“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 18 DE JULHO DE 2026
18 de julho de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 20 DE JULHO DE 2026
20 de julho de 2026Domingo XVI do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios 1, 1-14
Acção de graças no meio das tribulações
Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à Igreja de Deus que está em Corinto e aos cristãos que vivem em toda a Acaia: A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para podermos consolar aqueles que estão atribulados, por meio da consolação que nós mesmos recebemos de Deus. Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também por Cristo abunda a nossa consolação. Se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação; se somos consolados, é para vossa consolação, a fim de suportardes com fortaleza os mesmos sofrimentos que nós suportamos. A nossa esperança a vosso respeito é firme, porque sabemos que, participando nos sofrimentos, também participareis na consolação. Não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que tivemos na Ásia. Fomos oprimidos além das nossas forças, a tal ponto que chegámos a desesperar da própria vida. Sentimos dentro de nós a sentença de morte, para que já não confiemos em nós próprios, mas em Deus, que ressuscita os mortos. Foi Ele que nos livrou e nos livra de morte tão cruel. D’Ele esperamos que ainda nos livrará, contribuindo também vós com a oração em nosso favor, para que esta graça, que nos foi concedida por intercessão de tantas pessoas, seja também para muitos um motivo de acção de graças a nosso respeito. Porque esta é a nossa glória: o testemunho da nossa consciência, que nos diz que temos procedido para com todos, especialmente para convosco, segundo a simplicidade e a sinceridade que vêm de Deus, não com a sabedoria carnal, mas com a graça divina. Não vos escrevemos outra coisa senão o que podeis ler e compreender. Espero que o compreendereis inteiramente, como já compreendestes em parte: que somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa, no dia de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO Salmo 93 (94), 18-19; 2 Cor 1, 5
R. A vossa bondade, Senhor, me sustenta. * Quando se multiplicaram as angústias do meu coração, as vossas consolações confortaram a minha alma.
V. Assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também por Cristo abunda a nossa consolação. * Quando se multiplicaram as angústias do meu coração, as vossas consolações confortaram a minha alma.
SEGUNDA LEITURA
Início da Epístola de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir, aos Magnésios
(Nn. 1, 1 – 5, 2: Funk 1, 191-195) (Sec. I)
Não basta ter o nome de cristão, é preciso sê-lo deveras
Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja de Magnésia do Meandro, abençoada pela graça de Deus Pai, em Jesus Cristo nosso Salvador, no qual a saúdo com votos de muita felicidade, em Deus Pai e em Jesus Cristo. Ao saber que a vossa caridade está muito bem orientada, segundo Deus, senti uma grande alegria e resolvi dirigir-vos a palavra na fé de Jesus Cristo. Honrado com um nome de esplendor divino, por causa das cadeias que levo comigo por toda a parte, canto um hino de louvor às Igrejas, a quem desejo a perfeita união com a Carne e o Espírito de Jesus Cristo, nossa eterna vida, a união na fé e na caridade que se deve procurar acima de tudo, e principalmente a união com Jesus e com o Pai, no qual afrontamos e vencemos todos os ataques do príncipe deste mundo e alcançaremos a Deus. Tive a honra de vos ver na pessoa do vosso bispo Damas, homem verdadeiramente digno de Deus, dos santos presbíteros Basso e Apolónio, e do diácono Sozião, meu companheiro no serviço do Senhor. Possa eu continuar a gozar da companhia de Sozião, porque está sujeito ao seu bispo como à graça de Deus e ao colégio presbiteral como à lei de Cristo. Entretanto não deveis abusar da pouca idade do vosso bispo; tratai-o com toda a reverência, considerando a autoridade que lhe vem de Deus Pai. Sei que os vossos santos presbíteros não abusam da sua juventude que é manifesta, mas, como pessoas sensatas em Deus, se lhe submetem, não a ele, mas ao Pai de Jesus Cristo, que é o bispo de todos. Em atenção Àquele que nos ama, devemos obedecer sem sombra de hipocrisia; porque, desobedecendo, não era a este bispo visível que tentaríamos enganar, mas ao bispo invisível; quer dizer, neste caso, não se trata já de ir contra um homem mortal, mas contra Deus que conhece o segredo de todas as coisas. É necessário, portanto, não apenas ter o nome de cristão, mas sê-lo deveras. Alguns, de facto, mencionam continuamente o nome do bispo, mas fazem tudo sem ele. Não me parece que estes procedam em boa consciência, porque as suas assembleias não são legítimas, segundo o preceito do Senhor. Todas as coisas têm fim e os dois termos que se nos apresentam são a vida e a morte. Cada um irá para o seu lugar. É como se houvesse duas moedas, uma de Deus e outra do mundo. Cada uma delas tem gravado o seu próprio cunho. Os infiéis têm a imagem do mundo; os que permanecem fiéis na caridade têm a imagem de Deus Pai, por intermédio de Jesus Cristo. Se não estivermos dispostos a morrer para imitarmos a sua paixão, também não teremos em nós a sua vida.
RESPONSÓRIO 1 Tim 4, 11.16.15
R. Sê o modelo dos fiéis na palavra, no comportamento, na caridade, na fé e na pureza. * Se procederes desse modo, salvar-te-ás a ti e àqueles que te ouvem.
V. Atende a estas coisas e ocupa-te nelas com todo o empenho, para que o teu progresso seja manifesto a todos. * Se procederes desse modo, salvar-te-ás a ti e àqueles que te ouvem.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
Oração
Sede propício, Senhor, aos vossos servos e multiplicai neles os dons da vossa graça, para que, fervorosos na fé, esperança e caridade, perseverem na fiel observância dos vossos mandamentos. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
2 Timóteo 2, 8.11-13
Lembra-te de que Jesus Cristo, descendente de David, ressuscitou dos mortos. É digna de fé esta palavra: Se morremos com Cristo, também com ele viveremos; se sofremos com Cristo, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanecerá fiel, porque não pode negar-se a si mesmo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xvi-do-tempo-comum-ano-a/>]
Domingo XVI do Tempo Comum (Ano A)
Perante o atrevimento do inimigo a resposta é a paciência
Da terra surge a pergunta: Queres que arranquemos o joio?
Do céu vem a resposta: Não!
O mundo treme diante da pequena semente do Reino. A força escondida vai transformando a escuridão da terra e a indiferença da massa. Tudo se transforma e cresce.
O inimigo parece vencer e tem adeptos. A vitória virá no final quando chegarem os anjos de Deus.
LEITURA I Sb 12, 13.16-19
Não há Deus, além de Vós,
que tenha cuidado de todas as coisas;
a ninguém tendes de mostrar que não julgais injustamente.
O vosso poder é o princípio da justiça,
e o vosso domínio soberano
torna-Vos indulgente para com todos.
Mostrais a vossa força
aos que não acreditam na vossa omnipotência
e confundis a audácia daqueles que a conhecem.
Mas Vós, o Senhor da força, julgais com bondade
e governais-nos com muita indulgência,
porque sempre podeis usar da força quando quiserdes.
Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo
que o justo deve ser humano,
e aos vossos filhos destes a esperança feliz
de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento.
O Senhor, nosso Deus, tem poder para destruir tudo o que as suas mãos criaram, mas não o faz. A sua atitude é de paciência e misericórdia e o seu poder não se manifesta na força, no castigo ou destruição. O seu poder manifesta-se na bondade e a sua justiça na misericórdia, mesmo quando os homens, sedentos de vingança, não entendem esta forma de agir.
Salmo responsorial Salmo 85 (86), 5-6.9-10.15-16a
No meio das suas angústias, dificuldades e sofrimentos, todo o homem, como o salmista, pode esperar no Senhor pois ele é bondoso e compassivo, paciente e cheio de misericórdia.
LEITURA II Rm 8, 26-27
Irmãos:
O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza,
porque não sabemos que pedir nas nossas orações;
mas o próprio Espírito intercede por nós
com gemidos inefáveis.
E Aquele que vê no íntimo dos corações
conhece as aspirações do Espírito,
pois é em conformidade com Deus
que o Espírito intercede pelos cristãos.
No meio das dores deste mundo, o cristão, mantém a esperança, certo de que o Espírito Santo que foi derramado no seu coração, vem em auxílio da sua fraqueza.
EVANGELHO Forma longa Mt 13, 24-43
Naquele tempo,
Jesus disse às multidões mais esta parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um homem
que semeou boa semente no seu campo.
Enquanto todos dormiam, veio o inimigo,
semeou joio no meio do trigo e foi-se embora.
Quando o trigo cresceu e comecou a espigar,
apareceu também o joio.
Os servos do dono da casa foram dizer-lhe:
‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo?
Donde vem então o joio?’.
Ele respondeu-lhes: ‘Foi um inimigo que fez isso’.
Disseram-lhe os servos:
‘Queres que vamos arrancar o joio?’.
‘Não! – disse ele –
não suceda que, ao arrancardes o joio,
arranqueis também o trigo.
Deixai-os crescer ambos até à ceifa
e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros:
Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar;
e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro’».
Jesus disse-lhes outra parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se ao grão de mostarda
que um homem tomou e semeou no seu campo.
Sendo a menor de todas as sementes,
depois de crescer, é a maior de todas as plantas da horta
e torna-se árvore,
de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos».
Disse-lhes outra parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento
que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha,
até ficar tudo levedado».
Tudo isto disse Jesus em parábolas,
e sem parábolas nada lhes dizia,
a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta,
que disse:
«Abrirei a minha boca em parábolas,
proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo».
Jesus deixou então as multidões e foi para casa.
Os discípulos aproximaram-se d’Ele e disseram-Lhe:
«Explica-nos a parábola do joio no campo».
Jesus respondeu:
«Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem,
e o campo é o mundo.
A boa semente são os filhos do reino,
o joio são os filhos do Maligno,
e o inimigo que o semeou é o Diabo.
A ceifa é o fim do mundo,
e os ceifeiros são os Anjos.
Como o joio é apanhado e queimado no fogo,
assim será no fim do mundo:
o Filho do homem enviará os seus Anjos,
que tirarão do seu reino todos os escandalosos
e todos os que praticam a iniquidade,
e hão de lançá-los na fornalha ardente;
aí haverá choro e ranger de dentes.
Então os justos brilharão como o sol
no reino do seu Pai.
Quem tem ouvidos, oiça».
Jesus conta três parábolas para explicar o Reino de Deus. Sendo de Deus, o Reino realiza-se já neste mundo onde há sinais de justiça e de iniquidade. Os filhos do Reino têm de conviver com os filhos do Maligno, porque Deus assim o permite, mas no final haverá um julgamento onde serão separados e terão destinos diferentes, os justos e os que praticaram a iniquidade. Entretanto o Reino, como grão de mostarda lançado à terra e fermente lançado na massa, vai continuando a transformar o mundo com o seu poder, no silêncio de cada um.
Reflexão da Palavra
O livro da Sabedoria, que se acreditava ter sido escrito por Salomão, foi escrito em Grego, já no início do século I a.C., muito tempo depois do seu reinado. É o último livro do Antigo Testamento a ser escrito.
O autor tem como preocupação manter viva a fé dos judeus que vivem em terra estrangeira, influenciados por outras religiões, filosofias e respostas às inquietações da vida, como são a morte e a retribuição pelo bem ou mal realizados.
No capítulo 12, Deus aparece como um Deus misericordioso que procura a correção do homem e não a sua destruição “pouco a pouco corriges os que caem, os admoestas e lhes recordas os seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti” (12, 2). De facto, Deus podia “destruí-los de uma só vez” (12, 9), mas não o faz para lhes “dar tempo para se arrependerem” (12,10).
O poder de Deus revela-se na misericórdia e não na capacidade para destruir, revelam os versículos que compõem esta primeira leitura do XVI Domingo. Não havendo ninguém que se compare ao Senhor, nem Deus nem rei, ele não tem necessidade de justificar as suas decisões. Se não castiga os pecadores não é por medo que o censurem ou se revoltem, mas por misericórdia. Na sua misericórdia Deus é Justo e a justiça é o seu modo de exercer o poder, a bondade é a forma de dominar e a indulgência não é fragilidade, mas a certeza da sua força que pode exercer quando quiser. Assim nos ensina a ser indulgentes e a esperar misericórdia.
O salmo 86, dá continuidade à ideia de um Deus misericordioso apresentada na primeira leitura. O autor do salmo apresenta uma súplica muito pessoal, com contornos muito genéricos, de modo que qualquer pessoa em situação de aflição pode servir-se destas palavras para a sua oração. A situação é de tribulação, por causa dos inimigos que não são especificados, e de grande confiança no Senhor, na sua indulgência e misericórdia. Aparece também, como acontece em outros salmos do género, a promessa da ação de graças por ter sido escutado na sua petição.
Em relação ao texto da carta aos romanos, devemos recordar o que dissemos no domingo passado. Paulo fala a partir da vida nova que brota do batismo que, não isenta dos sofrimentos do tempo presente, infinitamente incomparáveis à glória em que havemos de participar. Aí está depositada a nossa esperança que supera todo o sofrimento. Dizíamos que a esperança em Paulo assenta em quatro razões: a criação que suporta a mesma situação que nós e “geme e sofre as dores de parto” vive na esperança da libertação; nós mesmos que, apesar do sofrimento, resistimos e não nos resignamos à aniquilação (elementos que foram apresentados no texto do último domingo). O terceiro pilar da esperança é o Espírito que “vem em nosso auxílio” e “intercede por nós”. Suportados por tão grande intercessor, os cristãos vivem “a esperança que não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). No próximo domingo veremos o último pilar da esperança, Deus que concorre em tudo para o bem dos que o amam.
O texto do evangelho que é oferecido por Mateus configura-se em três parábolas sobre o Reino, a citação do salmo 78,2 e a explicação da parábola do trigo e do joio.
A parábola do Trigo e do joio oferece uma reflexão profunda sobre Deus. Ele é o dono do campo, é o dono da boa semente e é ele quem semeia. É ele também quem permite ao inimigo que entre no seu campo e semeie o joio. Ele é paciente e aguarda cheio de misericórdia o desfecho final. É verdade que esta paciência de Deus dá ao inimigo a liberdade para atuar em sentido contrário e pensar que pode conquistar para si o campo todo. No entanto, a paciência de Deus não é passividade, é ação misericordiosa que pode converter o joio em trigo e ajudar a distinguir de forma clara o trigo do joio, sem qualquer confusão, dada a semelhança entre eles. Diríamos que a parábola se concentra no “não” da resposta do semeador aos seus servos. “Queres que vamos arrancá-lo?”, “Não!”. Esta tarefa não compete aos servos, apenas aos anjos e só se realiza no final, na altura da ceifa, quando for claro que o trigo é trigo e o joio é joio.
A parábola do grão de mostarda revela o poder de Deus que não atua como os homens. O poder de Deus é essa ação paciente da parábola anterior. Não é força como o poder dos homens, é eficácia. Como o grão de mostarda o Reino é pequeno, mas tem em si um poder de eficácia que se revela com o tempo, à medida que cresce. Só no final se pode perceber a sua capacidade para abrigar as aves do céu. Onde os olhos dos homens veem fragilidade Deus manifesta o seu poder.
Do mesmo modo a parábola do fermento. A desproporção entre o fermento e a massa não fala do potencial de cada um destes elementos. À partida, tudo fazia crer que a massa absorvia o fermente sem qualquer possibilidade de este a alterar. No entanto, a realidade mostra o contrário. O fermento tem em si mais força que a massa e consegue modifica-la por dentro. O Reino dos céus atua por dentro, no interior, no escondido e modifica o mundo, mesmo quando, durante algum tempo, parece não ter sucesso.
É a paciência de Deus que dá o tempo necessário para que o grão de mostarda e o fermento manifestem o seu poder.
A explicação da parábola, que é feita apenas para os discípulos, dá a conhecer os personagens que se escondem na parábola. Jesus revela que os filhos do Reino não são joio, o trigo não pode converter-se em joio, que é necessário dar o fruto correspondente, que há muitas doutrinas que, aparecem atraentes e até semelhantes ao evangelho, mas não são a verdade do Reino e podem contaminar o trigo exercendo sobre ele a sua influência maléfica.
É necessário ter “ouvidos para ouvir”, pois caso contrário põe-se em causa a entrada no Reino e arrisca-se, no juízo final, a ir parar à fornalha ardente.
Meditação da Palavra
Já no tempo de Jesus era frequente o aparecimento de pessoas, movidas por boa intenção ou com interesses obscuros, que usavam de palavreado enganador. Com astúcia, habilidade e discursos bem pensados, convenciam muitos a segui-los julgando enveredar pelo caminho da verdade, da justiça e do bem. Nas atitudes exteriores e nas palavras confundiam-se com os sábios, os bons, os santos e os profetas. Nos seus discursos podiam confundir-se até com o evangelho de Jesus e nas suas propostas equiparavam-se aos construtores do Reino de Deus.
Perante os hábeis intérpretes da lei e dos profetas, os discursos de Jesus apareciam muitas vezes como blasfémia. As autoridades, sob as quais o povo vivia dominado, desacreditavam Jesus fazendo crer que ele pertencia ao demónio e Deus não estava com ele.
Desta forma a mentira parecia verdade e o evangelho da verdade era interpretado como mentira. Jesus viu-se embrulhado nesta confusão, tal como aconteceu com muitos homens de Deus ao longo da história e acontece hoje ainda. Hoje é vulgar o discurso da compaixão sem paixão e sem implicação. Defende-se o mal, a destruição da vida, a degradação da pessoa, a perda de dignidade à custa de bonitas palavras que têm por detrás agendas maléficas, sabiamente escondidas.
Jesus conta a parábola do trigo e do joio para desmascarar esta realidade. Há um senhor que semeia boa semente e um inimigo que semeia joio com a intenção de que tudo se transforme em Joio, em trigo contaminado. Aparentemente são iguais, mas o joio nunca pode acabar como boa farinha capaz de chegar a ser pão. O trigo não pode transformar-se em joio porque não é essa a sua natureza. Os filhos do Reino devem saber discernir diante do que veem e do que ouvem, para distinguir o trigo do joio.
Entretanto, enquanto não saem dos limites deste mundo, devem aprender com Deus a paciência, como arte do discernimento, para não perder o trigo com a pressa de afastar o mal na luta contra a contaminação. Deus é paciente, sabe esperar o tempo certo para que o trigo se mostre com todo o seu esplendor, como o justo no reino do Pai e o joio se possa purificar e tornar-se trigo para que nada se perca na fornalha ardente.
No juízo final, os anjos e não os homens, saberão distinguir o trigo do joio. Até lá os Filhos do Reino contam com o auxílio do Espírito Santo que lhes foi dado quando foi derramado em seus corações no batismo.
Rezar a Palavra
Semente boa lançada à terra pelas tuas santas mãos, corro todos os dias o risco de me tornar joio, erva contaminada que perde a imagem clara da tua misericórdia e o esplendor da glória que me deste ao tornar-me filho, nas águas do batismo. Envia, Senhor, o teu Espírito para que venha em meu auxílio, fortaleça a minha vontade e determine as minhas ações para que os anjos me encontrem trigo limpo para o teu celeiro.
Compromisso semanal
Procuro os sinais do Reino que irrompe no meio do mundo, para não me deixar seduzir por doutrinas enganadoras.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Santo ArsênioArsênio, que pertencia a uma nobre e tradicional família de senadores, nasceu no ano 354, em Roma. Segundo os registros, ele foi ordenado sacerdote, pessoalmente, pelo papa Dâmaso. Em 383, o próprio imperador Teodósio convidou-o para cuidar da educação e formação de seus filhos Arcádio e Honório, em Constantinopla. Arsênio permaneceu na Corte por onze anos, até 394. Enfim, conseguiu a exoneração do cargo e retirou-se para o deserto no Egito.O mundo católico passava por muitas transformações. Nos séculos anteriores, o martírio, a morte pela fé na palavra de Cristo, era o melhor exemplo para a salvação da alma. A partir do século IV, a “morte em vida” passou a ser o sacrifício mais perfeito para a purificação, com o aparecimento dos eremitas no Oriente. Eram cristãos e isolavam-se no deserto, em oração e penitência, numa vida solitária e contemplativa, como forma de servir a Deus.No início, sozinhos, depois se organizavam em pequenas comunidades. Havia apenas uma regra ascética, para fixar o período de jejum e oração, mas que mantinha uma rígida separação, inclusive de convivência entre eles mesmos.Arsênio tornou-se um deles. O seu refúgio, no deserto egípcio da Alexandria, era dos mais procurados pelos cristãos, que buscavam, na sabedoria e santidade de alguns ermitãos, conselhos e paz para as aflições da alma, mesmo que para tanto tivessem de fazer longas e cansativas peregrinações.A antiga tradição diz que ele não gostava muito de interromper seu exílio voluntário para atender aos que o procuravam. Mas, para não usufruir o egoísmo da solidão total, decidiu juntar-se aos eremitas de Scete, também no deserto da Alexandria, os quais já viviam parcialmente em comunidade, para não se isolarem totalmente dos demais seres humanos.Mas a paz e a tranquilidade daqueles religiosos findaram com a invasão de uma tribo das redondezas. Arsênio, então, abandonou o local. Entre 434 e 450, viveu isolado, só nos últimos anos aceitando a companhia de uns poucos discípulos. Ele acabou recebendo de Deus o dom das lágrimas. Em oração ou penitência, quando se emocionava com o Evangelho, caia em prantos. Morreu em Troc, perto de Mênfis, em 450.A importância de santo Arsênio na história da Igreja prende-se à importância da época em que nasceu e viveu. Foi um dos mais conhecidos eremitas do Egito, sendo considerado um dos “Padres do deserto”. O seu legado chegou-nos por meio de uma crônica biográfica e de suas sábias máximas, escritas por Daniel de Pharan, um dos seus discípulos. Além de um retrato estampando sua bela figura de homem alto e astuto, feito pelo mesmo discípulo.A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Adolfo e Áurea


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 19 DE JULHO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Cor 6, 19-20
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós e vos foi dado por Deus? Não vos pertenceis a vós mesmos: fostes resgatados por grande preço. Glorificai a Deus no vosso corpo.
V. A minha alma suspira pelos átrios do Senhor,
R. O meu coração e a minha carne exultam no Deus vivo
Oração
Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 10, 12
Agora, Israel, que te pede o Senhor teu Deus? Que respeites o Senhor teu Deus, que sigas todos os seus caminhos, que O ames e sirvas com todo o teu coração e com toda a tua alma.
V. Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?
R. O que vive sem mancha e diz a verdade que tem no coração.
Oração
Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Cant 8, 6b-7
O amor é forte como a morte, e a paixão é violenta como o abismo. É uma chama ardente, um fogo divino. As águas torrenciais não conseguem apagar o amor, nem os rios o podem submergir.
V. Eu Vos amo, Senhor, minha fortaleza,
R. Meu protector, minha defesa e meu salvador.
Oração
Fazei, Senhor, que os acontecimentos do mundo decorram para nós segundo os vossos desígnios de paz e a Igreja Vos possa servir na tranquilidade e na alegria. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Hebr 12, 22-24
Vós aproximastes-vos do monte Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de muitos milhares de Anjos em reunião festiva; de uma assembleia dos primogénitos cujos nomes estão inscritos no Céu; de Deus, juiz do universo; dos espíritos dos justos que atingiram a perfeição; de Jesus, Mediador da Nova Aliança, e do Sangue de aspersão que fala mais eloquentemente que o sangue de Abel.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
