“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 1 DE AGOSTO DE 2026
1 de agosto de 2026Domingo XVIII do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início da Profecia de Amós 1, 1 – 2, 3
Sentenças do Senhor contra as nações pagãs
Palavras de Amós, um dos pastores de Técua; visão que teve
acerca de Israel, no tempo de Ozias, rei de Judá, e de Jeroboão,
filho de Joás, rei de Israel, dois anos antes do terramoto.
Disse o profeta:
«O Senhor rugirá de Sião,
de Jerusalém fará ouvir a sua voz.
Os prados dos pastores estarão desolados
e o cimo do Carmelo ficará ressequido.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes de Damasco,
não revogarei a minha decisão,
porque eles despedaçaram Galaad com grades de ferro.
Lançarei fogo à casa de Hazael
e esse fogo devorará os palácios de Ben‑Hadad;
quebrarei os ferrolhos de Damasco,
exterminarei os habitantes de Bigat‑Aven
e o que tem o ceptro na mão em Bet‑Eden.
E o povo arameu será deportado para Quir,
diz o Senhor’.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes de Gaza,
não revogarei a minha decisão,
porque deportaram uma multidão de cativos
para os entregar aos edomitas.
Lançarei fogo às muralhas de Gaza
e esse fogo devorará os seus palácios;
exterminarei os habitantes de Azot
e o que tem na mão o ceptro de Ascalon.
Levantarei a mão contra Acaron
e o resto dos filisteus perecerá,
diz o Senhor’.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes de Tiro,
não revogarei a minha decisão,
porque entregaram aos edomitas uma multidão de cativos
e esqueceram a aliança fraterna.
Lançarei fogo às muralhas de Tiro
e esse fogo devorará os seus palácios’.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes de Edom,
não revogarei a minha decisão,
porque ele perseguiu à espada o seu irmão,
calcando aos pés toda a piedade;
porque ele continuou a alimentar a sua cólera
e guardou obstinadamente o seu rancor.
Lançarei fogo a Temã
e esse fogo devorará os palácios de Bosra’.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes dos filhos de Amon,
não revogarei a minha decisão,
porque desventraram as mulheres grávidas de Galaad
para alargarem as suas fronteiras.
Lançarei fogo às muralhas de Rabá
e esse fogo devorará os seus palácios,
no clamor do dia da batalha,
no turbilhão do dia da tempestade;
o seu rei partirá para o exílio e com ele os seus chefes,
diz o Senhor’.
Assim fala o Senhor:
‘Por três e por quatro crimes de Moab,
não revogarei a minha decisão,
porque queimaram e calcinaram os ossos do rei de Edom.
Lançarei fogo a Moab
e esse fogo devorará os palácios de Cariot.
Moab perecerá no meio do tumulto,
entre gritos de guerra e sons de trombeta;
exterminarei o seu juiz
e farei morrer com ele todos os seus chefes,
diz o Senhor’».
RESPONSÓRIO Salmo 9, 8b.9; Amós 1, 2a
R. O Senhor firmou o seu trono para julgar. Ele julga a terra com justiça * Governa os povos com rectidão.
V. O Senhor rugirá desde Sião, fará ouvir a sua voz desde Jerusalém. * Governa os povos com rectidão.
SEGUNDA LEITURA
Início da chamada Epístola de Barnabé
(Cap. 1, 1-8; 2, 1-5: Funk 1, 3-7) (Sec. II)
A esperança da vida é o princípio e o fim da nossa fé
Eu vos saúdo na paz, filhos e filhas, em nome do Senhor que nos amou.
Grandes e abundantes são os dons de justiça que Deus vos concedeu; por isso me alegro profundamente, ao saber que as vossas almas são bem‑aventuradas e gloriosas, porque acolhestes a graça do dom espiritual que se implantou entre vós. Cresce mais ainda a minha alegria e a esperança da minha própria salvação, ao contemplar como foi derramada sobre vós a abundância do Espírito que procede da fonte do Senhor. Foi deveras maravilhoso o espectáculo que oferecestes à minha vista.
Estou plenamente convencido e consciente de que ao falar convosco vos ensinei muitas coisas, porque o Senhor me acompanhou no caminho da justiça; e sinto‑me fortemente estimulado a amar‑vos mais do que a minha própria vida, porque é grande a vossa fé e a vossa caridade, fundadas na esperança da vida divina. Tudo isto me leva a considerar que, se me empenho em comunicar‑vos alguma coisa do que eu mesmo recebi, não me faltará a recompensa por ter prestado este serviço às vossas almas; por isso resolvi escrever‑vos brevemente, a fim de que se enriqueça a vossa fé com um conhecimento mais perfeito.
São três os ensinamentos do Senhor: a esperança da vida é o princípio e o fim da nossa fé; a justiça é o princípio e o fim do julgamento; a caridade, que traz consigo a felicidade e a alegria, é o testemunho de que as nossas obras são justas. Efectivamente, o Senhor deu‑nos a conhecer por meio dos Profetas o passado e o presente, e fez‑nos saborear as primícias do futuro. Ao contemplarmos como todas estas coisas se vão realizando a seu tempo, conforme Ele anunciou, devemos progredir sempre no santo temor de Deus, cada vez mais perfeito e profundo. Quanto a mim, quero mostrar‑vos algumas coisas que vos sirvam de alegria na situação presente. Não vos falo como mestre, mas como irmão.
Os dias são maus e o adversário exerce o seu poder diabólico. Por isso temos de velar por nós mesmos e investigar cuidadosamente os desígnios do Senhor. O temor e a perseverança são o amparo da nossa fé; e os nossos companheiros de luta são a paciência e o domínio próprio. Se estas virtudes permanecerem puras diante do Senhor, possuiremos também a alegria da sabedoria, da inteligência, da ciência e do conhecimento.
Deus revelou‑nos, por meio de todos os Profetas, que não tem necessidade de sacrifícios, holocaustos e oblações. Eis o que Ele diz em certa passagem: De que Me serve a multidão dos vossos sacrifícios? – diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura dos vitelos; não quero o sangue de touros e cabritos. Porque vindes à minha presença? Quem reclamou isso das vossas mãos? Não continueis a pisar os meus átrios. Se Me ofereceis a flor da farinha, é em vão; o fumo de incenso Me repugna; já não suporto as vossas luas novas e os vossos sábados.
RESPONSÓRIO Gal 2, 16; Gen 15, 6
R. Sabemos que o homem não é justificado senão pela fé em Jesus Cristo. * Nós acreditamos em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo.
V. Abraão acreditou no Senhor, e isto foi-lhe atribuído como justiça. * Nós acreditamos em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
Oração
Mostrai, Senhor, a vossa imensa bondade aos filhos que Vos imploram e dignai‑Vos renovar e conservar os dons da vossa graça naqueles que se gloriam de Vos ter por seu criador e sua providência. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Ez 36, 25-27
Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; purificar-vos-ei de todos os vossos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo; arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas.
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xviii-do-tempo-comum-ano-a/>]
Domingo XVIII do Tempo Comum (Ano A)
Saciar-vos-ei de pão
Na sua mesa, havia sempre um pedaço de pão. Todos os dias, renovava com pão fresco o pedaço que sobrara da véspera se, por acaso, não tivesse aparecido ninguém a precisar de se sentar à mesa.
Sentia alegria por poder dar o pouco que tinha; e sentia alegria, também, quando comia o pedaço da véspera, sinal de que ninguém tinha passado necessidade. Nos seus olhos, havia abundância; e nas suas mãos, sempre abertas, o pão de cada dia.
LEITURA I Is 55, 1-3
Eis o que diz o Senhor:
«Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas.
Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei.
Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite.
Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta
e o vosso trabalho naquilo que não sacia?
Ouvi-Me com atenção e comereis o que é bom;
saboreareis manjares suculentos.
Prestai-Me ouvidos e vinde a Mim;
escutai-Me e vivereis.
Firmarei convosco uma aliança eterna,
com as graças prometidas a David.
Deus apresenta-Se ao Seu povo como o anfitrião que nos convida a participar num banquete, onde podemos saciar a nossa sede mais profunda. Aceitar este convite significa confiar que o vinho e o leite que Ele oferece gratuitamente valem mais do que tudo o que podemos adquirir com o nosso esforço e o nosso dinheiro. Para participar, basta escutar e confiar.
Salmo 144 (145), 8-9.15-16.17-18 (R. cf. 16)
O Salmo canta a bondade de Deus para com todas as criaturas. Ele é clemente e compassivo, paciente e misericordioso. Na Sua bondade, está próximo de todos e abre a todos, generosamente, as Suas mãos, para saciar a fome de todos os seres vivos.
LEITURA II Rm 8, 35.37-39
Irmãos:
Quem poderá separar-nos do amor de Cristo?
A tribulação, a angústia, a perseguição,
a fome, a nudez, o perigo ou a espada?
Mas em tudo isto somos vencedores,
graças Àquele que nos amou.
Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida,
nem os Anjos nem os Principados,
nem o presente nem o futuro,
nem as Potestades nem a altura nem a profundidade,
nem qualquer outra criatura
poderá separar-nos do amor de Deus,
que se manifestou em Cristo Jesus, Nosso Senhor.
Paulo afirma a vitória de Jesus sobre todas as forças adversas que nos poderiam impedir de permanecer no Amor de Cristo. Vencidas todas as adversidades por «Aquele que nos amou», já nada nem ninguém nos pode separar de Cristo e do Seu amor. A nossa união a Cristo é indestrutível, graças àquele que nos amou primeiro.
EVANGELHO Mt 14, 13-21
Naquele tempo,
quando Jesus ouviu dizer que João Batista tinha sido morto,
retirou-Se num barco para um local deserto e afastado.
Mas logo que as multidões o souberam,
deixando as suas cidades, seguiram-n’O por terra.
Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão
e, cheio de compaixão, curou os seus doentes.
Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus
e disseram-Lhe:
«Este local é deserto e a hora avançada.
Manda embora toda esta gente,
para que vá às aldeias comprar alimento».
Mas Jesus respondeu-lhes:
«Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer».
Disseram-Lhe eles:
«Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes».
Disse Jesus: «Trazei-mos cá».
Ordenou então à multidão que se sentasse na relva.
Tomou os cinco pães e os dois peixes,
ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção.
Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos,
e os discípulos deram-nos à multidão.
Todos comeram e ficaram saciados.
E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos.
Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens,
sem contar mulheres e crianças.
Num gesto que nos recorda a Eucaristia, como sacramento onde saciamos a fome de Deus, Jesus desafia os discípulos a acreditar que é possível, se partilharmos o pouco que somos e temos, saciar a fome a toda a humanidade. Os verdadeiros milagres não acontecem por magia, nem por capacidade económica ou técnica; acontecem pela disponibilidade de colocar todo o nosso ser ao serviço da Vontade de Deus. E Ele, que é generoso, faz acontecer o que para nós é impossível.
Compreender a Palavra
Ao povo desanimado e prestes a desistir do regresso de Babilónia — tentado a render-se à vida de exilado —, Isaías convida a participar no banquete da aliança eterna que Deus quer fazer com ele: «Vinde, comprai, comei». A vida em abundância que Israel via com os seus olhos na sociedade babilónica era uma ilusão perante a abundância de Deus.
Os dons de Deus possuem um valor que o homem não pode pagar; por isso, se diz: «Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa». Os dons de Deus só podem ser recebidos como graça, pois são absolutamente gratuitos. Que dons são estes? A Água que sacia (e não apenas a água da sobrevivência) e o Vinho e o Leite, símbolos da Terra Prometida, onde o povo entrará quando o próprio Senhor o libertar do exílio.
Cansado de esperar, o povo deixa-se seduzir pela vida em Babilónia, pela sua cultura e idolatria. Por isso, o profeta insiste: «Porque gastais o vosso dinheiro naquilo que não alimenta?». O vazio que sentem no seu interior não se preenche com ilusões nem com falsas seguranças.
O profeta, em nome de Deus, convida o povo: «Ouvi-Me com atenção», «Prestai-Me ouvidos», «Escutai-Me». A Palavra de Deus é o verdadeiro alimento da esperança. Na Sua Palavra, o Senhor renova a aliança feita a David, alargando-a a todo o povo. Se atenderem à Voz do Senhor, poderão «comer o que é bom, saborear manjares suculentos» e viver para testemunhar o Seu poder diante das nações.
O Salmo, construído em forma alfabética, é um hino de louvor a Deus pelos Seus atributos e pelas Suas obras. Deus é Rei do Seu povo e de todos os povos da terra. Ele é grande e digno de louvor; a Sua grandeza é insondável e a Sua majestade, esplendorosa.
Apesar da Sua grandeza, Ele é um Deus próximo, que está perto de todos os que O invocam. É um Deus clemente e compassivo, paciente, misericordioso e justo; é bom e faz tudo com ternura. Ele ergue os que caem, reanima os abatidos, dá alimento aos que têm fome e abre as mãos generosamente.
Na Carta aos Romanos, Paulo anima os que vivem no meio de uma sociedade pagã e experimentam toda a espécie de obstáculos à fé em Jesus. O texto começa com uma interrogação fundamental: «Quem poderá separar-nos do amor de Cristo?». Segue-se uma série de sete obstáculos muito concretos — que o próprio Apóstolo experimentou — e que poderiam ser invocados como razões para alguém se afastar do Senhor: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada.
Na resposta, Paulo deixa claro que a nossa união a Cristo não depende do nosso amor vacilante, mas do Seu amor inabalável por nós; por isso, não há nada a temer pois ninguém nos pode separar d’Ele: «Em tudo isto somos vencedores, graças n’Aquele que nos amou». Graças ao Seu amor, é possível manter a união com Cristo, apesar das situações de sofrimento a que estamos sujeitos. Somos, por isso, antecipadamente vencedores.
Se somos vencedores perante as forças negativas deste mundo, somo-lo também em relação às forças cósmicas, que o Apóstolo organiza em pares e hierarquias: «Morte e Vida», «Presente e Futuro», «Anjos, Principados e Potestades», «Altura e Profundidade». Cristo está acima de todas estas forças.
Depois da morte de João Batista, Mateus refere que os seus discípulos foram informar Jesus do sucedido. «Tendo ouvido isto», Jesus faz o que entendemos como natural: retira-Se «para um lugar deserto», tal como fizera ao receber a notícia da prisão de João. Jesus compreende na sorte de João a Sua própria sorte; contudo, não foge, mas aproveita o isolamento para discernir os passos a dar de acordo com a Vontade de Deus.
No silêncio do deserto, a resposta de Deus não se faz esperar. Como no Êxodo, uma multidão caminha a pé pelo deserto e ocupa o silêncio de Jesus. Qual novo Moisés, movido pela compaixão, Jesus é chamado a curar e a dar à multidão o alimento necessário, consciente da Sua missão messiânica.
Diante da realidade de estarem num lugar deserto e com a multidão faminta, os discípulos tomam a iniciativa: «Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento», dizem a Jesus. Esta, que parecia a solução lógica, é apenas o despertar de uma oportunidade que eles ainda não veem, mas que Jesus já discerniu. É possível saciar toda aquela gente: «Dai-lhes vós de comer». Mas como, se apenas têm cinco pães e dois peixes? Ao reconhecerem a pobreza do pouco que possuem, os discípulos abrem as portas para a ação de Deus, para quem nada é impossível.
Neste episódio, Mateus evoca não apenas o maná do deserto, onde o Senhor diz ao povo: «Saciar-vos-eis de pão e conhecereis que Eu sou o Senhor» (Ex 16, 12), mas também a partilha realizada por Eliseu num tempo de fome (2Reis 4, 42-44), usando os vinte pães de cevada das primícias para saciar a fome a cem pessoas. A desproporção aqui é ainda maior: com Eliseu era de vinte para cem; com Jesus é de cinco para cinco mil. Eliseu confiou e disse: «Comerão e ainda sobrará»; Mateus revela a confiança de Jesus quando narra que Ele «ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção». O resultado dessa entrega é visível: «Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos». Cumpriu-se, assim, a Palavra de Deus: «Vós abris, Senhor, as Vossas mãos e saciais a nossa fome».
Meditação da Palavra
O resultado da generosidade de Deus é incomparável ao resultado do esforço humano. Deus abre as Suas mãos e sacia generosamente todos os seres vivos; o Seu alimento tem o poder de saciar os anseios mais profundos — mesmo aqueles de que já nos desiludimos, por nos sentirmos incapazes de acreditar na sua concretização.
Não são poucas as vezes em que nos sentimos como Israel no exílio, rendidos às condições em que nos encontramos: ora porque as nossas decisões erradas nos empurraram para ali, ora porque o poder dos mais fortes nos fez recuar, ou simplesmente porque a vida nos obrigou a seguir esse caminho. Por vezes, acreditamos ser impossível que algo aconteça e nos faça sair do fosso da desesperança.
Como os cristãos de Roma, sentimos que o ambiente e as forças cósmicas estão contra nós e nos impedem de permanecer firmes na fé. Tudo parece concorrer para nos afastarmos de Deus, para nos desligarmos do Amor de Cristo, para nos calarmos diante do mundo e nos reduzirmos à nossa experiência interior, no silêncio de nós mesmos. Esquecemos, porém, que já somos vencedores em Cristo. Graças ao Seu amor inabalável, também somos vitoriosos. Em nós, assiste-nos a fraqueza e a incapacidade de permanecer; mas a nossa segurança está naquele que nos amou primeiro, e não em nós mesmos.
Confiar que Deus, quando abre as Suas mãos, tem para nós o pão, a água, o vinho e o leite que saciam mais do que tudo o que conseguimos com o nosso esforço, é o segredo para atravessarmos o deserto ao Seu encontro. Ali, onde todos somos igualmente famintos e não esperamos de mais ninguém o alimento que sacia a sede que trazemos dentro de nós, só nos resta erguer os olhos ao Céu e esperar pela bondade de Deus.
E não ficamos desiludidos. Se os homens não compreendem que na partilha está a solução para a fome do mundo, Deus faz acontecer, com o pouco que somos e temos colocado nas mãos de Jesus, o milagre de que precisamos: a alegria de sermos saciados pelo verdadeiro alimento, o Pão Descido do Céu. Nas Suas mãos, o pão partido, abençoado e distribuído tem o sabor da eternidade, onde a mesa está sempre posta.
Rezar a Palavra
«Dai-lhes vós de comer». O Teu desafio, Senhor, desperta todos os sentidos da minha alma. Ao olhar a imensidade do mundo, sinto-me insignificante; quando analiso os dramas da humanidade, sinto-me impotente; quando escuto os desabafos dos irmãos, fico paralisado.
O que fazer, Senhor, se tudo é maior do que eu? Deixa que Te entregue o pouco que sou, para que, comigo, possas repartir por todos o que a cada um é mais urgente, e que assim, Assim, a minha vida se encha da Tua bondade. Ámen.
Compromisso semanal
Coloco o meu pão de cada dia nas mãos de Jesus para que ele abençoe, e reparta por todos.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Santo do dia
agosto/2026
São Pedro FabroPedro Fabro nasceu num pequeno vilarejo em Sabóia (França) em 13 de abril de 1506. Filho de pastores de ovelhas, Fabro foi também pastor desde a infância. Criado numa família muito cristã, teve desde cedo grande interesse de aprender, como ele mesmo revelou em seus escritos autobiográficos: “por volta de dez anos, senti o desejo de estudar. Mas era pastor e para tal destinado ao mundo por meus pais. Assim, não podia sossegar e chorava pelo anseio de escola”.Aprendeu as primeiras letras numa escola modesta próxima à sua casa. Seu mestre, um fervoroso cristão, após iniciar em Pedro o gosto pelas letras, notou a grande inteligência do menino. Passada a formação inicial, o mestre reuniu dinheiro para uma bolsa de estudos para o garoto. Assim, Pedro Fabro pôde ir a Paris continuar os estudos.Ficou dez anos em Paris e, no ambiente universitário, conheceu seus futuros companheiros de missão: Francisco Xavier e, depois, Inácio de Loyola: “Neste ano [de 1529] veio Inácio para entrar no mesmo colégio de Santa Bárbara e em nosso mesmo cubículo (…). Bendita seja para sempre a divina Providência que ordenou tudo isso para o meu bem e minha salvação.”.Pedro fez logo amizade com Inácio, que tocou seu coração e foi o grande responsável pela sua conversão. É o próprio Pedro quem revela os pormenores desse encontro: “No princípio eu o ensinava, ou, pelo menos tinha a intenção, mas havia sempre uma particularidade: nossas aulas de repetição terminavam com conversas espirituais, onde meu coração ardia como os dos discípulos de Emaús (Lc 23,13-35). E quando descobri que Inácio era um mestre de espírito, comecei a abrir-lhe minha consciência escrupulosa.”.Depois de um intenso período de reflexão e oração, Inácio propôs a Fabro seus Exercícios Espirituais e Pedro tornou-se, após a experiência, o primeiro companheiro do futuro santo fundador da ordem dos jesuítas.Em 1534, Pedro Fabro foi ordenado sacerdote, o primeiro dentre os sete companheiros iniciais da Ordem. Sua missão foi a de propagar a Fé através de um intenso serviço apostólico itinerante: Itália, Alemanha, Espanha, novamente Alemanha, Bélgica, Portugal…Inicialmente em Parma, Pedro Fabro alojou-se no hospital, recusando hospedagem no palácio do cardeal. Dessa forma, vivia de esmolas. Pedro se colocava a disposição de todos, dia e noite, para ensinar e confessar. Dirigiu os Exercícios aos sacerdotes e promoveu uma grande mudança na vida religiosa em Parma. Diziam que “era como se todo domingo fosse domingo de Páscoa”, tamanha renovação religiosa. No entanto, foi chamado a Roma para nova destinação.Em Roma, recebeu a missão de integrar a comissão do Dr. Pedro Ortiz, importante eclesiástico, conselheiro de Carlos V. Ortiz foi quem, em 1529, denunciou Inácio de Loyola à Inquisição por suspeita de heresia. No entanto, após fazer os Exercícios Espirituais sob a direção de Loyola em 1538, mudou completamente de opinião sobre a Companhia, tornando-se grande entusiasta e benfeitor da Ordem.Partiram para a Alemanha em 1540. Ali, Pedro notou que as pessoas se rebelavam contra a Igreja romana não por discordarem das Escrituras, mas pela má conduta dos eclesiásticos. Diante disso, passou a dirigir os Exercícios a teólogos, prelados e a toda a corte.Em julho de 1541, a comitiva de Ortiz partiu para a Espanha. Fabro teve uma estada curta em território espanhol, pois logo foi mandado de volta às terras germânicas, onde o avanço do protestantismo era grande. Fabro era considerado indispensável na defesa da Fé Católica diante deste cenário.Obedecendo às ordens dos superiores, Fabro retornou à Alemanha e retomou seu apostolado, principalmente junto ao clero local. O trabalho era enorme, mas, mesmo com pouco pessoal, precisava atender aos chamados dos superiores. O então Superior Geral da Companhia de Jesus recebeu um pedido de D. João III, grande benfeitor da Ordem dos jesuítas, por pessoal qualificado em sua corte. Loyola decidiu enviar Fabro. Depois de um ano em Portugal, Fabro partiu para o trabalho apostólico na Espanha.Durante sua atividade como jesuíta, Pedro Fabro percorreu toda a Europa ocidental à pé ou em lombo de mula. Foram anos de grande entrega e árduo trabalho. Já com a saúde debilitada, Fabro recebeu nova ordem: a de regressar a Roma para assistir, como teólogo, ao Concílio de Trento ao lado dos companheiros Lainez e Salmerón. Apesar da dificuldade da viagem, Fabro conseguiu chegar a Roma no dia 17 de julho de 1546.As dificuldades e as expectativas com essa viagem, que viria a ser a última de Pedro Fabro, foram descritas por ele mesmo em uma carta datada de 31 de julho, destinada ao seu amigo e companheiro de missão nas terras ibéricas, António Araoz. É por meio desta carta que percebemos que, apesar de prostrado pela febre, Fabro acreditava que logo se recuperaria: “Há uns dias, Antônio, escrevi a Mestre Lainez, Mestre Salmerón e Mestre Jayo, que já estão no Concílio, que me juntaria a eles dentro de mais uns dias, quando me recupere. Pois, como em outras ocasiões, já passará… Estou certo que estas febres passarão…”.No entanto, as febres não passaram. No mesmo dia 31, Fabro pediu um confessor. Morreu no dia seguinte, prostrado pela febre e, em seu leito, encontraram a referida carta. Tinha exatos 40 anos.De caráter amável e suave, Fabro foi responsável por um grande número de vocações nestes anos iniciais da Companhia de Jesus. Sua palavra era persuasiva e tinha grande poder de conversão. Quando interpelado por um jovem jesuíta sobre como conseguia converter tantas pessoas, mesmo os mais céticos, ele respondeu: “Quando vós encontrares pessoas, mesmo soldados, estejais persuadido de que eles são melhores do que vós. Então, vós os conquistareis para Cristo”.Mesmo diante do protestantismo crescente, Fabro propunha um diálogo amistoso e conciliador: “Creio que, daqui para frente, as relações com os luteranos devam fazer-se numa conversação fresca e serena e que comecemos a buscar as coisas em que coincidimos, de modo a ganhar-lhes bom ânimo de reformar suas vidas e ser seguidores de Nosso Senhor,com mais ardor apostólico e zelo das almas”.Pedro Fabro foi beatificado pelo Papa Pio IX em 1872 e canonizado pelo Papa Francisco em 2013. Ao canonizar São Pedro Fabro, o Papa Francisco ressaltou o caráter piedoso, simples e bondoso do santo jesuíta e seu “atento discernimento interior”.“Fabro era um «homem modesto, sensível, de profunda vida interior e dotado do dom de estabelecer relações de amizade com pessoas de todas as categorias» (Bento XVI, Discurso aos jesuítas, 22 de Abril de 2006). Contudo, era também um espírito inquieto, hesitante, nunca satisfeito. Sob a guia de Santo Inácio, aprendeu a unir a sua sensibilidade irrequieta mas também dócil, diria requintada, com a capacidade de tomar decisões. Era um homem de grandes desejos: assumiu os seus desejos, reconheceu-os. Aliás, para Fabro, é precisamente quando se apresentam situações difíceis que se manifesta o verdadeiro espírito que move a ação (cf. Memorial, 301). Uma fé autêntica exige sempre um desejo profundo de mudar o mundo. Eis a pergunta que nos devemos fazer: temos também nós grandes visões e estímulos? Somos também nós audazes? O nosso sonho voa alto? O zelo devora-nos (cf. Sl 69, 10)? Ou somos medíocres e satisfazemo-nos com as nossas programações apostólicas de laboratório? Recordemo-nos sempre disto: a força da Igreja não habita em si mesma nem na sua capacidade organizativa, mas esconde-se nas águas profundas de Deus. E estas águas agitam os nossos desejos e os desejos alargam o coração. É o que diz Santo Agostinho: rezar para desejar e desejar para alargar o coração. Precisamente nos desejos Fabro podia discernir a voz de Deus. Sem desejos nada se conclui e é por isto que se devem oferecer ao Senhor os próprios desejos. Nas Constituições diz-se que «se ajuda o próximo com os desejos apresentados a Deus nosso Senhor» (Constituições, 638).Fabro sentia o desejo verdadeiro e profundo de «ser dilatado por Deus»: estava completamente centrado em Deus, e por isto podia ir, em espírito de obediência, muitas vezes também a pé, por todas as partes da Europa, para dialogar com todos com doçura e anunciar o Evangelho. Mas pode-se pensar na tentação, que talvez nós possamos ter e que tantos sentem, de relacionar o anúncio do Evangelho com golpes inquisitórios, de condenação. Não, o Evangelho anuncia-se com doçura, com fraternidade, com amor. A sua familiaridade com Deus levava-o a compreender que a experiência interior e a vida apostólica caminham sempre juntas. Escreve no seu Memorial que o primeiro movimento do coração deve ser o de «desejar o que é essencial e originário, ou seja, que o primeiro lugar seja deixado à solicitude perfeita de encontrar Deus nosso Senhor» (Memorial, 63). Fabro sente o desejo de «deixar que Cristo ocupe o centro do coração» (Memorial, 68). Só estando centrados em Deus é possível orientar-se rumo às periferias do mundo! E Fabro viajou ininterruptamente também nas fronteiras geográficas a ponto que dele se dizia: «parece que nasceu para não se deter em parte alguma» (MI, Epistolae I, 362). Fabro sentia-se arder pelo desejo intenso de comunicar o Senhor. Se nós não tivermos o seu mesmo desejo, então precisamos de nos deter em oração e, com fervor silencioso, pedir ao Senhor, por intercessão do nosso irmão Pedro, que nos fascine de novo: aquele fascínio do Senhor que levava Pedro a todas estas «loucuras» apostólicas.[…] Como escrevia São Pedro Fabro, «nunca procuremos nesta vida um nome que não se reate ao de Jesus» (Memorial, 205). E peçamos a Nossa Senhora para podermos estar com o seu Filho.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 2 DE AGOSTO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 5, 1-2.5
Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
V. Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
R. E para sempre proclamarei a sua fidelidade.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 26
O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.
V. A Vós, Senhor, se eleva a minha súplica:
R. Dai-me inteligência segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 21-22
Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus. Foi Ele que nos concedeu a unção, nos marcou com um sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.
V. O Senhor é minha luz e salvação,
R. O Senhor é o protector da minha vida.
Oração
Mostrai, Senhor, a vossa imensa bondade aos filhos que Vos imploram e dignai‑Vos renovar e conservar os dons da vossa graça naqueles que se gloriam de Vos ter por seu criador e sua providência. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Tes 2, 13-14
Devemos continuamente dar graças a Deus por vós, irmãos amados por Deus, porque Deus vos escolheu como primícias para serdes salvos pelo Espírito que santifica e pela fé na verdade. Foi para isso que Ele vos chamou por meio do Evangelho, para possuirdes a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria.
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
