“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 15 DE JANEIRO DE 2026
15 de janeiro de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 17 DE JANEIRO DE 2026
17 de janeiro de 2026Sexta-feira da Semana I do Tempo Comum
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Ben-Sirá 43, 14-37
O louvor divino na criação
Pelo seu poder, o Altíssimo faz cair a neve e envia os raios segundo os seus decretos;
assim se abrem os seus reservatórios e as nuvens voam como pássaros.
O seu poder faz condensar as nuvens e fragmentam-se as pedras de granizo.
Quando Ele aparece, abalam-se os montes e a voz do seu trovão sacode a terra.
É pela sua vontade que sopra o vento sul,
bem como as tempestades do Norte e os ciclones.
Espalha a neve como aves que pousam no chão,
como gafanhotos que se abatem sobre a terra.
Deslumbra-se a vista com a beleza da sua alvura
e o coração maravilha-se ao vê-la cair.
Ele derrama sobre a terra a geada como sal,
que ao gelar se transforma em pontas de espinhos.
Sopra o vento frio do Norte
e forma-se o gelo sobre a água,
que repousa sobre toda a água imóvel
e a reveste como de uma couraça.
Devora as montanhas, abrasa o deserto
e queima a verdura como fogo.
Como remédio eficaz sobrevém a neblina,
e o orvalho após a canícula restabelece a vida.
Segundo o seu plano, o Senhor dominou o abismo
e nele implantou as ilhas.
Os que cruzam o mar contam os seus perigos
e ficamos admirados ao ouvi-los.
Existem nele fenómenos estranhos e maravilhosos,
toda a espécie de animais e monstros marinhos.
Pelo poder de Deus, tudo chega felizmente ao seu termo e tudo se resolve segundo a sua palavra.
Muito poderíamos ainda dizer, sem nunca chegarmos ao fim;
em conclusão: Ele é tudo.
Onde encontrar forças para O glorificar,
se Ele é maior que todas as suas obras?
O Senhor é temível e soberanamente grande,
e o seu poder é maravilhoso.
Para dar glória ao Senhor, louvai-O o mais que puderdes,
pois Ele supera todas as coisas.
Quando O exaltardes, empregai todas as vossas forças
e não desanimeis, pois nunca chegareis ao fim.
Quem já O viu, para poder falar d’Ele?
Quem é capaz de O louvar como Ele merece?
Há muitas coisas ocultas maiores do que estas,
pois vimos apenas um pouco das suas obras.
O Senhor fez todas as coisas
e concedeu a Sabedoria aos homens fiéis.
RESPONSÓRIO cf. Sir 43, 29.30
R. Para dar glória a Deus, muitas coisas poderíamos dizer e nunca chegaríamos ao fim. * Seja esta a conclusão das nossas palavras: Ele é tudo.
V. Onde encontrar forças para O glorificar dignamente, se Ele é maior que todas as suas obras? * Seja esta a conclusão das nossas palavras: Ele é tudo.
SEGUNDA LEITURA
Do Tratado de Santo Atanásio, bispo, «Contra os pagãos»
(Nn. 42-43: PG 25, 83-87) (Sec. IV)
Todas as coisas por meio do Verbo constituem uma harmonia admirável e verdadeiramente divina
Nada há do que existe e acontece que não tenha sido feito e não tenha consistência no Verbo e por meio do Verbo, como ensina o Teólogo: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio d’Ele, e sem Ele nada foi feito.
Como o músico com a lira bem afinada, combinando habilmente os sons graves com os agudos e os intermédios, executa uma harmonia, assim também a Sabedoria de Deus, tomando em suas mãos o universo como uma lira, associando as coisas do ar com as da terra e as do céu com as do ar, harmonizando o singular com o todo, segundo a sua vontade e beneplácito, criou um mundo unificado, formosa e harmoniosamente ordenado. O mesmo Verbo de Deus, sem deixar de permanecer imutável junto do Pai, põe em movimento todas as coisas segundo a natureza de cada uma, de acordo com a vontade do Pai. E assim, todas as coisas, segundo a própria natureza, vivem e subsistem por meio d’Ele, e por Ele constituem uma harmonia admirável e verdadeiramente divina.
Tratemos de explicar esta realidade tão sublime por meio de uma imagem: tomemos o exemplo dum numeroso coro. Num coro composto por muitas pessoas diferentes – homens e mulheres, crianças, velhos e adolescentes – sob a regência do director, cada um canta segundo a própria natureza e capacidade: o homem com voz de homem, a criança com voz de criança, a mulher com voz de mulher, o adolescente com voz de adolescente; e no entanto, de todo o conjunto resulta uma só harmonia. Outro exemplo. A nossa alma põe simultaneamente em movimento todos os nossos sentidos, cada um segundo a sua actividade específica; e assim, na presença de algum estímulo exterior, todos se põem em movimento ao mesmo tempo: o olho vê, o ouvido escuta, a mão toca, o nariz cheira, a língua saboreia, e ainda outros membros do corpo se movem, como por exemplo os pés, que se põem a caminhar. De maneira semelhante acontece na criação em geral. Certamente, os exemplos ficam muito aquém da realidade, e por isso é necessária uma reflexão mais profunda para compreender a verdade que querem ilustrar.
Concluindo: a um só sinal da vontade do Verbo de Deus, todas as coisas foram tão bem organizadas que, exercendo cada uma a actividade que lhe é própria, constituem todas juntas uma só ordem perfeita.
RESPONSÓRIO cf. Tob 12, 6.18.20
R. Bendizei a Deus e louvai-O diante de todos os seres vivos, * Porque usou de misericórdia para convosco.
V. Bendizei e cantai ao Senhor, anunciai todas as suas maravilhas, * Porque usou de misericórdia para convosco.
Oração
Atendei, Senhor, as orações do vosso povo; dai-lhe luz para conhecer a vossa vontade e coragem para a cumprir fielmente. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Efésios 4, 29-32
Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas somente a palavra boa que possa edificar na fé e fazer bem aos que vos ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, que vos assinalou para o dia da redenção. Seja eliminado do meio de vós tudo o que é azedume, cólera, indignação, maledicência e toda a espécie de maldade. Sede bondosos e compassivos uns com os outros, perdoando-vos mutuamente, como Deus também vos perdoou em Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Fazei-me sentir, desde a manhã, a vossa bondade.
R. Fazei-me sentir, desde a manhã, a vossa bondade.
V. Mostrai-me o vosso caminho.
R. Fazei-me sentir, desde a manhã, a vossa bondade.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Fazei-me sentir, desde a manhã, a vossa bondade.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <Sexta-feira da Semana I do Tempo Comum | A liturgia>]
Sexta-feira da Semana I do Tempo Comum
Leitura I (anos pares) 1Sm 8, 4-7.10-22a
Naqueles dias,
reuniram-se todos os anciãos de Israel
e foram ter com Samuel a Ramá.
E disseram a Samuel:
«Tu já estás velho e os teus filhos não seguem o teu exemplo.
Por isso, dá-nos um rei que nos governe,
como acontece com os outros povos».
Desagradou a Samuel que eles tivessem dito:
«Dá-nos um rei que nos governe».
Samuel orou ao Senhor e o Senhor respondeu-lhe:
«Atende à voz do povo em tudo o que ele te pedir;
porque não foi a ti que rejeitaram, mas a Mim:
não querem que Eu reine sobre eles».
Samuel comunicou todas as palavras do Senhor
ao povo que lhe pedia um rei
e acrescentou:
«Serão estes os direitos do rei que vai reinar sobre vós:
Requisitará os vossos filhos,
para cuidarem dos seus carros e dos seus cavalos,
e os fará correr à frente do seu carro.
Ele os utilizará como chefes de mil homens e chefes de cinquenta.
Mandará que lavrem os seus campos e ceifem as suas colheitas,
que fabriquem as suas armas de guerra e as peças dos seus carros.
Requisitará também as vossas filhas,
para trabalharem como perfumistas, cozinheiras e padeiras.
Tomará os vossos melhores campos, vinhas e olivais,
para os dar aos seus servos.
Cobrará o dízimo das vossas sementeiras e das vossas vinhas,
para o dar aos seus cortesãos e ministros.
Ficará com os vossos melhores servos e servas,
com os vossos melhores bois e jumentos,
para os empregar no seu serviço.
Cobrará o dízimo dos vossos rebanhos
e vós mesmos sereis seus escravos.
Nesse dia, reclamareis contra o rei que escolhestes,
mas então o Senhor não vos responderá».
O povo não fez caso das palavras de Samuel e disse:
«Não importa. Queremos um rei
e assim seremos como todos os outros povos:
o nosso rei é que há de governar-nos
e marchará à nossa frente para comandar os nossos combates».
Samuel ouviu tudo o que o povo disse
e comunicou-o ao Senhor.
O Senhor respondeu-lhe:
«Faz o que eles querem e dá-lhes um rei».
compreender a palavra
Samuel está velho e o povo apercebe-se disso. As derrotas frente aos inimigos, particularmente os Filisteus, fazem o povo acreditar que, continuando assim, com o mesmo chefe e a mesma tática nunca mais encontrarão a paz. Os outros povos têm reis, a sua organização política e militar tem-lhes dado vitórias e torna-os superiores a Israel e o povo aproveita esta situação para exigir uma mudança na sua política e estratégia militar: «Tu já estás velho e os teus filhos não seguem o teu exemplo. Por isso, dá-nos um rei que nos governe, como acontece com os outros povos». Acontece que o povo de Israel não é como os outros povos. Este é o povo do Senhor e Samuel, fiel ao Senhor, cai em oração. O Senhor, porém, intervém para o iluminar dizendo: “não foi a ti que rejeitaram, mas a Mim: não querem que Eu reine sobre eles”. É a Deus que os tirou do Egito e os conduziu a esta terra lutando com eles para a conquistar, que o povo rejeita ao pedir um rei. Samuel explica, então ao povo as conclusões do seu pedido e, embora sejam duras as condições impostas o povo quer um rei e responde: “Não importa. Queremos um rei e assim seremos como todos os outros povos”.
meditar a palavra
Este episódio da história de Israel assemelha-se a muitas situações da nossa vida e tem na parábola do Filho Pródigo uma bonita reflexão de Jesus. O Filho da parábola não quer estar sob o domínio e orientações do Pai. O povo não quer estar sob as ordens de Deus. Nós não queremos sentir que alguém nos impede a liberdade total para decidirmos da vida a nosso prazer. O resultado final está à vista e somos disso avisados, mas não queremos saber. Não serves o Senhor que te liberta, acabas servindo os teus caprichos, os outros ou as coisas a que se agarra o teu coração. Se estar sob as ordens de Deus significa para nós uma limitação, estar sob o jugo dos outros, dos caprichos ou dos prazeres acaba por nos esmagar levando-nos a perder a dignidade e a sujar as mãos com os porcos. Os Israelitas disseram “Não importa. Queremos ser como os outros. Queremos um rei”. Nós também dizemos muitas vezes, “não importa. Quero é ser livre, quero ser como os outros”. Mais cedo ou mais tarde acabaremos por dizer: “Pai! Pequei contra o céu e contra ti…”.
rezar a palavra
Vem em meu auxílio, Senhor. Não permitas que, levado por uma vã compreensão do teu amor, prefira submeter-me ao poder dos meus caprichos em vez de acolher a tua vontade na minha vida. Pois tua vontade salva e liberta enquanto os meus desejos dominam todo o meu entendimento para não ver que os meus pés seguem o caminho da desgraça.
compromisso
Revejo os meus critérios à luz da palavra do Senhor.
Evangelho Mc 2, 1-12
Quando Jesus entrou de novo em Cafarnaum
e se soube que Ele estava em casa,
juntaram-se tantas pessoas
que já não cabiam sequer em frente da porta;
e Jesus começou a pregar-lhes a palavra.
Trouxeram-Lhe um paralítico,
transportado por quatro homens;
e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão,
descobriram o teto,
por cima do lugar onde Ele Se encontrava
e, feita assim uma abertura,
desceram a enxerga em que jazia o paralítico.
Ao ver a fé daquela gente, Jesus disse ao paralítico:
«Filho, os teus pecados estão perdoados».
Estavam ali sentados alguns escribas,
que assim discorriam em seus corações:
«Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar.
Não é só Deus que pode perdoar os pecados?».
Jesus, percebendo o que eles estavam a pensar,
perguntou-lhes:
«Porque pensais assim nos vossos corações?
Que é mais fácil?
Dizer ao paralítico ‘Os teus pecados estão perdoados’
ou dizer ‘Levanta-te, toma a tua enxerga e anda’?
Pois bem. Para saberdes que o Filho do homem
tem na terra o poder de perdoar os pecados,
‘Eu te ordeno – disse Ele ao paralítico –
levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa’».
O homem levantou-se,
tomou a enxerga e saiu diante de toda a gente,
de modo que todos ficaram maravilhados
e glorificavam a Deus, dizendo:
«Nunca vimos coisa assim».
compreender a palavra
De regresso a Cafarnaum Jesus continua a falar às multidões que, neste caso, enchem toda a casa. Um homem paralítico é trazido e introduzido na casa onde Jesus se encontrava. Jesus perdoa-lhe os pecados e dá uma lição aos incrédulos sobre o seu poder de libertar o homem do pecado que não o deixa andar.
meditar a palavra
Estamos muitas vezes rodeados de incrédulos. Homens e mulheres que não acreditam em Jesus e que por consequência acabam por não acreditar em si próprios nem nos outros. São aqueles que sempre nos vão dizendo: “não vale a pena”; “não és capaz”; “julgas que és melhor que os outros”; “de que te serve isso?” e tantas outras afirmações que apenas servem para ficarmos parados e não acreditarmos como eles. São os que, sentados diante de Jesus murmuram “«Porque fala Ele deste modo? Está a blasfemar. Não é só Deus que pode perdoar os pecados?». Aquele que dá ouvidos à voz das impossibilidades vai definhando até chegar ao estado de paralisia total, de modo que já não consegue fazer nada por si e que, para salvar-se, precisa de quatro homens para o levarem a Jesus. Nem sempre temos quatro homens, nem todos têm quatro homens. É urgente seguir pelo nosso próprio pé até Jesus.
rezar a palavra
Põe-me de pé, Senhor. À Tua palavra faz com que as minhas pernas se levantem e me elevem até ao céu. Não permitas que a voz da incredulidade se faça ouvir mais alto do que a Tua palavra. Não permitas que em mim se instale a murmuração que mata a verdade da tua presença, nem me deixes sem o amparo dos irmãos que, no seu testemunho e caridade, me abrem caminhos para o encontro contigo e com a tua misericórdia.
compromisso
Hoje posso pedir auxílio a um irmão para me encontrar com Jesus. Posso também, ou em alternativa, ser um dos quatro homens que ajuda alguém a encontrar Jesus para se levantar da sua prostração.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <Santos do Dia da Igreja Católica – 16 de Janeiro – Sagrada Missão>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 16 de Janeiro
Postado em: por: marsalima
Santo Honorato de Arles
Honorato era filho de uma nobre família romana, tendo vivido lá pela metade do século IV. Como todo nobre, recebeu educação elevada que, ao contrário do que esperava a família, usou-a como monge e pastor para firmar-se como líder da Igreja. Converteu-se depois de adulto, mesmo pressionado pelos pais para que abandonasse a fé. Acabou conseguindo converter o irmão, Venâncio.
Assim que os pais morreram, os dois irmãos se desfizeram de todos os bens, doando tudo aos necessitados e se transformando em pregadores. Tendo Crepácio como guia espiritual, viajaram espalhando o Catolicismo pela Síria, Grécia e outras terras. Quando Venâncio morreu, Honorato resolveu voltar à Itália, onde se ordenou sacerdote.
Mas voltou a viajar com Crepácio, até que fincou raízes numa ilha desabitada, chamada Lerins. Que, aliás, passou a ser conhecida como “Ilha Feliz”. Isso porque Honorato fundou ali um mosteiro de elevada inspiração espiritual e intelectual. Tornou-se rapidamente uma venerada escola de monges.
Dali saíram santos e escritores célebres como Santo Hilário, São Lupo, Cesário de Arles, Vicente de Lerins e tantos outros. O apelido de “Ilha Feliz” veio da alegria com que se praticavam os preceitos cristãos no mosteiro, graças à orientação de Santo Honorato. Ele costumava dizer a seus discípulos que “quem é virtuoso não precisa estar triste” e seu humor contagiava a todos que o rodeavam.
O mosteiro resistiu e semeou fé até a Revolução Francesa, quando os monges foram desterrados e a construção confiscada. Somente 50 anos depois é que o bispo de Fréjus conseguiu reconstruí-lo, trazendo-o de volta para sua função original.
Quanto a Santo Honorato, que teve que deixá-lo quando foi eleito bispo de Arles, faleceu em 429. Sobre ele escreveu Santo Hilário: “Se fosse preciso representar a caridade, eu retrataria a efígie de Santo Honorato”.
Santo Tamaro (Tammaro)
Sabemos que no século cinco houve a grande invasão dos vândalos no norte da África liderados pelo rei Genserico. Eles promoveram a separação entre a nova população vândala e os cidadãos romanos. Em conseqüência, muitos padres acabam expulsos da África, incluindo Tammaro.
Os registros mostram que após de serem ameaçados os sacerdotes foram embarcados num navio que ficaria à deriva até atracar próximo da costa sul da Itália. Ali os sobreviventes desembarcaram e iniciaram uma caminhada de pregação do Evangelho ao longo dessa península.
Segundo a tradição, o sacerdote Tammaro foi um aluno da escola de Santo Agostinho, embora não haja registros que comprovem esse fato. E ainda, segundo os estudiosos, Tammaro se tornou um monge eremita na região de Caserta. Devido à sua sabedoria e solidariedade, o povo o teria aclamado bispo.
São muitos os registros da veneração que o povo tinha por esse religioso, principalmente os calendários litúrgicos antigos, além das inúmeras igrejas erguidas em sua homenagem.
Mesmo tendo deixado poucos dados e testemunhos de sua vida, a recordação e veneração de seu nome se mantiveram vigorosos ao longo dos séculos chegando aos nossos dias.
Sabe-se que o seu culto teria surgido na região do Benevento, especificamente onde hoje está a cidade de Nápoles. No século dezessete, os habitantes o proclamaram como seu padroeiro difundindo amplamente o seu culto.
Tammaro morreu por volta do ano 490, com a idade já avançada, na Vila Literno e foi sepultado na Catedral de Benevento, Itália. As relíquias foram colocadas em uma urna de mármore a qual resistiu ao bombardeio que destruiu a igreja onde estava para salvaguarda durante a Segunda Guerra Mundial.
Hoje, uma parte dessas relíquias encontra-se em Grumo Nevano, na Basílica dedicada à Santo Tammaro, que é venerado em 16 de janeiro.
Santo Marcelo I
No início do ano 304 com a morte do Papa Marcelino, a Igreja viveu um longo e confuso período de sua história, recheado de incertezas e de perseguições, que a desorganizou, inclusive internamente. Neste quadro, apareceu a singela figura de Marcelo I, confundido por muitos anos com o próprio Marcelino pois, alguns biógrafos acreditaram que eram a mesma pessoa e outros historiadores afirmaram, que ele havia sido apenas um padre. Vejamos como tudo se esclareceu e a relevância deste Papa e Santo, para a Igreja.
Os anos trezentos, também para o Império Romano não foram nada agradáveis, pois já se delineava a sua queda histórica. O imperador Diocleciano que se mostrava um tirano insensato e insano, também já não governava por si mesmo, era comandado pelo “vice” Gelásio. Foi a mando dele, que Diocleciano decretou a mais feroz, cruel e sangrenta perseguição aos cristãos, estendida para todos dos domínios do Império. E continuou, após a sua morte, sob o patrocínio do novo imperador Maxêncio.
A Cátedra de São Pedro vivia num período de “vicatio”, como é chamado o tempo de ausência entre a eleição legítima e a entrada de um novo pontífice. Foi uma época obscura e de solavancos para toda a Igreja, que agonizava com a confusão generalizada provocada pelas heresias e pelos “lapsis”, esta figura sombria que surgira em conseqüência das perseguições.
Em 27 de maio de 308, foi eleito o Papa Marcelo I, um presbítero de origem romana, humilde, generoso, de caráter firme e fé inabalável. Ele assumiu a direção da Igreja, após quatro anos da morte do seu predecessor e se ocupou da difícil tarefa de sua reorganização.
O seu pontificado, ao contrário do que se imaginava, ficou muito bem atestado pelas fontes da época. Nestes relatos se constatou o comportamento pós-perseguição que a Igreja teve com os “lapsis” ou “renegados”, como eram chamados os cristãos que, por medo, haviam publicamente renunciado a Fé em Cristo.
A esse respeito, existe o registro de um elogio feito ao papa Marcelo I pelo papa Damásio I em 366, com muita justiça. Enquanto muitos bispos do Oriente pediam a excomunhão destes cristãos, especialmente para os que faziam parte do clero, ele se mostrou rigoroso mas menos radical. Severo, decidiu que a Igreja iria acolhê-los, depois de um período de penitência. Também, determinou que nenhum concílio podia ser convocado sem a prévia autorização do papa.
Mas acabou sendo preso por ordem do imperador Maxêncio, que o exilou e obrigou a trabalhar na sua própria igreja, a qual fôra transformada em estábulo. Morreu em consequência dos maus tratos recebidos, no dia 16 de janeiro de 309.
A Igreja declarou Marcelo I santo e mártir da fé, para ser festejado nesta data . As suas relíquias estão guardadas na Cripta dos Papas no cemitério de Santa Priscila, em Roma.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE DE JANEIRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Filip 2, 2b-4
Tende entre vós os mesmos sentimentos e a mesma caridade, numa só alma e num só coração. Não façais nada por rivalidade nem por vanglória; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos, sem olhar cada um aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros.
V. Os caminhos do Senhor são misericórdia e fidelidade,
R. Para os que guardam a sua aliança e os seus mandamentos.
Oração
Senhor Jesus Cristo, que na hora de Tércia fostes levado ao suplício da cruz pela salvação do mundo, ajudai-nos a chorar os pecados da vida passada e a evitar as faltas no futuro. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 13, 4
Jesus Cristo foi crucificado na sua fraqueza humana, mas vive pelo poder de Deus. Também nós somos fracos n’Ele, mas viveremos com Ele pelo poder de Deus.
V. Minha alma está prostrada no pó da terra:
R. Vivificai-me, Senhor, segundo a vossa palavra.
Oração
Senhor Jesus Cristo, que à luz do meio dia, enquanto as trevas envolviam o mundo, subistes à cruz para nossa salvação, concedei-nos sempre a vossa luz, para que ilumine os nossos caminhos e nos conduza à vida eterna. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Col 3, 12-13
Como eleitos de Deus, santos e predilectos, revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se alguém tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, assim deveis fazer vós também.
V. O Senhor é bondoso e compassivo,
R. Paciente e cheio de misericórdia.
Oração
Senhor Jesus Cristo, que, suspenso na cruz, recebestes no reino eterno o ladrão arrependido, aceitai benignamente a humilde confissão das nossas culpas, e abri-nos também a nós, depois da morte, as portas do paraíso. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Rom 15, 1-3
Nós, os fortes, devemos suportar as fraquezas dos mais débeis e não procurar a própria satisfação. Procure cada um de vós agradar ao próximo, para seu bem e edificação. Também Cristo não procurou o que Lhe era agradável, mas como está escrito: «Os insultos daqueles que Te insultavam caíram sobre mim».
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo amou-nos e purificou-nos com o seu Sangue.
R. Cristo amou-nos e purificou-nos com o seu Sangue.
V. E fez de nós um reino de sacerdotes para Deus.
R. Cristo amou-nos e purificou-nos com o seu Sangue.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo amou-nos e purificou-nos com o seu Sangue.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Jer 14, 9
Estais no meio de nós, Senhor, e sobre nós foi invocado o vosso nome. Não nos abandoneis, Senhor nosso Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.



