“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 26 DE JULHO DE 2025
26 de julho de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 28 DE JULHO DE 2025
28 de julho de 2025DOMINGO XVII DO TEMPO COMUM (Ano C)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Segunda Epístola aos Coríntios 7, 2-16
O Apóstolo alegra-se com o arrependimento dos Coríntios
Irmãos: Dai-nos lugar no vosso coração. Não zemos mal a ninguém, não arruinámos ninguém, não explorámos ninguém. Não digo isto para vos condenar, pois já vos disse que estais no nosso coração, para a vida e para a morte. É grande a confiança que tenho em vós; é grande o orgulho que sinto a vosso respeito. Estou cheio de consolação e transbordo de alegria no meio de todas as tribulações. De facto, desde que chegámos à Macedónia, o nosso pobre corpo não teve um instante de repouso; pelo contrário, sofremos toda a tribulação: no exterior, combates; no interior, temores. Mas Deus, que consola os humildes, consolou-nos com a chegada de Tito; e não só com a sua chegada, mas também com a consolação que ele recebeu de vós. Ele contou-nos as vossas saudades, as vossas lágrimas, a vossa solicitude por mim, o que veio aumentar ainda mais a minha alegria.Se a minha carta vos entristeceu, não me arrependo disso, se bem que ao princípio sentisse pesar, ao ver que essa carta, ainda que momentaneamente vos entristeceu; agora alegro-me, não porque vos tenha entristecido, mas porque a tristeza vos levou ao arrependimento. Entristecestes-vos segundo Deus, de modo que nenhum dano recebestes da nossa parte. Porque a tristeza segundo Deus produz o arrependimento que leva à salvação; mas a tristeza do mundo produz a morte. Vede o que essa tristeza segundo Deus provocou em vós: quanta solicitude, justificação, indignação, temor, saudade, zelo e castigo. Mostrastes em tudo que não tínheis culpa neste assunto. Portanto, se vos escrevi, não foi por causa do ofensor nem do ofendido, mas antes para se manifestar a vossa solicitude por nós, diante de Deus. Por isso cámos consolados. Mas para além da consolação que tivemos, ainda mais nos alegrámos com a alegria de Tito, porque todos vós tranquilizastes o seu espírito. E se diante dele me gloriei a vosso respeito, não quei envergonhado. Mas assim como tudo o que vos temos dito foi conforme à verdade, assim também os factos mostraram que o louvor que de vós zemos a Tito era verdadei- ro. A sua afeição por vós aumenta ainda mais, ao lembrar-se da obediência de vós todos e como o recebestes com temor e tremor. Alegro-me de poder contar convosco em tudo.
RESPONSÓRIO cf. 2 Cor 7, 10.9b
R. A tristeza segundo Deus produz o arrependimento que leva à salvação. * A tristeza do mundo produz a morte.
V. Se nos entristecemos segundo Deus, nenhum dano sofremos. * A tristeza do mundo produz a morte.
SEGUNDA LEITURA
Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo, sobre a Segunda Epístola aos Coríntios (Hom. 14, 1-2: PG 61, 497-499) (Sec. IV)
Transbordo de alegria no meio de todas as tribulações
De novo São Paulo torna a falar da caridade, moderando a aspereza da repreensão. Depois de ter censurado e repreendido os coríntios, pelo facto de não corresponderem ao seu amor, levando a sua ingratidão até ao ponto de o abandonarem para darem ouvidos a homens perversos, suaviza a dureza da repreensão, dizendo: Compreendei-nos, isto é: «Amai-nos». Pede uma recompensa nada difícil, e muito mais útil para aqueles que a dão do que para aqueles que a recebem. Ele não diz: «Amai», mas uma palavra que inspira misericórdia: Compreendei. Quem nos separou, diz ele, dos vossos corações? Quem nos afastou? Qual o motivo por que fomos expulsos do vosso espírito? Anteriormente tinha dito: Não há lugar para nós em vossos corações; e agora diz mais claramente: Compreendei-nos, esperando deste modo atraí-los a si. Nada inspira tanto uma pessoa amada a amar do que saber que aquele que ama deseja ardentemente ser correspondido. Já vos disse, continua ele, que estais no nosso coração para a vida e para a morte. Como é grande a força do amor de Paulo que, mesmo desprezado, deseja morrer e viver com eles! «Não estais no nosso coração de qualquer maneira, mas tal como vos disse. É possível que alguém ame e apesar disso fuja no momento de perigo; isso não acontece comigo». Estou cheio de consolação. De que espécie de consolação? «Daquela que vós me proporcionais: porque voltastes ao bom caminho e me consolastes com as vossas obras». É próprio de quem ama censurar a falta de correspondência ao seu amor, mas ao mesmo tempo temer que a repreensão excessiva venha a causar tristeza. Por isso diz: Estou cheio de consolação e transbordo de alegria. É como se dissesse: «Causastes-me uma grande tristeza, mas já me compensastes com uma grande consolação; porque não só zestes desaparecer a causa da minha tristeza, mas proporcionastes-me uma alegria muito maior». Paulo manifesta a sua grandeza de ânimo, não se limitando a dizer simplesmente: Transbordo de alegria, mas acrescen- tando: No meio de todas as minhas tribulações. «Foi tão grande o contentamento que me trouxestes que nem estas graves tribulações o puderam ofuscar; a sua grandeza exuberante fez-me esquecer todos os tormentos e opressões que me invadiam».
RESPONSÓRIO 2 Cor 12, 12.15
R. Os sinais do verdadeiro apóstolo realizaram-se no meio de vós: * Com paciência a toda a prova, sinais, prodígios e milagres.
V. Da melhor vontade darei o que é meu e me darei a mim mesmo pelas vossas almas. * Com paciência a toda a prova, sinais, prodígios e milagres.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Apocalipse 7, 10b.12
Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xvii-do-tempo-comum-ano-c/>]
DOMINGO XVII DO TEMPO COMUM (Ano C)
LEITURA I Gn 18, 20-32
Naqueles dias, disse o Senhor:
«O clamor contra Sodoma e Gomorra é tão forte,
o seu pecado é tão grave,
que Eu vou descer para verificar
se o clamor que chegou até Mim
corresponde inteiramente às suas obras.
Se sim ou não, hei de sabê-lo».
Os homens que tinham vindo à residência de Abraão
dirigiram-se então para Sodoma,
enquanto o Senhor continuava junto de Abraão.
Este aproximou-se e disse:
«Irás destruir o justo com o pecador?
Talvez haja cinquenta justos na cidade.
Matá-los-ás a todos?
Não perdoarás a essa cidade,
por causa dos cinquenta justos que nela residem?
Longe de Ti fazer tal coisa:
dar a morte ao justo e ao pecador,
de modo que o justo e o pecador tenham a mesma sorte!
Longe de Ti!
O juiz de toda a terra não fará justiça?».
O Senhor respondeu-lhe:
«Se encontrar em Sodoma cinquenta justos,
perdoarei a toda a cidade por causa deles».
Abraão insistiu:
«Atrevo-me a falar ao meu Senhor,
eu que não passo de pó e cinza:
talvez para cinquenta justos faltem cinco.
Por causa de cinco, destruirás toda a cidade?».
O Senhor respondeu:
«Não a destruirei se lá encontrar quarenta e cinco justos».
Abraão insistiu mais uma vez:
«Talvez não se encontrem nela mais de quarenta».
O Senhor respondeu:
«Não a destruirei em atenção a esses quarenta».
Abraão disse ainda:
«Se o meu Senhor não levar a mal, falarei mais uma vez:
talvez haja lá trinta justos».
O Senhor respondeu:
«Não farei a destruição, se lá encontrar esses trinta».
Abraão insistiu novamente:
«Atrevo-me ainda a falar ao meu Senhor:
talvez não se encontrem lá mais de vinte justos».
O Senhor respondeu:
«Não destruirei a cidade em atenção a esses vinte».
Abraão prosseguiu:
«Se o meu Senhor não levar a mal,
falarei ainda esta vez:
talvez lá não se encontrem senão dez».
O Senhor respondeu:
«Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade».
Numa preocupação genuína e desinteressada pelos outros, Abraão dialoga com Deus sobre o destino de Sodoma, onde o pecado afastou os homens de Deus. Abraão insiste, numa confiança a toda a prova, para que Deus, que é justo, não castigue o justo por causa do pecador.
Salmo 137 (138), 1-3.6-8 (R. 3a)
O salmista louva o Senhor e dá-nos a conhecer a sua experiência. No meio da tribulação invocou o Senhor e foi atendido. O Senhor deu-lhe a força e a coragem que ele precisava para confiar que seria atendido e não deixado nas mãos dos inimigos.
LEITURA II Col 2, 12-14
Irmãos:
Sepultados com Cristo no batismo,
também com Ele fostes ressuscitados
pela fé que tivestes no poder de Deus,
que O ressuscitou dos mortos.
Quando estáveis mortos nos vossos pecados
e na incircuncisão da vossa carne,
Deus fez que voltásseis à vida com Cristo
e perdoou-nos todas as nossas faltas.
Anulou o documento da nossa dívida,
com as suas disposições contra nós;
suprimiu-o, cravando-o na cruz.
Para Paulo o Batismo é o ponto central da fé cristã, porque nele nos unimos a Cristo na morte e na ressurreição. Ali nascemos de novo pela misericórdia de Deus que nos liberta do pecado e da morte, concedendo-nos uma nova vida em Cristo.
EVANGELHO Lc 11, 1-13
Naquele tempo,
estava Jesus em oração em certo lugar.
Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos:
«Senhor, ensina-nos a orar,
como João Batista ensinou também os seus discípulos».
Disse-lhes Jesus:
«Quando orardes, dizei:
‘Pai,
santificado seja o vosso nome;
venha o vosso reino;
dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência;
perdoai-nos os nossos pecados,
porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende;
e não nos deixeis cair em tentação’».
Disse-lhes ainda:
«Se algum de vós tiver um amigo,
poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer:
‘Amigo, empresta-me três pães,
porque chegou de viagem um dos meus amigos
e não tenho nada para lhe dar’.
Ele poderá responder lá de dentro:
‘Não me incomodes;
a porta está fechada,
eu e os meus filhos já nos deitámos;
não posso levantar-me para te dar os pães’.
Eu vos digo:
Se ele não se levantar por ser amigo,
ao menos, por causa da sua insistência,
levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa.
Também vos digo:
Pedi e dar-se-vos-á;
procurai e encontrareis;
batei à porta e abrir-se-vos-á.
Porque quem pede recebe;
quem procura encontra;
e a quem bate à porta, abrir-se-á.
Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe,
em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente?
E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião?
Se vós, que sois maus,
sabeis dar coisas boas aos vossos filhos,
quanto mais o Pai do Céu
dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».
O pedido que os discípulos fazem a Jesus brota da consciência de que não rezam como ele. Na sua resposta Jesus revela que a Deus não se reza como a um estranho e que Deus não nos trata como um amigo. Deus é Pai e escuta-nos a partir do amor incondicional, sempre pronto a dar-nos o mais importante, o Espírito Santo.
Reflexão da Palavra
O texto da primeira leitura deste domingo é continuação do domingo passado. No final do encontro com os três personagens que anunciam o nascimento de Isaac, Abraão acompanha-os para se despedir. Aqueles homens vão a Sodoma e Gomorra saber se é verdade o que chegou aos ouvidos de Deus, que “o seu pecado é grave”.
Os três homens que Abraão identifica com a presença de Deus, afastam-se, mas Deus permanece com ele. Abraão é reconhecido por Deus como um fiel companheiro com quem fez uma aliança em favor de toda a humanidade, “eu abençoarei nele todos os povos da terra” (18,18). Como tal, Deus questiona-se se deve ocultar ou fazer Abraão participante do seu plano. Falando consigo mesmo, Deus diz “ocultarei a Abraão o que vou fazer?” (20, 17). E no texto deste domingo Deus fala a Abraão dizendo: “o clamor contra Sodoma e Gomorra é tão forte, o seu pecado é tão grave que Eu vou descer para verificar se o clamor que chegou até Mim corresponde inteiramente às suas obras”. Com estas palavras Abraão sente-se implicado no plano de Deus. Ele sabe que Deus é justo e bom, mas não pode permitir que, levado pela ira por causa do pecado, Deus cometa o erro de castigar o justo por causa do pecador.
A partir daqui o texto desenvolve-se como uma longa negociação entre Abraão e Deus. Abrão atreve-se a interferir nos planos de Deus e a negociar a sorte dos homens. Para Abraão a justiça mede-se pelo número de justos necessários para impedir Deus de castigar os pecadores. E chegou à conclusão que dez justos são insuficientes para o fazer. Irremediavelmente Deus tem que aplicar a sua justiça por falta de contrapeso na balança entre bons e maus. E os dois separam-se “o Senhor afastou-se, e Abraão voltou para a sua morada” (v. 33).
A negociação entre Abraão e Deus revela uma nova forma de conhecer Deus e de se relacionar com ele. Os planos de Deus são também planos do homem e este pode e deve estar implicado neles. Mais, pode mesmo interferir na sua conclusão. Abraão tem um papel no plano de Deus para abençoar todos os povos e Abraão assume esse papel intercedendo por aquelas cidades pagãs, porque pode ali haver homens justos. Aqui se inspira a oração de intercessão de que fala Jesus no evangelho.
O salmo 138 é uma oração de ação de graças, na qual o salmista reconhece o poder salvador de Deus e afirma que, quando conhecerem a Deus todos o hão de louvar. A experiência do salmista é de alguém que no meio da angústia invoca o Senhor e é atendido. Ao ver que Deus, não apenas o atende, mas vai “mais além das tuas promessas”, “atendeste-me e aumentaste as forças da minha alma”, toma uma atitude, “inclino-me voltado para o teu templo santo” em agradecimento, porque “conservas-me a vida” e “a tua mão direita me salva” e conclui desta experiência que, “o Senhor tudo fará por mim”.
Preocupado com os cristãos de Colossos, Paulo adianta que a salvação já está à nossa disposição porque já fomos salvos por Cristo. Na cruz foi anulado “o documento da nossa dívida, com as suas disposições contra nós”. Já ninguém virá exigir o pagamento da nossa dívida, está saldada na cruz de Cristo, porque assim é o amor de Deus. Pelo sacrifício de um só todos fomos justificados.
De que modo participamos nós desta benevolência de Deus para com os homens? Pela participação na morte e ressurreição de Cristo. “Sepultados com Cristo no batismo, também com Ele fostes ressuscitados pela fé que tivestes no poder de Deus”. Passámos, então, da morte à vida. Antes “estáveis mortos nos vossos pecados”, mas “Deus fez que voltásseis à vida com Cristo”.
Esta salvação está já ao alcance de todos os que, pela fé e pelo Batismo, voltem à vida com Cristo mediante o perdão de todas as faltas.
O evangelho é um ensinamento de Jesus sobre a oração, provocado pelo pedido dos apóstolos: “Senhor, ensina-nos a orar”. Depois de escutarmos as palavras de Jesus no ‘Pai Nosso’, na parábola e sobre a confiança, percebe-se que, rezar não é uma teoria que se aprende, mas uma relação que se vai construindo cada vez mais através do encontro.
Quando Jesus ensina o Pai nosso, está a dizer que Deus é Pai e rezar é estar com Deus como um filho está com o Pai. Pela oração tornamo-nos um filho que se interessa pelo Pai e o quer conhecer como ele é, a sua identidade, o seu ser mais profundo, a sua verdade e os seus interesse e ocupações, até querer colaborar no projeto do seu reino e desejar ser como ele, Santo. Rezar é também pedir as coisas de cada dia, o pão, a ajuda para chegar a ser como o Pai e para não falhar às suas expetativas.
Nesta relação paternal, Deus sabe tudo sobre os filhos e sabe do que eles têm necessidade. Deus não é como um amigo que se levanta aborrecido para dar o que lhe pedimos por já não suportar a nossa impertinência. Deus é um Pai que dá tudo o que é necessário aos filhos: “o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem”, ou seja, “o Senhor tudo fará por mim”, como diz o salmista.
Por conhecer esta disponibilidade de Deus, Jesus insiste para pedirmos, procurarmos e batermos, porque ele sabe que “quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á”, não na submissão de um escravo, mas na confiança de quem tem a dignidade de filho.
Meditação da Palavra
“Senhor, ensina-nos a rezar”
Depois de ensinar o amor ao próximo e a escuta da palavra como atitudes fundamentais na vida dos seus discípulos, Jesus apresenta como terceira atitude, a oração. O discípulo de Jesus faz como ele, reza continuamente ao Pai com confiança.
Tudo começa com Jesus a rezar. A sua atitude surpreendeu os discípulos por mais de uma vez, pois era com frequência que Jesus se retirava para estar a sós com o Pai. Naquele dia perderam a vergonha e pediram: “Senhor, ensina-nos a rezar”.
Têm como expetativa uma lição sobre a oração, alguma teoria, o ensino de uma quantas palavras que eles possam repetir nos seus diálogos com Deus e os identifiquem com o mestre. Jesus, porém, surpreende-os começando por dizer “quando orardes, dizei: ‘Pai” e não adianta continuar enquanto não estiver interiorizada esta primeira realidade. Primeiro toma consciência que Deus é Pai e que é teu Pai, até perceberes que é Pai de todos e chegares a confiar nele como uma criança. Para chegar a esta confiança é necessário dizer muitas vezes ‘Pai’ num encontro que se torna relação, numa relação que se torna afeto. Primeiro ‘Pai, depois ‘meu Pai’ e finalmente ‘Pai nosso’, num crescendo de consciência, relação, confiança e entrega.
Foi assim com o nosso pai terreno. Tudo começou quando dissemos pela primeira vez ‘Pai’. Foi depois de terem insistido muito connosco para o dizermos. No dia em que saiu pela primeira vez, todos se riram de alegria e nós participámos dessa alegria com uma gargalhada. Se hoje a nossa relação com o pai continuasse a ser apenas isso, seria ridícula, mas foi ali que tudo começou.
Com Deus é o mesmo. A oração começa por dizer ‘Pai’ até que o coração se enche quando soam as palavras. Mas não fica por aqui, continua no conhecimento íntimo, próximo, contínuo com o Pai que é Santo, e no interesse por tudo o que lhe pertence, o seu reino, e pelo lugar onde habita, o céu, dispondo-se a cuidar das suas coisas com o mesmo interesse e a ser como ele, santo em todas as coisas. Ser bom, justo e “misericordioso como o Pai que está nos céus é misericordioso” (Lc 6,36), ao ponto de perdoar sempre, porque “se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós”.
Este Pai não é como um amigo a quem se recorre a altas horas da noite, numa urgência, numa aflição ou numa situação de grande angústia e que só nos atende para não o incomodarmos mais, como bem recorda Jesus na parábola: “Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa”. Também não é o juiz que coloca nos dois pratos da balança o bom e o mau para justificar a condenação ou o perdão. O Pai responde por amor e aquele que confia no Pai sabe que “o Senhor tudo fará por mim”, por isso, vai “mais além das tuas promessas”, como diz o salmista.
Em Cristo, o Pai vai até à cruz por amor, como ensina Paulo. Enquanto Abraão entende que dez homens justos não são suficientes para salvar uma cidade e abandona as conversações com Deus por perceber que não é possível negociar mais, Deus, o Pai, vai ao limite de considerar que um só justo, Cristo, é quanto basta para salvar toda a humanidade, “anulou o documento da nossa dívida, com as suas disposições contra nós; suprimiu-o, cravando-o na cruz”.
A oração de Abraão ensina-nos esta proximidade com Deus, a nossa participação nos seus planos, mas é em Cristo que aprendemos a oração que vai até aos limites do amor divino, quando na cruz, diz ao Pai com toda a confiança: “perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Um perdão universal que tem como intermediário o próprio filho de Deus, aquele que pode ensinar aos homens a relação filial e incondicional com Deus.
O discípulo de Jesus aprende a dizer Pai e dispõe-se a entrar na intimidade de Deus até partilhar com ele o seu plano de salvação para toda a humanidade. E no íntimo do Pai encontra-se com todos os homens e reconhece que todos são seus irmãos, pelos quais vale a pena interceder como Abraão e dar a vida como Jesus. Nesta experiência o discípulo compreende que rezar não é dizer palavras, mas implicar a vida toda numa relação de amor que faz chegar a todos a vida nova da ressurreição.
Rezar a Palavra
Procuro as palavras para falar contigo e nem sempre encontro. Quero louvar-te e parece-me pobre a forma como o faço. Preciso de pedir e não sei que postura assumir para estar diante de ti. Ensina-me a rezar. Coloca na minha boca as palavras, no meu coração os sentimentos, na minha atitude a determinação. Reza tu em mim para que me envolva na grandeza do amor e do mistério.
Compromisso semanal
Aprendo a confiança de Abração e de Jesus.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://igrejadoscapuchinhos.org.br/santo-do-dia-27-de-julho-sao-celestino/>]
Santo do dia 27 de julho: São Celestino
27 de julho de 2024
Aprendamos de São Celestino I, que sendo papa, soube tratar com igualdade o povo de Deus e trabalhar para o crescimento da Igreja
O Papa Celestino I eleito em 10 de setembro de 422 nasceu no sul da Itália. É considerado um governante de atitude, mas seu mandato durou apenas uma década.
Era um período de reconstrução para Roma, que fora quase destruída pela invasão dos bárbaros. O Papa Celestinho I participou ativamente restaurando numerosas Basílicas, entre elas a de Santa Maria em Trastévere, a primeira dedicada à Nossa Senhora.

Respondia pessoalmente as cartas que recebia e seus conselhos formaram um primeiro esboço do que seria o futuro direito canônico. Também foi vigoroso o intercâmbio de correspondência que manteve com seu amigo e contemporâneo, Santo Agostinho.
Foi ele o primeiro a determinar que os Bispos não deveriam nunca negar a absolvição a alguém que estivesse morrendo. Combateu as heresias, ajudou a esclarecer dúvidas doutrinais e combateu os abusos que se instalavam nas sedes episcopais.
Sob sua direção foi realizado o Concílio de Éfeso. Nele confirmou-se o dogma de Maria como “Mãe de Deus”. Com isso, o bispo Nestório, que pregava Maria somente como mãe do homem Jesus, foi considerado herege.
Celestino I morreu em 432, depois de uma frutífera vida em favor do Cristo.
Reflexão
Ser responsável por um trabalho é sempre algo exigente. Um bom cristão sabe usar do poder que lhe é conferido para trabalhar em função das pessoas. O serviço deve ser a palavra de ordem para quem tem Jesus Cristo como guia de sua vida. Aprendamos de São Celestino I, que sendo papa, soube tratar com igualdade o povo de Deus e trabalhar para o crescimento da Igreja.
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, quiseste que São Celestino I governasse todo o vosso povo, servindo-o pela palavra e pelo exemplo. Guardai, por suas preces, os pastores de vossa Igreja e as ovelhas a eles confiadas, guiando-os no caminho da salvação. Por Cristo nosso Senhor. Amém!
A12 / Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 27 JULHO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Jo 4, 16
Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco. Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.
V. Inclinai o meu coração para as vossas ordens,
R. Fazei-me viver segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 6, 7-8
Cada um recolherá o que tiver semeado. Quem semeia na carne, colherá da carne a corrupção; quem semeia no Espírito, colherá do Espírito a vida eterna.
V. A vossa palavra, Senhor, é eterna,
R. A vossa fidelidade permanece de geração em geração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 6, 9-10
Não nos cansemos de fazer o bem, porque se não desfalecermos, colheremos no tempo oportuno. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas principalmente para com os irmãos na fé.
V. De todo o coração eu clamo, ouvi-me, Senhor:
R. Quero observar os vossos decretos.
Oração
Senhor, que pela vossa graça nos tornastes filhos da luz, não permitais que sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas permaneçamos sempre no esplendor da verdade. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 3-4
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as tribulações, para podermos também confortar aqueles que sofrem qualquer tribulação, por meio da consolação que nós próprios recebemos de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
