio da Igreja, junto com seus fiéis, Aurélio devolveu o sacerdócio, inclusive aos fiéis batizados durante o cisma. Dessa forma, Aurélio conseguiu resolver uma das mais grandes crises disciplinares que a Igreja enfrentou.
Bispo Aurélio morreu no ano de 430, na sua sede episcopal de Cartago, no mesmo ano em que também morria seu amigo Agostinho. Contudo, para a Igreja da chamada “província da África”, apenas começava mais um novo, obscuro e sangrento período, marcado pela invasão dos bárbaros vândalos.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE .. de Julho de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Samuel 15, 22
Porventura agradam tanto ao Senhor os holocaustos e sacrifícios como a obediência à sua voz? A obediência vale mais do que o sacrifício, a docilidade vale mais do que a gordura dos carneiros.
Docilidade. Obediência. Sacrifícios agradáveis ao Senhor. Vontade de Deus.
V. Honra-me quem me oferece um sacrifício de louvor
R. E a quem segue o caminho reto darei a salvação de Deus.
Oração
Senhor nosso Deus, Pai todo-poderoso, infundi em nós a luz do Espírito Santo, para que, livres de todos os inimigos, possamos alegrar-nos sempre no vosso louvor. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 5, 26; 6, 2
Não procuremos a vanglória. Não haja provocações nem invejas entre nós. Suportai os fardos uns dos outros, e deste modo cumprireis a lei de Cristo.
V. Como é bom e agradável viverem os irmãos em harmonia!
R. O Senhor lhes envia a sua bênção.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Miquéias 6, 8
Já te foi indicado, ó homem, o que deves fazer, o que o Senhor exige de ti: praticar a justiça e amar a misericórdia e ser humilde diante o teu Deus.
V. Senhor, a minha alegria está em seguir as vossas ordens;
R. Não hei-de esquecer a vossa palavra.
Oração
Ouvi, Senhor, a nossa oração e dai-nos a abundância da vossa paz, a fim de que, por intercessão da Virgem Santa Maria, dedicando alegremente ao vosso serviço todos os dias da nossa vida, possamos um dia chegar sem temor à vossa presença. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Pedro 1, 19-20
Temos bem confirmada a palavra dos profetas, à qual fazeis bem em prestar atenção, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que desponte o dia e a estrela da manhã nasça em vossos corações.
Antes de tudo, deveis saber que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular, porque nenhuma profecia foi proferida por vontade dos homens; mas foi em nome de Deus que os homens santos falaram, inspirados pelo Espírito Santo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Desde o nascer ao pôr do sol,
seja louvado o nome do Senhor.
R. Desde o nascer ao pôr do sol,
seja louvado o nome do Senhor.
V. A sua glória está acima dos céus.
R. Seja louvado o nome do Senhor.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Desde o nascer ao pôr do sol,
seja louvado o nome do Senhor.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Deut 6, 4-7
Escuta, Israel. O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração. Hás-de recomendá-las a teus filhos, e nelas meditarás, quer estando sentado em casa quer andando pelos caminhos, quando te deitas e quando te levantas.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador. R.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. R.
CÂNTICO EVANGÉLICO (Nunc dimittis)
Ant. Salvai-nos, Senhor, quando velamos e guardai-nos quando dormimos, para estarmos vigilantes com Cristo e descansarmos em paz.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

