“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 14 DE MARÇO DE 2026
14 de março de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 16 DE MARÇO DE 2026
16 de março de 2026Domingo III da Quaresma (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro do Levítico 8, 1-17; 9, 22-24
Consagração dos sacerdotes
Naqueles dias, o Senhor falou a Moisés, dizendo: «Toma contigo Aarão e, com ele, os seus filhos, bem como as vestes, o óleo da unção, o novilho do sacrifício pelo pecado, os dois carneiros e o cesto dos pães ázimos. Depois reúne toda a comunidade à entrada da Tenda da Reunião». Moisés fez o que o Senhor lhe tinha ordenado, e a comunidade reuniu-se à entrada da Tenda da Reunião. Então Moisés disse à comunidade: «Assim mandou o Senhor que se fizesse». Moisés fez que Aarão e seus filhos se aproximassem e lavou-os com água. Vestiu a túnica a Aarão, cingiu-o com o cíngulo, cobriu-o com o manto e pôs sobre ele o umeral, ajustando-o com a faixa do umeral. Impôs-lhe o peitoral, e sobre o peitoral colocou os urim e os tumim. Pôs-lhe a tiara na cabeça e aplicou-lhe à frente da tiara a lâmina de ouro, o diadema sagrado, conforme o Senhor lhe tinha ordenado. Moisés tomou então o óleo da unção, e com ele ungiu o Tabernáculo e tudo o que nele se encontrava, e assim os consagrou. Aspergiu sete vezes o altar e ungiu o altar e todos os seus utensílios, a bacia e seu suporte, a fim de os consagrar. Em seguida, derramou o óleo da unção sobre a cabeça de Aarão e assim o ungiu para o consagrar. Depois mandou aproximar os filhos de Aarão, revestiu-os com túnicas, cingiu-os e cobriu-os com mitras, conforme o Senhor lhe tinha ordenado. Mandou então trazer o novilho do sacrifício pelo pecado, e Aarão e seus filhos poisaram as mãos sobre a cabeça do novilho. Moisés imolou-o e, molhando o dedo no sangue, aplicou-o em redor nos ângulos do altar, purifi cando assim o altar. A seguir, derramou o sangue na base do altar e consagrou-o, para fazer sobre ele o rito da expiação. Tomou toda a gordura que cobria as vísceras, o lóbulo do fígado e os dois rins com a sua gordura e queimou-os sobre o altar. Mas o resto do novilho, a sua pele, a carne e os intestinos, queimou-os fora do acampamento, conforme o Senhor lhe tinha ordenado. Aarão estendeu as mãos sobre o povo e abençoou-o. Depois de ter oferecido o sacrifício pelo pecado, o holocausto e os sacrifícios pacíficos, desceu. Seguidamente, Moisés e Aarão entraram na Tenda da Reunião e, quando saíram, abençoaram o povo. Então a glória do Senhor manifestou-se a todo o povo, e diante do Senhor saiu um fogo, que consumiu no altar o holocausto e as gorduras. Ao ver tudo isto, o povo rompeu em aclamações de alegria e prostrou-se com o rosto por terra.
RESPONSÓRIO Hebr 7, 23. 24, Sir 45, 7a. 8bc
R. Muitos eram os antigos sacerdotes, porque a morte os impedia de durar sempre. * Mas Cristo, que permanece eternamente, possui um sacerdócio eterno.
V. O Senhor exaltou Aarão, conferiu-lhe o sacerdócio do seu povo e revestiu-o com um manto de glória. * Mas Cristo, que permanece eternamente, possui um sacerdócio eterno.
SEGUNDA LEITURA
Dos Tratados de Santo Agostinho, bispo, sobre o Evangelho de São João
(Tract. 34, 8-9: CCL 36, 315-316) (Sec. V)
Cristo é o caminho da luz, da verdade e da vida
Diz o Senhor: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida. Estas breves palavras contêm um mandato e uma promessa. Façamos o que o Senhor nos manda, para esperarmos sem temeridade receber o que nos promete, não seja caso que Ele nos diga no dia do Juízo: «Porventura fi zeste o que te mandei, para esperares agora alcançar o que prometi?». «E que foi o que mandastes, Senhor nosso Deus?». Responder-te-á: «Que Me seguisses». Pediste um conselho de vida. E de que vida, senão daquela acerca da qual está escrito: Em Vós está a fonte da vida? Por conseguinte, façamos agora o que nos manda, sigamos o Senhor e libertemo-nos das cadeias que nos impedem de O seguir. Mas ninguém poderá soltar estas amarras sem a ajuda d’Aquele de quem se disse: Quebrastes as minhas cadeias; e também noutro salmo: O Senhor dá liberdade aos cativos, o Senhor levanta os abatidos. Somente os que assim são libertos e levantados poderão seguir aquela luz que proclama: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não anda nas trevas; porque, diz ainda o salmo, o Senhor dá vista aos cegos. Os nossos olhos, irmãos, são agora iluminados pelo colírio da fé. Para iluminar o cego de nascença, o Senhor começou por ungir-lhe os olhos com a sua saliva misturada com terra. Cegos também nós nascemos de Adão e temos necessidade de que o Senhor nos ilumine. Ele misturou a saliva com a terra: O Verbo Se fez carne e habitou entre nós. Misturou a saliva com a terra, como se tinha anunciado: A verdade germina da terra. E Ele próprio disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. A verdade nos saciará, quando o virmos face a face, pois também isto nos é prometido. Quem o ousaria esperar, se Deus não o tivesse prometido? Veremos face a face, como diz o Apóstolo: Agora conhecemos de maneira imperfeita; agora vemos como num espelho, obscuramente; mas depois veremos face a face. E o Apóstolo João diz numa das suas cartas: Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. Esta é a grande promessa! Se O amas, segue-O. Responder-me-ás: «Eu amo-O; mas por onde O seguirei?». Se o Senhor teu Deus te dissesse: «Eu sou a verdade e a vida», o teu desejo de verdade e vida levar-te-ia certamente a procurar o caminho para lá chegar, e pensarias: «Grande coisa é a verdade, grande coisa é a vida! Oh se fosse possível à minha alma encontrar o caminho para lá chegar!». Queres conhecer o caminho? Ouve o que o Senhor diz em primeiro lugar: Eu sou o caminho. Caminho para onde? A verdade e a vida. Disse primeiro por onde hás-de ir, e logo a seguir indicou para onde hás-de ir. «Eu sou o caminho, Eu sou a verdade, Eu sou a vida». Permanecendo junto do Pai é verdade e vida. Revestindo-Se da nossa carne, fez-Se caminho. Não te é dito: «Esforça-te por encontrar o caminho, para que possas chegar à verdade e à vida». Não é isso, certamente. Levanta-te, preguiçoso. O próprio caminho veio ao teu encontro e te despertou do sono em que dormias (se é que chegou a despertar-te); levanta-te e anda. Talvez tentes andar e não consigas, por te doerem os pés. E por que motivo te doem? Não será pela dureza dos caminhos que a avareza te levou a percorrer? Mas o Verbo de Deus curou também os coxos. «Eu tenho os pés sãos, dizes tu, mas não vejo o caminho». Lembra-te que Ele também deu vista aos cegos.
RESPONSÓRIO Salmo 118 (119), 104b. 105; Jo 6, 68
R. Aborreço todo o caminho da mentira. * A vossa palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos.
V. A quem iremos, Senhor? Vós tendes palavras de vida eterna. * A vossa palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos.
Oração
Deus de misericórdia, que pelo vosso Filho realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Neemias 8, 9b. 10b
Hoje é um dia consagrado ao Senhor, nosso Deus! Não vos entristeçais nem choreis, porque é um dia santo do Senhor. Não estejais tristes, porque a alegria do Senhor é a vossa fortaleza.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende compaixão de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende compaixão de nós.
V. Vós que sofrestes o castigo das nossas culpas.
R. Tende compaixão de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende compaixão de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <Domingo IV da Quaresma (Ano A) | A liturgia>]
Domingo IV da Quaresma (Ano A)
Há uma luz que me leva mais longe
Uns veem e outros não veem. Os cegos veem e os que julgam ver são cegos. Pode um cego guiar outro cego? Não caem os dois em algum buraco? Os fariseus são guias, o cego vê. O cego acredita e as trevas tornaram-se luz. Os fariseus julgam acreditar, mas não conseguem ver e a luz que julgam ter são trevas.
Uns veem, creem e adoram e outros fecham o coração. Ele veio para os seus e os seus não o receberam. Mas a quantos o receberam e acreditaram no seu nome deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.
LEITURA I 1Sm 16, 1b.6-7.10-13a
Naqueles dias,
o Senhor disse a Samuel:
«Enche a âmbula de óleo e parte.
Vou enviar-te a Jessé de Belém,
pois escolhi um rei entre os seus filhos».
Quando chegou, Samuel viu Eliab e pensou consigo:
«Certamente é este o ungido do Senhor».
Mas o Senhor disse a Samuel:
«Não te impressiones com o seu belo aspeto,
nem com a sua elevada estatura,
pois não foi esse que Eu escolhi.
Deus não vê como o homem:
o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração».
Jessé fez passar os sete filhos diante de Samuel,
mas Samuel declarou-lhe:
«O Senhor não escolheu nenhum destes».
E perguntou a Jessé:
«Estão aqui todos os teus filhos?».
Jessé respondeu-lhe:
«Falta ainda o mais novo, que anda a guardar o rebanho».
Samuel ordenou: «Manda-o chamar,
porque não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar».
Então Jessé mandou-o chamar:
era ruivo, de belos olhos e agradável presença.
O Senhor disse a Samuel:
«Levanta-te e unge-o, porque é este mesmo».
Samuel pegou na âmbula do óleo e ungiu-o no meio dos irmãos.
Daquele dia em diante,
o Espírito do Senhor apoderou-Se de David.
O relato da eleição de David para rei de Israel revela que a escolha de Deus recai sobre o filho mais novo de Jessé, aquele de quem ninguém se lembraria para realizar uma missão tão importante. Agindo desta forma, Deus confunde os homens porque não procura os fortes, nem os capacitados, escolhe os fracos e os rejeitados. Não lhe interessa o mérito, mas a disponibilidade.
Salmo responsorial Sl 22 (23), 1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)
O salmo 22 recorda a subida do povo de Israel a Jerusalém por ocasião das festas, onde vão oferecer sacrifícios de ação de graças. Pelo caminho parecem ovelhas sem pastor. No entanto, Deus acompanha o seu povo, ele é o verdadeiro rei de Israel, o Bom Pastor que leva as ovelhas pelos prados verdejantes. As ovelhas nada temem, ainda que tenham que atravessar o vale da morte porque o Senhor, Pastor de Israel, está presente com o seu cajado. Os inimigos nada podem contra aqueles que são protegidos do Rei e Pastor de Israel. O Senhor prepara a mesa (Eucaristia) e unge com óleo (Confirmação) aqueles que ele próprio conduz à sua casa, ao seu templo.
LEITURA II Ef 5, 8-14
Irmãos:
Outrora vós éreis trevas,
mas agora sois luz no Senhor.
Vivei como filhos da luz,
porque o fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade.
Procurai sempre o que mais agrada ao Senhor.
Não tomeis parte nas obras das trevas,
que nada trazem de bom;
tratai antes de as denunciar abertamente,
porque o que eles fazem em segredo
até é vergonhoso dizê-lo.
Mas todas as coisas que são condenadas
são postas a descoberto pela luz,
e tudo o que assim se manifesta torna-se luz.
É por isso que se diz:
«Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos,
e Cristo brilhará sobre ti».
Há um antes e um depois para aqueles que passaram pela experiência do Batismo. Antes eram trevas, agora são luz, antes viviam como filhos das trevas, agora são filhos da luz, antes davam frutos vergonhosos, agora os seus frutos são a bondade, a justiça e a verdade. Sem a luz de Cristo só se pode esperar o sono da morte, iluminados por Cristo podem dar os verdadeiros frutos.
EVANGELHO Forma longa Jo 9, 1-41
Naquele tempo,
Jesus encontrou no seu caminho um cego de nascença.
Os discípulos perguntaram-Lhe:
«Mestre, quem é que pecou para ele nascer cego?
Ele ou os seus pais?».
Jesus respondeu-lhes:
«Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais;
mas aconteceu assim
para se manifestarem nele as obras de Deus.
É preciso trabalhar, enquanto é dia,
nas obras d’Aquele que Me enviou.
Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar.
Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo».
Dito isto, cuspiu em terra,
fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego.
Depois disse-lhe:
«Vai lavar-te à piscina de Siloé»; Siloé quer dizer «Enviado».
Ele foi, lavou-se e ficou a ver.
Entretanto, perguntavam os vizinhos
e os que antes o viam a mendigar:
«Não é este o que costumava estar sentado a pedir esmola?».
Uns diziam: «É ele».
Outros afirmavam: «Não é. É parecido com ele».
Mas ele próprio dizia: «Sou eu».
Perguntaram-lhe então:
«Como foi que se abriram os teus olhos?».
Ele respondeu:
«Esse homem, que se chama Jesus, fez um pouco de lodo,
ungiu-me os olhos e disse-me:
‘Vai lavar-te à piscina de Siloé’.
Eu fui, lavei-me e comecei a ver».
Perguntaram-lhe ainda: «Onde está Ele?».
O homem respondeu: «Não sei».
Levaram aos fariseus o que tinha sido cego.
Era sábado esse dia em que Jesus fizera lodo
e lhe tinha aberto os olhos.
Por isso, os fariseus perguntaram ao homem
como tinha recuperado a vista.
Ele declarou-lhes: «Jesus pôs-me lodo nos olhos;
depois fui lavar-me e agora vejo».
Diziam alguns dos fariseus:
«Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado».
Outros observavam:
«Como pode um pecador fazer tais milagres?».
E havia desacordo entre eles.
Perguntaram então novamente ao cego:
«Tu que dizes d’Aquele que te deu a vista?».
O homem respondeu: «É um profeta».
Os judeus não quiseram acreditar
que ele tinha sido cego e começara a ver.
Chamaram então os pais dele e perguntaram-lhes:
«É este o vosso filho? É verdade que nasceu cego?
Como é que ele agora vê?».
Os pais responderam:
«Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego;
mas não sabemos como é que ele agora vê,
nem sabemos quem lhe abriu os olhos.
Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós».
Foi por medo que eles deram esta resposta,
porque os judeus tinham decidido expulsar da sinagoga
quem reconhecesse que Jesus era o Messias.
Por isso é que disseram:
«Ele já tem idade para responder; perguntai-lho vós».
Os judeus chamaram outra vez o que tinha sido cego
e disseram-lhe: «Dá glória a Deus.
Nós sabemos que esse homem é pecador».
Ele respondeu: «Se é pecador, não sei.
O que sei é que eu era cego e agora vejo».
Perguntaram-lhe então:
«Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?».
O homem replicou:
«Já vos disse e não destes ouvidos.
Porque desejais ouvi-lo novamente?
Também quereis fazer-vos seus discípulos?».
Então insultaram-no e disseram-lhe:
«Tu é que és seu discípulo; nós somos discípulos de Moisés.
Nós sabemos que Deus falou a Moisés;
mas este, nem sabemos de onde é».
O homem respondeu-lhes:
«Isto é realmente estranho: não sabeis de onde Ele é,
mas a verdade é que Ele me deu a vista.
Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores,
mas escuta aqueles que O adoram e fazem a sua vontade.
Nunca se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos
a um cego de nascença.
Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer».
Replicaram-lhe então eles:
«Tu nasceste inteiramente em pecado e pretendes ensinar-nos?».
E expulsaram-no.
Jesus soube que o tinham expulsado
e, encontrando-o, disse-lhe:
«Tu acreditas no Filho do homem?».
Ele respondeu-Lhe:
«Quem é, Senhor, para que eu acredite n’Ele?».
Disse-lhe Jesus:
«Já O viste: é quem está a falar contigo».
O homem prostrou-se diante de Jesus e exclamou:
«Eu creio, Senhor».
Então Jesus disse:
«Eu vim a este mundo para exercer um juízo:
os que não veem ficarão a ver;
os que veem ficarão cegos».
Alguns fariseus que estavam com Ele, ouvindo isto,
perguntaram-Lhe:
«Nós também somos cegos?».
Respondeu-lhes Jesus:
«Se fôsseis cegos, não teríeis pecado.
Mas como agora dizeis: ‘Nós vemos’,
o vosso pecado permanece».
O evangelho apresenta a luta entre a cegueira e a luz. Jesus é a luz que ilumina todo o homem que vem a este mundo. O mundo, porém, não o conheceu. A luta continua naqueles que se confrontam com a luz. O cego procura a luz, os fariseus lutam contra a luz. O cego começa a ver porque acreditou que Jesus é a luz. Os fariseus permanecem na escuridão porque não aceitaram nem acreditaram em Jesus.
Reflexão da Palavra
Os livros de Samuel relatam o nascimento do profeta (Samuel), a sua consagração ao serviço do templo e, através da sua missão, vão contando também a história do nascimento da monarquia em Israel, que tem como primeiros reis Saúl e David.
Saúl, ungido por Samuel, é considerado o “mais belo” entre os filhos de Israel. Apesar de ter correspondido ao que Deus esperava dele, no início do seu reinado, Saúl depressa se desvia e acaba por desobedecer a Deus não cumprindo o que o profeta lhe tinha ordenado. Estando acampados em Guilgal para enfrentar os Filisteus, Samuel pede a Saúl que aguarde pela sua chegada para oferecer um sacrifício antes de travarem batalha. O medo apoderou-se dos homens de Saúl e o rei não esperou, oferecendo ele mesmo o sacrifício para poder enfrentar os Filisteus. Esta desobediência foi a gota de água no reinado, já difícil, e fez cair Saúl em desgraça diante de Deus, que decide escolher outro rei para o substituir.
O escolhido para substituir Saúl é David, o oitavo filho de Jessé, como relata a leitura deste domingo. O texto recorda três coisas importantes:
– O rei é o eleito de Deus; Deus escolhe quem quer para realizar uma missão de serviço junto do povo. O povo é de Deus e não do rei, por isso, se o rei não cumprir bem a sua missão será substituído;
– O rei, é consagrado pela unção com óleo, pois é o ungido do Senhor;
– Esta unção confere o Espírito do Senhor, que o consagra para ocupar o lugar de Deus no meio do seu povo e governar segundo o mesmo Espírito e não segundo a sua vontade.
O Salmo 22 dá continuidade à primeira leitura recordando que Deus é o verdadeiro bom Pastor, o verdadeiro rei de Israel, que conduz o seu povo para a sua casa, com o seu báculo. através de pastagens verdejantes, livrando-o dos seus inimigos, dando-lhe confiança no meio dos perigos do caminho e enchendo-o de alegria quando, por fim, pode sentar-se à mesa e experimentar o perfume da unção e a taça a transbordar. As peregrinações a Jerusalém, que inspiram este salmo, são também inspiração para a grande peregrinação da vida.
A carta aos efésios, tem como objetivo a perseverança dos cristãos no meio das dificuldades do tempo presente, apresentando os ensinamentos fundamentais da doutrina para que não haja desvios. Numa exortação aos batizados, Paulo, recorda que o Batismo foi para eles o início de uma vida nova. Esta mudança foi operada graças ao dom que receberam. Trata-se de uma mudança radical que significa uma nova vida em Cristo, porque o dom que receberam foi o próprio Cristo. Ele é o dom do Pai, a origem de toda a graça “a cada um foi dada a graça, segundo a medida do dom de Cristo” que gera no batizado o homem novo.
O que aconteceu na vida do batizado foi uma passagem das trevas para a luz, foi o poder de Deus que em Jesus “ilumina todo o homem que vem a este mundo” e que, pela fé, gera os filhos de Deus. Se antes estavam longe de Deus e viviam nas trevas, agora aproximaram-se de Deus, vivem na luz. Os frutos das trevas são vergonhosos, mas os frutos da Luz são a bondade, a justiça e a verdade.
O tema da luz e das trevas continua no evangelho de João, a propósito da catequese presente na cura do cego de nascença. Ser cego é viver nas trevas, porque não consegue ver a luz do sol. Jesus diz que vem aí a noite e é preciso aproveitar o dia enquanto ele dura, referindo-se à sua presença no mundo, pois ele é a luz do mundo.
O texto evangélico está construído em oito quadros: começa com a cura do cego; uma vez curado, este passa pela avaliação dos seus vizinhos e conhecidos; também os fariseus avaliam a sua nova condição; os pais são confrontados pelos fariseus sobre o que se passou com o filho; os fariseus chamam novamente o homem para nova avaliação; Jesus encontra de novo o cego e revela-se; Jesus afirma-se como Juiz e denuncia a cegueira dos fariseus.
No início está um cego que é curado por Jesus e no final do texto aquele que era cego consegue ver quem é Jesus e reconhecer que ele é o Filho do Homem, mas surgem vários cegos, os fariseus, que apesar de verem são cegos, porque não conseguem reconhecer quem é Jesus.
O texto apresenta algumas curiosidades: Jesus põe lama nos olhos do cego e manda-o lavar-se na piscina de Siloé, que significa ‘enviado’. Ora o enviado é Jesus. O cego, conhecido de todos, parece ter adquirido uma nova fisionomia de modo que ninguém o reconhece. Curado, o cego, faz um caminho no conhecimento de Jesus, primeiro apenas sabe que é um homem, mais adiante já sabe que tem o nome de Jesus, a seguir afirma que é um profeta, depois diz que ele vem de Deus e termina prostrado diante de Jesus reconhecendo que ele é o Filho do Homem.
Os fariseus, perante Jesus, dividem-se. Uns dizem que ele é um pecador, mas outros reconhecem que um pecador não pode fazer o que ele faz; Não sabem de onde ele vem nem reconhecem que ele tenha feito algum milagre; querem julgar Jesus, mas é ele quem os julga; creem estar na luz e estão nas trevas.
Meditação da Palavra
No quarto domingo da quaresma, os cristãos em geral e os catecúmenos em particular são confrontados com o relato da cura do cego de nascença. Trata-se de um relato repleto de elementos que caracterizam o caminho de adesão a Jesus, o Filho do Homem. Ele é a luz que ilumina todo o homem que vem a este mundo, mas a noite ainda não terminou, pode sempre surpreender-nos, “vem aí a noite, em que ninguém pode atuar”, diz Jesus.
O cego, qual catecúmeno, é alvo da iniciativa de Deus. Como acontece na eleição do rei de Israel, relatada na primeira leitura, é Deus quem toma a iniciativa, através de Jesus, de colocar lama nos seus olhos e o mandar lavar-se. Curiosamente, manda-o lavar-se na piscina cujo nome significa ‘enviado’. O enviado é Jesus. É em Jesus, nas águas do batismo de Jesus, que todos são lavados, que todos encontram a luz, que todos passam a viver de dia e começam a ver. Por isso se chamava aos recém-batizados, os iluminados.
O batismo dá início a uma vida nova, como refere Paulo na carta aos efésios, “outrora vós éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor“ e como constata o evangelho ao referir a dificuldade que os vizinhos e conhecidos tinham em reconhecer, no homem curado por Jesus, o cego que antes estava a pedir esmola. O homem que vive de esmolas, da vida dos outros, sentado à margem da vida, sem participar ativamente nela, não tem nada a ver com o homem novo, tornado livre em Cristo, que agora se apresenta diante deles.
O homem novo, nascido do batismo, pode não conhecer totalmente aquele que lhe deu um novo olhar, mas sabe que foi levantado do chão, que recebeu a luz, que tem um caminho e pode chegar a afirmar nele a fé. Uma fé tímida que no início apenas sabe que um homem o curou, mas que vai descobrindo, à medida que se abre ao dom recebido do alto, que este homem é Jesus, que é um profeta, até chegar a professar a fé, “Eu creio, Senhor!”, prostrado por reconhecer que ele é Deus. Realiza-se nele o que Paulo diz aos efésios “Desperta, tu que dormes; levanta-te do meio dos mortos e Cristo brilhará sobre ti”.
A vida nova de um batizado gera interrogações: “É ele”; “Não é. É parecido com ele.” mas ele sabe que, embora transformado por Cristo, é o mesmo que antes era cego e agora vê, antes era trevas e agora é luz.
A vida nova de um batizado gera curiosidade, “como foi que se abriram os teus olhos?” e tomadas de posição “diziam alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado”. Outros observavam: «Como pode um pecador fazer tais milagres?». E havia desacordo entre eles”.
A vida nova de um batizado é alvo de investigação aprofundada que vai até às origens, por isso, não contentes com as respostas do cego mandam chamar os pais a dar testemunho: “É este o vosso filho? É verdade que nasceu cego? Como é que ele agora vê?”.
A vida nova de um batizado vai acontecendo no diálogo permanente, onde é chamado a afirmar-se, a afirmar as suas convicções e a responder pela sua fé. Este diálogo faz-se com Cristo em primeiro lugar, deixando-o agir, escutando-o e fazendo o que ele diz: “cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: «Vai lavar-te à piscina de Siloé”, até chegar a dizer com toda a certeza “Eu creio, Senhor!”.
E em diálogo com os homens que não entendem a mudança que se vai operando aos seus olhos: “Esse homem, que se chama Jesus, fez um pouco de lodo, ungiu-me os olhos e disse-me: ‘Vai lavar-te à piscina de Siloé’. Eu fui, lavei-me e comecei a ver”, sem hesitação e plenamente convencido. Um diálogo difícil, carregado de intolerância, humilhação e desprezo pela fé.
A vida nova de um batizado corre o mesmo risco das ovelhas tresmalhadas nos vales tenebrosos da morte, expostas às sombras da noite que ameaçam chegar antes do pastor e ocupar o seu lugar. Só a voz do pastor tem o poder de iluminar a noite do medo, da dúvida e da incerteza e conduzir os passos na direção do templo, onde o Senhor já tem a mesa posta e o perfume da unção preparado para a festa da vida nova que vai acontecer, para os catecúmenos, em breve, na Vigília Pascal.
Rezar a Palavra
Senhor, recusado pelos que julgam ver, abriste os olhos ao cego que ouviu e cumpriu o que lhe mandaste. Também eu, como cego, mergulhado nas sombras densas do medo, da incerteza e das dúvidas, espero a voz do teu báculo para seguir entre os vales tenebrosos do caminho, até poder sentar-me contigo à mesa, onde o pão partido e o vinho novo reconfortam a minha alma, e o perfume da unção me restaura a dignidade que o teu nome me oferece.
Compromisso semanal
Concentro-me na missão, que o Senhor me deu, de afirmar a minha fé diante dos que ainda não conseguem ver.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <Santos do Dia da Igreja Católica – 15 de Março – Sagrada Missão>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 15 de Março
Postado em: por: marsalima
Santa Luísa de Marillac
Luísa nasceu em 12 de agosto de 1591, filha natural de Luís de Marillac, senhor de Ferrières, aparentado com a nobreza francesa, cujas posses permitiram dar à filha uma infância tranqüila. A menina aos três anos foi para o Convento Real de Poissy, em Paris onde recebeu uma educação refinada, quer no plano espiritual, quer no humanístico.
Porém, seu pai morreu quando ela tinha treze anos, sem deixar herança e, felizmente, nem dívidas. Nessas circunstâncias Luísa foi tirada do Convento, pela tia Valença, pois os Marillac não se dispuseram custear mais sua formação. Ela desejava dedicar sua vida à Deus, para cuidar dos pobres e doentes, mas agora com a escassez financeira teria de esperar para atingir esse objetivo.
Durante dois anos viveu numa casa simples de moças custeando-se com trabalhos feitos em domicílio, especialmente bordados Ela tentou ingressar no mosteiro das capuchinhas das Filhas da Paixão que acabavam de chegar em Paris, mas foi rejeitada pela aparência de saúde débil, imprópria para a vida de mosteiro. Depois disso viu-se constrangida a aceitar um casamento que os tios lhe arranjara. Foi com Antonio de Gràs, que trabalhava como secretário da rainha. Com ele teve um filho, Miguel Antonio. Viveu feliz, pois o marido a respeitava e amava a família. E se orgulhava da esposa que nas horas vagas cuidava dos deveres de piedade, mortificando-se com jejuns freqüentes, visitando os pobres, os hospitais e os asilos confortando a todos com seu socorro. Até que ele próprio foi acometido por grave e longa enfermidade e ela passou a se dedicar primeiro à ele sem abandonar os demais. Mas com isso novamente os problemas financeiros voltaram.
Nesse período teve dois grandes conselheiros espirituais: Francisco de Sales e Vicente de Paulo, ambos depois declarados Santos pela Igreja. Foi graças à direção deles, que pôde superar e enfrentar os problemas que agitavam o seu cotidiano e a sua alma. Somente sua fé a manteve firme e graças à sua força, suplantou as adversidades, até o marido falecer, em 1625 e Miguel Antonio foi para o seminário.
Só então Luísa pôde dedicar-se totalmente aos pobres, doentes e velhos. Isso ocorreu porque Vicente de Paulo teve a iluminação de colocar-la à frente das Confrarias da Caridade, as quais fundara para socorrer as paróquias da França, e que vinham definhando. Vicente encarregou-a de visita-las, reorganiza-las, enfim dinamiza-las, e ela o fez durante anos.
Em 1634 Luísa, com ajuda e orientação de Vicente de Paulo, fundou a Congregação das Damas da Caridade, inicialmente com três senhoras da sociedade, mas esse núcleo se tornaria depois uma Congregação de Irmãs. Isso o porque serviço que estas Damas prestavam aos pobres era limitado pelos seus deveres familiares e sociais e pela falta de hábito aos trabalhos humildes e fatigantes. Era necessário colocar junto delas, pessoas generosas, livres e totalmente consagradas a Deus e aos pobres. Mas na Igreja não existiam porque a vida de consagração para as mulheres estava concebida apenas como vida de clausura. Então, Vicente e Luísa, em 1642 ousaram e, criam as Irmãs dos Pobres, as Filhas da Caridade, a quem foram confiados os doentes, os enjeitados, os velhos, os mendigos, os soldados feridos e os condenados às prisões.
Nascia um novo tipo de Irmã, com uma missão inédita para aqueles tempos: uma vida consagrada em dispersão pelos caminhos do sofrimento humano, assim estava criada a Congregação das Irmãs Filhas da Caridade, em 1642. Na qual Luísa fez os votos perpétuos, sendo consagrada pelo próprio Vicente de Paulo. A obra, sob a direção dela foi notável. Quando Paris foi assolada pela guerra e peste, em 1652, as Irmãs chegaram a atender quatorze mil pessoas, de todas as categorias sociais, sendo inclusive as primeiras Irmãs a serem requisitadas para o atendimento dos soldados feridos, nos campos de batalhas.
Luísa morreu em 15 de março de 1660. Foi beatificada em 1920, e canonizada pelo Papa Pio XI, em 1934. Suas relíquias repousam na Capela da Visitação da Casa Matriz das Irmãs da Caridade, em Paris, França. Santa Luísa de Marillac foi proclamada Padroeira das Obras Sociais e de todos os assistentes sociais, pelo Papa João XXIII, em 1960.
São Clemente Maria Hofbauer
Batizado com o nome de João, ele nasceu num pequeno povoado da Morávia, República Tcheca, em 26 de dezembro de 1751. De família muito cristã e pobre, não pode se dedicar aos estudos até a adolescência. Seus pais Paulo Hofbauer e Maria Steer tiveram doze filhos e ele tinha apenas sete anos, quando ficou órfão de pai. Consta de suas anotações que, nesse dia, sua mãe lhe mostrou um crucifixo e lhe disse: “A partir de hoje, este é o teu Pai”. João entendeu bem a orientação, decidindo, a partir de então, que se tornaria padre e missionário.
Mas as condições em que vivia a família dificultaram a realização de seu sonho. Aos quinze anos de idade, foi morar na cidade de Znaim, onde aprendeu o ofício de padeiro. Três anos depois conseguiu o emprego que mudou sua vida: padeiro do convento em Bruk, dos premonstratenses. A vocação do jovem foi notada pelo abade, que o deixou estudar, inclusive latim. Quando seu benfeitor morreu, João foi viver como eremita, primeiro na Áustria e depois, com a permissão do bispo de Tívoli, próximo à capela de Quintilio. Aí foi onde mudou o nome para o de Clemente Maria, recebendo o hábito do bispo, que mais tarde se tornaria o Papa Pio VII. Certa vez, em outra viagem a Roma, entrou por acaso numa igreja de redentoristas. Foi o primeiro contato que teve com essa Ordem. Depois de assistir à missa, pediu uma entrevista com o superior e, impressionado com as Regras e a atuação da Congregação, pediu para ingressar nela e foi admitido.
Um ano depois, tornou-se sacerdote redentorista. Seu sonho estava realizado, mas seu trabalho, apenas começando. Fixou residência em Varsóvia, onde fundou casas e recebeu dezenas de noviços. Reformou a igreja de São Benon, que estava caindo aos pedaços e a pequena casa da igreja tornou-se um grande e espaçoso convento. Durante vinte anos, padre Clemente atuou nessa paróquia, convertendo pagãos e atraindo multidões. Tanto que eram necessários vinte e cinco padres para atender aos fiéis, celebrando diariamente duas missas em alemão e duas em polonês. Com a expansão do trabalho, pôde fundar mais três conventos e ativar as paróquias em volta da sua. Como capelão do convento e da igreja das Ursulinas, teve uma influência extraordinária na cidade inteira e até além da mesma. Fundou também um asilo para abrigar as crianças vítimas das sucessivas guerras da região, uma escola para crianças pobres e outra, de ensino superior, para meninos. Esta atividade ele a continuou até 1808, quando Napoleão Bonaparte fechou a igreja e dispersou a comunidade. Enfrentou com serenidade, com outros redentoristas, a perseguição na Polônia, o fechamento da casa da Ordem e até a prisão.
Clemente não desistiu. Foi realizar missões na Alemanha, Suíça e na Áustria, onde fez o clero retomar os conceitos cristãos esquecidos. Principalmente, aconselhou e encorajou alguns líderes do novo movimento romântico e outros que trabalhavam para a renovação católica nos países de idioma alemão. A intensa atividade dele chamou a atenção da polícia.
Mas, só a morte poderia impedir Clemente Maria de atuar, que se deu em Viena, no dia 15 de março de 1820, cuja população consternada assumiu o luto como o de um parente.
Foi beatificado em1888, e canonizado pelo Papa Pio X, em 1909. Cinco anos depois o mesmo pontífice proclamou São Clemente Maria Hofbauer, o padroeiro de Viena e, também, dos padeiros, numa singela lembrança da profissão exercida na sua adolescência. É venerado como o principal propagador da Congregação Redentorista, fora da Itália.
São Longuinho
Longuinho viveu no primeiro século, e dele muito se falou e escreveu, sendo encontrado em todos os registros contemporâneos da Paixão de Cristo. Existem citações sobre ele nos evangelhos, epistolas dos Santos Padres, e martirológios tanto orientais como nos ocidentais. Estes relatos levaram a uma combinação de diferentes situações, mas, em todas foi identificado como um soldado centurião presente na cena da Crucificação.
Os apóstolos escreveram que ele foi o primeiro a reconhecer Cristo como “o filho de Deus” (27:54 Mateus; 15:39 Marcos; 23:47 Lucas). Em meio ao coro dos insultos e escárnios, teria sido a única voz favorável a afirmar Sua Divindade. Identificado pelo apóstolo João (19:34), como o soldado que “perfurou Jesus com uma lança”. Fato este que o definiu como um soldado centurião e que lhe deu o nome Longuinho, derivado do grego que significa “uma lança”. Outros textos dizem que era o centurião, comandante dos poucos soldados que guardava o sepulcro do crucifixo, e que presenciava as crucificações, portanto presenciou a de Jesus. Depois, da qual, se converteu.
Segundo a tradição,os crucificados tinham seus pés quebrados para facilitar a retirada da cruz, mas, como Jesus já estava com os pés soltos, um dos soldados perfurou o lado do seu corpo com uma lança. O sangue que saiu deste ferimento de Jesus respingou em seus olhos. Caindo em si, comovido e tocado pela graça, o soldado se converteu. Abandonou para sempre o exército e sua moradia, se tornou um monge que percorreu a Cesarea e a Capadócia, atual Turquia, levando a palavra de Cristo e mais tarde, promovia prodígios pela graça do Espírito Santo.
Entretanto, o governador de Cesarea, que estava irritado com a conversão de seu secretário, descobriu sua identidade de centurião e o denunciou a Poncio Pilatos em Jerusalém. Este, acusou Longuinho de desertor ao imperador e o condenou a morte, caso não oferecesse incenso no altar do imperador, renegando a fé. Longuinho se manteve fiel a Cristo, por isto foi torturado, tendo seus dentes arrancados, a língua cortada e, depois, decapitado.
No Oriente são inúmeros os dias do calendário para as suas homenagens, o mais freqüente ainda é em 16 de Outubro. Na Europa e nas Américas, a comemoração ocorre no dia 15 de Março, como indica o Livro dos Santos do Vaticano.
São Longuinho, à luz de muitas tradições, comumente é invocado pelos devotos para encontrar objetos perdidos. Os artistas ao longo do tempo foram atraídos pela singularidade de sua figura e o representaram em suas obras na cena da crucificação, com lança ou sem lança, mas sempre presente. Em Roma, na basílica de São Pedro, na base de um dos quatro pilares que sustentam a imensa cúpula que cobre o espaço do altar do trono do Sumo Pontífice, está a estátua do centurião São Longuinho, que foi o primeiro a acreditar na divindade de Cristo.
Artemide Zati (Bem-Aventurado)
Artemide era italiano, nasceu em Boreto, no dia 12 de dezembro de 1880, sendo batizado nesse mesmo dia. Os seus pais, Albina Vechi e Luís Zati, eram muito pobres e o levavam para trabalhar com eles nas plantações rurais. Devido a imensa dificuldade financeira, em 1897 a família emigrou para a Argentina, com destino a Baía Blanca, onde se fixaram.
Durante dois anos, o jovem Artemide trabalhou numa olaria, fabricando tijolos, enquanto freqüentava a paróquia dos salesianos, cujo pároco, se tornou um grande amigo e seu diretor espiritual. Ao completar vinte anos, demonstrando grande espiritualidade, seguiu o conselho do pároco, ingressando no seminário salesiano de Bernal, como aspirante.
Nesta ocasião foi encarregado de dar assistência a um jovem sacerdote tuberculoso, desta maneira contraiu também o vírus desta doença, que até então era incurável. Foi enviado para a Patagônia, cujo ar muito puro da cidade de Viedma, associado ao tratamento no hospital de São José, eram os mais indicados para a cura.
Passando um longo período de convalescença, se tornou sensível ao problema das pessoas pobres que sofriam nos hospitais e nas casas, quase sempre sem ter condições para comprar os remédios do tratamento. Assim, aconselhado pelo padre Garrone, diretor do hospital, prometeu à Virgem Auxiliadora, que se consagraria ao cuidado dos enfermos, caso fosse curado, fato que ocorreu gradualmente durante dois anos, quando recebeu alta hospitalar.
Em1906, entrou no noviciado e passados cinco anos fez a profissão perpétua. Nesse mesmo ano, o padre Garrone faleceu e Artemide convocado para gerir o hospital e administrar a farmácia. Seis anos depois, em 1917, ele se diplomou como enfermeiro e farmacêutico, aprimorando seu ministério e dedicação aos enfermos, com o conhecimento e o saber nestas áreas da medicina.
Quando, em 1935, foi consagrado o novo bispo de Viedma, por falta de uma sede episcopal adequada na Patagônia, ficou decidido que o hospital de São José seria demolido, para alí se construir o edifício da Cúria. Entretanto a atividade hospitalar de Artemide continuou em pleno ritmo ainda por muitos anos, até que, em meados de 1950, caiu de uma escada. Durante os exames, os médicos descobriram que ele tinha um câncer incurável.
No dia 15 de março de 1951, ele faleceu serenamente, já com fama de santidade, após uma vida de oração, trabalho e austeridade. O Papa João Paulo II, beatificou Artemide Zati, em 2002, indicando o dia de sua morte para a celebração de seu culto. Seus restos mortais repousam na capela dos salesianos de Viedma, Argentina.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE . DE MARÇO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
Ant. Chegaram os dias de penitência: expiemos nossos pecados e salvaremos nossas almas.
LEITURA BREVE 1 Tess 4, 1. 7
Irmãos: Eis o que vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus: Recebestes de nós instruções sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus, e assim estais procedendo. Mas continuai a progredir ainda mais. Deus não nos chamou a viver na impureza, mas na santidade.
V. Criai em mim, ó Deus, um coração puro,
R. Renovai em mim a firmeza de alma.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
Ant. Por minha vida, diz o Senhor, Eu não quero a morte do pecador, mas antes que se converta e viva.
LEITURA BREVE Is 30, 15. 18
Assim fala o Senhor Deus, o Santo de Israel: «É na conversão e na calma que está a vossa salvação; a tranquilidade e a confiança são a vossa fortaleza». O Senhor espera a hora de Se compadecer de vós, Ele levanta-Se para vos perdoar, porque o Senhor é um Deus justo: ditosos os que n’Ele esperam.
V. Desviai o vosso rosto das minhas culpas,
R. Purificai-me de todos os meus pecados.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Ant. Com as armas da justiça e do poder de Deus, dêmos provas de confiança e fortaleza nas adversidades.
LEITURA BREVE Deut 4, 29-31
Buscarás o Senhor teu Deus e voltarás a encontrá-l’O, se O procurares com todo o teu coração e com toda a tua alma. No meio da tua angústia, quando tiveres sofrido todos estes infortúnios, depois de muitos dias, voltarás ao Senhor teu Deus e escutarás a sua voz. Porque o Senhor teu Deus é um Deus clemente, e não te abandonará nem te destruirá, nem Se há-de esquecer da aliança que jurou aos teus pais.
V. Sacrifício agradável a Deus é um espírito arrependido,
R. Não desprezareis, Senhor, o espírito humilhado e contrito.
Oração
Deus de misericórdia, que pelo vosso Filho realizais admiravelmente a reconciliação do género humano, concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
Ant. Deus cumpriu o que tinha anunciado pelos Profetas: Cristo tinha de sofrer a morte.
LEITURA BREVE Cf. 1 Cor 9, 24-25
No estádio correm todos, mas só um recebe o prémio. Correi de modo que o alcanceis. Todo o atleta impõe a si mesmo rigorosas privações para obter uma coroa corruptível; nós, porém, para recebermos uma coroa incorruptível.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
R. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
V. Cristo, ouvi as súplicas dos que Vos imploram,
R. Porque somos pecadores.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Tende compaixão de nós, Senhor, porque somos pecadores.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
Ant. O Senhor te cobrirá com suas asas: não temerás o pavor da noite.
LEITURA BREVE Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.




