O hermeneuta – aprenda com ele a sair dos porões da vida e galgar os píncaros da felicidade possível
4 de janeiro de 2025O amigo mais rico que conheço não tem muito dinheiro…
5 de janeiro de 2025DOMINGO – EPIFANIA DO SENHOR
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Isaías 60, 1 – 22
Revelação da glória do Senhor sobre Jerusalém
Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor. Vê como a noite cobre a terra e a escuridão os povos. Mas sobre ti levanta‑Se o Senhor, e a sua glória te ilumina. As nações caminharão à tua luz e os reis ao esplendor da tua aurora. Olha ao redor e vê: todos se reúnem e vêm ao teu encontro; os teus filhos vão chegar de longe e as tuas filhas são trazidas nos braços. Quando o vires, ficarás radiante, palpitará e dilatar-se-á o teu coração, pois a ti afluirão os tesouros do mar, a ti virão ter as riquezas das nações. Invadir-te-á uma multidão de camelos, de dromedários de Madiã e de Efá. Virão todos os de Sabá; hão-de trazer ouro e incenso e proclamarão as glórias do Senhor. Todos os rebanhos de Cedar se concentrarão em ti, os carneiros de Nebaiot ficarão ao teu serviço: subirão ao meu altar como agradáveis ofertas, e encherei de esplendor a minha gloriosa morada. Quem são esses que voam como nuvens, como pombas a caminho dos pombais? São embarcações que por Mim se reúnem, com os navios de Társis na dianteira, para trazerem de longe os teus filhos com a sua prata e o seu ouro, em honra do nome do Senhor teu Deus, do Santo de Israel, que te encheu de glória. Homens estrangeiros reconstruirão os teus muros, e seus reis te hão-de servir; porque na minha indignação te feri, mas na minha benevolência tive compaixão de ti. As tuas portas estarão sempre abertas: nem de dia nem de noite se hão-de fechar, para entrarem em ti as riquezas das nações, conduzidas pelos seus reis. Porque o povo e o reino que não quiserem servir-te perecerão e as nações serão arruinadas. A glória do Líbano virá ao teu encontro; o cipreste, o olmo e o pinheiro juntamente, servirão para dar esplendor ao lugar do meu santuário, para honrar o escabelo de meus pés. A ti virão, profundamente inclinados, os filhos daqueles que te humilhavam; até à planta dos teus pés se hão-de prostrar todos quantos te desprezavam e chamar-te-ão «Cidade do Senhor», «Sião do Santo de Israel». Estiveste abandonada, odiada e sem ninguém que passasse por ti; mas Eu farei de ti o orgulho dos séculos, a alegria de todas as gerações. Beberás o leite das nações, amamentar-te-ás com as riquezas dos reis. Saberás então que Eu, o Senhor, sou o teu Salvador, e o teu Redentor é o Poderoso de Jacob. Em vez de bronze, vou trazer-te ouro; em vez de ferro, prata; em vez de madeira, bronze; em vez de pedra, ferro. Farei da paz os teus magistrados e da justiça os teus governantes. Não mais se ouvirá falar de violência no teu país, nem de devastação ou de ruína dentro das tuas fronteiras. Aos teus muros chamarás «Salvação» e às tuas portas «Louvor». O sol não será mais a tua luz do dia, a claridade da lua não mais te iluminará de noite, porque o Senhor será para ti uma luz eterna, o teu Deus será o teu esplendor. O teu sol não voltará a pôr-se e a tua lua não mais se esconderá, porque o Senhor será para ti uma luz eterna e acabarão os dias do teu luto. No teu povo, todos serão justos e possuirão a terra para sempre: vergônteas das minhas plantações, obras das minhas mãos, para manifestarem a minha glória. O mais pequeno crescerá até ao milhar e o menor tornar-se-á um povo numeroso. Eu, o Senhor, no devido tempo Me apressarei a cumpri-lo.
RESPONSÓRIO Is 60, 1. 3
R. Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz. * E brilha sobre ti a glória do Senhor.
V. As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora. * E brilha sobre ti a glória do Senhor.
SEGUNDA LEITURA
Dos Sermões de São Leão Magno, papa
(Sermo 3 in Epiphania Domini, 1-3.5: PL 54, 240-244) (Sec. V)
Deus manifestou a todo o mundo a sua salvação
Tendo a misericordiosa providência de Deus decidido vir nos últimos tempos em auxílio do mundo perdido, determinou salvar todos os povos em Cristo. Tais povos formam a inumerável descendência outrora prometida ao santo patriarca Abraão, descendência que havia de ser conseguida, não segundo a carne, mas pela fecundidade da fé, e que por isso foi comparada à multidão das estrelas, a fim de que o pai de todos os povos esperasse uma posteridade não terrena mas celeste. Entrem, pois, todos os povos, entrem na família dos patriarcas, e recebam os filhos da promessa a bênção da descendência de Abraão, à qual renunciaram os filhos segundo a carne. Representados pelos três Magos, adorem todos os povos o Autor do universo e seja Deus conhecido não só na Judeia mas em todo o orbe da terra, a fim de que por toda a parte o seu nome seja grande em Israel. Instruídos nestes mistérios da graça divina, caríssimos irmãos, celebremos com alegria espiritual o dia das nossas primícias e o princípio da vocação dos gentios à fé e à salvação, dando graças a Deus misericordioso, que, segundo o Apóstolo, nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina; que nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino de seu Filho muito amado. Como tinha profetizado Isaías, o povo dos gentios que habitava nas trevas viu uma grande luz; para os que habitavam na região das sombras da morte uma luz começou a brilhar. Também a respeito deles, diz o mesmo Isaías ao Senhor: Invocar-te-ão os povos que não te conheciam e correrão para ti as nações que te ignoravam. Abraão viu este dia e alegrou-se, ao reconhecer que os seus filhos segundo a fé seriam abençoados na sua descendência, isto é, em Cristo, e ao prever que por sua fé seria pai de todos os povos, dando glória a Deus, plenamente convencido de que Ele é bastante poderoso para realizar o que prometeu. Este dia cantava também David nos salmos, dizendo: Todos os povos que criastes virão adorar-Vos, Senhor, e glorificar o vosso nome. E ainda: O Senhor deu a conhecer a sua salvação, aos olhos das nações revelou a sua justiça. Tudo isto se realizou, como sabemos, quando os três Magos, chamados da sua longínqua terra, foram conduzidos por uma estrela para irem conhecer e adorar o Rei do Céu e da terra. A docilidade da estrela nos exorta a imitar o seu exemplo, isto é, a servir na medida das nossas possibilidades esta graça que chama todos os homens para Cristo. Animados por este zelo, deveis empenhar-vos, caríssimos irmãos, em serdes úteis uns aos outros, a fim de que brilheis como filhos da luz no reino de Deus, no qual se entra graças à integridade da fé e às boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amen.
RESPONSÓRIO
R. Neste dia glorioso apareceu o Salvador do mundo, anunciado pelos Profetas, adorado pelos Anjos. * Os Magos viram a sua estrela e vieram cheios de alegria oferecer‑Lhe presentes.
V. Brilhou para nós um dia santificado: vinde, nações, e adorai o Senhor. * Os Magos viram a sua estrela e vieram cheios de alegria oferecer-Lhe presentes.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Is 52, 7-10
Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, traz a boa nova, proclama a vitória e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». Eis o grito das tuas sentinelas, que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações, e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Virão adorar o Senhor todos os reis da terra.
R. Virão adorar o Senhor todos os reis da terra.
V. Hão-de servi-l’O todos os povos.
R. Todos os reis da terra.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Virão adorar o Senhor todos os reis da terra.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4605-liturgia-de-05-de-janeiro-de-2025>]
DOMINGO – EPIFANIA DO SENHOR
(branco, glória, creio, pref. da Epifania – ofício da solenidade)
Antífona
– Eis que vem o Senhor dos senhores; em suas mãos, o reino, o poder e o império. (Mt 3,1; 1Cr 19,12)
Coleta
– Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho unigênito às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos benigno a nós, que já vos conhecemos pela fé, sermos conduzidos à contemplação da vossa face no céu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos
1ª Leitura: Is 60,1-6
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 72,1-2.7-8.10-11.12-13 (R: 11)
– As nações de toda a terra, hão de adorar-vos ó Senhor!
R: As nações de toda a terra hão de adorar-vos ó Senhor!
– Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres.
R: As nações de toda a terra hão de adorar-vos ó Senhor!
– Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho!
De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!
R: As nações de toda a terra hão de adorar-vos ó Senhor!
– Os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhes seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e de Sabáhão de trazer-lhe oferendas e tributos. Os reis de toda a terra hão de adorá-lo,e todas as nações hão de servi-lo.
R: As nações de toda a terra hão de adorar-vos ó Senhor!
– Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar.
Terá pena do indigente e do infeliz,e a vida dos humildes salvará.
- As nações de toda a terra hão de adorar-vos ó Senhor!
2ª Leitura: Ef 3, 2-3a.5-6
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorar o Senhor (Mt 2,2).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 2,1-12
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/epifania-do-senhor-6/>]
LEITURA I Is 60, 1-6
Levanta-te e resplandece, Jerusalém,
porque chegou a tua luz
e brilha sobre ti a glória do Senhor.
Vê como a noite cobre a terra
e a escuridão os povos.
Mas sobre ti levanta-Se o Senhor,
e a sua glória te ilumina.
As nações caminharão à tua luz,
e os reis ao esplendor da tua aurora.
Olha ao redor e vê:
todos se reúnem e vêm ao teu encontro;
os teus filhos vão chegar de longe,
e as tuas filhas são trazidas nos braços.
Quando o vires ficarás radiante,
palpitará e dilatar-se-á o teu coração,
pois a ti afluirão os tesouros do mar,
a ti virão ter as riquezas das nações.
Invadir-te-á uma multidão de camelos,
de dromedários de Madiã e Efá.
Virão todos os de Sabá,
trazendo ouro e incenso
e proclamando as glórias do Senhor.
Enquanto a luz chega para Jerusalém e sobre a cidade brilha a glória do Senhor, os outros povos da terra continuam na escuridão da noite. Israel torna-se o farol que indica o caminho a todos os povos e nações. Todos os reis, particularmente de Madiã, Efá e Sabá virão ao encontro da luz, trazendo os seus presentes.
Salmo 71 (72), 2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11)
O verdadeiro rei de Israel é o Senhor. Todos os reis são representantes de Deus e seus filhos. O Messias é, por excelência, o verdadeiro filho. Para o rei pede-se que prestígio e poder diante dos outros reis. Ao rei pede-se que governe com justiça e que tenham em atenção os pobres, os miseráveis, os fracos e os oprimidos.
LEITURA II Ef 3, 2-3a.5-6
Irmãos:
Certamente já ouvistes falar
da graça que Deus me confiou a vosso favor:
por uma revelação,
foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo.
Nas gerações passadas,
ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens,
como agora foi revelado pelo Espírito Santo
aos seus santos apóstolos e profetas:
os gentios recebem a mesma herança que os judeus,
pertencem ao mesmo corpo
e participam da mesma promessa,
em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.
Paulo fala de uma revelação que ele recebeu em favor de todos. Esta revelação é um mistério escondido, o mistério de Cristo, que o Espírito Santo dá a conhecer e que consiste em que, por meio do evangelho, todos são filhos de Deus, herdeiros e membros do corpo de Cristo, mesmo os pagãos.
EVANGELHO Mt 2, 1-12
Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia,
nos dias do rei Herodes,
quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente.
«Onde está _ perguntaram eles _
o rei dos Judeus que acaba de nascer?
Nós vimos a sua estrela no Oriente
e viemos adorá-l’O».
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado
e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo
e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam:
«Em Belém da Judeia,
porque assim está escrito pelo profeta:
‘Tu, Belém, terra de Judá,
não és de modo nenhum a menor
entre as principais cidades de Judá,
pois de ti sairá um chefe,
que será o Pastor de Israel, meu povo’».
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos
e pediu-lhes informações precisas
sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.
Depois enviou-os a Belém e disse-lhes:
«Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino;
e, quando O encontrardes, avisai-me,
para que também eu vá adorá-l’O».
Ouvido o rei, puseram-se a caminho.
E eis que a estrela que tinham visto no Oriente
seguia à sua frente
e parou sobre o lugar onde estava o Menino.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria.
Entraram na casa,
viram o Menino com Maria, sua Mãe,
e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O.
Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes:
ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos
para não voltarem à presença de Herodes,
regressaram à sua terra por outro caminho.
Alguns sábios pagãos reconhece a luz e deixam-se guiar por ela até ao lugar onde está o menino recém-nascido e sua mãe. As profecias de Israel são claras, mas os habitantes de Jerusalém em vez de se deixarem seduzir como os sábios, ficam inquietos e perturbados como Herodes. Um dia, também Jerusalém receberá a Luz, quando aquele que nasceu em Belém, ressuscitar.
Reflexão da Palavra
A primeira leitura é tirada do terceiro Isaías que retrata a situação do povo alguns anos após o regresso do exílio de Babilónia. Os que regressaram tinham ouvido os seus pais falarem da sua terra com saudade e criaram a ideia de uma terra onde corre leite e mel, onde a felicidade se consegue facilmente. Mas, não foi assim.
Os que regressaram eram filhos dos que partiram e, muitos nunca tinham estada ali, outros saíram dali em criança. Julgavam poder recuperar tudo o que os pais ali deixaram, a casa, as terras, os bens. Acontece, porém, que muitos não partiram, permaneceram ali e foram ocupando o espaço deixado pelos que partiram. Vieram instalar-se ali também algumas pessoas de outros povos, de costumes diferentes. Ao fim de cinquenta anos, nada era como antes.
Perante o desânimo, o profeta provoca a esperança anunciando a chegada da luz. Jerusalém é a Cidade Santa, a cidade do Deus Altíssimo, a cidade escolhida para ali “brilhar a glória do Senhor” pois “sobre ti levanta-Se o Senhor e a sua glória te ilumina”. Enquanto os povos permanecem na noite, na escuridão, Jerusalém, ou seja, o povo de Israel já vê resplandecer a luz. Esta luz é do Senhor e não do povo, bem como a glória pertence a Deus e não a Israel. Os sinais da chegada da luz são o regresso o regresso dos filhos e filhas desse povo, e os reis dirigem-se para a cidade Santa trazendo as suas ofertas, prestando homenagem e “proclamando as glórias do Senhor”.
O salmo é uma resposta ao desafio da esperança já presente na primeira leitura. Construído a partir da celebração de consagração do rei de Israel. Começa com uma invocação, que pede para o rei o poder de Deus, “concedei ao rei o poder de julgar”, que saiba governar com justiça, que tenha longa vida, riqueza e fama, que o seu reinado seja de prosperidade, dominando sobre os inimigos e com a vassalagem dos outros reis. Pede-se também que governe a pensar nos pobres, nos humildes, nos fracos e nos oprimidos porque são também aqueles que Deus privilegia.
O salmista sabe que um rei com estas característica só pode ser aquele que Deus prometeu a David através do profeta Natan. E nós sabemos que este rei ´Jesus, nascido em Belém. A quem os magos vieram prestar homenagem trazendo presentes.
Na carta aos efésios, Paulo fala do “mistério de Cristo”, este “mistério” é salvação dos homens. Trata-se do “mistério da vontade de Deus” de que ele fala desde o primeiro capítulo “de acordo com o beneplácito da sua vontade” (1,5), “manifestou-nos o mistério da sua vontade” (1,9), “de acordo com a decisão da sua vontade” (1,11).
Para Paulo, conhecer este mistério é uma graça que Deus lhe “confiou a vosso favor”. Não é para benefício privado, mas para alegria geral e consiste numa revelação do Espírito Santo. Esta revelação dá a conhecer o “mistério de Cristo”, a “vontade de Deus” para a salvação de todos os homens, também dos pagãos, “os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho”. Esta revelação marca uma nova etapa na história, porque “nas gerações passadas, ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens”, mas agora pode conhecer-se “por meio do evangelho”.
Esta afirmação parece, nos tempos atuais, uma evidência, porque, não sendo judeus, nós somos participantes da herança, pertencemos “ao mesmo corpo” e participamos “da mesma promessa”, mas no tempo de Paulo não era evidente a possibilidade de os pagãos participarem da salvação realizada por Cristo. Estamos claramente em vantagem.
Os magos de que fala o evangelho de Mateus, são homens dedicados ao estudo dos astros, habituados a olhar o céu e atentos a qualquer sinal que ali se manifeste. O facto de os israelitas esperarem a chegada de um rei, o Messias, descendente de David, capaz de recuperar a paz e independência de Israel face aos romanos e a qualquer outro poder e dominar sobre a terra inteira, bem presente na primeira leitura e no salmo, faz pensar que estes seriam reis que vinham prestar homenagem ao recém-nascido rei dos judeus, mas não eram de todo reis.
A ideia de que a chegada do Messias seria antecedida por uma estrela está presente já no livro dos Números quando o profeta Balaão anuncia “eu vejo, mas não para já; contemplo-o, mas não próximo: uma estrela surge de Jacob e um cetro se ergue de Israel” (Nm 24,17), bem como no texto de Isaías que fala da luz que brilha sobre Jerusalém. Mateus reúne no mesmo texto a estrela, a promessa de Deus a David de um Messias rei e a salvação anunciada para todos os povos da terra.
O texto do evangelho revela a atitude que adotam os diversos personagens diante de Jesus. Por um lado, os pagãos que não têm a mesma fé dos judeus nem esperam, como eles, o Messias, vêm de longe atrás da luz que Isaías anunciou brilhar sobre Jerusalém. São homens curiosos que acabam por encontrar Jesus, embora o tivessem procurado apenas por curiosidade. Os sábios de Jerusalém esperam o Messias e sabem tudo acerca dele, mas não se dispõem a ir à sua procura. Herodes sente uma vez mais ameaçado o seu reinado e dispõe-se a fazer com Jesus o que já fizera com outros, inclusive com os seus filhos que se opuseram a ele.
Com esta descrição Mateus incorpora os pagãos no projeto salvífico de Deus, concedendo-lhes a possibilidade de chegarem a Jesus e realizarem o gesto mais claro da sua divindade, a adoração “viemos adorá-l’O” e “prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O”. Bem como a oposição das autoridades judaica ao projeto de Deus que se revela ao longo de toda a v ida de Jesus e termina, como sabemos, com a sua morte.
Meditação da Palavra
A Palavra de Deus deste domingo, em que celebramos a Solenidade da Epifania do Senhor, coloca-nos diante da inquietação que habita no mais fundo do coração de cada homem. Todas as leituras falam desta inquietação que coloca o homem diante de Deus.
Os Magos, antes de verem a estrela já tinham em si mesmos, e conheciam bem, uma inquietação interior, mas não sabiam o seu porquê nem sabiam o que fazer com ela. Era uma insatisfação que não tinha resposta em nenhuma das suas maravilhosas descobertas astrológicas. Que inquietação era aquela? De onde vinha? Qual o seu propósito? Os Magos perguntavam a si mesmos e procuravam uma resposta nos céus, onde as estrelas e os astros os surpreendiam com muitos sinais.
Quando viram a estrela, a inquietação que tinham dentro de si, manifestou a sua razão, o seu sentido e eles partiram confiantes que encontrariam aquele que lhes podia dar a resposta que procuravam. A sua busca tornou-se uma aventura e esta aventura transformou-se numa peregrinação a Belém onde um menino tinha nascido e se encontrava deitado numa manjedoura.
Num primeiro momento sentem o conforto da estrela que segue à sua frente, mas quando a estrela desaparece sentem-se perdidos. Em Jerusalém falam da sua misteriosa descoberta “vimos a sua estrela no oriente” e pedem informações sobre aquele que o seu coração procura, “onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?”. Dentro deles há um propósito que não os deixa desistir de procurar porque está em causa a resposta à inquietação que os desassossega há muito.Eles sabem ao que vão, “viemos adorá-lo”. A resposta à sua inquietação está no menino diante de quem desejam inclinar-se com todo o coração, com toda a alma, com todo o ser, para adorar.
A mesma inquietação encontramos nos judeus regressados do exílio de Babilónia. Tinham ouvido contar aos seus pais o esplendor das festas em honra do Senhor, Deus de Israel, das grandes peregrinações a Jerusalém, das celebrações no templo do Senhor, dos cânticos e Salmos que entoavam enquanto entravam nas muralhas e percorriam as ruas da cidade.
Ao regressar desejam reconstruir Jerusalém para retomar o ritmo de adoração que os seus pais recordavam com saudade. O entusiasmo do primeiro momento fê-los acreditar ser possível, mas rapidamente se deram conta dos obstáculos que tinham pela frente tanto na reconstrução do templo como na adoração ao Senhor, Deus de seus pais. Em Jerusalém não há só judeus. Outros povos ali se fixaram enquanto eles estiveram em Babilónia. Outros cultos, outras tradições e culturas se impuseram e influenciaram os judeus que ali ficaram a chorar. Nada parece fazer sentido, parecem ter perdido a razão, o porquê.
O profeta, porém, alerta o povo exortando-o “levanta-te” do desânimo, “levanta os olhos” e “vê” porque “chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor”. Em Jerusalém, não apenas os judeus, mas todos os povos virão adorar o Senhor do universo. Todos os povos ali acorrerão e já se vê a “multidão de camelos, de dromedários de Madiã e Efá”, assim como “os de Sabá, trazendo ouro e incenso”. Vêm todos “proclamando as glórias do Senhor”.
Os magos são os primeiros de muitos gentios que, seguindo a luz verdadeira cheios de esperança, se encontram com Jesus dispostos a adorá-lo. Destes fala Paulo na carta aos efésios dizendo que o Espírito Santo revelou “o mistério de Cristo”, segundo o qual, todos os homens, judeus ou gentios “receberem a mesma herança, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa”.
Não sem obstáculo, mas chegou até nós o mistério de Cristo, revelou-se, manifestou-se a todos os povos e a nós também, para que, como os magos, encontremos resposta para a nossa inquietação, aos pés do menino nascido em Belém. O mistério de Cristo atravessou os séculos, e chegou até nós, que, por não sermos judeus somos descendentes dos pagãos, dos gentios que se deixaram guiar pela estrela, pela luz que brilha sobre Jerusalém e atrai para a adoração os homens de todos os povos e nações, todos os que transportam dentro de si a inquietação e sabem buscar aquele que pode satisfazer o desejo mais profundo do homem, o desejo de Deus. É em Belém que nasce a luz. De lá é enviada uma estrela a cada homem, chamando a fazer caminho, contornando as dificuldades e perigos, sem perder o rumo, sem abandonar o grande objetivo, adorar o Deus menino, que responde a todas as inquietações do coração humano.
Rezar a Palavra
Neste dia em que te manifestaste a todos os povos da terra, sinto em mim, como os magos, como todos os homens, uma inquietação, uma insatisfação que coisas deste mundo, por mais admiráveis que sejam, não consegue sossegar. Sei que só tu podes responder a esta inquietação, por isso, imploro a luz, a estrela que me guia para ti e me anima a fazer o caminho, a vencer os perigos e a ultrapassar os desânimos no desejo de te encontrar.
Compromisso semanal
Como os magos quero prostrar-me e adorar.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/01/santos-do-dia-da-igreja-catolica-05-de-janeiro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 05 de Janeiro
Postado em: por: marsalima
Santo João Nepomuceno Neuman
João Nepomuceno nasceu na Boêmia, atual Eslováquia, no dia 28 de março de 1811, filho de Felipe Neumann e Agnes Lebis. Freqüentou a escola em sua cidade natal e entrou para o seminário em 1831. Era autodidata, por isto, sua educação acadêmica foi aprimorada com o domínio e fluência de vários idiomas.
João completou a preparação para o sacerdócio em 1835. Desejava ser padre logo, porém o bispo suspendeu as ordenações, pelo excesso de padres nas dioceses da Boêmia. Mas João não desistiu. Aprendeu inglês trabalhando, e escreveu aos bispos dos Estados Unidos. A resposta veio do bispo de Nova Iorque. João abandonou a família e cruzou o oceano para ser sacerdote, atendendo ao chamado de Deus, numa terra nova e distante.
A diocese nova-iorquina possuía apenas três dúzia de padres para mais de duzentos mil católicos. Padre João recebeu uma paróquia onde a igreja não tinha torre e o chão era de terra. Mas isso não o preocupava muito, pois ele passava o seu tempo visitando doentes, ensinando e evangelizando.
Padre João tinha a intenção de participar de uma congregação, por isto procurou padres redentoristas, que se dedicavam aos pobres e abandonados. Foi aceito e ingressou na Congregação e se tornou o primeiro padre ordenado no novo continente a professar as Regras dos redentoristas na América, em 1842. Sua fluência de idiomas o qualificou para o trabalho na sociedade americana composta de muitas línguas, no século dezenove.
Em 1847 foi eleito pela Congregação o superior geral dos redentoristas nos Estados Unidos. João ocupou o cargo durante dois anos, quando a fundação americana passava por um período difícil de adaptação. Deixou a função com os padres redentoristas bem preparados para serem uma congregação autônoma, o que ocorreu em 1850.
O Padre Neumann foi nomeado Bispo de Filadélfia em 1852. Sua diocese era muito grande e se desenvolvia com muita rapidez. Por isto, decidiu introduzir no país a educação católica. Organizou um sistema diocesano de escolas católicas, fundou a congregação das Irmãs da Ordem Terceira de São Francisco para ensinarem nas escolas, que na sua diocese em pouco tempo duplicaram. Padre João construiu mais de oitenta igrejas durante o seu bispado, dentre elas iniciou a catedral de São Pedro e São Paulo.
Padre João Neumann era um homem de estatura pequena e de saúde frágil, mas sempre se manteve muito ativo. Além das obrigações pastorais, achou tempo para a atividade literária. Ele escreveu inúmeros artigos em revistas e jornais católicos; publicou dois catecismos e uma história da Bíblia para as escolas.
Ele morreu de repente enquanto caminhava pela rua de sua cidade episcopal. Era 5 de janeiro de 1860. O papa Paulo VI o beatificou em 1963 e foi canonizado pelo mesmo papa no dia 17 de junho de 1977, em Roma. Na cerimônia, assistida por uma multidão de fiéis americanos que fizeram a mesma rota marítima do Santo João Nepomuceno Neumann, só que em sentido inverso, o Papa decretou o dia 5 de janeiro para seu culto litúrgico.
São Simeão
Simeão nasceu em 390, na cidade de Cilícia, atual Síria. Sua família era humilde e muito religiosa. Até a adolescência trabalhou como ajudante de seu pai no trato do gado. Era um jovem muito inteligente e perspicaz, possuía um temperamento dramático e as vezes exagerado, mesmo preferindo a vida solitária. Tinha o hábito de ler o Evangelho, enquanto cuidava do rebanho, depois ia pedir explicações a um velho sacerdote que já percebera a vocação monástica de Simeão.
Certo dia, durante o sermão de uma missa, o sacerdote falou sobre a vida dos santos e fiéis. Explicou que a oração contínua, a vigília, o jejum, a humilhação e o sofrimento eram o caminho para a verdadeira felicidade, junto ao Pai Eterno. Simeão neste momento, sentiu que queria se devotar completamente a Deus.
Seguindo o seu íntimo, se dirigiu para o mosteiro mais próximo e, depois de passar alguns dias jejuando na porta, foi admitido pelos monges. Não ficou muito tempo porque até os monges acostumados às penitencias mais severas, ficaram assustados com os castigos que Simeão se impunha. No final de dois anos foi dispensado da comunidade.
Então, foi para o severo mosteiro de Heliodoro, onde aumentou ainda mais suas penitências. Alí permaneceu durante dez anos. O seu exemplo preocupava o superior da comunidade. Entretanto, Simeão decidiu amarrar uma corda áspera no corpo todo, para aumentar ainda mais o seu sofrimento. Esta atitude começou a chamar a atenção dos outros religiosos. Por isto, o superior o convidou a deixar o mosteiro, para impedir que outros monges resolvessem seguir o exemplo desta penitência.
Simeão decidiu ser um ermitão. Seguiu rumo ao topo do Monte Tesalissa, onde existia uma comunidade de pessoas que viviam isoladas e rezando. Morou ali, fazendo abstinência total durante quarenta dias, não apenas na Quaresma. Depois, de três anos foi para o ponto mais alto e construiu um claustro com pedras sem teto e se acorrentou no pescoço e no pé direito, prendendo a outra ponta da pesada corrente numa rocha. Ao saber da situação o vigário, o aconselhou a apenas alimentar sua força de vontade e deixar o exagero de lado, no que Simeão obedeceu.
A partir de então, Simeão era chamano de “o estilista”, que vem da palavra grega sytilos e que significa coluna. Seus atos atraiam muitos fiéis ao local, que desejavam ouvir seus conselhos, seus discursos sobre o Evangelho e pedir por seus prodígios. Por sete anos converteu muitos pagãos, mas precisava de mais isolamento. Então Simeão decidiu construir uma coluna alta com uma base em cima para morar. De tempo em tempo, ele aumentava a altura da coluna, que atingiu a altura de dezoito metros no final dos vinte e sete anos vividos ali.
Simeão morreu sobre o local em posição de oração, no dia 5 de janeiro de 453. Sua festa acontece neste dia, desde o ano em que morreu, e se propagou por todo o mundo católico com muita rapidez. A Igreja o canonizou e manteve a data da sua comemoração.
Santa Emiliana
Emiliana era uma das tias paternas de Gregório Magno, que foi papa entre 590 a 604. As outras eram Tarsila e Jordâna. Elas pertenciam a uma das famílias mais ilustres de Roma. Entre seus avós estão o imperador Olívio, o papa São Félix III. O senador Jordão era seu irmão e pai de Gregório Magno.
Porém de Emiliana se tem pouquíssima informação. Muito menos do que se conhece sobre sua irmã Tarsila e talvez um pouco mais que Jordâna. O seu nome foi encontrado no século onze, no Martirologio local e depois do Concílio de Trento, foi inserido no oficial da Igreja. A única fonte genuína sobre sua vida foi os relatos do seu sobrinho, o papa Gregório Magno. Mas, ele registrava a vida dos parentes com muito poucos dados e apenas quando lhe serviam como exemplos concretos, para tornar mais eficiente o seu ensinamento.
Emiliana e as irmãs ajudaram a cunhada Sílvia no nascimento do pequeno Gregório, que sempre teve saúde frágil. Depois, enquanto viveram, o acompanharam nos estudos e nos trabalhos. Gregório, ainda jovem, se tornou chefe da administração civil de Roma. Mais tarde, se tornou embaixador do papa Pelágio II e ao mesmo tempo monge, guia de uma pequena comunidade religiosa, recolhida em sua residência na cidade de Célio. De lá Gregório saiu para ser papa.
Neste período Tarsila havia se tornado uma freira voltada para a vida reclusa e Jordâna se casou. Emiliana também se tornou freira, seguiu a linha das religiosas ocidentais, ou seja, não isolada na reclusão espiritual, mas dedicada à vida comunitária de ajuda aos doentes e necessitados, voltada para a castidade e as orações contínuas.
Neste terrível século VI, cheio de sobressaltos da natureza, com terremotos, pestes, guerras, invasões e um contínuo afluir de miseráveis em Roma; a caridade se tornava tarefa habitual também para as irmãs freiras. Trabalhavam em dupla, Tarsila reclusa guiando e comandando, enquanto Emiliana atuava junto à população pobre e aos doentes.
Emiliana, segundo registrou o papa Gregório Magno, foi uma das mais atuantes religiosas e de quem os exemplos à dedicação a Cristo deviam ser copiados, pois amava o próximo verdadeiramente através da caridade evangélica e tendo Jesus como seu eterno esposo.
Existiu apenas um fato prodigioso na sua vida relatado por Gregório Magno. Ele afirmou que dias após a morte da irmã, a tia Emiliana ouviu a voz dela dizendo: “Passei o Natal sem voce, mas quero que venha festejar comigo a Epifania”. De fato, Emiliana, morreu no dia 5 de janeiro, sucessivo à morte de Tarsila, na véspera da comemoração dos Reis Magos.
Conforme consta do calendário litúrgico da Igreja, o culto de Santa Emiliana foi mantido no dia 5 de janeiro, que com o tempo se tornou mais intenso que o de sua irmã Tarsila.
Santa Amélia
Amélia viveu no século IV e seu nome tem uma origem incerta. Pode ter vindo do germânico Amelberga, que significa amiga protetora; ou derivar do grego Amalh (amále), cujo sinônimo é terna, delicada, sensível. E se nos deixarmos levar apenas pelo som do nome, veremos nos remete ao amor.
Amélia pertence a um numeroso grupo de mártires cristãos, que são fervorosamente lembrados pela Igreja. De sua vida não se sabe praticamente nada. Ela morreu no dia 5 de janeiro na cidade de Gerona, na Catalunha, Espanha.
Esta notícia foi trazida para a tradição católica, de um antigo Breviário de Gerona que possibilitou sua localização no período entre os anos de 243 a 313, do governo do imperador romano Diocleciano, que patrocinou a implacável perseguição aos cristãos.
Em 1336, o bispo de Gerona, descobriu as relíquias mortais dos mártires e dedicou à eles um altar na catedral da cidade. Depois através dos séculos estes mártires, elencados naquela longa lista conhecida como Martirológio Geronimiano, passaram a ser celebrados em vários grupos e em datas diferentes.
Isto porque, de alguns deles, além do referido Martirológio, outros documentos e as inscrições das lápides, revelaram o nome e mais alguma informação. Ao que parece todos seriam africanos, mas também não se tem certeza. A exceção de São Paolino e Sicio, com festa no dia 31 de maio, que eram antíoques.
Assim, o nome de Santa Amélia, nos reporta em todos os sentidos ao amor. Ela serve de exemplo para todos os peregrinos que procuram a igreja da catedral de Gerona, para reverenciar sua memória, agradecendo as graças alcançadas por sua intercessão. Aos devotos, ela lembra que na vocação cristã o martírio aparece como uma possibilidade pré anunciada na Revelação, que nunca deve ser esquecida durante a própria vida.
O mártir, sem dúvida, é o sinal daquele amor maior que contém em si todos os outros valores. A sua existência reflete a palavra suprema, pronunciada por Cristo na cruz: “Perdoa-lhes, ó Pai, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34).
O culto litúrgico à Santa Amélia, no dia 5 de janeiro, foi mantido como indica o Martirológio. Ela que com o seu testemunho mostrou o que é o verdadeiro amor cristão, pois anunciou o Evangelho, dando a vida por amor.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 5 DE JANEIRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Ap 15, 4
Quem não há-de temer, Senhor, e glorificar o vosso nome? Porque só Vós sois santo. Diante de Vós virão prostrar-se todas as nações.
V. Deus apareceu na terra
R. E começou a viver entre os homens
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 49, 6
Disse-me o Senhor: Não basta que sejas meu servo, para restaurares as tribos de Jacob e conduzires os sobreviventes de Israel. Vou fazer de ti a luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra.
V. As nações hão-de ver a vossa justiça
R. Todos os reis contemplarão a vossa glória
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Zac 2, 15
Naquele dia, muitas nações se unirão ao Senhor: farão parte do seu povo e habitarão no meio de ti. Então saberás que o Senhor dos Exércitos me enviou a ti.
V. Povos da terra, bendizei o Senhor.
R. Proclamai o seu louvor em todas as nações
Oração
Senhor Deus omnipotente, que neste dia revelastes o vosso Filho Unigénito aos gentios guiados por uma estrela, a nós que já Vos conhecemos pela fé, levai-nos a contemplar face a face a vossa glória. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Tito 3, 4-5
Ao manifestar-se a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor para com os homens, Ele salvou-nos, não pelas obras justas que praticámos, mas em virtude da sua misericórdia, pelo baptismo da regeneração e renovação do Espírito Santo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. N’Ele serão abençoadas todas as nações da terra.
R. N’Ele serão abençoadas todas as nações da terra.
V. Hão-de glorificá-l’O todos os povos.
R. Todas as nações da terra.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. N’Ele serão abençoadas todas as nações da terra.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.




