“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 20 DE SETEMBRO DE 2025
20 de setembro de 2025“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 22 DE SETEMBRO DE 2025
22 de setembro de 2025DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM (Ano C)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Profecia de Ezequiel 24, 15-27
A vida do profeta é um sinal para o povo
O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: «Filho do homem, vou tirar-te repentinamente aquela que é a alegria dos teus olhos. Não deverás lamentar-te, nem chorar, nem derramar lágrimas; suspira em silêncio, mas não pratiques o luto habitual pelos mortos. Mantém a cabeça coberta, calça as sandálias, não cubras a barba, nem comas o pão trazido pelos outros».
De manhã falei ao povo, à tarde minha mulher morreu. Na manhã seguinte fiz o que me tinha sido ordenado. Então o povo perguntou-me: «Não nos explicas o que significa para nós o que estás a fazer?». Eu respondi-lhes: «O Senhor dirigiu-me a palavra, dizendo: ‘Diz à casa de Israel: Assim fala o Senhor Deus: Vou profanar o meu santuário, orgulho do vosso poder, alegria dos vossos olhos e paixão das vossas almas. Os filhos e filhas que deixastes em Jerusalém cairão ao fio da espada. Então fareis como eu fiz. Não cobrireis a barba, não comereis o pão trazido pelos outros, ficareis com a cabeça coberta, com sandálias nos pés, e não lamentareis nem chorareis. Ireis morrendo por causa das vossas iniquidades e gemereis uns com os outros. Ezequiel será para vós um símbolo: fareis como ele fez. Quando isto acontecer, reconhecereis que Eu sou o Senhor Deus.
Escuta, filho do homem: virá o dia em que Eu os privarei da sua fortaleza, da sua glória arrogante, da alegria dos seus olhos, da paixão das suas almas, de seus filhos e filhas. Nesse dia um fugitivo virá à tua presença para te dar a notícia. Nesse dia abrir-se-á a tua boca para falar ao fugitivo; falarás e não voltarás a ficar mudo. Serás para eles um símbolo e reconhecerão que Eu sou o Senhor».
RESPONSÓRIO Ez 24, 24; Joel 2, 13a
R. Ezequiel será para vós um sinal: procedereis em tudo como ele proceder, * E reconhecereis que Eu sou o Senhor Deus.
V. Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes, voltai para o Senhor vosso Deus. * E reconhecereis que Eu sou o Senhor Deus.
SEGUNDA LEITURA
Do Sermão de Santo Agostinho, bispo, sobre os Pastores
(Sermo 46, 13: CCL 41, 539-540) (Sec. V)
Os cristãos doentes
Não fortaleceis as ovelhas débeis, nem tratais as doentes. Isto diz o Senhor aos maus pastores, aos falsos pastores, aos pastores que procuram os seus interesses e não os de Jesus Cristo, que recebem o leite e a lã das ovelhas, mas não têm cuidado do rebanho, nem fortalecem as ovelhas débeis.
Entre o doente e o débil ou enfermo, isto é, não firme – embora também se chamem enfermos ou débeis os doentes – pode notar-se uma diferença. É certo que estas ideias que nos esforçamos por distinguir, poderíamos explicá-las certamente com maior diligência e, sem dúvida, melhor o faria qualquer outro que tivesse alcançado uma luz espiritual mais abundante. Mas para que não vos sintais defraudados, vou dizer-vos o que penso quanto ao sentido que sugerem estas palavras da Escritura.
Débil é aquele de quem se teme que sucumba na tentação; doente é aquele que padece alguma paixão que o impede de seguir o caminho de Deus e aceitar o jugo de Cristo.
Pensai nesses homens que querem viver bem, que se decidiram já a viver dignamente, mas ainda não estão tão dispostos a sofrer o mal como a praticar o bem. Ora a fortaleza cristã deve levar-nos não só a praticar o bem, mas também a suportar o mal. Portanto, aqueles que desejam sinceramente praticar boas obras, mas não querem ou não podem suportar os sofrimentos, são realmente débeis. E aqueles que se entregam à vida mundana, cativos das más paixões, e não praticam boas obras, esses estão doentes e inválidos e são incapazes de realizar qualquer boa acção precisamente por causa da sua doença.
Assim estava a alma daquele paralítico que não pôde ser levado até junto do Senhor; e aqueles que o transportavam abriram o tecto e por ali o introduziram na casa onde o Senhor Se encontrava. Para conseguires o mesmo nas almas dos homens, também tu deves abrir o tecto e colocar na presença do Senhor a alma paralítica, isto é, imobilizada nos seus membros inválidos, vazia de boas obras, mas cheia de pecados e enfraquecida pela doença das suas paixões. Portanto, se todos os membros estão imobilizados e há realmente uma paralisia interior, para ires ter com o médico – talvez o médico esteja dentro de ti e não dás pela sua presença: seria este um sentido oculto nas Escrituras – se queres descobrir-lhe o que está oculto, abre o tecto e coloca diante d’Ele o paralítico.
Aos que não fazem nada disto nem se preocupam com fazê-lo, ouvistes a advertência que eles ouvem: Não fortaleceis as ovelhas débeis, não curais as que estão feridas. Como já dissemos, a ovelha é ferida pelo terror das tentações; e o pastor pode dar-lhe a medicina que cura essas feridas, recordando-lhe aquelas palavras de conforto: Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças; mas no tempo da ten- tação dar-vos-á forças para a vencer.
RESPONSÓRIO 1 Cor 9, 22-23
R. Com os fracos tornei-me fraco, para salvar os fracos. * Fiz-me tudo para todos, para salvar a todos.
V. Tudo faço por causa do Evangelho, para dele receber a minha parte. * Fiz-me tudo para todos, para salvar a todos.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Apocalipse 7, 10b.12
Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xxv-do-tempo-comum-ano-c/>]
DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM (Ano C)
Amar as coisas pequenas com fidelidade
Estavam todos os dias lado a lado e todos os dias o companheiro lhe dizia: “Deixa lá isso que já está bom”. Ele, porém, imperativamente, respondia diariamente: “Sim! Aos teus olhos já está bom, mas os meus dizem que não!” E dizia para si mesmo: “As pessoas que vão usar este espaço, podem não ver como eu, mas vão sentir o amor com que faço o meu trabalho”.
LEITURA I Am 8, 4-7
Escutai bem, vós que espezinhais o pobre
e quereis eliminar os humildes da terra.
Vós dizeis:
«Quando passará a lua nova,
para podermos vender o nosso grão?
Quando chegará o fim de sábado,
para podermos abrir os celeiros de trigo?
Faremos a medida mais pequena,
aumentaremos o preço,
arranjaremos balanças falsas.
Compraremos os necessitados por dinheiro
e os indigentes por um par de sandálias.
Venderemos até as cascas do nosso trigo».
Mas o Senhor jurou pela glória de Jacob:
«Nunca esquecerei nenhuma das suas obras».
O profeta denuncia os pensamentos e as ações daqueles que, pensando apenas em si mesmos, enganam os pobres e indefesos. Em nome de Deus o profeta deixa bem claro que o seu pecado não será esquecido.
Salmo 112 (113), 1-2.4-6.7-8 (R. cf. 1a.7b)
O salmo reconhece que Deus, na sua majestade está perto de todos os pobres e humilhados, por isso diz que ele se inclina la do céu, levanta o pobre e dá filhos à estéril.
LEITURA II 1 Tim 2, 1-8
Caríssimo:
Recomendo, antes de tudo,
que se façam preces, orações, súplicas e ações de graças
por todos os homens, pelos reis e por todas as autoridades,
para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica,
com toda a piedade e dignidade.
Isto é bom e agradável aos olhos de Deus, nosso Salvador;
Ele quer que todos os homens se salvem
e cheguem ao conhecimento da verdade.
Há um só Deus
e um só mediador entre Deus e os homens,
o homem Jesus Cristo,
que Se entregou à morte pela redenção de todos.
Tal é o testemunho que foi dado a seu tempo
e do qual fui constituído arauto e apóstolo
_ digo a verdade, não minto _
mestre dos gentios na fé e na verdade.
Quero, portanto, que os homens rezem em toda a parte,
erguendo para o céu as mãos santas,
sem ira nem contenda.
Paulo faz-nos pensar na oração universal que nós fazemos na liturgia. Pede que se reze por todos. Insiste que a oração se faça com preces, súplicas e ações de graças e que os gestos acompanhem as palavras que saem do coração.
EVANGELHO – Forma longa Lc 16, 1-13
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Um homem rico tinha um administrador,
que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens.
Mandou chamá-lo e disse-lhe:
‘Que é isto que ouço dizer de ti?
Presta contas da tua administração,
porque já não podes continuar a administrar’.
O administrador disse consigo:
‘Que hei de fazer,
agora que o meu senhor me vai tirar a administração?
Para cavar não tenho força, de mendigar tenho vergonha.
Já sei o que hei de fazer,
para que, ao ser despedido da administração,
alguém me receba em sua casa’.
Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor
e disse ao primeiro:
‘Quanto deves ao meu senhor?’.
Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’.
O administrador disse-lhe:
‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’.
A seguir disse a outro:
‘E tu quanto deves?’,
Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’.
Disse-lhe o administrador:
‘Toma a tua conta e escreve oitenta’.
E o senhor elogiou o administrador desonesto,
por ter procedido com esperteza.
De facto, os filhos deste mundo
são mais espertos do que os filhos da luz,
no trato com os seus semelhantes.
Ora Eu digo-vos:
Arranjai amigos com o vil dinheiro,
para que, quando este vier a faltar,
eles vos recebam nas moradas eternas.
Quem é fiel nas coisas pequenas
também é fiel nas grandes;
e quem é injusto nas coisas pequenas
também é injusto nas grandes.
Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro,
quem vos confiará o verdadeiro bem?
E se não fostes fiéis no bem alheio,
quem vos entregará o que é vosso?
Nenhum servo pode servir a dois senhores,
porque, ou não gosta de um deles e estima o outro,
ou se dedica a um e despreza o outro.
Não podeis servir a Deus e ao dinheiro».
De que modo usamos os nossos bens, (os bens materiais e os bens espirituais), é a pergunta que Jesus faz nesta parábola. Se eles servem para conseguir uma vida cómoda, instalada e despreocupada, então conduzem-nos à insensatez, porque não ajudam ninguém, nem a nós próprios. Se com os bens materiais fazemos como Deus, que auxilia os pobres, os órfãos e as viúvas, então estes nos receberão nas moradas eternas.
Reflexão da Palavra
O profeta Amós vive no tempo em que Jeroboão é rei de Israel e Uzias rei de Judá, cerca do ano 750 a. C. Sendo pastor em Técua, no reino do sul, Judá, exerce a sua missão no reino do norte, Israel. Vive-se um tempo de grandes injustiças sociais. A riqueza de alguns, choca com a extrema pobreza da maioria, colocando em risco a dignidade destes. Amós assume a defesa dos pobres, denunciando os esquemas daqueles que, sem escrúpulos, procuram enriquecer a qualquer custo.
De acordo com o texto deste domingo, a situação é grave, ao ponto de os ricos se aproveitarem dos pobres comprando-os como escravos “por um par de sandálias”. As acusações de Amós são dirigidas aos corruptos que alteram as medidas, falseiam as balanças e aumentam os preços. Enganam as pessoas vendendo as casacas do trigo como farinha.
Amós revela a verdadeira origem desta forma de agir que não tem em conta a justiça para com os homens. O desrespeito do homem tem origem no desrespeito de Deus. Por sua vontade seria permitido vender e comprar todos os dias. Pois os sábados e os dias de festa são insuportáveis porque não podem fazer negócios e ganhar dinheiro, “quando passará a lua nova, para podermos vender o nosso grão? Quando chegará o fim de sábado, para podermos abrir os celeiros de trigo?”. Para compensar a perdas destes dias têm que enganar os pobres nos restantes dias.
Deus, porém, está do lado dos pobres “se eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor”, lê-se em Ex 22, 21-23. E Amós conclui a sua exortação com uma declaração “o Senhor jurou pela glória de Jacob: ‘Nunca esquecerei nenhuma das suas obras’”. Com esta afirmação, Amós não pretende pôr em causa a infinita misericórdia de Deus. Pelo contrário, quer salientar a gravidade do pecado cometido contra os que não podem defender-se, a fim de que os corruptos, adoradores do dinheiro, se arrependam e voltem o seu coração para o Senhor, único Deus. Os pobres não têm possibilidade de recorrer à justiça dos homens, também ela corrompida pelo dinheiro, e só podem esperar auxílio e justiça da parte de Deus, que age com justiça e não fica indiferente à injustiça praticada sobre os indefesos.
O salmista convida a louvar o “nome do Senhor” em todo o tempo “agora e para sempre” e “desde o nascer ao por do sol”. E apresenta dois motivos para louvar o Senhor: a majestade do Senhor, pois ele, “reina sobre todas as nações, a sua majestade está acima dos céus” de tal modo que ninguém se pode comparar a ele. E a atenção aos pobres e humilhados: o Senhor não esquece o pobre, Ele “inclina-se, lá do alto”, “observa”, “levanta do pó o indigente e tira o pobre da miséria” e faz da estéril “mãe feliz de muitos filhos”.
É profundo o texto da carta de Paulo a Timóteo. Paulo dá indicações sobre alguns aspetos da vida da comunidade. Este pequeno texto começa por falar daquela que hoje chamamos Oração Universal, também conhecida por Oração dos fiéis. Desde o início a Igreja sentiu a preocupação por rezar por todos, até pelos que os perseguiam e pelas autoridades, mesmo quando estas não eram favoráveis à existência das comunidades cristãs. “Recomendo, antes de tudo, que se façam preces, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todas as autoridades”.
Paulo indica duas razões para que se façam orações. A primeira é “para que possamos levar uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade”. A Igreja precisa de paz social para poder viver a fé e para cumprir a sua missão no meio do mundo, o anúncio do evangelho. A segunda, porém, é mais importante que a primeira e é o fundamento da missão da Igreja “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”.
A missão da Igreja nasce da vontade que Deus tem de salvar todos os homens. Sem isto a Igreja não faz qualquer sentido. A sua vontade salvífica brota do próprio ser divino, pois Deus é “nosso Salvador”. A salvação é para todos “que todos os homens se salvem”. A vontade de Deus é que todos “cheguem ao conhecimento da verdade” que é o mesmo que salvar-se. Conhecer a verdade é conhecer Deus e conhecer Deus é conhecer a sua vontade e esta é “que todos os homens se salvem”. A salvação não vem de outro senão do único Deus, “há um só Deus” e “um só mediador” que é Cristo, aquele que a Igreja anuncia.
O segredo do estranho texto evangélico está no final, quando Jesus diz “Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedica a um e despreza o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. O leitor não pode deixar-se enganar quando se diz na parábola “o senhor elogiou o administrador desonesto”, porque Jesus não elogia a sua desonestidade, mas a sua esperteza, “por ter procedido com esperteza”.
O evangelho pretende dizer que o dinheiro é o bezerro de oiro que os israelitas construíram, como lemos no domingo passado. Só o Senhor é Deus e não te prostrarás diante de nenhum outro. Jesus diz isto de outra forma, recordando que não podemos “servir, adorar, dois senhores”. A primeira leitura também recorda do que são capazes os adoradores do dinheiro.
A mesma perspicácia dos adoradores do dinheiro para não perderem o seu deus, devem também desenvolver os adoradores do Deus verdadeiro, mantendo-se livres de qualquer cobiça e corrupção. Devem administrar com verdade e justiça os bens e os dons que lhes são confiados, pois, “quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas também é injusto nas grandes”. Se não formos fiéis nas coisas deste mundo, representadas no dinheiro, como seremos fiéis nas coisas espirituais, que são “o verdadeiro bem”?
Meditação da Palavra
A partir do exemplo real de Amós que vive num tempo de grandes injustiças sociais e denuncia a corrupção dos poderosos do reino, que se servem até da religião para alcançarem os seus desejos, oprimirem os órfãos e as viúvas e serem donos de tudo subjugando os pobres ao seu domínio, podemos compreender melhor as palavras de Jesus no evangelho.
Na parábola, Jesus apresenta um administrador desonesto, rosto de todos os desonestos do mundo de ontem e de hoje. Denunciado pelos seus adversários, este homem vê-se perante a possibilidade de cair na miséria a que submeteu os outros com a sua desonestidade. No entanto, sendo ‘esperto’, como refere a parábola, encontrou uma forma ardilosa de deixar a administração e não ter que trabalhar nem de mendigar.
Aqueles que tinha sob a sua autoridade serviram-lhe para manter o seu estatuto social sem experimentar a sorte dos pobres. Serviu-se dos bens materiais, propriedade do seu senhor, para que, agradecidos, os devedores o recebessem nas suas casas como sinal de agradecimento e ele não cair na desgraça.
Olhando para a parábola podemos ficar confusos, na medida em que o administrador desonesto é elogiado pelo seu modo de proceder, “o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza”. O elogio do senhor, porém, não se dirige à sua fraude, mas à sua “esperteza”. Ele percebeu que a sua situação de administrador iria acabar e, com astúcia, utilizou os bens do seu senhor para garantir um futuro. Compreendendo isto, o sentido da parábola altera-se imediatamente. Com estas palavras, Jesus, desafia-nos a ser igualmente prudentes com o nosso futuro eterno, ou seja, os bens deste mundo não são para acumular com a ganância de ter tudo ainda que outros fiquem na miséria e passem fome, mas para os usarmos de modo a podermos entrar no Reino de Deus.
Quando Jesus diz “Arranjai amigos com o vil dinheiro“, não está a incentivar a desonestidade. Pelo contrário, está a convidar-nos a usar os bens materiais — que são “vãos” e “injustos” quando comparados com Deus — como ferramentas para um fim maior. Significa usar o nosso dinheiro, o nosso tempo, os nossos talentos e as nossas capacidades para praticar a caridade, ajudar os necessitados e construir o Reino de Deus. Partilhando os bens terrenos estamos a fazer participantes dos bens eternos aqueles a quem socorremos na desgraça.
É por isso que Jesus propõe a fidelidade nas “coisas pequenas“. A nossa fidelidade a Deus não se mede apenas em grandes atos. Começa nas pequenas coisas do dia a dia. Se não somos fiéis na forma como gerimos o nosso dinheiro, os nossos compromissos ou as nossas responsabilidades mais simples, como poderemos ser fiéis nas grandes decisões da nossa fé?
Está sempre em jogo a verdade contida na afirmação “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro“: Esta é a conclusão inegociável da parábola. Não se trata de ter dinheiro, mas de saber a quem servimos. O dinheiro, ou qualquer bem material, não pode ser o centro da nossa vida, pois esse lugar pertence a Deus a quem dedicamos o nosso coração e a nossa lealdade.
É desta forma que Deus “quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. Os reis, governadores, autoridades, legisladores, todos são convidados a entrar no plano salvífico de Deus realizado em Cristo, pois ele, “entregou-se à morte pela redenção de todos”.
À Igreja compete ainda hoje, como a Paulo, ser arauto e apóstolo, fazer chegar a notícia da salvação a todos, para que todos se salvem e rezar com “preces, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens”, mesmo pelos desonestos, corruptos e dominadores. Pela oração de uns e pela pregação de outros, abre-se um caminho de salvação para todos, pois “o Senhor levanta os fracos”, ele “Levanta do pó o indigente e tira o pobre da miséria” e, quem é o mais fraco e mais pobre senão o pecador, aquele que se desviou do caminho do Senhor e passou a adorar o vil dinheiro e a explorar os irmãos? Por esses, precisamente, é que Paulo nos convida a rezar.
Rezar a Palavra
É tão fácil, Senhor, colar o coração aos bens materiais, sentir-se importante pelo cargo que ocupamos, olhar para os outros de cima para baixo, usar os outros para nosso benefício. Somos tão injustos, tão interesseiros e oportunistas. Deixamo-nos corromper tão facilmente. O pior de tudo é que continuamos a pensar que somos boas pessoas. Cura Senhor, pois só tu o podes fazer, o nosso coração dividido.
Compromisso semanal
Rezo para que o meu coração não se deixe dominar pelas raízes da corrupção e por todos os que vivem dominados pelos bens materiais.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2025/09/santos-do-dia-da-igreja-catolica-21-de-setembro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 21 de Setembro
Postado em: por: marsalima
São Mateus
No tempo de Jesus Cristo, na época em que a Palestina era apenas uma província romana, os impostos cobrados eram onerosos e pesavam brutalmente sobre os ombros dos judeus. A cobrança desses impostos era feita por rendeiros públicos, considerados homens cruéis, sanguessugas, verdadeiros esfoladores do povo. Um dos piores rendeiros da época era Levi, filho de Alfeu, que, mais tarde, trocaria seu nome para Mateus, o “dom de Deus”. Um dia, depois de pregar, Jesus caminhava pelas ruas da cidade de Cafarnaum e encontrou com o cruel Levi. Olhou-o com firmeza nos olhos e disse: “Segue-me”. Levi, imediatamente, levantou-se, abandonou seu rendoso negócio, mudou de vida, de nome e seguiu Jesus.
Acredita-se, mesmo, que tal mudança não tenha realmente ocorrido dessa forma, mas sim pelo seu próprio e espontâneo entusiasmo no Messias. Na verdade, o que se imagina é que Levi havia algum tempo cultivava a vontade de seguir as palavras do profeta e que aquela atitude tenha sido definitiva para colocá-lo para sempre no caminho da fé cristã.
Daquele dia em diante, com o nome já trocado para Mateus, tornou-se um dos maiores seguidores e apóstolos de Cristo, acompanhando-o em todas as suas caminhadas e pregações pela Palestina. São Mateus foi o primeiro apóstolo a escrever um livro contando a vida e a morte de Jesus Cristo, ao qual ele deu o nome de Evangelho e que foi amplamente usado pelos primeiros cristãos da Palestina. Quando o apóstolo são Bartolomeu viajou para as Índias, levou consigo uma cópia.
Depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos espalharam-se pelo mundo e Mateus foi para a Arábia e a Pérsia para evangelizar aqueles povos. Porém foi vítima de uma grande perseguição por parte dos sacerdotes locais, que mandaram arrancar-lhe os olhos e o encarceraram para depois ser sacrificado aos deuses. Mas Deus não o abandonou e mandou um anjo que curou seus olhos e o libertou. Mateus seguiu, então, para a Etiópia, onde mais uma vez foi perseguido por feiticeiros que se opunham à evangelização. Porém o príncipe herdeiro morreu e Mateus foi chamado ao palácio. Por uma graça divina fez o filho da rainha Candece ressuscitar, causando grande espanto e admiração entre os presentes. Com esse ato, Mateus conseguiu converter grande parte da população. Na época, a Igreja da Etiópia passou a ser uma das mais ativas e florescentes dos tempos apostólicos.
São Mateus morreu por ordem do rei Hitarco, sobrinho do rei Egipo, no altar da igreja em que celebrava o santo ofício da missa. Isso aconteceu porque não intercedeu em favor do pedido de casamento feito pelo monarca, e recusado pela jovem Efigênia, que havia decidido consagrar-se a Jesus. Inconformado com a atitude do santo homem, Hitarco mandou que seus soldados o executassem.
No ano 930, as relíquias mortais do apóstolo são Mateus foram transportadas para Salerno, na Itália, onde, até hoje, é festejado como padroeiro da cidade. A Igreja determinou o dia 21 de setembro para a celebração de são Mateus, apóstolo.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE DE SETEMBRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Jo 4,16
Nós conhecemos e acreditámos no amor de Deus para connosco. Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.
V. Inclinai o meu coração para as vossas ordens,
R. Fazei-me viver segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 6,7-8
Cada um recolherá o que tiver semeado. Quem semeia na carne, colherá da carne a corrupção; quem semeia no Espírito, colherá do Espírito a vida eterna.
V. A vossa palavra, Senhor, é eterna,
R. A vossa fidelidade permanece de geração em geração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Gal 6, 9-10
Não nos cansemos de fazer o bem, porque se não desfalecermos, colheremos no tempo oportuno. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas principalmente para com os irmãos na fé.
V. De todo o coração eu clamo, ouvi-me, Senhor:
R. Quero observar os vossos decretos.
Oração
Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 3-4
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as tribulações, para podermos também confortar aqueles que sofrem qualquer tribulação, por meio da consolação que nós próprios recebemos de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
