“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 22 DE MARÇO DE 2026
22 de março de 2026Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Epístola aos Hebreus 2, 5-18
Jesus, Autor da salvação, feito semelhante aos seus irmãos
Não foi aos Anjos que Deus submeteu o mundo futuro de que falamos. Alguém o afirmou numa passagem da Escritura: Que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem, para dele Vos ocupardes? Vós o fizestes um pouco inferior aos Anjos, de glória e de honra o coroastes, tudo submetestes a seus pés». Ao submeter-Lhe todas as coisas, Deus não deixou nada fora do seu domínio. Por enquanto, ainda não vemos que tudo Lhe esteja submetido. Mas aquele Jesus, que por um pouco foi inferior aos Anjos, vemo-l’O agora coroado de glória e de honra por causa da morte que sofreu, pois era necessário que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em proveito de todos.
Convinha, na verdade, que Deus, origem e fim de todas as coisas, querendo conduzir muitos filhos para a sua glória, levasse à glória perfeita, pelo sofrimento, o Autor da salvação. Pois Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só. Por isso não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: «Hei-de anunciar o vosso nome aos meus irmãos, no meio da assembleia cantarei os vossos louvores». E ainda: «Porei n’Ele a minha confiança». E noutro lugar:
«Eis-Me aqui, com os filhos que Deus Me deu».
Uma vez que os filhos dos homens têm o mesmo sangue e a mesma carne, também Jesus participou igualmente da mesma natureza, para destruir, pela sua morte, aquele que tinha poder sobre a morte, isto é, o diabo, e libertar aqueles que estavam a vida inteira sujeitos à servidão pelo temor da morte. Porque Ele não veio em auxílio dos Anjos, mas dos descendentes de Abraão. Por isso, devia tornar-Se semelhante em tudo aos seus irmãos, para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel no serviço de Deus, e assim expiar os pecados do povo. De facto, porque Ele próprio foi provado pelo sofrimento, pode socorrer aqueles que sofrem provação.
RESPONSÓRIO Hebr 2, 11a. 17a; cf. Bar 3, 38
R. Aquele que santifica e os que são santificados procedem todos de um só; por isso, Cristo devia tornar-Se semelhante em tudo a seus irmãos, * Para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel.
V. Deus apareceu na terra e começou a viver entre os homens, * Para ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel.
SEGUNDA LEITURA
Do Comentário de São João Fisher, bispo e mártir, sobre os Salmos
(Ps 129: Opera omnia, edit. 1579, p. 1610) (Sec. XVI)
Se alguém pecar, temos um Advogado junto do Pai
O nosso sumo sacerdote é Cristo Jesus e o nosso sacrifício é o seu precioso Corpo, que Ele imolou no altar da cruz pela salvação de todos os homens.
O Sangue derramado para a nossa redenção não era de vitelos ou cabritos, como na antiga lei, mas do inocentíssimo Cordeiro, Jesus Cristo, nosso Salvador.
O templo em que o nosso sumo sacerdote oferecia o sacrifício não era feito pela mão dos homens, mas edificado unicamente pelo poder de Deus. Com efeito, Ele derramou o seu Sangue à vista de todo o mundo, que é um templo construído pela mão de Deus e só de Deus.
Este templo tem duas partes: uma é a terra que hoje habitamos; a outra é ainda desconhecida para nós mortais.
Jesus Cristo ofereceu aqui na terra um primeiro sacrifício, ao sofrer a morte mais cruel. Depois, tendo revestido a veste nova da imortalidade, com o seu próprio Sangue penetrou no Santuário, ou seja, no Céu, onde apresentou diante do trono do Pai celeste aquele Sangue de valor infinito, que tinha derramado uma vez para sempre por todos os homens sujeitos ao pecado.
Este sacrifício é de tal modo aceite e agradável a Deus que, ao vê-lo, não pode deixar de Se compadecer de nós e derramar a sua misericórdia sobre todos os que verdadeiramente se arrependem.
É além disso um sacrifício eterno. Não se oferece uma só vez cada ano, como entre os judeus, mas cada dia, e até cada hora e cada momento, para nosso conforto e nossa alegria. Por isso acrescenta o Apóstolo: Tendo-nos alcançado uma redenção eterna.
Deste santo e eterno sacrifício participam todos os que verdadeiramente se arrependeram dos seus pecados e fizeram um firme propósito de nunca mais voltarem aos vícios antigos e de perseverarem firmemente no caminho da virtude a que se consagraram.
É o que ensina São João com estas palavras: Filhinhos, escrevo-vos isto para que não pequeis. Mas se alguém pecar, nós temos junto do Pai um Advogado, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de propiciação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro.
RESPONSÓRIO Rom 5, 10. 8b
R. Se quando éramos inimigos fomos reconciliados com Deus pela morte do seu Filho, * Com muito maior razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
V. Quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. * Com muito maior razão, depois de reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
Oração
Senhor nosso Deus, cuja infinita bondade nos enche de bênçãos, concedei-nos a graça de iniciar uma vida nova que nos prepare para a glória do vosso reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Jeremias 11, 19-20
Eu era como manso cordeiro levado ao matadouro e ignorava a conjura que tramavam contra mim, dizendo: «Destruamos a árvore no seu vigor, arranquemo-la da terra dos vivos, para não mais se falar no seu nome».
Senhor do universo, que julgais com justiça e sondais os sentimentos e o coração, seja eu testemunha do castigo que haveis de aplicar-lhes, pois a vós confio a minha causa.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Senhor me livrará do laço do caçador.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
V. A sua fidelidade é escudo e couraça
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Senhor me livrará do laço do caçador.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <Segunda-feira da Semana V da Quaresma | A liturgia>]
Segunda-feira da Semana V da Quaresma
Leitura I Dn 13, 1-9.15-17.19-30.33-62
Naqueles dias,
morava em Babilónia um homem chamado Joaquim.
Tinha desposado uma mulher chamada Susana,
filha de Helcias, muito bela e temente ao Senhor.
Os seus pais eram justos
e tinham instruído a filha na Lei de Moisés.
Joaquim era muito rico
e tinha um jardim contíguo à sua casa.
Os judeus reuniam-se com ele frequentemente,
porque era o mais ilustre de todos eles.
Naquele ano tinham designado como juízes
dois anciãos do povo,
daqueles que o Senhor denunciara, dizendo:
«De Babilónia veio a iniquidade
de velhos que passavam por dirigentes do povo».
Estes dois frequentavam a casa de Joaquim
e a eles recorriam todos os que tinham alguma questão de justiça.
Quando, ao meio do dia, o povo se retirava,
Susana vinha passear para o jardim do seu marido.
Os dois velhos observavam-na todos os dias,
quando entrava no jardim para passear,
e apaixonaram-se por ela.
Perverteram a sua mente e desviaram os seus olhos
de modo a não olharem para o Céu
e não se lembrarem dos seus justos juízos.
Estando eles à espera de ocasião favorável,
um dia Susana veio, como de costume,
acompanhada somente de duas meninas;
e, como estava calor, quis tomar banho no jardim.
Não se encontrava ali ninguém,
senão os dois velhos escondidos a espreitá-la.
Susana disse às meninas:
«Trazei-me óleo e unguentos
e fechai as portas do jardim, para eu tomar banho».
Logo que elas saíram,
os dois velhos levantaram-se,
correram para junto de Susana e disseram-lhe:
«As portas do jardim estão fechadas,
ninguém nos vê e nós estamos apaixonados por ti.
Dá-nos o teu consentimento e entrega-te a nós.
Senão, acusar-te-emos dizendo que estava contigo um jovem
e por isso mandaste embora as meninas».
Então Susana gemeu e exclamou:
«Estou cercada por todos os lados:
se praticar semelhante coisa, espera-me a morte;
se não a praticar, não poderei fugir às vossas mãos.
Mas prefiro cair nas vossas mãos sem ter feito nada
a pecar na presença do Senhor».
Então Susana gritou com voz forte,
mas os dois velhos gritaram também contra ela
e um deles correu a abrir as portas do jardim.
Logo que as pessoas da casa ouviram estes gritos no jardim,
precipitaram-se pela porta do lado,
para verem o que tinha acontecido.
Quando os velhos contaram a sua versão,
os servos coraram de vergonha,
pois nunca se tinha dito de Susana semelhante coisa.
No dia seguinte, quando o povo se reuniu
em casa de Joaquim, marido de Susana,
vieram os dois velhos cheios de rancor contra ela,
pretendendo condená-la à morte.
E disseram diante do povo:
«Mandai chamar Susana, filha de Helcias, mulher de Joaquim».
Foram buscá-la
e ela veio com os pais, os filhos e todos os parentes.
Os seus familiares choravam, assim como todos os que a viam.
Os dois velhos levantaram-se no meio do povo
e puseram as mãos sobre a cabeça de Susana.
Ela, a soluçar, ergueu os olhos ao Céu,
porque o seu coração confiava no Senhor.
Os velhos disseram:
«Enquanto passeávamos sós pelo jardim,
entrou ela com duas servas;
fechou as portas do jardim e mandou embora as servas.
Veio então ter com ela um jovem, que estava escondido,
e deitou-se com ela.
Nós, que estávamos a um canto do jardim,
ao ver aquela maldade, corremos sobre eles.
Embora os tivéssemos visto juntos,
não pudemos agarrar o jovem,
porque era mais forte do que nós,
e, abrindo a porta, pôs-se em fuga.
A ela, porém, apanhámo-la
e perguntámos-lhe quem era o jovem,
mas ela não quis dizer-nos.
Somos testemunhas do facto».
A assembleia deu-lhes crédito,
por serem anciãos do povo e juízes,
e condenou Susana à morte.
Então Susana disse em altos brados:
«Deus eterno, que sabeis o que é secreto
e conheceis todas as coisas antes que aconteçam,
Vós sabeis que eles proferiram contra mim um falso testemunho.
E eu vou morrer, sem ter feito nada
do que eles maliciosamente disseram contra mim».
O Senhor ouviu a oração de Susana.
Quando a levavam para ser executada,
Deus despertou o espírito santo
dum rapazinho chamado Daniel,
que gritou com voz forte:
«Eu sou inocente da morte desta mulher».
Todo o povo se voltou para ele e perguntou:
«Que palavras são essas que acabas de dizer?»
Daniel, de pé no meio deles, respondeu:
«Sois tão insensatos, ó filhos de Israel,
que, sem julgamento nem conhecimento claro dos factos,
condenais uma filha de Israel?
Voltai ao tribunal,
porque estes dois homens
levantaram contra ela um falso testemunho».
O povo regressou a toda a pressa
e os anciãos disseram a Daniel:
«Vem sentar-te no meio de nós
e expõe-nos o teu pensamento,
pois Deus concedeu-te a dignidade dos anciãos».
Daniel disse-lhes:
«Separai-os um do outro e eu os julgarei».
Quando os separaram,
Daniel chamou o primeiro e disse-lhe:
«Envelheceste na prática do mal,
mas agora aparecem os pecados que outrora cometeste,
quando lavravas sentenças injustas,
condenando os inocentes e absolvendo os culpados,
apesar de o Senhor dizer:
‘Não dareis a morte ao inocente e ao justo’.
Pois bem. Se viste esta mulher,
debaixo de que árvore descobriste os dois juntos?».
Ele respondeu: «Debaixo de um lentisco».
Replicou Daniel:
«A tua mentira cairá sobre a tua cabeça,
pois o Anjo de Deus já recebeu a sentença,
para te rachar ao meio».
Depois de o terem afastado,
Daniel ordenou que trouxessem o outro e disse-lhe:
«Raça de Canaã e não de Judá,
a beleza seduziu-te e o desejo perverteu-te o coração.
Era assim que procedíeis com as filhas de Israel
e elas por medo entregavam-se a vós.
Pois bem, diz-me então:
Debaixo de que árvore os surpreendeste juntos?»
Ele respondeu: «Debaixo de um carvalho».
Replicou Daniel:
«A tua mentira cairá sobre a tua cabeça,
pois o Anjo de Deus está à tua espera com a espada na mão
para te cortar ao meio.
Assim acabará convosco».
Toda a assembleia clamou em alta voz,
bendizendo a Deus, que salva aqueles que esperam n’Ele.
Levantaram-se então contra os dois velhos,
porque Daniel os tinha convencido de falso testemunho,
pela sua própria boca.
Para cumprirem a Lei de Moisés,
aplicaram-lhes a mesma pena
que tão impiamente tinham preparado para o seu próximo
e executaram-nos;
e foi salva naquele dia uma vida inocente.
compreender a palavra
O exemplo de Susana, “mulher bela e temente a Deus”, bem instruída na lei do Senhor pelos seus pais, que nos é descrita no livro de Daniel, serve para nossa reflexão no início desta quinta semana da quaresma. O justo é constantemente ameaçado pela insídia do pecado. A juventude e a beleza do justo enfrentam permanentemente a astúcia do mal que se instala no coração do homem e envelhece com ele. O justo, apesar de “simples como as pombas e esperto como as serpentes”, fica vulnerável às armadilhas do ímpio. Susana é assediada pelos velhos que gozam de credibilidade diante do povo graças à sua idade avançada e à posição social que ocupam. Entre a espada e a parede, diante da justiça dos homens, Susana escolhe o caminho difícil confiando na justiça de Deus: “prefiro cair nas vossas mãos sem ter feito nada a pecar na presença do Senhor”. Ela percebe que em qualquer decisão será condenada. Perante a acusação, todo o povo, sem indagar porque a palavra dos velhos merecia credibilidade, condena Susana, apesar de todos lhe reconhecerem as virtudes de uma mulher temente a Deus. Ela “ergueu os olhos ao Céu, porque o seu coração confiava no Senhor”. E eles gritavam: “Somos testemunhas do facto”. E Susana exclama: “Eu vou morrer, sem ter feito nada do que eles maliciosamente disseram contra mim”. Parece que tudo está decidido e Susana vai ser condenada à morte, quando Deus intervém, despertando “o espírito santo num rapazinho chamado Daniel” que simplesmente afirma diante de todos “Eu sou inocente da morte desta mulher”. Tudo volta atrás e, pela sabedoria do Espírito presente em Daniel, chega-se ao conhecimento da maldade dos ímpios e da sua envelhecida astúcia. E, “foi salva naquele dia uma vida inocente”.
meditar a palavra
A história de Susana tem imensos paralelos com a história de Jesus. Também ele foi preso e levado a julgamento pela força e poder dos chefes do povo que lhe reconheceram, com testemunhos falsos, a culpa, sendo inocente. Um julgamento anormal, que não permite à vítima expressar a sua versão dos factos nem defender-se das mentiras com que lhe são atribuídas as culpas, levam-no até à condenação. No meio deste percurso alguém grita diante da multidão “sou inocente do sangue deste homem”. É Pilatos, que, no entanto, não dá a Jesus a mesma sorte que teve Susana. Pilatos entrega nas mãos dos ímpios a vida inocente de Jesus. No dia de Susana foi salva uma vida inocente. No dia de Jesus foi condenada uma vida inocente. Também hoje, por palavras e pensamentos diários, somos testemunhas falsas de crimes que não foram cometidos e condenamos pessoas inocentes, com julgamentos perfeitamente arbitrários, magicados no interior dos nossos corações insensíveis ao sofrimento dos outros. E mesmo quando a verdade nos assiste diante dos factos, quem nos deu o direito de julgar e condenar o outro pelo seu erro? “Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados” disse Jesus.
rezar a palavra
Quantos irmãos condenados, Senhor? Quantos homens e mulheres fechados em prisões sem grades e condenados a vidas de solidão e sofrimento, por causa dos meus juízos impiedosos. Porque não uso de misericórdia e compaixão, julgo e condeno segundo os meus critérios e de acordo com o que o meu olhar julga ser a verdade, muitos são condenados sem poderem defender-se. Quantas coisas havia para dizer sobre a verdade com que julgo e condeno os outros. Dá-me, Senhor, um coração misericordioso para perdoar e nunca julgar nem condenar.
compromisso
Vou rezar por tantas pessoas a quem condenei injustamente.
Evangelho Jo 8, 1-11
Naquele tempo,
Jesus foi para o Monte das Oliveiras.
Mas de manhã cedo, apareceu outra vez no templo
e todo o povo se aproximou d’Ele.
Então sentou-Se e começou a ensinar.
Os escribas e os fariseus apresentaram a Jesus
uma mulher surpreendida em adultério,
colocaram-na no meio dos presentes e disseram a Jesus:
«Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério.
Na Lei, Moisés mandou-nos apedrejar tais mulheres.
Tu que dizes?».
Falavam assim para Lhe armarem uma cilada
e terem pretexto para O acusar.
Mas Jesus inclinou-Se
e começou a escrever com o dedo no chão.
Como persistiam em interrogá-l’O,
Ele ergueu-Se e disse-lhes:
«Quem de entre vós estiver sem pecado
atire a primeira pedra».
Inclinou-Se novamente e continuou a escrever no chão.
Eles, porém, quando ouviram tais palavras,
foram saindo um após outro, a começar pelos mais velhos,
e ficou só Jesus e a mulher, que estava no meio.
Jesus ergueu-Se e disse-lhe:
«Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?».
Ela respondeu: «Ninguém, Senhor».
Jesus acrescentou:
«Também Eu não te condeno.
Vai e não tornes a pecar».
compreender a palavra
Jesus vive uma situação instável. Não pode andar abertamente entre o povo. Ele aparece e desaparece. Foi para o Monte das Oliveiras, mas de manhã apareceu de novo no Templo. Estava a ensinar. O seu ensinamento nem sempre coincide com as ideias dos fariseus e dos chefes do povo. Por isso é confrontado com situações reais às quais há que aplicar a lei. Hoje é uma mulher apanhada em adultério que serve de pretexto para interrogar Jesus. A Lei deve ser aplicada? É a questão. Como entende Jesus? Como vê ele a situação da mulher perante a Lei? “Tu que dizes?” A resposta de Jesus é decisiva “Quem de entre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra”. Mas esta resposta fere o coração, a alma e o orgulho dos acusadores. Perderam, mas não ficaram vencidos e Jesus sabe disso. Vai ter que se confrontar com eles em outro momento, quando o condenarem a ele por não ter condenado a mulher adúltera.
meditar a palavra
Diante do mundo é fácil ficar do lado dos mais fortes, dos que falam mais alto e levantam os braços com mais força. Mas defender os humildes e os humilhados deste mundo é atitude reservada a homens especiais de elevada estatura. Jesus é o verdadeiro homem. Ele não fica do lado da força pela força, mas do lado da verdade pelo amor. Percebo, hoje, de modo especial que a sua condenação devia ter sido a minha condenação, a sua morte devia ter sido a minha morte. Ele entregou-se em meu lugar, para que vencesse o amor e não a lei.
rezar a palavra
Ninguém me condenou, Senhor. Muitos olharam para mim de lado, alguns levantaram o dedo, outros quiseram erguer a voz, mas ninguém teve força para me condenar porque me amaste e perdoaste antes mesmo de eu ter pecado. Antes que todos vissem o meu pecado tu me amaste até ao extremo de dares a vida em meu lugar. O teu amor venceu em mim e em todos. O teu amor venceu no mundo e eu estou agradecido por isso.
compromisso
Diante de Jesus na cruz vou agradecer o seu amor redentor que me salvou da condenação.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <Santos do Dia da Igreja Católica – 23.03.2014 – Sagrada Missão>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 23.03.2014
Postado em: por: marsalima
Santa Rafka (Rebeca)
No dia 20 de junho de 1832, na cidade de Himlaya, Líbano, nasceu a menina Boutroussyeh, que em português significa: Pedrinha. Quando se tornou religiosa adotou o nome de Rafka, ou Rebeca que era o nome de sua mãe, falecida quando ela tinha sete anos.
Rebeca era filha única e seu pai empobreceu muito após a morte da esposa. Aos onze anos ela foi servir uma família libanesa na, na Síria. Após quatro anos voltou para casa, pois seu pai havia se casado novamente. Pedrinha ficou muito confusa e angustiada com o seu possível matrimonio. Uma tarde foi a igreja rezar para que Nossa Senhora a ajudasse na decisão do caminho a seguir. A noite sonhou e ouviu uma voz que lhe dizia para entregar sua vida a Cristo. Decidiu ser religiosa. Saiu de casa contrariando a família e se apresentou à congregação das Irmãs Filhas de Maria em Bifkaya.
A congregação a acolheu como postulante, era o ano de 1853. Rebeca, três anos depois, completava o noviçado pronunciando os votos e se formando professora. Foi enviada como missionária e professora nos povoados pobres para catequizar e alfabetizar crianças e adultos carentes. Ela foi uma missionária dócil, caridosa, penitente, evangelizando pelo exemplo e pela palavra.
Em 1871, a congregação da Filhas de Maria que era diocesana, passava por uma crise e seria fechada. Rebeca, ouvindo novamente a voz que a guiava, foi ser noviça no convento de São Simão na cidade de Aitou, onde fez sua profissão de fé e dos votos em 1872, tomando o nome de Rafka.
Assim, iniciou uma outra fase de sua vida à serviço de Deus. Rafka começou a sentir dores terríveis na cabeça e nos olhos. Após os exames médicos foi submetida a várias cirurgias. Durante a última o médico errou e ela ficou sem chance de cura. Rafka aceitou toda aquela lenta agonia tendo a certeza que deste modo participava da Paixão de Jesus Cristo e no sofrimento da Virgem Maria.
Foram vinte e seis anos de sofrimento na cidade de Aitou. Depois, com outras cinco religiosas Rafka foi transferida para o novo convento dedicado a São José, em Grabta. Neste período ficou completamente cega e paralítica. Mesmo assim se manteve feliz porque podia usar as mãos, fazendo meias e malhas de lã.
Rafka ainda vivia e a população falava dela como santa. Depois da sua morte em 23 de março de 1914 a sua fama se difundiu por todo o Líbano, Europa, e nas Américas. Os prodígios e milagres foram se acumulando e seu processo de canonização foi concluído em 2001, quando o papa João Paulo II a proclamou santa.
O seu corpo repousa na igreja do mosteiro de São José em Grabta, Líbano. Santa Rafka, ou Rebeca continua sendo reverenciada no dia 23 de março pelos seus devotos em todo o mundo.
São Turíbio de Mongrovejo
Turíbio Alfonso de Mongrovejo nasceu na cidade de Majorca de Campos, Leon, na Espanha, em 1538, no seio de uma família nobre e rica. Estudou em Valadolid, Salamanca e Santiago de Compostela, licenciado em direito e foi membro da Inquisição. Sua vida era pautada pela honestidade e lisura, mas, jamais poderia suspeitar que Deus o chamaria para um grande ministério. Quando então foi nomeado Arcebispo para a América espanhola, pelo Papa Gregório XIII, atendendo um pedido do rei Felipe II, da Espanha, que tinha muita estima por Turíbio.
O mais curioso é que ele teve de receber uma a uma todas as ordens de uma só vez até finalizar com a do sacerdócio, para em 1580, ser consagrado Arcebispo da Cidade dos Reis, chamada depois Lima, atual capital do Peru, aos quarenta anos de idade. Isso ocorreu porque apesar de ser tonsurado, isto é, ter o cabelo cortado como os padres, ainda não pertencia ao clero. E, foi assim que surgiu um dos maiores apóstolos da Igreja, muitas vezes comparado a Santo Ambrósio.
Chegando à América espanhola em 1581, ficou espantado com a miséria espiritual e material em que viviam os índios. Aprendeu sua língua e passou a defendê-los contra os colonizadores, que os exploravam e maltratavam. Era venerado pelos fiéis e considerado um defensor enérgico da justiça, diante dos opressores.
Apoiado pela população, organizou as comunidades de sua diocese e depois reuniu assembléias e sínodos, convocando todos os habitantes para a evangelização. Sob sua direção, foram realizados dez concílios diocesanos e os três provinciais que formaram a estrutura legal da Igreja da América espanhola até o século XX. Inclusive, o Sínodo Provincial de Lima, em 1582, foi comparado ao célebre Concílio de Trento. Conta-se que neste sínodo, com fina ironia, Turíbio desafiou os espanhóis, que se consideravam tão inteligentes, a aprenderem uma nova língua, a dos índios.
Quando enviou um relatório ao rei Felipe II, em 1594, dava conta de que havia percorrido quinze mil quilômetros e administrado o sacramento da crisma a sessenta mil fiéis. Aliás, teve o privilégio e a graça de crismar três peruanos, que depois se tornaram santos da Igreja: Rosa de Lima, Francisco Solano e Martinho de Porres.
Turíbio fundou o primeiro seminário das Américas e pouco antes de morrer doou suas roupas, inclusive as do próprio corpo, aos pobres e aos que o serviram, gesto, que revelou o conteúdo de toda sua vida. Faleceu no dia 23 de março de 1606, na pequena cidade de Sanã, Peru. Foi canonizado em 1726, pelo Papa Bento XIII, que declarou São Turíbio de Mongrovejo “apóstolo e padroeiro do Peru”, para ser celebrado no dia do seu trânsito.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE . DE MARÇO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


