“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 21 DE SETEMBRO DE 2024
21 de setembro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 23 DE SETEMBRO DE 2024
23 de setembro de 2024DOMINGO – XXV SEMANA DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu prossiga com diligência na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”), bem como a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Da Profecia de Ezequiel 24, 15-27
A vida do profeta é um sinal para o povo
O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Filho do homem, vou tirar-te repentinamente aquela que é a alegria dos teus olhos. Não deverás lamentar-te, nem chorar, nem derramar lágrimas; suspira em silêncio, mas não pratiques o luto habitual pelos mortos. Mantém a cabeça coberta, calça as sandálias, não cubras a barba, nem comas o pão trazido pelos outros».
De manhã falei ao povo, à tarde minha mulher morreu. Na manhã seguinte fiz o que me tinha sido ordenado. Então o povo perguntou-me: «Não nos explicas o que significa para nós o que estás a fazer?». Eu respondi-lhes: «O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: ‘Diz à casa de Israel: Assim fala o Senhor Deus: Vou profanar o meu santuário, orgulho do vosso poder, alegria dos vossos olhos e paixão das vossas almas. Os filhos e filhas que deixastes em Jerusalém cairão ao fio da espada. Então fareis como eu fiz. Não cobrireis a barba, não comereis o pão trazido pelos outros, ficareis com a cabeça coberta, com sandálias nos pés, e não lamentareis nem chorareis. Ireis morrendo por causa das vossas iniquidades e gemereis uns com os outros. Ezequiel será para vós um símbolo: fareis como ele fez. Quando isto acontecer, reconhecereis que Eu sou o Senhor Deus.
Escuta, filho do homem: virá o dia em que Eu os privarei da sua fortaleza, da sua glória arrogante, da alegria dos seus olhos, da paixão das suas almas, de seus filhos e filhas. Nesse dia um fugitivo virá à tua presença para te dar a notícia. Nesse dia abrir-se-á a tua boca para falar ao fugitivo; falarás e não voltarás a ficar mudo. Serás para eles um símbolo e reconhecerão que Eu sou o Senhor».
RESPONSÓRIO Ez 24, 24; Joel 2, 13a
R. Ezequiel será para vós um sinal: procedereis em tudo como ele proceder, * E reconhecereis que Eu sou o Senhor Deus.
V. Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes, voltai para o Senhor vosso Deus. * E reconhecereis que Eu sou o Senhor Deus.
SEGUNDA LEITURA
Do Sermão de Santo Agostinho, bispo, sobre os Pastores
(Sermo 46, 13: CCL 41, 539-540) (Sec. V)
Os cristãos doentes
Não fortaleceis as ovelhas débeis, nem tratais as doentes. Isto diz o Senhor aos maus pastores, aos falsos pastores, aos pastores que procuram os seus interesses e não os de Jesus Cristo, que recebem o leite e a lã das ovelhas, mas não têm cuidado do rebanho, nem fortalecem as ovelhas débeis.
Entre o doente e o débil ou enfermo, isto é, não firme – embora também se chamem enfermos ou débeis os doentes – pode notar-se uma diferença. É certo que estas ideias que nos esforçamos por distinguir, poderíamos explicá-las certamente com maior diligência e, sem dúvida, melhor o faria qualquer outro que tivesse alcançado uma luz espiritual mais abundante. Mas para que não vos sintais defraudados, vou dizer-vos o que penso quanto ao sentido que sugerem estas palavras da Escritura.
Débil é aquele de quem se teme que sucumba na tentação; doente é aquele que padece alguma paixão que o impede de seguir o caminho de Deus e aceitar o jugo de Cristo.
Pensai nesses homens que querem viver bem, que se decidiram já a viver dignamente, mas ainda não estão tão dispostos a sofrer o mal como a praticar o bem. Ora a fortaleza cristã deve levar-nos não só a praticar o bem, mas também a suportar o mal. Portanto, aqueles que desejam sinceramente praticar boas obras, mas não querem ou não podem suportar os sofrimentos, são realmente débeis. E aqueles que se entregam à vida mundana, cativos das más paixões, e não praticam boas obras, esses estão doentes e inválidos e são incapazes de realizar qualquer boa acção precisamente por causa da sua doença.
Assim estava a alma daquele paralítico que não pôde ser levado até junto do Senhor; e aqueles que o transportavam abriram o tecto e por ali o introduziram na casa onde o Senhor Se encontrava. Para conseguires o mesmo nas almas dos homens, também tu deves abrir o tecto e colocar na presença do Senhor a alma paralítica, isto é, imobilizada nos seus membros inválidos, vazia de boas obras, mas cheia de pecados e enfraquecida pela doença das suas paixões. Portanto, se todos os membros estão imobilizados e há realmente uma paralisia interior, para ires ter com o médico – talvez o médico esteja dentro de ti e não dás pela sua presença: seria este um sentido oculto nas Escrituras – se queres descobrir-lhe o que está oculto, abre o tecto e coloca diante d’Ele o paralítico.
Aos que não fazem nada disto nem se preocupam com fazê-lo, ouvistes a advertência que eles ouvem: Não fortaleceis as ovelhas débeis, não curais as que estão feridas. Como já dissemos, a ovelha é ferida pelo terror das tentações; e o pastor pode dar-lhe a medicina que cura essas feridas, recordando-lhe aquelas palavras de conforto: Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças; mas no tempo da tentação dar-vos-á forças para a vencer.
RESPONSÓRIO 1 Cor 9, 22-23
R. Com os fracos tornei-me fraco, para salvar os fracos. * Fiz-me tudo para todos, para salvar a todos.
V. Tudo faço por causa do Evangelho, para dele receber a minha parte. * Fiz-me tudo para todos, para salvar a todos.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Ap 7, 10b.12
Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4495-liturgia-de-22-de-setembro-de-2024>]
DOMINGO – XXV SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – I semana do saltério)
Antífona
– A salvação do povo sou eu, diz o Senhor:de qualquer tribulação em que clamarem por mim, eu os ouvirei e serei seu Deus para sempre.
Coleta
– Ó Deus, que resumistes toda sagrada lei no amor a vós e ao próximo, concedei-nos que, observando os vossos mandamentos, mereçamos chegar à vida eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos
1ª Leitura: Sb 2,12.17-20
Salmo Responsorial: Sl 54,3-4.5.6.8 (R: 6b)
– É o Senhor quem sustenta minha vida.
R: É o Senhor quem sustenta minha vida.
– Por vosso nome, salvai-me, Senhor; e dai-me a vossa justiça! Ó meu Deus, atendei minha prece e escutai as palavras que eu digo!
R: É o Senhor quem sustenta minha vida.
– Pois contra mim orgulhosos se insurgem, e violentos perseguem-me a vida; não há lugar para Deus aos seus olhos. Quem me protege e me ampara é meu Deus; é o Senhor quem sustenta minha vida!
R: É o Senhor quem sustenta minha vida.
– Quero ofertar-vos o meu sacrifício, de coração e com muita alegria; quero louvar, ó Senhor, vosso nome, quero cantar vosso nome que é bom!
R: É o Senhor quem sustenta minha vida.
2ª Leitura: Tg 3,16-4,3
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Pelo Evangelho o Pai nos chamou, a fim de alcançarmos a glória de nosso Senhor Jesus Cristo (2Ts 2,14).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 9,30-37
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/xxiv-domingo-do-tempo-comum/>]
LEITURA I Sab 2, 12.17-20
Disseram os ímpios: «Armemos ciladas ao justo, porque nos incomoda e se opõe às nossas obras; censura-nos as transgressões à lei e repreende-nos as faltas de educação. Vejamos se as suas palavras são verdadeiras, observemos como é a sua morte. Porque, se o justo é filho de Deus, Deus o protegerá e o livrará das mãos dos seus adversários. Provemo-lo com ultrajes e torturas, para conhecermos a sua mansidão e apreciarmos a sua paciência. Condenemo-lo à morte infame, porque, segundo diz, Alguém virá socorrê-lo.
Dominados pela influência pagã, muitos judeus já não têm fé e perderam todas as referências morais aos mandamentos. Vivendo assim, não suportam os justos, aqueles que se mantêm fiéis ao Senhor e procuram em cumprir a sua lei. Movem, então, uma perseguição para pôr à prova a paciência e a fidelidade do justo.
Salmo 53 (54), 3-4.5.6.8 (R. 6b)
Vendo-se perseguido por todos os lados e sentindo a sua vida em perigo, o salmista, cheio de confiança, suplica a Deus que o salve, “salvai-me pelo vosso nome”, que lhe faça justiça, “fazei-me justiça”, pois está inocente e não merece que lhe queiram dar a morte.
LEITURA II Tg 3, 16 – 4, 3
Caríssimos: Onde há inveja e rivalidade, também há desordem e toda a espécie de más ações. Mas a sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, compreensiva e generosa, cheia de misericórdia e de boas obras, imparcial e sem hipocrisia. O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz. De onde vêm as guerras? De onde procedem os conflitos entre vós? Não é precisamente das paixões que lutam nos vossos membros? Cobiçais e nada conseguis: então assassinais. Sois invejosos e não podeis obter nada: então entrais em conflitos e guerras. Nada tendes, porque nada pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, pois o que pedis é para satisfazer as vossas paixões.
Tiago alerta a comunidade para os males que dominam o interior do homem e perturbam as relações com os irmãos e com Deus. Aquele que se deixa dominar pela inveja e pela rivalidade acaba a provocar conflitos, guerras e morte e não adianta rezar, nestas circunstâncias, porque a sua oração está contaminada. Só a sabedoria de Deus pode dominar as paixões e semear a paz, porque é pura, pacífica, compreensiva e generosa.
EVANGELHO Mc 9, 30-37
Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia. Jesus não queria que ninguém o soubesse, porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?». Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».
Enquanto Jesus se dedica a ensinar aos discípulos que precisam de estar preparados para a sua paixão, que vai acontecer em Jerusalém, eles entretêm-se a falar uns com os outros sobre qual deles é o maior. Em resposta a esta atitude, Jesus recorda-lhes que os seus discípulos não são os que querem ser importantes, mas os que fazem tudo gratuitamente, por amor.
Reflexão da Palavra
Tirado do livro da Sabedoria, o texto da primeira leitura coloca em confronto os que se afastaram da fé e dos mandamentos e os que permanecem fiéis ao Senhor e procuram cumprir a lei.
A fidelidade do justo incomoda a hipocrisia dos ímpios. Por isso, estes, não admitindo que outros vivam o que eles rejeitam por se terem afastado da fé e da lei, movem uma perseguição aos justos, “provemo-lo com ultrajes e torturas… condenemo-lo à morte infame”, para verificarem “se as suas palavras são verdadeiras”, “conhecermos a sua mansidão e apreciarmos a sua paciência”, confirmarem “se o justo é filho de Deus”, e testarem se “Deus o protegerá e o livrará das mãos dos seus adversários”.
Estão aqui patentes as tentações que encontramos na vida de Jesus. No deserto, o demónio tentou Jesus, dizendo “Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo, pois está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, a fim de que eles te guardem; e também: Hão de levar-te nas suas mãos, com receio de que firas o teu pé nalguma pedra” (Lc 4,9-11) e na cruz provocaram-no dizendo “Se és Filho de Deus, desce da cruz”.
O salmo 53 é uma suplica do justo no meio da perseguição que os ímpios lhe moveram. O salmo está construído em três partes. Primeiro pede auxílio “salvai-me”, “fazei-me justiça”, ouvi a minha oração, atendei às palavras da minha boca” e, expõe a razão do seu pedido de auxílio, “levantaram-se contra mim os arrogantes e os violentos atentaram contra a minha vida”. Na segunda parte manifesta a sua confiança no Senhor, “Deus vem em meu auxílio, o Senhor sustenta a minha vida” ao contrário dos que o perseguem que “não têm a Deus na sua presença”. Finalmente, o salmista, propõe-se fazer uma ação de graças, “de bom grado oferecerei sacrifícios, cantarei a glória do vosso nome, Senhor”.
Tiago alerta para a diferença entre a sabedoria que vem do alto e a sabedoria terrena. São duas perspetivas distintas com origens também distintas. A sabedoria do alto tem a sua origem em Deus e a sabedoria terra tem a origem diabólica.
A sabedoria terrena produz a inveja, a rivalidade, a desordem e toda a espécie de más ações, enquanto que a sabedoria do alto produz a paz, porque é pura, compreensiva e generosa. Tiago acrescenta ainda que os males deste mundo provêm do instinto, das paixões desordenadas, que contaminam as relações entre os homens e a relação com Deus. Por isso nascem as guerras e as orações não são escutadas.
Com Marcos estamos no caminho para Jerusalém. No domingo passado, Jesus deu início a este caminho e fez o primeiro anúncio da paixão. Hoje, depois de ter passado pela transfiguração no monte Tabor, Jesus fala pela segunda vez da sua morte que vai acontecer em Jerusalém.
Jesus continua o caminho da Galileia para Jerusalém e o evangelista especifica que ele não quer ser incomodado “porque ensinava os discípulos”. Já no domingo passado Marcos dizia “começou, depois, a ensinar-lhes” (8,31). Isto significa que o caminho para Jerusalém é um tempo de escola, na qual Jesus é o mestre e os discípulos são os alunos.
O conteúdo do ensino é muito claro, mas estranho, “O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará”, o mesmo conteúdo do primeiro anúncio da paixão.
Jesus é o “Filho do homem” e, ao ensinar os discípulos o conteúdo da sua missão, está já a viver o mistério da sua entrega, porque a paixão não é um acontecimento futuro, é algo sempre presente na sua vida.
A determinação de Jesus contrasta com o medo dos discípulos. O mestre ensina com autoridade e os discípulos experimentam o medo, ao ponto de nem fazerem perguntas. As palavras de Jesus não concordam com os objetivos dos discípulos. A subida a Jerusalém não tem por objetivo a concretização das suas expetativas, mas uma realidade totalmente inesperada para a qual não estão preparados. De facto, a diferença de projetos fica patente quando, já em casa, em Cafarnaum, Jesus questiona os discípulos sobre o que vinham a discutir no caminho. Também a esta pergunta respondem com silêncio.
A discussão dos discípulos incide sobre aquelas “coisas dos homens” que Jesus censurou em Pedro. Eles discutiam sobre “qual deles era o maior”. Jesus, no caminho, fala das coisas de Deus e eles falam das coisas dos homens. Então, de novo, Jesus, tomando a posição de mestre, chamou os discípulos para os ensinar sobre quem está no centro das suas prioridades. Aquele que quer ser o primeiro tem de se identificar com Jesus e escolher as suas prioridades. Ora, Jesus identifica-se com os últimos, os servos, as crianças, pois ele veio “para servir e dar a vida”. Por isso, quem acolher o último e se identificar com ele, acolhe o próprio Jesus e torna-se, como Jesus, servo.
Meditação da Palavra
Jesus é o verdadeiro Justo, de que fala a primeira leitura, “o Filho do Homem que vai ser entregue às mãos dos homens” como ensina o evangelho e a explicação para a sua morte é dada por Tiago, na segunda leitura, quando afirma que as guerras e os conflitos vêm das “paixões que lutam nos vossos membros”. Jesus não vem instaurar o reino mediante a espada ou a violência como fazem alguns revolucionários. O seu projeto nasce da sabedoria de Deus que “é pura, pacífica, compreensiva e generosa”.
O quadro da paixão de Jesus é anunciado por três vezes no evangelho de Marcos. A primeira, que tivemos oportunidade de refletir no domingo passado, apanha os discípulos desprevenidos ao ponto de Pedro se interpor diante de Jesus querendo demovê-lo da decisão de subir a Jerusalém e arriscar a morte. A segunda, escutamos hoje.
A importância de preparar os discípulos para o que vão encontrar em Jerusalém é tão grande, que Jesus quer ir sozinho com os discípulos, “caminhavam através da Galileia… não queria que ninguém o soubesse”. No entanto, Jesus encontra um obstáculo que é o mundo interior, o mundo que vai dentro dos apóstolos. Enquanto ele fala da sua paixão, “o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, que vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará”, que é o projeto de Deus para a salvação dos homens, eles vão a discutir sobre questões dos homens, “tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior”.
É o permanente confronto entre Deus e o mundo, entre o projeto de Jesus e o projeto dos discípulos, entre o justo e o ímpio, entre o verdadeiro Messias e o messias esperado pelo povo. De facto, os critérios de Deus estão distantes dos critérios dos homens, como Jesus disse a Pedro “não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens” Mc 8,33), ou como se lê em Isaías 55,9 “tanto quanto os céus estão acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos, e os meus planos estão acima dos vossos planos”.
Aquele que não se deixa instruir por Deus, pela sua sabedoria, acaba convencido pelos seus próprios critérios ou pelos critérios do mundo. É essa a situação retratada no livro da Sabedoria. Num tempo em que a influência pagã atingiu o mundo judaico, os jovens deixaram-se vencer pela ideia generalizada de que não há Deus, e se há, não vê, e se vê, não se interessa ou, é tão bom que perdoa tudo. Afastados de Deus e da lei terminam configurados como ímpios, a quem a postura dos justos, dos tementes a Deus, dos que permanecem fiéis, incomoda, até ao ponto de se alegrarem com a sua morte.
Percebemos aqui o anúncio da morte de Jesus e das razões da sua condenação, que são também as razões para a perseguição de todos os que, pela sua conduta, censuram os que vivem só para si fechados na “inveja e rivalidade”, na “desordem e toda a espécie de más ações”.
Estes, opõem-se aos justos, os que vivem segundo “a sabedoria que vem do alto” que “é pura, pacífica, compreensiva e generosa, cheia de misericórdia e de boas obras, imparcial e sem hipocrisia”. São assim, os que se fazem como crianças, os que ocupam o último lugar, “quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos”, porque é com esses que Jesus se identifica e a esses acolhe abraçando, “tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a” e disse-lhes “quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe”.
Ao falar da sua paixão no caminho para Jerusalém e mostrando-se disposto a enfrentar a impiedade dos homens, Jesus pretende mostrar a diferença entre os justos e ímpios, entre os que se reconhecem como filhos de Deus e confiam nele, mesmo no meio da perseguição, e os ímpios que “não têm a Deus na sua presença”, entre os que vivem das “paixões que lutam nos seus membros” e os que “praticam a paz”.
O terreno dos ímpios é escorregadio porque, ao quererem pôr o justo à prova “com ultrajes e torturas, para conhecermos a sua mansidão e apreciarmos a sua paciência” e condená-lo “à morte infame, para ver se “Alguém virá socorrê-lo”, estão a contaminar a própria vida. Estão a entrar no caminho denunciado por Tiago em que, “cobiçais e nada conseguis…Sois invejosos e não podeis obter nada… nada tendes, porque nada pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal”.
Este é o caminho dos “arrogantes e violentos” que armam ciladas ao justo, o ultrajam e torturam, assassinam e provocam conflitos e guerras, dos que competem entre si na busca do primeiro lugar. É o caminho dos que procuram dar a morte a Jesus. Os discípulos de Jesus não podem seguir por este caminho.
O caminho de Jesus é o caminho do justo que sabe que Deus o vem salvar. É o caminho do último que não espera nada em troca e sabe que não tem nada a perder porque a morte do justo é cara aos olhos do Senhor.
Os discípulos “não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar”, porque para entender é necessário abandonar os próprios critérios de vida, vencer as paixões que lutam dentro de nós e aceitar os critérios de Deus que se identifica com os perseguidos, humilhados e condenados injustamente. Os discípulos não entendem porque têm medo que seja verdade o que suspeitam nas palavras de Jesus e preferem não escutar. É assim com os ímpios do livro da Sabedoria e com os cristãos a quem se dirige Tiago. Pode acontecer assim com todos os que não se deixam formar pela “sabedoria que vem do alto”, que é compreensão, bondade, misericórdia, paz, generosidade, livre da inveja e da hipocrisia.
Rezar a Palavra
Senhor, Jesus, quero caminhar contigo. Aprender de ti a disponibilidade para a cruz, a generosidade para o amor, o desprendimento para a liberdade. A vitória sobre mim mesmo e sobre as minhas paixões está em seguir contigo em comunhão de corações, em partilha de vida, em compromisso na missão. Senhor, Jesus, que o medo não tome conta de mim e o fracasso não me torne incapaz de continuar contigo até ao fim.
Compromisso semanal
Que os meus passos sejam dados por ti no acolhimento dos mais pequenos.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2023/09/santos-do-dia-da-igreja-catolica-22-de-setembro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 22 de Setembro
Postado em: por: marsalima
São Maurício e companheiros
Diocleciano, assim que foi aclamado imperador, no ano 284, imediatamente nomeou Maximiano Hercúleo governador do Ocidente, com a incumbência de entrar em combate contra os gálios, agora chamados franceses, os quais já haviam dado início à luta armada para vingarem-se da morte de Carino, filho do até então imperador, que fora assassinado pelo sanguinário Diocleciano por ocasião da sua tomada do poder.
No alto Egito, foi recrutado um batalhão de soldados cristãos, conhecidos como “a legião de soldados cristãos da Tebaida”, chefiados pelo comandante Maurício. Apesar do ódio que Maximiano nutria pelos cristãos, a incorporação de tais soldados em seu exército não era nenhum acontecimento especial ou extraordinário, uma vez que o próprio imperador Diocleciano, na época, era simpatizante confesso deles. Até mesmo confiava-lhes cargos administrativos importantíssimos no Império. Nesse período, ele ainda não via ou citava os cristãos como uma ameaça ao Império Romano.
Depois de muitas batalhas, durante um período de descanso de três dias em Octodorum, por ordem do imperador haveria três dias de comemorações e grandes festas religiosas, nas quais os deuses pagãos seriam homenageados pela vitória conseguida sobre o inimigo. É claro que os soldados cristãos da legião tebaica recusaram-se a participar de tal festa.
Então, decidiram levantar acampamento e seguiram para Agaunum, uma aldeia a cinco quilômetros de distância da cidade. Esse ato irritou o governador Maximiano, que ordenou o retorno imediato do batalhão cristão, para que se aliassem ao restante do exército, nas solenidades aos deuses.
Comandados por Maurício e com o apoio, principalmente, de Exupério, Cândido, Vitor, Inocêncio e Vital, todos os soldados da tropa de Tebaida recusaram-se, novamente, a participar dos festejos. A irritação de Maximiano aumentou ainda mais, e a tal ponto, que imediatamente deu ordem a seu exército para marchar contra eles.
Maurício e seus companheiros foram, então, massacrados pelos soldados pagãos. O campo ficou forrado de sangue e cadáveres. Naquele lugar e naquela época, foi erguida uma igreja em honra e culto a esses santos mártires do cristianismo, encontrada somente por volta do ano 1893. A maioria das relíquias dos corpos dos soldados cristãos da legião tebaica, atualmente, são veneradas no Convento de São Mauricio de Agaunum, na região do Valese, atual Suíça. Especialmente no dia 22 de setembro, determinado pelo calendário oficial da Igreja de Roma.
Inácio de Santhiá (Bem-Aventurado)
Lourenço Maurício nasceu no dia 5 de junho de 1686, em Santhiá, província de Vercelli, Itália. Era o quarto de seis filhos, da rica família dos Belvisotti, cristã, bem posicionada e muito conceituada socialmente. Aos sete anos, ficou órfão de pai, mas a sua mãe cuidou para que os filhos recebessem uma excelente instrução por meio de um sacerdote piedoso. Assim, além de uma formação literária invejável, ele cresceu na oração e amadureceu a sua vocação sacerdotal.
Completou os estudos teológicos em Vercelli, no ano de 1710. Depois de seis anos de frutuoso ministério sacerdotal, entrou na Ordem dos Frades Capuchinhos, emitindo os votos religiosos em 1717 e tomando o nome de frei Inácio. Desde então, foi enviado para vários conventos, sempre obediente e honrado por poder servir os irmãos da Ordem com a sua humilde pessoa.
Inácio de Santhiá foi enviado para Turim-Monte, em 1727, para ser: prefeito de sacristia e confessor dos padres seculares e dos fiéis paroquianos, tarefa que desempenhou também nos últimos vinte e quatro anos de vida. Nesse ministério, demonstrou toda sua caridade paterna, sabedoria e ciência, adquiridas nos livros e por meio das orações contemplativas. Dedicava os seus dias inteiramente ao serviço do confessionário. Com isso, a sua fama de bom conselheiro espiritual difundiu-se rapidamente, trazendo para a paróquia uma grande quantidade de religiosos, sacerdotes e fiéis desejosos de uma verdadeira orientação no caminho da santidade. A todos recebia com a maior caridade, porque os pecadores eram os filhos mais doentes e necessitados de acolhida e compreensão. Passou a ser chamado de “padre dos pecadores e dos desesperados”.
Em 1731, o seu bom conceito de guia experiente e sábio levou-o a ocupar os cargos de mestre dos noviços e vigário do Convento de Mondoví, onde também a sua fama de santidade se espalhou entre a população, entusiasmando especialmente os jovens. Durante quatorze anos Inácio ficou na direção do noviciado de Mondoví. Sua única intenção era formar os jovens para a vida, a mortificação, a penitência, e instruía, corrigia e encorajava com atenção e palavras amorosas, fazendo o caminho difícil tornar-se ameno. A sua função de mestre dos noviços só foi interrompida devido a uma grave doença nos olhos, que quase o cegou. Por isso regressou a Turim, no final de 1744, para receber o tratamento adequado.
Foi assim que o frei Inácio retomou o seu apostolado do confessionário, exercido até os seus últimos dias. Morreu com sua fama de santidade no dia 21 de setembro de 1770, em admirável tranqüilidade. A notícia espalhou-se rapidamente e uma multidão de fiéis de todas as classes sociais acorreu para saudar pela última vez o “santinho do Monte”, como era chamado. Os milagres atribuídos à sua intercessão logo surgiram e o seu culto ganhou vigor entre os devotos. Até que, em 1966, o papa Paulo VI declarou bem-aventurado Inácio de Santhiá, para ser venerado no dia seguinte à data de sua morte.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 22 de Setembro de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 15-16
Vós não recebestes um espírito de escravidão, para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
V. Em Vós, Senhor, está a fonte da vida:
R. Na vossa luz veremos a luz.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 22-23
Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não somente ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
V. Bendiz, minha alma, o Senhor:
R. Ele salva da morte a tua vida.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Tim 1, 9
Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça, essa graça que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a
eternidade.
V. O Senhor conduziu-os seguros e sem temor
R. E introduziu-os na sua terra santa.
Oração
Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 3-4
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as tribulações, para podermos também confortar aqueles que sofrem qualquer tribulação, por meio da consolação que nós próprios recebemos de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


