“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 17 DE MARÇO DE 2026
17 de março de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 19 DE MARÇO DE 2026
19 de março de 2026Quarta-feira da Semana IV da Quaresma
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
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PRIMEIRA LEITURA
Do Livro dos Números 11, 4-6. 10-30
Efusão do Espírito sobre os anciãos e Josué
Naqueles dias, a multidão que ia com o povo israelita sentiu uma fome devoradora, e os filhos de Israel até começaram a chorar, dizendo: «Quem nos dará carne para comer! Temos saudades do peixe que no Egipto comíamos de graça, e dos pepinos, melões, bolbos, cebolas e alhos! Agora temos a garganta seca. Falta-nos tudo. Não vemos senão o maná».
Moisés ouviu chorar o povo, agrupado por famílias, cada qual à entrada da sua tenda. A ira do Senhor inflamou-se fortemente, e Moisés sentiu grande desgosto. Dirigiu-se então ao Senhor, dizendo: «Porque tratais mal o vosso servo e não encontrei graça a vossos olhos? Porque me destes o encargo de todo este povo? Porventura fui eu que concebi todo este povo? Fui eu que o dei à luz, para que me digais: ‘Toma este povo nos braços, como a ama leva a criança ao colo, e leva-o para a terra que Eu jurei dar a seus pais? Onde poderei encontrar carne para dar a todo este povo, que vem chorar para junto de mim, dizendo: ‘Dá-nos carne para comer’? Não posso sozinho ter o encargo de todo este povo: é excessivamente pesado para mim. Se quereis tratar-me desta forma, dai-me antes a morte. Se encontrei graça a vossos olhos, que eu não veja mais esta desventura!’».
Então o Senhor respondeu a Moisés: «Reúne setenta anciãos de Israel, dos que sabes serem anciãos e escribas do povo. Leva-os à Tenda da Reunião, onde ficarão juntamente contigo. Eu descerei para te falar; tirarei uma parte do Espírito que está em ti, para O depor sobre eles. Assim tomarão contigo o encargo deste povo, para não seres tu sozinho a suportá-lo.
E dirás ao povo: ‘Santifi cai-vos para amanhã e comereis carne, já que chorastes aos ouvidos do Senhor, dizendo: «Quem nos dera carne para comer! Estávamos tão bem no Egipto!». O Senhor vos dará carne para comer. Não a comereis só um dia, nem dois, nem cinco, nem dez ou vinte dias, mas um mês inteiro, até que ela vos saia pelo nariz e vos cause enjoo, uma vez que rejeitastes o Senhor, que está no meio de vós, e chorastes diante d’Ele, dizendo: «Porque saímos nós do Egipto?’».
Moisés respondeu: «Este povo, no meio do qual me encontro, soma seiscentos mil caminhantes e Vós dizeis: ‘Dar-lhes-ei carne para comer durante um mês inteiro’. Iremos matar ovelhas e bois em número suficiente? Iremos apanhar todos os peixes do mar, para se saciarem?». Mas o Senhor respondeu a Moisés: «Será curto o braço do Senhor? Agora verás se a palavra que te disse se realiza ou não».
Moisés saiu e transmitiu ao povo as palavras do Senhor. Depois reuniu setenta anciãos do povo e colocou-os à volta da Tenda. Então o Senhor desceu na nuvem e falou com Moisés. Tirou uma parte do Espírito que estava nele e fê-lo poisar nos setenta anciãos do povo. Logo que o Espírito poisou sobre eles, começaram a profetizar, mas não continuaram a fazê-lo.
Entretanto, tinham ficado no acampamento dois homens: um deles chamava-se Eldad e o outro Medad. O Espírito poisou também sobre eles, pois contavam-se entre os inscritos, embora não tivessem comparecido na Tenda; e começaram a profetizar no acampamento. Um jovem correu a dizê-lo a Moisés: «Eldad e Medad estão a profetizar no acampamento». Então Josué, filho de Nun, que estava ao serviço de Moisés desde a juventude, tomou a palavra e disse: «Moisés, meu senhor, proíbe-os». Moisés, porém, respondeu-lhe: «Estás com ciúmes por causa de mim? Quem dera que todos os membros do povo do Senhor fossem profetas e que o Senhor infundisse o seu Espírito sobre eles!». E Moisés voltou para o acampamento com os anciãos de Israel.
RESPONSÓRIO Joel 3, 1bc. 2b; Actos 1, 8
R. Derramarei o meu Espírito sobre toda a criatura: as vossas filhas e os vossos filhos tornar-se-ão profetas. * Nesses dias derramarei o meu Espírito.
V. Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas até aos confins da terra. * Nesses dias derramarei o meu Espírito.
SEGUNDA LEITURA
Das Cartas de São Máximo Confessor, abade
(Epist. 11: PG 91, 454-455) (Sec. VII)
A misericórdia do Senhor para com os pecadores que se convertem
Os pregadores da verdade e ministros da graça divina, todos os que desde o princípio até aos nossos dias, cada um a seu tempo, nos deram a conhecer a vontade salvífi ca de Deus, nos ensinam que nada é tão grato a Deus e conforme ao seu amor como a conversão dos homens a Ele com sincero arrependimento.
E para dar a maior prova da bondade divina, o Verbo de Deus Pai (que é o primeiro e único sinal da sua infinita bondade), num acto de humilhação que nenhuma palavra pode explicar, num acto de condescendência para com os homens, dignou-Se habitar entre nós por meio da Encarnação; e realizou, padeceu e ensinou tudo o que era necessário para que nós, seus inimigos e adversários, fôssemos reconciliados com Deus Pai e chamados de novo à felicidade eterna que tínhamos perdido.
O Verbo divino não Se limitou a curar as nossas enfermidades com o poder dos seus milagres. Tomou sobre Si a nossa fragilidade, libertou-nos dos nossos muitos e gravíssimos pecados, pagou a nossa dívida mediante o suplício da cruz, como se fosse Ele o culpado, quando na verdade estava livre de toda a culpa.
Além disso, com muitas palavras e exemplos nos ensinou a imitá-l’O na bondade, na compreensão e na perfeita caridade fraterna.
Por esta razão exclamava: Eu não vim chamar os justos mas os pecadores, para que se convertam. E também: Não são os que têm saúde que precisam do médico, mas os que estão doentes. Disse ainda que viera procurar a ovelha perdida e que fora enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel. Deu a entender de um modo mais velado, na parábola da dracma perdida, que tinha vindo restaurar no homem a imagem divina que estava corrompida pelos mais repugnantes vícios. E disse também: Em verdade vos digo: haverá grande alegria no Céu por um só pecador que se arrependa.
A este propósito contou a parábola do bom samaritano: àquele homem que caíra nas mãos dos salteadores e fora despojado de todas as suas vestes, maltratado e deixado meio morto, ligou-lhe as feridas, tratou-as com vinho e azeite e, tendo-o colocado no seu jumento, levou-o à estalagem para lhe prestarem assistência; pagou os primeiros cuidados e prometeu satisfazer no regresso a todos os gastos restantes.
Mostrou-nos a condescendência e bondade do pai que re cebe afectuosamente o regresso do filho pródigo, o abraça porque vem arrependido, o reveste novamente com as insígnias da sua nobreza familiar e esquece todo o mal cometido.
Ele reconduz a ovelha que se apartara das outras cem ovelhas de Deus: encontrou-a errante por montes e colinas e, sem a forçar nem açoitar nem ameaçar, antes pelo contrário, pondo-a aos ombros, cheio de compaixão, a trouxe de novo para o redil.
E assim exclamava: Vinde a Mim, vós todos que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. E ainda: Tomai o meu jugo sobre vós; chama jugo aos seus mandamentos, isto é, à vida segundo os preceitos do Evangelho; e, chamando-lhes também carga, porque a penitência dá um aspecto mais pesado e duro, acrescenta: O meu jugo é suave e a minha carga é leve. Outra vez, querendo ensinar-nos a justiça e a bondade de Deus, exorta-nos com estas palavras: Sede santos, sede perfeitos, sede misericordiosos, como o vosso Pai celeste. E de novo: Perdoai e sereis perdoados. E ainda: Tudo quanto quiserdes que vos façam os homens, fazei-lho vós também.
RESPONSÓRIO Cf. Ez 33, 11; Salmo 93 (94), 19
R. Eu andaria afl ito, Senhor, se não conhecesse a vossa misericórdia; Vós dissestes: Não quero a morte do pecador, mas antes que se converta e viva. * Vós acolhestes compassivo a cananeia e o publicano.
V. Quando se multiplicam as angústias do meu coração, as vossas consolações reconfortam a minha alma. * Vós acolhestes compassivo a cananeia e o publicano.
Oração
Senhor, que aos justos dais o prémio e aos pecadores arrependidos concedeis o perdão, compadecei-Vos daqueles que Vos suplicam, para que a confissão das nossas culpas nos alcance o perdão dos pecados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Deuteronômio 7, 6b. 8-9
O Senhor teu Deus escolheu-te para seres o seu povo entre todos os povos que estão sobre a face da terra. O Senhor vos ama e quer ser fiel ao juramento feito aos vossos pais. Por isso a sua mão poderosa vos fez sair e vos libertou da casa da escravidão, do poder do Faraó, rei do Egito. Reconhece, pois, que o Senhor teu Deus é o verdadeiro Deus, um Deus leal, que, por mil gerações, é fiel à sua aliança e à sua benevolência, para com aqueles que amam e observam os seus mandamentos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Senhor me livrará do laço do caçador.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
V. A sua fidelidade é escudo e couraça.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <Quarta-feira da Semana IV da Quaresma | A liturgia>]
Quarta-feira da Semana IV da Quaresma
Leitura I Isaías 49, 8-15
Assim fala o Senhor:
«No tempo da graça, Eu te ouvi;
no dia da salvação, Eu te ajudei.
Eu te formei e designei
para renovar a aliança do povo,
para restaurar a terra e reocupar as herdades devastadas;
para dizer aos prisioneiros: ‘Saí para fora’
e àqueles que vivem nas trevas: ‘Vinde para a luz’.
Hão de alimentar-se em todos os caminhos
e acharão pastagem em todas as encostas.
Não sentirão fome nem sede,
nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles,
porque Aquele que tem compaixão deles os guiará
e os conduzirá às nascentes da água.
De todas as minhas montanhas farei caminhos
e as minhas estradas serão niveladas.
Ei-los que vêm de longe:
uns do Norte e do Poente, outros da terra de Sinim.
Rejubilai, ó céus; exulta, ó terra;
montes, soltai gritos de alegria,
porque o Senhor consola o seu povo
e tem compaixão dos seus pobres.
Sião dizia:
‘O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim’.
Pode a mulher esquecer-se da criança que amamenta
e não ter carinho pelo fruto das suas entranhas?
Mas ainda que ela o esquecesse,
Eu nunca te esquecerei».
Compreender a Palavra
Isaías apresenta-nos um tempo de graça. Este tempo é tempo de Deus e tempo de salvação. Acontece quando Deus quer mas é resposta à súplica do homem “eu te ouvi… eu te ajudei”. No tempo da graça, Deus conta com o auxílio do seu enviado para repor a ordem pré-estabelecida e para libertar os que se encontram prisioneiros, oprimidos, perdidos, desorientados, longe da pátria. Estes vêm de todas as partes ao encontro do Senhor que consola o seu povo. O tempo da graça é tempo de alegria porque a compaixão do Senhor se manifesta em abundância para com todos e manifesta o seu amor que parecia esquecido.
Meditar a Palavra
O tempo de Deus é tempo de graça que gera uma nova esperança, produz uma nova alegria e dá início a uma nova vida. Prisioneiro de si mesmo, dos seus pecados, dos erros cometidos, do esquecimento de Deus e à mercê de todos os predadores, o homem parece morto, condenado, destinado à morte e acaba por acreditar que Deus o abandonou: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-Se de mim”. Mas Deus é como uma mãe que não esquece o seu filho e o seu amor é compaixão, é olhar que se inclina do alto e vê a miséria e escuta a voz angustiada do seu povo. Comove-se até às entranhas, como uma mãe, e responde no tempo certo, “No tempo da graça, Eu te ouvi; no dia da salvação, Eu te ajudei” para renovar, para restaurar o povo. Este convite é para nós hoje e soa como uma nova oportunidade em tempo de quaresma. O Senhor não se esqueceu, pelo contrário, como uma mãe compadece-se de nós.
Rezar a Palavra
Grita, Senhor, esse “Saí para fora”, ‘Vinde para a luz”, porque me encontro prisioneiro de mim, escondido na noite e já não consigo acreditar que te lembras de mim. Vem, Senhor, neste tempo da graça, neste dia de salvação e tem compaixão de mim. Levanta-me do chão em que me prostrei e leva-me à tua mesa para que recupere as forças e reencontre o caminho para a fonte.
Compromisso
Hoje suplico ao Senhor: “Vem ao meu encontro, lembra-te de mim, Senhor”.
Evangelho: Jo 5, 17-30
Naquele tempo,
disse Jesus aos judeus:
«Meu Pai trabalha incessantemente
e Eu também trabalho em todo o tempo».
Esta afirmação era mais um motivo
para os judeus quererem dar-Lhe a morte:
não só por violar o sábado,
mas também por chamar a Deus seu Pai,
fazendo-Se igual a Deus.
Então Jesus tomou a palavra e disse-lhes:
«Em verdade, em verdade vos digo:
O Filho nada pode fazer por Si próprio,
mas só aquilo que viu fazer ao Pai;
e tudo o que o Pai faz
também o Filho o faz igualmente.
Porque o Pai ama o Filho
e Lhe manifesta tudo quanto faz;
e há de manifestar-Lhe coisas maiores que estas,
de modo que ficareis admirados.
Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida,
assim o Filho dá vida a quem Ele quer.
O Pai não julga ninguém:
entregou ao Filho o poder de tudo julgar,
para que todos honrem o Filho,
como honram o Pai.
Quem não honra o Filho
não honra o Pai que O enviou.
Em verdade, em verdade vos digo:
Quem ouve a minha palavra
e acredita n’Aquele que Me enviou
tem a vida eterna e não será condenado,
porque passou da morte à vida.
Em verdade, em verdade vos digo:
Aproxima-se a hora _ e já chegou _
em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus;
e os que a ouvirem, viverão.
Assim como o Pai tem a vida em Si mesmo,
assim também concedeu ao Filho
que tivesse a vida em Si mesmo;
e deu-Lhe o poder de julgar,
porque é o Filho do homem.
Não vos admireis do que estou a dizer,
porque vai chegar a hora
em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz:
Os que tiverem praticado boas obras
irão para a ressurreição dos vivos
e os que tiverem praticado o mal
para a ressurreição dos condenados.
Eu não posso fazer nada por Mim próprio:
julgo segundo o que oiço
e o meu juízo é justo,
porque não procuro fazer a minha vontade,
mas a vontade d’Aquele que Me enviou».
Compreender a Palavra
Jesus vê-se rejeitado pelos judeus por causa de violar o sábado e por se fazer igual a Deus. Por essa razão faz este discurso que vai até ao versículo 47. Hoje lemos apenas de 19 a 30. Ele reconhece diante de todos a sua relação íntima com Deus. O Pai fê-lo participante da sua intimidade, do seu poder e deu-lhe a possibilidade de conceder ou recusar ao homem a vida íntima de Deus que ele partilha com o Pai. Chegou a hora de os mortos ouvirem e, pela palavra proclamada, os que escutarem viverão. Não deixa de ser interessante que Jesus fale primeiro dos mortos e depois dos que estão nos sepulcros. Para os primeiros a hora já chegou e eles podem recusar ouvir, mas os que estão no sepulcro ainda aguardam a chegada da hora e todos ouvirão. Não será que os primeiros são os ouvintes de Jesus para quem chegou a hora de ganhar vida escutando a sua palavra? Os segundos aguardarão pela voz que proclama a sua ressurreição para sair dos túmulos e serem julgados pelo ressuscitado.
Meditar a Palavra
Jesus mostra-me hoje, que Ele é um desafio de vida ou de morte. Não posso olhar para Ele como uma devoção que se perde em pagelas de orações baratas e de frases bonitas. Nele posso encontrar a intimidade com o Pai e isso será para mim a verdadeira vida. A possibilidade está na escuta da sua palavra. Abrindo os ouvidos à sua voz passarei da morte à vida, deixarei de ser um sepulcro e passarei a ser um manancial de vida e de vida eterna.
Rezar a Palavra
Tu és o Senhor da vida. Na intimidade do Pai recebeste o dom da vida em plenitude, da vida eterna. Faz-me ouvir a tua voz, que a tua palavra ecoe nos meus ouvidos e no meu coração para que viva e não morra. Faz-me ouvir a tua voz para que me levante do leito de morte que é muitas vezes a minha vida de pecado. Faz-me sair do túmulo do meu egoísmo que não me deixa experimentar a alegria da ressurreição. Que eu viva de ti, Senhor.
Compromisso
Vou escutar a palavra de Jesus para converter o meu coração e vou procurar a sua vida no sacramento da reconciliação.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <Santos do Dia da Igreja Católica – 18 de Março – Sagrada Missão>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 18 de Março
Postado em: por: marsalima
São Cirilo de Jerusalém
Desde o início dos tempos cristãos a heresia se infiltrara na Igreja, mas, foi no século IV, que ocorreram as do arianismo e do nestorianismo causando profundas divisões. Cirilo viveu nesse período em Jerusalém, perto de onde nascera em 315, de pais cristãos e bem situados financeiramente. Muito preparado, desde a infância, nas Sagradas Escrituras e nas matérias humanísticas, em 345, foi ordenado sacerdote.
Em 348, foi consagrado, bispo de Jerusalém. Ocupou o cargo durante aproximadamente trinta e cinco anos, dezesseis dos quais passou no exílio, em três ocasiões diferentes. A primeira porque o bispo Acácio, de grande influencia na Igreja, cuja obra foi citada por São Jerônimo, acusou Cirilo de heresia. A segunda por ordem do imperador Constâncio que entendeu ser Cirílo realmente um simpatizante dos hereges, mas em sua defesa atuaram os bispos, Atanásio e Hilário, ambos Padres da Igreja assim como o próprio bispo Cirilo o é. A terceira, foi a mais longa , porque o imperador Valente, este sim herege, decidiu mandar de volta ao exílio todos os bispos anistiados, fato que fez Cirilo peregrinar durante onze anos, por várias cidades da Ásia, até a morte do soberano, em 378.
O seu trabalho, entretanto resistiu a tudo e chegou até nossos dias e especialmente porque ele sabia ensinar o Evangelho, como poucos. Em sua cidade, logo que se tornou sacerdote e no início do episcopado era o responsável por preparar os catecúmenos, isto é, os adultos que se convertiam e iriam ser batizados. Foi nesse período que escreveu dezoito discursos catequéticos, um sermão, a carta ao imperador Constantino e outros pequenos fragmentos. Treze escritos eram dedicados à exposição geral da doutrina e cinco dedicados ao comentário dos ritos Sacramentais da iniciação cristã . Assim, seus escritos explicam detalhadamente os “como” e os “porquês” de cada oração, do batismo, da crisma, da penitência, dos sacramentos e dos mistérios do Cristianismo, ditos dogmas da Igreja..
Cirilo também soube viver a religião na prática. Numa época de grande carestia, por exemplo, não hesitou em vender valiosos vasos litúrgicos e outras preciosidades eclesiásticas, para matar a fome dos pobres da cidade. Ele morreu no ano 386.
Desde o início de sua vida religiosa, Cirilo cujo caráter era afável e suave, sempre preferiu a catequese aos assuntos polêmicos, chegando quase a se comprometer com os arianos e semi-arianos. Porém, de maneira contundente aderiu à doutrina ortodoxa da Igreja no III Concílio ecumênico de Constantinopla, em 382, no qual ficou clara sua sempre fiel postura à Santa Sé e à Verdade de Cristo. Nessa oportunidade teve em seu favor a eloqüência das vozes dos sinceros bispos e amigos, Atanásio e Hilário, que o chamaram “valente lutador para defender a Igreja dos hereges que negam as verdades de nossa religião”.
Sua canonização demorou porque, durante muito tempo, seu pensamento teológico foi considerado vascilante, como dizem os registros. Em 1882, o Papa Leão XIII, na solenidade em que instituiu sua veneração, honrou São Cirilo de Jerusalém, com os títulos de doutor da Igreja e príncipe dos catequistas católicos.
Faustino Miguez (Bem-Aventurado)
Nascido no dia 24 de março de 1831 em Xamirás, província de Orense, Espanha, era o quarto filho do casal Benito Miguez e Maria Gonzalez, agricultores pobres e cristãos. Foi batizado com o nome de Miguel e assumiu o nome de Faustino da Encarnação ao ser consagrado sacerdote. A sua vida transcorreu como a de todos da sua idade, dividida entre os estudos, o trabalho rural, o encontro com os amigos, a família e as orações.
Estudou latim e ciências humanas no Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, em Orense, no qual se sentiu chamado por Deus para se tornar sacerdote e professor segundo o espírito de São José Calazans. No ano de 1850 ingressou no Noviciado das Escolas Pias de São Fernando, em Madrid, onde tomou o hábito, professou os seus votos perpétuos e se ordenou sacerdote, em 1856.
Durante alguns anos, padre Miguez desenvolveu seu apostolado em Cuba, no Colégio de Guanabacoa, onde começou a se entusiasmar pelos estudos de Botânica e a se dedicar a uma atividade que, com o tempo, viria a se constituir em uma de suas ocupações prediletas: a produção e distribuição de ervas medicinais, que curavam múltiplas doenças e com as quais recuperou importantes personalidades da sua época.
Depois, retornou à Espanha, e como padre escolápio, lecionou em muitas escolas das mais variadas dioceses do país. Nos cinqüenta anos de magistério, quis sempre ocupar o lugar comum de professor, sem cargos de destaque, para se dedicar diretamente na formação e instrução das crianças e jovens. Em algumas ocasiões chegou a ser o diretor dos alunos internos, para os quais foi amigo, pai, companheiro e conselheiro. Escreveu vários livros de fácil compreensão, sobre ciências naturais e botânica. Como sacerdote escolheu o ministério do confessionário se tornando diretor espiritual de muitos paroquianos.
Ao mesmo tempo, para ajudar os doentes se dedicou à preparação de produtos fitoterapeuticos, com os quais obteve curas surpreendentes. Enfrentou muitos opositores, entretanto, muitos o procuravam porque já haviam sido curados pelas propriedades das ervas que ele indicara. Após as polêmicas e oposições, doze medicamentos foram aprovados pela Diretoria Geral da Sanidade Pública e vendidos nas farmácias.
Transferido para a diocese de Getafe, padre Faustino fundou para o bem da humanidade, o Instituto Miguez, com a aprovação do Vaticano, passando a cultivar e a produzir os medicamentos aprovados. Com isto, trouxe muitas divisas para a Ordem. Em 1885, com a permissão dos seus superiores, fundou o Instituto Calazanciano Filhas da Divina Pastora, este com o intuito de dar às mulheres condições para uma melhor formação possibilitando sua promoção familiar, pessoal e social.
Aos noventa e quatro anos, morreu no dia 18 de março de 1925, em Getafe, Espanha. Padre Faustino Miguez, foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em 1998. A sua festa litúrgica ocorre no dia de sua morte.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 18 DE MARÇO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
Ant. Chegaram os dias de penitência: expiemos nossos pecados e salvaremos nossas almas.
LEITURA BREVE Ez 18, 30b-32
Convertei-vos e renunciai a todas as vossas iniquidades, e o pecado deixará de ser a vossa ruína. Lançai para longe os vossos pecados e formai um coração novo e um espírito novo. Porque havias de morrer, casa de Israel? Eu não desejo a morte de ninguém, diz o Senhor Deus. Convertei-vos e vivereis.
V. Criai em mim, ó Deus, um coração puro,
R. Renovai em mim a firmeza de alma.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
Ant. Por minha vida, diz o Senhor, Eu não quero a morte do pecador, mas antes que se converta e viva.
LEITURA BREVE Zac 1, 3b-4b
Voltai para Mim, diz o Senhor dos Exércitos, e Eu voltarei para vós. Não sejais como vossos pais, a quem os primeiros Profetas clamavam: Convertei-vos dos vossos maus caminhos, das vossas más acções.
V. Desviai o vosso rosto das minhas culpas,
R. Purificai-me de todos os meus pecados.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
Ant. Com as armas da justiça e do poder de Deus, dêmos provas de confiança e fortaleza nas adversidades.
LEITURA BREVE Dan 4, 24b
Resgata os teus pecados com boas obras e as tuas iniquidades com a misericórdia para com os pobres. Talvez Deus prolongue a tua prosperidade.
V. Sacrifício agradável a Deus é um espírito arrependido,
R. Não desprezareis, Senhor, o espírito humilhado e contrito.
Oração
Senhor, que aos justos dais o prémio e aos pecadores arrependidos concedeis o perdão, compadecei-Vos daqueles que Vos suplicam, para que a confi ssão das nossas culpas nos alcance o perdão dos pecados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE Filip 2, 12b-15a
Trabalhai com temor e tremor na vossa salvação: porque é Deus que opera em vós o querer e o agir segundo os seus desígnios de amor. Fazei tudo sem murmurar nem discutir, para serdes irrepreensíveis e puros, filhos de Deus sem mancha.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Tende compaixão de mim, Senhor.
R. Tende compaixão de mim, Senhor.
V. Salvai-me, porque pequei contra Vós.
R. Tende compaixão de mim, Senhor.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Tende compaixão de mim, Senhor.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ef 4, 26-27
Não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
CÂNTICO EVANGÉLICO (Nunc dimittis) Lc 2, 29-32
Ant. Salvai-nos, Senhor, quando velamos e guardai-nos quando dormimos, para estarmos vigilantes com Cristo e descansarmos em paz.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


