“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 6 DE FEVEREIRO DE 2026
6 de fevereiro de 2026Tudo na vida, em todas as áreas, pode ser feito com cuidado, seriedade, zelo, denodo… Ou com desleixo, leviandade, descaso ou mesmo com má fé e perversidade.
Apresentamos aqui, para contribuir ao aprimoramento do discernimento a respeito do desenvolvimento social, reflexões respectivas à prática da usurpação e os terríveis danos que produz em especial às instituições assoladas por pessoas que se permitem atuar de forma abusiva e degenerada, caracterizando-se como usurpadores.
A princípio o vocábulo usurpar se refere a fazer uso indevido, no sentido de se apossar do alheio. Porém é possível também compreendê-lo com o significado extensivo de valer-se de função, cargo ou atribuição excedendo-se na atuação de forma abusiva, desvirtuada, aviltante, degenerada, exercendo o múnus para além e contrariamente ao que cumpre como dever.
Tal prática se configurou frequente, por exemplo, na Igreja, em que usurpadores exerceram funções sagradas de forma degenerada, abusiva, desvirtuada, deixando marcas que foram atribuídas à instituição por muitos que se embasaram em concepções açodadas, mas em um exame mais aprofundado se esclarece tratarem-se de desvios de conduta de usurpadores que atuaram contrariamente ao que lhes cumpria como dever: foram traidores, impostores, prevaricadores, indignos do que lhes cabia realizar na instituição.
Um exemplo bem eloquente da prática da usurpação se observa na história de muitos países, nas instâncias superiores do poder judiciário, em que pessoas investidas institucionalmente de poder com a finalidade de fazer cumprir o que estabelece a Lei Maior a distorcem para se locupletarem em seus próprios interesses e nos de seus apaniguados. Também nesses casos se observam críticas à instituições de justiça, concebendo-as com menoscabo – o que igualmente não se constitui apropriado, pois aqui também não são as instituições que fazem jus às críticas, mas o(s) usurpador(es) que as aviltam…
Nesse sentido, reza o Salmo 93(94): “Pode acaso juntar-se convosco o impostor tribunal da injustiça, que age mal, tendo a lei por pretexto?” Impostor, falso, degenerado, ilegítimo…
O que pode ser feito para corrigir tais graves distorções? O desafio é árduo. Talvez a questão de fundo seja: o que leva o ser humano a se degenerar, corromper-se, aviltar-se, tornar-se um agente da baixeza, da vileza, daquilo que a espécie tem de pior?
