“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 8 DE MARÇO DE 2025
8 de março de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 10 DE MARÇO DE 2025
10 de março de 2025Domingo I da Quaresma (Ano C)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro do Êxodo 5, 1 – 6, 1
Opressão do povo de Deus
Naqueles dias, Moisés e Aarão foram ter com o Faraó e disseram-lhe: «Assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Deixa partir o meu povo, para que Me celebre uma festa no deserto’». O Faraó respondeu: «Quem é o Senhor, para que eu tenha de obedecer ao seu apelo, deixando partir Israel? Não conheço o Senhor, nem deixarei Israel partir».Eles disseram: «O Deus dos hebreus apareceu-nos. Deixa-nos fazer uma viagem de três dias através do deserto, para oferecermos um sacrifício ao Senhor nosso Deus, não suceda que nos fira de peste ou com a espada».Respondeu-lhes o rei do Egipto: «Porque estais vós, Moisés e Aarão, a desviar o povo dos seus trabalhos? Ide às vossas tarefas».E o Faraó acrescentou: «Agora, que eles já são mais numerosos que a população do país, quereis que interrompam as suas tarefas?».
Nesse dia, o Faraó deu esta ordem aos guardas e aos capatazes do povo:«Não mais fornecereis palha ao povo para fazer os tijolos como até agora; vão eles próprios apanhar a palha;e haveis de exigir-lhes o mesmo número de tijolos que antes, sem nada diminuirdes. São uns preguiçosos, e por isso andam a clamar: ‘Queremos ir oferecer um sacrifício ao nosso Deus’.Sobrecarregue-se o trabalho desses homens, a fim de que estejam ocupados e não dêem ouvidos a palavras mentirosas». Então os guardas e os capatazes saíram e disseram ao povo: «Eis o que ordena o Faraó: ‘Já não vos forneço a palha. Ide vós mesmos buscá-la onde a encontrardes. Entretanto, em nada vos será reduzida a tarefa imposta’».Então o povo dispersou-se por toda a terra do Egipto, a fim de arranjar a palha.Os guardas insistiam: «Tendes de acabar o vosso trabalho marcado para cada dia, como quando havia palha».Chegaram mesmo a bater nos capatazes dos filhos de Israel, que os guardas do Faraó tinham posto à frente deles. E diziam: «Porque não acabastes ontem e hoje a vossa conta de tijolos, como anteriormente?».
Então os capatazes dos filhos de Israel foram queixar-se ao Faraó: «Porque tratas assim estes teus servos?Não fornecem palha aos teus servos e dizem-nos: Fazei tijolos! E têm batido nos teus servos, como se a culpa fosse do povo».Mas ele respondeu: «Sois uns mandriões; sim, uns mandriões, e por isso é que dizeis: ‘Vamos oferecer um sacrifício ao Senhor’. Ide trabalhar. Não se vos dará palha, mas tendes de apresentar o mesmo número de tijolos».
Os capatazes dos filhos de Israel viram-se em situação difícil, quando lhes disseram: «Não podeis diminuir a quantidade de tijolos estabelecido para cada dia».Ao saírem da presença do Faraó, encontraram Moisés e Aarão que os esperavame disseram-lhes: «O Senhor olhe bem para vós e vos julgue. Tornastes a nossa presença odiosa aos olhos do Faraó e aos olhos dos seus servos e pusestes-lhes nas mãos uma espada para nos matar».
Então Moisés voltou-se para o Senhor e disse: «Porque afligis este povo? Porque me enviastes?Desde que me apresentei ao Faraó para lhe falar em vosso nome, ele tem maltratado este povo e Vós de nenhum modo livrastes o vosso povo».
Mas o Senhor respondeu a Moisés: «Agora verás o que Eu vou fazer ao Faraó: deixá-los-á partir à força, e ele mesmo os expulsará do país».
RESPONSÓRIO Cf. Ex 5, 1. 3
R. Moisés foi à presença do Faraó e disse-lhe: Assim fala o Senhor: * Deixa partir o meu povo, para que Me celebre uma festa no deserto.
V. O Senhor, Deus dos hebreus, mandou-me ter contigo e dizer-te: * Deixa partir o meu povo, para que Me celebre uma festa no deserto.
SEGUNDA LEITURA
Dos Comentários de Santo Agostinho, bispo, sobre os salmos.
(In Ps. 60, 2-3: CCL 39, 766) (Sec. V)
Em Cristo fomos tentados, n’Ele vencemos o demónio
Ouvi, ó Deus, o meu clamor, atendei a minha oração. Quem é que assim fala? Parece ser um só. Mas vê bem se é um só: Dos confins da terra por Vós clamo, quando me desfalece o coração. Portanto, se clama dos confins da terra, não se trata de um só; mas de facto é um só neste sentido: Cristo é um só, e todos nós somos seus membros. Na verdade, como pode um só homem invocar a Deus desde os confins da terra? Quem clama dos confins da terra é aquela herança, a respeito da qual foi dito ao próprio Filho: Pede-Me, e dar-Te-ei as nações como herança e os confins da terra como tua propriedade.
É esta propriedade de Cristo, esta herança de Cristo, este corpo de Cristo, esta única Igreja de Cristo, esta unidade formada por todos nós, que clama dos confins da terra. Mas qual é o seu clamor? O que antes dissemos: Ouvi, ó Deus, o meu clamor, atendei a minha oração. Dos confins da terra por Vós clamo. Quer dizer: o meu clamor provém dos confins da terra, isto é, de todas as partes do mundo.
E porque é que assim clamo? Porque me desfalece o coração. Com estas palavras revela que está no meio dos homens e por toda a face da terra, não rodeado de glória mas no meio de graves tentações.
De facto, a nossa vida, enquanto somos peregrinos na terra, não pode estar livre de tentações, e o nosso aperfeiçoamento realiza-se precisamente através das provações. Ninguém se conhece a si mesmo se não for provado, ninguém pode receber a coroa se não tiver vencido, ninguém pode vencer se não combater, e ninguém pode combater se não tiver inimigos e tentações.
Está em grande aflição Aquele que dos confins da terra faz ouvir o seu clamor, mas não será abandonado. Ele quis prefigurar-nos a nós que somos o seu Corpo; quis prefigurar-nos naquele seu Corpo em que já morreu e ressuscitou e subiu ao Céu, para que os membros esperem confiadamente chegar também aonde a Cabeça os precedeu.
Portanto, o Senhor transfigurou-nos em Si, quando quis ser tentado por Satanás. Líamos há pouco no Evangelho que o Senhor Jesus Cristo era tentado pelo demónio no deserto. Na verdade, Cristo foi tentado pelo demónio. Mas em Cristo também tu eras tentado, porque Ele tomou para Si a tua condição humana, para te dar a sua salvação; para Si tomou a tua morte, para te dar a sua vida; para Si tomou os teus ultrajes, para te dar a sua glória; por conseguinte, para Si tomou as tuas tentações, para te dar a sua vitória.
Se n’Ele somos tentados, n’Ele vencemos o demónio. Se te fixas no facto de Cristo ter sido tentado, considera também que Ele venceu. Reconhece-te tentado n’Ele, reconhece-te n’Ele vencedor. Bem poderia Ele ter mantido o demónio longe de Si; mas se não fosse tentado, não teria ensinado a vencer a tentação.
RESPONSÓRIO Cf. Jer 1, 19; 39, 18
V. Combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, * Porque Eu estou contigo para te salvar, diz o Senhor.
R. Não cairás morto à espada, mas salvarás a tua vida. * Porque Eu estou contigo para te salvar, diz o Senhor.
Oração
Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Neemias 8, 9.10
Hoje é um dia consagrado ao Senhor nosso Deus. Não vos entristeçais nem choreis, porque a alegria do Senhor é a nossa fortaleza.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que haveis de vir ao mundo.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-i-da-quaresma-ano-c/>]
Domingo I da Quaresma (Ano C)
LEITURA I Dt 26, 4-10
Moisés falou ao povo, dizendo:
«O sacerdote receberá da tua mão
as primícias dos frutos da terra
e colocá-las-á diante do altar do Senhor, teu Deus.
E diante do Senhor teu Deus, dirás as seguintes palavras:
‘Meu pai era um arameu errante,
que desceu ao Egito com poucas pessoas,
e aí viveu como estrangeiro,
até se tornar uma nação grande, forte e numerosa.
Mas os Egípcios maltrataram-nos, oprimiram-nos
e sujeitaram-nos a dura escravidão.
Então invocámos o Senhor, Deus dos nossos pais,
e o Senhor ouviu a nossa voz,
viu a nossa miséria, o nosso sofrimento
e a opressão que nos dominava.
O Senhor fez-nos sair do Egito
com mão poderosa e braço estendido,
espalhando um grande terror e realizando sinais e prodígios.
Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra,
uma terra onde corre leite e mel.
E agora venho trazer-Vos as primícias dos frutos da terra
que me destes, Senhor’.
Então colocarás diante do Senhor, teu Deus,
as primícias dos frutos da terra
e te prostrarás diante do Senhor, teu Deus».
Israel é um povo que reporta a Deus toda a sua vida. A libertação do Egito e a entrada na terra prometida são o maior acontecimento da sua história. Deus libertou o seu povo e deu-lhe uma terra e o povo recorda esta proeza histórica, anualmente. O povo sabe que deve tudo a Deus. Todos os anos escolhe os primeiros frutos das colheitas e os primeiros animais do rebanho para oferecer a Deus, grato e confiante na contínua bênção de Deus.
Salmo Responsorial Sl 90 (91), 1-2.10-15 (R. cf. 15b)
O salmo afirma a total proteção de Deus para com o seu povo, mas antecipa também o diálogo do evangelho, onde o diabo utiliza as palavras do salmo para tentar Jesus, “Ele mandará aos seus Anjos que te guardem em todos os teus caminhos. Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra”. Sendo verdade que Deus protege Jesus, também é verdade que a palavra de Deus não pode ser usada para pôr Deus à prova.
LEITURA II Rm 10, 8-13
Irmãos:
Que diz a Escritura?
«A palavra está perto de ti,
na tua boca e no teu coração».
Esta é a palavra da fé que nós pregamos.
Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor
e se acreditares no teu coração
que Deus O ressuscitou dos mortos,
serás salvo.
Pois com o coração se acredita para obter a justiça
e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação.
Na verdade, a Escritura diz:
«Todo aquele que acreditar no Senhor
não será confundido».
Não há diferença entre judeu e grego:
todos têm o mesmo Senhor,
rico para com todos os que O invocam.
Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor
será salvo.
Paulo acentua a importância da Palavra de Deus na vida do cristão. Ela está perto e não longe. Está “na tua boca e no teu coração”. Uma palavra que é para ser anunciada, confessada e acreditada e destinada a todos os povos. Os judeus confessam a ação libertadora de Deus e professam a sua fé nele. Os cristãos fazem o mesmo, não pela mesma razão, mas com a mesma certeza “todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”
EVANGELHO Lc 4, 1-13
Naquele tempo,
Jesus, cheio do Espírito Santo,
retirou-Se das margens do Jordão.
Durante quarenta dias,
esteve no deserto, conduzido pelo Espírito,
e foi tentado pelo Diabo.
Nesses dias não comeu nada
e, passado esse tempo, sentiu fome.
O Diabo disse-lhe:
«Se és Filho de Deus,
manda a esta pedra que se transforme em pão».
Jesus respondeu-lhe:
«Está escrito:
‘Nem só de pão vive o homem’».
O Diabo levou-O a um lugar alto
e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra
e disse-Lhe:
«Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos,
porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser.
Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu».
Jesus respondeu-lhe:
«Está escrito:
‘Ao Senhor teu Deus adorarás,
só a Ele prestarás culto’».
Então o Diabo levou-O a Jerusalém,
colocou-O sobre o pináculo do templo
e disse-Lhe:
«Se és Filho de Deus,
atira-Te daqui abaixo,
porque está escrito:
‘Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito,
para que Te guardem’;
e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão,
para que não tropeces em alguma pedra’».
Jesus respondeu-lhe: «Está mandado:
‘Não tentarás o Senhor teu Deus’».
Então o Diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação,
retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.
O texto das tentações de Jesus revela a facilidade com que se subverte a verdade para atingir os fins desejados. Jesus é confrontado com a possibilidade de manifestar a sua filiação divina, mas não com os critérios de Deus. Por outro lado, o tentador serve-se da própria palavra de Deus para seduzir Jesus a esse caminho escorregadio. Para vencer a tentação é necessário conhecer a palavra de Deus e usá-la como meio para fazer a vontade de Deus e não a do diabo.
Reflexão da Palavra
As palavras da primeira leitura são tiradas do livro do Deuteronómio e fazem parte do chamado credo histórico de Israel. Trata-se de reconhecer a ação de Deus em favor do seu povo, desde o Egito até à terra prometida.
Todo o israelita faz uma profissão de fé na ação libertadora de Deus e sente-se agradecido por tudo quanto o Senhor fez por eles no passado. A forma de agradecer está determinada antecipadamente, para “quando entrares na terra que o Senhor teu Deus, te há de dar em herança” (Dt 26,1). Por isso, todo o bom judeu oferece “as primícias de todos os frutos que colheres da terra” entregando ao sacerdote, num cesto, com todos os frutos e dizendo “declaro hoje, perante o Senhor, teu Deus, que entrei na terra que o Senhor tinha jurado a nossos pais que nos havia de dar” (Dt 263). Depositado o cesto no altar do Senhor, professa-se a fé com o texto que se lê este domingo.
O credo é uma afirmação de que tudo é um dom de Deus ao seu povo, desde a libertação do Egito até à posse da terra prometida e tudo o que nela ganha vida. A posse da terra é o elemento fundamental da fé deuteronomista. Deus cumpriu a promessa feita a nossos pais, “deu-nos esta terra, uma terra onde corre leite e mel”. Todo o judeu se sente beneficiário de uma herança e de uma tradição histórica. Todo o judeu sabe que é descendente de “um arameu errante”, Abraão e de Jacob que desceu ao Egito com os filhos.
A oferenda dos primeiros frutos simboliza que tudo o que temos e somos nos foi dado por Deus. Portanto, não damos nada que não tivéssemos recebido. Não éramos nada, não éramos povo e não tínhamos uma pátria, mas o Senhor fez de nós um povo e deu-nos uma terra e uma dignidade e, agora, temos um templo onde apresentar ao Senhor as nossas ofertas. É esta a fé de Israel.
O salmista desafia o ouvinte a invocar o Senhor confiando nele, “diz ao Senhor: «Sois o meu refúgio e a minha cidadela: meu Deus, em Vós confio. O incentivo à oração tem como fundamento a certeza do salmista de que o Senhor o atenderá “ele há de livrar-te… ele te cobrirá… não temerás… nenhum mal te acontecerá…”, porque“disseste: “o Senhor é o meu único refúgio… fizeste do Altíssimo o teu auxílio”.
A resposta do Senhor para todo aquele que o invoca confiante é esta, “hei de salvá-lo; hei de protegê-lo… hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação, hei de libertá-lo e dar-lhe glória”, pela simples razão de que “conheceu o meu nome”.
Esta resposta do Senhor aplica-se de modo especial a Jesus, sobretudo, quando ao escutar o evangelho deste domingo, ouvirmos da boca do diabo as palavras “mandará aos seus Anjos que te guardem em todos os teus caminhos. Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra” como tentação para que Jesus confie não no Pai, mas nele próprio que é Filho de Deus.
Na carta aos romanos, Paulo, com base no facto de Israel ter recusado a salvação proposta por Cristo, preferindo continuar sujeito à lei, explica que em Cristo a salvação está ao alcance de todos, judeus e gregos. Enquanto que Moisés anuncia a salvação pelo cumprimento estrito da lei, Cristo anuncia um caminho mais fácil porque ele mesmo é quem sobe aos céus e desce aos infernos.
Para nós a salvação está mais perto, porque “a palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração” e basta, por isso, confessar “com a tua boca que Jesus é o Senhor” e acreditar “no teu coração que Deus O ressuscitou dos mortos” para alcançar a salvação. O percurso da justificação já foi realizado por Cristo, pelo que, já ninguém tem que subir nem descer, e todos, judeus e gregos, encontram a salvação no “mesmo Senhor” se o invocarem, pois “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.
Que Messias pretende ser Jesus? Esta pergunta está patente de modo subtil no texto do evangelho deste domingo. Os desafios do diabo e as respostas de Jesus apresentam visões diferentes do Messias. A grande tentação da humanidade, no início, foi desconfiar que Deus não queria o seu bem (Gn). A grande tentação do povo de Israel foi pensar que se adorasse outros deuses viveria mais feliz do que obedecendo ao Deus de seus pais (Ex). Jesus é colocado na mesma encruzilhada. O diabo começa por pôr em dúvida a filiação divina de Jesus, “se és o filho de Deus”, ou seja, “tu tens a certeza de que és mesmo o filho de Deus?”, então prova isso.
A primeira tentação coloca Jesus diante do poder de Deus. No deserto Deus deu de comer ao seu povo fazendo cair do céu o maná “Ele (o Senhor) te humilhou e fez passar fome; depois alimentou-te com esse maná, … para te ensinar que nem só de pão vive o homem” (Dt. 8,3). Se Jesus é Filho de Deus pode transformar as pedras em pão.
Do mesmo modo que o povo aprendeu a confiar no Senhor fazendo primeiro a experiência da fome e da sede, Jesus também faz a experiência da fome. Desta experiência ou sai mais forte ou vendido ao tentador. Jesus responde com a palavra de Deus dizendo “nem só de pão vive o homem” revelando, assim, que o seu alimento é fazer a vontade do Pai.
Na segunda tentação o diabo coloca-se no lugar de Deus “se Te prostrares diante de mim”, quando o Senhor diz claramente, “é ao Senhor teu Deus que adorarás, a ele servirás, e pelo seu nome jurarás”. O diabo apresenta-se como o dono de todas as coisas. Ao vencer o primeiro homem, o diabo domina, subjugando a humanidade com o aguilhão da morte, mas não é a ele que pertence o poder. Para conquistar o lugar de Deus parece disposto a abdicar de tudo, desde que primeiro Jesus se prostre diante dele, invertendo os papéis. A resposta de Jesus corresponde ao que Deus pediu ao seu povo no deserto (Dt 6,10-13) “ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto”.
Na terceira tentação introduz-se de novo a dúvida “se és Filho de Deus”. O diabo sabe que Jesus é o Filho de Deus, e Jesus também o sabe, quem não sabe é o leitor. De que modo deve Jesus provar a sua filiação divina? Submetendo-se aos critérios do mundo dominado pelo demónio ou, como diz o salmo, confiando no Senhor, “sois o meu refúgio e a minha cidadela: meu Deus, em Vós confio”, certo de que, “porque em Mim confiou, hei de salvá-lo; hei de protegê-lo, pois conheceu o meu nome. Quando Me invocar, hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação”. Sabendo que Jesus deposita toda a sua confiança no Pai o diabo instiga-o a desafiar Deus, pois, como diz o mesmo salmo “Ele mandará aos seus Anjos que te guardem em todos os teus caminhos. Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra”.
O tentador vai continuar a acompanhar o caminho de Jesus, “o Diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo” e vai manifestar-se de modo especial na cruz quando voltar a atacar, “salve-se a si mesmo se é o Messias de Deus, o eleito… Se és o rei dos judeus salva-te a ti mesmo!…” (Lc 23,35…)
Meditação da Palavra
O povo de Deus, libertado do Egito, ao experimentar a fome e a sede no meio do deserto que percorreu durante quarenta anos, aprendeu que só pode confiar em Deus. Por mais que grite contra Moisés e contra Deus, por mais que queira servir os ídolos, como fez com o bezerro de ouro, só no Senhor encontra a água viva que brota da rocha fendida pela vara de Moisés e o Maná que vem do céu.
Esta experiência, que o salmo traduz muito bem quando diz, “tu que habitas sob a proteção do Altíssimo e moras à sombra do Omnipotente”, é a experiência de todo o homem, ainda que nem todos sejam capazes de dizer “sois o meu refúgio e a minha cidadela: meu Deus, em Vós confio”. É também, e sobretudo, a experiência de Jesus. Ele encarna em si a confiança do salmista “o Senhor é o meu único refúgio”, por isso está tranquilo mesmo quando a fome e o tentador lhe exigem uma satisfação imediata.
Israel aprendeu que tudo pertence ao Senhor, de todas as coisas é devedor àquele que o transportou sobre asas de águia através do deserto e lhe ofereceu a terra onde corre leite e mel. E nunca mais esqueceu, por isso, como recorda a primeira leitura, todos os anos recolhem os primeiros frutos e entregam ao sacerdote no templo, “o sacerdote receberá da tua mão as primícias dos frutos da terra e colocá-las-á diante do altar do Senhor teu Deus” e fazem a sua profissão de fé histórica, reconhecendo que sem Deus não é mais do que “um arameu errante”, um povo estrangeiro e escravo no Egito. Tudo o que este povo é e tem deve-o ao Senhor que “ouviu a nossa voz, viu a nossa miséria, o nosso sofrimento e a opressão que nos dominava” e não ficou indiferente, mas “fez-nos sair do Egito com mão poderosa e braço estendido… Conduziu-nos a este lugar e deu-nos esta terra, uma terra onde corre leite e mel”.
É a experiência de libertação que conduz este povo até ao altar do Senhor onde oferece os bens recebidos e se prostra por terra reconhecendo que “só o Senhor é Deus”.
Também no deserto, durante quarenta dias de jejum, para onde foi conduzido pelo Espírito, Jesus aprende a confiança plena naquele que o enviou com a missão de libertar a humanidade que está sujeita ao poder do pecado e da morte. Alimenta a sua confiança na palavra de Deus, que “está perto de ti, na tua boca e no teu coração” e firma-se nela para não vacilar diante da tentação, que o quer fazer duvidar da sua filiação se não seguir os critérios do mundo, provando pela humildade e o serviço que é o Filho de Deus.
Se o Pai acabara de dizer no seu batismo, cena imediatamente anterior às tentações, que ele, Jesus, é o seu filho muito amado” como poderia Jesus duvidar desta verdade só porque outro o instiga a pôr em causa. Porque haveria Jesus de sentir a necessidade de provar que é Filho de Deus se o próprio Pai se encarrega disso, como o prova toda a história do seu povo. Confiado na palavra, Jesus, responde e desfaz todas as tentações. Afinal Ele próprio é a Palavra do Pai.
Ele próprio é “a palavra da fé que nós pregamos”, como diz Paulo, que é palavra de confiança “todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”. Diante dele, palavra que revela a vontade do Pai que é “alimento” todos são chamados a confessar com a boca e acreditar com o coração “que Deus O ressuscitou dos mortos” e nele se encontra a salvação “pois com o coração se acredita para obter a justiça e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação”.
Como Israel também nós, no deserto da vida, neste caminho tantas vezes difícil de pisar, somos chamados a reconhecer que só de Deus nos vem o alimento que reconforta a vida e alimenta a esperança de modo a vencer a tentação de querer adorar outro. Na sua palavra, alimento de vida eterna, encontramos a força para dizer “sois o meu refúgio e a minha cidadela: meu Deus, em Vós confio”. Na palavra que afirma “Deus O ressuscitou dos mortos”, acreditada com o coração e confessada com a boca encontramos a salvação que é oferecida a todos os homens, judeus e gregos, porque Deus é “rico para com todos os que O invocam”.
Rezar a Palavra
Tu és o meu refúgio Senhor. No teu altar entrego a minha vida. Diante de ti me prostro em adoração. Só tu tens palavras de vida eterna e o meu alimento é fazer a tua vontade. Ensina-me a invocar o teu nome e a trazer nos meus lábios a tua palavra. Que eu creia com o coração e confesse com a minha boca que só tu és o Senhor.
Compromisso semanal
No meu deserto digo ao Senhor: “o Senhor é o meu único refúgio”.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/03/santos-do-dia-da-igreja-catolica-09-de-marco/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 09 de Março
Postado em: por: marsalima
Santa Francisca Romana
Francisca Romana tem uma importância muito grande na história da Igreja, por ser considerada exemplo de mulher cristã a ser seguido por jovens, noivas, esposas, mães, viúvas e religiosas, pelo modelo que foi.
Francisca Bussa de Buxis de Leoni nasceu em 1384, em uma nobre e tradicional família romana cristã e, desde jovem, manifestou a vocação para uma vida de piedade e penitência. Queria ser uma religiosa, mas seu pai prometeu-a em casamento ao jovem Lourenço Ponciano, também cortejado por ser nobre e muito rico. Contudo, era um bom cristão e os dois se completaram, social e espiritualmente. Tiveram filhos, cumpriam suas obrigações matrimoniais com sobriedade e serenidade, respeitando todos os preceitos católicos de caridade e benevolência. Dedicavam tanto tempo aos pobres e doentes que sua rica casa acabou se transformando em asilo, ambulatório, hospital e albergue, para os necessitados e abandonados.
O casal teve seis filhos que deveriam ser apenas fontes de felicidade para os pais, porém acabaram por se tornar a origem de muita dor e sacrifício. Numa sucessão de acontecimentos Francisca viu morrer três de seus filhos. Roma, naquela época, atravessou períodos terríveis de sua história, sendo flagelada por duas guerras, revoluções, epidemias, fome e miséria. Francisca ainda assistiu outro dos filhos ser feito refém, enquanto o marido se tornava prisioneiro, depois de ferido na guerra. Mesmo assim, continuou sua obra de caridade junto aos necessitados, vendendo quase tudo que tinha para mantê-la. Foi justamente nesse período que recebeu o título de “Mãe de Roma”.
Frequentava a igreja de padres beneditinos de Santa Maria Nova e ali reuniu as ricas amigas da corte romana para trabalharem em benefício da sociedade. Mesmo sem vestirem hábito algum, sem emitirem votos e sem formarem uma família religiosa, pois, viviam uma vida normal de mães e donas de casa, mas encontrando tempo para se dedicarem à comunidade carente. Quando o marido morreu, Francisca entregou-se de maneira definitiva à vida religiosa, fundando com algumas dessas companheiras, também viúvas, a Ordem das Irmãs Oblatas Olivetanas de Santa Maria Nova.
Tinha cinqüenta e seis anos quando morreu, no dia 09 de março de 1440, depois de ser eleita superiora pelas companheiras de convento. Sua biografia oficial registra ainda várias manifestações da graça do Senhor em sua vida, como a presença constante e real de um anjo da guarda.
Foi proclamada Santa Francisca Romana em 1608 e considerada mística, pela Igreja. Narram os registros que, quando morreu, foram necessários três dias para que toda a população de Roma pudesse visitar seu caixão, de tanto que era admirada e querida pelo povo, devotos e fiéis.
São Gregório de Nissa

Os registros e a tradição trazem poucos dados sobre a vida de Gregório de Nissa, antes dele se tornar sacerdote. Mas, existe a literatura teológica que nos dá luz sobre seus pensamentos e seu modo de agir em relação ao cristianismo, que ele mesmo escreveu e nos deixou. Ele nasceu na Cesarea da Capadócia, Turquia entre os anos 330 a 335. Seus pais Basílio, apelidado de “o velho”, e Amélia, tiveram dez filhos dos quais: Gregório, Pedro, Basílio e Macrina, se tornaram santos. Sem contar o avô, que morreu mártir e a avó, da qual a irmã herdou o nome, e que a Igreja também venera.
Gregório estudou em Atenas, e se interessou especialmente pelos principais autores clássicos da razão, como Platão e Aristóteles, mas também os da fé, como Orígenes e Metódio de Olimpo. Mais tarde se casou e foi lecionar. Ao se tornar viúvo abandonou o cargo de professor, para se dedicar só ao Cristianismo. Sob a orientação e influência de Gregório Nazianzeno, que também é celebrado e com quem ele convivera, foi motivado a seguir a vida religiosa à exemplo dos seus irmãos. Optando pela monástica, se isolou num mosteiro do qual saiu somente quando, em 371, foi nomeado bispo de Nissa, na Capadócia.
Tornou-se um teólogo conhecido e respeitado através de seus famosos trabalhos dogmáticos, dos quais “Grande Catequese” é considerado o principal. Dentre suas obras importantes, encontramos também o “Livro sobre a Virgindade”, referente a Maria, Mãe de Deus. Todas escritas durante o tempo vivido na solidão das margens do rio Íris, onde se isolara com seu irmão Basílio, que depois se tornou bispo da Cesarea.
Amante da solidão e do estudo, foi a contragosto que assumiu a diocese de Nissa. Sua bondade e falta de senso prático eram tão notórias, que muitos a consideravam ingenuidade. Tanto que, nesse cargo, Gregório viu-se acusado de desperdiçar bens da Igreja, sendo, de repente, deposto e mandado ao exílio, no ano 376, período em que faleceu seu irmão Basílio. Entretanto, dois anos depois, provou que tudo não passou de uma trama dos hereges arianos, porque as acusações não foram fundamentadas e Gregório teve sua inocência reconhecida. Aclamado pelos fiéis e pelo povo, reassumiu a diocese.
Depois desse episódio do exílio, o conceito de Gregório de Nissa subiu muito no mundo cristão e ele resolveu inúmeras divergências entre as igrejas orientais, sendo o mediador de questões doutrinárias ou mesmo administrativas. Cumpriu também missões determinadas pelo próprio imperador. Ele teve participações decisivas nos concílios: de Antioquia e o de Constantinopla, em 394, onde se definiu a “coluna da ortodoxia”. Colocou a paz entre as Igrejas da Arábia e da Palestina.
Há muitos pontos em comum entre Gregório de Nissa e Tomás d’Aquino se compararmos, no trabalho de ambos, o cuidado em dar aos problemas enfrentados, cada um à sua época, uma resposta em sintonia com os dados da fé e as exigências da razão. Gregório de Nissa é considerado um dos padres orientais mais expressivos do século IV. Ele morreu entre os anos 395 a 400 e sua festa se comemora no dia 09 de março.
Santa Catarina (Vegri) da Bolonha

Catarina Vegri nasceu no dia 08 de setembro de 1413, na cidade de Bolonha, Itália. Seu pai era o estimado juiz João de Vegri e trabalhava para a corte local, bem situado socialmente, dispunha de razoável conforto para a família. Quando a menina completou nove anos de idade, a família se transferiu para Ferrara, porque seu pai tinha sido convocado pelo duque Nicolau III, que estava construindo seu ducado, composto pelas cidades de Ferrara, Modena e Reggio. E ela foi nomeada dama de companhia de Margarida, filha de Nicolau.
Dessa forma Catarina vivia na florescente corte, cercada pela nata de artistas e intelectuais. Aprendia música, pintura, dança e as tradicionais matérias acadêmicas, com os renomados da época, mas demonstrava vontade e determinação de se tornar religiosa. E foi o que fez quando toda essa opulência terminou, com a morte prematura de seu pai. Catarina tinha então treze anos e teve de voltar para Bolonha, com sua mãe Benvinda Manolini, que se casara outra vez.
Após um ano de luto ela ingressou na Ordem terceira de São Francisco, em Bolonha, onde permaneceu por cinco anos, vividos sob intensos conflitos interiores e angustias pessoais. Amadurecendo a idéia de se tornar uma clarissa, em 1432, retornou para Ferrara para ingressar na Ordem de Santa Clara, onde trabalhou incessantemente fiel às Regras fazendo todos os tipos de serviços. Lavou pratos, cuidou da horta, da portaria, ensinou catecismo, escreveu novas orações e compôs novos cantos, até finalmente ser eleita abadessa, para administrar o convento que se tornou famoso e muito procurado. Tudo indicava que era necessário fundar mais um, e Catarina, como abadessa que era, o construiu em Bolonha, inaugurando-o em 1456. Nele ela viu ingressar sua mãe, que de novo se encontrava viúva.
Contam os registros e a tradição que Catarina possuía vários dons especiais. Enriquecidos pelo trabalho árduo e sofrimento pessoal, traduziram-se através de visões contemplativas e fatos prodigiosos, inclusive por graças, que operou em vida. De suas contemplações, a mais conhecida foi a primeira, que lhe possibilitou presenciar o juízo final e que a marcou por toda a vida. Outra bastante divulgada foi a que ocorreu na noite de Natal de 1456. Catarina ficou orando a noite toda e, no fim da madrugada, lhe apareceu Nossa Senhora com o Menino Jesus no colo, que depois passou para os seus braços.
Quanto aos prodígios, um foi presenciado por todo o convento. Certo dia uma noviça feriu-se trabalhando na horta, decepando um dedo do próprio pé com a pá que manuseava. Então, Catarina apanhou o dedo amputado, colocou no lugar, rezou com a noviça e o dedo voltou a se unir à pele. São célebres também as graças pelas conversões que ela conseguiu.
A fama de sua santidade se propagou ainda em vida entre os fiéis. Mas logo depois de sua morte no dia 09 de março de 1463, passou a ser chamada de santa por todos, pelos prodígios e graças que logo ocorreram no local de sua sepultura. Tanto que dezoito dias depois, seu corpo foi exumado, para ser transladado e aí se constatou que ele estava incorrupto, maleável e exalando um doce perfume.
Desde então, ela não foi mais sepultada, foi colocada sentada numa cadeira, na capela ao lado do altar mor da igreja do convento Corpus Domini, em Bolonha. E assim permanece até hoje, sem se deteriorar, apesar dos vários séculos transcorridos. O culto à Santa Catarina Vegri ou da Bolonha foi autorizado em 1712 pelo papa Clemente XI e o dia de sua morte escolhido para sua veneração litúrgica.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 9 DE MARÇO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Tes 4, 1.7
Irmãos, nós vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus: Recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus, e assim estais procedendo. Mas tratai de progredir ainda mais. Deus não nos chamou a viver na impureza mas na santidade.
V. Criai em mim, ó Deus, um coração puro,
R. Renovai em mim a firmeza de alma.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 30, 15.18
Assim fala o Senhor Deus, o Santo de Israel: «É na conversão e na calma que está a vossa salvação; a tranquilidade e a confiança são a vossa fortaleza». O Senhor espera a hora de Se compadecer de vós e levanta-Se para vos perdoar, porque o Senhor é um Deus justo: ditosos os que n’Ele esperam.
V. Desviai o vosso rosto das minhas culpas,
R. Purificai-me de todos os meus pecados.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 4, 29-31
Buscarás o Senhor teu Deus, e voltarás a encontrá-l’O, se O procurares com todo o teu coração e com toda a tua alma. No meio da tua angústia, quando tiveres sofrido todos estes infortúnios, depois de muitos dias, voltarás ao Senhor teu Deus e escutarás a sua voz. Porque o Senhor teu Deus é um Deus clemente, e não te abandonará nem te destruirá, nem Se há-de esquecer da aliança que jurou aos teus pais.
V. Sacrifício agradável a Deus é um espírito arrependido,
R. Não desprezareis, Senhor, o espírito humilhado e contrito.
Oração
Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Cor 9, 24-25
No estádio correm todos, mas só um recebe o prémio. Correi de modo que o alcanceis. Todo o atleta impõe a si mesmo rigorosas privações, para obter uma coroa corruptível; nós, porém, para recebermos uma coroa incorruptível.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
R. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
V. Cristo, ouvi as súplicas dos que Vos imploram.
R. Porque somos pecadores.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
https://www.youtube.com/watch?v=KDJ5P2OQ198
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

