“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 25 DE JULHO DE 2026
25 de julho de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 27 DE JULHO DE 2026
27 de julho de 2026Domingo XVII do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Segunda Epístola aos Coríntios 7, 2-16
O Apóstolo alegra-se com o arrependimento dos Coríntios
Irmãos: Dai-nos lugar no vosso coração. Não fizemos mal a ninguém, não arruinámos ninguém, não explorámos ninguém. Não digo isto para vos condenar, pois já vos disse que estais no nosso coração, para a vida e para a morte. É grande a confiança que tenho em vós; é grande o orgulho que sinto a vosso respeito. Estou cheio de consolação e transbordo de alegria no meio de todas as tribulações.
De facto, desde que chegámos à Macedónia, o nosso pobre corpo não teve um instante de repouso; pelo contrário, sofremos toda a tribulação: no exterior, combates; no interior, temores. Mas Deus, que consola os humildes, consolou-nos com a chegada de Tito; e não só com a sua chegada, mas também com a consolação que ele recebeu de vós. Ele contou-nos as vossas saudades, as vossas lágrimas, a vossa solicitude por mim, o que veio aumentar ainda mais a minha alegria.
Se a minha carta vos entristeceu, não me arrependo disso, se bem que ao princípio sentisse pesar, ao ver que essa carta, ainda que momentaneamente vos entristeceu; agora alegro-me, não porque vos tenha entristecido, mas porque a tristeza vos levou ao arrependimento. Entristecestes-vos segundo Deus, de modo que nenhum dano recebestes da nossa parte. Porque a tristeza segundo Deus produz o arrependimento que leva à salvação; mas a tristeza do mundo produz a morte. Vede o que essa tristeza segundo Deus provocou em vós: quanta solicitude, justificação, indignação, temor, saudade, zelo e castigo. Mostrastes em tudo que não tínheis culpa neste assunto. Portanto, se vos escrevi, não foi por causa do ofensor nem do ofendido, mas antes para se manifestar a vossa solicitude por nós, diante de Deus. Por isso ficámos consolados.
Mas para além da consolação que tivemos, ainda mais nos alegrámos com a alegria de Tito, porque todos vós tranqui- lizastes o seu espírito. E se diante dele me gloriei a vosso respeito, não fiquei envergonhado. Mas assim como tudo o que vos temos dito foi conforme à verdade, assim também os factos mostraram que o louvor que de vós fizemos a Tito era verdadeiro. A sua afeição por vós aumenta ainda mais, ao lembrar-se da obediência de vós todos e como o recebestes com temor e tremor. Alegro-me de poder contar convosco em tudo.
RESPONSÓRIO cf. 2 Cor 7, 10.9b
R. A tristeza segundo Deus produz o arrependimento que leva à salvação. * A tristeza do mundo produz a morte.
V. Se nos entristecemos segundo Deus, nenhum dano sofremos. * A tristeza do mundo produz a morte.
SEGUNDA LEITURA
Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo, sobre a Segunda Epístola aos Coríntios
(Hom. 14, 1-2: PG 61, 497-499) (Sec. IV)
Transbordo de alegria no meio de todas as tribulações
De novo São Paulo torna a falar da caridade, moderando a aspereza da repreensão. Depois de ter censurado e repreendido os coríntios, pelo facto de não corresponderem ao seu amor, levando a sua ingratidão até ao ponto de o abandonarem para darem ouvidos a homens perversos, suaviza a dureza da repreensão, dizendo: Compreendei-nos, isto é: «Amai-nos». Pede uma recompensa nada difícil, e muito mais útil para aqueles que a dão do que para aqueles que a recebem. Ele não diz: «Amai», mas uma palavra que inspira misericórdia: Compreendei.
Quem nos separou, diz ele, dos vossos corações? Quem nos afastou? Qual o motivo por que fomos expulsos do vosso espírito? Anteriormente tinha dito: Não há lugar para nós em vossos corações; e agora diz mais claramente: Compreendei-nos, esperando deste modo atraí-los a si. Nada inspira tanto uma pessoa amada a amar do que saber que aquele que ama deseja ardentemente ser correspondido.
Já vos disse, continua ele, que estais no nosso coração para a vida e para a morte. Como é grande a força do amor de Paulo que, mesmo desprezado, deseja morrer e viver com eles! «Não estais no nosso coração de qualquer maneira, mas tal como vos disse. É possível que alguém ame e apesar disso fuja no momento de perigo; isso não acontece comigo».
Estou cheio de consolação. De que espécie de consolação? «Daquela que vós me proporcionais: porque voltastes ao bom caminho e me consolastes com as vossas obras». É próprio de quem ama censurar a falta de correspondência ao seu amor, mas ao mesmo tempo temer que a repreensão excessiva venha a causar tristeza. Por isso diz: Estou cheio de consolação e transbordo de alegria.
É como se dissesse: «Causastes-me uma grande tristeza, mas já me compensastes com uma grande consolação; porque não só fizestes desaparecer a causa da minha tristeza, mas proporcionastes-me uma alegria muito maior».
Paulo manifesta a sua grandeza de ânimo, não se limitando a dizer simplesmente: Transbordo de alegria, mas acrescentando: No meio de todas as minhas tribulações. «Foi tão grande o contentamento que me trouxestes que nem estas graves tribulações o puderam ofuscar; a sua grandeza exuberante fez-me esquecer todos os tormentos e opressões que me invadiam».
RESPONSÓRIO 2 Cor 12, 12.15
R. Os sinais do verdadeiro apóstolo realizaram-se no meio de vós: * Com paciência a toda a prova, sinais, prodígios e milagres.
V. Da melhor vontade darei o que é meu e me darei a mim mesmo pelas vossas almas. * Com paciência a toda a prova, sinais, prodígios e milagres.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Apocalipse 7, 10b.12
Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xvii-do-tempo-comum-ano-a/>]
Domingo XVII do Tempo Comum (Ano A)
A Sabedoria: Tesouro escondido
No cimo do monte, está escondido um tesouro. Toda a aldeia o sabe. Diz-se que, no dia em que alguém o encontrar, a aldeia ficará rica, mas aquele que lhe tocar será transformado numa lágrima. Ninguém sabia ao certo se era verdade que ali, no alto do monte que guarda a aldeia, existia mesmo um tesouro. Alguns tentaram subir e poucos chegaram perto, mas todos acabaram por desistir.
Um dia, apareceu na aldeia um jovem aventureiro que perguntou: — Onde está o Tesouro da Lágrima?
Os velhos, sentados no banco da praça, olharam-no com desconfiança. Ele adiantou-se: — Ouvi dizer que havia um tesouro no cimo de um destes montes. É verdade?
Timidamente, os anciãos apontaram-lhe o caminho, em silêncio. O jovem nunca mais apareceu, mas, desde aquele dia, um riacho de água cristalina passou a atravessar a aldeia, fazendo brotar as mais lindas flores nas suas margens.
LEITURA I 1Rs 3, 5.7-12
Naqueles dias,
o Senhor apareceu em sonhos a Salomão durante a noite
e disse-lhe:
«Pede o que quiseres».
Salomão respondeu:
«Senhor, meu Deus,
Vós fizestes reinar o vosso servo em lugar do meu pai David,
e eu sou muito novo e não sei como proceder.
Este vosso servo está no meio do povo escolhido,
um povo imenso, inumerável,
que não se pode contar nem calcular.
Dai, portanto, ao vosso servo um coração inteligente,
para governar o vosso povo,
para saber distinguir o bem do mal;
pois, quem poderia governar este vosso povo tão numeroso?».
Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão
e disse-lhe:
«Porque foi este o teu pedido,
e já que não pediste longa vida, nem riqueza,
nem a morte dos teus inimigos,
mas sabedoria para praticar a justiça,
vou satisfazer o teu desejo.
Dou-te um coração sábio e esclarecido,
como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti».
A oração de Salomão é oferecida como modelo para a nossa própria oração. Nela, o jovem rei reconhece a sua pequenez perante a grandeza da missão que lhe é confiada: governar o Povo de Deus. Reconhecendo a sua impreparação, em vez de pedir privilégios mundanos, Ele suplica por um «coração que escuta», revelando que a verdadeira sabedoria não reside nas riquezas nem no poder, mas na capacidade espiritual de discernir o bem do mal e praticar a justiça. Na resposta de Deus, percebemos que esta é a oração que realmente Lhe agrada.
Salmo 118 (119), 57.72.76-77.127-128.129-130 (R . 97a )
Para o salmista, a Lei do Senhor vale mais do que «milhares de moedas de ouro e prata», sugerindo que a felicidade não reside na posse material, mas na adesão interior aos preceitos divinos que iluminam a inteligência. O homem sensato procura nos preceitos do Senhor, na Sua «Lei», a verdadeira sabedoria pela qual conduz a sua vida, porque a Palavra do Senhor «ilumina e dá inteligência aos simples».
LEITURA II Rm 8, 28-30
Irmãos:
Nós sabemos que Deus concorre em tudo
para o bem daqueles que O amam,
dos que são chamados, segundo o seu desígnio.
Porque os que Ele de antemão conheceu,
também os predestinou
para serem conformes à imagem de seu Filho,
a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos.
E àqueles que predestinou, também os chamou;
àqueles que chamou, também os justificou;
e àqueles que justificou, também os glorificou.
Paulo afirma a providência de Deus em favor do homem. A vida humana não é um acaso, mas um projeto no qual Deus ama primeiro; a resposta do homem a esse amor transforma-o na imagem de Cristo. Desta certeza nasce a confiança de que tudo, apesar do sofrimento e da fragilidade, concorre para o nosso bem, porque fomos chamados, predestinados e justificados, a fim de participarmos com Cristo na Sua glória.
EVANGELHO Forma longa Mt 13, 44-52
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«O reino dos Céus é semelhante
a um tesouro escondido num campo.
O homem que o encontrou tornou a escondê-lo
e ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía
e comprou aquele campo.
O reino dos Céus é semelhante
a um negociante que procura pérolas preciosas.
Ao encontrar uma de grande valor,
foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola.
O reino dos Céus é semelhante
a uma rede que, lançada ao mar,
apanha toda a espécie de peixes.
Logo que se enche, puxam-na para a praia
e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos,
e o que não presta deitam-no fora.
Assim será no fim do mundo:
os Anjos sairão a separar os maus do meio dos justos
e a lançá-los na fornalha ardente.
Aí haverá choro e ranger de dentes.
Entendestes tudo isto?».
Eles responderam-Lhe: «Entendemos».
Disse-lhes então Jesus:
«Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus
é semelhante a um pai de família
que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas».
Para Jesus o Reino dos Céus é o valor supremo que exige uma decisão radical e feliz, tal como o homem do campo e o negociante de pérolas. O cristão ao descobrir a fé em Jesus, “vende tudo” não por obrigação, mas pela alegria que descobriu e que relativiza todas as outras coisas. Entretanto o Reino de Deus acolhe todos, bons e maus, na esperança de que todos descubram o seu valor. No final será feita a seleção.
Reflexão da Palavra
O Primeiro Livro dos Reis situa-nos no início do reinado de Salomão. O texto proposto serve-se de um “sonho-revelação” para legitimar a soberania do filho de David como sucessor no trono de Israel, conferindo-lhe uma autoridade divina.
No diálogo com Deus, Salomão apresenta-se como «servo» e impreparado para a missão que lhe foi confiada. As suas palavras — que literalmente afirmam «não sei como sair e entrar», traduzindo-se por «não sei como proceder» — e a expressão «povo imenso e inumerável» revelam o peso da missão. Ao afirmar que este povo, de quem ele é rei, é o «Vosso povo», Salomão reconhece a pertença absoluta de Israel a Deus.
Consciente disto, Salomão pede um «coração que escuta». O coração é o lugar das decisões, da vontade e da inteligência; por isso, o pedido de Salomão significa a sua decisão de escutar a Vontade de Deus para governar o povo que a Ele pertence. O objetivo de Salomão é governar com justiça, distinguindo o bem do mal — aquele conhecimento que Adão e Eva quiseram usurpar pela desobediência para serem como Deus, mas que Salomão acolhe como dom para servir e não para obter poder pessoal.
Com esta petição, Salomão alinha o seu coração com o de Deus. Por isso, obtém não apenas o que pediu, mas também o que não pediu: vida longa, riqueza e poder.
Salmo 119 (118), o maior de todo o Saltério, está construído por vinte e duas estrofes — tantas quantas as letras do alfabeto hebraico — de oito versos cada uma. O salmo começa com uma bem-aventurança: «Felizes os que seguem o caminho da retidão e vivem segundo a Lei do Senhor. Felizes os que cumprem os Seus preceitos e O procuram de todo o coração». O salmo é, todo ele, um elogio da Lei Divina e um compromisso no seu cumprimento.
O salmista fala da Lei como de uma herança, pois a sua segurança não está nos bens materiais, mas na Lei do Senhor, que vale mais que «milhares de moedas de ouro e prata» e oferece ao homem a orientação para uma vida reta. O amor à Lei do Senhor torna o caminho da mentira insuportável, porque ela ilumina o coração e dá inteligência aos simples. Na Lei do Senhor habita a misericórdia.
As palavras do salmista estão em consonância com a oração de Salomão e revelam que a verdadeira sabedoria está na capacidade de conformar a vida com a Vontade de Deus.
Paulo apresenta o último pilar da esperança: «Deus concorre em tudo para o bem dos que O amam», conforme referimos na reflexão do domingo passado. Com esta afirmação, Paulo adverte que é Deus quem faz acontecer o bem; não são as coisas que, por si mesmas, o produzem.
Paulo descreve o percurso desta ação divina em cinco etapas: o Conhecimento Amoroso, que significa afeto, ou seja, Deus amou-nos primeiro; a Predestinação, no sentido de que o homem foi pensado para participar no Amor Divino, ser imagem de Cristo e viver da Sua vida eternamente; o Chamamento, que aponta para a Encarnação do Verbo e para o momento em que Deus entra na vida de cada homem; a Justificação, pela qual o homem pecador se torna justo, não pelos seus méritos, mas graças à Paixão de Cristo; o “Já” e o “Ainda não”, na medida em que todos os quatro passos anteriores já foram realizados por Deus, mas, para nós, ainda se estão a concretizar.
Toda a ação divina se orienta para a afirmação de que Jesus, o Seu Filho, é o Primogénito, no sentido de que é o centro de uma nova família em que todos participam d’Ele e seguem o Seu caminho. Assim, compreendemos que não estamos à deriva, mas nas mãos de um Deus que «concorre em tudo» para que nos tornemos imagem de Cristo.
Mateus oferece, este domingo, um conjunto de parábolas sobre o Reino de Deus: o agricultor que encontra um tesouro, o negociante de pérolas, a rede lançada ao mar e o pai de família. Todas as parábolas colocam o acento na urgência de uma decisão, independentemente da circunstância em que se dá o encontro com o Reino.
Na primeira parábola, o encontro foi casual. O agricultor anda a lavrar num terreno alheio quando, de repente, encontra um tesouro. Perante este achado, ele tem de tomar uma decisão entre o tesouro descoberto e tudo o que possui. Terá ele capacidade para avaliar o tesouro que encontrou? Deixar-se-á levar pelo apego ao que já tem?
Na segunda parábola, deparamo-nos com alguém que procura. O Reino não apareceu por acaso na sua vida; ele teve de o procurar e, agora que o encontrou, saberá avaliar entre as pérolas que já acumulou e esta que acaba de descobrir?
A parábola da rede fala do Reino como uma pesca na qual o pescador lançou a rede e não interfere, permitindo que nela entre tudo: o bom e o mau. Depois, o pescador tem de se sentar e avaliar o que veio na rede, distinguindo o que vale do que não vale a pena guardar. Este trabalho pertence a Deus e será realizado pelos Anjos no final, tal como na parábola do joio.
A quarta parábola surge após a interrogação de Jesus aos discípulos sobre a compreensão das parábolas. Em conclusão, Jesus afirma que eles — e todos os judeus que se convertem e têm o Antigo Testamento como riqueza no seu tesouro — precisam de saber discernir, a partir do Evangelho, o conteúdo presente na Escritura, de modo a que não haja contradição entre o novo e o antigo.
Meditação da Palavra
No caminho da nossa vida, «Deus concorre em tudo para o bem dos que O amam», mas as decisões fundamentais permanecem sob a nossa responsabilidade. Fomos predestinados, chamados e justificados, o que significa que o tesouro do Reino está ao nosso alcance, plenamente à nossa disposição. Não importa como o descobrimos — seja num acaso da vida, fruto de uma busca persistente ou por termos sido simplesmente «apanhados na rede» — o que realmente conta é a decisão que tomamos após o encontro. Sabemos, no entanto, que nada é puramente acidental: é a ação de Deus que nos proporciona as oportunidades para alinharmos o nosso coração com o Seu projeto.
A Palavra de Deus recorda-nos que, por vezes, escolhemos mal porque nos falta a sabedoria do coração. Muitos deixam-se deslumbrar por realidades secundárias, como a longevidade, a riqueza ou o poder, transformando estes meios nos alicerces de uma suposta felicidade. Salomão, contudo, ensina-nos que o verdadeiro alicerce reside na sabedoria que faz da vida um serviço aos outros. Ao pedir este dom, ele revela um discernimento que frequentemente nos falta: a capacidade de distinguir entre o Reino e as seguranças passageiras. Vale a pena «vender tudo» pela pérola preciosa ou estaremos a viver uma ilusão?
Na sua juventude, Salomão entendeu que, por si só, não seria capaz de cumprir o essencial da sua missão: governar com justiça. Da mesma forma, sem essa Sabedoria Divina, teremos dificuldade em avaliar o que traz à nossa vida a verdadeira alegria. O salmista reforça esta lição ao professar que a felicidade reside no cumprimento da Vontade de Deus. Amar a Sua Lei ilumina o caminho: «Felizes os que seguem o caminho da retidão e vivem segundo a Lei do Senhor. Felizes os que cumprem os Seus preceitos e O procuram de todo o coração».
Afeiçoar o coração ao Senhor significa adquirir uma sensibilidade que percebe o Reino não como um fardo de renúncias, mas como uma descoberta jubilosa. Quem descobre que o Reino vale «mais do que milhares de moedas de ouro», decide com alegria. Para nós, cristãos, o Evangelho é a escola desta sabedoria; é nele que confrontamos os nossos critérios e aprendemos a discernir, no tesouro da nossa fé, o que é eterno do que é supérfluo.
Que a liturgia deste domingo nos ajude a redefinir prioridades. Mais do que soluções imediatas para os nossos problemas, peçamos o Espírito de Sabedoria. Pois, ao possuirmos Cristo — o nosso Tesouro e a nossa Sabedoria — possuímos tudo o que realmente importa. Quem encontrou este Tesouro não teme perder o resto, pois sabe que está nas mãos d’Aquele que faz tudo concorrer para o nosso bem. Não permitamos que o essencial nos passe ao lado por falta de sabedoria.
Rezar a Palavra
Dá-me, Senhor, a sabedoria do coração, para que eu seja capaz de Escutar-Te e discernir a Tua vontade nas grandes decisões da minha vida. Dá-me a graça de reconhecer que o Teu Reino é o tesouro escondido e a pérola preciosa, pelos quais vale a pena entregar tudo com profunda alegria. E que o Teu Espírito me transforme à imagem de Cristo, dando-me a segurança de que Tu fazes com que todas as coisas concorram para o meu bem. Ámen.
Compromisso semanal
Imploro ao Senhor a docilidade de Salomão para confiar que a sabedoria do coração vale mais que milhões em ouro e prata.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Sant’Ana e São JoaquimAna e seu marido Joaquim já estavam com idade avançada e ainda não tinham filhos. O que, para os judeus de sua época, era quase um desgosto e uma vergonha também. Os motivos são óbvios, pois os judeus esperavam a chegada do messias, como previam as sagradas profecias.Assim, toda esposa judia esperava que dela nascesse o Salvador e, para tanto, ela tinha de dispor das condições para servir de veículo aos desígnios de Deus, se assim ele o desejasse. Por isso a esterilidade causava sofrimento e vergonha e é nessa situação constrangedora que vamos encontrar o casal.Mas Ana e Joaquim não desistiram. Rezaram por muito e muito tempo até que, quando já estavam quase perdendo a esperança, Ana engravidou. Não se sabe muito sobre a vida deles, pois passaram a ser citados a partir do século II, mas pelos escritos apócrifos, que não são citados na Bíblia, porque se entende que não foram inspirados por Deus. E eles apenas revelam o nome dos pais da Virgem Maria, que seria a Mãe do Messias.No Evangelho, Jesus disse: “Dos frutos conhecereis a planta”. Assim, não foram precisos outros elementos para descrever-lhes a santidade, senão pelo exemplo de santidade da filha Maria. Afinal, Deus não escolheria filhos sem princípios ou dignidade para fazer deles o instrumento de sua ação.Maria, ao nascer no dia 8 de setembro de um ano desconhecido, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda recompensou-os pela fé, ao ser escolhida para, no futuro, ser a Mãe do Filho de Deus.A princípio, apenas Sant’Ana era comemorada e, mesmo assim, em dias diferentes no Ocidente e no Oriente. Em 25 de julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. A partir de 1584, também são Joaquim passou a ser cultuado, no dia 20 de março. Só em 1913 a Igreja determinou que os avós de Jesus Cristo deviam ser celebrados juntos, no dia 26 de julho.A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Pastor, Sinfrônio, Olímpio e Exupéria.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 26 DE JULHO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Romanos 8, 15-16
Vós não recebestes um espírito de escravidão, para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
V. Em Vós, Senhor, está a fonte da vida:
R. Na vossa luz veremos a luz.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Romanos 8, 22-23
Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não somente ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
V. Bendiz, minha alma, o Senhor:
R. Ele salva da morte a tua vida.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Timóteo 1:9
Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça, essa graça que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a
eternidade.
V. O Senhor conduziu-os seguros e sem temor
R. E introduziu-os na sua terra santa.
Oração
Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Coríntios 1:3-4
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as tribulações, para podermos também confortar aqueles que sofrem qualquer tribulação, por meio da consolação que nós próprios recebemos de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Apocalipse 22:4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
