“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 31 DE JANEIRO DE 2026
31 de janeiro de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 2 DE FEVEREIRO DE 2026
2 de fevereiro de 2026Domingo IV do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início da Primeira Epístola do Apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses 1, 1 – 2, 12
Solicitude de S. Paulo pela Igreja de Tessalónica
Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: A graça e a paz estejam convosco.
Damos continuamente graças a Deus por todos vós, ao fazermos menção de vós em nossas orações. Recordamos a actividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, na presença de Deus nosso Pai.
Nós sabemos, irmãos amados por Deus, como fostes escolhidos. O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com obras poderosas, com a acção do Espírito Santo e com profunda convicção. Vós sabeis, aliás, como procedemos no meio de vós, para vosso bem.
Tornastes-vos imitadores nossos e do Senhor, recebendo a palavra no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo; e assim vos tornastes exemplo para todos os crentes da Macedónia e da Acaia. Porque, partindo de vós, a palavra do Senhor ressoou não só na Macedónia e na Acaia, mas em toda a parte se divulgou a vossa fé em Deus, de modo que não precisamos de falar sobre ela. De facto, são eles próprios que relatam o acolhimento que tivemos junto de vós, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos Céus o seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos: Jesus, que nos livrará da ira divina que há-de vir.
Como vós próprios sabeis, irmãos, a visita que vos fizemos não foi inútil. Não obstante os sofrimentos e insultos que suportámos, como sabeis, em Filipos, no nosso Deus encontrámos coragem para vos anunciar o seu Evangelho no meio de grandes lutas. A nossa pregação não nasce do erro nem da impureza ou da fraude. Mas, como Deus nos encontrou dignos de nos confiar o Evangelho, assim o pregamos, não para agradar aos homens, mas a Deus que põe à prova os nossos corações.
Bem sabeis que nunca usámos palavras de lisonja nem recursos de ganância; Deus é testemunha. Tão-pouco procurámos as honras humanas, quer da vossa parte, quer da parte dos outros, embora nos pudéssemos ter imposto como apóstolos de Cristo. Ao contrário, fizemo-nos pequenos no meio de vós. Como a mãe que acalenta os filhos que anda a criar, assim nós também, pela viva afeição que vos dedicamos, desejávamos partilhar convosco não só o Evangelho de Deus mas ainda a própria vida, tão caros vos tínheis tornado para nós.
Bem vos lembrais, irmãos, dos nossos trabalhos e canseiras. Foi a trabalhar noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, que vos pregámos o Evangelho de Deus. Vós sois testemunhas, e Deus também, de como nos portámos de maneira justa, santa e irrepreensível em relação a vós, os crentes. E bem sabeis que, como um pai trata os seus filhos, exortámos, animámos e conjurámos cada um de vós a proceder de maneira digna de Deus, que vos chama ao seu reino e à sua glória.
RESPONSÓRIO 1 Tes 1, 9b; 3, 12a.13
R. Vós vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos Céus o seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos. * Jesus nos livrará da ira divina que há-de vir.
V. O Senhor vos faça crescer em caridade, para confirmar na santidade os vossos corações, no dia da vinda do Senhor. * Jesus nos livrará da irá divina que há-de vir.
SEGUNDA LEITURA
Da Carta de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir, aos Esmirnenses
(Nn. 1 – 4, 1: Funk 1, 235-237) (Sec. I)
Cristo chamou-nos ao seu reino e à sua glória
Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Deus Pai e de seu amado Filho Jesus Cristo, estabelecida em Esmirna, na Ásia, Igreja cheia de fé e caridade, que pela misericórdia divina obteve toda a espécie de dons e de graças, gratíssima a Deus e portadora de santidade, em pureza de espírito e na palavra de Deus: as minhas cordiais saudações.
Dou graças a Jesus Cristo Deus que vos comunicou tão grande sabedoria; pude verificar, de facto, que estais bem firmes e inabaláveis na fé, como se estivésseis cravados em corpo e alma na cruz do Senhor Jesus Cristo, e que estais bem fundados na caridade pelo Sangue de Cristo. Acreditais firmemente em Nosso Senhor, acreditais que Ele procede verdadeiramente de David segundo a carne e é Filho de Deus pela vontade e poder de Deus; que nasceu verdadeiramente da Virgem; que foi baptizado por João para que se cumprisse n’Ele toda a justiça; que, sob Pôncio Pilatos e o tetrarca Herodes, o seu Corpo foi verdadeiramente crucificado por amor de nós (que somos o fruto da sua cruz e da sua bem-aventurada paixão); e acreditais que, mediante a sua ressurreição, Ele levantou o seu estandarte para sempre em favor dos seus santos e fiéis, para os reunir a todos, tanto judeus como gentios, no único Corpo da sua Igreja.
Tudo isto sofreu por nós, para que fôssemos salvos; e tão verdadeiramente sofreu, como também verdadeiramente Se ressuscitou a Si mesmo.
Eu sei e creio firmemente que depois da sua ressurreição teve um corpo verdadeiro, e que ainda o tem. Quando se aproximou de Pedro e dos seus companheiros, disse-lhes: Tocai-Me, palpai-Me e vede que não sou um espírito sem corpo. Eles logo tocaram e acreditaram na realidade da sua carne e do seu espírito. E por esta fé desprezaram e venceram a própria morte. Depois da sua ressurreição, comeu e bebeu com eles, como um homem de carne e osso, embora estivesse espiritualmente unido ao Pai.
Recordo-vos estas coisas, irmãos caríssimos, embora saiba que tendes os mesmos sentimentos.
RESPONSÓRIO Gal 2, 19-20
R. Eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Se ainda vivo numa natureza carnal, vivo animado pela fé no Filho de Deus. * Ele amou-me e entregou-Se por mim.
V. Estou crucificado com Cristo; já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. * Ele amou-me e entregou-Se por mim.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
2 Tim 2, 8.11-13
Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos. É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com Ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com Ele reinaremos; se O negarmos, também Ele nos negará; se formos infiéis, Ele permanecerá fiel, porque não pode negar-Se a Si mesmo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-iv-do-tempo-comum-ano-a/>]
Domingo IV do Tempo Comum (Ano A)
Uma felicidade que chora
“Quero é viver…” Este é o grito que surge das entranhas de uma sociedade que impõe a todos os padrões de uma ditadura da felicidade. Chegou a hora de gritar: Não quero ser feliz! Quero viver, ainda que isso implique chorar. Quero os pés a pisar o chão, sentir o vento frio no rosto, experimentar a brisa suave à sombra de uma árvore e saciar-me na água colhida da fonte com as mãos abertas para o céu.
Não quero a felicidadezinha do bem-estar, quero sentir a dor dos que padecem, colher as lágrimas dos que choram, lutar pela paz e pela justiça, deitar-me com os injustiçados nas arcadas das grandes cidades e saltar as vedações da vergonha que encerram milhares de homens, deportados para o meio do nada. Quero repartir o pão dos pobres e apertar entre as mãos os corações puros, mansos e humildes.
Não quero a felicidade de viveiro, quero o risco de viver em campo aberto!
LEITURA I Sf 2, 3; 3, 12-13
Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra,
que obedeceis aos seus mandamentos.
Procurai a justiça, procurai a humildade;
talvez encontreis proteção no dia da ira do Senhor.
Só deixarei ficar no meio de ti um povo pobre e humilde,
que buscará refúgio no nome do Senhor.
O resto de Israel não voltará a cometer injustiças,
não tornará a dizer mentiras,
nem mais se encontrará na sua boca uma língua enganadora.
Por isso, terão pastagem e repouso,
sem ninguém que os perturbe.
Sofonias fala no reino de Judá, em Jerusalém, durante o reinado de Josias, século VII a.C., e anuncia o “dia do Senhor”. Será um “dia terrível” para todas as nações e também para os chefes de Judá que se deixaram contaminar pela idolatria e desprezam os pobres e humildes. Será, porém, um dia de salvação universal para os humildes da terra e para o resto de Israel que permanece fiel ao Senhor.
SALMO RESPONSORIAL Sl 145 (146), 7.8-9a.9bc-10
O Salmo 145 é um hino que convida a olhar para o Senhor como o verdadeiro Rei. Não há rei humano que se compare ao Senhor, porque voltam ao pó da terra e aí terminam os seus projetos. Bem-aventurado é aquele que põe a confiança no Senhor, criador de todas as coisas, porque ele cuida dos que são deserdados, física, social, económica, familiar e moralmente. Estes encontram nele o Deus/Rei que lhes convém, porque cuida eternamente.
LEITURA II 1Cor 1, 26-31
Irmãos:
Vede quem sois vós, os que Deus chamou:
não há muitos sábios, naturalmente falando,
nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos.
Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo,
para confundir os sábios;
escolheu o que é fraco, para confundir o forte;
escolheu o que é vil e desprezível,
o que nada vale aos olhos do mundo,
para reduzir a nada aquilo que vale,
a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus.
É por Ele que vós estais em Cristo Jesus,
o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus,
justiça, santidade e redenção.
Deste modo, conforme está escrito,
«quem se gloria deve gloriar-se no Senhor».
Paulo revela que é Deus quem pode salvar e salva na cruz de Jesus. Prova disso é que entre os chamados à fé, que formam a comunidade de Corinto, não há bem-nascidos, nem sábios, nem importantes, mas a todos Deus chamou a viver em Cristo. Escolhendo o que é fraco aos olhos dos homens, Deus confunde os poderosos.
EVANGELHO Mt 5, 1-12a
Naquele tempo,
ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.
Rodearam-n’O os discípulos,
e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados os humildes,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,
porque deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,
vos insultarem, vos perseguirem
e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai,
porque é grande nos Céus a vossa recompensa».
O texto de Mateus descreve as Bem-aventuranças proclamadas por Jesus no cimo do monte. Sentado, como Moisés no monte Sinai, ele apresenta uma nova lei, que subverte a nossa lógica e revela a origem da felicidade. Trata-se de um caminho para quem quer arriscar tudo na busca da felicidade permanente e não de uma felicidadezinha passageira.
Reflexão da Palavra
Estamos diante de textos que revelam o mais profundo do coração de Deus, da sua essência e identidade. Levam-nos mais longe do que somos capazes por nós mesmos. E fazem-no numa lógica que põe em causa a nossa forma de pensar.
Sofonias, habituado a conviver com a aristocracia do seu tempo, é mesmo apresentado no primeiro versículo com ligações a gente importante, está por dentro do xadrez político e económico da época. Reconhece o orgulho das nações poderosas que querem dominar sobre as mais fracas e dos chefes de Israel, que humilham e exploram os pobres, assim como a sua obstinação no pecado da idolatria, recusando submeter-se ao Deus verdadeiro. Contemplando a realidade Sofonias torna-se arauto da palavra de Deus contra os orgulhosos e a favor dos pobres e humildes.
Os três capítulos desta profecia dividem-se em três secções. O primeiro versículo da leitura deste domingo é tirado da primeira secção, ao passo que os outros dois estão na terceira. Depois de anunciar o juízo do Senhor sobre o orgulho dos poderosos, com expressões como “destruirei”, “exterminarei”, anuncia o “dia do Senhor”. Esse dia será terrível para as nações orgulhosas e também para os chefes de Israel. Será uma sentença universal, para que Israel, ao ver o extermínio das nações, aprenda a lição e se converta, enquanto há tempo. Se não se converter será também exterminado.
No entanto, ficará um resto formado pelos humildes da terra, os que cumprem a lei do Senhor, os que procuram a justiça, porque esses encontrarão “abrigo no dia da cólera do Senhor”. Este resto “um povo pobre e humilde” são os que “procuram refúgio no nome do Senhor” e nunca mais cometerão a iniquidade.
Para este resto de Israel, Deus é o Rei em quem vale a pena confiar. Os reis da terra não são de fiar, como diz o Salmo 146 “não punhais a vossa confiança nos poderosos”, mas ponde a vossa felicidade no Deus de Jacob, porque ele é o criador, o Deus fiel, salvador, libertador, um Deus que levanta, ampara e ama os que estão prostrados.
Este é o Deus revelado também por Jesus no texto das Bem-aventuranças. O longo sermão da montanha apresentado por Mateus em três capítulos, começa com o texto das nove proclamações da felicidade. Aqui, Jesus revela que Deus está ao lado dos que vivem circunstâncias difíceis, que implicam luta, esforço, entrega, lágrimas e incompreensões.
Como Moisés no monte Sinai, Jesus, sentado no cimo do monte, entrega aos discípulos a nova lei em nove anúncios de felicidade e um convite à alegria. Moisés, no deserto, tem diante de si um povo pobre que passa fome e sede, e Jesus tem diante de si os discípulos de todos os tempos e oferece-lhes um caminho para a felicidade.
Um caminho ao alcance dos pequenos, dos pobres e simples, como os membros da comunidade de Corinto. Ali, não há ricos, nem gente importante, nem gente culta. Há apenas homens simples que vivem do seu trabalho, alguns até escravos, que foram escolhidos por Cristo. Através destes últimos é que Deus vai confundir os sábios e os poderosos.
Meditação da Palavra
A riqueza do encontro com a vida, com os outros, com o mundo e com Deus foi trocada pela imposição de um padrão de felicidade ao qual nos temos que ajustar, se não queremos ficar à margem e acabar considerando-nos os mais infelizes dos mortais. Desde meados do século passado que os centros de psicologia na América se interessaram pela felicidade, tirando conclusões que exportaram depois para a política, a economia, a educação… a obrigação de ser feliz tornou-se uma ideia que rapidamente se espalhou pelo mundo. Hoje, todos querem ser felizes e todos prometem uma felicidade que está ligada à satisfação pessoal, ao prazer, e tem no consumo o seu máximo expoente. Ter, passou a ser sinal de felicidade e, não ter, sinal de infelicidade. Entretanto, podemos apaziguar a nossa insatisfação criando ídolos entre aqueles que têm tudo e são tornados famosos.
A ditadura da felicidade produz uma grande massa de infelizes. Os “orgulhosos”, os que conseguem ter cada vez mais, exploram e servem-se dos humilhados, através de uma economia selvagem que tem origem na indiferença e no poder sobre os que não conseguem atingir esse objetivo. São os orgulhosos de que fala o profeta Sofonias. A estes o Senhor anuncia a chegada do “dia terrível” em que “exterminará” e “destruirá”, “porque não procuram o Senhor”, procuram-se a si próprios.
O orgulho dos poderosos deixa para trás aqueles que o Senhor ama e protege, os oprimidos, os que têm fome, os cativos, os cegos, os abatidos, os justos, os órfãos e as viúvas.
A felicidade não vem por decreto nem é garantia de um ministério da felicidade. A felicidade é um produto da sociedade moderna que vende bem, porque vende tudo o que é inventado desde que leve o selo de garantia: “compra isto e serás feliz”.
Sofonias revela a escolha subversiva de Deus. Ele prefere os pobres aos orgulhosos. Para ele, proteger os pobres tem sentido, é fonte de vida e lugar da realização plena. É isso que afirma também S. Paulo na carta aos Coríntios quando diz: “Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios; escolheu o que é fraco, para confundir o forte; escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale, a fim de que nenhuma criatura se possa gloriar diante de Deus”. Isto revela a vã glória do mundo, quando aponta como caminho da felicidade a aparência dos ricos e dos que alcançam sucesso. De facto, os pobres olham para os ricos como um sinal de felicidade e esperam que um dia isso possa acontecer com eles. No entanto, não é a carteira cheia de dinheiro e a vida cheia de sucesso que faz uma pessoa feliz, mas aquilo que enche o coração de alegria.
No Evangelho, Jesus, propõe um caminho de felicidade contrário ao da sociedade consumista. Ele vem declarar felizes os que parecem não o ser, aqueles que se julgam a si mesmo infelizes, pelo odioso das causas que abraçaram como sentido para as suas vidas.
De facto, a pobreza, as lágrimas, a misericórdia, a mansidão, a pureza de coração, a luta pela paz e pela justiça, a proteção dos injustiçados e dos perseguidos, não apresenta sinais de felicidade. Apesar disso, Jesus não abdica da sua escolha. Não são os sábios, os bem-nascidos, os detentores do poder ou os que sobressaem aos olhos dos homens que Deus escolhe. Ele prefere os que são pobres, humildes e simples, que vivem do seu trabalho e experimentam no dia a dia, como suas, a dor, o sofrimento e as lutas dos que sofrem. Assim devem ser os cristãos de Corinto, assim, devem ser os discípulos de Jesus.
Os discípulos de Jesus devem ser primeiros a entender que viver é muito mais do que ser feliz. Porque viver é gastar a vida pela causa dos que não têm vida, para que a tenham. Viver não é guardar para si, guardar-se a si mesmo, com medo de se perder. Viver é gastar-se pelos outros e, os que assim fazem, são aqueles que Jesus considera felizes. Gastar-se pelos outros e por causas que promovem a dignidade dos infelizes não atrai nenhum benefício social, pelo contrário, atrai o mistério da cruz. E é precisamente aí que Jesus vê a fonte da alegria. Quando tudo isto vos acontecer, “alegrai-vos”. Quando perderdes aos olhos dos homens, “alegrai-vos” porque ganhais aos olhos de Deus.
Rezar a Palavra
Quero ser, Senhor, daqueles que não precisam de se impor, para garantir os seus direitos numa sociedade que impõe um padrão único de felicidade. Quero assumir como minhas as dores e as lágrimas dos que suportam as dificuldades de cada dia e carregar em mim a confiança que pode levantar do chão os que andam prostrados. Quero ser sinal de esperança para os que já não acreditam ser possível a alegria.
Compromisso semanal
Esta semana vou olhar à minha volta e descobrir nos pobres, simples e humildes, uma fonte de renovação da minha própria forma de pensar a vida.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2026/01/santos-do-dia-da-igreja-catolica-01-de-fevereiro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 01 de Fevereiro
Postado em: por: marsalima
Santa Veridiana
No primeiro dia de fevereiro de 1242, de repente, todos os sinos do Castelfiorentino em Florença, Itália, começaram a repicar simultaneamente. Quando os moradores constataram que tocavam sozinhos, sem que ninguém os manuseassem, tudo ficou claro, porque eles anunciavam a morte de Veridiana.
Nasceu em 1182, ali mesmo nos arredores da cidade que amou e onde viveu quase toda sua existência, só que enclausurada numa minúscula cela, de livre e espontânea vontade. Pertencente a uma família nobre e rica, os Attavanti, Veridiana levou uma vida santa, que ficou conhecida muito além das fronteiras de sua terra; e que lhe valeu inclusive a visita em pessoa, de seu contemporâneo Francisco de Assis, que a abençoou e admitiu na Ordem Terceira, em 1221.
A fortuna da família, embora em certa decadência, Veridiana sempre utilizou em favor dos pobres. Um dos prodígios atribuídos à ela, mostra bem o tamanho de sua caridade. Consta que certa vez um dos seus tios, muito rico, deixou à seus cuidados grande parte de seus bens, que eram as colheitas de suas terras.
A cidade atravessava uma época terrível de carestia e fome, seu tio nem pensou em auxiliar os necessitados, era um mercador e como tal aproveitando-se da miséria reinante. Durante algum tempo procurou vender grande parte desses víveres, o que conseguiu por um preço elevado, obtendo grande lucro. Mas, ao levar o comprador para retirar o material vendido, levou um susto, suas despensas estavam completamente vazias. Veridiana tinha distribuído tudo aos pobres
O tio comerciante ficou furioso, pediu um prazo de 24 horas ao comprador e ordenou a Veridiana que solucionasse o problema, já que fora a causadora dele. No dia seguinte, na hora marcada, as despensas estavam novamente cheias, e o negócio pode se concretizar.
Veridiana após uma peregrinação ao túmulo de Tiago em Compostela, Espanha, diga-se um centro de peregrinação tão requisitado quanto Roma o é pelos túmulos de São Pedro e São Paulo, ao retornar se decidiu pela vida religiosa e reclusa. Para que não se afastasse da cidade, seus amigos e parentes construíram então uma pequena e desconfortável cela, próxima ao Oratório de Santo Antônio, onde ela viveu 34 anos de penitência e solidão. A cela possuía uma única e mínima janela, por onde ela assistia à missa e recebia suas raras visitas e refeições, também minúsculas, suficientes apenas para que não morresse de fome.
O culto de Santa Veridiana foi aprovado pelo papa Clemente VII no ano de 1533. Ela também se tornou protetora do presídio feminino de Florença e, sua devoção ainda é muito popular na região da Toscana, na Itália


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE DE JANEIRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 6, 19-20
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não vos pertenceis a vós mesmos: fostes resgatados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo.
V. A minha alma suspira pelos átrios do Senhor,
R. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 10, 12
Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que respeites o Senhor teu Deus, que sigas todos os seus caminhos, que O ames e sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
V. Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?
R. O que vive sem mancha e diz a verdade que tem no coração.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Cant 8, 6b-7
O amor é forte como a morte, e a paixão é violenta como o abismo. É uma chama ardente, um fogo divino. As águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir.
V. Eu Vos amo, Senhor, minha fortaleza,
R. Meu protector, minha defesa e meu salvador.
Oração
Deus de bondade infinita, que preparastes bens invisíveis para aqueles que Vos amam, infundi em nós o vosso amor, para que, amando‑Vos em tudo e acima de tudo, alcancemos as vossas promessas, que excedem todo o desejo. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hebr 12, 22-24
Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva; de uma assembleia dos primogénitos cujos nomes estão inscritos no Céu; de Deus, juiz do universo; dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição; de Jesus, Mediador da Nova Aliança, e do Sangue de aspersão que fala mais eloquentemente que o sangue de Abel.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

