“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 21 DE FEVEREIRO DE 2026
21 de fevereiro de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 23 DE FEVEREIRO DE 2026
22 de fevereiro de 2026Domingo I da Quaresma (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro do Êxodo 5, 1 – 6, 1
Opressão do povo de Deus
Naqueles dias, Moisés e Aarão foram ter com o Faraó e disseram-lhe: «Assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘Deixa partir o meu povo, para que Me celebre uma festa no deserto’».
O Faraó respondeu: «Quem é o Senhor, para que eu tenha de obedecer ao seu apelo, deixando partir Israel? Não conheço o Senhor, nem deixarei Israel partir».Eles disseram: «O Deus dos hebreus apareceu-nos. Deixa-nos fazer uma viagem de três dias através do deserto, para oferecermos um sacrifício ao Senhor nosso Deus, não suceda que nos fira de peste ou com a espada».Respondeu-lhes o rei do Egipto: «Porque estais vós, Moisés e Aarão, a desviar o povo dos seus trabalhos? Ide às vossas tarefas».E o Faraó acrescentou: «Agora, que eles já são mais numerosos que a população do país, quereis que interrompam as suas tarefas?».
Nesse dia, o Faraó deu esta ordem aos guardas e aos capatazes do povo:«Não mais fornecereis palha ao povo para fazer os tijolos como até agora; vão eles próprios apanhar a palha;e haveis de exigir-lhes o mesmo número de tijolos que antes, sem nada diminuirdes. São uns preguiçosos, e por isso andam a clamar: ‘Queremos ir oferecer um sacrifício ao nosso Deus’.Sobrecarregue-se o trabalho desses homens, a fim de que estejam ocupados e não dêem ouvidos a palavras mentirosas».
Então os guardas e os capatazes saíram e disseram ao povo: «Eis o que ordena o Faraó: ‘Já não vos forneço a palha.
Ide vós mesmos buscá-la onde a encontrardes. Entretanto, em nada vos será reduzida a tarefa imposta’».Então o povo dispersou-se por toda a terra do Egipto, a fim de arranjar a palha.Os guardas insistiam: «Tendes de acabar o vosso trabalho marcado para cada dia, como quando havia palha».Chegaram mesmo a bater nos capatazes dos filhos de Israel, que os guardas do Faraó tinham posto à frente deles. E diziam:
«Porque não acabastes ontem e hoje a vossa conta de tijolos, como anteriormente?».
Então os capatazes dos filhos de Israel foram queixar-se ao Faraó: «Porque tratas assim estes teus servos?Não fornecem palha aos teus servos e dizem-nos: Fazei tijolos! E têm batido nos teus servos, como se a culpa fosse do povo».Mas ele respondeu: «Sois uns mandriões; sim, uns mandriões, e por isso é que dizeis: ‘Vamos oferecer um sacrifício ao Senhor’.
Ide trabalhar. Não se vos dará palha, mas tendes de apresentar o mesmo número de tijolos».
Os capatazes dos filhos de Israel viram-se em situação difícil, quando lhes disseram: «Não podeis diminuir a quantidade de tijolos estabelecido para cada dia».Ao saírem da presença do Faraó, encontraram Moisés e Aarão que os esperavame disseram-lhes: «O Senhor olhe bem para vós e vos julgue. Tornastes a nossa presença odiosa aos olhos do Faraó e aos olhos dos seus servos e pusestes-lhes nas mãos uma espada para nos matar».
Então Moisés voltou-se para o Senhor e disse: «Porque afligis este povo? Porque me enviastes?Desde que me apresentei ao Faraó para lhe falar em vosso nome, ele tem maltratado este povo e Vós de nenhum modo livrastes o vosso povo».
Mas o Senhor respondeu a Moisés: «Agora verás o que Eu vou fazer ao Faraó: deixá-los-á partir à força, e ele mesmo os expulsará do país».
RESPONSÓRIO Cf. Ex 5, 1. 3
R. Moisés foi à presença do Faraó e disse-lhe: Assim fala o Senhor: * Deixa partir o meu povo, para que Me celebre uma festa no deserto.
V. O Senhor, Deus dos hebreus, mandou-me ter contigo e dizer-te: * Deixa partir o meu povo, para que Me celebre uma festa no deserto.
SEGUNDA LEITURA
Dos Comentários de Santo Agostinho, bispo, sobre os salmos.
(In Ps. 60, 2-3: CCL 39, 766) (Sec. V)
Em Cristo fomos tentados, n’Ele vencemos o demónio
Ouvi, ó Deus, o meu clamor, atendei a minha oração. Quem é que assim fala? Parece ser um só. Mas vê bem se é um só: Dos confins da terra por Vós clamo, quando me desfalece o coração. Portanto, se clama dos confins da terra, não se trata de um só; mas de facto é um só neste sentido: Cristo é um só, e todos nós somos seus membros. Na verdade, como pode um só homem invocar a Deus desde os confins da terra? Quem clama dos confins da terra é aquela herança, a respeito da qual foi dito ao próprio Filho: Pede-Me, e dar-Te-ei as nações como herança e os confins da terra como tua propriedade.
É esta propriedade de Cristo, esta herança de Cristo, este corpo de Cristo, esta única Igreja de Cristo, esta unidade formada por todos nós, que clama dos confins da terra. Mas qual é o seu clamor? O que antes dissemos: Ouvi, ó Deus, o meu clamor, atendei a minha oração. Dos confi ns da terra por Vós clamo. Quer dizer: o meu clamor provém dos confins da terra, isto é, de todas as partes do mundo.
E porque é que assim clamo? Porque me desfalece o coração. Com estas palavras revela que está no meio dos homens e por toda a face da terra, não rodeado de glória mas no meio de graves tentações.
De facto, a nossa vida, enquanto somos peregrinos na terra, não pode estar livre de tentações, e o nosso aperfeiçoamento realiza-se precisamente através das provações. Ninguém se conhece a si mesmo se não for provado, ninguém pode receber a coroa se não tiver vencido, ninguém pode vencer se não combater, e ninguém pode combater se não tiver inimigos e tentações.
Está em grande aflição Aquele que dos confins da terra faz ouvir o seu clamor, mas não será abandonado. Ele quis prefigurar-nos a nós que somos o seu Corpo; quis prefigurar-nos naquele seu Corpo em que já morreu e ressuscitou e subiu ao Céu, para que os membros esperem confiadamente chegar também aonde a Cabeça os precedeu.
Portanto, o Senhor transfigurou-nos em Si, quando quis ser tentado por Satanás. Líamos há pouco no Evangelho que o Senhor Jesus Cristo era tentado pelo demónio no deserto. Na verdade, Cristo foi tentado pelo demónio. Mas em Cristo também tu eras tentado, porque Ele tomou para Si a tua condição humana, para te dar a sua salvação; para Si tomou a tua morte, para te dar a sua vida; para Si tomou os teus ultrajes, para te dar a sua glória; por conseguinte, para Si tomou as tuas tentações, para te dar a sua vitória.
Se n’Ele somos tentados, n’Ele vencemos o demónio. Se te fixas no facto de Cristo ter sido tentado, considera também que Ele venceu. Reconhece-te tentado n’Ele, reconhece-te n’Ele vencedor. Bem poderia Ele ter mantido o demónio longe de Si; mas se não fosse tentado, não teria ensinado a vencer a tentação.
RESPONSÓRIO Cf. Jer 1, 19; 39, 18
V. Combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te,
Porque Eu estou contigo para te salvar, diz o Senhor.
R. Não cairás morto à espada, mas salvarás a tua vida.
Porque Eu estou contigo para te salvar, diz o Senhor.
Oração
Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Ant. O Senhor ama o seu povo e coroa os humildes com a vitória.
LEITURA BREVE cf. Ne 8, 9.10
Hoje é um dia consagrado ao Senhor nosso Deus. Não vos entristeçais nem choreis, porque a alegria do Senhor é a nossa fortaleza.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que haveis de vir ao mundo.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <Domingo I da Quaresma (Ano A) | A liturgia>]
Domingo I da Quaresma (Ano A)
Tem compaixão de mim, Senhor!
Passam os anos e não chegamos a conhecer o mais íntimo do coração, a raiz das grandes decisões e os motivos dos desassossegos. Passam os anos e continuamos estranhos dentro desta condição humana que nos acompanha a vida toda.
Diante da vida, é urgente uma resposta capaz de revelar o mistério que nos encerra, desde aquele altíssimo e profundo primeiro olhar que nos criou e nos libertou, o olhar divino.
Diante de nós está a transparência do amor que nos revela o que somos e a possibilidade de confessar “sou um homem pecador” e suplicar “tem compaixão de mim, Senhor”.
A vida espera a coragem de confiar que basta apenas dizer: “Tem piedade de mim, Senhor” para jorrar dentro de nós a verdadeira e sempre renovada alegria.
LEITURA I Gn 2, 7-9; 3, 1-7
O Senhor Deus formou o homem do pó da terra,
insuflou em suas narinas um sopro de vida,
e o homem tornou-se um ser vivo.
Depois, o Senhor Deus plantou um jardim no Éden, a oriente,
e nele colocou o homem que tinha formado.
Fez nascer na terra toda a espécie de árvores,
de frutos agradáveis à vista e bons para comer,
entre as quais a árvore da vida, no meio do jardim,
e a árvore da ciência do bem e do mal.
Ora, a serpente era o mais astucioso
de todos os animais dos campos
que o Senhor Deus tinha feito.
Ela disse à mulher:
«É verdade que Deus vos disse:
‘Não podeis comer o fruto de nenhuma árvore do jardim’?».
A mulher respondeu:
«Podemos comer o fruto das árvores do jardim;
mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim,
Deus avisou-nos:
‘Não podeis comer dele nem tocar-lhe, senão morrereis’».
A serpente replicou à mulher:
«De maneira nenhuma! Não morrereis.
Mas Deus sabe que, no dia em que o comerdes,
abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses,
ficando a conhecer o bem e o mal».
A mulher viu então que o fruto da árvore
era bom para comer e agradável à vista,
e precioso para esclarecer a inteligência.
Colheu fruto da árvore e comeu;
depois deu-o ao marido,
que comeu juntamente com ela.
Abriram-se então os seus olhos
e compreenderam que estavam despidos.
Por isso, entrelaçaram folhas de figueira
e cingiram os rins com elas.
Com uma linguagem muito própria, o livro do Genesis, ensina que a liberdade do homem pode chegar até ao ponto de cortar a sua relação com Deus. A tentação de ocupar o lugar de Deus e prescindir dele é grande e atraente, mas esconde o drama existencial do homem, que é a sua fragilidade. Afinal, sem Deus, o homem está nu.
Salmo responsorial Sl 50 (51), 3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a)
O Salmo 50 apresenta, numa primeira parte, a confissão do homem pecador e na segunda, a riqueza de Deus de que o homem necessita. Fruto das suas decisões, o homem, está marcado por pecados, iniquidades, delitos e culpas. Nesta situação, recorre a Deus que é bondade e compaixão, sinceridade e sensatez, gozo e alegria. Da situação de pecado só Deus o pode libertar, lavar, purificar e limpar. O que o homem pede, só Deus lhe pode conceder. Trata-se de recriar, fazer de novo, renovar.
LEITURA II Forma longa Rm 5, 12-19
Irmãos:
Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo
e pelo pecado a morte,
assim também a morte atingiu todos os homens,
porque todos pecaram.
De facto, até à Lei, existia o pecado no mundo.
Mas o pecado não é levado em conta, se não houver lei.
Entretanto, a morte reinou desde Adão até Moisés,
mesmo para aqueles que não tinham pecado
por uma transgressão à semelhança de Adão,
que é figura d’Aquele que havia de vir.
Mas o dom gratuito não é como a falta.
Se pelo pecado de um só todos pereceram,
com muito mais razão a graça de Deus,
dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo,
se concedeu com abundância a todos os homens.
E esse dom não é como o pecado de um só:
o julgamento que resultou desse único pecado
levou à condenação,
ao passo que o dom gratuito, que veio depois de muitas faltas,
leva à justificação.
Se a morte reinou pelo pecado de um só homem,
com muito mais razão, aqueles que recebem com abundância
a graça e o dom da justiça
reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo.
Porque, assim como, pelo pecado de um só,
veio para todos os homens a condenação,
assim também, pela obra de justiça de um só,
virá para todos a justificação, que dá a vida.
De facto, como pela desobediência de um só homem,
todos se tornaram pecadores,
assim também, pela obediência de um só,
todos se tornarão justos.
O ato livre de Adão levou a humanidade pelo caminho da desobediência, que conduziu ao pecado e à morte. A vontade salvífica de Deus revela-se na obediência de Cristo, como solidariedade com toda a humanidade. Quem decide seguir com Jesus, encontra nele a vida e a graça.
EVANGELHO Mt 4, 1-11
Naquele tempo,
Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto,
a fim de ser tentado pelo Diabo.
Jejuou quarenta dias e quarenta noites
e, por fim, teve fome.
O tentador aproximou-se e disse-lhe:
«Se és Filho de Deus,
diz a estas pedras que se transformem em pães».
Jesus respondeu-lhe:
«Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem,
mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’».
Então o Diabo conduziu-O à cidade santa,
levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe:
«Se és Filho de Deus,
lança-Te daqui abaixo, pois está escrito:
‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos,
para que não tropeces em alguma pedra’».
Respondeu-lhe Jesus:
«Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’».
De novo o Diabo O levou consigo a um monte muito alto,
mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória
e disse-Lhe:
«Tudo isto Te darei,
se, prostrado, me adorares».
Respondeu-lhe Jesus:
«Vai-te, Satanás, porque está escrito:
‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’».
Então o Diabo deixou-O,
e aproximaram-se os Anjos e serviram-n’O.
Para muitos, ser Filho de Deus, é ter Deus sempre à disposição dos seus interesses e urgências, para viverem sem problemas. O tentador serve-se dessa ilusão para convencer Jesus a provar que é Filho de Deus. Jesus, porém, entende de modo diferente a sua relação com o Pai. Ele é o Filho que obedece e não o filho que põe o Pai à prova.
Reflexão da Palavra
Construído a partir de várias tradições, o livro do Genesis começa com a descrição da criação do mundo e do homem segundo a tradição sacerdotal e depois apresenta a criação do homem e da mulher segundo a tradição Javista, de onde é tirado o texto da primeira leitura. A intenção do autor é apresentar a criação do homem e da mulher e manifestar o seu pecado, para logo revelar o plano de Deus para a salvação do homem.
Nas linhas da primeira leitura passa-se rapidamente da criação do homem, a partir do pó da terra e animado pelo sopro da vida, para a tentação. Deus colocou o homem no Éden e dei-lhe liberdade para usufruir de tudo o que está no jardim mas, surge a serpente.
Entre Deus e o homem há uma ligação, pertencem-se na obediência e reconhecimento mútuos, o que engrandece o homem. Esta ligação está representada na árvore. Enquanto vigorar esta relação estável e fiel o homem vive de Deus, no dia em que esta relação for quebrada o homem experimenta a sua fragilidade.
A descrição da tentação também é interessante. Começa com um exagero que pretende apresentar Deus como o impedimento para a liberdade do homem, “não podeis comer o fruto de nenhuma árvore”. A mulher tenta repor a verdade dizendo que apenas estão proibidos de comer daquela árvore. No entanto, ela própria cai no exagero de afirmar que nem lhe podem tocar: “não podeis comer, nem tocar-lhe, senão morrereis”. Perante esta resposta, a serpente aproveita para convencer a mulher que ninguém tem o direito de lhe dizer o que está certo ou errado, o que é bem e o que é mal: “abrir-se-ão os vossos olhos…, ficando a conhecer o bem e o mal”.
Para explicar a intervenção de Deus na salvação do homem, caído no pecado e sujeito à morte, Paulo serve-se da comparação entre Adão e Jesus. Adão, origem da humanidade pecadora, encarna o pecado e a morte, Jesus é a origem da humanidade redimida, ele é a fonte da salvação porque nele estão a graça e a vida. Por Adão entra o pecado no mundo, por Jesus entra a graça. Em Adão a humanidade está condenada e em Jesus está salva. Em Adão, a solidariedade de um, conduz ao pecado, em Jesus, a solidariedade de um, traz a salvação para todos. Não se trata, porém, de uma fatalidade, mas de uma opção. Assim como optaram em Adão pelo pecado e todos pecaram, todos têm que optar por Jesus para encontrar nele a salvação. A desgraça de Adão vem pela desobediência e a graça vem de Jesus pela obediência.
O texto de Mateus apresenta uma introdução que coloca Jesus no deserto, para onde foi conduzido pelo Espírito para ser tentado, depois de quarenta dias de jejum. A seguir, são apresentadas três cenas que correspondem a três tentações, em lugares diferentes, onde se confrontam Jesus e o tentador.
O contexto pretende afirmar que Jesus é o Filho de Deus a partir da sua obediência ao Pai e não, como pretende o tentador, que o filho mostre o seu poder desafiando o Pai a vir em seu auxílio.
A primeira tentação tem como cenário o deserto, quarenta dias de jejum e a fome. É a experiência do povo de Deus que, caminha durante quarenta anos no deserto reclamando o pão e a água para saciar a fome e a sede. Ao contrário de Israel, Jesus vence a tentação reconhecendo na palavra de Deus o verdadeiro alimento.
A segunda tentação dá-se no templo, lugar onde Deus habita, e tem como fundamento a confiança em Deus. Se és filho de Deus confia que Deus te vem apanhar antes que teus pés cheguem ao chão. Deus é de fiar? Vale a pena confiar nele? Ele está mesmo no meio de nós? A resposta de Jesus revela a total confiança no Pai e a consciência de que o filho não põe o Pai à prova, como o fizeram os israelitas em Meribá e Masá.
Na terceira tentação, o tentador coloca Jesus sobre um alto monte para lhe oferecer todos os reinos da terra com a sua glória. A tentação é curiosa porque, o poder, como afirma Jesus aos discípulos após a ressurreição, foi-lhe dado pelo Pai. Não é o tentador quem tem o poder e a glória. O poder vem do Pai.
A conclusão do texto revela que Jesus, aquele que recusa servir o tentador, é servido pelos anjos.
Meditação da Palavra
Neste primeiro domingo da quaresma somos confrontados com a nossa condição de pecadores. O Salmo 50 traduz os nossos sentimentos perante a fragilidade e insensatez das nossas opções.
O uso da liberdade, faculdade com que Deus nos quis enriquecer, nem sempre nos leva pelos caminhos da harmonia interior. Seduzidos por uma forma de vida sem regras, sem limitações, sem impedimentos, sem assumir responsabilidades, não discernimos sobre o que mais nos convém. Convencidos do nosso eu e donos do nosso destino, não contamos com os outros ou transformamo-los em adversários que impedem a realização dos nossos sonhos. Ávidos de plenitude, queremos conhecer, dominar e controlar os mistérios da vida e da eternidade, do presente e do futuro e encontramos em Deus um entrave: “não comerás da árvore do conhecimento do bem e do mal”.
O livro do Genesis revela esse sonho do homem, que se desencontra de si, do outro e de Deus e acaba percebendo que, sem Deus, está despido. É a grande experiência existencial do salmista: Pequei contra Vós, só contra Vós, e fiz o mal diante dos vossos olhos”.
Paulo recorda que, embora pecadores, podemos refazer a vida se tomarmos a decisão de seguir com Jesus. Pela desobediência de Adão entrou o pecado no mundo e, como consequência, entrou também a morte. No entanto, Deus enviou o seu Filho ao mundo para que o homem viva. E, pela obediência de Cristo, entrou no mundo o poder da graça que recria o homem, não já na sua condição terrena, mas celeste: “Criai em mim, ó Deus, um coração puro e fazei nascer dentro de mim um espírito firme”.
Na verdade, caído no pecado, o homem só pode ser restaurado mediante o amor misericordioso de Deus. O mesmo amor que criou o homem, tem poder para o recriar como o oleiro faz ao barro, de modo que não se note a pobreza da criatura, mas a riqueza das mãos do criador.
Apesar da fragilidade impressa na natureza humana, herdada de Adão, aquele que decide seguir Jesus, encontra nele a força para vencer a tentação que derrotou os nossos pais diante da serpente.
Com efeito, como relata Mateus no evangelho, a tentação, embora acompanhe o homem ao longo de toda a sua vida, não tem que ter a última palavra. A Palavra de Deus é a última resposta para o homem se salvar diante da possibilidade de decidir contra si mesmo, contra os outros e contra Deus.
O discernimento a partir da palavra, a exemplo de Jesus, é o segredo para não se cair na ilusão de que é possível uma vida mais feliz, uma liberdade mais plena, um futuro mais brilhante, sem Deus.
Cuidamos muito da fome corporal quando “nem só de pão vive o homem” e muito pouco da fome de Deus, quando devemos viver “de toda a palavra que sai da boca de Deus”.
Somos muito rápidos a reclamar o auxílio de Deus nas nossas urgências e aflições, para que “os teus não se firam em alguma pedra” e muito pouco disponíveis para aceitar a vida como ela se apresenta sem por Deus à prova, “não tentarás o Senhor teu Deus!”
Criamos muito facilmente desejos de grandeza e de poder, querendo ganhar o mundo inteiro, “tudo isto te darei”, e muito pouco disponíveis para dar a vida no desprendimento e na pobreza, “adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto”.
O primeiro domingo da quaresma mostra que o mal está dentro do coração do homem e só um coração novo pode expulsar o mal e encontrar em Deus a alegria de viver. Adão e Eva, que representam a humanidade de todos os tempos, também a nós, têm um coração rebelde, inclinado para o mal e caem na tentação. Jesus, o novo Adão, mostra que é possível vencer a tentação se o coração estiver centrado em Deus e disponível para o servir, amar e adorar. Paulo afirma que todo aquele que adere ao projeto de Cristo encontra nele o poder que recria os corações.
Rezar a Palavra
Senhor, tu que te compadeces do homem pecador e não desvias o olhar daqueles que se afastam da tua presença, tem compaixão de mim e purifica-me de todas as faltas. Dá-me um coração puro e renova em mim o teu espírito de santidade. Faz-me viver segundo o teu espírito e concede-me a tua salvação.
Compromisso semanal
Renovo em Deus o meu pobre coração para que se veja o seu poder criador na minha fragilidade.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <Santos do Dia da Igreja Católica – 22 de Fevereiro – Sagrada Missão>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 22 de Fevereiro
Postado em: por: marsalima
Santa Margarida de Cortona
A penitência marcou a vida de Margarida que nasceu em 1247, em Alviano, Itália. Foi por causa de sua juventude, período em que experimentou todos os prazeres de uma vida voltada para as diversões mais irresponsáveis.Margarida ficou órfã de mãe, quando ainda era muito criança. O pai se casou de novo e a pequena menina passou a sofrer duramente nas mãos da madrasta. Sem apoio familiar, ela cresceu em meio a toda sorte de desordens, luxos e prazeres. No início da adolescência se tornou amante de um nobre muito rico e passou a desfrutar de sua fortuna e das diversões mundanas. Um dia, porém, o homem foi vistoriar alguns terrenos dos quais era proprietário e foi assassinado. Margarida só descobriu o corpo, alguns dias depois, levada misteriosamente até ele pela cachorrinha de estimação que acompanhara o nobre na viagem. Naquele momento, a moça teve o lampejo do arrependimento. Percebeu a inutilidade da vida que levava e voltou para a casa paterna, onde pretendia passar o resto da vida na penitência.Para mostrar publicamente sua mudança de vida, compareceu à missa com uma corda amarrada ao pescoço e pediu desculpas a todos pelos excessos da sua vida passada. Só que essa atitude encheu sua madrasta de inveja, que fez com que ela fosse expulsa da paróquia. Margarida sofreu muito com isso e chegou a pensar em retomar sua vida de luxuria e riqueza. No entanto, com firmeza conseguiu se manter dentro da decisão religiosa, procurando os franciscanos de Cortona e conseguindo ser aceita na Ordem Terceira.Para ser definitivamente incorporada à Ordem teria que passar por três anos de provação. Foi nesta época que ela se infligiu as mais severas penitências, que foram vistas como extravagantes, relatadas nos antigos escritos, onde se lê também que a atitude foi tomada para evitar as tentações do demônio. Seus superiores passaram a orienta-la e isso a impediu de cometer excessos nas penitências.Aos vinte e três anos Margarida de Cortona, como passou a ser chamada, foi premiada com várias experiências de religiosidade que foram presenciadas e comprovadas pelos seus orientadores espirituais franciscanos. Recebeu visitas do anjo da guarda, teve visões, revelações e mesmo aparições de Jesus, com quem conversava com freqüência durante suas orações contemplativas.Ela percebeu que o momento de sua morte se aproximava e foi ao encontro de Jesus serenamente, no dia 22 de fevereiro de 1297. Margarida de Cortona foi canonizada pelo Papa Bento XIII em 1728 e o dia de sua morte indicado para a sua veneração litúrgica.
Cátedra de São Pedro
A Cátedra de São Pedro era comemorada em duas datas, que marcaram as mais importantes etapas da missão deixada ao apóstolo pelo próprio Jesus. A primeira, em 18 de janeiro se comemorava a sua posse em Roma, a segunda, em 22 de fevereiro, marca o aparecimento do Cristianismo na Antioquia, onde Pedro foi o primeiro bispo.
Por se tratar de uma das mais expressivas datas da Igreja o martirológio decidiu unificar os dois dias e festejar apenas o dia 22 de fevereiro, que é a mesma data do livro “Dispositio Martyrum”, único motivo da escolha para a celebração.
Cátedra significa símbolo da autoridade e do magistério do bispo. É daí que se origina a palavra catedral, a igreja-mãe da diocese. Estabeleceu-se então, a Cátedra de São Pedro para marcar sua autoridade sobre toda a Igreja, inclusive sobre os outros apóstolos.
Sem dúvida alguma foi o mais importante dos escolhidos por Jesus Cristo. Recebendo a incumbência de se tornar a pedra sobre a qual seria edificada Sua Igreja, Pedro assumiu seu lugar de líder, atendendo a vontade explícita de Jesus, que lhe assinalou a tarefa de “pascere” em grego, isto é guiar o novo povo de Deus, a Igreja.
Veremos de fato que Pedro desempenhando, depois da Ascensão, o papel de guia. Presidiu a eleição de Matias e foi o orador do dia de Pentecostes. Mais tarde enfrentou a perseguição de Herodes Agripa, que pretendia matá-lo para aplicar um duro golpe no cristianismo. Implantou as fortes raízes do catolicismo em Antioquia, e então partiu para Roma, onde reinava o imperador Cláudio.
A Igreja ganhou grande força com a sua determinação. Alguns fatos históricos podem ser comprovados através da epístola de São Paulo aos Romanos, do ano 57. Nela, este apóstolo descreve o crescimento da fé cristã, em todos os territórios dos domínios deste Império, como obra de Pedro.
Mas foi na capital, Roma, que Pedro deu impulso gigantesco à expansão do Evangelho, até o seu martírio e a morte, que aconteceram na cidade-sede de toda a Igreja. Conforme constatação extraída dos registros das tradições narradas na época e aceita por unanimidade pelos estudiosos, inclusive os não cristãos. Posteriormente atestadas, de modo histórico irrefutável, pelas escavações feitas em 1939, por ordem do Papa Pio XII, nas Grutas Vaticanas, embaixo da Basílica de São Pedro, e cujos resultados foram acolhidos favoravelmente também pelos estudiosos não católicos.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE . DE FEVEREIRO DE 2025
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
Ant. Chegaram os dias de penitência: expiemos nossos pecados e salvaremos nossas almas.
LEITURA BREVE Tes 4, 1.7
Irmãos, nós vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus: Recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus, e assim estais procedendo. Mas tratai de progredir ainda mais. Deus não nos chamou a viver na impureza mas na santidade.
V. Criai em mim, ó Deus, um coração puro,
R. Renovai em mim a firmeza de alma.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
Ant. Por minha vida, diz o Senhor, Eu não quero a morte do pecador, mas antes que se converta e viva.
LEITURA BREVE Is 30, 15.18
Assim fala o Senhor Deus, o Santo de Israel: «É na conversão e na calma que está a vossa salvação; a tranquilidade e a confiança são a vossa fortaleza». O Senhor espera a hora de Se compadecer de vós e levanta-Se para vos perdoar, porque o Senhor é um Deus justo: ditosos os que n’Ele esperam.
V. Desviai o vosso rosto das minhas culpas,
R. Purificai-me de todos os meus pecados.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
Ant. Com as armas da justiça e do poder de Deus, dêmos provas de confiança e fortaleza nas adversidades.
LEITURA BREVE Deut 4, 29-31
Buscarás o Senhor teu Deus, e voltarás a encontrá-l’O, se O procurares com todo o teu coração e com toda a tua alma. No meio da tua angústia, quando tiveres sofrido todos estes infortúnios, depois de muitos dias, voltarás ao Senhor teu Deus e escutarás a sua voz. Porque o Senhor teu Deus é um Deus clemente, e não te abandonará nem te destruirá, nem Se há-de esquecer da aliança que jurou aos teus pais.
V. Sacrifício agradável a Deus é um espírito arrependido,
R. Não desprezareis, Senhor, o espírito humilhado e contrito.
Oração
Concedei-nos, Deus omnipotente, que, pela observância quaresmal, alcancemos maior compreensão do mistério de Cristo e a nossa vida seja um digno testemunho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Ant. Subimos para Jerusalém, a fim de se cumprir tudo o que está escrito acerca do Filho do homem.
LEITURA BREVE 1 Cor 9, 24-25
No estádio correm todos, mas só um recebe o prémio. Correi de modo que o alcanceis. Todo o atleta impõe a si mesmo rigorosas privações, para obter uma coroa corruptível; nós, porém, para recebermos uma coroa incorruptível.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
R. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
V. Cristo, ouvi as súplicas dos que Vos imploram.
R. Porque somos pecadores.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
Ant. O Senhor te cobrirá com suas asas: não temerás o pavor da noite.
LEITURA BREVE Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


