“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 24 DE AGOSTO DE 2024
24 de agosto de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 26 DE AGOSTO DE 2024
26 de agosto de 2024DOMINGO DA XXI DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu prossiga com diligência na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”), bem como a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Início da Profecia de Sofonias 1, 1-7, 14 – 2, 3
O Juízo de Deus
Palavra do Senhor dirigida a Sofonias, filho de Cusi, filho de Godolias, filho de Amarias, filho de Ezequias, no tempo de Josias, filho de Amon, rei de Judá:
«Farei desaparecer tudo da face da terra
oráculo do Senhor –.
Destruirei homens e animais, destruirei aves do céu e peixes do mar, farei cair os ímpios.
Exterminarei o homem da face da terra
oráculo do Senhor.
Estenderei a mão contra Judá
e contra os habitantes de Jerusalém;
exterminarei desse lugar os restos de baal
e o nome dos seus servidores,
os que se prostram nos terraços diante do exército do céu,
os que se prostram diante do Senhor
e depois juram por Milcom,
os que se afastam do Senhor,
não O procuram nem recorrem a Ele.
Silêncio diante do Senhor Deus,
pois o dia do Senhor está próximo.
O Senhor preparou um sacrifício
e consagrou os seus convidados.
Está próximo o grande dia do Senhor,
está próximo e avança com rapidez.
Oh clamor terrível do dia do Senhor!
Até o corajoso soltará gritos amargos.
Será um dia de ira aquele dia,
dia de aflição e de angústia,
dia de ruína e devastação,
dia de trevas e escuridão,
dia de nuvens e sombras densas,
dia de trombeta e gritos de guerra
contra as cidades fortificadas e contra os altos torreões.
Causarei terror aos homens
e eles andarão como cegos,
porque pecaram contra o Senhor:
o seu sangue será espalhado como pó
e os seus cadáveres como esterco.
Nem a prata nem o ouro
poderão salvá-los no dia da ira do Senhor.
Toda a terra será consumada no fogo da sua indignação,
que depressa causará a ruína de todos os habitantes da terra.
Vinde todos, juntai-vos, povo sem pudor,
antes de serdes atirados para longe
como palha moída que desaparece num dia,
antes de cair sobre vós o furor da ira do Senhor,
antes de que venha sobre vós o dia da sua ira.
Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra,
que obedeceis aos seus mandamentos.
Procurai a justiça, procurai a humildade;
talvez encontreis protecção no dia da ira do Senhor».
RESPONSÓRIO Sof 2, 3; Lc 6, 20b
R. Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra, que obedeceis aos seus mandamentos. * Procurai a justiça, procurai a humildade.
V. Felizes de vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. * Procurai a justiça, procurai a humildade.
SEGUNDA LEITURA
Da Constituição pastoral Gaudium et spes do Concílio do Vaticano II sobre a Igreja no mundo contemporâneo
(n. 39) (Sec. XX)
A prefiguração do novo mundo
Ignoramos o tempo da nova terra e da nova humanidade, e também não sabemos o modo como se transformará o universo. Passará a figura deste mundo, deformada pelo pecado, mas sabemos que Deus prepara uma nova morada e uma nova terra, onde reinará a justiça, e cuja felicidade satisfará e ultrapassará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens. Então, vencida a morte, os filhos de Deus ressuscitarão em Cristo, e o que foi semeado na fraqueza e corrupção revestir-se-á de incorruptibilidade; permanecendo a caridade com as suas obras, todas as criaturas que Deus criou para o homem serão libertadas da escravidão do mal.
Sabemos, sem dúvida, que nada aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se se perde a si mesmo. Todavia, a expectativa de uma nova terra não deve enfraquecer, mas antes aumentar a preocupação de aperfeiçoar esta terra, onde cresce o corpo da nova família humana, que já nos apresenta uma certa prefiguração do mundo novo. Por isso, embora se deva distinguir cuidadosamente o progresso terreno e o crescimento do reino de Cristo, contudo este progresso tem muita importância para o reino de Deus, na medida em que pode contribuir para uma melhor organização da sociedade humana.
Os valores da dignidade humana, da comunhão fraterna e da liberdade, isto é, todos os bens que são fruto da natureza humana e do esforço dos homens, e que difundimos na terra segundo o mandamento do Senhor e pelo seu Espírito, voltaremos de novo a encontrá-los, embora purificados de toda a mancha, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno e universal, «reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz». O reino já está misteriosamente nesta terra; mas quando vier o Senhor, alcançará a sua plenitude.
RESPONSÓRIO cf. Is 49, 13. Salmo 71 (72), 7a
R. Alegrem-se os céus, exulte a terra; montes, cantai de alegria: * O Senhor tem compaixão dos seus pobres.
V. Nos seus dias, florescerá a justiça e a paz. * O Senhor tem compaixão dos seus pobres.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Ap 7, 10b.12
Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4466-liturgia-de-25-de-agosto-de-2024>]
DOMINGO DA XXI DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – I semana do saltério)
Antífona
– Inclinai, Senhor, o vosso ouvido para mim e escutai-me. Salvai vosso servo que confia em vós meu Deus. Tende compaixão de mim, Senhor, pois clamei por vós o dia inteiro (Sl 85,1s).
Coleta
– Ó Deus, que unis os corações dos vossos fiéis num único desejo, concedei ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo, nossos corações estejam ancorados lá onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Salmo Responsorial: Sl 34,2-3.16-17.18-19.20-21.22-23 (R: 9a)
– Provai e vede quão suave é o Senhor!
R: Provai e vede quão suave é o Senhor!
– Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor, que ouçam os humildes e se alegrem!
R: Provai e vede quão suave é o Senhor!
– O Senhor pousa seus olhos sobre os justos, e seu ouvido está atento ao seu chamado; mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança.
R: Provai e vede quão suave é o Senhor!
– Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido.
R: Provai e vede quão suave é o Senhor!
– Muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta. Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege, e nenhum deles haverá de se quebrar.
R: Provai e vede quão suave é o Senhor!
– A malícia do iníquo leva à morte, e quem odeia o justo é castigado. Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera.
R: Provai e vede quão suave é o Senhor!
2ª Leitura: Ef 5,21-32
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida; as palavras que dizeis, bem que são de eterna vida (Jo 6,63.68).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 6,60-69
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xxi-do-tempo-comum-8/>]
LEITURA I Jos 24, 1-2a.15-17.18b
Naqueles dias, Josué reuniu todas as tribos de Israel em Siquém. Convocou os anciãos de Israel, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. Josué disse então a todo o povo: «Se não vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se os deuses que os vossos pais serviram no outro lado do rio, se os deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha família serviremos o Senhor». Mas o povo respondeu: «Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses; porque o Senhor é o nosso Deus, que nos fez sair, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da escravidão. Foi Ele que, diante dos nossos olhos, realizou tão grandes prodígios e nos protegeu durante o caminho que percorremos entre os povos por onde passámos. Também nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus».
Tendo chegado ao final da vida, Josué, reúne o povo para um ato solene de compromisso diante de Deus. A quem quereis servir? Pergunta Josué. O povo responde “queremos servir o Senhor, porque ele é o nosso Deus”.
Salmo Responsorial Sl 33 (34), 2-3.16-17.18-19.20-21.22-23 (R. 9a)
Continuamos com o salmo 33, pelo terceiro domingo consecutivo. Os versículos escutados nesta liturgia convidam à confiança total no Senhor, pois “os olhos do Senhor estão voltados para os justos
e os ouvidos atentos aos seus rogos. É verdade que o Senhor não impede que o justo seja sujeito à prova, mas não o abandona, não permite que lhe sejam quebrados os ossos e “defende a vida dos seus servos”.
LEITURA II Ef 5, 21-32
Irmãos: Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo, do qual é o Salvador. Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela. Ele quis santificá-la, purificando-a no batismo da água pela palavra da vida, para a apresentar a Si mesmo como Igreja cheia de glória, sem mancha nem ruga, nem coisa alguma semelhante, mas santa e imaculada. Assim devem os maridos amar as suas mulheres, como os seus corpos. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. Ninguém, de facto, odiou jamais o seu corpo, antes o alimenta e lhe presta cuidados, como Cristo à Igreja; porque nós somos membros do seu Corpo. Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua mulher, e serão dois numa só carne. É grande este mistério, digo-o em relação a Cristo e à Igreja.
Paulo propõe aos membros da comunidade de Éfeso que vivam em todas as relações o mesmo sentimento que vivem na relação com Cristo. O fundamento de todas as relações deve ser o respeito e o amor.
EVANGELHO Jo 6, 60-69
Naquele tempo, muitos discípulos, ao ouvirem Jesus, disseram: «Estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?». Jesus, conhecendo interiormente que os discípulos murmuravam por causa disso, perguntou-lhes: «Isto escandaliza-vos? E se virdes o Filho do homem subir para onde estava anteriormente? O espírito é que dá vida, a carne não serve de nada. As palavras que Eu vos disse são espírito e vida. Mas, entre vós, há alguns que não acreditam». Na verdade, Jesus bem sabia, desde o início, quais eram os que não acreditavam e quem era aquele que O havia de entregar. E acrescentou: «Por isso é que vos disse: Ninguém pode vir a Mim, se não lhe for concedido por meu Pai». A partir de então, muitos dos discípulos afastaram-se e já não andavam com Ele. Jesus disse aos Doze: «Também vós quereis ir embora?». Respondeu-Lhe Simão Pedro: «Para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus».
Depois da dificuldade manifestada pelos judeus em aceitar Jesus como aquele que desceu do céu e as suas palavras sobre o alimento da vida eterna, surgem também os discípulos como incrédulos diante das palavras de Jesus, porque lhes parecem demasiado duras. Pedro, porém, em nome dos doze, faz a mais bela profissão de fé reconhecendo que Jesus é o santo de Deus e só as suas palavras conduzem à vida eterna.
Reflexão da Palavra
Josué está presente junto de Moisés desde o início do êxodo. Torna-se o mais próximo e mais fiel a Moisés e permanece fiel a Deus em todas as situações. Por isso foi escolhido para suceder a Moisés, “Josué, filho de Nun, ficou cheio do espírito de sabedoria, porque Moisés lhe tinha imposto as mãos” (Dt 34,9) e introduzir o povo na terra prometida, como Moisés predissera “sê forte e valente! Porque tu é que vais entrar com este povo na terra que o Senhor jurou dar a seus pais”.
O texto que serve de primeira leitura, construído a partir de vários versículos escolhidos do capítulo 24, o último deste livro de Josué, aparece como uma renovação da aliança entre Deus e o povo num momento importante em que o povo conquistou a paz, domina o território e os seus inimigos e Josué, já com cento e dez anos, está a chegar ao fim da vida.
O lugar do encontro de Josué com os responsáveis das doze tribos, Siquém, é já conhecido porque ali Abraão levantou um altar (Gn 12, 6-7), Jacob também ali habitou (Gn 33, 18-20) e ali obrigou a sua família a abandonar os deuses estrangeiros e ali fez um altar “ao Deus que me atendeu no dia da minha angústia” (Gn 35,2-4) e José foi ali sepultado (Js 24,32).
O momento é de decisão final. Ninguém, naquele lugar e naquele momento da história, pode avançar sem tomar uma decisão. Josué assume diante de todo o povo uma postura, não apenas de chefe, mas de exemplo de fidelidade ao Senhor “eu e a minha família serviremos o Senhor”. O desafio é lançado a todos “se não vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir”. Porque hão de servir o Senhor e não outro Deus? Josué esforça-se por recordar tudo o que o Senhor fez por eles desde Abraão, passando pela libertação do Egito e até àquele momento em que vivem já na terra prometida. A resposta do povo não podia ser outra e, por isso, “o povo respondeu dizendo: Longe de nós abandonar o Senhor para servir outros deuses; … Também nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus”.
Interessa salientar no texto a quantidade de vezes que se usa o verbo “servir”. O povo que era escravo no Egito, agora pode escolher a quem quer servir. Escolher o Senhor que os libertou da casa da escravidão é seguir os passos dos seus antepassados que também foram confrontados várias vezes com a urgência de escolher entre o Senhor e a idolatria. Com esta escolha o povo que era escravo torna-se o povo escolhido, capaz de fazer a experiência da união plena com Deus e entre si.
Pela terceira vez consecutiva surge o salmo 33. Neste domingo reforça-se a necessidade da confiança no Senhor. O justo, por ser justo, não está isento da possibilidade do sofrimento, pelo contrário “muitas são as tribulações do justo”. A solicitude do Senhor pelo justo não o livra das circunstâncias adversas. A vida dos grandes personagens bíblicos diz isso mesmo, não foram imunes à dor, ao sofrimento, à derrota, aos ataques dos inimigos. Abraão viveu desencontros, Moisés passou por dissabores, os profetas e os reis experimentaram derrotas, Jesus passou pela cruz e Maria viveu em lágrimas. A solicitude do Senhor é uma presença permanente junto do justo que nele confia incondicionalmente, como o salmista repete continuamente, “os olhos do Senhor estão voltados para os justos e os ouvidos atentos aos seus rogos… clamaram e o Senhor os ouviu, livrou-os de todas as suas angústias. O Senhor está perto dos que têm o coração atribulado e salva os de ânimo abatido… defende a vida dos seus servos, guarda todos os seus ossos, nem um só será quebrado”.
Paulo convida os efésios a viver todas as relações a partir do respeito e do amor a fim de alcançarem a unidade. A nossa origem está na unidade de Deus e caminha para a unidade com Deus. Unidade que tem por nome “amor” e se constrói no respeito. Deus criou-nos à sua imagem e semelhança, por amor e num respeito total por nós e pelas nossas decisões. Como imagem de Deus somos chamados a respeitar todos e cada um dos homens e a amá-los, tornando-nos sinal sacramental do amor divino. Particularmente os esposos, são sinal do amor incondicional de Deus por nós e do respeito que ele tem por cada um.
Na Sagrada Escritura o matrimónio é apresentado como imagem da relação de Deus connosco. Deus é apresentado no Antigo Testamento como o esposo e o povo como a esposa, firmando entre eles uma aliança. Esta imagem passa no Novo Testamento para a relação entre Cristo e a Igreja onde a aliança é firmada no sangue de Cristo. Para Paulo este é um “grande mistério”.
Todo o amor nasce de Deus e passa necessariamente por Cristo. Por isso Paulo diz “sede submissos uns aos outros no respeito que tendes a Cristo”. A medida está em Cristo. Nele, o amor humano, de si pobre e fraco, encontra a plena realização e pode tornar-se modelo do amor de Cristo pela Igreja e de Deus pela humanidade.
Está subjacente a este amor a pergunta “até onde és capaz de te entregar por mim?” Esta pergunta tem em Cristo a medida, pois ele vai até à cruz no respeito e no amor por nós. A relações dos discípulos de Cristo, dentro e fora do matrimónio, nas relações familiares e comunitárias, hão de ter a mesma medida ou não estão fundadas nos mesmos princípios de respeito e amor. Trata-se de amar “como Cristo amou a Igreja”, amor que se manifesta entregando-se por ela, santificando-a, cuidando-a e alimentando-a.
A medida de Cristo é tudo menos imposição, obrigação e opressão, que alguns querem ver nas palavras de Paulo. Trata-se de obedecer na liberdade, na entrega livre e espontânea, fruto do amor e não do poder, da força e da submissão, no sentido que damos hoje à palavra.
O evangelho de João, que nos acompanhou durante quatro domingos, começou por apresentar cinco mil homens que receberam de Jesus o pão da multiplicação, estes homens passam a ser uma multidão que vai à procura de Jesus, não sabemos quantos eram, mas já não deviam ser cinco mil. Estes murmuram, que é uma forma de rejeição de Jesus e da sua palavra, quando ele diz “eu sou o pão descido do céu”. Depois, João fala de alguns que murmuravam, por Jesus ter dito “o pão que eu tenho para vos dar é a minha carne que eu dou pela vida do mundo”. Murmuram porque rejeitam a possibilidade de Jesus lhes dar a sua carne a comer e não aceitam que este alimento é melhor que o Maná do deserto. Neste domingo chegamos ao final do capítulo 6 e João diz-nos que os discípulos, não sabemos quantos, entenderam que eram duras as palavras de Jesus e deixaram de andar com ele. Ficaram apenas os doze. Das cinco mil pessoas iniciais, Jesus conta apenas com doze. Foi rejeitado pela multidão e pelos discípulos. Esta é a forma do evangelista João anunciar a sorte final de Jesus, a entrega na cruz pela vida do mundo”.
Perante a situação, Jesus, como Josué na primeira leitura, lança o desafio aos doze. Chegou a hora de tomar uma decisão clara: “Também vós quereis ir embora?». A resposta exige a fé, uma fé que não é feita de palavras nem é algo que se possua, é um caminho que se faz acompanhado e guiado por aquele pode levar a Jesus, o Pai, “ninguém pode vir a Mim, se não lhe for concedido por meu Pai”. Trata-se de um dom que só o Pai pode conceder, como todos os dons que vêm de Deus.
Pedro recebeu o dom do Pai, por isso, ele responde em nome de todos, os doze, numa profissão de fé que vai mais longe do que ele próprio pode entender. Pedro responde a Jesus “para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus”.
Esta resposta reafirma a fé como um caminho “para quem iremos?”, só há um caminho e esse caminho é o próprio Jesus. E em quem encontraremos a eternidade? Só a palavra de Jesus pode dar a vida eterna. Pedro vai ainda mais longe quando diz “nós acreditamos e sabemos”, duas coisas importantes que não existem sós. É preciso acreditar e saber e ver e saborear para poder reconhecer que na humanidade frágil de Jesus está o “Santo de Deus”.
Meditação da Palavra
Com quem quero fazer o caminho da minha vida? Até onde estou disposto a ir?
O desafio é lançado pela palavra deste XXI domingo do tempo comum. Chega sempre o momento em que a pergunta se impõe e ninguém pode fugir a ela. Podemos responder mais ou menos conscientemente, mas todos temos que dar uma resposta. Para o povo que, durante quarenta anos, atravessou o deserto no meio de tribulações, depois de servir no Egito como escravo, a conquista da terra da promessa é o momento da decisão, “escolhei hoje a quem quereis servir”.
É Josué, filho de Nun, o jovem que acompanhou Moisés desde o Egito, que aprendeu dele a firmeza diante do povo e a fidelidade diante de Deus, que experimentou na história do seu povo a verdade das palavras do salmo “muitas são as tribulações do justo, mas de todas elas o livra o Senhor” e a quem Moisés impôs as mãos dando-lhe a garantia da sucessão “sê forte e valente! Porque tu é que vais entrar com este povo na terra que o Senhor jurou dar a seus pais”, quem, diante do povo faz soar a hora da decisão questionando os chefes das doze tribos de Israel: “Se não vos agrada servir o Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se os deuses que os vossos pais serviram no outro lado do rio, se os deuses dos amorreus em cuja terra habitais”.
Josué possui um capital de confiança diante do povo, porque a sua fidelidade a Deus durante toda a vida o fez chegar à terra da promessa. Agora, pode fazer ouvir a sua palavra diante do povo, como uma profissão de fé que todos podem imitar, porque não engana, “Eu e a minha família serviremos o Senhor”. É uma afirmação da fé que ao mesmo tempo manifesta o respeito pela decisão de cada um e uma confiança que não impõe, mas dá segurança.
Perante tanta determinação, ninguém pode considerar possível um caminho mais seguro, sobretudo depois da experiência do deserto em que sentiram realmente que “os olhos do Senhor estão voltados para os justos… livra-os de todas as suas angústias… está perto dos que têm o coração atribulado e salva os de ânimo abatido”. Respondendo com Josué, “também nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus”, os que foram escravos no Egito tornaram-se o verdadeiro povo eleito.
É o mesmo povo de Israel que se apresenta diante de Jesus em Cafarnaum, como temos vindo a acompanhar ao longo dos últimos quatro domingos. Um povo que começa em cinco mil homens que comem o pão repartido pelas mãos de Jesus e que, depois, como uma pequena multidão, não sabemos quantos, rejeitam Jesus por ele ter dito “Eu desci do céu” e mais à frente, provavelmente um grupo mais pequeno de judeus, o rejeita por não compreender “como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?” e que, no texto deste domingo, se configura no grupo dos numerosos discípulos que abandonam Jesus por considerarem que “estas palavras são duras. Quem pode escutá-las?”.
Perante esta circunstância Jesus, reconhecendo que “há alguns que não acreditam” porque “ninguém pode vir a Mim, se não lhe for concedido por meu Pai”, manifesta a sua total disponibilidade para aceitar a decisão dos mais próximos, os doze, perguntando-lhes num respeito total, “também vós quereis ir embora?”.
É o desafio feito por Josué a todo o povo a repetir-se, aqui, no grupo dos doze. A quem quereis servir? É a pergunta da vida toda. A quem quereis servir para o resto da vossa vida? Com quem quereis caminhar até ao fim? Até onde e com quem estais dispostos a dar a vida?
Pedro responde em nome de todos, como fizera Josué, numa profissão de fé livre que implica reconhecer e acreditar que não há outro caminho, que Jesus é “o Santo de Deus” e a sua palavra é fonte de vida eterna, “para quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus”.
O Evangelista João coloca neste momento da vida de Jesus toda a carga do mistério da sua paixão e morte, na qual ele se entrega pela vida do mundo e onde ele se vê abandonado por todos, até pelos seus mais próximos. Pedro tem aqui um papel fundamental decidindo, com uma profissão de fé, que os doze vão com Jesus dispostos a tudo e até ao fim. Sabemos que esta decisão sofreu alguma turbulência quando o grupo foi tomado pela angústia e fugiu na hora mais amarga para Jesus. Sabemos que aos pés da cruz de Jesus se encontrava apenas o discípulo João a confirmar a fidelidade até ao fim afirmada por Pedro e a decisão de uma vida inteira ao serviço do Senhor, após a ressurreição.
As comunidades cristãs, dos primeiros tempos da Igreja, viveram momentos de angústia como o grupo dos doze e deram respostas diferenciadas conforme as circunstâncias e a firmeza da fé que os assistia. A comunidade de Éfeso é uma dessas comunidades, onde a unidade corre perigo por causa das discussões teológicas que se levantam entre os seus membros. A união com Deus e uns com os outros decorre do respeito e do amor, diz Paulo.
Os cristãos de Éfeso correm o risco de viver a fé em Cristo desencarnada da vida quotidiana e das relações entre eles. O amor e o respeito que constroem relações sólidas, de união permanente, não podem dirigir-se apenas a Cristo, hão de estar presentes também nas relações diárias, familiares ou não, comunitárias ou não, porque todas as relações têm como modelo a relação entre Cristo e a Igreja, na qual ele se entrega por ela, a santifica, cuida e alimenta.
Do mesmo jeito que Deus respeita a decisão dos homens que podem até preferir servir os ídolos a servi-lo a ele, Senhor de toda a terra e Jesus aceita que os discípulos lhe voltem a costas e deixem de o seguir não o reconhecendo como Messias, assim também eles devem respeitar-se mutuamente uns aos outros no amor. Um amor semelhante ao de Jesus que não reclama, não exige, não impõe, não se acha dono, mas está disposto a fazer o caminho connosco até ao fim.
Hoje impõem-se as perguntas que fizemos no início: A quem quero servir? A quem quero servir para o resto da minha vida? Com quem quero caminhar até ao fim? Até onde e com quem estou disposto a dar a vida?
Rezar a Palavra
A quem quero eu servir, Senhor? Se o meu coração me inspira para responder como Josué e os chefes das doze tribos “queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus”, a verdade é que sinto em mim a tentação de seguir pelo caminho da idolatria. Também a mim soam difíceis as tuas palavras “quem comer a minha carne e beber o meu sangue, tem a vida eterna”. Seduz-me essa possibilidade de viver eternamente, mas acreditar que são a tua carne e o teu sangue que me transformam para acolher o dom de Deus, não é fácil. Sou tentado a deixar de andar contigo e seguir o meu caminho, com os meus critérios, segundo a minha vontade, satisfazendo os meus apetites interiores. Inspira-me, Senhor, como fizeste a Pedro, para poder dizer com verdade, “Tu tens palavras de vida eterna. Nós acreditamos e sabemos que Tu és o Santo de Deus”.
Compromisso semanal
Sei que, nos caminhos que trilho, o Senhor me defende de todas as tribulações apesar da minha falta de fé.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. E que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários – ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/08/santos-do-dia-da-igreja-catolica-25-de-agosto/>
Santos do Dia da Igreja Católica – Domingo 25.08.2024
Postado em: por: marsalima
São Luiz IX
Luís IX, rei da França, nasceu no dia 25 de abril de 1215, no castelo real de Poissy. Era filho de Luís VIII e de Branca de Castela, ambos piedosos e zelosos, que o cercaram de cuidados, especialmente após a morte do primogênito. Trataram pessoalmente da sua educação e formação religiosa. Foram tão bem sucedidos que Luís IX tornou-se um dos soberanos mais benevolentes da história, um fervoroso cristão e fiel da Igreja.
Com a morte prematura do seu pai em 1226, a rainha, sua mãe, uma mulher caridosa, de grandes dotes morais, intelectuais e espirituais, tutelou o filho, que foi coroado rei Luís IX, pois ele era muito novo para dirigir uma Corte sozinho. Tomou as rédeas do poder e manteve o filho longe de uma vida de depravação e de pecado, tão comum das cortes. Mas Luís, já nessa idade, possuía as virtudes que o levaram à santidade – a piedade e a humildade -, e que o fizeram o modelo de “rei católico”.
Em 1235, casou-se com Margarida de Provença, uma jovem princesa, que, assim como ele, cultivava grandes virtudes. O marido reinou com justiça e solidariedade. Possuía um elevado senso de piedade, incomum aos nobres e poderosos de sua época. Tinha coração e espírito sempre voltados para as coisas de Deus, lia com freqüência a Sagrada Escritura e as obras dos santos Padres e aconselhava-as a todos os seus nobres da Corte. Com o auxilio da rainha, fundou igrejas, conventos, hospitais, abrigos para os pobres, órfãos, velhos e doentes. O casal real teve dez filhos, todos educados como eles e por eles. E o resultado dessa firme educação cristão foram reis e rainhas de muitas cortes, que governaram com sabedoria, prudência e caridade.
Depois de ter adquirido de Balduíno II, imperador de Constantinopla, a coroa de espinhos de Cristo, que, segundo a tradição, era a mesma usada na cabeça de Jesus, ele mandou erguer uma belíssima igreja para abrigá-la numa redoma de cristal. Trata-se da belíssima Sainte-Chapelle, que pode ser visitada em Paris.
Acometido de uma grave doença, em 1245 Luís IX quase morreu. Então, fez uma promessa: caso sobrevivesse, empreenderia uma cruzada contra os turcos muçulmanos que ocupavam a Terra Santa. Quando recuperou a saúde, em 1248, apesar das oposições da Corte, cumpriu o que havia prometido. Preparou um grande exército e, por várias vezes, comandou as cruzadas para a Terra Santa. Mas em nenhuma delas teve êxito. Primeiro, foi preso pelos muçulmanos, que o mantiveram no cativeiro durante seis anos. Depois, numa outra investida, quando se aproximava de Tunis, foi acometido pela peste e ali morreu, no dia 25 de agosto de 1270.
Os cruzados voltaram para a França trazendo o corpo do rei Luís IX, que já tinha fama e odor de santidade. O seu túmulo tornou-se um local de intensa peregrinação, onde vários milagres foram observados. Assim, em 1297 o papa Bonifácio VIII declarou santo Luís IX, rei da França, mantendo o culto já existente no dia de sua morte.
São José Calasanz
José Calasanz nasceu num castelo de Peralta de La Sal, em Aragão, na Espanha, em 31 de julho de 1558. Procedente de uma família nobre e muito religiosa, ele foi educado no rigor do respeito aos mandamentos de Deus. Desde cedo, mostrou sua vocação religiosa, mesmo contrariando seu pai, que o queria na carreira militar. José tanto insistiu que foi enviado para estudar teologia na Universidade de Valência, para concluir seu propósito de servir a Deus. Ao terminar os estudos, aplicou-se nos exercícios de piedade e práticas de penitência a fim para manter-se longe das tentações e no seguimento de Cristo.
Recebeu a ordenação sacerdotal em 1583, embora sem a presença do pai, que ainda não cedera à sua vocação. Inicialmente, foi para um mosteiro, desejando uma vida de solidão. Mas seu bispo, percebendo nele um alto grau de inteligência, disse-lhe que sua missão era a pregação. Assim, dedicou-se à atividade pastoral, sendo muito querido por todos os fiéis e bispos, que lhe davam vários encargos importantes a serem executados junto à Santa Sé.
Em 1592, José Calasanz encontrou o caminho para a sua vocação: a educação e formação de jovens pobres e abandonados. Inicialmente, como membro da Confraria da Doutrina Cristã, atuando junto aos jovens pobres da paróquia de Santa Dorotéia, onde era vigário cooperador. Em 1597, fundou a primeira escola gratuita para crianças pobres, seguindo entusiasmado pelo grande número de voluntários que se agregavam à obra. Assim, em 1621 fundou a Congregação dos Clérigos Pobres Regulares da Mãe de Deus das Pias Escolas, clérigos regulares que têm um quarto voto: o comprometimento com a instrução dos jovens.
O grande reconhecimento das escolas pias de Roma fez com que se espalhassem por toda a Itália, alcançando a Espanha, Alemanha, Polônia e Morávia. Mas, apesar do incontestável sucesso da nova Ordem, nos últimos anos de sua vida José teve de passar por uma terrível provação. Caluniado perante o Santo Ofício, foi julgado, deposto do cargo e a nova Congregação ficou sem aprovação.
Entretanto José, humildemente, aceitou tudo sem revoltar-se. Morreu no dia 25 de agosto de 1648, aos noventa anos de idade, animando os seus sacerdotes para não desistirem da Ordem. Somente oito anos depois de sua morte o papa Alexandre VI reconheceu que ele era inocente e aprovou as regras da Ordem. Como o fundador previra, ela ressurgiu mais vigorosa do que antes.
A ele foram atribuídas muitas intercessões em milagres e graças, sendo canonizado em 1767. O culto a são José Calasanz ocorre no dia de sua morte. Desde 1948, ele é celebrado em todo o mundo cristão como Padroeiro das Escolas Populares, conforme foi proclamado pelo papa Pio XII.
Santa Patrícia
Patrícia era descendente do imperador Constantino, o Grande. Nasceu no início do século VII, em Constantinopla, e foi educada para a Corte pela sua dama Aglaia, uma cristã muito devota. A pequena cresceu piedosa e, apesar da pouca idade, emitiu voto de virgindade a Cristo. Mas para manter-se fiel teve de fugir da cidade, porque seu pai, Constante II, então imperador, insistia em impor-lhe um matrimônio.
Patrícia, ajudada por e em companhia de Aglaia, com algumas seguidoras, escondeu-se por algum tempo. Depois, embarcaram para as ilhas gregas, com destino à Itália, onde desembarcaram em Nápoles. Patrícia ficou encantada com o local e indicou o lugar onde gostaria de ser sepultada. Em seguida, patrocinou a cidade ajudando a ornamentar muitas das novas igrejas, que eram desprovidas dos objetos litúrgicos essenciais, e auxiliou financeiramente os conventos que atendiam os pobres e doentes.
Só então viajou para Roma com Aglaia e as fiéis discípulas, onde procurou proteção junto ao papa Libério. Foi quando soube que seu pai já se havia resignado à sua vontade. Recebeu, então, o véu, símbolo de sua consagração a Deus, das próprias mãos do sumo pontífice. Assim, elas retornaram a Constantinopla para Patrícia renunciar ao direito à coroa e distribuir seus bens aos pobres, antes de seguirem, em peregrinação, para a Terra Santa.
Porém outros incidentes ocorreram. A embarcação distanciou-se dos vários perigos e desgovernou-se até espatifar-se nos rochedos da costa marítima de Nápoles. Precisamente na pequena ilha de Megaride, também conhecida como Castel dell’Ovo, onde havia um pequeno convento, no qual Patrícia morreu depois de algum tempo.
Os funerais de Patrícia, segundo os registros, foram organizados pela fiel Aglaia e transcorreram de modo solene, com a participação do bispo, do duque da cidade e de imensa multidão. O carro, puxado por dois touros sem nenhum guia, parou diante do mosteiro das irmãs basilianas, dedicado aos santos Nicandro e Marciano, que Patrícia indicara para ser sepultada. Lá as relíquias permaneceram guardadas pelas irmãs que passaram a ser chamadas de “patricianas”, ou Irmãs de Santa Patrícia. Mais tarde, os basilianos transferiram as Regras para as dos beneditinos e essas irmãs também acompanharam a renovação.
Para retribuir o carinho da santa que retornou a Nápoles só para ser sepultada, a população difundia sempre mais seu culto, tornando-o forte e vigoroso. Em 1625, santa Patrícia foi proclamada co-Padroeira de Nápoles, sendo tão comemorada quanto o outro padroeiro, são Genaro, o célebre mártir.
Por motivos históricos, em 1864 suas relíquias foram transferidas para a capela lateral da esplêndida igreja do Mosteiro de São Gregório Armênio. A Igreja confirmou o culto santa Patrícia no dia 25 de agosto.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 25 DE AGOSTO DE 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Jo 4,16
Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco. Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.
V. Inclinai o meu coração para as vossas ordens,
R. Fazei-me viver segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 6,7-8
Cada um recolherá o que tiver semeado. Quem semeia na carne, colherá da carne a corrupção; quem semeia no Espírito, colherá do Espírito a vida eterna.
V. A vossa palavra, Senhor, é eterna,
R. A vossa fidelidade permanece de geração em geração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 6, 9-10
Não nos cansemos de fazer o bem, porque se não desfalecermos, colheremos no tempo oportuno. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas principalmente para com os irmãos na fé.
V. De todo o coração eu clamo, ouvi-me, Senhor:
R. Quero observar os vossos decretos.
Oração
Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 3-4
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as tribulações, para podermos também confortar aqueles que sofrem qualquer tribulação, por meio da consolação que nós próprios recebemos de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador. R.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. R.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.



