“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 5 DE OUTUBRO DE 2024
5 de outubro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 7 DE OUTUBRO DE 2024
7 de outubro de 2024DOMINGO – XXVII SEMANA DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”), bem como a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo 1, 1-20
Missão de Timóteo. Paulo, pregador do Evangelho
Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Jesus Cristo, nossa esperança, a Timóteo, meu verdadeiro filho na fé: A graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Ao partir para a Macedónia, pedi‑te que ficasses em Éfeso para impedires que certas pessoas ensinassem doutrinas estranhas e prestassem atenção a fábulas e a genealogias intermináveis, que mais favorecem as especulações do que servem o plano de Deus que se baseia na fé. Esta recomendação só pretende estabelecer a caridade, que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera. Por se terem desviado deste caminho, alguns caíram em vãos discursos, pretendendo ser doutores da lei, não sabendo nem o que dizem nem o que tão ostensivamente afirmam.
Bem sabemos que a lei é boa, contanto que dela se use legitimamente, considerando que a lei não foi instituída para os justos, mas para os insubmissos e rebeldes, ímpios e pecadores, sacrílegos e profanadores, parricidas e matricidas, assassinos, infames, sodomitas, mercadores de escravos, mentirosos, perjuros, e para todos os que se opõem à sã doutrina. Este é o ensinamento do Evangelho glorioso de Deus que me foi confiado.
Dou graças Àquele que me deu força, Jesus Cristo, Nosso Senhor, que me julgou digno de confiança e me chamou ao seu serviço, a mim que tinha sido blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia, porque agi por ignorância, quando era ainda descrente. E a graça de Nosso Senhor superabundou em mim, com a fé e a caridade que temos em Cristo Jesus.
É digna de fé esta palavra e merecedora de toda a aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, e eu sou o primeiro deles. Mas alcancei misericórdia, para que, em mim primeiramente, Jesus Cristo manifestasse toda a sua magnanimidade, como exemplo para os que hão‑de acreditar n’Ele, para a vida eterna. Ao Rei dos séculos, Deus imortal, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amen.
Esta é a advertência que te confio, Timóteo, meu filho, conforme as profecias outrora pronunciadas sobre ti, a fim de que, fortificado por elas, combatas o bom combate, dotado de fé e de boa consciência. Por a terem rejeitado, alguns naufragaram na fé, entre eles Himeneu e Alexandre, que entreguei a Satanás para que aprendam a não blasfemar.
RESPONSÓRIO 1 Tim 1, 14.15b; Rom 3, 23
R. A graça de Nosso Senhor superabundou em mim, com a fé e a caridade. * Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores.
V. Todos pecaram e estão privados da glória de Deus. * Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores.
SEGUNDA LEITURA
Da Regra Pastoral de São Gregório Magno, papa
(Lib. 2, 4: PL 77, 30-31) (Sec. VI)
O pastor seja oportuno tanto no silêncio como nas palavras
O pastor deve saber guardar silêncio com discrição e falar com oportunidade, de modo que nem diga o que deve calar nem cale o que deve dizer. Porque assim como a palavra indiscreta leva ao erro, também o silêncio imprudente confirma no erro os que deviam ser ensinados. Muitas vezes os pastores incompetentes, pelo temor de perder a estima dos homens, não se atrevem a dizer livremente a verdade; e deste modo, segundo a palavra da Verdade, não atendem à guarda do rebanho com o zelo de verdadeiros pastores, mas comportam‑se como mercenários: fogem ao vir o lobo, refugiando‑se no silêncio.
Por isso o Senhor os repreende por meio do Profeta: São cães mudos, incapazes de ladrar. E insiste noutro lugar: Não acudistes às brechas nem reconstruístes a muralha em defesa da casa de Israel, para que pudesse resistir no combate no dia do Senhor. Acudir às brechas é opor‑se aos poderes deste mundo, falando com inteira liberdade em defesa da grei. Resistir no combate no dia do Senhor é lutar por amor da justiça contra os ataques da iniquidade.
Dizer de um pastor que teve medo de dizer a verdade, que é senão dizer que voltou as costas ao inimigo com o seu silêncio? Mas se ele vai em defesa do rebanho, é como se levantasse a muralha da casa de Israel contra os seus inimigos. Por isso, também ao povo que recaía na infidelidade disse o Senhor: Os teus profetas anunciaram‑te apenas coisas falsas e insensatas; não te manifestaram a tua iniquidade para te conduzirem à penitência. Na sagrada Escritura dá‑se por vezes o nome de profetas aos doutores que, denunciando a instabilidade das coisas presentes, anunciam as realidades futuras. Aqueles a quem a palavra divina acusa de proclamar coisas falsas são os que temem denunciar a culpa dos pecadores e os lisongeiam com falsas seguranças; não revelam aos culpados uma palavra de repreensão e assim lhes ocultam a sua iniquidade.
Ora a repreensão é a chave com que se abre ou revela aos pecadores a sua culpa: com a repreensão abre‑se‑lhes a consciência para verem a sua iniquidade, que muitas vezes é ignorada pelo próprio que a cometeu. Por isso diz São Paulo que o bispo deve ser capaz de exortar na sã doutrina e de refutar os que falam contra ela. Também o profeta Malaquias declara: Os lábios do sacerdote são os guardas da ciência, da sua boca se espera a instrução, porque é o mensageiro do
Senhor dos Exércitos. E o Senhor adverte ainda por meio do profeta Isaías: Clama sem cessar, levanta como trombeta a tua voz.
Ora aquele que recebe o sacerdócio assume esta missão de arauto, para ir proclamando em alta voz a vinda do rigoroso juiz que se aproxima. Mas se o sacerdote não cumpre o ministério da pregação, que voz se pode esperar desse arauto mudo? Foi por esta razão que o Espírito Santo desceu sobre os primeiros pastores em forma de línguas; assim fez compreender que aqueles sobre quem Ele desce, tornam‑se imediatamente seus mensageiros.
RESPONSÓRIO Salmo 50 (51), 15.16b-17
R. Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos, e os transviados hão‑de voltar para Vós. * A minha língua proclamará a vossa justiça.
V. Abri, Senhor, os meus lábios, e a minha boca anunciará o vosso louvor. * A minha língua proclamará a vossa justiça.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Ez 37, 12b-14
Assim fala o Senhor Deus: Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra, e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço – palavra do Senhor.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4511-liturgia-de-06-de-outubro-de-2024>]
DOMINGO – XXVII SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – II semana do saltério)
Antífona
– Ao vosso poder, Senhor, tudo está sujeito, e não há quem possa resistir à vossa vontade, porque sois o criador de todas as coisas, do céu e da terra e de tudo o que eles contêm; vós sois o Senhor do universo! (Est 4,17).
Coleta
– Ó Deus eterno e todo-poderoso, que no vosso imenso amor de Pai nos concedeis mais do que merecemos e pedimos, infundi em nós a vossa misericórdia, para perdoar o que nos pesa na consciência e para nos dar mais do que a oração ousa pedir.Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos
1ª Leitura: Gn 2,18-24
Salmo Responsorial: Sl 128,1-2.3.4-5.6 (R: 5)
– O Senhor te abençoe de Sião cada dia de tua vida.
R: O Senhor te abençoe de Sião cada dia de tua vida.
– Feliz és tu, se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem!
R: O Senhor te abençoe de Sião cada dia de tua vida.
– A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa.
R: O Senhor te abençoe de Sião cada dia de tua vida.
– Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.
R: O Senhor te abençoe de Sião cada dia de tua vida.
– Para que vejas prosperar Jerusalém e os filhos dos teus filhos. Ó Senhor, que venha a paz a Israel, que venha a paz ao vosso povo!
R: O Senhor te abençoe de Sião cada dia de tua vida.
2ª Leitura: Hb 2,9-11
10Convinha de fato que aquele, por quem e para quem todas as coisas existem, e que desejou conduzir muitos filhos à glória, levasse o iniciador da salvação deles à consumação, por meio de sofrimentos. 11Pois tanto Jesus, o Santificador, quanto os santificados, são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos.
– Palavra do Senhor.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Se amarmos uns aos outros, Deus em nós há de estar; e seu amor em nós se aperfeiçoará (1Jo 4,2).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 10,2-16
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/xxvii-domingo-do-tempo-comum/>]
LEITURA I Gn 2, 18-24
Disse o Senhor Deus: «Não é bom que o homem esteja só: vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele». Então o Senhor Deus, depois de ter formado da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, conduziu-os até junto do homem, para ver como ele os chamaria, a fim de que todos os seres vivos fossem conhecidos pelo nome que o homem lhes desse. O homem chamou pelos seus nomes todos os animais domésticos, todas as aves do céu e todos os animais do campo. Mas não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. Então o Senhor Deus fez descer sobre o homem um sono profundo e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma costela, fazendo crescer a carne em seu lugar. Da costela do homem o Senhor Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. Ao vê-la, o homem exclamou: «Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne. Chamar-se-á mulher, porque foi tirada do homem». Por isso, o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne
Toda a ação de Deus na criação termina com a afirmação “vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa”. Esta afirmação inclui também a criação do homem e da mulher e o projeto de Deus que diz: “o homem deixará pai e mãe, para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne”. Aos olhos de Deus tudo é bom.
Salmo 127 (128), 1-2.3.4-5.6 (R. cf. 5)
O salmo 128 apresenta a harmonia familiar de todo aquele que “obedece ao Senhor a anda nos seus caminhos”. Este homem é feliz, vive contente, pode ver o fruto do seu trabalho, a fecundidade da sua esposa e os filhos sentados à volta da mesa, porque é abençoado pelo Senhor.
LEITURA II Heb 2, 9-11
Irmãos: Jesus, que, por um pouco, foi inferior aos Anjos, vemo-l’O agora coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu, pois era necessário que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em proveito de todos. Convinha, na verdade, que Deus, origem e fim de todas as coisas, querendo conduzir muitos filhos para a sua glória, levasse à glória perfeita, pelo sofrimento, o Autor da salvação. Pois Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só. Por isso não Se envergonha de lhes chamar irmãos.
A carta aos Hebreus apresenta Jesus como um verdadeiro esposo da humanidade. Por amor à humanidade ele fez-se pobre, participou da pobreza dos homens, experimentou o sofrimento até ao extremo de dar a vida, para elevar a humanidade à sua glória e poder apresenta-la ao Pai, como verdadeira esposa, participante da sua riqueza divina.
EVANGELHO – Forma longa Mc 10, 2-16
Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus uns fariseus para O porem à prova e perguntaram-Lhe: «Pode um homem repudiar a sua mulher?». Jesus disse-lhes: «Que vos ordenou Moisés?». Eles responderam: «Moisés permitiu que se passasse um certificado de divórcio, para se repudiar a mulher». Jesus disse-lhes: «Foi por causa da dureza do vosso coração que ele vos deixou essa lei. Mas, no princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa, e os dois serão uma só carne’. Deste modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu». Em casa, os discípulos interrogaram-n’O de novo sobre este assunto. Jesus disse-lhes então: «Quem repudiar a sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudiar o seu marido e casar com outro, comete adultério». Apresentaram a Jesus umas crianças para que Ele lhes tocasse, mas os discípulos afastavam-nas. Jesus, ao ver isto, indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis: dos que são como elas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não acolher o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». E, abraçando-as, começou a abençoá-las, impondo as mãos sobre elas.
Os que são como as crianças são também herdeiros do Reino dos Céus porque vivem a relação com Deus e com os outros a partir da aliança de amor em que foram criados. Repudiar não é opção para o amor manifestado pelo Deus criador e pelo Filho redentor. Jesus conhece a comunhão de amor que existe em Deus e entre Deus e o homem, por isso, não pode permitir que as decisões mais importantes da vida sejam fundadas na pobreza de corações vazios e duros, incapazes de amar.
Reflexão da Palavra
O texto de Génesis que é oferecido na primeira leitura, faz parte do segundo relato da criação do Homem. O primeiro relato da criação do Homem (homem e mulher) é da tradição sacerdotal, e é descrito no final do capítulo primeiro de Génesis, em Gn 1,26-31, no sexto dia da criação. No capítulo 2, de tradição Javista, a criação do homem e da mulher é descrita em dois tempos distintos. Primeiro Deus criou o homem do pó da terra, antes da terra ter produzido qualquer arbusto, pois “o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra” e antes de terem surgidos os animais, o homem estava só e Deus reconhece que isso “não é bom”. Deus criou, então, “todos os animais dos campos e todas as aves do céu e conduziu-os até junto do homem”.O homem deu o nome a todos os animais, mas “não encontrou auxiliar semelhante a ele”.
A criação da mulher, para “auxiliar” do homem, surge na sequência de uma decisão divina, com o homem a dormir e como imprescindível e necessária ao homem. De facto, não havia em toda a criação ninguém que fosse semelhante ao homem. O sono do homem, durante o qual Deus realiza a criação da mulher, revela que, esta, não foi criada nem pela vontade do homem nem com a sua colaboração, portanto, não está sob o seu domínio, a sua autoridade nem dependência. Trata-se de alguém que lhe é igual, “é osso dos meus ossos e carne da minha carne”, da mesma natureza, os dois na mesma condição, “estavam ambos nus”.
O salmo 128 é considerado um salmo de peregrinação, é um dos quinze salmos usados durante a subida a Jerusalém para as festas. Tendo em conta o seu conteúdo, muitos entendem que este salmo é continuação do salmo 127, onde se afirma que tudo o que o homem possa fazer, se não o faz na presença de Deus, é inútil, pois é o Senhor quem edifica a casa e é ele quem guarda a cidade. De nada vale ao homem “levantar muito cedo e trabalhar pela noite dentro” porque o Senhor dá o pão aos seus amigos até quando dormem. O Senhor é quem dá tudo ao homem, até os filhos.
O salmo 128, proclama feliz o que, pela obediência, se torna amigo do Senhor. Esse “será feliz” porque o seu trabalho não será inútil e pode comer o pão como fruto do seu trabalho. “Viverá contente”, porque a sua esposa é fecunda e os seus filhos enchem a mesa. Este é um homem abençoado. Percebe-se neste homem a harmonia da vida familiar. O voto final do salmo é que, aquele que sobe a Jerusalém seja abençoado, “o Senhor te abençoe”.
O texto da carta aos Hebreus, lido à luz da primeira leitura e do salmo e na perspetiva do texto evangélico, adquire um sentido mais claro. Jesus é o verdadeiro esposo da humanidade, caída no pecado, afastada de Deus e incapaz de sair da pobreza em que se encontra, pelos seus próprios meios. O Filho de Deus enamora-se da humanidade, mas esta não tem condições para ser apresentada ao Pai como futura esposa. Então Jesus faz-se “inferior aos Anjos”, para conduzir à sua glória aqueles que têm origem em Deus pela criação. Descendo à nossa pobreza e identificando-se connosco, assume em si “a morte em proveito de todos” e, “pelo sofrimento”, seja “coroado de glória e de honra” não apenas ele, mas “conduzir muitos filhos para a sua glória”. Um só morre por todos, para que toda a humanidade atinja a “glória perfeita” e seja apresentada diante de Deus como esposa digna do seu filho que é “pelo sofrimento, o Autor da salvação”.
No evangelho, Jesus é confrontado com uma pergunta feita pelos fariseus, com o intuito habitual de “o porem à prova”. O fundamento da pergunta parece estar numa determinação de Moisés, segundo a qual era permitido ao homem repudiar a sua mulher. Daí, alguns entendem que só o adultério é razão suficiente para o divórcio, enquanto outros entendem que se pode passar uma carta de divórcio com base em qualquer desagrado que o homem encontre na esposa. Não é certo que o texto Dt 24,1 determine uma permissão para o divórcio. Há quem entenda que se trata apenas de uma constatação dessa prática no tempo de Moisés.
Perante a pergunta, Jesus percebe que a questão é colocada sobre a lei. A lei permite ou não permite? Mas, a questão da união entre o homem e a mulher, desde a criação, não decorre da lei, mas da vontade de Deus. Por isso Jesus cita o texto de Génesis que diz “Deus fê-los homem e mulher” e fê-los “à sua imagem e semelhança”, numa unidade em que “os dois serão uma só carne” referindo que, o início da questão começa em Deus e não nos homens. Trata-se de um projeto de Deus em que os homens entram a colaborar, uma vocação que Deus concede ao homem e que este traz dentro de si. A vocação a ser imagem e semelhança com Deus. Ora, Deus é feminino e masculino. A verdadeira razão de ser do homem e da mulher é serem imagem de Deus na unidade e na diversidade.
Não se trata, por isso, de uma relação jurídica que dá a alguém um certificado de propriedade de modo que possa fazer do outro o que se quiser. Ninguém é objeto, propriedade de outro, de modo que possa ser comprado e vendido conforme o desejo do seu dono. Pelo contrário, homem e mulher, criados à imagem de Deus, são livres para sair da casa do pai e construir uma nova casa.
O evangelho acrescenta que os discípulos, em particular, questionaram Jesus sobre o mesmo assunto. E Jesus na sua resposta, aproveita para os fazer entender que a maneira de pensar deles e dos fariseus, não está ao nível do projeto de Deus, mas ao nível do pensamento humano que julga ser impossível ou, pelo menos, difícil uma tal união entre homem e mulher. Ao nível do projeto de Deus a união do homem e da mulher não se entende à margem daquele amor que é sinal da unidade inabalável que existe em Deus e que não permite que um dos dois fique mal, um dos dois seja apagado, anulado, na relação que livremente assumiram. Para este nível de relação é necessária a graça de Deus, não bastam as forças do homem. Só pela graça de Deus se pode entrar no mistério do amor mútuo que, vence as dificuldades, as fragilidades, debilidades e pecados e preserva o bem maior de todos e não apenas o desejo de um.
No final do texto evangélico Jesus utiliza, uma vez mais, o exemplo das crianças para ensinar aos adultos uma nova relação com Deus. O episódio das crianças que querem ir a Jesus, mas são impedidos pelos adultos é aproveitado para dar continuidade à reflexão anterior na perspetiva do reino de Deus. Para um projeto de amor humano ao nível do projeto que Deus tem para a humanidade, é necessário ter um coração de criança capaz de se maravilhar diante da proposta de felicidade que é o reino dos céus. Mas para viver um tal projeto é preciso contar com os obstáculos. Haverá sempre quem, não entendendo o projeto de Deus, se torna obstáculo para outros realizarem a sua vocação. Para realizar o projeto de Deus é necessária a bênção de Jesus, mas também há quem procure a bênção de Jesus para justificar o seu próprio projeto. Por isso, Jesus ensina que nem homens nem mulheres podem ser impedimento para o encontro com ele, mas pelo contrário, um meio que facilita a aproximação, de crianças, homens e mulheres, a Deus.
Meditação da Palavra
Quando o livro do Génesis fala do Homem, criado à imagem e semelhança de Deus, está a falar do Homem, no masculino e no feminino, homem e mulher, aquele ser, diferente de todos os outros que povoam a terra, os mares e o céu. Trata-se de alguém com quem Deus se identifica, com quem colabora, com quem dialoga, e com quem vive, na liberdade, laços afetivos de pertença mútua que geram comunhão. Assim se entende que Deus, depois de criar o Homem, o procure “na brisa da tarde”.
Criado à imagem e semelhança de Deus e criado homem e mulher, o Homem vive a mesma condição “estavam ambos nus”, e a mesma dignidade, tanto no masculino como no feminino. Ou seja, nenhum dos dois tem autoridade sobre o outro porque a origem e a imagem pertencem a Deus e não a eles.
São os dois chamados a viver um com o outro a mesma relação que vivem com Deus. Uma relação de iguais, de colaboração, de diálogo, de liberdade, em laços afetivos de pertença mútua que geram comunhão. Esta é a base sobre a qual se constrói, entre um homem e uma mulher, aquela relação particular, pela qual vale a pena deixar pai e mãe. Mas a relação do homem e da mulher não se esgota na relação matrimonial. Quando Deus vê que “não é bom que o homem esteja só” não quer dizer que não é bom que seja celibatário. O que não é bom é que viva só para si, no egoísmo de si mesmo. Do mesmo modo que, quando diz “serão os dois uma só carne” não quer dizer que um deles perdeu a sua identidade, a sua vontade, a sua liberdade, o seu futuro, que deixou de sonhar e de projetar-se a si mesmo como pessoa. Fala de uma união que favorece o encontro com Deus na busca do sentido da vida e da felicidade, mais além de si próprios e apesar dos obstáculos que se levantem no caminho.
Para isto, o homem pode contar com a bênção de Deus, com a sua graça, com a sua colaboração, para chegar aonde por si mesmo não consegue chegar. É disto que Jesus fala no evangelho quando diz que o Reino de Deus é das crianças e dos que são como elas. O reino dos céus é daqueles que são capazes de se deixar maravilhar com as pequenas coisas que compõe uma relação, como são o trabalho de cada dia, a fecundidade da esposa, os filhos à volta da mesa, e permitir que aí, nas entrelinhas da realidade, desponte a felicidade como um pão de cada dia.
Não há lei que possa impor ao homem ou à mulher esta disponibilidade. Ela não brota de fora, de uma obrigação, mas de dentro, do lugar onde a imagem de Deus se vai tornando cada vez mais nítida. Brota de dentro, do coração. No encontro com Deus, cuja imagem o homem traz no mais íntimo de si mesmo, descobre uma forma de pensar, de agir, de responder ao desejos interiores e de enfrentar os desafios, que se aproxima do projeto de Deus para a humanidade.
Os cristãos, discípulos de Cristo, não são obrigados nem sentem em si o desejo de obrigar ninguém a uma relação, sobretudo se ela não favorece o encontro com Deus, a descoberta do reino e do caminho da santidade. Não há nenhuma lei, dentro ou fora da Igreja, que possa impor a obrigação de viver uma relação que não realiza o cristão humana ou espiritualmente. Isto não significa o laxismo de não assumir com sentido de verdade, responsabilidade, generosidade e colaboração as relações a que se propõe.
Pelo contrário, implica olhar para Cristo e assumir como ele a causa dos irmãos, mesmo que isso implique experimentar o sofrimento e a morte em proveito de todos. Na verdade, Jesus, que hoje vemos “coroado de glória e de honra” experimentou o sofrimento e a morte para “conduzir muitos filhos para a sua glória” não se envergonhando de chamar irmãos àqueles para quem se tornou “o autor da salvação”.
Não se trata, portanto, como Jesus deixa bem claro, de uma questão de sim ou não ao divórcio, mas de sim ou não ao projeto de vida e de amor que Deus tem para a humanidade desde a criação. Este projeto é renovado no sangue de Cristo, o sangue da nova aliança, que pede a todos que sejamos no mundo sinal do seu amor incondicional pela Igreja.
É diante do amor fiel de Cristo pela Igreja que cada um deve avaliar a sua fidelidade ao projeto de Deus que é salvação para toda humanidade.
Rezar a Palavra
Somos teus filhos, Senhor, sentados ao redor da tua mesa. Incansável tu és como o pai que sai pela manhã para trazer o pão de cada dia, fruto do sangue e suor derramados por amor. Sentados à tua mesa de pai, somos filhos saciados pelos bens que nos ofereces sem perguntar se merecemos. Somos filhos sentados à mesa e tu és a mãe que conhece cada um dos que deste à luz e serves em gestos de misericórdia e olhar de ternura o alimento que reconforta a alma. Faz-nos acreditar nesse amor que aconchega. Faz-nos fiéis nesse amor que renova em nós a tua imagem.
Compromisso semanal
Olho os irmãos, homens e mulheres, e vejo neles a tua imagem e a dignidade com que criaste cada um de nós.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/10/santos-do-dia-da-igreja-catolica-06-de-outubro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 06 de Outubro
Postado em: por: marsalima
São Bruno
Em meados do primeiro milênio depois de Cristo, Hugo, o bispo da diocese francesa de Grenoble, sonhou certa vez com sete estrelas que brilhavam sobre um lugar escuro, muito deserto. Achou estranho. Algum tempo depois, foi procurado por sete nobres e ricos, que queriam converter-se à vida religiosa e buscavam sua orientação, por causa da santidade e do prestígio do bispo.
Hugo, reconhecendo na situação o sonho que tivera, ouviu-os com atenção e ofereceu-lhes fazer sua obra num lugar de difícil acesso, solitário, árido e inóspito. Assim, tiveram todo o seu apoio episcopal. Esses homens buscavam apenas o total silêncio e solidão para orar e meditar. Tudo o que desejavam, ou seja, queriam atingir a elevação espiritual, cortando definitivamente as relações com as coisas mundanas. Eles eram Bruno e seus primeiros seis seguidores e a ordem que fundaram foi a dos monges cartuxos.
Bruno era um nobre e rico fidalgo alemão, que nasceu e cresceu na bela cidade de Colônia. Sua família era conhecida pela piedade e fervorosa devoção cristã. Cedo aquele jovem elegante resolveu abandonar a vida de vaidades e prazeres, que considerava inútil, sem sentido e improdutiva. Como era propício à nobreza, foi estudar na França e Itália. No primeiro país concluiu os estudos na escola da diocese de Reims, onde também se ordenou e posteriormente lecionou teologia. Como aluno, teve até mesmo um futuro papa.
Mas também conhecia a fama de santidade do bispo de Grenoble, por isso decidiu procurá-lo. Assim, no lugar indicado por ele, Bruno liderou a construção da primeira Casa de Oração, com pequenas celas ao redor. Nascia a Ordem dos monges Cartuxos, cujas Regras foram aprovadas em 1176, mas ele já havia morrido. Lá, ele e seus discípulos se obrigaram ao silêncio permanente e absoluto. Oravam, trabalhavam, repousavam e comiam, mas no mais absoluto e total silêncio.
Em 1090, o sumo pontífice era seu ex-aluno, que, tomando o nome de papa Urbano II, chamou Bruno para ser seu conselheiro. Ele, devendo obediência, abandonou aquele lugar ermo que amava profundamente. Porém não resistiu muito em Roma. Logo obteve aprovação do papa para construir seu mosteiro de Grenoble e também a autorização para fundar outra Casa da Ordem dos Cartuxos, na Calábria, num local ermo chamado bosque de La Torre, hoje chamado Serra de São Bruno, província de Vito Valentia.
Viveu assim recolhido até que adoeceu gravemente. Chamou, então, os irmãos e fez uma confissão pública da sua vida e reiterou a profissão da sua fé, entregando o espírito a Deus em 6 de outubro de 1101. Gozando de fama de santidade, seu culto ganhou novo impulso em 1515. Na ocasião, o seu corpo, enterrado no cemitério no Convento de La Torre, foi exumado e encontrado completamente intacto, tendo, assim, sua celebração confirmada. Em 1623, o papa Gregório XV declarou Bruno santo da Igreja.
Seguindo o carisma de seu fundador, a Ordem dos Cartuxos é uma das mais austeras da Igreja Católica e seguiu assim ao longo dos tempos, como ele mesmo previu: “Nunca será reformada, porque nunca será deformada”. Entretanto, atualmente, conta apenas com dezenove mosteiros espalhados pelo mundo todo.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 6 de Outubro de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 15-16
Vós não recebestes um espírito de escravidão, para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
V. Em Vós, Senhor, está a fonte da vida:
R. Na vossa luz veremos a luz.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 22-23
Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não somente ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
V. Bendiz, minha alma, o Senhor:
R. Ele salva da morte a tua vida.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Tim 1, 9
Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça, essa graça que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade.
V. O Senhor conduziu-os seguros e sem temor
R. E introduziu-os na sua terra santa.
Oração
Deus eterno e omnipotente, que, no vosso amor infinito, cumulais de bens os que Vos imploram muito além dos seus méritos e desejos, pela vossa misericórdia, libertai a nossa consciência de toda a inquietação e dai-nos o que nem sequer ousamos pedir. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Pedro 1, 3-5
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na sua grande misericórdia nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe nem se mancha nem desaparece, reservada nos Céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

