“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 1 DE NOVEMBRO DE 2024
1 de novembro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 3 DE NOVEMBRO DE 2024
3 de novembro de 2024SÁBADO – COMEMORAÇÃO DOS FINADOS
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios 15, 12-34
A ressurreição de Cristo, esperança dos fiéis
Irmãos: Se pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, porque dizem alguns no meio de vós que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, então a nossa pregação é inútil e também é inútil a vossa fé. E nós aparecemos como falsas testemunhas de Deus, porque damos testemunho contra Deus, ao afirmar que Ele ressuscitou Jesus Cristo, quando de facto não ressuscitou, a ser verdade que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é inútil a vossa fé, ainda estais nos vossos pecados; e assim, os que morreram em Cristo também se perderam. Se é só para a vida presente que temos posta em Cristo a nossa esperança, somos os mais miseráveis de todos os homens.
Mas não. Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo todos serão restituídos à vida. Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus, seu Pai, depois de ter aniquilado toda soberania, autoridade e poder.
É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus «tudo submeteu debaixo dos seus pés». Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido, é claro que se exceptua Aquele que tudo Lhe submeteu.
Quando todas as coisas Lhe forem submetidas, então também o próprio Filho Se há-de submeter Àquele que Lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.
Aliás, que resultado obteriam aqueles que se baptizam pelos mortos? Se realmente os mortos não ressuscitam, porque se baptizam por eles? E porque nos expomos nós ao perigo a toda a hora? Eu todos os dias me exponho à morte, pela glória que tenho de vós, irmãos, em Jesus Cristo, nosso Senhor. Se foi por motivos humanos que lutei com as feras em Éfeso, que proveito alcancei? Se os mortos não ressuscitam, «comamos e bebamos, que amanhã morreremos»! Não vos iludais: asmás companhias corrompem os bons costumes. Despertai, como deveis, dessa embriaguez e não continueis a pecar, pois alguns de vós vivem em total ignorância de Deus. Para vossa vergonha o digo.
RESPONSÓRIO 1 Cor 15, 25-26; cf. Ap. 20, 13.14
R. Cristo há-de reinar, até que Deus tenha posto a todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. * E o último inimigo a ser aniquilado é a morte.
V. A morte e o abismo devolverão os mortos; a morte e o abismo serão precipitados no lago de fogo. * E o último inimigo a ser aniquilado é a morte.
Outras leituras à escolha no Ofício de Defuntos
SEGUNDA LEITURA
Do Livro de Santo Ambrósio, bispo, sobre a morte de seu irmão Sátiro
(Lib. 2, 40.41.46.47-132.133: CSEL 73, 270-274, 323-324) (Sec. IV)
Morramos com Cristo, para vivermos com Ele
Vemos que também a morte pode ser lucro e a vida ser castigo. Por isso Paulo afirma: Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. Que é Cristo, senão morte do corpo e espírito de vida? Morramos pois com Ele, para vivermos com Ele. Seja nosso exercício diário o amor da morte, a fim de que a nossa alma, pelo afastamento dos desejos corpóreos, aprenda a elevar-se para as alturas, onde o prazer terreno não pode chegar nem atraí-la a si, e assim receba a imagem da morte para não incorrer no castigo da morte. A lei da carne contradiz a lei do espírito e quer submetê-la à lei do erro. Qual será o remédio para isto? Quem me libertará do meu corpo mortal? A graça de Deus por Jesus Cristo Nosso Senhor.
Temos médico, apliquemos o remédio. O nosso remédio é a graça de Cristo, e o corpo mortal é o nosso próprio corpo. Por conseguinte, afastemo-nos do corpo para não nos afastarmos de Cristo. Embora vivamos no corpo, não sigamos o que é do corpo nem nos sujeitemos às exigências da natureza, mas prefiramos os dons da graça.
Que mais ainda? O mundo foi resgatado pela morte de um só. Cristo podia não ter morrido, se quisesse; mas julgou que não devia fugir à morte, como se fosse inútil; antes, considerou-a como o melhor meio para nos salvar. A sua morte foi, portanto, a vida de todos. Recebemos o sinal sacramental da sua morte, anunciamos a sua morte na oração, proclamamos a sua morte na Eucaristia; a sua morte é vitória, é sacramento, é solenidade anual em todo o mundo.
Que diremos ainda da sua morte, depois de mostrarmos, com o exemplo divino, que só a morte conseguiu a imortalidade e se redimiu a si própria? Não devemos pois chorar a morte que é a causa da salvação universal; não devemos fugir à morte que o Filho de Deus não desprezou nem evitou.
Sem dúvida, a morte não fazia parte da natureza, mas tornou-se natural; porque Deus não instituiu a morte ao princípio, mas deu-a como remédio. Condenada pelo pecado a um trabalho contínuo e a lamentações insuportáveis, a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve de pôr fim a estes males, para que a morte restituísse o que a vida tinha perdido. Com efeito, a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida pela graça.
A nossa alma aspira a sair do estreito círculo desta vida, a libertar-se do peso deste corpo terreno e a caminhar para aquela assembleia eterna onde só chegam os santos, para aí cantar o louvor de Deus, como cantam, segundo a leitura profética, os celestes tocadores da cítara: Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor Deus omnipotente; justos e verdadeiros são os vossos caminhos, ó Rei das nações. Quem não há-de temer e glorificar o vosso nome? Porque só Vós sois santo, e todos os povos virão adorar-Vos. A nossa alma deseja partir deste mundo para contemplar as vossas núpcias eternas, ó Jesus, nas quais, por entre o cântico jubiloso de todos os eleitos, a Esposa é acompanhada da terra ao Céu – a Vós acorrerão todos os homens – já não sujeita ao mundo, mas unida ao Espírito.
Era isto que o santo David desejava, acima de tudo, contemplar e admirar, quando dizia: Uma só coisa peço ao Senhor, por ela anseio: habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para viver na alegria do Senhor.
RESPONSÓRIO cf. 2 Mac 12, 45b; Mt 13, 43a
R. Os que morrem piedosamente no Senhor. * Terão no Céu uma grande recompensa.
V. Os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. * Terão no Céu uma grande recompensa.
Oração
Deus, Pai de misericórdia, escutai benignamente as nossas orações, para que, ao confessarmos a fé na ressurreição do vosso Filho Unigénito, se confirme em nós a esperança da ressurreição dos vossos servos. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
1 Tes 4, 14
Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem adormecido.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes.
R. Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes.
V. Convertestes em júbilo o meu pranto.
R. Porque me salvastes.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Eu Vos glorifico, Senhor, porque me salvastes.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4538-liturgia-de-02-de-novembro-de-2024>]
SÁBADO – COMEMORAÇÃO DOS FINADOS
(roxo ou preto, pref. dos mortos – ofício próprio)
Antífona
– Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno e brilhe para eles a vossa luz
(4Esd 2,34).
Coleta
– Ó Deus, glória dos fiéis e vida dos justos, que nos remistes pela morte e ressurreição do vosso Filho, concedei benigno aos nossos irmãos e irmãs defuntos que, tendo acreditado o mistério da nossa ressurreição, mereçam Alcançar as alegrias da bem-aventuraca eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Jó 19,1.23-27a
– Leitura do livro de Jó: 1Jó tomou a palavra e disse:23”Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre! 25Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27aEu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros”.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 23,1-3.4.5.6 (R: 1)
– O Senhor é o pastor que me conduz não me falta coisa alguma.
R:O Senhor é o pastor que me conduz,não me falta coisa alguma.
– O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma.
R: O Senhor é o pastor que me conduz não me falta coisa alguma.
– Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha,
R: O Senhor é o pastor que me conduz não me falta coisa alguma.
– E restaura as minhas forças.Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome.
R: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.
– Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei.Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!
R: O Senhor é o pastor que me conduz não me falta coisa alguma.
– Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo;com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.
R: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.
– Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida;e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.
R: O Senhor é o pastor que me conduz não me falta coisa alguma.
2ª Leitura: 1Jo 3,14-16
14Sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte. 15Todo aquele que odeia o seu irmão é um homicida. E sabeis que nenhuma homicida conserva tem a vida eterna permanecendo nele. 16Nisto sabemos o que é o amor: Jesus deu a vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Benditos do Pai, apossai-vos do reino, que foi preparado bem desde o começo! (Mt 25,34)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo João: Jo 19,17-18.25-39
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/comemoracao-de-todos-os-fieis-defuntos-10/>]
Primeira Missa
LEITURA I Jb 19, 1.23-27a
Job tomou a palavra e disse: «Quem dera que as minhas palavras fossem escritas num livro, ou gravadas em bronze com estilete de ferro, ou esculpidas em pedra para sempre! Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia Se levantará sobre a terra. Revestido da minha pele, estarei de pé; na minha carne verei a Deus. Eu próprio O verei, meus olhos O hão de contemplar».
Compreender a palavra
O livro de Job pertence à literatura poética do Antigo Testamento. Trata um assunto importante e muito sensível que é a pergunta pelo sentido da vida no meio do sofrimento e da difícil relação do homem com Deus por causa do sofrimento e da morte. O homem tem dificuldade a encontrar um sentido para o mal e percebe a realidade à luz da recompensa e do merecimento. O autor quer mostrar que Deus tem um olhar diferente sobre a realidade que não passa pela estreita medida da justiça humana. Job é o personagem do livro que, sendo fiel a Deus, se vê caído no sofrimento físico, moral e espiritual. Sente-se nada, mas não perde a esperança. Da sua boca saem as palavras que lemos neste texto, usado na liturgia dos fiéis defuntos. Estas palavras têm a força da fé e da esperança que proclamam aqueles que são fiéis como Job: “Eu sei que o meu Redentor está vivo… eu próprio o verei, meus olhos o hão de contemplar”.
Meditar a palavra
Traduzir na nossa experiência as palavras que o autor do livro coloca na boca de Job, é a maior resposta de fé no poder de Deus sobre o sofrimento e a morte e a confiança de que Deus está presente para lá de todas as formas de entender o sofrimento, a dor e a morte. Deus está mais além do sem sentido da vida. Ele não se deixa perturbar pelas vozes que o negam, pelas dúvidas que o põem em causa, nem pelas exigências da nossa sensibilidade que quer ver, quer palpar tudo, para crer. Deus está presente no silêncio, mantém-se como a razão e o sentido da vida do homem e mostra-se como a resposta definitiva a todas as questões. Enquanto caminhamos nesta terra somos convidados a aprender e a tornar nossa a profissão de fé de Job: “Quem dera que as minhas palavras fossem escritas num livro, ou gravadas em bronze… Eu sei que o meu Redentor está vivo… Eu próprio O verei…”.
Rezar a palavra
No meio das lágrimas de dias difíceis em que não encontro o sentido para a vida, mostra-me o teu rosto, faz-me ver-te para lá de todas as perguntas, para lá de todas as dúvidas, para ser capaz de dizer como Job “Revestido da minha pele, estarei de pé; na minha carne verei a Deus… meus olhos o hão de contemplar”.
Compromisso
Os meus olhos não veem, mas o meu coração lança-se para lá dos dias e mostra-me o Senhor meu Redentor, por isso eu digo “Creio na ressurreição da carne e na vida do mundo que há de vir”.
LEITURA II 2Cor 4, 14 — 5, 1
Como sabemos, irmãos, Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos há de ressuscitar com Jesus e nos levará convosco para junto d’Ele. Tudo isto é por vossa causa, para que uma graça mais abundante multiplique as ações de graças de um maior número de cristãos para glória de Deus. Por isso, não desanimamos. Ainda que em nós o homem exterior se vá arruinando, o homem interior vai-se renovando de dia para dia. Porque a ligeira aflição dum momento prepara-nos, para além de toda e qualquer medida, um peso eterno de glória. Não olhamos para as coisas visíveis, olhamos para as invisíveis: as coisas visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são eternas. Bem sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens.
Compreender a palavra
Ninguém se salva a si mesmo, ninguém se salva sozinho e ninguém se salva sem tribulações. As fragilidades não são impedimento para a salvação, pelo contrário, preparam-nos para a glória. As graças concedidas a cada um são benefício para todos a fim de aumentar as ações de graças que fortalecem contra o desânimo. E as fragilidades recordam que no céu se constrói uma morada feita pelas mãos de Deus que não poderá desfazer-se como acontece com a morada terrestre em que habitamos neste mundo.
Meditar a palavra
Unidos na ação de graças vencemos o desânimo provocado pelas fragilidades do corpo que se vai desfazendo e pelas aflições do momento presente. O bem alcançado por um serve a todos de estímulo e coragem no meio das realidades visíveis que nos podem fazer crer que são tudo quanto devemos aspirar. Mas nós aspiramos às coisas invisíveis em que havemos de participar pela ressurreição. O corpo degrada-se como a tenda dos peregrinos no deserto, mas isso não nos impede de acreditar que Deus constrói para nós uma morada eterna em que habitaremos no céu.
Rezar a palavra
Não sou herói, Senhor. Apenas quero que esta minha tenda se vá desfazendo para alcançar aquela em que habitarei nos céus. Sei que sozinho não consigo chegar. Preciso de ti, preciso dos outros, preciso de todas as graças para me vencer a minha fragilidade e revestir-me de ti.
Compromisso
Quero fazer o exercício interior de crer, como dizemos no credo, na vida eterna.
EVANGELHO Mt 11, 25-30
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».
Compreender a palavra
Jesus revela em oração, com palavras simples, o coração de Deus que se dá a conhecer aos pequeninos. E estas palavras servem de introdução para manifestar a sua união com o Pai, de tal modo que, para conhecer um é necessário conhecer o outro, mas a revelação é feita por Jesus àqueles que ele entende. O Pai revela-se aos pequeninos através de Jesus, por isso ele convida todos os que andam inclinados sobre si mesmos, curvados sob o peso da vida, para que venham e aprendam uma nova forma de viver, uma forma livre de viver.
Meditar a palavra
Escutada neste dia esta palavra é um convite ao desprendimento das coisas deste mundo e ao esvaziamento de mim mesmo. O cenário deste mundo é passageiro e eu faço parte deste cenário. Julgar que a salvação está nas coisas deste mundo ou na minha sabedoria é enganar-me a mim mesmo. A salvação está no conhecimento de Deus e só os simples e humildes conseguem ver. Os sábios e os importantes carregam demasiados pesos dentro de si, os ricos e poderosos têm nas mãos demasiadas riquezas para poderem ver a Deus. Só no desprendimento e no esvaziamento poderei fazer a experiência do encontro com aquele que me salva. Jesus é quem retira de dentro de mim os pesos e das minhas mãos as cargas que impedem a liberdade do coração para conhecer e amar a Deus.
Rezar a palavra
O desprendimento das coisas deste mundo é condição essencial para te deixar entrar na minha vida e poder entrar na morada eterna. Tu dizes esta verdade de muitas maneiras no evangelho. “Não vos preocupeis com o que haveis de comer…”; “a cada dia a sua preocupação”; “acumulai tesouros no céu” “onde estiver o vosso tesouro aí estará também o vosso coração”. De muitos modos me convidas a sair de mim, a deixar o meu orgulho, a desprender-me das coisas tidas como valiosas, para te ter a ti, Senhor, como único tesouro que vale a pena procurar no campo da minha existência.
Compromisso
Vou esforçar-me por vencer o desejo das riquezas que os homens buscam incansavelmente.
Segunda Missa
LEITURA I 2Mac 12, 43-46
Naqueles dias, Judas Macabeu fez uma coleta entre os seus homens de cerca de duas mil dracmas de prata e enviou-as a Jerusalém, para que se oferecesse um sacrifício de expiação pelos pecados dos que tinham morrido, praticando assim uma ação muito digna e nobre, inspirada na esperança da ressurreição. Porque, se ele não esperasse que os que tinham morrido haviam de ressuscitar, teria sido em vão e supérfluo orar pelos mortos. Além disso, pensava na magnífica recompensa que está reservada àqueles que morrem piedosamente. Era um santo e piedoso pensamento. Por isso é que ele mandou oferecer um sacrifício de expiação pelos mortos, para que fossem libertos do seu pecado.
Compreender a palavra
Judas Macabeu demonstra a sua fé na ressurreição através de um gesto piedoso em favor dos que morreram. Depois da batalha contra os inimigos do povo judeu, Judas manda levantar os corpos para lhes dar sepultura. Ao fazê-lo, dá-se conta de que alguns dos mortos escondiam debaixo da roupa objetos roubados do culto aos deuses pagãos. Eles sabiam que era proibido pela lei judaica roubar tais objetos, porque nesse ato tornavam-se impuros aos olhos de Deus. Judas percebe porque é que eles morreram e manda fazer uma coleta para oferecer sacrifício em expiação deste seu pecado. Ora, este gesto demonstra que Judas acredita na vida eterna e no benefício para aqueles que morreram das orações e sacrifícios realizados pelos que ficaram.
Meditar a palavra
Ao celebrar, hoje, o dia de oração pelos que faleceram, o exemplo de Judas Macabeu oferece a compreensão e o sentido para a nossa celebração. Rezamos pelos que partiram pela dupla consciência de que eles vivem na eternidade e que as nossas orações são úteis aqueles que, por ventura, tenham morrido sem verdadeiro arrependimento dos seus pecados. Rezar pelos mortos é um gesto piedoso de grande generosidade porque é rezar por quem já não o pode fazer e já não pode pagar-nos por isso. Sejamos generosos e rezemos por aqueles de quem ninguém se lembra.
Rezar a palavra
Ofereço sacrifícios em nome daqueles que morreram. Senhor, a Eucaristia celebrada, sacrifício de Cristo, para o perdão dos pecados, e a minha oração pessoal sejam grande benefício para aqueles que morreram e não têm quem reze por eles. Sei que és misericordioso e sempre perdoas, mas eu quero participar com a minha oração para o bem dos que partiram.
Compromisso
Rezo em união com a Igreja por todos os que partiram deste mundo.
LEITURA II 2Cor 5, 1.6-10
Irmãos: Nós sabemos que, se esta tenda, que é a nossa morada terrestre, for desfeita, recebemos nos Céus uma habitação eterna, que é obra de Deus e não é feita pela mão dos homens. Por isso, estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido enquanto esteve no corpo, quer o bem quer o mal.
Compreender a palavra
Paulo fala da importância de agradar ao Senhor, porque este corpo mortal vai-se desfazendo como uma tenda usada no caminho do deserto. Enquanto caminhamos, cresce em nós o desejo de chegar à terra da promessa onde o Senhor preparou uma tenda, feita pelas suas próprias mãos. Mas o tempo do caminho é necessário para nos desprendermos desta tenda envelhecida. O caminho é longo, difícil e muitas vezes escuro. Fazemos o caminho apenas à luz da fé. Por nós, já deixávamos para trás esta tenda e íamos habitar no Senhor, mas não é como nós queremos. O Senhor sabe o tempo. A nós só nos é pedido que nos empenhemos enquanto vamos a caminho.
Meditar a palavra
Não é muito frequente que as pessoas desejem sair deste corpo mortal para ir habitar no Senhor, na tenda que ele preparou com as suas próprias mãos. É mais frequente assistirmos à luta para não partir. É mais frequente sentirmos o medo daqueles que caminham a nosso lado, ao sentir que se aproxima o dia da partida. A falta de fé na vida eterna, a falta de confiança na palavra de Jesus e a dificuldade de se desprender das realidades terrenas, faz com que a tristeza da morte domine o nosso espírito. Paulo mostra o desejo de partir ao encontro de Cristo e a nostalgia do céu onde deseja morar. Que a fé em Cristo ressuscitado nos anime no desejo deste encontro eterno.
Rezar a palavra
O meu coração deseja-te, Senhor, mas os meus olhos estão ainda fixos nas coisas deste mundo e não deixam voar o meu coração. Os filhos, os netos, as riquezas acumuladas ao longo da vida, as histórias guardadas dos sucessos alcançados, os projetos por cumprir, não me deixam partir. Liberta-me, Senhor, para não ter medo de ir, para não me recusar ao abraço que me leva definitivamente para ti.
Compromisso
Vou rezar mais para que a morte não seja para mim um peso, mas um encontro com Cristo.
EVANGELHO Jo 11, 21-27
Naquele tempo, disse Marta a Jesus: «Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas eu sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Ele To concederá». Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». Marta respondeu: «Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia». Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim nunca morrerá. Acreditas nisto?». Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo».
Compreender a palavra
O Evangelho é de João. A narração insere-se no drama da morte eminente de Jesus. Os inimigos querem matá-lo e Jesus afirmou que vai entregar a vida, mas volta a retomá-la. A sua morte não significa perder a vida mas ganhá-la. Neste contexto surge a informação da doença de Lázaro, amigo de Jesus, e posteriormente a sua morte. Jesus decide visitar Marta e Maria, irmãs do defunto, que já está há quatro dias no sepulcro quando Jesus chega a Betânia. No diálogo com Jesus, Marta apresenta-lhe a situação desde a sua confiança nele: “se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. Por isso, reconhece que em Jesus a realidade não termina aqui “eu sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Ele To concederá”. É uma afirmação interessante, mas sem o verdadeiro alcance da fé, por isso Jesus insiste com ela até que seja capaz de fazer uma profissão de fé na ressurreição. “Eu sou a ressurreição e a vida… Acreditas nisto?”. Tudo o que Maria sabe sobre a ressurreição torna-se agora fé em Jesus Cristo, aquele que tem poder sobre a morte. Ele é aquele que pode dar a vida e retomá-la e mostra-o ressuscitando Lázaro.
Meditar a palavra
“Se Deus existisse, isto não tinha acontecido”. Esta é muitas vezes a nossa afirmação diante da morte. É difícil entender este mistério sem a presença de Jesus. A fé na ressurreição não é uma moda dos dias de hoje. Pelo contrário, o homem contemporâneo está interessado em respostas mais rápidas, mais imediatas e, se possível, que passem ao lado do sofrimento. Jesus oferece a vida, Ele é a vida, mas não nos priva da possibilidade do sofrimento e da morte, porque seria impedir-nos de fazer um verdadeiro amadurecimento da fé. Crer nele não é acreditar que nos livra da morte, mas acreditar que mesmo estando mortos viveremos eternamente.
Rezar a palavra
Senhor, eu creio que tu és a ressurreição e a vida. Creio que na minha morte me encontro com a vida que vem de ti. Creio que nada pode separar-me do teu amor que é vida eterna. Creio que ainda que esteja morto hei de viver porque para ti todos os seres vivem. Tu és Deus de vivos e não de mortos. Senhor, eu creio, mas aumenta a minha fé para que não me entristeça como os pagãos, mas permaneça na esperança de que o Pai estará em mim, para me ressuscitar, no mesmo poder com que esteve na tua ressurreição.
Compromisso
O meu olhar, hoje, não será um olhar de tristeza, mas de esperança.
Terceira Missa
LEITURA I Is 25, 6a.7-9
Sobre este monte, o Senhor do Universo há de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos. Sobre este monte, há de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; Ele destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou».
Compreender a palavra
O profeta anuncia a salvação a partir da imagem do banquete. No cimo do monte, quer dizer, longe das realidades efémeras e perto das coisas eternas. O próprio Senhor é quem prepara o banquete com abundante e saborosa comida. Não haverá mais lágrimas, nem luto, nem morte. Nesse dia todos exultarão de alegria no Senhor.
Meditar a palavra
A promessa do banquete apresentada por Isaías aparece também em Jesus. Jesus não só promete um banquete na casa do Pai, o banquete das núpcias do Cordeiro, como distribui o pão e os peixes para saciar a fome das multidões. O pão de Jesus é já promessa daquele banquete no qual havemos de participar no Reino dos Céus. A abundância de comida e bebida, a alegria da festa e a presença do Senhor, falam-me da ressurreição, da casa do Pai onde todos têm lugar à mesa, da morada que Jesus prepara para nós. Diante da certeza da morte, as palavras do profeta animam o meu coração para que não desanime diante das lágrimas, mas viva na fé na alegria do céu.
Rezar a palavra
Convidas-me, Senhor, para o banquete. As lágrimas nos olhos, o véu de luto e a tristeza da morte nem sempre me deixam ver a alegria da festa que preparas para mim. Anima o meu coração, tantas vezes aflito, para viver na esperança das núpcias do Cordeiro.
Compromisso
Enxugo as lágrimas para ver a promessa da eternidade.
LEITURA II 1Ts 4, 13-18
Não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos defuntos, para não vos contristardes como os outros, que não têm esperança. Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, do mesmo modo, Deus levará com Jesus os que em Jesus tiverem morrido. Eis o que temos para vos dizer, segundo a palavra do Senhor: Nós, os vivos, os que ficarmos para a vinda do Senhor, não precederemos os que tiverem morrido. Ao sinal dado, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta divina, o próprio Senhor descerá do Céu e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós, os vivos, os que tivermos ficado, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Consolai-vos uns aos outros com estas palavras.
Compreender a palavra
Paulo anima os Tessalonicenses na esperança da vida eterna. A morte deixa os cristãos entristecidos como acontece com os pagãos. Paulo entende que essa tristeza não é a atitude própria do cristão, mas de quem não tem esperança. O cristão não se entristece como fazem os que não têm esperança. A certeza da ressurreição é dada por Jesus. Segundo a sua palavra, à voz do arcanjo e ao som da trombeta o Senhor descerá para ressuscitar os mortos. Estas devem ser as palavras de consolação.
Meditar a palavra
Tantas vezes, perante a morte, ouvimos dizer “acabou tudo”, “nunca mais te vejo”, vais para a cova escura”. As lágrimas e as lamentações podem ser muito úteis para fazer o luto, mas a falta de esperança não ajuda nem no luto nem na fé. Animados pela esperança na vida eterna, na certeza que o Senhor virá ressuscitar os mortos e levar consigo todos os que, porventura tenham ficado, enxugamos as lágrimas e calamos as lamentações. Em Cristo viemos e morremos animados pela esperança de com ele ressuscitarmos.
Rezar a palavra
Eu acredito, Senhor que tu morreste e ressuscitaste e na tua ressurreição encontro a esperança de ressuscitar contigo. Não quero ficar na tristeza dos que olham a morte como o fim de tudo, quero sim, viver a certeza que me dás de que, ainda que esteja morto, hei de viver, porque tu virás.
Compromisso
Animo os meus irmãos na esperança da vida eterna.
EVANGELHO Jo 6, 51-58
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo». Os judeus discutiam entre si: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?». Jesus disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia. A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele. Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como o dos vossos pais, que o comeram e morreram: quem comer deste pão viverá eternamente».
Compreender a palavra
O texto de João, tirado do capítulo seis do evangelho, estabelece uma relação entre o pão descido do céu, o comer a carne e beber o sangue de Cristo e a vida eterna. Após a multiplicação dos pães, Jesus encontra-se de novo com a multidão que o procura na expetativa de receber mais uma porção do pão que mata a fome física. Aproveitando esta situação Jesus fala-lhes de outro pão, o que desceu do céu e diz que esse pão é o pão vivo, é ele mesmo, é dado pelo Pai, “é minha carne, que Eu darei pela vida do mundo”. Nem todos acreditam que podem comer a sua carne, por isso, Jesus insiste: “Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida”. Comer e beber o corpo e o sangue de Cristo é garantia de vida eterna. Aquele que come permanece em Cristo, vive dele, porque não é um alimento qualquer, é o pão que dá a vida, garantia da ressurreição.
Meditar a palavra
O alimento da vida eterna é o pão vivo descido do céu. Jesus identifica-se com o pão que desce e dá vida. Este pão é a sua carne que é verdadeira comida e o seu sangue que é verdadeira bebida. Não é fácil esta linguagem, nem para os judeus daquele tempo nem para nós. Só a fé nos pode fazer entender que o pão que Jesus nos deixou como seu corpo e o vinho como seu sangue são o alimento que dá a vida eterna a todo aquele que sabe tomar e alimentar-se reconhecendo que é Cristo. Muitos têm dificuldade em acreditar que há um alimento que dá a vida eterna. Muitos têm dificuldade em identificar este alimento com o corpo de Cristo. Muitos têm os olhos fechados para o mistério da Eucaristia, como lugar onde Cristo se dá em alimento. Muitos recusam-se a aceitar a vida eterna presente no alimento que é Cristo. A pergunta é séria: “Acredito na vida eterna? Acredito que posso receber a vida eterna comendo e bebendo o corpo e o sangue de Cristo na Eucaristia?
Rezar a palavra
Quero acreditar, Senhor, que o pão e o vinho da Eucaristia são o teu corpo e o teu sangue. Quero acreditar que comungado este alimento também eu terei a vida que vem de ti, a vida que não se esgota no tempo, mas permanece até à eternidade. Dá-me sempre desse pão, Senhor. Sejas tu o meu alimento.
Compromisso
Vou à Eucaristia e abro o coração ao dom da vida eterna que Cristo me oferece.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/11/santos-do-dia-da-igreja-catolica-02-de-novembro/>
Santos do Dia da Igreja Católica – 02 de Novembro
Postado em: por: marsalima
Todos os Finados
Os cristãos batizados são convidados a santificar-se e os que decidem viver plenamente o mistério pascal de Cristo não têm medo da morte. Porque ele disse: “Eu sou a ressurreição e a vida”.
Para todos os povos da humanidade, seja qual for a origem, cultura e credo, a morte continua a ser o maior e mais profundo dos mistérios. Mas para os cristãos tem o gosto da esperança. Dando sua vida em sacrifício e experimentando a morte, e morte na cruz, ele ressuscitou e salvou toda a humanidade. Esse é o mistério pascal de Cristo: morte e ressurreição. Ele nos garantiu que, para quem crê, for batizado e seguir seus ensinamentos, a morte é apenas a porta de entrada para desfrutar com ele a vida eterna no Reino do Pai.
Enquanto para todos os seres humanos a morte é a única certeza absoluta, para os cristãos ela é a primeira de duas certezas. A segunda é a ressurreição, que nos leva a aceitar o fim da vida terrena com compreensão e consolo. Para nós, a morte é um passo definitivo em direção à colheita dos frutos que plantamos aqui na terra.
Assim sendo, até quando Nosso Senhor Jesus Cristo estiver na glória de seu Pai, estará destruída a morte e a ele serão submetidas todas as coisas. Alguns são seus discípulos peregrinos na terra, outros que passaram por esta vida estão se purificando e outros, enfim, gozam da glória contemplando Deus.
Os glorificados integram a Igreja triunfal e são Todos os Santos, os quais, nós, os integrantes da Igreja militante, cristãos peregrinos na terra, comemoramos no dia 1o de novembro. Os Finados integram a Igreja da purificação e são todos os que morreram sem arrepender-se do pecado.
O culto de hoje é especialmente dedicado a esses. Embora todos os dias, em todas as missas rezadas no mundo inteiro, haja um momento em que se pede pelas almas dos que nos deixaram e aguardam o tempo profetizado e prometido da ressurreição.
A Igreja ensina-nos que as almas em purificação podem ser socorridas pelas orações dos fiéis. Assim, este dia é dedicado à memória dos nossos antepassados e entes que já partiram. No sentido de fazer-nos solidários para com os necessitados de luz e também para reflexão sobre nossa própria salvação.
Encontramos a celebração da missa pelos mortos desde o século V. Santo Isidoro de Sevilha, que presidiu dois concílios importantes, confirmou o culto no século VII. Tempos depois, em 998, por determinação do abade santo Odilo, todos os conventos beneditinos passaram, oficialmente, a celebrar “o dia de todas as almas”, que já ocorria na comunidade no dia seguinte à festa de Todos os Santos. A partir de então, a data ganhou expressão em todo o mundo cristão.
Em 1311, Roma incluiu, definitivamente, o dia 2 de novembro no calendário litúrgico da Igreja para celebrar “Todos os Finados”. Somente no inicio do século XX, em 1915, quando a morte, a sombra terrível, pairou sobre toda a humanidade, devido à I Guerra Mundial, o papa Bento XIV oficiou o decreto para que os sacerdotes do mundo todo rezassem três missas no dia 2 de novembro, para Todos os Finados.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 2 DE NOVEMBRO DE 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Job 19, 25-26
Eu sei que o meu Redentor está vivo e no último dia se levantará sobre a terra. Revestido da minha pele, estarei de pé; na minha carne verei a Deus.
Ou
LEITURA BREVE 2 Mac 7, 9b
O Rei do universo nos ressuscitará para a vida eterna, se morrermos fiéis às suas leis.
V. Porque estás triste, minha alma, e desfaleces?
R. Espera em Deus, que ainda O hei-de louvar.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Sab 1, 13-14a.15
Não foi Deus quem fez a morte, nem Ele se alegra com a perdição dos vivos. Pela criação deu o ser a todas as coisas. A justiça é eterna e imortal.
V. Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, nada temo;
R. Porque Vós estais comigo, Senhor.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 25, 8
O Senhor destruirá a morte para sempre, enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira oopróbrio que pesa sobre o seu povo.
V. Escutai, ó Deus, a minha oração,
R. Porque a Vós acorre todo o ser humano.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hbr 13,20-21
O Deus da paz, que ressuscitou dos mortos Aquele que, pelo Sangue de uma Aliança eterna, é o grande Pastor das ovelhas, Nosso Senhor Jesus Cristo, vos torne aptos para cumprir a sua vontade em toda a espécie de boas obras e realize em nós o que Lhe é agradável, por Jesus Cristo, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amen.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Como são grandes, Senhor, as vossas obras.
R. Como são grandes, Senhor, as vossas obras.
V. Tudo fizestes com sabedoria.
R. Como são grandes, Senhor, as vossas obras.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Como são grandes, Senhor, as vossas obras.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Deut 6, 4-7
Escuta, Israel. O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. As palavras que hoje te prescrevo ficarão gravadas no teu coração. Hás-de recomendá-las a teus filhos, e nelas meditarás, quer estando sentado em casa quer andando pelos caminhos, quando te deitas e quando te levantas.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

