“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 27 DE ABRIL DE 2025
27 de abril de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 29 DE ABRIL DE 2025
29 de abril de 2025Segunda-feira da Semana II do Tempo Pascal
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início do Livro do Apocalipse de São João 1, 1-20
Visão do Filho do homem
Revelação de Jesus Cristo, que Deus concedeu para mostrar aos seus servos o que tem de acontecer muito em breve. Ele deu-o a conhecer ao seu servo João, pelo Anjo que enviou, e João confirma a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, em tudo o que viu. Feliz de quem ler e dos que ouvirem as palavras desta profecia e observarem o que nela está escrito, porque o tempo está próximo.
João às sete Igrejas da Ásia: A graça e a paz vos sejam dadas por Aquele que é, que era e que há-de vir, e pelos sete Espíritos que estão diante do seu trono, e por Jesus Cristo, que é a Testemunha fiel, o Primogénito dos mortos, o Príncipe dos reis da terra. Àquele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, a Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amen.
«Ei-l’O que vem entre as nuvens e todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O trespassaram; e por sua causa hão-de lamentar-se todas as tribos da terra». Sim. Amen.
«Eu sou o Alfa e o Ómega – diz o Senhor Deus – Aquele que é, que era e que há-de vir, o Senhor do Universo».
Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. No dia do Senhor, fui movido pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, semelhante à da trombeta, que dizia: «Escreve num livro o que vês e envia-o às sete Igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia».
Voltei-me para ver de quem era a voz que me falava; ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro e, no meio dos candelabros, alguém semelhante a um filho do homem, vestido com uma longa túnica e cingido no peito com um cinto de ouro. A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como a lã branca de neve; os seus olhos eram como chama ardente; os seus pés eram semelhantes ao bronze fino, purificado na fornalha; e a sua voz era como o rumor de águas caudalosas. Tinha na mão direita sete estrelas e saía da sua boca uma espada afiada de dois gumes; o rosto brilhava como o sol em todo o esplendor.
Quando O vi, caí a seus pés como morto. Mas Ele poisou a mão direita sobre mim e disse-me: «Não temas. Eu sou o Primeiro e o Último, o que vive. Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos; e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos. Escreve, pois, as coisas que viste, tanto as presentes como as que hão-de acontecer depois destas. O mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e dos sete candelabros de ouro é este: as sete estrelas são os Anjos das sete Igrejas, e os sete candelabros são as sete Igrejas».
RESPONSÓRIO Ap 1, 5. 6b; Col 1, 18b
R. Cristo amou-nos e libertou-nos do pecado pelo seu Sangue: * A Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Aleluia.
V. Ele é o Princípio, o Primogénito dos mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. * A Ele a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Aleluia.
SEGUNDA LEITURA
Da Homilia pascal de um Autor antigo
(PG 59, 723-724)
A Páscoa espiritual
A Páscoa que nós celebramos é a origem da salvação de todos os homens, a começar pelo primeiro, Adão, que se perpetua e revive em cada um de nós.
Mas a salvação foi preparada por diversas instituições, imperfeitas e provisórias, que eram símbolos e imagens das coisas eternas, para anunciarem, em esboço, aquela realidade que surge actualmente à plena luz da verdade; contudo, uma vez que essa verdadeira realidade se tornou presente, a figura deixa de ter vigor. Quando chega o rei, ninguém se põe a venerar a sua imagem, não fazendo caso da pessoa viva do rei.
Assim se vê claramente em que medida a figura é inferior à realidade verdadeira, pois a figura representa a vida breve dos primogénitos dos judeus, ao passo que a realidade verdadeira celebra a vida perpétua de todos os homens.
Não é grande proeza que alguém evite a morte por breve tempo, se tem de morrer pouco depois; o que é admirável é evitar a morte de uma vez para sempre, como aconteceu connosco por meio de Cristo, que foi imolado como nosso Cordeiro pascal.
O próprio nome da festa, se compreendermos o seu significado verdadeiro, nos sugere a sua peculiar excelência.
Páscoa, com efeito, significa «passagem», porque o Anjo exterminador, que feria de morte os primogénitos, passava adiante nas casas dos judeus. Ora, em relação a nós, a passagem do exterminador é um facto, porque passou realmente sem nos tocar, a nós que por Cristo ressuscitámos para a vida eterna.
E que significa, no seu sentido místico, o facto de esse tempo coincidir com o princípio do ano em que se celebrava a Páscoa e a salvação dos primogénitos? Significa que também para nós o sacrifício da verdadeira Páscoa constitui o princípio da vida eterna.
O ano, de facto, é símbolo da eternidade. Sendo a sua órbita circular, o ano gira continuamente sobre ela sem nunca encontrar um fim. Ora Cristo, Pai da eternidade, oferecendo-Se por nós em sacrifício, como que anulou a nossa existência anterior, proporcionando-nos, pelo banho da regeneração, o princípio de uma segunda vida, à semelhança da sua morte e ressurreição.
Por isso, quem reconhece que a Páscoa foi imolada em seu benefício, deve aceitar como princípio da sua vida o momento em que Cristo por ele Se imolou. Ora essa imolação actualiza-se em cada um, quando reconhece essa graça e compreende que a vida lhe foi comunicada por esse sacrifício.
Portanto, quem chegou a este conhecimento, esforce-se por aceitar o princípio da nova vida, sem pretender voltar à vida antiga que já foi ultrapassada. Com efeito, se morremos para o pecado, pergunta o Apóstolo, como poderemos continuar a viver nele?
RESPONSÓRIO 1 Cor 5, 7-8a; Rom 4, 25
R. Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa.. * Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a nossa festa, unidos ao Senhor. Aleluia.
V. Ele morreu por causa das nossas faltas e ressuscitou para nossa justificação. * Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado: celebremos a nossa festa, unidos ao Senhor. Aleluia.
Oração
Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações, para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Romanos 10, 8b-10
A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração. Esta palavra é a palavra da fé que nós pregamos. Se confessares com a tua boca que Jesus é o Senhor e se acreditares no teu coração que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Pois com o coração se acredita para obter a justiça, e com a boca se professa a fé para alcançar a salvação.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Senhor ressuscitou do sepulcro. Aleluia, Aleluia.
R. O Senhor ressuscitou do sepulcro. Aleluia, Aleluia.
V. Ele que por nós foi cravado na cruz.
R. Aleluia, Aleluia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Senhor ressuscitou do sepulcro. Aleluia, Aleluia.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA
CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/segunda-feira-da-semana-ii-do-tempo-pascal-6/>]
Segunda-feira da Semana II do Tempo Pascal
Leitura I At 4, 23-31
Naqueles dias,
Pedro e João, tendo sido postos em liberdade,
voltaram para junto dos seus
e contaram-lhes tudo
o que os príncipes dos sacerdotes e os anciãos lhes tinham dito.
Depois de os ouvirem,
invocaram a Deus numa só alma, dizendo:
«Senhor, Vós fizestes o céu, a terra, o mar
e tudo o que neles se encontra;
Vós dissestes, mediante o Espírito Santo,
pela boca do nosso pai David, vosso servo:
‘Porque se agitaram em tumulto as nações
e os povos intentaram vãos projetos?
Revoltaram-se os reis da terra
e os príncipes conspiraram juntos
contra o Senhor e contra o seu Ungido’.
Na verdade, Herodes e Pôncio Pilatos
uniram-se nesta cidade
com as nações pagãs e os povos de Israel
contra o vosso santo servo Jesus, a quem ungistes.
Assim cumpriram tudo o que o vosso poder e sabedoria
tinham de antemão determinado.
E agora, Senhor, vede como nos ameaçam
e concedei aos vossos servos
que possam anunciar com toda a confiança a vossa palavra.
Estendei a vossa mão,
para que se realizem curas, milagres e prodígios,
em nome do vosso santo servo Jesus».
Depois de terem rezado,
tremeu o lugar onde estavam reunidos:
todos ficaram cheios do Espírito Santo
e começaram a anunciar com firmeza a palavra de Deus.
compreender a palavra
Aprofunda-se, pela experiência própria do sofrimento provocado pela rejeição das autoridades, a consciência Pascal nos discípulos e nos primeiros convertidos. De facto, experiências como a prisão dos discípulos, neste caso Pedro e João, em nada prejudicam o anúncio da Palavra, pelo contrário, fortalecem os evangelizadores numa firmeza cada vez maior. As forças do mundo agitam-se e intentam vãos projetos, unem-se e conspiram. Primeiro contra Jesus, agora, contra os seus discípulos. As provações, porém, reúnem os discípulos em oração, edificam a comunidade num só coração e numa só alma, o Espírito Santo manifesta-se na comunhão e eles anunciam cada vez com mais firmeza a palavra de Deus.
meditar a palavra
É precioso este testemunho das primeiras comunidades porque ele nos revela em simultâneo a crescente consciência pascal, a sua ligação a Jesus ressuscitado, o confronto com as forças adversas representadas nas autoridades, a presença e ação do Espírito Santo, a comunhão entre os irmãos e o objetivo principal, o anúncio da palavra. De facto, a vida da Igreja de hoje, como a experiência de cada cristão, não pode fugir deste contexto. O reconhecimento de Jesus ressuscitado mediante o anúncio da Palavra, juntamente com a ação do Espírito, são essenciais na conversão daqueles que aderem à fé. O testemunho de comunhão e fortaleza dos membros da comunidade são imprescindíveis para os que se aproximam da fé. E a oposição das forças do mundo que se lançaram contra Jesus e, agora, se voltam contra os cristãos, exercem um papel no discernimento e na opção pessoal. É nesta consciência que somos chamados a viver o tempo Pascal.
rezar a palavra
Pela tua Palavra cheguei à fé e pelo teu Espírito fui iniciado no mistério da tua salvação, dá-me, agora, Senhor o dom do discernimento para reconhecer que só tu és o Senhor e o dom da fortaleza para permanecer junto aos meus irmãos, num um só coração e uma só alma, animando-os nas adversidades, consciente de que este mundo não tem poder contra ti nem contra a tua vontade.
compromisso
Através da oração vou crescer na confiança diante da adversidade.
Evangelho Jo 3, 1-8
Havia um fariseu chamado Nicodemos,
que era um dos principais entre os judeus.
Foi ter com Jesus de noite e disse-Lhe:
«Rabi, nós sabemos que vens da parte de Deus como mestre,
pois ninguém pode realizar os milagres que Tu fazes
se Deus não está com ele».
Jesus respondeu-lhe:
«Em verdade, em verdade te digo:
Quem não nascer de novo
não pode ver o reino de Deus».
Disse-Lhe Nicodemos:
«Como pode um homem nascer, sendo já velho?
Pode entrar segunda vez no seio materno e voltar a nascer?»
Jesus respondeu:
«Em verdade, em verdade te digo:
Quem não nascer da água e do Espírito
não pode entrar no reino de Deus.
O que nasceu da carne é carne
e o que nasceu do Espírito é espírito.
Não te admires por Eu te haver dito
que todos devem nascer de novo.
O vento sopra onde quer:
ouves a sua voz,
mas não sabes donde vem nem para onde vai.
Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito».
compreender a palavra
O diálogo com Nicodemos está centrado sobre o mistério do batismo. Esta temática é muito própria do tempo Pascal porque é o tempo em que os recém-batizados tomam consciência do mistério realizado por Deus na Vigília Pascal, com a celebração dos sacramentos da iniciação cristã. Nicodemos é um fariseu e, como tal, pertencia ao grupo dos que entendiam que João não tinha poder para batizar. Ao dirigir-se a Jesus é confrontado com a necessidade de nascer de novo para entrar no reino. Nicodemos parece não entender, mas Jesus deixa bem claro que está a falar do Batismo que ele rejeita e deixa ainda claro que este não depende da consideração de cada um. Trata-se de uma ação do Espírito Santo que não se deixa aprisionar.
meditar a palavra
Quero tantas vezes entender as coisas de Deus à minha maneira e reduzi-las aos meus conceitos. Por isso me perco na pobreza de ideias vazias de conteúdo que acabam por não dizer nada. Jesus propõe-me uma vida interior, uma vida no Espírito. Para esta vida é necessário nascer de novo pela água e pelo Espírito. Acolher o Espírito Santo e deixar-me conduzir por ele é o segredo para uma vida nova.
rezar a palavra
“Não te admires”. Tudo o que tu fazes e o que tu dizes é admirável e queres que eu não me admire, Senhor. Meus olhos veem e o meu coração sente essa força extraordinária do teu Espírito em mim. Não posso senão ficar admirado, maravilhado com a vida nova que me ofereces nos teus sacramentos.
compromisso
Vou prestar atenção a este vento do Espírito, que vai passar por mim hoje e me chama a ser um homem novo pela água e pelo Espírito.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
S. Luís Maria Grignion de Montfort, presbítero fundador da Companhia de Maria
“Eu não acho que uma pessoa possa ter uma união íntima com Nosso Senhor e uma perfeita fidelidade ao Espírito Santo, sem não tiver uma grandíssima união com a Santíssima Virgem”. Eis o fundamento da espiritualidade de Luís Maria Grignion de Montfort.
“Toda a nossa perfeição – escreveu – consiste em ser conforme, unidos e consagrados a Jesus”; imitar Maria quer dizer seguir “a criatura mais conforme a Jesus”.
Luís Maria Grignion, segundo de dezoito filhos, nasceu no dia 31 de janeiro de 1673, em Montfort-sur-Meu, em uma família da Bretanha, profundamente cristã. Ali, viveu apenas poucas semanas, após ter recebido o batismo um dia depois do seu nascimento.
Predisposição à vida interior
Apesar das dificuldades econômicas, aos 12 anos frequentou o colégio jesuíta de São Tomás Becket, em Rennes; a seguir, transferiu-se para Paris, onde entrou para o seminário de São Sulpício e estudou na Universidade Sorbonne.
Com 27 anos, em 5 de julho de 1700, dia de Pentecostes, foi ordenado sacerdote. Algumas testemunhas narram que ele permaneceu o dia inteiro em adoração como “um anjo diante do altar”.
Defesa da verdade diante da heresia jansenista
Luís Maria Grignion era um homem de oração e ação. A sua obra evangelizadora distinguiu-se logo pela defesa da fé católica contra o racionalismo, protestantismo, galicanismo e o difuso jansenismo.
Um dos seus primeiros encargos foi o de capelão do hospital de Poitiers. Era muito amado pelos doentes e pobres, devido ao seu zelo missionário e dedicação incondicionada, o que causou inimizade entre alguns sacerdotes, pelo seu comportamento excêntrico. Por isso, teve que deixar o cargo.
Peregrinação a pé e missão popular
Após dois meses de peregrinação a pé, em 1706, chegou a Roma; ali recebeu o título de “Missionário Apostólico” do Papa Clemente XI, do qual recebeu também de presente um crucifixo de marfim, – que sempre o levou consigo – com o convite de se dedicar à evangelização da França.
Antes de voltar à sua pátria, Luís Maria Grignion, que gostava de se definir “servo de Maria”, visitou a Santa Casa de Loreto; ele era muito atraído pela vida de submissão de Jesus à Virgem na casa de Nazaré.
Ele continuou a ser impedido na diocese de Poitiers. Por isso, dedicou-se à missão popular, entre os habitantes da zona rural da nativa Bretanha e da Vandea, e à edificação da Igreja, não apenas espiritual, mas também física, reconstruindo até algumas capelas.
“A verdadeira devoção mariana é cristocêntrica”
Seguir Maria para “encontrar Jesus Cristo”: esta convicção de Luís Maria transformou-se em uma pastoral, cuja centralidade era o culto à Virgem Maria, a propagação da oração do Terço e a organização de procissões e celebrações marianas.
A cruz “fonte de sabedoria”
Luís Maria Grignion nunca fugiu da cruz; pelo contrário, não obstante a sua grande estima entre os fiéis, sofreu pela perseguição, dentro e fora da Igreja.
O Bispo de Nantes, por exemplo, negou-se abençoar o Calvário que o sacerdote havia construído, com a contribuição de muitas pessoas, ao término da sua missão em Pontchâteau. A sua obra foi destruída e reconstruída, várias vezes: primeiro, sob o reinado de Luís XIV e, depois, durante a Revolução Francesa.
Mas, o missionário nunca desanimou e comentava: “Se não pudermos edificar a cruz aqui, a edificaremos em nosso coração”.
“Totus tuus”
Nos últimos anos de vida, o santo fez pregações nas dioceses de Luçon e La Rochelle, a pedido dos respectivos bispos, abertamente contrários aos jansenistas.
No dia 28 de abril de 1716, enquanto participava de uma missão, São Luís Maria Grignion de Montfort faleceu de pneumonia, com a idade de 44 anos. Todo o povo se reuniu diante do seu leito de morte para receber a sua bênção.
Luís Maria Grignion foi beatificado, em 1888, pelo Papa Leão XIII e canonizado, em 1947, por Pio XII. O próprio Papa João Paulo II, que o inscreveu no Calendário geral da Igreja, em 1996, adotou para o seu Pontificado o moto “totus tuus”, extraído da sua espiritualidade.
São Luís Maria Grignion de Montfort, fundador das Filhas da Sabedoria (1703) e da Companhia de Maria (1705), é recordado pelos seus escritos marianos, como o Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, redigido em 1712.
Esta obra permaneceu escondida em um cofre por 150 anos; ao ser reencontrada, em 1842, foi publicada no ano seguinte. Hoje, é traduzida em numerosas línguas, por ser o ponto de referência da espiritualidade mariana mundial.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 28 DE FEVEREIRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Ap 1, l7c-18
Vi o Filho do homem, que me disse: Eu sou o Primeiro e o último, o que vive. Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos; e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos.
V. O Senhor ressuscitou verdadeiramente. Aleluia.
R. E apareceu a Simão Pedro. Aleluia.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Col 2, 9. 10a. 12
Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e n’Ele alcançastes a vossa plenitude. Sepultados com Ele pelo Baptismo, também com Ele fostes ressuscitados pela fé que tivestes no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos.
V. Os discípulos exultaram de alegria, Aleluia,
R. Quando viram o Senhor. Aleluia.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Actos 5, 41-42
Os Apóstolos saíram da presença do Sinédrio cheios de alegria, por terem merecido ser ultrajados por causa do nome de Jesus. E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar e anunciar a Boa Nova de que Jesus era o Messias.
V. Alegrai-vos e exultai, diz o Senhor (T. P. Aleluia).
R. Porque os vossos nomes estão escritos nos Céus (T. P. Aleluia).
Oração
Senhor, que escolhestes São Matias para tomar parte no ministério dos Apóstolos, concedei, por sua intercessão, que nos alegremos sempre no vosso amor e sejamos um dia contados entre os vossos eleitos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Ef 4, 11-13
Cristo a uns constituiu Apóstolos, a outros profetas, a outros evangelistas e a outros pastores e mestres, para o aperfeiçoamento dos cristãos, em ordem ao trabalho do ministério e à edificação do Corpo de Cristo, até que cheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem perfeito, à medida de Cristo na sua plenitude.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Proclamai entre as nações a glória do Senhor. (T. P. Aleluia, Aleluia.)
R. Proclamai entre as nações a glória do Senhor. (T. P. Aleluia, Aleluia.)
V. Em todos os povos as suas maravilhas.
R. A glória do Senhor. (T. P. [SÓ] Aleluia, Aleluia.)
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Proclamai entre as nações a glória do Senhor. (T. P. Aleluia, Aleluia.)
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Tes 5, 9-10
Deus destinou-nos para alcançarmos a salvação por Nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, a fim de que, velando ou dormindo, vivamos unidos a Ele.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito. Aleluia, Aleluia.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito. Aleluia, Aleluia.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Aleluia, Aleluia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito. Aleluia, Aleluia.
confraria@catolicospraticantes.com.br
catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
