“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 26 DE FEVEREIRO DE 2026
26 de fevereiro de 2026Apresentamos a seguir – em sintonia com o propósito dessa sessão, de contribuir para o aprimoramento do discernimento – breves estudos de caso respectivos a percepções distorcidas da realidade, seguidos de reflexões a respeito do valor de que se reveste a boa compreensão para tornar possível agir bem e elevar o nível da qualidade do viver.
A distorção da realidade é um conceito psicológico que se refere à maneira como as pessoas percebem e interpretam a realidade ao seu redor. Esse fenômeno pode ocorrer de diversas formas, afetando a maneira como os indivíduos entendem eventos, interações sociais e até mesmo suas próprias emoções. A distorção da realidade pode ser influenciada por fatores como crenças pessoais, experiências passadas e até mesmo condições de saúde mental <https://bem-saude.com/glossario/o-que-e-distorcao-da-realidade-e-suas-implicacoes>.
Percepção distorcida da realidade no ambiente de trabalho
Um empregado displicente, alertado diversas vezes da necessidade de emendar suas condutas impróprias, tais como recorrência no uso do celular particular no decorrer do expediente; atrasos recorrentes e condutas alteradas diante de clientes, ao ser comunicado de que a empresa não tinha mais interesse nos seus serviços, ficou estupefato com a notícia.
O responsável pela comunicação da demissão expressou respeitosamente que ele era uma pessoa com muitas qualidades, mas que não era mais possível sua permanência no quadro funcional a partir da última ocorrência: ausentou-se durante duas horas do local de trabalho, dizendo que iria cortar o cabelo.
Interpelado a respeito, afirmou: “Mas eu avisei.” Realmente ele avisou: disse que iria cortar o cabelo e se retirou, sem ter a permissão para sair. Foi-lhe colocado de que com esse tipo de conduta – tendo sido elencadas todas as outras – não era possível continuar. Indignado, retirou-se acintosamente…
Não conseguiu atinar suas condutas renhidas com a realidade dos deveres funcionais… Ao invés de refletir sobre a impropriedade de suas condutas para buscar corrigir-se, demonstrou com eloquência que considera normal tudo o que faz, o que revela uma percepção totalmente distorcida da realidade…
Percepção distorcida da realidade no relacionamento conjugal
Nesse caso um dos cônjuges reclamou, mediante expressões carinhosas apaixonadas da pessoa com quem partilha o casamento: “Pare de me agredir.”
No outro dia manifestou que se sentia mal com o fato de seu cônjuge manifestar o desejo de consumar o ato íntimo…
Em síntese: essa pessoa tem a percepção de que carinho apaixonado é agressão e que a consumação da relação íntima é algo negativo – muito embora, nos momentos raros em que isso ocorre, a desfrute intensamente…
Esse mesmo ser se porta de forma áspera quando a pessoa com quem partilha o casamento comete alguma falha – mesmo as mais insignificantes – ainda que a recíproca não seja verdadeira. Quando comete alguma falha – mesmo as de significativa monta – a outra pessoa procura apoiá-la, se dispõe a ajudar a resolver o problema…
Os efeitos dessa percepção distorcida da realidade são altamente expressivos para os dois cônjuges, que deixam de desfrutar a felicidade que têm potencial para usufruir, restando à pessoa com quem partilha o casamento atuar com grande paciência e longanimidade para suportar a situação.
A compreensão clara do que ocorre: não é maldade, não é perversidade, mas tão somente percepção distorcida da realidade, auxilia o outro a suportar a situação com inteireza e serenidade.
