“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 31 DE AGOSTO DE 2024
31 de agosto de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 2 DE SETEMBRO DE 2024
2 de setembro de 2024DOMINGO – XXII SEMANA DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu prossiga com diligência na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”), bem como a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Jeremias 11, 18-20; 12, 1-13
O profeta manifesta a tristeza da sua alma
Quando o Senhor me avisou, eu compreendi;
Vi então as maquinações dos meus inimigos.
Eu era como manso cordeiro levado ao matadouro
e ignorava a conjura que tramavam contra mim, dizendo:
«Destruamos a árvore no seu vigor.
Arranquemo-la da terra dos vivos,
para não mais se falar no seu nome».
Senhor do Universo,
que julgais com justiça e sondais os sentimentos e o coração,
seja eu testemunha do castigo que haveis de aplicar-lhes,
pois a Vós confio a minha causa.
Vós, Senhor, sois demasiado justo
para que eu possa queixar-me de Vós.
Quero, contudo, propor-Vos um caso de justiça:
Porque prospera o caminho dos maus?
Porque vivem em paz os pérfidos traidores?
Vós os plantastes, e eles lançam raízes,
crescem e frutificam.
Estais perto dos seus lábios,
mas longe do seu coração.
Mas Vós, Senhor, bem me conheceis e me vedes.
Vós sondais o meu coração e sabeis que está junto de Vós.
Separai-os como ovelhas para o matadouro,
destinai-os para o dia da matança.
Até quando estará a terra de luto
e seca toda a erva dos campos?
Por causa da maldade dos seus habitantes
morrem os animais e as aves.
Porque eles dizem: «Deus não vê os nossos caminhos».
«Se te cansas a correr com os que andam a pé,
como poderás competir com os cavalos?
Se num país em paz não te sentes seguro,
que farás em plena selva do Jordão?
Até os teus irmãos e a família do teu pai te atraiçoam,
eles próprios vão atrás de ti gritando em altos brados.
Não te fies neles, quando te disserem palavras amáveis.»
«Abandonei a minha casa,
renunciei à minha herança,
entreguei a mãos inimigas
o que Me era mais caro.
A minha herança tornou-se para Mim
como um leão na floresta que ruge contra Mim;
por isso comecei a detestá-la.
A minha herança é para Mim um pássaro de cores variegadas
cercado pelas aves de rapina.
Vinde, reuni-vos, feras do campo,
vinde devorar.
Numerosos pastores devastaram a minha vinha,
espezinharam a minha herdade;
reduziram a minha herdade maravilhosa
a um triste deserto,
fizeram dela uma ruína;
aí está diante de Mim, triste e desolada.
Todo o país foi assolado e ninguém se preocupa.»
De todas as dunas do deserto irrompem os salteadores,
porque o Senhor tem uma espada
que devora dum extremo ao outro do país;
ninguém poderá escapar.
Semearam trigo e colheram espinhos,
cansaram-se inutilmente.
Envergonhai-vos das vossas colheitas,
por causa da ira ardente do Senhor.
RESPONSÓRIO Jo 12, 27-28; Salmo 41 (42), 6a
R. Agora a minha alma está perturbada; que hei-de dizer? Pai, salva-Me desta hora? Mas para isto cheguei a esta hora. * Pai, glorifica o teu nome.
V. Porque estás triste, minha alma, e desfaleces? * Pai, glorifica o teu nome.
SEGUNDA LEITURA
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermão 23 A, 1-4: CCL 41, 321-323) (Sec. V)
O Senhor compadeceu-Se de nós
Somos verdadeiramente felizes, se pomos em prática o que ouvimos e cantamos. De facto, o que ouvimos é a semente, e o que pomos em prática é o fruto da semente. Com esta introdução quero advertir a vossa caridade, para que não frequenteis a igreja de maneira infrutuosa, ouvindo tantas coisas boas e não praticando o bem. É pela graça que fomos salvos, como diz o Apóstolo, e não pelas obras, para que ninguém se glorie; é pela graça que fomos salvos. Na verdade, não havia anteriormente na nossa vida qualquer mérito que pudesse atrair a complacência e o amor de Deus e O levasse a dizer: «Vamos ajudar estes homens, porque a sua vida santa o merece». A Deus desagradava a nossa vida, desagradava-Lhe tudo o que fazíamos; só não Lhe desagradava o que Ele tinha feito em nós. Por isso condenará o que nós fizemos e salvará o que Ele fez.
De facto, nós não éramos bons. E Ele compadeceu-Se de nós e enviou o seu Filho para morrer, não pelos bons mas pelos maus, não pelos justos mas pelos ímpios. Diz a Escritura: Cristo morreu pelos ímpios. E que diz a seguir? Dificilmente alguém morre por um justo; por um homem de bem talvez alguém ousasse morrer. Talvez se encontre alguém que ouse morrer por um homem de bem. Mas por um injusto, por um ímpio, por um iníquo, quem aceitaria a morte senão Cristo, que era de tal modo justo que pôde justificar os injustos?
Meus irmãos, nós não tínhamos nenhumas obras boas; todas as nossas acções eram más. Mas apesar de serem más as acções dos homens, a misericórdia divina não os abandonou. E Deus enviou o seu Filho para nos salvar, não com ouro ou prata, mas com o preço do seu Sangue derramado, o Sangue d’Aquele Cordeiro sem mancha, levado ao matadouro como vítima pelas ovelhas manchadas, se é que estavam simplesmente manchadas e não totalmente corrompidas. Recebemos, portanto, esta graça. Vivamos de modo digno deste dom que recebemos, a fim de não tornarmos inútil tão grande graça. O médico divino veio ao nosso encontro e perdoou todos os nossos pecados. Se queremos recair na doença, não só nos prejudicaremos a nós mesmos, mas também seremos ingratos para com o nosso médico.
Sigamos, portanto, os caminhos que Ele nos indicou, principalmente o caminho da humildade que Ele tomou para vir ao nosso encontro. Ele mostrou-nos este caminho da humildade não só com os seus ensinamentos, mas também com o seu exemplo, percorrendo-o até morrer por nós. Para poder morrer por nós Aquele que era imortal, o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Assim o imortal Se revestiu de mortalidade, para poder morrer por nós e destruir a nossa morte com a sua morte.
Isto fez o Senhor, este é o dom que nos ofereceu. Sendo grande, humilhou-Se; humilhado, quis morrer; tendo morrido, ressuscitou e foi exaltado, para não nos deixar mortos no inferno, mas para exaltar em Si, pela ressurreição dos mortos, aqueles que neste mundo tinha exaltado apenas pela fé e pela confissão do seu nome. Assim nos deu e mostrou o caminho da humildade. Se o seguirmos, daremos glória ao Senhor e cantaremos com toda a verdade: Nós Vos damos graças, Senhor; nós Vos damos graças e invocamos o vosso nome.
RESPONSÓRIO Salmo 85 (86), 12-13a; 117 (118), 28
R. Louvar-Vos-ei de todo o coração, Senhor meu Deus, e glorificarei o vosso nome para sempre; * Porque tem sido grande a vossa misericórdia para comigo.
V. Vós sois o meu Deus: eu Vos darei graças; Vós sois o meu Deus: eu Vos exaltarei. * Porque tem sido grande a vossa misericórdia para comigo.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Ez 36, 25-27
Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; purificar-vos-ei de todos os vossos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo; arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas.
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4474-liturgia-de-01-de-setembro-de-2024>]
DOMINGO – XXII SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – II semana do saltério)
Antífona
– Piedade de mim, ó Senhor, porque clamo por vós todo dia! Ó Senhor, vos sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca. (Sl 85,3.5)
(Sl 85,3.5).
Coleta
– Deus onipotente, fonte de todo dom perfeito, semeai em nossos corações o amor ao vosso nome e, estreitando os laços que nos unem convosco, fazei crescer em nós o que é bom e guardai com amorosa solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Dt 4,1-2.6-8
Salmo Responsorial: Sl 15,2-3ab.3cd-4ab.5 (R: 1a)
– Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo habitará?
R: Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo habitará?
– É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua.
R: Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo habitará?
– Que em nada prejudica o seu irmão, nem cobre de insultos seu vizinho; que não dá valor algum ao homem ímpio, mas honra os que respeitam o Senhor.
R: Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo habitará?
– Não empresta o seu dinheiro com usura, nem se deixa subornar contra o inocente. Jamais vacilará quem vive assim!
R: Senhor, quem morará em vossa casa e no vosso monte santo habitará?
2ª Leitura: Tg 1,17-18.21b-22.27
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Deus, nosso Pai, nesse seu imenso amor, foi quem gerou-nos com a Palavra da verdade, nós, as primícias do seu gesto criador! (Tg 1,18).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 7,1-8.14-15.21-23
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xxii-do-tempo-comum-7/>]
LEITURA I Dt 4, 1-2.6-8
Moisés falou ao povo, dizendo: «Agora escuta, Israel, as leis e os preceitos que vos dou a conhecer e ponde-os em prática, para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor, Deus de vossos pais. Não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma, mas guardareis os mandamentos do Senhor vosso Deus, tal como eu vo-los prescrevo. Observai-os e ponde-os em prática: eles serão a vossa sabedoria e a vossa prudência aos olhos dos povos, que, ao ouvirem falar de todas estas leis, dirão: ‘Que povo tão sábio e tão prudente é esta grande nação!’. Qual é, na verdade, a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus, sempre que O invocamos? E qual é a grande nação que tem mandamentos e decretos tão justos como esta lei que hoje vos apresento?».
A lei do Senhor é para escutar, hoje, agora, sem perder tampo, porque vindo de Deus está cheia de sabedoria e possui tudo o que é necessário para entrar na terra prometida. Nada nesta lei pode ser alterado, nem acrescentado nem retirado, porque se trata da lei do Senhor.
Salmo Responsorial Sl 14 (15), 2-3a.3cd-4ab.5 (R. 1a)
Este hino de peregrinação, que é o salmo 14, questiona sobre a dignidade com que nos apresentamos diante de Deus. Seremos dignos de entrar na sua casa e de nos sentarmos à sua mesa? O salmo diz que é necessário ter um coração puro para nos apresentarmos diante de Deus.
LEITURA II Tg 1, 17-18.21b-22.27
Caríssimos irmãos: Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descem do Pai das luzes, no qual não há variação nem sombra de mudança. Foi Ele que nos gerou pela palavra da verdade, para sermos como primícias das suas criaturas. Acolhei docilmente a palavra em vós plantada, que pode salvar as vossas almas. Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, pois seria enganar-vos a vós mesmos. A religião pura e sem mancha, aos olhos de Deus, nosso Pai, consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo.
A palavra de Deus é para pôr em prática e não apenas para escutar. A prática da palavra leva ao encontro dos irmãos mais frágeis e em situação mais carenciada. É o amor aos outros que manifesta a grandeza de coração daquele que escuta Deus.
EVANGELHO Mc 7, 1-8.14-15.21-23
Naquele tempo, reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. – Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre –. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?». Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Escutai-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem do interior do homem, e são eles que o tornam impuro».
Na experiência da fé não caminham todos ao mesmo ritmo, mas todos são chamados a viver a relação com Deus a partir da verdade do seu coração. Rejeitar os outros, considerando-os impuros, não é o caminho para o encontro com Deus.
Reflexão da Palavra
O livro do Deuteronómio, antes de apresentar a lei, apresenta dois discursos sobre a lei. O texto da primeira leitura faz parte do primeiro discurso e compreende cinco versículo, não seguidos. O texto está encerrado entre o “agora” e o “hoje”. Moisés dirige-se ao povo e diz “agora escuta” e termina dizendo “esta lei que hoje vos prescrevo”. É o hoje eterno de Deus que atravessa a história dos homens, “o domingo que não tem ocaso”, que é como mil anos e “mil anos diante de ti, são como o dia de ontem, que passou” (Sl 90,4). E o tempo dos homens que para todos é “agora”, é o momento presente, a oportunidade de decisão que se apresenta diante de cada um “para que vivais e entreis na posse da terra que vos dá o Senhor”.
A proposta é a de escutar e pôr em prática “os mandamentos do Senhor vosso Deus, tal como eu vo-los prescrevo”, sem acrescentar nem suprimir nada, porque a lei manifesta o próprio ser de Deus, um Deus próximo que “está perto de nós” e faz daqueles que cumprem a sua lei um povo sábio e prudente, porque se trata de “mandamentos e decretos justos”.
Com estes mandamentos Deus quer a liberdade do povo e não a atitude do escravo que só faz o que lhe é imposto. O Senhor quer homens inteligentes, livres, sábios, prudentes e justos. Homens que encontram na lei um caminho segundo o coração de Deus que é inteligente, livre, sábio, prudente e justo. Mesmo que seja difícil permanecer fiel à lei, todo o esforço vale a pena porque não há outro povo “tão sábio e tão prudente como é esta grande nação” nem outro povo que tenha “a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor” e também não há outro povo que tenha “mandamentos e decretos tão justos”.
Os salmos, como já fomos percebendo, têm como finalidade enriquecer a liturgia e alimentar a confiança dos peregrinos ao longo do caminho. Muitas vezes eram cantados como acontece nas nossas celebrações. O salmo 14 é um salmo litúrgico, composto em três partes: no início levanta uma pergunta, depois dá a resposta e no final tira uma conclusão. A pergunta não aparece no texto litúrgico deste domingo, mas ela é importante para compreendermos o contexto. Estão em causa as condições necessárias àquele que quer entrar na casa do Senhor, no seu templo, para estar de consciência tranquila e em paz com Deus. O peregrino ou o crente que em cada sábado sobe ao templo para rezar, questiona-se “quem poderá, Senhor, habitar no teu santuário?”, que é como quem pergunta “sou eu digno de entrar neste lugar sagrado?”.
A pergunta tem sentido na medida em que se trata da casa do Senhor e eu sou hóspede na sua casa e não me posso apresentar de qualquer maneira. Recordemos a parábola do grande banquete que nos narra Mateus no evangelho. O rei ao entrar “viu um homem que não trazia o traje nupcial- E disse-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem traje nupcial?” (Mt 22, 11-12).
Que condições são necessárias para entrar e habitar na casa do Senhor? O salmista responde com uma série de requisitos do coração, “uma vida sem mancha”, “pratica a justiça”, “diz a verdade que tem no coração”, “não levanta calúnias”, “não faz mal ao próximo”, “não prejudica ninguém”, “despreza o que é desprezível”, “estima o que teme o Senhor”, “não falta ao juramento”, “não empresta dinheiro com usura” e “não se deixa subornar”. A conclusão é simples: “Quem assim proceder jamais será abalado”.
Iniciamos neste domingo a leitura da carta de Tiago que se prolongará por mais três domingos. Tiago, o autor da carta, como ele próprio se apresenta “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo”, segundo os especialistas não se trata de nenhum dos dois apóstolos de Jesus, nem de Tiago conhecido como o irmão do Senhor, será, portanto, um outro Tiago, cristão de origem judaica, que escreve para “as doze tribos da dispersão”, cristãos dispersos por causa das perseguições.
Tiago começa por recordar que tudo o que é perfeito desce do céu e vem de Deus, “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito”. O dom mais excelente que Deus nos concedeu foi o seu próprio filho “a palavra da verdade” na qual fomos gerados. Ainda ressoam nos nossos ouvidos as palavras de Jesus no capítulo 6 de João que escutámos nos últimos domingos: “eu sou o pão vivo que desceu do céu”, como aliás Jesus diz várias vezes no evangelho de João “desci do céu não para fazer a minha vontade”, “vós sois cá de baixo; eu sou lá de cima”. Este descer é dádiva do “Pai das luzes” para “sermos como primícias das suas criaturas”.
A palavra “em vós plantada”, que é o próprio Jesus, evangelho do Pai, tem o poder de salvar aqueles que a acolhem docilmente. Por isso Tiago chama a atenção dos destinatários da sua carta para que não se enganem a si mesmo ouvindo a palavra sem a pôr em prática, “sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes”. E pôr em prática a palavra é “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo”.
Depois de termos ouvido Moisés a dizer ao povo “não acrescentareis nada ao que vos ordeno, nem suprimireis coisa alguma”, deparamo-nos no evangelho com os fariseus e os escribas preocupados com “a tradição dos antigos” e com “muitos outros costumes a que se prenderam por tradição”. São exigências que não estão na lei, mas lhe são acrescentadas com o intuito de a pôr em prática escrupulosamente. A crítica de Jesus é acutilante. Depois de lhes chamar “hipócritas” ainda diz “vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens”. Parece que a posição destes grupos é irreconciliável com a posição de Jesus, daí a dificuldade de alguns deles se tornarem seus discípulos. Se pensarmos que as comunidades cristãs eram compostas por judeus de várias proveniências, imaginamos as lutas internas entre os que pretendiam o cumprimento escrupuloso da lei judaica e os que, judeus ou não, queriam seguir um caminho novo iniciado por Jesus.
Tudo começa porque “alguns dos discípulos” comiam pão, sem antes terem cumprido o ritual da lavagem das mãos para se purificarem do contacto com pagãos, estrangeiros e outros considerados impuros, com quem se cruzaram na praça pública.
Jesus desmascara, assim, a distinção feita pelos fariseus entre pureza e impureza, aplicada a pessoas e coisas, distinção que eles fazem tendo em conta as práticas exteriores. Jesus insiste no fundamento da verdadeira pureza que é a intenção do coração. Cada homem pode viver a partir do exterior, do que é visível aos olhos de todos, ou do interior, do coração, que só Deus vê na profundidade. Deus prefere o coração que vive a partir da sua palavra e de onde brota a verdade, a justiça e o bem, como vimos nas duas leituras e no salmo.
A pureza e impureza decretada pelos fariseus e transmitida por tradição, tinha como objetivo salvaguardar os ditos “puros” da impureza dos leprosos, dos pecadores, dos pagãos e dos estrangeiros, grupos de pessoas marginalizadas em Israel, para evitar o contágio e as influências de outras culturas e costumes.
Jesus decreta que as coisas (objetos, pessoas, alimentos) são puras ou impuras a partir de dentro do homem, do seu coração, da sede dos seus julgamentos. As coisas não são boas porque cumprem os requisitos da tradição nem porque se apresentam como novidade, são boas ou más a partir do coração humano.
Ao contrário do homem, Deus não tem medo da impureza porque tudo foi criado por ele. Ele é um Deus próximo do homem, ele próprio se faz homem em Jesus. O problema da impureza não está no que entra no homem porque vai para o estomago, mas no que sai, porque sai do coração e das más intenções aí enraizadas.
Meditação da Palavra
O homem desde sempre colocou diante de si questões fundamentais que correspondem a uma inquietação interior, muito profunda, sobre o seu relacionamento com Deus. Quem é Deus? quem é o homem? Onde está Deus e o que pretende do homem? Quem é o homem diante de Deus e como lhe pode agradar? Por detrás da palavra que nos vem através das leituras bíblicas deste XXII domingo do tempo comum, estão algumas destas questões e tentativas de resposta.
O salmista, assumindo a condição de peregrino que sobe a Jerusalém e de crente que sente o impulso interior para entrar no templo do Senhor, questiona-se diante de Deus “quem poderá, Senhor, habitar no teu santuário? Quem poderá residir na tua montanha santa?”. Trata-se de uma pergunta sobre a dignidade necessária ao homem para se aproximar de Deus, para aceitar o seu convite a entrar na sua morada e sentar-se à sua mesa. Serei eu digno de entrar na tua casa, Senhor? O meu coração reúne as condições necessárias para ser digno de tão admirável anfitrião? Desta dignidade fala Jesus na parábola do grande banquete, quando o rei, ao entrar, se depara com um homem sem a veste própria para participar em tão solene banquete. Exige-se, como entendemos, uma veste interior e não exterior, uma dignidade que só Deus consegue ver e não permite que outros se considerem em posição de julgar pelo que exteriormente analisam.
A lei do Senhor, os seus mandamentos e preceitos, de que fala a primeira leitura, “as leis e os preceitos que vos dou a conhecer” são normas orientadoras para os homens se irem tornando cada dia mais dignos de se apresentarem diante de Deus, sentirem que pertencem a alguém que está próximo e não distante, em cuja casa é possível habitar. Ninguém, em verdade, é digno, mas o convite de Deus é feito a todos. Ele quer que todos se tornem dignos mediante a adesão de coração à sua lei, sábia, prudente e justa, capaz de orientar a relação com Deus e com os outros na perspetiva do amor.
Por isso, não é uma palavra para escutar, apenas, mas para pôr em prática. Porque a verdadeira relação com Deus passa pelo amor aos irmãos. Não se trata de práticas rituais, supersticiosas ou de purificação exterior, como acontece no evangelho com os fariseus e os doutores da lei, mas a prática do amor ao outro, ajudando-o a superar as suas dificuldades, integrando-o na vida social e fazendo-o participar em todas as decisões de pleno direito.
Esta é a verdadeira religião, relação integradora de Deus e do homem no concreto da vida, pessoal, social e religiosa. Por isso Tiago alerta os cristãos para serem “cumpridores da palavra e não apenas ouvintes” porque a “verdadeira religião consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e conservar-se limpo do contágio do mundo”. Caso contrário a religião não serve de nada, torna-se mandamento morto, incapaz de salvar, que em vez de dignificar retira toda a dignidade à palavra e à ação realizada. Tiago insiste “acolhei docilmente a palavra em vós plantada, que pode salvar as vossas almas”.
Disto se esquecem os fariseus e doutores da lei que, ao verem “alguns discípulos de Jesus” a comerem sem terem lavado as mãos, fazem soar a trombeta do escândaloe aproveitam a ocasião para repreenderem Jesus, “porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos”. Querem eles dizer que, agindo desta forma, não são dignos de entrar no templo do Senhor, não são dignos hóspedes do altíssimo, julgando-se eles os garantes da fidelidade diante dos homens.
Jesus não perde a oportunidade para nos recordar, como também recorda Tiago, que todas as coisas são boas porque vieram de Deus “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descem do Pai das luzes, no qual não há variação nem sombra de mudança”. Ora, Jesus é também aquele que desceu do céu. Ele é o maior dom de Deus aos homens. Sendo de condição divina não viu qualquer obstáculo em fazer-se igual a nós assumindo a natureza humana. Portanto, os humanos não são impuros nem por causa da raça, nem da língua, nem da cultura ou da religião. E as coisas criadas não são impuras nem podem tornar impuro o homem, porque foram criadas por Deus que “viu que era tudo muito bom” (Gn 1). Por isso, “Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro”.
De onde vem a impureza? Do coração do homem que é capaz de desprezar os outros, “do interior do homem é que saem as más intenções”. A impureza do homem começa no seu coração “todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro”. A única forma de vencer a raiz do mal é aprender a ver como Deus vê, através do exemplo vivo e concreto que temos diante de nós que é o próprio Jesus, que não despreza ninguém.
Rezar a Palavra
Senhor, ensina-me a ver com o coração o mistério de todas as coisas, de todas as pessoas, nas mais diversas circunstâncias. Que eu saiba ver devagar para ver como tu vês. Que a tua lei afine os meus olhos para discernir a bondade que se encontra em todas as coisas. Que eu saiba escutar a tua voz e perceba a tua presença no coração de cada homem. Ensina-me a ver com o coração para poder entrar no teu santuário, purificado de todos os maus juízos, de todas as más intenções, de todas as más inclinações. Ensina-me a ver como tu vês.
Compromisso semanal
Vigio sobre o meu coração para que não se instale nele a raiz da hipocrisia.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. E que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários – ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/08/santos-do-dia-da-igreja-catolica-1o-de-setembro/>
Santos do Dia da Igreja Católica – 1º de Setembro
Postado em: por: marsalima
Santo Egídio
São poucos os dados que existem sobre a vida de Egídio. Mas com certeza sabemos que ele era grego e pertencia a uma rica família da nobreza de Atenas. Depois da morte de seus pais, decidiu ser um ermitão, para viver na pobreza e totalmente dedicado a Deus. Para isso distribuiu todos os bens que herdou entre os pobres e doentes e viveu isolado na oração e penitência, sendo agraciado pelo Espírito Santo com os dons especiais da cura, da sabedoria e dos milagres.
Um dos primeiros milagres a ele atribuídos diz que, certo dia, encontrou na porta de uma igreja um mendigo muito doente e esfarrapado. Penalizado com a situação do pobre, Egídio cobriu-o com seu velho manto e, naquele instante, um prodígio aconteceu: o homem, que até então agonizava, levantou-se completamente curado. Depois essas curas se repetiram e foram se multiplicando de tal forma que ele ganhou fama de santidade. Mas os devotos passaram a procurá-lo com freqüência, então Egídio decidiu partir.
Em 683, viajou para a França. Conta a tradição que ele salvou o navio repleto de passageiros, no qual viajava também. Uma enorme tempestade teria desabado sobre a embarcação. Todos já tinham perdido as esperanças quando Egídio, em prece, ergueu as mãos aos céus. As ondas ameaçadoras acalmaram-se na mesma hora e todos desembarcaram com segurança.
Na França, viveu numa caverna de uma floresta próxima de Nimes, cuja entrada era escondida por um arbusto espinhoso. Na mais completa pobreza, alimentava-se apenas de ervas, de raízes e do leite de uma corsa, que, segundo a tradição, foi-lhe enviada por Deus.
Certa vez, o rei Vamba, dos visigodos, foi caçar nas proximidades da caverna de Egídio e, em vez de flechar uma corsa que se escondera atrás de um arbusto, flechou a mão do pobre ermitão, que tentava proteger o animal acuado. Foi descoberta, assim, a residência do eremita. O rei, para desculpar-se, passou a visitá-lo com seus médicos até sua cura completa.
Depois disso, o rei continuou a visitá-lo com freqüência, presenciando vários prodígios que divulgava na Corte. Assim, a fama de santidade de Egídio ganhou vulto e ele passou a ter vários discípulos. O rei, então, mandou construir um mosteiro e uma igreja, que doou para ele, que foi eleito abade. O mosteiro passou a ter uma disciplina própria escrita por Egídio. Mais tarde, ao seu redor surgiu o povoado que deu origem à cidade de Santo Egídio e o mosteiro foi entregue aos beneditinos.
A morte de Egídio ocorreu, provavelmente, no dia 1º de setembro de 720. Logo após, os devotos fizeram da sua sepultura um ponto obrigatório de peregrinação. O seu culto tornou-se vigoroso e estendeu-se por todo o mundo cristão. Santo Egídio teve sua festa confirmada pela Igreja, que o colocou na lista dos quatorze “santos auxiliadores” do povo, sendo invocado contra a convulsão da febre, contra o medo e contra a loucura.
Santa Beatriz da Silva Menezes
Beatriz nasceu em 1424, em Ceuta, uma cidade que pertencia ao reino de Portugal, situada no norte da África, Marrocos. Sua família era da nobreza portuguesa: seu pai, Rui Gomes da Silva, era um ilustre comandante do exercito; sua mãe chamava-se Isabel de Menezes e freqüentava várias cortes. Ainda na infância, voltou com a família para Portugal. Ao completar vinte anos de idade, Beatriz foi para a corte da Espanha, pois sua tia Isabel, infanta de Portugal, que se casara com o rei de Castela, convidou a sobrinha para ser sua primeira dama de honra. Muito virtuosa e piedosa, achava que a vida do palácio não era muito compatível com seu jeito de ser e pensar, mas aceitou a nova função. E foi aí que sua provação se iniciou.
Beatriz era uma jovem muito bela fisicamente, além de ser amável, culta, inteligente e educada nas virtudes cristãs. Logo que chegou, despertou a admiração de todos, o que provocou o ciúme e a inveja da rainha, sua tia, que passou a maltratá-la e até a castigá-la sem razão alguma. Beatriz a tudo suportou sem falar nada para ninguém. Certa ocasião, a soberana tentou asfixiá-la, mantendo-a presa durante três dias numa arca sem ventilação, água e comida. Mas obrigada pelas circunstâncias, teve de soltar a sobrinha. Naquele período, Beatriz recebeu a graça de uma aparição de Nossa Senhora e a incumbência de fundar uma Ordem religiosa dedicada à Imaculada Conceição.
Imediatamente, deixou a corte e ingressou no Mosteiro de São Domingos, em Toledo, onde as religiosas viviam sob a Regra cisterciense. Uma vez aceita, cobriu seu rosto com um véu branco por toda a vida. Acalentou durante muito tempo o anseio para fundar a nova Ordem religiosa. Depois de trinta anos, conseguiu realizar a missão que a Virgem Maria lhe confiara, com a ajuda da nova rainha da Espanha.
Em 1479, com a união dos reinos de Aragão e Castela, a rainha Isabel, a Católica, filha da soberana que atentara contra sua vida, portanto prima de Beatriz, foi visitá-la. Ao saber dos seus planos de uma nova congregação, doou a ela o palácio de Galiana, em Toledo, e a anexa igreja de Santa Fé. Beatriz transferiu-se para a nova residência em 1484, junto com doze companheiras, dando início ao primeiro mosteiro da Ordem das Clarissas da Imaculada Conceição, conhecidas como as monjas concepcionistas. Em seguida enviou o regulamento que escrevera, fundamentado nas Regras das clarissas, para ser aprovado pelo papa Inocêncio VIII, que o confirmou em 1489.
Porém, dez dias antes da cerimônia em que todas professariam a nova Ordem, Beatriz teve uma nova aparição da Virgem Maria, que lhe comunicou que ela morreria na data da festa. Por isso professou os votos na véspera desse primeiro grupo e morreu feliz, no dia 1º de setembro de 1490. A fundadora sabia que tinha deixado na terra uma semente, recebida das mãos da Virgem Maria, e que germinaria pelos séculos afora, no mundo todo.
Ela foi considerada precursora do culto e da teologia do dogma da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, que seria proclamado cerca de quatro séculos depois pelo papa Pio IX. A fundadora foi beatificada somente em 1926 e canonizada cinqüenta anos depois pelo papa Paulo VI, mas santa Beatriz da Silva já era venerada havia muitos séculos, espontaneamente, em todo o mundo cristão.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 1 de Setembro de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 5, 1-2.5
Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
V. Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
R. E para sempre proclamarei a sua fidelidade.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 26
O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.
V. A Vós, Senhor, se eleva a minha súplica:
R. Dai-me inteligência segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 21-22
Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus. Foi Ele que nos concedeu a unção, nos marcou com um sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.
V. O Senhor é minha luz e salvação,
R. O Senhor é o protector da minha vida.
Oração
Deus do universo, de quem procede todo o dom perfeito, infundi em nossos corações o amor do vosso nome e, estreitando a nossa união convosco, dai vida ao que em nós é bom e protegei com solicitude esta vida nova. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Tes 2, 13-14
Devemos continuamente dar graças a Deus por vós, irmãos amados por Deus, porque Deus vos escolheu como primícias para serdes salvos pelo Espírito que santifica e pela fé na verdade. Foi para isso que Ele vos chamou por meio do Evangelho, para possuirdes a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria.
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


