“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 8 DE AGOSTO DE 2026
8 de agosto de 2026Domingo XIX do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Da Profecia de Oseias 11, 1-11
A misericórdia de Deus é infinita
Eis o que diz o Senhor:
«Quando Israel era ainda criança, já Eu o amava;
e para o fazer sair do Egipto chamei o meu filho.
Mas quanto mais os chamava,
mais se afastavam de Mim.
Ofereciam sacrifícios a Baal e queimavam incenso aos ídolos.
Contudo, Eu ensinava Efraim a andar
e trazia‑o nos meus braços;
mas não compreenderam que era Eu quem cuidava deles.
Atraía‑os com laços humanos, com vínculos de amor.
Tratava‑os como quem pega um menino ao colo,
inclinava‑Me para lhes dar de comer.
Efraim voltará à terra do Egipto,
Assur será o seu rei,
porque não quiseram voltar para Mim.
A espada cairá sobre as suas cidades,
destruirá as suas defesas, demolirá as suas fortalezas.
O meu povo está preso à sua apostasia:
chamam‑nos para o alto, mas ninguém se levanta.
Como poderei abandonar‑te, Efraim?
Como poderei entregar‑te, Israel?
Poderia tratar‑te como a Admá,
tornar‑te semelhante a Seboim?
O meu coração agita‑se dentro de Mim,
estremece de compaixão.
Não cederei ao ardor da minha ira,
nem voltarei a destruir Efraim.
Porque Eu sou Deus e não homem,
sou o Santo no meio de ti e não um ladrão à porta.
Eles voltarão para o Senhor,
que rugirá como um leão;
e quando começar a rugir,
os seus filhos acorrerão do Ocidente.
Como avezinhas regressarão do Egipto,
como pombas voltarão da Assíria.
Eu os farei habitar nas suas casas
– oráculo do Senhor».
RESPONSÓRIO Os 11, 8c.9a.b; Jer 31, 3b
R. O meu coração agita‑se dentro de Mim, estremece de compaixão: * Não cederei ao ardor da minha ira, porque sou Deus e não homem.
V. Amei‑te com amor eterno, por isso tive compaixão de ti. * Não cederei ao ardor da minha ira, porque sou Deus e não homem.
SEGUNDA LEITURA
Do Diálogo de Santa Catarina de Sena, virgem, sobre a divina providência
(4, 13: ed. latina, Ingolstadt 1583, ff. 19v-20) (Sec. XIV)
Os vínculos da caridade
Volvei benignamente, Senhor, o vosso olhar de misericórdia sobre este povo e sobre o corpo místico da Santa Igreja; porque será muito maior a glória do vosso santo nome se Vos compadeceis da imensa multidão das vossas criaturas, do que se Vos compadeceis só de mim, miserável pecadora, que tanto ofendi a vossa majestade. Que consolação poderia eu ter na vida, vendo o vosso povo na morte? Que consolação poderia ter, se, pelos meus pecados e os das outras criaturas, visse envolta nas trevas a Igreja, vossa amada Esposa?
Peço‑Vos instantemente esta graça singular da vossa misericórdia, por aquele amor incriado que Vos moveu a criar o homem à vossa imagem e semelhança. Qual foi a razão de terdes elevado o homem a tão alta dignidade? Foi certamente o incomparável amor com que Vos contemplastes a Vós mesmo na vossa criatura e Vos enamorastes dela. Mas reconheço claramente que pela culpa do seu pecado perdeu merecidamente a dignidade a que a tínheis elevado.
Movido pelo mesmo amor, quisestes oferecer gratuitamente ao género humano a reconciliação convosco; e por isso nos destes o Verbo, o vosso Filho Unigénito, para que Ele fosse o advogado e medianeiro entre Vós e os homens. Ele foi a nossa justiça, levando sobre Si e castigando em Si todas as nossas injustiças e iniquidades, pela obediência que Vós, eterno Pai, Lhe impusestes, ao decretar que Ele assumisse a nossa humanidade. Oh incomparável abismo de caridade! Haverá coração tão duro que fique insensível e não se comova, ao ver como a sublimidade divina desceu à profunda baixeza da nossa condição humana?
Nós somos vossa imagem e Vós imagem nossa, pela união que realizastes no homem, escondendo a eterna divindade sob a nuvem miserável da humanidade corrompida de Adão. E porquê? O único motivo é o vosso inefável amor. Por este amor incomparável, com todas as forças da minha alma Vos peço que olheis misericordiosamente para estas vossas miseráveis criaturas.
RESPONSÓRIO Salmo 100 (101), 1-2
R. Quero cantar a bondade e a justiça; a Vós, Senhor, entoarei salmos. * Quero seguir o caminho perfeito: quando vireis ao meu encontro?
V. Viverei na inocência do coração, no interior da minha casa. * Quero seguir o caminho perfeito: quando vireis ao meu encontro?
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
Oração
Deus eterno e onipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações, para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Ez 37, 12b-14
Assim fala o Senhor Deus: Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra, e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço – palavra do Senhor.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xix-do-tempo-comum-ano-a/>]
Domingo XIX do Tempo Comum (Ano A)
Entre o vento e a brisa encontro a tua mão
Tem no rosto as marcas visíveis do tempo, da terra, do sol, do vento e do mar. Antes do amanhecer, lança o seu pequeno barco para enfrentar a imensidão do ruidoso mar, um mar sem fundo, um mar sem fim”. A faina é dura e, não raras vezes, o oceano mostrava-se revoltado e ameaçador.
Apesar de tudo, regressa sempre às águas porque ali está metade da sua alma. No movimento das águas aprende a coragem de regressar uma e outra vez. Na espuma das ondas encontra o refúgio e o propósito. A cada rede puxada, ele sabe que mesmo quando o seu corpo cede, a coragem da sua rotina permanece.
LEITURA I 1Rs 19, 9a.11-13a
Naqueles dias,
o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb,
e passou a noite numa gruta.
O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo:
«Sai e permanece no monte à espera do Senhor».
Então, o Senhor passou.
Diante d’Ele, uma forte rajada de vento
fendia as montanhas e quebrava os rochedos;
mas o Senhor não estava no vento.
Depois do vento, sentiu-se um terramoto;
mas o Senhor não estava no terramoto.
Depois do terramoto, acendeu-se um fogo;
mas o Senhor não estava no fogo.
Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa.
Quando a ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto,
saiu e ficou à entrada da gruta.
Elias encontra-se com Deus no monte Horeb. Depois de experimentar a força do vento, o terramoto e o fogo, o profeta aprende que o Senhor não se impõe pela força esmagadora, mas comunica-Se no silêncio que convida à escuta profunda e à intimidade.
Salmo 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)
Para o povo que regressa da desolação do exílio, este Salmo proclama o restabelecimento de uma harmonia entre o Céu e a terra. O salmista apresenta o encontro entre a Misericórdia e a Fidelidade, transformando a Justiça Divina num beijo de paz que fecunda a história humana, fazendo germinar da nossa própria fragilidade os ingredientes necessários para que a Glória de Deus habite definitivamente na nossa terra.
LEITURA II Rm 9, 1-5
Irmãos:
Em Cristo digo a verdade, não minto,
e disso me dá testemunho a consciência no Espírito Santo:
Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração.
Quisera eu próprio ser anátema, separado de Cristo,
para bem dos meus irmãos,
que são do mesmo sangue que eu,
que são israelitas,
a quem pertencem a adoção filial, a glória, as alianças,
a legislação, o culto e as promessas,
a quem pertencem os Patriarcas
e de quem procede Cristo segundo a carne,
Ele que está acima de todas as coisas,
Deus bendito por todos os séculos. Amen.
Paulo revela-se magoado ao perceber que a maioria de Israel recusa aceitar o Messias. O apóstolo enumera os privilégios históricos do Povo Eleito: a filiação, a aliança e a própria linhagem de Cristo, para salientar que o povo da promessa ignora o seu cumprimento. É este o mistério da liberdade humana e da fidelidade de Deus. A dor do apóstolo é tão grande que ele se oferece em sacrifício pela salvação do seu povo incrédulo.
EVANGELHO Mt 14, 22-33
Depois de ter saciado a fome à multidão,
Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco
e a esperá-l’O na outra margem,
enquanto Ele despedia a multidão.
Logo que a despediu,
subiu a um monte, para orar a sós.
Ao cair da tarde, estava ali sozinho.
O barco ia já no meio do mar,
açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
Na quarta vigília da noite,
Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar,
assustaram-se, pensando que fosse um fantasma.
E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo:
«Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor,
manda-me ir ter contigo sobre as águas».
«Vem!» – disse Jesus.
Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas,
para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se,
gritou: «Salva-me, Senhor!».
Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o.
Depois disse-lhe:
«Homem de pouca fé, porque duvidaste?».
Logo que subiram para o barco, o vento amainou.
Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus,
e disseram-Lhe:
«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
O evangelho coloca-nos entre a confiança de Jesus no silêncio da oração e a agitação da barca de Pedro, açoitada pelo vento e pelas ondas. Ao chegar caminhando sobre as águas, Jesus revela aos discípulos que ele é mais forte que todas as forças adversas que eles venham a enfrentar. A audácia de Pedro seguida da vacilação é um aviso para todos os cristãos, que confiam mais em si mesmos do que em Jesus.
Reflexão da Palavra
No capítulo 19 do Primeiro Livro dos Reis, inicia-se o ciclo de Elias. A preocupação deste livro não é a mera narração histórica, mas, sobretudo, a reflexão sobre a fidelidade à Aliança. Elias vive um tempo difícil, em que o culto a Baal afastou os israelitas de Iahvé. O profeta luta com todas as forças contra a idolatria: desafia os profetas de Baal e vence-os. Perante esta derrota, a rainha Jezabel, seguidora de Baal, lança uma perseguição implacável contra ele. Na fuga, o profeta, exausto, sente que é preferível morrer a continuar a fugir como um animal escorraçado. Contudo, Deus orienta os seus passos para o monte Horeb, num regresso às origens da fé de Israel e, ali, ele vive a experiência profunda da Presença Divina.
O povo libertado por Moisés do Egito fez o caminho do Horeb à Terra Prometida. Elias faz o caminho inverso e entra na gruta onde Moisés se tinha refugiado para contemplar a Glória de Deus (Ex 33, 22). A preocupação pela fidelidade à Aliança e ao cumprimento da Lei faz de Elias um novo Moisés.
O texto da primeira leitura enumera diversas situações em que Deus não está presente, para revelar um modo novo e mais eficaz da Sua manifestação. O vento forte, o terramoto e o fogo, sinais com que Deus se manifestara no tempo de Moisés, já não são os meios adequados para os tempos novos. Deus já não se serve da força da natureza para se impor ao homem; em vez disso, Elias faz uma nova experiência de Deus através de uma brisa suave, um sopro de silêncio, um murmúrio: uma presença de qualidade. É na interioridade, no coração, que o Senhor se manifesta, num silêncio que fala apenas àquele que sabe escutar.
Apesar de ser algo estranho para quem usou da força para vencer os profetas de Baal, Elias reconhece o Senhor que passa por ele e cobre o rosto, pois ninguém pode ver a Deus e continuar vivo (Ex 33, 20). Perante esta presença, revitaliza-se o ânimo do profeta: ele já não deseja a morte, mas está pronto para continuar a sua missão, levando agora consigo o Espírito do Senhor.
versículo 9 do Salmo 84, que lemos neste domingo, começa com palavras que manifestam uma atitude semelhante à do profeta Elias no Horeb: «Prestarei atenção ao que diz o Senhor Deus». O salmista afirma que o Senhor fala de paz, uma paz que tem origem em Deus, brota da Sua presença no mundo e não meramente das ações humanas. É uma paz que se adquire no silêncio e na escuta, acontecendo no íntimo dos corações. Esta paz será total quando Deus montar a Sua tenda entre nós (Jo 1, 14).
Quando se encontrarem a Misericórdia de Deus e a Fidelidade do homem, como amigas de longa data, então também a Justiça e a Paz, como dois apaixonados, se beijarão. Nesse momento, haverá felicidade, abundância e harmonia plena.
Depois de ter afirmado que o amor de Deus por nós é inabalável, ao ponto de nada nem ninguém nos poder separar do Amor de Cristo, Paulo expressa a sua perplexidade perante a atitude do povo de Israel em relação a Jesus. Por que razão Israel, o povo da promessa, não acredita que Jesus é o Messias?
Deus concedeu-lhes todos os privilégios: tratou Israel como filho, estabeleceu com ele, por diversas vezes, uma Aliança, deu-lhe uma Lei, uma liturgia e uma promessa messiânica; constituiu-o como povo desde Moisés e fez nascer do seu seio o próprio Messias. Para Paulo, a única explicação para a recusa de Israel reside na liberdade humana. O problema não está na Palavra de Deus que lhes foi anunciada, mas no modo como cada um usa a sua liberdade.
Esta atitude de Israel causa em Paulo uma tristeza tão profunda que ele chega a afirmar que preferiria ser ele próprio a separar-se de Cristo, desde que, com isso, os seus irmãos se encontrassem com Ele na fé. Já Moisés fizera o mesmo em prece pelo povo (Ex 32, 32). A terminar, Paulo proclama a divindade de Jesus numa doxologia final: «Cristo… Deus bendito por todos os séculos. Ámen».
Depois da multiplicação dos pães, o ambiente era favorável a manifestações políticas em favor de Jesus. Talvez por isso, Mateus afirma que Jesus «obrigou» os discípulos a seguir para a outra margem, afastando-os da possível confusão, e despediu a multidão.
A partir desta primeira referência, o texto enche-se de simbolismo. Jesus sustenta com a Sua oração, no silêncio e na quietude da noite, a barca de Pedro, onde os discípulos lutam contra o vento e contra o mar.
Na mesma hora em que os filhos de Israel saíram do Egito e Jesus saiu do túmulo, na quarta vigília da noite, Ele vai ter com eles caminhando sobre as águas. As águas representam as forças do mal que só Deus pode dominar; Jesus caminha sobre elas porque Ele é Deus, e não um fantasma, como os discípulos começam por acreditar.
Para que O reconheçam, Jesus diz: «Sou Eu», usando a expressão revelada por Deus a Moisés: «Eu Sou». Com esta afirmação, eles perdem o medo e recuperam a confiança. A cena de Pedro revela o desejo de seguir Jesus. Se este desejo for transformado em busca de poder pessoal, torna-se incapaz de resistir aos ventos; Pedro afunda-se e, com ele, a barca. Só Jesus o pode salvar, por isso a Igreja não cessa de clamar com Pedro: «Salva-me, Senhor!».
Meditação da Palavra
A Palavra de Deus deste domingo coloca-nos diante das nossas tempestades: o mundo com as suas convulsões, os conflitos geopolíticos e militares, a economia selvagem, a instabilidade social, a crise da verdade e os problemas climáticos, acrescidos da sensação de que as instituições internacionais (como a ONU) perderam a capacidade de mediação, deixando o mundo num estado de «cada um por si». Somam-se a estes os conflitos pessoais, como a ansiedade provocada pelo medo do futuro: o receio de, mesmo trabalhando muito, perder a autonomia financeira; o medo do desemprego por inutilidade perante a novidade da Inteligência Artificial; a débil saúde mental e o isolamento; a perda da privacidade e a incerteza face à verdade; e, finalmente, o medo da guerra e a incapacidade de controlar tudo.
Elias experimenta a exaustão perante a perseguição movida pela rainha Jezabel; Paulo experimenta a tristeza perante a recusa dos judeus em relação ao Evangelho; os doze discípulos lutam contra o vento e o mar enfurecidos. No meio destas tempestades, os atores bíblicos mostram-se tão humanos quanto nós, fazendo-nos perceber a nossa pequenez diante dos grandes desafios da vida. Mas a Palavra de Deus revela algo mais importante do que as dificuldades humanas: mostra a presença do Senhor e a força daqueles que se deixam conduzir pela fé.
Efetivamente, no Evangelho, Jesus, ao fazer-Se presente, põe termo ao medo dos apóstolos e salva Pedro de se afundar nas suas falsas seguranças, convidando-o a confiar na mão protetora do Mestre. Na primeira leitura, Elias ensina-nos onde Deus não está e convence-nos de que a Sua ação é eficaz, mas silenciosa e interior, pois, como diz o Salmo, Ele fala ao coração. E a segunda leitura dá-nos a consciência de que mesmo os homens de fé não estão isentos de sofrimento.
A compreensão dos textos bíblicos deste domingo desperta em nós a consciência de que as tempestades fazem parte da vida; que andar à deriva é, por vezes, uma consequência de estarmos no mundo empenhados na sua construção e transformação; e que, é normal experimentarmos a angústia de sentir que Deus está ausente. Por outro lado, a Palavra ensina-nos que é necessário aprender a discernir a presença de Deus na realidade concreta, e não fabricar a ilusão de uma presença à medida dos nossos desejos. A Sua manifestação mais eficaz é suave e discreta, quase impercetível, mas real; inaudível, mas transformadora; invisível, mas reconfortante.
Também compreendemos que, mesmo quem vive a fé com audácia e determinação, como Pedro, experimenta-se frágil nas situações de maior provação. Se nos focamos demasiado nas dificuldades, se a nossa preocupação se concentra nos ventos contrários e na força das vagas, acabaremos por sucumbir, por não percebermos onde reside a nossa verdadeira segurança. Fixar o olhar em Jesus, que é mais forte que todos os ventos e sabe caminhar sobre as ondas mais ameaçadoras, é o segredo para manter viva a esperança.
As grandes dificuldades da vida são a oportunidade para firmar a confiança na mão protetora e solícita de Jesus. A oração de súplica, como ensina Pedro ao gritar «Salva-me, Senhor!», é sempre escutada, mesmo que a nossa fé seja pouca. Nas vidas de Elias, Paulo e Pedro, e na vida da Igreja, qual barca de Pedro, aprendemos que não há vidas sem tempestades, mas que a presença de Deus faz toda a diferença no momento de as enfrentar. A fé, ainda que frágil, é suficiente para manter n’Ele o olhar e levantar a voz em súplica Àquele que nos pode salvar quando as forças nos faltam.
Rezar a Palavra
Senhor, guia-me sobre as águas agitadas e firma a minha mão perante os ventos da dúvida. Que a Tua presença no meu coração sustente a minha esperança. Que o sopro suave do Teu espírito me proteja da dureza do mundo, mantendo-me firme na fé de que é possível contruir um mundo de paz e justiça.
Compromisso semanal
Enfrento o desafio da fé como Pedro, segurando na mão de Jesus.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Santa Edith SteinSanta Edith Stein (Tereza Benedita da Cruz)O Papa Bento XVI pergunta “Onde se funda o martírio?”. A resposta é simples: “Sobre a morte de Jesus, sobre seu sacrifício supremo de amor, consumado na Cruz para que pudéssemos ter a vida”. E explicou: “Cristo é o servo sofredor de quem fala o profeta Isaías, que doou a si mesmo em resgate de muitos. Ele exorta os seus discípulos, cada um de nós, a tomar cada dia a própria cruz e segui-lo no caminho do amor total a Deus Pai e à humanidade: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem buscar a sua vida a perderá, e quem perder a sua vida por causa de mim a encontrará (MT 10, 38-39)”. E afirmou: “O mártir segue o Senhor até o fim, aceitando livremente morrer pela salvação do mundo, em uma prova suprema de fé e de amor (cf. Lúmen Gentium, 42)”.E novamente o Papa fez uma pergunta, acompanhada de uma resposta: “Mas de onde nasce a força para enfrentar o martírio? Da profunda e íntima união com Cristo, porque o martírio e a vocação ao martírio não são o resultado de um esforço humano, mas a resposta a uma iniciativa e a um chamado de Deus, são um dom da Sua graça, que torna capazes de oferecer a própria vida por amor a Cristo e à Igreja e, assim, ao mundo. Se lemos a vida dos mártires, ficamos surpreendidos com a serenidade e coragem no enfrentamento da morte: o poder de Deus manifesta-se plenamente na fraqueza, na pobreza de quem se confia a Ele e só n’Ele deposita a sua esperança (cf. 2 Cor 12, 9). E definiu: “Em uma palavra, o martírio é um grande ato de amor em resposta ao amor de Deus”.A vida de Edith Stein, padroeira da Europa, foi esse grande ato de amor. Ela nasceu na cidade de Breslau, Alemanha, no dia 12 de outubro de 1891, em uma próspera família de judeus. Aos dois anos, ficou órfã do pai. A mãe e os irmãos mantiveram a situação financeira estável e a educaram dentro da religião judaica.Desde menina, Edith era brilhante nos estudos e mostrou forte determinação, caráter inabalável e muita obstinação. Na adolescência, viveu uma crise: abandonou a escola, as práticas religiosas e a crença consciente em Deus. Depois, terminou os estudos com graduação máxima, recebendo o título de doutora em fenomenologia, em 1916. A Alemanha só concedeu esse título a doze mulheres na última metade do século XX.Em 1921, ela leu a autobiografia de santa Teresa d’Ávila. Tocada pela luz da fé, converteu-se e foi batizada em 1922. Mas a mãe e os irmãos nunca compreenderam ou aceitaram sua adesão ao catolicismo. A exceção foi sua irmã Rosa, que se converteu e foi batizada no seio da Igreja, após a morte da mãe, em 1936.Edith Stein começou a servir a Deus com seus talentos acadêmicos. Lecionou numa escola dominicana, foi conferencista em instituições católicas e finalizou como catedrática numa universidade alemã. Em 1933, chegavam ao poder: Hitler e o partido nazista. Todos os professores não-arianos foram demitidos. Por recusar-se a sair do país, os superiores da Ordem do Carmelo a aceitaram como noviça. Em 1934, tomou o hábito das carmelitas e o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz. A sua família não compareceu à cerimônia.Quatro anos depois, realizou sua profissão solene e perpétua, recebendo o definitivo hábito marrom das carmelitas. A perseguição nazista aos judeus alemães intensificou-se e Edith foi transferida para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano depois, sua irmã Rosa foi juntar-se a ela nesse Carmelo holandês, pois desejava seguir a vida religiosa. Foi aceita no convento, mas permaneceu como irmã leiga carmelita, não podendo professar os votos religiosos. O momento era desfavorável aos judeus, mesmo para os convertidos cristãos.A Segunda Guerra Mundial começou e a expansão nazista alastrou-se pela Europa e pelo mundo. A Holanda foi invadida e anexada ao Reich Alemão em 1941. A família de Edith Stein dispersou-se, alguns emigraram e outros desapareceram nos campos de concentração. Os superiores do Carmelo de Echt tentaram transferir Edith e Rosa para um outro, na Suíça, mas as autoridades civis de lá não facilitaram e a burocracia arrastou-se indefinidamente.Em julho de 1942, publicamente, os bispos holandeses emitiram sua posição formal contra os nazistas e em favor dos judeus. Hitler considerou uma agressão da Igreja Católica local e revidou. Em agosto, dois oficiais nazistas levaram Edith e sua irmã do Carmelo de Echt. No mesmo dia, outros duzentos e quarenta e dois judeus católicos foram deportados para os campos de concentração, como represália do regime nazista à mensagem dos bispos holandeses. As duas irmãs foram levadas em um comboio de carga, junto com outras centenas de judeus e dezenas de convertidos, ao norte da Holanda, para o campo de Westerbork. Lá, Edith Stein, ou a “freira alemã”, como a identificaram os sobreviventes, diferenciou-se muito dos outros prisioneiros que se entregaram ao desespero, lamentações ou prostração total. Ela procurava consolar os mais aflitos, levantar o ânimo dos abatidos e cuidar, do melhor modo possível, das crianças. Assim ela viveu alguns dias, suportando com doçura, paciência e conformidade a vontade de Deus, seu intenso sofrimento, e dos demais.No dia 7 de agosto de 1942, Edith Stein, Rosa e centenas de homens, mulheres e crianças foram de trem para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Dois dias depois, em 9 de agosto, foram mortas na câmara de gás e tiveram seus corpos queimados.A irmã carmelita Teresa Benedita da Cruz foi canonizada em Roma, em 1998, pelo papa João Paulo II, que indicou sua festa para o dia de sua morte. A solenidade contou com a presença de personalidades ilustres, civis e religiosas, da Alemanha e da Holanda, além de alguns sobreviventes dos campos de concentração que a conheceram e de vários membros da família Stein. No ano seguinte, o mesmo sumo pontífice declarou santa Edith Stein, “co-Padroeira da Europa”, junto com Santa Brígida e Santa Catarina de Sena.A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Nateu e Rústico.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 9 DE AGOSTO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 15-16
Vós não recebestes um espírito de escravidão, para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
V. Em Vós, Senhor, está a fonte da vida:
R. Na vossa luz veremos a luz.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 22-23
Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não somente ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
V. Bendiz, minha alma, o Senhor:
R. Ele salva da morte a tua vida.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Tim 1, 9
Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça, essa graça que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade.
V. O Senhor conduziu-os seguros e sem temor
R. E introduziu-os na sua terra santa.
Oração
Deus eterno e omnipotente, a quem podemos chamar nosso Pai, fazei crescer o espírito filial em nossos corações, para merecermos entrar um dia na posse da herança prometida. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Pedro 1, 3-5
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na sua grande misericórdia nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe nem se mancha nem desaparece, reservada nos Céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
