“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 22 DE FEVEREIRO DE 2025
22 de fevereiro de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 24 DE FEVEREIRO DE 2025
24 de fevereiro de 2025Domingo VII do Tempo Comum (Ano C)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início do Livro de Coelet 1, 1-18
Vaidade de todas as coisas
Palavras de Coelet, filho de David, rei de Jerusalém.
«Vaidade das vaidades – diz Coelet —
Vaidade das vaidades; tudo é vaidade».
Que aproveita ao homem
todo o esforço com que trabalha debaixo do sol?
Passa uma geração, vem outra geração,
e a terra permanece sempre a mesma.
Nasce o sol e põe-se o sol;
depressa volta ao ponto de partida, donde volta a nascer.
O vento sopra do sul, depois sopra do norte;
num vai-vem constante, retoma os seus caminhos.
Todos os rios vão ter ao mar, e o mar nunca se enche;
e voltam novamente à nascente, sem jamais deixarem de correr.
Todas as coisas se afadigam, mais de quanto se pode explicar;
o olhar não se farta de ver, nem o ouvido se cansa de ouvir.
O que foi será outra vez,
e o que se deu voltará a acontecer:
nada de novo debaixo do céu.
Se de alguma coisa se disser: «Vede, que isto é novidade»,
o certo é que já foi assim nos tempos que nos precederam.
Nenhuma memória ficará dos antigos,
nem haverá lembrança dos vindouros
entre aqueles que vierem depois.
Eu, Coelet, fui rei de Israel, em Jerusalém. Dediquei-me
de coração a procurar e investigar pela sabedoria tudo o que
se faz debaixo do sol. É uma tarefa ingrata que Deus atribuiu
aos filhos de Adão, para que nela se ocupassem.
Vi todas as coisas que se fazem debaixo do sol: tudo é vaidade e correr
atrás do vento.
O que é torto não pode endireitar-se,
e não se pode contar com o que falta.
Disse no íntimo do meu coração: «Consegui uma grande
sabedoria, maior e mais profunda do que a de todos quantos
reinaram antes de mim em Jerusalém; o meu espírito alcançou
muita sabedoria e ciência». Apliquei-me a conhecer não só
a sabedoria e a ciência, mas também o desvario e a loucura, e
cheguei à conclusão de que também isto é correr atrás do vento.
Com efeito,
onde há muita sabedoria há muita aflição,
e aumentar a ciência é aumentar o sofrimento.
RESPONSÓRIO Coel 1, 14; 5, 14; 1 Tim 6, 7
R. Vi todas as coisas que se fazem debaixo do sol: tudo é vaidade e correr atrás do vento. * Tal como saiu do seio materno, o homem voltará nu como veio, e nada levará consigo.
V. Nada trouxemos para este mundo e nada levaremos deste mundo. * Tal como saiu do seio materno, o homem voltará nu como veio, e nada levará consigo.
SEGUNDA LEITURA
Dos Capítulos de São Máximo Confessor, abade, sobre a caridade
(Cent. 1, cap. 1, 4-5.16-17.23-24.26-28.39-40: PG 90,962-967) (Sec. VII)
Sem caridade, tudo é vaidade das vaidades
A caridade é uma boa disposição do espírito que nada antepõe ao conhecimento de Deus. Mas ninguém poderá alcançar a virtude da caridade, enquanto tiver o seu espírito dominado pelas coisas terrenas.
Quem ama a Deus antepõe o seu conhecimento a todas as coisas por Ele criadas e tende continuamente para Ele com todo o desejo e amor da sua alma.
Se tudo o que existe foi criado por Deus e para Deus, e se Deus é imensamente superior às suas criaturas, quem abandona a Deus, o ser supremo, para se dedicar a coisas tão inferiores, mostra menos apreço por Deus do que pelas coisas por Ele criadas.
Quem Me ama, diz o Senhor, observa os meus mandamentos. E acrescenta: Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros. Portanto, quem não ama o próximo não cumpre o mandamento; e quem não cumpre o mandamento não pode amar o Senhor.
Feliz o homem que é capaz de amar igualmente a todos os homens. Quem ama a Deus ama também inevitavelmente o próximo; incapaz de guardar para si as riquezas, administra-as como Deus, dando a cada um aquilo de que necessita.
À imitação de Deus, dá esmola ao bom e ao mau, ao justo e ao injusto. Perante as necessidades do próximo, distribui igualmente por todos, sem acepção de pessoas. Mas não se deve considerar uma injustiça, se a sua boa vontade o inclina a preferir aqueles que se esforçam por praticar a virtude.
O amor caritativo não se manifesta apenas nas esmolas de dinheiro, mas também, e muito mais, na comunicação dos ensinamentos divinos e no exercício das obras de misericórdia.
Quem renunciou sinceramente e de todo o coração aos bens deste mundo e se dedica sem segundas intenções ao serviço do próximo, depressa é libertado de toda a paixão e vício e se torna participante do amor e do conhecimento de Deus.
Quem tem dentro de si a caridade divina não se cansa nem desanima nos caminhos do Senhor, como diz o profeta Jeremias, mas suporta com fortaleza de ânimo todos os trabalhos, injúrias e ofensas, sem desejar mal a ninguém.
Não digais, aconselha o profeta Jeremias, somos o templo do Senhor. Nem digas tu: «basta-me pura e simplesmente a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo para alcançar a salvação». Isto certamente não é possível, se não te esforças por adquirir também a sua caridade por meio das obras. Porque, no que respeita à simples fé, também os demónios crêem, e tremem.
O fruto da caridade consiste na beneficência sincera e de coração para com o próximo, com liberalidade e paciência; e também no uso das coisas criadas com rectidão de espírito.
RESPONSÓRIO cf. Jo 13, 34; 1 Jo 2,10a.3
R. Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei. * Quem ama seu irmão permanece na luz.
V. Conhecemos a Cristo, se guardamos os seus mandamentos. * Quem ama seu irmão permanece na luz.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Ezequiel 37, 12b-14
Assim fala o Senhor Deus: Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra, e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço – palavra do Senhor.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-vii-do-tempo-comum-ano-c/>]
Domingo VII do Tempo Comum (Ano C)
LEITURA I 1Sm 26, 2.7-9.12-13.22-23
Naqueles dias,
Saul, rei de Israel, pôs-se a caminho
e desceu ao deserto de Zif
com três mil homens escolhidos de Israel,
para irem em busca de David no deserto.
David e Abisaí penetraram de noite no meio das tropas:
Saul estava deitado a dormir no acampamento,
com a lança cravada na terra à sua cabeceira;
Abner e a sua gente dormia à volta dele.
Então Abisaí disse a David:
«Deus entregou-te hoje nas mãos o teu inimigo.
Deixa que de um só golpe eu o crave na terra com a sua lança,
e não terei de o atingir segunda vez».
Mas David respondeu a Abisaí:
«Não o mates.
Quem poderia estender a mão contra o ungido do Senhor
e ficar impune?».
David levou da cabeceira de Saul a lança e o cantil,
e os dois foram-se embora.
Ninguém viu, ninguém soube, ninguém acordou.
Todos dormiam, por causa do sono profundo
que o Senhor tinha feito cair sobre eles.
David passou ao lado oposto
e ficou ao longe, no cimo do monte,
de sorte que uma grande distância os separava.
Então David exclamou:
«Aqui está a lança do rei.
Um dos servos venha buscá-la.
O Senhor retribuirá a cada um segundo a sua justiça e fidelidade.
Ele entregou-te hoje nas minhas mãos,
e eu não quis atentar contra o ungido do Senhor».
A atitude de David convida a reconhecer que todos os homens pertencem a Deus, estão marcados pela unção do seu amor e só Deus pode decidir das suas vidas. Nem sequer os inimigos podem ser alvo da nossa ira ao ponto de decidirmos tirar-lhes a vida. A resposta certa é a misericórdia.
Salmo Responsorial Salmo 102 (103), 1-2.3-4.8.10.12-13 (R. 8a)
O salmista compreende que não há perdão como aquele que tem a Deus como origem. Só o perdão de Deus é perfeito, só a sua misericórdia é capaz de recrear a imagem original perdida pelo pecado. O Senhor não apenas perdoa, ele cura, salva, coroa de graça. Pelo perdão, o Senhor, recria-nos como novas criaturas, segundo o seu coração, para aprendermos com ele a perdoar.
LEITURA II 1Cor 15, 45-49
Irmãos:
O primeiro homem, Adão, foi criado como um ser vivo;
o último Adão tornou-se um espírito que dá vida.
O primeiro não foi o espiritual, mas o natural;
depois é que veio o espiritual.
O primeiro homem, tirado da terra, é terreno;
o segundo homem veio do Céu.
O homem que veio da terra
é o modelo dos homens terrenos;
o homem que veio do Céu
é o modelo dos homens celestes.
E assim como trouxemos em nós a imagem do homem terreno,
traremos também em nós a imagem do homem celeste.
Nascidos de Adão, segundo a carne, somos novas criaturas segundo Cristo. Se a origem terrena nos atrai para as coisas da terra, a origem espiritual atrai-nos para o céu. Por Adão somos homens para a morte, voltaremos ao pó de onde viemos. Por Cristo somos espirituais e chamados a viver no céu ressuscitados com Cristo. Enquanto vivermos entre a origem e o destino trazemos em nós a imagem do homem terreno e a imagem do homem celeste.
EVANGELHO Lc 6, 27-38
Naquele tempo,
Jesus falou aos seus discípulos, dizendo:
«Digo-vos a vós que Me escutais:
Amai os vossos inimigos,
fazei bem aos que vos odeiam,
abençoai os que vos amaldiçoam,
orai por aqueles que vos injuriam.
A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a outra;
e a quem te levar a capa, deixa-lhe também a túnica.
Dá a todo aquele que te pedir,
e ao que levar o que é teu, não o reclames.
Como quereis que os outros vos façam,
fazei-lho vós também.
Se amais aqueles que vos amam,
que agradecimento mereceis?
Também os pecadores amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem,
que agradecimento mereceis?
Também os pecadores fazem o mesmo.
E se emprestais àqueles de quem esperais receber,
que agradecimento mereceis?
Também os pecadores emprestam aos pecadores,
a fim de receberem outro tanto.
Vós, porém, amai os vossos inimigos,
fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca.
Então será grande a vossa recompensa
e sereis filhos do Altíssimo,
que é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos,
como o vosso Pai é misericordioso.
Não julgueis e não sereis julgados.
Não condeneis e não sereis condenados.
Perdoai e sereis perdoados.
Dai e dar-se-vos-á:
deitar-vos-ão no regaço uma boa medida,
calcada, sacudida, a transbordar.
A medida que usardes com os outros
será usada também convosco».
Viver uma relação autêntica com Deus exige adquirir os mesmos sentimentos de Deus. Deus é misericordioso e com ele aprendemos a ser misericordiosos. Este sentimento não tem limites. De acordo com as palavras de Jesus reveladas por Lucas neste texto do sermão da montanha, a misericórdia ou perdão deve estender-se até aos inimigos e deve ser gratuito, sem esperar nada em troca.
Reflexão da Palavra
A primeira leitura situa-nos no contexto do início da monarquia em Israel. Israel tinha exigido a Deus um rei porque queria ser como todos os povos. Contra a vontade de Samuel, Deus aceitou o desafio e mandou o profeta Samuel ungir Saúl como primeiro rei de Israel. Saul era ainda jovem, de belo aspeto e com capacidades acima dos outros jovens do seu tempo. Depressa, porém, se deixou vencer pelo poder e por tudo o que o poder traz. Desagradou a Deus de tal modo, que Deus decidiu escolher outro rei para substituir Saul. A escolha recaiu sobre David, o jovem pastor.
Impreparado, mas corajoso, David vence Golias, o temido guerreiro que estava à frente do exército dos filisteus. Esta vitória engrandeceu Israel mas entristeceu Saúl que, dominado pelos ciúmes e pela inveja, levanta o seu exército contra David com intenção de o matar.
No texto deste domingo conta-se que o exército de Saúl é superior e espera capturar David no deserto de Zif. Os planos, no entanto, alteram-se e David consegue entrar no acampamento de Saúl enquanto todos dormiam. Os sinais parecem claros para Abisaí, o amigo fiel de David: “Deus entregou-te hoje nas mãos o teu inimigo”. É isso mesmo que David acaba por dizer a Saúl “Ele entregou-te hoje nas minhas mãos”. Matar Saúl naquela situação parece ser a vontade de Deus e era compreensível, pois podia alegar defesa pessoal. Abisaí, assim entende e assim quer fazer, “deixa que de um só golpe eu o crave na terra com a sua lança e não terei de o atingir segunda vez”.
Por que razão David não mata Saúl? Não é por medo dos três mil soldados de Saúl, não é por não ter oportunidade, pois, “todos dormiam, por causa do sono profundo que o Senhor tinha feito cair sobre eles”. David tem uma oportunidade única. No entanto, David lê os acontecimentos por outra perspetiva que Abisaí não consegue ver, Saúl também não, e que é pouco habitual ser tida em conta. A perspetiva de David é a de Deus. Quem é Saúl aos olhos dos homens? O inimigo de David. E aos olhos de Deus? É o ungido do Senhor. Colocando-se nesta perspetiva, David responde de um modo novo “eu não quis atentar contra o ungido do Senhor”. E, porquê? Porque, “quem poderia estender a mão contra o ungido do Senhor e ficar impune?”. Apesar de não ter sido fiel ao Senhor, Saúl é “o ungido do Senhor” e David não pode atentar contra ele. Só Deus pode decidir o destino de Saúl.
O salmo 102 vai responder a esta primeira leitura revelando que Deus é misericórdia para connosco porque “Ele sabe de que somos formados”. Tratando-se de um hino à misericórdia de Deus, podem identificar-se três partes distintas. O salmista começa por se convidar a si mesmo a louvar o Senhor, “bendiz, ó minha alma, o Senhor…”, passa depois a descrever os motivos desse louvor, o Senhor perdoa, cura, salva e enche de graça e misericórdia… e finalmente, em jeito de conclusão convida os anjos, os astros e todas as obras de Deus, a louvar o Senhor “em todos os lugares”. Em todo o salmo ressoa a misericórdia, o perdão, o infinito amor de Deus como o motivo do louvor. Ressoa ainda a preocupação do Senhor pelos seus filhos porque os conhece, sabe de que são feitos e, por isso, usa de paciência e compaixão para com eles.
Na sequência da explicação sobre “como ressuscitam os mortos”, Paulo apresenta a distinção entre o homem terreno e o homem espiritual, a partir da figura de Adão. O primeiro Adão é terreno e o segundo Adão, ou seja, Cristo, é espiritual.
Adão não é um homem singular, mas o plural, a humanidade. Ao falar de Adão, Paulo pretende falar da humanidade criada com uma vocação espiritual, de acordo com a afirmação de Génesis, “façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. A humanidade foi criada para realizar a vocação espiritual de ser imagem e semelhança de Deus.
Há, segundo Paulo, uma humanidade que se deixou corromper pela serpente, permanecendo como homem terreno, não realizando a sua vocação. Em Cristo, novo Adão, começa uma nova humanidade, a daqueles que, pela vida que receberam de Cristo, atingiram o estado de homem espiritual. Aquele que permanece terreno tem comportamento terreno e caminha para a morte. Mas aquele que se torna espiritual, tem um comportamento espiritual e encontra a vida.
Enquanto permanecermos na terra estamos divididos entre o homem terreno e o homem espiritual. Nenhum de nós é puramente terreno e puramente espiritual. Trazemos em nós as marcas de Adão, a inclinação para o mal e os desejos terrenos e trazemos em nós também as marcas da cruz de Cristo e o desejo do céu. Somos simultaneamente do céu e da terra. Por isso Paulo diz “assim como trouxemos em nós a imagem do homem terreno, traremos também em nós a imagem do homem celeste”.
Na ressurreição atingiremos o estatuto perfeito de homem espiritual. Seremos, sem oposição entre corpo e alma, na totalidade do nosso ser, como Cristo ressuscitado.
O evangelho é toda uma proposta que é feita a quem deseja traduzir na vida os mesmos sentimentos que se encontram em Deus para ser “filho do Altíssimo”.
A história da humanidade é uma história de violência e a mesmo tempo uma luta permanente para a erradicar a violência das relações entre os homens e entre os povos. Desde Caim que a violência é uma constante e também desde ali se propõem formas de vencer esta violência. Deus protege Caim, apesar do seu pecado, prometendo “se alguém matar Caim, será castigado sete vezes mais”. Mais tarde vem a Lei de Talião “olho por olho e dente por dente”. A não violência foi-se manifestando de muitos modos e com diversas razões. David não exerce violência sobre Saúl porque ele é o ungido do Senhor. Jesus propõe ir mais longe, para lá da não violência, até ao amor aos inimigos.
A proposta é de vencer o homem carnal e chegar ao homem espiritual. Este, vive acima dos limites terrenos, na gratuidade, à imagem de Deus “que é bom até para os ingratos e os maus”. É a vocação de que fala Paulo na carta aos coríntios. Chamados em Cristo a ser misericordiosos como Deus é misericordioso, numa vocação que atravessa a história da humanidade sob o olhar da paciência e pedagogia amorosa de Deus que ensina aos homens “como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também”.
Trata-se do amor ao próximo que elogia a atitude de David para com Saúl e a supera, “amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam”. Responder com violência à violência é a resposta do homem terreno, como Caim. Perdoar os inimigos é fazer a experiência do homem espiritual, à imagem de Cristo, o homem perfeito.
A proposta de Jesus não é apenas a não violência como conquista humana da paz. Trata-se de ser filho de Deus, ser como Deus e superar a habitual atitude de “amar aqueles que vos amam”, “fazer bem àqueles que vos fazem bem”, “emprestar àqueles que podem retribuir”. O desafio de Jesus é ir mais além da bondade, porque bons são todos, mesmo aqueles que não receberam o evangelho. Aos discípulos, Jesus exige mais “, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca”. Porque a recompensa vem de Deus e consiste em ser seus filhos.
Os que assim fazem não têm medo de ser julgados, mas têm medo de cair na armadilha de julgar e condenar de modo gratuito e inconsciente que tira ao outro a possibilidade de viver, porque essa é a medida com que serão julgados e condenados, “a medida que usardes com os outros será usada também convosco”.
Meditação da Palavra
Ser como os pecadores ou ser como o Pai que está nos céus? Ser homem terreno ou homem espiritual? Ser como Saúl ou como David? Seguir a lógica humana ou a lógica de Deus? A diferença entre uma posição e outra é maior do que a distância entre a terra e o céu.
Como descendentes de Adão, trazemos na carne as marcas do homem terreno. As marcas do pecado inclinam-nos para o pó “tu és pó e ao pó voltarás”. O nosso olhar está fixado na terra de onde viemos. Somos nascidos da Adamá, da terra. No batismo passámos pela experiência da morte e da ressurreição com Cristo, e tornámo-nos com ele homens espirituais, filhos de Deus, cidadãos do céu, destinados à vida, “trouxemos em nós a imagem do homem terreno, traremos também em nós a imagem do homem celeste”.
Paulo fala da nossa condição de homem terreno no passado. Recorda que fomos esse homem, mas deixámos de o ser pelo Batismo, verdadeira adesão a Cristo e ao seu evangelho, que é convite a amar, fazer o bem, abençoar, orar, “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam”, que são caraterísticas do homem celeste.
Entretanto, continuamos a sentir a força do homem terreno. Em muitas circunstâncias não respondemos de acordo com os princípios do homem celeste, mas segundo os critérios do homem terreno. A primeira leitura mostra, de modo claro, esta realidade. Saúl é um homem ungido pelo Senhor. Foi constituído pela unção o rei de Israel, um homem de confiança diante de Deus. Entretanto, deixou que o ciúme dominasse a sua vida ao ponto de matar o homem celeste e revelar a irracionalidade do homem terreno.
Na mesma leitura, Abisaí, perante a possibilidade de salvar a pele dele e de David, entende que foi Deus quem preparou a armadilha a Saúl para que David acabasse com a sua vida por vingança. No seu raciocínio de homem terreno era lógico não perder aquela oportunidade e ganhar a batalha matando o rei. Contra a violência de Saúl a única resposta seria a vingança.
David, porém, faz uma leitura diferente. Para ele, Saúl, apesar dos sentimentos violentos que o impedem de pensar corretamente, continua a ser o eleito de Deus, o ungido do Senhor. Por isso a sua resposta não é a violência, mas o perdão. David sabe que a violência tem consequências. Livrava-se facilmente de Saúl, seu inimigo, “de um só golpe eu o crave na terra com a sua lança”, mas viveria com as mãos manchadas de sague o resto da vida por ter atentado contra o ungido do Senhor.
No evangelho Jesus apresenta os critérios de vida dos seus discípulos, chamados a ser como ele, homens celestes, que têm como objetivo principal serem “filhos do Altíssimo”. O discípulo de Jesus ama os inimigos, faz bem até aos que o odeiam, abençoa mesmo que o amaldiçoem, reza pelos que o perseguem, dá a face a quem lhe quer bater e dá a túnica a quem lhe quer levar a capa. Não reclama o que é seu e faz aos outros o que gostava que lhe fizessem e não espera retribuição. Menos que isto é ser como os pecadores, ou seja, como os que não conhecem o evangelho.
O discípulo de Jesus, vive os critérios do homem celeste porque quer ser misericordioso como o Pai. Sabe que a medida de Deus supera a medida dos homens, por isso não teme que o julguem ou condenem, preocupa-se em não julgar, nem condenar. A sua preocupação é dar e perdoar porque sabe que a sua recompensa é grande nos céus, pois Deus dá sempre com medida grande, calcada, a transbordar.
Esta é a proposta para o verdadeiro discípulo. Sabendo que ainda trazemos em nós as marcas do homem terreno, sabemos também que um dia seremos misericordiosos como o Pai do céu é misericordioso. Chegaremos à estatura do homem espiritual, à imagem de Cristo, capazes de perdoar aos inimigos e de emprestar sem esperar agradecimento, simplesmente por sabermos, como David, que todos os homens são ungidos do Senhor.
Rezar a Palavra
Senhor, se medires as minhas palavras, os meus pensamentos, os meus desejos, os sentimentos que me assaltam em cada dia, estarei perdido. Mas tu és como um Pai que se compadece dos seus filhos. És paciente e cheio de bondade, não me tratas como os meus pecados merecem nem de acordo com as minhas culpas. A tua paciência para comigo ensina-me uma nova forma de viver, um novo homem que posso ser. Ensina-me a viver a partir dos critérios do homem do céu, do homem que deseja ser teu filho.
Compromisso semanal
Quero aprender a ver segundo os critérios de Deus.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/02/santos-do-dia-da-igreja-catolica-23-de-fevereiro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 23 de Fevereiro
Postado em: por: marsalima
São Policarpo de Esmirna
Nascido em uma família cristã da alta burguesia no ano 69, em Esmirna, Ásia Menor, atual Turquia. Os registros sobre sua vida nos foram transmitidos pelo seu biógrafo e discípulo predileto, Irineu, venerado como o “Apóstolo da França” e sucessor de Timóteo em Lion. Policarpo foi discípulo do apóstolo João, e teve a oportunidade de conhecer outros apóstolos que conviveram com o Mestre. Ele se tornou um exemplo íntegro de fé e vida, sendo respeitado inclusive pelos adversários. Dezesseis anos depois, Policarpo foi escolhido e consagrado para ser o bispo de Esmirna para a Ásia Menor, pelo próprio apóstolo João, o Evangelista.
Foi amigo de fé e pessoal de Inácio Antioquia, que esteve em sua casa durante seu trajeto para o martírio romano em 107. Este escreveu cartas para Policarpo e para a Igreja de Esmirna, antes de morrer, enaltecendo as qualidades do zeloso bispo. No governo do papa Aniceto, Policarpo visitou Roma, representando as igrejas da Ásia para discutirem sobre a mudança da festa da Páscoa, comemorada em dias diferentes no Oriente e Ocidente. Apesar de não chegarem a um acôrdo, se despediram celebrando juntos a liturgia, demonstrando união na fé, que não se abalou pela divergência nas questões disciplinares.
Ao contrário de Inácio, Policarpo não estava interessado em administração eclesiástica, mas em fortalecer a fé do seu rebanho. Ele escreveu várias cartas, porém a única que se preservou até hoje foi a endereçada aos filipenses no ano 110. Nela, Policarpo exaltou a fé em Cristo, a ser confirmada no trabalho diário e na vida dos cristãos. Também citou a Carta de Paulo aos filipenses, o Evangelho, e repetiu as muitas informações que recebera dos apóstolos, especialmente de João. Por isto, a Igreja o considera “Padre Apostólico”, como foram classificados os primeiros discípulos dos apóstolos.
Durante a perseguição de Marco Aurélio, Policarpo teve uma visão do martírio que o esperava, três dias antes de ser preso. Avisou aos amigos que seria morto pelo fogo. Estava em oração quando foi preso e levado ao tribunal. Diante da insistência do pro cônsul Estácio Quadrado para que renegasse a Cristo, Policarpo disse: “Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Redentor? Ouça bem claro: eu sou cristão”! Foi condenado e ele mesmo subiu na fogueira e testemunhou para o povo: “Sede bendito para sempre, ó Senhor; que o vosso nome adorável seja glorificado por todos os séculos”. Mas a profecia de Policarpo não se cumpriu: contam os escritos que, mesmo com a fogueira queimando sob ele e à sua volta, o fogo não o atingiu.
Os carrascos foram obrigados a matá-lo à espada, depois quando o seu corpo foi queimado exalou um odor de pão cosido. Os discípulos recolheram o restante de seus ossos que colocaram numa sepultura apropriada. O martírio de Policarpo foi descrito um ano depois de sua morte, em uma carta datada de 23 de fevereiro de 156,enviada pela igreja de Esmirna à igreja de Filomélio. Trata-se do registro mais antigo do martirológio cristão existente.
Rafaela Ybarra (Bem-Aventurada)
Rafaela nasceu no dia 16 de janeiro de 1843, em Bilbao, Espanha, no seio da tradicional família cristã Ybarra, da alta burguesia local. De personalidade serena e afável teve a infância e adolescência felizes, recebendo uma sólida formação humana e religiosa, de acordo com os costumes da época.
Aos dezoito anos se casou com o engenheiro João Vilallonga, com quem teve sete filhos. Mas, a morte trágica da sua irmã e do cunhado, fez o casal assumir os cinco sobrinhos como seus próprios filhos. Rafaela soube conciliar sua obrigação familiar com uma vida cheia de caridade e riqueza espiritual.
Em pleno século XIX, a Espanha vivia um período conturbado, com o povo sofrendo severas privações provocadas pela Revolução Industrial, que se desencadeara no mundo. A grande população rural, principalmente a de jovens, se sentia acuada e era seduzida pelos novos pólos industriais que surgiam. Bilbao não foi uma exceção, atraindo uma legião deles, que buscavam uma melhor condição de vida. A este fato, Rafaela se manteve alerta. Sua situação social não foi um obstáculo para esta sensibilidade, ao contrário, tinha consciência dos perigos que a capital produzia, como a privação, exploração e marginalização.
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Com esta preocupação e neste campo realizou seu apostolado, de modo tão amplo, que nem mesmo depois de sua morte se sabia exatamente até onde poderia ter chegado. Colocou à distribuição das obras assistenciais todo o seu dinheiro e suas energias: recolhia as jovens que buscavam trabalho e depois de arranjar-lhes as colocações, as mantinham abrigadas sob seus cuidados até que tivessem uma profissão, com emprego e moradia dignos.
Cultivando o contato com Deus, através da oração, no amor ao próximo e na caridade para com todos; despertou e alicerçou as bases para a fundação de um novo instituto religioso. Ao mesmo tempo em que não descuidou da sua vida familiar, se dedicou a uma vida intensa de apostolado, atuando em todas as obras assistenciais que eram criadas em Bilbao. Entretanto, nunca abandonou seu sonho, ao contrário, solidificou muito bem o fundamento e elaborou as Regras, sob a orientação do bispo de sua diocese.
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No final de1894, junto com três jovens religiosas, assumiram o trabalho de “mães e educadoras” das meninas e jovens que necessitavam de ajuda naqueles anos tão difíceis. A missão se assemelhou a dos “Anjos da Guarda”, cujo nome tomou para sua fundação e cujas atitudes foram imitadas. Em 1897, a Congregação dos Santos Anjos da Guarda estava criada e dois anos depois aprovada pelo Vaticano, sendo a Casa Mãe em Bilbao, o modelo. Nesta ocasião, tentou se tornar uma religiosa, mas graves problemas a impediram.
Depois de padecer uma longa enfermidade, morreu em 23 de fevereiro de 1900, aos cinqüenta e sete anos. A santidade de sua vida foi reconhecida pela Igreja. O Papa João Paulo II, a beatificou em 1984, nesta ocasião as Irmãs se encontravam em toda a Espanha, Itália e América Latina. A fundadora recebe as homenagens no dia de sua morte.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 23 DE FEVEREIRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 15-16
Vós não recebestes um espírito de escravidão, para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
V. Em Vós, Senhor, está a fonte da vida:
R. Na vossa luz veremos a luz.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 22-23
Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não somente ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
V. Bendiz, minha alma, o Senhor:
R. Ele salva da morte a tua vida.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Tim 1, 9
Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça, essa graça que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade.
V. O Senhor conduziu-os seguros e sem temor
R. E introduziu-os na sua terra santa.
Oração
Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Pedro 1, 3-5
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na sua grande misericórdia nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe nem se mancha nem desaparece, reservada nos Céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


