“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 27 DE JULHO DE 2024
27 de julho de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 29 DE JULHO DE 2024
29 de julho de 2024DOMINGO DA XVII DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu prossiga com diligência na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”), bem como a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Da Segunda Epístola aos Coríntios 7, 2-16
O Apóstolo alegra-se com o arrependimento dos Coríntios
Irmãos: Dai-nos lugar no vosso coração. Não fizemos mal a ninguém, não arruinámos ninguém, não explorámos ninguém. Não digo isto para vos condenar, pois já vos disse que estais no nosso coração, para a vida e para a morte. É grande a confiança que tenho em vós; é grande o orgulho que sinto a vosso respeito. Estou cheio de consolação e transbordo de alegria no meio de todas as tribulações.
De facto, desde que chegámos à Macedónia, o nosso pobre corpo não teve um instante de repouso; pelo contrário, sofremos toda a tribulação: no exterior, combates; no interior, temores. Mas Deus, que consola os humildes, consolou-nos com a chegada de Tito; e não só com a sua chegada, mas também com a consolação que ele recebeu de vós. Ele contou-nos as vossas saudades, as vossas lágrimas, a vossa solicitude por mim, o que veio aumentar ainda mais a minha alegria.
Se a minha carta vos entristeceu, não me arrependo disso, se bem que ao princípio sentisse pesar, ao ver que essa carta, ainda que momentaneamente vos entristeceu; agora alegro-me, não porque vos tenha entristecido, mas porque a tristeza vos levou ao arrependimento. Entristecestes-vos segundo Deus, de modo que nenhum dano recebestes da nossa parte. Porque a tristeza segundo Deus produz o arrependimento que leva à salvação; mas a tristeza do mundo produz a morte. Vede o que essa tristeza segundo Deus provocou em vós: quanta solicitude, justificação, indignação, temor, saudade, zelo e castigo. Mostrastes em tudo que não tínheis culpa neste assunto. Portanto, se vos escrevi, não foi por causa do ofensor nem do ofendido, mas antes para se manifestar a vossa solicitude por nós, diante de Deus. Por isso ficámos consolados.
Mas para além da consolação que tivemos, ainda mais nos alegrámos com a alegria de Tito, porque todos vós tranqui- lizastes o seu espírito. E se diante dele me gloriei a vosso respeito, não fiquei envergonhado. Mas assim como tudo o que vos temos dito foi conforme à verdade, assim também os factos mostraram que o louvor que de vós fizemos a Tito era verdadeiro. A sua afeição por vós aumenta ainda mais, ao lembrar-se da obediência de vós todos e como o recebestes com temor e tremor. Alegro-me de poder contar convosco em tudo.
RESPONSÓRIO cf. 2 Cor 7, 10.9b
R. A tristeza segundo Deus produz o arrependimento que leva à salvação. * A tristeza do mundo produz a morte.
V. Se nos entristecemos segundo Deus, nenhum dano sofremos. * A tristeza do mundo produz a morte.
SEGUNDA LEITURA
Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo, sobre a Segunda Epístola aos Coríntios
(Hom. 14, 1-2: PG 61, 497-499) (Sec. IV)
Transbordo de alegria no meio de todas as tribulações
De novo São Paulo torna a falar da caridade, moderando a aspereza da repreensão. Depois de ter censurado e repreendido os coríntios, pelo facto de não corresponderem ao seu amor, levando a sua ingratidão até ao ponto de o abandonarem para darem ouvidos a homens perversos, suaviza a dureza da repreensão, dizendo: Compreendei-nos, isto é: «Amai-nos». Pede uma recompensa nada difícil, e muito mais útil para aqueles que a dão do que para aqueles que a recebem. Ele não diz: «Amai», mas uma palavra que inspira misericórdia: Compreendei.
Quem nos separou, diz ele, dos vossos corações? Quem nos afastou? Qual o motivo por que fomos expulsos do vosso espírito? Anteriormente tinha dito: Não há lugar para nós em vossos corações; e agora diz mais claramente: Compreendei-nos, esperando deste modo atraí-los a si. Nada inspira tanto uma pessoa amada a amar do que saber que aquele que ama deseja ardentemente ser correspondido.
Já vos disse, continua ele, que estais no nosso coração para a vida e para a morte. Como é grande a força do amor de Paulo que, mesmo desprezado, deseja morrer e viver com eles! «Não estais no nosso coração de qualquer maneira, mas tal como vos disse. É possível que alguém ame e apesar disso fuja no momento de perigo; isso não acontece comigo».
Estou cheio de consolação. De que espécie de consolação? «Daquela que vós me proporcionais: porque voltastes ao bom caminho e me consolastes com as vossas obras». É próprio de quem ama censurar a falta de correspondência ao seu amor, mas ao mesmo tempo temer que a repreensão excessiva venha a causar tristeza. Por isso diz: Estou cheio de consolação e transbordo de alegria.
É como se dissesse: «Causastes-me uma grande tristeza, mas já me compensastes com uma grande consolação; porque não só fizestes desaparecer a causa da minha tristeza, mas proporcionastes-me uma alegria muito maior».
Paulo manifesta a sua grandeza de ânimo, não se limitando a dizer simplesmente: Transbordo de alegria, mas acrescentando: No meio de todas as minhas tribulações. «Foi tão grande o contentamento que me trouxestes que nem estas graves tribulações o puderam ofuscar; a sua grandeza exuberante fez-me esquecer todos os tormentos e opressões que me invadiam».
RESPONSÓRIO 2 Cor 12, 12.15
R. Os sinais do verdadeiro apóstolo realizaram-se no meio de vós: * Com paciência a toda a prova, sinais, prodígios e milagres.
V. Da melhor vontade darei o que é meu e me darei a mim mesmo pelas vossas almas. * Com paciência a toda a prova, sinais, prodígios e milagres.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Ap 7, 10b.12
Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALARA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xvii-do-tempo-comum-7/>]
LEITURA I 2Rs 4, 42-44
Naqueles dias, veio um homem da povoação de Baal-Salisa e trouxe a Eliseu, o homem de Deus, pão feito com os primeiros frutos da colheita. Eram vinte pães de cevada e trigo novo no seu alforge. Eliseu disse: «Dá-os a comer a essa gente». O servo respondeu: «Como posso com isto dar de comer a cem pessoas?». Eliseu insistiu: «Dá-os a comer a essa gente, porque assim fala o Senhor: ‘Comerão e ainda há de sobrar’». Deu-lhos e eles comeram, e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor.
A palavra do Senhor cumpre-se através do profeta Eliseu, o homem de Deus. Nas suas mãos os pequenos pães de cevada e trigo novo, chegam para dar de comer a todos.
Salmo Responsorial Sl 144 (145), 10-11.15-16.17-18 (R. cf. 16)
O salmo 144 é um hino de louvor e ação de graças que pretende enaltecer a bondade de Deus que abre as suas mãos e sacia a nossa fome. Nele estão postos os olhos dos pobres que dele esperam, no tempo necessário, o alimento de que precisam e não ficarão desiludidos.
LEITURA II Ef 4, 1-6
Irmãos: Eu, prisioneiro pela causa do Senhor, recomendo-vos que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamados: procedei com toda a humildade, mansidão e paciência; suportai-vos uns aos outros com caridade; empenhai-vos em manter a unidade de espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como há uma só esperança na vida a que fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, atua em todos e em todos Se encontra.
Diante de uma comunidade dividida, Paulo convida a olhar para tudo o que une os discípulos de Cristo e a reencontrar a paz e a unidade, através dos sentimentos de humildade, mansidão e paciência.
EVANGELHO Jo 6, 1-15
Naquele tempo, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes. Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?». Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um». Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?». Jesus respondeu: «Mandai-os sentar». Havia muita erva naquele lugar, e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram. Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: «Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer: «Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo». Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.
Jesus desafia os discípulos a dar de comer à multidão. Perante a incapacidade dos discípulos ele realiza um sinal grandioso, distribuindo por cinco mil homens os poucos pães e peixes disponíveis.
Reflexão da Palavra
O profeta Eliseu, sucessor de Elias de quem recebeu uma parte do Espírito, tornou-se um grande profeta, elogiado sobretudo pelos seus muitos milagres e pela sua independência em relação aos poderes instituídos. São conhecidos os milagres da cura de Naamã, do qual faz referência Jesus no evangelho, e a bênção de um filho dado à mulher sunamita que o recebeu em sua casa. Foi uma voz livre que falou contra os reis que desprezavam a aliança e contra a idolatria.
No tempo de Eliseu vivia-se uma situação de fome por todo o país por causa da seca. A primeira leitura apresenta uma cena neste contexto de fome. Um homem, de Baal-Salisa, entrega a Eliseu “vinte pães de cevada e trigo novo”. Seriam o cumprimento da lei do Senhor que manda entregar as primícias da colheita de cada ano. Perante a fome, visível aos seus olhos nos homens em número de cem, o profeta manda que lhes entregue os pães para que saciem a fome.
Pelas palavras do homem pode perceber-se que não é humanamente possível saciar a fome de tantos homens com tão poucos e tão pequenos pães. No entanto, o profeta não está centrado no modo de pensar dos homens mas na palavra do Senhor, “assim fala o Senhor”. É a palavra do Senhor e não os pães que saciam a fome do homem, porque a palavra do Senhor se cumpre naqueles que creem. O Senhor diz: “Comerão e ainda há de sobrar” e assim sucedeu, “deu-lhos e eles comeram, e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor”.
No salmo continuamos a perceber a força da palavra de Deus que se cumpre para todos os que “têm os olhos postos em Vós” porque “a seu tempo lhes dais o alimento. Abris as vossas mãos e todos saciais generosamente”. Estamos perante um salmo de louvor e ação de graças construído segundo a ordem do alfabeto hebraico. A preocupação do autor favorece mais a ordem alfabética do que a harmonia do conteúdo, o que revela alguma desorganização literária.
Dirige-se a Deus na segunda pessoa “a tua justiça… o teu reino… as tuas proezas…”, e na terceira pessoa “o Senhor é grande… o Senhor é clemente… o Senhor ergue…”. Na introdução, o salmista propõe-se louvar o Senhor pela sua grandeza, “exaltarei a tua grandeza, ó meu rei e meu Deus” e na conclusão convida todas as criaturas a fazer o mesmo “todo o ser vivo bendiga o seu santo nome para sempre”. Numa primeira parte o salmista exalta os feitos do Senhor, a sua realeza e majestade, que, “cada geração contará à seguinte”. Numa segunda parte proclama a bondade e misericórdia do Senhor que “é bom para com todos”.
Como o próprio afirma, Paulo está preso, já dissemos que não é certo o lugar onde se encontra e de onde escreve as cartas do cativeiro (efésios, Filipenses, Colossenses e Filémon). A comunidade de Éfeso vive momentos de divisão, que pode ter por base alguma heresia, entre os responsáveis de origem judaica e os de origem pagã. Daí que a preocupação de Paulo seja a unidade, cujo fundamento se encontra em Cristo.
No texto desta carta, a segunda leitura deste domingo, Paulo fala das exigências da unidade, dos sentimentos que hão de ter os membros da comunidade para que mantenham a unidade nas relações e na doutrina.
Segundo Paulo, na doutrina que ele expõe ao início desta carta, a unidade na Igreja faz parte do plano salvífico de Deus que se realizou em Cristo e está ao alcance de todos. Por isso, a vida em Cristo, a vida dos membros da Igreja, passa por atitudes dignas do “chamamento que recebestes” e reclama “toda a humildade e mansidão, com paciência”, assim como implica a disponibilidade para levantar os que não são capazes de se manter de pé, numa experiência de amor, mantendo “a unidade do Espírito”.
Esta atitude decorre do núcleo fundamental da fé cristã que é a unidade de Deus e de tudo e todos em Deus: “Há um só Corpo e um só Espírito, como há uma só esperança na vida a que fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, atua em todos e em todos Se encontra”. Deve salientar-se a repetição continua de “um só” e de “todos”.
Saltamos do evangelho de Marcos para o de João e vamos diretos ao capítulo seis, que narra a multiplicação dos pães e dos peixes e o discurso sobre o pão da vida. Os próximos quatro domingos teremos a continuação deste evangelho.
O evangelista João narra, no início do capítulo 6 do seu evangelho, o sinal da multiplicação dos pães. Jesus tinha curado um paralítico em dia de sábado, o que irritou os judeus que se manifestaram contra ele. Como resposta, Jesus faz um longo discurso, no qual revela a sua relação com o Pai. Tudo se passa na Galileia, onde Jesus recrutou vários dos seus discípulos e onde anteriormente foi aclamado pelas multidões. O momento é tenso e começa a sentir-se a rejeição por parte dos judeus, posteriormente das multidões, mais tarde até os discípulos o abandonam, ficando apenas os doze.
Do “outro lado do mar da Galileia”, é assim que João começa a narração, com a festa da Páscoa no horizonte “estava próxima a Páscoa”, Jesus sobe ao monte como Moisés, senta-se e ergue os olhos contemplando “uma grande multidão vinha ao seu encontro”. Ao ver a multidão Jesus faz uma pergunta a Filipe, que vai despoletar todo o desenrolar do acontecimento. Jesus pergunta: “onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?”. João tem o cuidado de dizer que a pergunta é feita para “o experimentar”.
Na resposta, Filipe pensa em dinheiro “duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um”. André, a quem nada foi perguntado mas ouviu o desafio de Jesus a Filipe, pensa na quantidade ao referir que um rapazinho tem cinco pães e dois peixes, “que é isso para tanta gente?”. Para os dois, que refletem nas suas respostas o pensamento dos doze e da multidão, é impossível, não há dinheiro nem pão que cheguem para cumprir o desejo de Jesus. Eles falam literalmente do pão que se compra com dinheiro e que serve para saciar a fome e, por isso, têm dificuldade em encontrar uma solução. No entanto, fazem o que Jesus lhes manda, sentam a multidão e distribuem os pães e os peixes.
A multidão presente não vem ao acaso. Eles já tinham visto outros sinais de Jesus “por ver os milagres que Ele realizava nos doentes”. Esperam ver mais. Ali, porém, Jesus pretende fazer mais do que um sinal, quer apresentar-se no contexto messiânico do banquete anunciado pelos profetas “no cimo do monte”. Com a multiplicação dos pães, Jesus apresenta-se como o Messias esperado, e coloca os discípulos e a multidão no contexto do banquete que o “Senhor Deus do universo prepara para todos os povos” (Is 25,6).
Com o olhar nas profecias que anunciam um tempo novo, os discípulos teriam ultrapassado o olhar humano do momento e chegado à fé de que para Deus nada é impossível e ao homem também não se o seu coração estiver habitado pela disponibilidade à ação de Deus. Afinal, Eliseu deu de comer a cem homens com vinte pães e o Senhor deu de comer ao seu povo, o maná, em pleno deserto e, como diz o salmo, “Abris as vossas mãos e a todos saciais generosamente”, ou como recorda Eliseu, “assim fala o Senhor: ‘Comerão e ainda há de sobrar’”. Não havia razões para tanta dúvida se os discípulos fossem assistidos pela fé.
O momento é tenso, porque há apenas cinco pães e dois peixes para cinco mil homens. A desproporção entre pães e homens anuncia o fracasso antecipado da operação, mas, com a cruz no horizonte, tal como a última ceia em Jerusalém, as mãos de Jesus tomam o pão, os seus lábios pronunciam a ação de graças e, acontece ali o grande sinal de Jesus para os crentes, a Eucaristia. O pão partido e repartido, distribuído, chega para todos e, desse pão, não se poder perder nenhum bocado, porque mais do que pão que sacia a fome, é pão que alimenta a fé.
Meditação da Palavra
A liturgia desta XVII domingo do tempo comum, coloca diante de nós um dos grandes problemas da humanidade de todos os tempos, também de hoje, que é a fome. E ao colocar este problema faz-nos pensar em tantos outros problemas, para os quais somos chamados a encontrar soluções concretas.
Tanto a primeira leitura como o evangelho revelam a situação clara de pessoas que, de forma mais habitual ou apenas circunstancial, sentem fome. Os cem homens da primeira leitura estão ao alcance do olhar do profeta e os cinco mil do evangelho, estão ao alcance do olhar de Jesus. A fome do mundo está ao alcance de toda a humanidade através das redes sociais e dos meios de comunicação social. Trata-se de algo gritante que, mesmo que se queira esconder, é impossível não ver.
Ontem e hoje têm-se ensaiado soluções e ainda não foi possível erradicar a fome do mundo. Homens de boa vontade e com responsabilidades no plano internacional têm procurado vias de solução para que a todos chegue o pão de cada dia, desafio que Jesus nos deixou na oração do Pai Nosso. Aquele artigo da oração de Jesus, que diz “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, mais do que um pedido que fazemos a Deus para que nada nos falte, é um grito dos pobres a dizer-nos que hoje, precisamente hoje, não têm o pão que lhes é devido.
A palavra de Deus deste domingo vem dizer-nos que, as repostas humanas ao problema da fome, carecem de sentimentos que brotam da consciência de sermos todos um só, como Deus é um só. E diz-nos também que, em Deus “há um só Corpo e um só Espírito, como há uma só esperança … há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo”, no qual, ou participamos todos ou não participamos de todo. E diz-nos ainda que este Deus é “Pai de todos, que está acima de todos, atua em todos e em todos Se encontra”. E se não for assim, Deus não é Pai de ninguém, porque se recusa a ser Pai apenas de uns privilegiados.
Eliseu entende a sua responsabilidade social diante dos homens, porque, iluminado pela palavra de Deus que diz “comerão e ainda há de sobrar”, acredita no cumprimento da palavra e prescinde de guardar para si o pão que é de hoje e, por isso, é para todos.
Jesus quer deixar aos discípulos de todos os tempos o dom do pão que é ele mesmo, em forma de pão partido e repartido, Eucaristia, para que, quem dele comer nunca mais tenha fome. Na multiplicação dos pães, o evangelista João deixa-nos os gestos e as palavras de Jesus que os outros evangelistas reservaram para a última Ceia, dizendo com isso que este mistério, que é pão descido do céu, é para todos, como diz o salmo, para todos os que “têm os olhos postos em Vós”.
A resposta de Deus, dada em Jesus, é a da generosidade, “abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome”. Esta resposta não tem impossíveis, porque enquanto houver generosidade não se esgota o pão e como recorda Eliseu “ainda há de sobrar”. Deus dá em abundância mas não dá, como faz o homem, para esbanjar. Para o homem tudo é economia e, se for necessário, deitam-se ao lixo os bens essenciais para que não baixe o preço no mercado. Para Deus, como Jesus recomenda aos discípulos, tudo é importante “recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca” porque tudo é dom de Deus.
Rezar a Palavra
Tenho os meus olhos postos em ti, Senhor, para acolher o pão que desce do céu para dar a vida ao mundo. Esse pão que és tu, Senhor, é o verdadeiro pão, é o alimento que sacia e fortalece a fé. Dele comeram muitos sem que se tenha esgotado. Esgota-se sim a nossa vontade de o acolher, esgota-se a vontade de o repartir, esgota-se a nossa generosidade para com os milhares de famintos que não conseguem obter o simples “pão de cada dia”. Dá-nos, Senhor, a consciência do outro e ensina-nos a fazer como tu que abres as tuas mãos para saciar a nossa fome.
Compromisso semanal
Imploro a Jesus: “Dá-nos sempre desse pão”.

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xvii-do-tempo-comum-7/>]
LEITURA I 2Rs 4, 42-44
Naqueles dias, veio um homem da povoação de Baal-Salisa e trouxe a Eliseu, o homem de Deus, pão feito com os primeiros frutos da colheita. Eram vinte pães de cevada e trigo novo no seu alforge. Eliseu disse: «Dá-os a comer a essa gente». O servo respondeu: «Como posso com isto dar de comer a cem pessoas?». Eliseu insistiu: «Dá-os a comer a essa gente, porque assim fala o Senhor: ‘Comerão e ainda há de sobrar’». Deu-lhos e eles comeram, e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor.
A palavra do Senhor cumpre-se através do profeta Eliseu, o homem de Deus. Nas suas mãos os pequenos pães de cevada e trigo novo, chegam para dar de comer a todos.
Salmo Responsorial Sl 144 (145), 10-11.15-16.17-18 (R. cf. 16)
O salmo 144 é um hino de louvor e ação de graças que pretende enaltecer a bondade de Deus que abre as suas mãos e sacia a nossa fome. Nele estão postos os olhos dos pobres que dele esperam, no tempo necessário, o alimento de que precisam e não ficarão desiludidos.
LEITURA II Ef 4, 1-6
Irmãos: Eu, prisioneiro pela causa do Senhor, recomendo-vos que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamados: procedei com toda a humildade, mansidão e paciência; suportai-vos uns aos outros com caridade; empenhai-vos em manter a unidade de espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como há uma só esperança na vida a que fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, atua em todos e em todos Se encontra.
Diante de uma comunidade dividida, Paulo convida a olhar para tudo o que une os discípulos de Cristo e a reencontrar a paz e a unidade, através dos sentimentos de humildade, mansidão e paciência.
EVANGELHO Jo 6, 1-15
Naquele tempo, Jesus partiu para o outro lado do mar da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-O numerosa multidão, por ver os milagres que Ele realizava nos doentes. Jesus subiu a um monte e sentou-Se aí com os seus discípulos. Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ao seu encontro, Jesus disse a Filipe: «Onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?». Dizia isto para o experimentar, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Respondeu-Lhe Filipe: «Duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um». Disse-Lhe um dos discípulos, André, irmão de Simão Pedro: «Está aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente?». Jesus respondeu: «Mandai-os sentar». Havia muita erva naquele lugar, e os homens sentaram-se em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, fazendo o mesmo com os peixes; e comeram quanto quiseram. Quando ficaram saciados, Jesus disse aos discípulos: «Recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca». Recolheram-nos e encheram doze cestos com os bocados dos cinco pães de cevada que sobraram aos que tinham comido. Quando viram o milagre que Jesus fizera, aqueles homens começaram a dizer: «Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo». Mas Jesus, sabendo que viriam buscá-l’O para O fazerem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte.
Jesus desafia os discípulos a dar de comer à multidão. Perante a incapacidade dos discípulos ele realiza um sinal grandioso, distribuindo por cinco mil homens os poucos pães e peixes disponíveis.
Reflexão da Palavra
O profeta Eliseu, sucessor de Elias de quem recebeu uma parte do Espírito, tornou-se um grande profeta, elogiado sobretudo pelos seus muitos milagres e pela sua independência em relação aos poderes instituídos. São conhecidos os milagres da cura de Naamã, do qual faz referência Jesus no evangelho, e a bênção de um filho dado à mulher sunamita que o recebeu em sua casa. Foi uma voz livre que falou contra os reis que desprezavam a aliança e contra a idolatria.
No tempo de Eliseu vivia-se uma situação de fome por todo o país por causa da seca. A primeira leitura apresenta uma cena neste contexto de fome. Um homem, de Baal-Salisa, entrega a Eliseu “vinte pães de cevada e trigo novo”. Seriam o cumprimento da lei do Senhor que manda entregar as primícias da colheita de cada ano. Perante a fome, visível aos seus olhos nos homens em número de cem, o profeta manda que lhes entregue os pães para que saciem a fome.
Pelas palavras do homem pode perceber-se que não é humanamente possível saciar a fome de tantos homens com tão poucos e tão pequenos pães. No entanto, o profeta não está centrado no modo de pensar dos homens mas na palavra do Senhor, “assim fala o Senhor”. É a palavra do Senhor e não os pães que saciam a fome do homem, porque a palavra do Senhor se cumpre naqueles que creem. O Senhor diz: “Comerão e ainda há de sobrar” e assim sucedeu, “deu-lhos e eles comeram, e ainda sobrou, segundo a palavra do Senhor”.
No salmo continuamos a perceber a força da palavra de Deus que se cumpre para todos os que “têm os olhos postos em Vós” porque “a seu tempo lhes dais o alimento. Abris as vossas mãos e todos saciais generosamente”. Estamos perante um salmo de louvor e ação de graças construído segundo a ordem do alfabeto hebraico. A preocupação do autor favorece mais a ordem alfabética do que a harmonia do conteúdo, o que revela alguma desorganização literária.
Dirige-se a Deus na segunda pessoa “a tua justiça… o teu reino… as tuas proezas…”, e na terceira pessoa “o Senhor é grande… o Senhor é clemente… o Senhor ergue…”. Na introdução, o salmista propõe-se louvar o Senhor pela sua grandeza, “exaltarei a tua grandeza, ó meu rei e meu Deus” e na conclusão convida todas as criaturas a fazer o mesmo “todo o ser vivo bendiga o seu santo nome para sempre”. Numa primeira parte o salmista exalta os feitos do Senhor, a sua realeza e majestade, que, “cada geração contará à seguinte”. Numa segunda parte proclama a bondade e misericórdia do Senhor que “é bom para com todos”.
Como o próprio afirma, Paulo está preso, já dissemos que não é certo o lugar onde se encontra e de onde escreve as cartas do cativeiro (efésios, Filipenses, Colossenses e Filémon). A comunidade de Éfeso vive momentos de divisão, que pode ter por base alguma heresia, entre os responsáveis de origem judaica e os de origem pagã. Daí que a preocupação de Paulo seja a unidade, cujo fundamento se encontra em Cristo.
No texto desta carta, a segunda leitura deste domingo, Paulo fala das exigências da unidade, dos sentimentos que hão de ter os membros da comunidade para que mantenham a unidade nas relações e na doutrina.
Segundo Paulo, na doutrina que ele expõe ao início desta carta, a unidade na Igreja faz parte do plano salvífico de Deus que se realizou em Cristo e está ao alcance de todos. Por isso, a vida em Cristo, a vida dos membros da Igreja, passa por atitudes dignas do “chamamento que recebestes” e reclama “toda a humildade e mansidão, com paciência”, assim como implica a disponibilidade para levantar os que não são capazes de se manter de pé, numa experiência de amor, mantendo “a unidade do Espírito”.
Esta atitude decorre do núcleo fundamental da fé cristã que é a unidade de Deus e de tudo e todos em Deus: “Há um só Corpo e um só Espírito, como há uma só esperança na vida a que fostes chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, atua em todos e em todos Se encontra”. Deve salientar-se a repetição continua de “um só” e de “todos”.
Saltamos do evangelho de Marcos para o de João e vamos diretos ao capítulo seis, que narra a multiplicação dos pães e dos peixes e o discurso sobre o pão da vida. Os próximos quatro domingos teremos a continuação deste evangelho.
O evangelista João narra, no início do capítulo 6 do seu evangelho, o sinal da multiplicação dos pães. Jesus tinha curado um paralítico em dia de sábado, o que irritou os judeus que se manifestaram contra ele. Como resposta, Jesus faz um longo discurso, no qual revela a sua relação com o Pai. Tudo se passa na Galileia, onde Jesus recrutou vários dos seus discípulos e onde anteriormente foi aclamado pelas multidões. O momento é tenso e começa a sentir-se a rejeição por parte dos judeus, posteriormente das multidões, mais tarde até os discípulos o abandonam, ficando apenas os doze.
Do “outro lado do mar da Galileia”, é assim que João começa a narração, com a festa da Páscoa no horizonte “estava próxima a Páscoa”, Jesus sobe ao monte como Moisés, senta-se e ergue os olhos contemplando “uma grande multidão vinha ao seu encontro”. Ao ver a multidão Jesus faz uma pergunta a Filipe, que vai despoletar todo o desenrolar do acontecimento. Jesus pergunta: “onde havemos de comprar pão para lhes dar de comer?”. João tem o cuidado de dizer que a pergunta é feita para “o experimentar”.
Na resposta, Filipe pensa em dinheiro “duzentos denários de pão não chegam para dar um bocadinho a cada um”. André, a quem nada foi perguntado mas ouviu o desafio de Jesus a Filipe, pensa na quantidade ao referir que um rapazinho tem cinco pães e dois peixes, “que é isso para tanta gente?”. Para os dois, que refletem nas suas respostas o pensamento dos doze e da multidão, é impossível, não há dinheiro nem pão que cheguem para cumprir o desejo de Jesus. Eles falam literalmente do pão que se compra com dinheiro e que serve para saciar a fome e, por isso, têm dificuldade em encontrar uma solução. No entanto, fazem o que Jesus lhes manda, sentam a multidão e distribuem os pães e os peixes.
A multidão presente não vem ao acaso. Eles já tinham visto outros sinais de Jesus “por ver os milagres que Ele realizava nos doentes”. Esperam ver mais. Ali, porém, Jesus pretende fazer mais do que um sinal, quer apresentar-se no contexto messiânico do banquete anunciado pelos profetas “no cimo do monte”. Com a multiplicação dos pães, Jesus apresenta-se como o Messias esperado, e coloca os discípulos e a multidão no contexto do banquete que o “Senhor Deus do universo prepara para todos os povos” (Is 25,6).
Com o olhar nas profecias que anunciam um tempo novo, os discípulos teriam ultrapassado o olhar humano do momento e chegado à fé de que para Deus nada é impossível e ao homem também não se o seu coração estiver habitado pela disponibilidade à ação de Deus. Afinal, Eliseu deu de comer a cem homens com vinte pães e o Senhor deu de comer ao seu povo, o maná, em pleno deserto e, como diz o salmo, “Abris as vossas mãos e a todos saciais generosamente”, ou como recorda Eliseu, “assim fala o Senhor: ‘Comerão e ainda há de sobrar’”. Não havia razões para tanta dúvida se os discípulos fossem assistidos pela fé.
O momento é tenso, porque há apenas cinco pães e dois peixes para cinco mil homens. A desproporção entre pães e homens anuncia o fracasso antecipado da operação, mas, com a cruz no horizonte, tal como a última ceia em Jerusalém, as mãos de Jesus tomam o pão, os seus lábios pronunciam a ação de graças e, acontece ali o grande sinal de Jesus para os crentes, a Eucaristia. O pão partido e repartido, distribuído, chega para todos e, desse pão, não se poder perder nenhum bocado, porque mais do que pão que sacia a fome, é pão que alimenta a fé.
Meditação da Palavra
A liturgia desta XVII domingo do tempo comum, coloca diante de nós um dos grandes problemas da humanidade de todos os tempos, também de hoje, que é a fome. E ao colocar este problema faz-nos pensar em tantos outros problemas, para os quais somos chamados a encontrar soluções concretas.
Tanto a primeira leitura como o evangelho revelam a situação clara de pessoas que, de forma mais habitual ou apenas circunstancial, sentem fome. Os cem homens da primeira leitura estão ao alcance do olhar do profeta e os cinco mil do evangelho, estão ao alcance do olhar de Jesus. A fome do mundo está ao alcance de toda a humanidade através das redes sociais e dos meios de comunicação social. Trata-se de algo gritante que, mesmo que se queira esconder, é impossível não ver.
Ontem e hoje têm-se ensaiado soluções e ainda não foi possível erradicar a fome do mundo. Homens de boa vontade e com responsabilidades no plano internacional têm procurado vias de solução para que a todos chegue o pão de cada dia, desafio que Jesus nos deixou na oração do Pai Nosso. Aquele artigo da oração de Jesus, que diz “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, mais do que um pedido que fazemos a Deus para que nada nos falte, é um grito dos pobres a dizer-nos que hoje, precisamente hoje, não têm o pão que lhes é devido.
A palavra de Deus deste domingo vem dizer-nos que, as repostas humanas ao problema da fome, carecem de sentimentos que brotam da consciência de sermos todos um só, como Deus é um só. E diz-nos também que, em Deus “há um só Corpo e um só Espírito, como há uma só esperança … há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo”, no qual, ou participamos todos ou não participamos de todo. E diz-nos ainda que este Deus é “Pai de todos, que está acima de todos, atua em todos e em todos Se encontra”. E se não for assim, Deus não é Pai de ninguém, porque se recusa a ser Pai apenas de uns privilegiados.
Eliseu entende a sua responsabilidade social diante dos homens, porque, iluminado pela palavra de Deus que diz “comerão e ainda há de sobrar”, acredita no cumprimento da palavra e prescinde de guardar para si o pão que é de hoje e, por isso, é para todos.
Jesus quer deixar aos discípulos de todos os tempos o dom do pão que é ele mesmo, em forma de pão partido e repartido, Eucaristia, para que, quem dele comer nunca mais tenha fome. Na multiplicação dos pães, o evangelista João deixa-nos os gestos e as palavras de Jesus que os outros evangelistas reservaram para a última Ceia, dizendo com isso que este mistério, que é pão descido do céu, é para todos, como diz o salmo, para todos os que “têm os olhos postos em Vós”.
A resposta de Deus, dada em Jesus, é a da generosidade, “abris, Senhor, as vossas mãos e saciais a nossa fome”. Esta resposta não tem impossíveis, porque enquanto houver generosidade não se esgota o pão e como recorda Eliseu “ainda há de sobrar”. Deus dá em abundância mas não dá, como faz o homem, para esbanjar. Para o homem tudo é economia e, se for necessário, deitam-se ao lixo os bens essenciais para que não baixe o preço no mercado. Para Deus, como Jesus recomenda aos discípulos, tudo é importante “recolhei os bocados que sobraram, para que nada se perca” porque tudo é dom de Deus.
Rezar a Palavra
Tenho os meus olhos postos em ti, Senhor, para acolher o pão que desce do céu para dar a vida ao mundo. Esse pão que és tu, Senhor, é o verdadeiro pão, é o alimento que sacia e fortalece a fé. Dele comeram muitos sem que se tenha esgotado. Esgota-se sim a nossa vontade de o acolher, esgota-se a vontade de o repartir, esgota-se a nossa generosidade para com os milhares de famintos que não conseguem obter o simples “pão de cada dia”. Dá-nos, Senhor, a consciência do outro e ensina-nos a fazer como tu que abres as tuas mãos para saciar a nossa fome.
Compromisso semanal
Imploro a Jesus: “Dá-nos sempre desse pão”.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. E que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários – ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 28 de Julho
[Fonte: <Santos do Dia da Igreja Católica – 28 de Julho – Sagrada Missão (sagradamissao.com.br)>]
São Nazário e São Celso
Nazário nasceu em Roma, ainda no primeiro século da era cristã. O pai era um pagão e chamava-se Africano. A mãe, de nome Perpétua, era uma católica fervorosa. Enquanto ele desejava tornar o filho um sacerdote a serviço de um dos muitos deuses pagãos, ela o queria temente a Deus, no seguimento de Cristo, por isso o educou dentro da religião católica. Assim, com apenas nove anos de idade, o menino pediu para ser batizado, definindo a questão e sendo atendido pelo pai, que algum tempo depois também se converteu.
Nazário foi batizado pelas mãos do próprio papa são Lino, o primeiro sucessor de são Pedro, que fez dele um dos seus auxiliares diretos. Ingressou no exército romano e com ele percorreu toda a Itália, onde também pregava o Evangelho. Mas, ao ser descoberto, foi levado à presença do imperador, que o mandou prender. Conseguindo fugir, abandonou Roma e tornou-se um pregador itinerante, até que, durante um sonho, Deus lhe disse para sair da Itália.
Assim, foi para a Gália, hoje França, sempre pregando a palavra de Cristo. Em Cimiez, próximo de Nice, depois de converter uma nobre e rica senhora e seu filho, um adolescente de nome Celso, ela confiou o jovem a Nazário, que o fez seu discípulo inseparável. Juntos, percorreram os caminhos da Gália, deixando para trás cidades inteiras convertidas, pois, durante as suas pregações, aconteciam muitos milagres na frente de todos os presentes.
Depois, foram para Treves, atualmente Trier, na Alemanha, onde fundaram uma comunidade cristã que se tornou tão famosa que os dois acabaram sendo denunciados e presos. Condenados à morte, foram jogados na confluência dos rios Sarre e Mosel. E novo milagre ocorreu: em vez de afundar, os dois flutuaram e andaram sobre as águas. Assustados, os pagãos não tentaram mais matá-los, apenas os expulsaram do país.
Nazário e Celso foram, então, para Milão, onde mais uma vez viram-se vítimas da perseguição pagã, imposta pelo imperador Nero. Presos e condenados, desta vez foram decapitados em praça pública.
Passados mais de dois séculos, em 396, os corpos dos dois mártires foram encontrados pelo próprio bispo de Milão, Ambrósio, também venerado pela Igreja. Durante suas orações, teve uma visão, que lhe indicou o local da sepultura de Nazário. Mas, para surpresa geral, a cabeça do mártir estava intacta, com os cabelos e a barba preservados, e ainda dela escorria sangue, como se fora decapitado naquele instante. A revelação foi mais impressionante porque, durante as escavações, também encontraram o túmulo do jovem discípulo Celso, martirizado junto com ele.
Também foi por inspiração de santo Ambrósio que esta tradição chegou até nós, pois ele a contou a são Paolino de Nola, seu discípulo e biógrafo. As relíquias de são Nazário e são Celso foram distribuídas às igrejas de várias cidades da Itália, França, Espanha, Alemanha, África e Constantinopla. Dessa maneira, a festa dos dois santos difundiu-se por todo o mundo católico, sendo celebrados no dia em que santo Ambrósio teve a revelação: 28 de julho.
Santo Inocêncio I
Inocêncio I era italiano, nasceu em Albano, uma província romana do Lazio. Ele foi eleito no ano 401 e governou a Igreja por dezesseis anos, num período dos mais difíceis para o cristianismo.
A sua primeira atividade pastoral foi uma intervenção direta no Oriente, exortando a população de Constantinopla a seguir as orientações do seu bispo, são João Crisóstomo, e assim viver em paz.
Mas um dos maiores traumas de seu pontificado foi a invasão e o saque de Roma, cometidos pelos bárbaros godos, liderados por Alarico. Roma estava cercada por eles desde o ano 408 e só não tinha sido invadida graças às intervenções do papa junto a Alarico. Pressionado pelo invasor, e tentando salvar a vida dos cidadãos romanos, Inocêncio viajou até a diocese de Ravena, onde se escondia o medroso imperador Honório.
O papa tentava, há muito tempo, convencê-lo a negociar e conceder alguns poderes especiais a Alarico, para evitar o pior, que ele saqueasse a cidade e matasse a população. Não conseguiu e o saque teve início.
Foram três dias de roubo, devastação e destruição. Os bárbaros respeitaram apenas as igrejas, por causa dos anos de contato e mediação com o papa Inocêncio I. Mesmo assim, a invasão foi tão terrível que seria comentada e lamentada depois, por santo Agostinho e são Jerônimo.
Apesar de enfrentar inúmeras dificuldades, conseguiu manter a disciplina e tomou decisões litúrgicas que perduram até hoje. Elas se encontram na inúmera correspondência deixada pelo papa Inocêncio I. Aliás, com essas cartas se formou o primeiro núcleo das coleções canônicas, que faz parte do magistério ordinário dos pontífices, alvo de estudos ainda nos nossos dias.
Também foi ele que estabeleceu a uniformidade que as várias Igrejas devem ter com a doutrina apostólica romana. Além disso, estratificou em forma e conteúdo a doutrina dos sacramentos da penitência, da unção dos enfermos, do batismo e do casamento.
Durante o seu pontificado difundia-se a heresia pelagiana, condenada no ano 416 pelos concílios regionais de Melevi e de Cartago, convocados por iniciativa de santo Agostinho e com aprovação do papa Inocêncio I, que formalmente sentenciou Pelágio e seu discípulo Celestio.
O papa Inocêncio I morreu no dia 28 de julho de 417, sendo sepultado no cemitério de Ponciano, na Via Portuense, em Roma.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 28 de Julho de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Jo 4, 16
Nós conhecemos e acreditamos no amor de Deus para conosco. Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.
V. Inclinai o meu coração para as vossas ordens,
R. Fazei-me viver segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 6, 7-8
Cada um recolherá o que tiver semeado. Quem semeia na carne, colherá da carne a corrupção; quem semeia no Espírito, colherá do Espírito a vida eterna.
V. A vossa palavra, Senhor, é eterna,
R. A vossa fidelidade permanece de geração em geração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 6, 9-10
Não nos cansemos de fazer o bem, porque se não desfalecermos, colheremos no tempo oportuno. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas principalmente para com os irmãos na fé.
V. De todo o coração eu clamo, ouvi-me, Senhor:
R. Quero observar os vossos decretos.
Oração
Deus, protector dos que em Vós esperam, sem Vós nada tem valor, nada é santo. Multiplicai sobre nós a vossa misericórdia, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens temporais que possamos aderir desde já aos bens eternos. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 3-4
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as tribulações, para podermos também confortar aqueles que sofrem qualquer tribulação, por meio da consolação que nós próprios recebemos de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador. R.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. R.
CÂNTICO EVANGÉLICO (Nunc dimittis)
Ant. Salvai-nos, Senhor, quando velamos e guardai-nos quando dormimos, para estarmos vigilantes com Cristo e descansarmos em paz.
Cântico Lc 2, 29-32
Cristo, luz das nações e glória de Israel
Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, *
deixareis ir em paz o vosso servo,
porque meus olhos viram a salvação, *
que oferecestes a todos os povos:
luz para se revelar às nações *
e glória de Israel, vosso povo.
Ant. Salvai-nos, Senhor, quando velamos e guardai-nos quando dormimos, para estarmos vigilantes com Cristo e descansarmos em paz.
Oração
Humildemente Vos pedimos, Senhor, que, depois de termos celebrado neste dia o mistério da ressurreição de vosso Filho, descansemos na vossa paz, livres de todo o mal, e de novo nos levantemos na alegria da manhã para cantarmos os vossos louvores. Por Nosso Senhor.
V. O Senhor omnipotente nos dê uma noite tranquila
e no fim da vida uma santa morte.
R. Amen.
ANTÍFONA DE NOSSA SENHORA.
em língua portuguesa
I
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura e esperança nossa, salve.
A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva,
a Vós suspiramos, gemendo e chorando,
neste vale de lágrimas.
Eia, pois, Advogada nossa,
esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.
E depois deste desterro,
nos mostrai Jesus, bendito fruto do vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

