“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 01 DE MARÇO DE 2025
1 de março de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 3 DE MARÇO DE 2025
3 de março de 2025Domingo VIII do Tempo Comum (Ano C)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início do Livro de Job 1, 1-22
Job é privado dos seus bens
Havia na terra de Hus um homem chamado Job, íntegro e recto, que temia a Deus e fugia do mal. Tinha sete filhos e três filhas. Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, quinhentas jumentas e grande quantidade de escravos. Era o mais rico de todos os habitantes do Oriente.
Os seus filhos costumavam celebrar banquetes sucessivamente em casa uns dos outros e convidavam as três irmãs para comerem e beberem com eles. Quando terminava a série desses banquetes, Job mandava chamar os seus filhos para os purificar e, no dia seguinte de madrugada, levantava-se e oferecia um holocausto por cada um deles. Porque dizia consigo: «Talvez os meus filhos tenham pecado e amaldiçoado a Deus no íntimo do seu coração». Assim fazia Job de cada vez.
Um dia em que os filhos de Deus se apresentavam diante do Senhor, Satanás apareceu também no meio deles. O Senhor disse-lhe: «De onde vens?». Satanás respondeu: «Venho de percorrer a terra, de rondar por toda ela». O Senhor disse-lhe: «Reparaste no meu servo Job? Não há ninguém como ele na terra: é homem íntegro e recto, que teme a Deus e se desvia do mal».
Satanás respondeu ao Senhor: «Porventura teme Job a Deus de maneira desinteressada? Não o cercastes Vós com uma vedação protectora, a ele, à sua casa e a todos os seus bens? Abençoastes o trabalho das suas mãos, e os seus rebanhos cobrem toda a região. Mas estendei a mão e tocai nos seus bens, e vereis que Vos amaldiçoa frente a frente». Disse então o Senhor a Satanás: «Pois bem. Tudo o que lhe pertence fica sob o teu domínio, mas não estenderás a mão sobre ele». E Satanás saiu da presença do Senhor.
Ora um dia em que os filhos e as filhas de Job comiam e bebiam em casa do irmão mais velho, um mensageiro veio dizer a Job: «Estavam os teus bois a lavrar e as jumentas a pastar junto deles, quando os sabeus arremeteram contra eles e os levaram, e passaram os criados ao fio da espada. Só escapei eu, para te vir dar a notícia».
Ainda ele estava a falar, quando outro veio dizer: «Caiu do céu o fogo de Deus: queimou e reduziu a cinzas as ovelhas e os criados. Só escapei eu, para te vir dar a notícia». Ainda este falava, quando chegou outro e lhe disse: «Os caldeus, divididos em três grupos, lançaram-se sobre os teus camelos e levaram‑nos, e passaram os criados ao fio da espada. Só escapei eu, para te vir trazer a notícia».
Ainda este falava, quando outro entrou e disse: «Os teus filhos e as tuas filhas estavam a comer e a beber em casa do irmão mais velho, quando um vento impetuoso veio do lado do deserto e abalou os quatro cantos da casa. A casa desabou sobre os jovens e morreram todos. Só eu escapei para te vir dar a notícia».
Então Job levantou-se, rasgou o manto e rapou a cabeça. Depois prostrou-se por terra e disse:
«Saí nu do seio de minha mãe e nu para ele voltarei.
O Senhor deu, o Senhor tirou:
bendito seja o nome do Senhor».
Em tudo isto, Job não cometeu pecado, nem disse contra Deus nenhuma blasfémia.
RESPONSÓRIO Job 2, 10b; 1, 21
R. Se aceitamos os bens das mãos de Deus, porque não havemos de aceitar também os males? * O Senhor deu, o Senhor tirou: bendito seja o nome do Senhor.
V. Saí nu do seio de minha mãe e nu para ele voltarei. * O Senhor deu, o Senhor tirou: bendito seja o nome do Senhor.
SEGUNDA LEITURA
Do Comentário de São Gregório Magno, papa, sobre o livro de Job
(Lib. 1, 2.36: PL 75, 529-530.543-544) (Sec. VI)
Um homem simples e recto, temente a Deus
Há um género de simplicidade que melhor se deverá chamar ignorância; é a simplicidade daqueles que não sabem sequer o que é a rectidão; e porque não se elevam até à virtude da rectidão, esses perdem a inocência da verdadeira simplicidade: sem a prudência que a rectidão exige, a sua simplicidade deixa de ser verdadeira inocência.
É por isso que São Paulo exortava os discípulos com estas palavras: Quero que sejais prudentes para o bem e simples para o mal. E ainda: Não sejais crianças na maneira de julgar, mas sede crianças na ausência de malícia.
É por isso também que a própria Verdade ordena aos seus discípulos: Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Na sua advertência junta as duas coisas de modo inseparável, para que a astúcia da serpente complemente a simplicidade da pomba e, por sua vez, a simplicidade da pomba modere a astúcia da serpente.
Foi por isso que o Espírito Santo manifestou aos homens a sua presença não só em figura de pomba, mas também sob a forma de fogo: na pomba está representada a simplicidade, e no fogo o zelo. Esta sua manifestação em figura de pomba e de fogo contém um duplo ensinamento: os que estão cheios do Espírito Santo de tal modo devem proceder com mansidão e simplicidade que não deixem de se inflamar de zelo pela rectidão contra as culpas dos delinquentes.
Simples e recto, temente a Deus e afastado do mal. Todo aquele que anseia pela pátria eterna vive com simplicidade e rectidão: simples nas suas obras, recto na sua fé; simples na prática do bem cá na terra, recto na aspiração interior pelos bens celestes. De facto, há pessoas a quem lhes falta a simplicidade no bem que realizam, porque buscam a retribuição material e não a espiritual. Por isso, com razão dizia o Sábio: Ai do homem que vai por dois caminhos! Vai por dois caminhos o homem pecador, quando as suas obras parecem ser de Deus, mas as suas intenções são do mundo.
Bem se diz de Job: Temente a Deus e afastado do mal, porque a santa Igreja dos eleitos inicia o seu caminho de simplicidade e rectidão pelo temor, mas leva-o à perfeição pelo amor. Afasta-se radicalmente do mal aquele que, por amor de Deus, detesta o pecado. Mas quando pratica o bem apenas por temor, ainda não se afastou totalmente do mal; e nisto não evita o pecado, porque queria pecar, se o pudesse fazer impunemente.
Por isso, quando se diz que Job temia a Deus, justamente se afirma que se afastava do mal: quando o amor segue o temor, é eliminada toda a culpa na consciência pelo firme propósito da vontade.
RESPONSÓRIO Hebr 13, 21; 2 Mac 1, 4
R. Deus vos torne aptos para cumprir a sua vontade em toda a espécie de boas obras, * E realize em vós o que Lhe é agradável, por Jesus Cristo.
V. Abra o vosso coração à sua lei e aos seus ensinamentos. * E realize em vós o que Lhe é agradável, por Jesus Cristo.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
2 Tim 2, 8.11-13
Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de Davi, ressuscitou dos mortos. É digna de fé esta palavra: se morremos com Cristo, também com ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanecerá fiel, porque não pode negar-se a si mesmo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-viii-do-tempo-comum-ano-c/>]
Domingo VIII do Tempo Comum (Ano C)
LEITURA I Sir 27, 5-8 (gr. 4-7)
Quando agitamos o crivo, só ficam impurezas:
assim os defeitos do homem aparecem nas suas palavras.
O forno prova os vasos do oleiro,
e o homem é posto à prova pelos seus pensamentos.
O fruto da árvore manifesta a qualidade do campo:
assim as palavras do homem revelam os seus sentimentos.
Não elogies ninguém antes de ele falar,
porque é assim que se experimentam os homens.
Usando o exemplo do crivo com que se peneira a farinha, o forno do oleiro e a qualidade dos frutos da árvore, Ben Sira, explica que o homem se conhece pelas palavras. É nelas que se revelam os defeitos e os sentimentos do homem. Portanto, conclui, “Não elogies ninguém antes de ele falar”
Salmo Responsorial Salmo 91 (92), 2-3.13-14.15-16 (R.cf. 2a)
O salmo responde à primeira leitura mostrando que o justo, aquele cujas palavras revelam a verdadeira sabedoria, é como uma árvore que floresce à sombra de Deus. O justo é aquele que canta e louva o Senhor com salmos, e mantém o seu vigor mesmo na velhice.
LEITURA II 1Cor 15, 54-58
Irmãos:
Quando este nosso corpo corruptível se tornar incorruptível
e este nosso corpo mortal se tornar imortal,
então se realizará a palavra da Escritura:
«A morte foi absorvida na vitória.
Ó morte, onde está a tua vitória?
Ó morte, onde está o teu aguilhão?».
O aguilhão da morte é o pecado,
e a força do pecado é a Lei.
Mas demos graças a Deus,
que nos dá a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim, caríssimos irmãos,
permanecei firmes e inabaláveis,
cada vez mais diligentes na obra do Senhor,
sabendo que o vosso esforço não é inútil no Senhor.
Sabendo que Jesus já alcançou a vitória sobre a morte e nos espera a imortalidade quando se realizar a Palavra da Escritura, não podemos desanimar. A vitória é certa e o esforço não é inútil. Por isso, a vida do cristão deve ser um permanente esforço para se manter ativo e constante “na obra do Senhor”.
EVANGELHO Lc 6, 39-45
Naquele tempo,
disse Jesus aos discípulos a seguinte parábola:
«Poderá um cego guiar outro cego?
Não cairão os dois nalguma cova?
O discípulo não é superior ao mestre,
mas todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre.
Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista
e não reparas na trave que está na tua?
Como podes dizer a teu irmão:
‘Irmão, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista’,
se tu não vês a trave que está na tua?
Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista
e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão.
Não há árvore boa que dê mau fruto,
nem árvore má que dê bom fruto.
Cada árvore conhece-se pelo seu fruto:
não se colhem figos dos espinheiros,
nem se apanham uvas das sarças.
O homem bom,
do bom tesouro do seu coração tira o bem;
e o homem mau,
da sua maldade tira o mal;
pois a boca fala do que transborda do coração».
O autêntico discípulo de Jesus não indica um caminho aos outros que ele próprio não tenha já percorrido. Procura limpar primeiro o seu coração, a sua mente e a sua vida para depois ajudar o irmão a limpar também a sua. Procura primeiro dar frutos de boas obras que correspondam à sua condição de discípulo que imita o mestre.
Reflexão da Palavra
Sabemos que o autor do livro de Sai é Jesus, o filho de Eleazar, filho de Sira, um judeu culto preocupado com a juventude que está ameaçada pela cultura grega e em risco de perder as referências da sua cultura e da sua fé. Todo o livro é uma forma de educar os mais novos nos princípios, valores e critérios da fé judaica.
No pequeno texto que se lês este domingo, o autor alerta para a importância da palavra como revelação do interior do homem. Do mesmo modo que a peneira, o crivo, revela as impurezas que se podem encontrar na farinha branca, o fogo prova a qualidade do barro e os frutos das árvores revelam a qualidade do terreno, do mesmo modo as palavras revelam o interior do homem. Por isso, adverte Bem Sira, “não elogies ninguém antes de ele falar, porque é assim que se experimentam os homens”.
O salmo, responde à primeira leitura apresentando a diferença entre o salmista e os insensatos, os ímpios. Construído em três partes, o salmo começa com uma introdução em forma de louvor “É bom louvar o Senhor e cantar salmos ao vosso nome, ó Altíssimo”, depois, numa segunda parte, revela que a sorte do ímpio é bem diferente da sorte do justo. O salmista é o justo que pode afirmar “Tu me alegraste com as tuas obras”, “aumentaste a minha força…ungiste-me” e, por isso, acredita que verá a sorte dos que lhe fazem mal “com meus olhos verei… com meus ouvidos, ouvirei”. Os ímpios, que atentam contra a vida do salmista, esses, “não entende estas coisas”. “Ainda que cresçam como a erva e floresçam… serão exterminados”, enquanto que o justo “o justo florescerá…, crescerá” e “mesmo na velhice dará o seu fruto”. O salmista acredita que, aconteça o que acontecer, o mau será castigado e o justo recompensado.
Na segunda leitura chegámos ao fim do capítulo 15, todo dedicado a responder aos diversos problemas que se colocam na comunidade a respeito da ressurreição. Pelas palavras da pequena leitura de hoje, percebe-se que, para Paulo, a ressurreição consiste em adquirir os atributos de Deus. Nós somos corruptíveis e Deus é incorruptível “quando este nosso corpo corruptível se tornar incorruptível”; nós somos mortais e Deus é imortal “quando este nosso corpo mortal se tornar imortal”. Pela ressurreição seremos definitivamente imagem e semelhança de Deus, como o próprio Deus pretendia no início. Esta transformação acontece pela vontade de Deus e pela ação de Cristo e é, para Paulo, uma verdadeira vitória sobre a morte, “dêmos graças a Deus, que nos dá a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo”. Por isso, recorda o apóstolo, “o vosso esforço não é inútil” porque a vitória é certa. A morte já não tem poder sobre nós, “Ó morte, onde está a tua vitória?”, nem a morte nem o pecado, nem a lei, por isso damos “graças a Deus” e nele permanecemos “firmes e inabaláveis”.
O texto do evangelho situa-se no final do discurso que Jesus realiza depois de descer do monte onde escolhe os doze, que inclui as bem-aventuranças. Trata-se de um conjunto de comparações que pretendem ensinar as atitudes do discípulo na relação com os irmãos. Lucas chama-lhe parábola, “disse Jesus aos discípulos a seguinte parábola”. Na realidade são pequenos ensinamentos tirados da lógica quotidiana, fáceis de entender e de guardar para ter em conta na vida.
As ditas comparações salientam o óbvio, um cego não pode guiar um cego, um discípulo não está acima do mestre, uma trave à frente dos olhos não permite ver o argueiro do irmão e uma árvore má não pode dar bons frutos, assim como um homem mau não pode tirar coisas boas do seu coração. Parece lógico e de fácil aceitação. Lucas serve-se de perguntas retóricas para dar ainda mais força às comparações.
Depois das bem-aventuranças, do amor aos inimigos e da ordem para não julgar nem condenar que não deixava outra hipótese a quem quer ser discípulo de Jesus, estas palavras reforçam a diferença entre os outros, os pecadores, e os irmãos da comunidade cristã.
Lucas pretende dizer que ninguém pode ensinar a outro um caminho que não percorreu, mas também ninguém deve preferir seguir um cego em vez de seguir Jesus. Ninguém pode limpar a vista do irmão se não limpou primeira a sua, mas também não deve querer permanecer com o argueiro na sua vista. Ninguém pode dar bons frutos se não for realmente bom no seu coração, mas também não deve querer continuar a ser uma árvore má. Ninguém na comunidade pode ser mais do que o mestre, ninguém pode colocar-se no lugar dele, mas todos devem aprender dele para serem como ele. Assim, na comunidade, quem ensina é sempre e unicamente Jesus, pois só ele é o mestre.
Meditação da Palavra
Jesus encontra-se numa planície, lugar escolhido para ensinar os seus discípulos. Recordamos que, o ensino de Jesus começa pela apresentação das quatro Bem-aventuranças e as quatro maldições, mostrando aos discípulos dois caminhos possíveis para seguirem. Um conduz à vida, à bem-aventurança, à felicidade. O outro, parecendo ser uma bênção transforma-se numa maldição, conduz à desgraça, é o caminho da infelicidade.
Depois, Jesus, desafia os discípulos a serem como Deus, misericordiosos. A irem mais longe no amor, amando os inimigos, fazendo bem mesmo quando forem odiados, abençoando quando forem amaldiçoados, e rezando por todos, bons e maus. E, em nenhuma circunstância julgar ou condenar, mas sempre perdoar.
O desafio de ser como Deus é a proposta que faz Paulo na segunda leitura. Somo corruptíveis e mortais, mas em Cristo, pelo batismo, tornámo-nos incorruptíveis e imortais graças à sua paixão. Por isso tudo deve concorrer para concretizar em nós esta promessa de vida eterna. Desde logo “permanecei firmes e inabaláveis, cada vez mais diligentes na obra do Senhor” e dando “graças a Deus”, pois é ele“que nos dá a vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Permanecer firmes e inabaláveis implica a capacidade de discernir com os mesmos critérios de Deus, abandonando os critérios humanos que são, muitas vezes, desumanos e injustos. A primeira leitura alerta para o facto de podermos avaliar as pessoas pelo seu exterior e não ter em conta o seu interior. Por vezes, nos nossos juízos, consideramos as pessoas a partir da sua riqueza, em razão do estatuto familiar, da posição social ou dos benefícios que nos podem advir dessa preferência. Ben Sira alerta para o facto de “as palavras do homem revelam os seus sentimentos” e são os sentimentos o mais importante porque é o que o homem tem dentro de si.
Permanecer firmes e inabaláveis não é ser perfeitos, mas permanecer em caminho. Na comunidade cristã não há os perfeitos e os imperfeitos, há homens e mulheres que estão a fazer caminho. Por isso ninguém pode autoproclamar-se condutor dos irmãos porque só quem já fez o caminho sabe orientar. Só Jesus fez o caminho todo, só ele pode indicar por onde devem seguir todos, para seguirem com a segurança de não cair em nenhuma cova.
Todos na comunidade têm algo que precisa ser corrigido, um argueiro que precisa ser tirado. A pergunta é saber quem pode tirar esse argueiro? Só o Senhor vê o que está no coração para poder limpar. A comunidade pode discernir, a partir da palavra de Deus, a forma mais indicado de realizar a correção fraterna de modo a que todos os irmãos se sintam apoiados no caminho de conversão. Mas ninguém pode ocupar o lugar de Deus na avaliação dos corações.
A árvore pode dar maus frutos e o coração pode estar cheio de coisas más, mas ninguém é dono da árvore nem dos corações ao ponto de decidir arrancar a árvore e remover o coração. Só Deus, com a sua paciência pode decidir quantos anos mais aquela árvore vai permanecer naquele lugar até começar a dar fruto ou até quando o coração precisa de ser trabalhado para se livrar do mal e começar a produzir frutos de boas obras.
Em todos há alguma espécie de cegueira, um argueiro a precisar de ser retirado, um impedimento para produzir bons frutos ou um coração com dificuldade de amar. Deus que conhece o interior de cada homem conta connosco para manifestar os sentimentos de misericórdia, de amor e de perdão, que facilitam o caminho para o encontro com Jesus, em quem todas as imperfeições encontram remédio, toda a cegueira encontra a luz, todas as impurezas são eliminadas e todo o terreno se transforma em terra boa, capaz de produzir frutos em abundância.
Rezar a Palavra
Dá-me, Senhor, um coração capaz de reconhecer o mal que existe em mim e o bem que os irmãos da minha comunidade me querem, quando me alertam para alguma imperfeição. Que a tua palavra, refletida, meditada e rezada no seio da comunidade, faça de nós todos um sinal da tua grande misericórdia. Que os frutos se vejam na tua Igreja através das palavras de cada um dos que celebramos o mistério da tua paixão.
Compromisso semanal
Caminho, certo de que Jesus me leva até à imortalidade.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/03/santos-do-dia-da-igreja-catolica-02-de-marco/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 02 de Março
Postado em: por: marsalima
São Simplício
Simplício nasceu na cidade italiana de Tivoli e seu pai se chamava Castino. Depois disso, os dados que temos dele se referem ao período que exerceu a direção da Igreja, aliás uma fase muito difícil da História da Humanidade: a queda do Império Romano. Ao contrário do que se podia esperar, teve um dos pontificados mais longos do seu tempo, quinze anos, de 468 a 483.
Nessa época, Roma , depois de resistir às invasões de godos, visigodos, hunos, vândalos e outros povos bárbaros, acabou sucumbindo aos hérulos, chefiados pelo rei Odoacro, que era adepto do arianismo e depôs o imperador Rômulo Augusto. A partir daí, conquistadores de todos os tipos se instalaram, depredaram, destruíram e repartiram aquele Império, tido como o centro do mundo. Roma, que era sua capital, sobreviveu. Nesse melancólico final, a única autoridade moral restante, a que ficou do lado do povo e acolheu, socorreu, escondeu e ajudou a enfrentar o terror, foi a do Papa Simplício.
Ele fazia parte do clero romano e foi eleito para suceder o Papa Hilário. Tinha larga experiência no serviço pastoral e social da Igreja e uma vantagem: ter convivido com o Papa Leão Magno, depois proclamado santo e doutor da Igreja, que deteve a invasão de Átila, o rei dos bárbaros hunos. Ao Papa Simplício, nunca faltou coragem, fé e energia, virtudes fundamentais para o exercício da função. Ele soube manter vivamente ativas as grandes basílicas de São Pedro, São Paulo Fora dos Muros e São Lorenço, que a partir do seu pontificado passaram a acolher os católicos em peregrinação aos túmulos dos Santos Apóstolos. Depois construiu e fundou muitas igrejas novas, sendo as mais famosas aquelas dedicadas a São Estevão Rotondo e a Santa Bibiana. Trabalhou para a expansão das dioceses e reafirmou o respeito à genuína fé em Cristo e à Igreja de Roma.
Os escritos antigos registram suas várias cartas à bispos, orientando sobre a forma de enfrentar o nestorianismo e o monofisitismo, duas heresias orientais que na época ameaçavam a integridade da doutrina católica e vinham se espalhando por todo o mundo cristão. Mas o Papa Simplício se manteve ativo ao lado do povo, ensinando, pregando, dando exemplo de evangelizador, apesar dessas e outras dificuldades. Além disso mostrou respeito a todo tipo de expressão da arte; foi ele que ordenou para serem colocados à salvo da destruição dos bárbaros os mosaicos considerados pagãos, da igreja de Santo André. Morreu, amado pelo povo e respeitado até pelos reis hereges, no dia 10 de março de 483. Suas relíquias são veneradas na sua cidade natal, Tivoli, Itália.
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Foi assim que Roma, graças à atuação do Papa Simplício, apesar de assolada por hereges de todas as crenças e origens, deixou de ser a Roma dos Césares passando a ser a Roma dos Papas e da Santa Sé. A sua comemoração litúrgica ocorre no dia 02 de março.
Henrique Suso (Bem-Aventurado)

Nascido na ilha de Constança, na Alemanha, no dia 21 de março de 1295, foi um dos principais representantes do movimento religioso, que floresceu na região do rio Reno, no início do século XIV. Religioso dominicano, escritor e místico, se tornou um dos teólogos alemães mais conhecidos, pela característica da singular doçura de sua espiritualidade e pela clareza do conceito transmitido de que a vida interior é acessível a todas as almas seguidoras da Paixão de Jesus Cristo.
Seu pai era um rico comerciante, não muito religioso, da nobre dinastia dos Berg, e sua mãe, uma senhora muito pia, era da tradicional família cristã dos Suese ou Suso, forma latina do nome. Henrique preferiu manter o sobrenome da mãe. Desde a infância foi educado pelos dominicanos, demonstrando sua vocação religiosa já nesta época. Aos treze anos, ingressou como noviço no convento de São Nicolau, desta Ordem, em Constança, período em que desenvolveu muito, sua espiritualidade.
Aos dezesseis anos, viveu um período de fé incerta, o qual superou através da somatória das penitências rigorosas com as orações contemplativas. Dois anos depois, coroou sua completa conversão, marcando com ferro em brasa o nome de Jesus, no lado esquerdo do peito. Isto ocorreu, após uma experiência mística, na qual, viu um anjo unindo o seu coração ao do Cristo. A partir de então, seu zelo se traduziu numa entrega espiritual mais prudente; Deus o fez compreender que a melhor mortificação consistia em aceitar com resignação as provas enviadas por Ele.
No convento dominicano em Constança, fez os estudos preparatórios, filosóficos e teológicos. Depois foi enviado para o Colégio Geral de Estrasburgo e finalmente para a universidade de Colônia, diplomando-se com destaque. Ao invés de uma carreira brilhante eclesiástica, preferiu retornar para Constança, em 1329, como professor de Teologia no colégio dos dominicanos. Alí, durante os sete anos seguintes, escreveu suas obras mais importantes: o Livro da Sabedoria Eterna e o Livro da Verdade. Narrou com simplicidade e clareza os mistérios da alma, que desvendava através dos seus colóquios íntimos com Cristo, veiculados pelas orações silenciosas e experiências contemplativas.
Em 1336, Henrique sentiu que era hora de partir para o apostolado peregrino. Viajou por toda Alemanha, passando pela Suíça e Países Baixos, tornando-se um incansável pregador itinerante do nome de Cristo. Durante quatro anos, até 1943 foi o diretor geral do convento alemão de Turgovia. Depois foi transferido para o de Ulm, no qual permaneceu até morrer, em 25 de fevereiro de 1366.
Ele não foi sepultado no cemitério comum aos padres dominicanos, mas na cripta da igreja daquele convento. Até o final de 1531, sobre a sua lápide ardia uma chama atestando o seu culto. Depois seus restos mortais foram destruídos pelos protestantes, mas a sua lembrança se manteve e foram muitos os Santos que se inspiraram no seu exemplo para a busca da espiritualidade eleita. O Papa Gregório XVI, beatificou Henrique Suso em 1831, determinando a sua festa litúrgica para o dia 2 de março.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 2 DE MARÇO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 6, 19-20
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não vos pertenceis a vós mesmos: fostes resgatados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo.
V. A minha alma suspira pelos átrios do Senhor,
R. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 10, 12
Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que respeites o Senhor teu Deus, que sigas todos os seus caminhos, que O ames e sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
V. Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?
R. O que vive sem mancha e diz a verdade que tem no coração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Cant 8, 6b-7
O amor é forte como a morte, e a paixão é violenta como o abismo. É uma chama ardente, um fogo divino. As águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir.
V. Eu Vos amo, Senhor, minha fortaleza,
R. Meu protector, minha defesa e meu salvador.
Oração
Concedei, Senhor nosso Deus, que Vos adoremos de todo o coração e amemos todos os homens com sincera caridade. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hebr 12, 22-24
Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva; de uma assembleia dos primogénitos cujos nomes estão inscritos no Céu; de Deus, juiz do universo; dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição; de Jesus, Mediador da Nova Aliança, e do Sangue de aspersão que fala mais eloquentemente que o sangue de Abel.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

