“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 22 DE AGOSTO DE 2026
22 de agosto de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 24 DE AGOSTO DE 2026
24 de agosto de 2026Domingo XXI do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início da Profecia de Sofonias 1, 1-7, 14 – 2, 3
O Juízo de Deus
Palavra do Senhor dirigida a Sofonias, filho de Cusi, filho de Godolias, filho de Amarias, filho de Ezequias, no tempo de Josias, filho de Amon, rei de Judá:
«Farei desaparecer tudo da face da terra
oráculo do Senhor –.
Destruirei homens e animais, destruirei aves do céu e peixes do mar, farei cair os ímpios.
Exterminarei o homem da face da terra
oráculo do Senhor.
Estenderei a mão contra Judá
e contra os habitantes de Jerusalém;
exterminarei desse lugar os restos de baal
e o nome dos seus servidores,
os que se prostram nos terraços diante do exército do céu,
os que se prostram diante do Senhor
e depois juram por Milcom,
os que se afastam do Senhor,
não O procuram nem recorrem a Ele.
Silêncio diante do Senhor Deus,
pois o dia do Senhor está próximo.
O Senhor preparou um sacrifício
e consagrou os seus convidados.
Está próximo o grande dia do Senhor,
está próximo e avança com rapidez.
Oh clamor terrível do dia do Senhor!
Até o corajoso soltará gritos amargos.
Será um dia de ira aquele dia,
dia de aflição e de angústia,
dia de ruína e devastação,
dia de trevas e escuridão,
dia de nuvens e sombras densas,
dia de trombeta e gritos de guerra
contra as cidades fortificadas e contra os altos torreões.
Causarei terror aos homens
e eles andarão como cegos,
porque pecaram contra o Senhor:
o seu sangue será espalhado como pó
e os seus cadáveres como esterco.
Nem a prata nem o ouro
poderão salvá-los no dia da ira do Senhor.
Toda a terra será consumada no fogo da sua indignação,
que depressa causará a ruína de todos os habitantes da terra.
Vinde todos, juntai-vos, povo sem pudor,
antes de serdes atirados para longe
como palha moída que desaparece num dia,
antes de cair sobre vós o furor da ira do Senhor,
antes de que venha sobre vós o dia da sua ira.
Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra,
que obedeceis aos seus mandamentos.
Procurai a justiça, procurai a humildade;
talvez encontreis protecção no dia da ira do Senhor».
RESPONSÓRIO Sof 2, 3; Lc 6, 20b
R. Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra, que obedeceis aos seus mandamentos. * Procurai a justiça, procurai a humildade.
V. Felizes de vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. * Procurai a justiça, procurai a humildade.
SEGUNDA LEITURA
Da Constituição pastoral Gaudium et spes do Concílio do Vaticano II sobre a Igreja no mundo contemporâneo (n. 39) (Sec. XX)
A prefiguração do novo mundo
Ignoramos o tempo da nova terra e da nova humanidade, e também não sabemos o modo como se transformará o universo. Passará a figura deste mundo, deformada pelo pecado, mas sabemos que Deus prepara uma nova morada e uma nova terra, onde reinará a justiça, e cuja felicidade satisfará e ultrapassará todos os desejos de paz que se levantam no coração dos homens. Então, vencida a morte, os filhos de Deus ressuscitarão em Cristo, e o que foi semeado na fraqueza e corrupção revestir-se-á de incorruptibilidade; permanecendo a caridade com as suas obras, todas as criaturas que Deus criou para o homem serão libertadas da escravidão do mal.
Sabemos, sem dúvida, que nada aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se se perde a si mesmo. Todavia, a expectativa de uma nova terra não deve enfraquecer, mas antes aumentar a preocupação de aperfeiçoar esta terra, onde cresce o corpo da nova família humana, que já nos apresenta uma certa prefiguração do mundo novo. Por isso, embora se deva distinguir cuidadosamente o progresso terreno e o crescimento do reino de Cristo, contudo este progresso tem muita importância para o reino de Deus, na medida em que pode contribuir para uma melhor organização da sociedade humana.
Os valores da dignidade humana, da comunhão fraterna e da liberdade, isto é, todos os bens que são fruto da natureza humana e do esforço dos homens, e que difundimos na terra segundo o mandamento do Senhor e pelo seu Espírito, voltaremos de novo a encontrá-los, embora purificados de toda a mancha, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno e universal, «reino de verdade e de vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz». O reino já está misteriosamente nesta terra; mas quando vier o Senhor, alcançará a sua plenitude.
RESPONSÓRIO cf. Is 49, 13. Salmo 71 (72), 7a
R. Alegrem-se os céus, exulte a terra; montes, cantai de alegria: * O Senhor tem compaixão dos seus pobres.
V. Nos seus dias, florescerá a justiça e a paz. * O Senhor tem compaixão dos seus pobres.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
Esta última parte pode omitir-se.
Ou (em língua latina):
Te Deum laudámus, * te Dóminum confitémur.
Te aetérnum Patrem * omnis terra venerátur.
Tibi omnes ángeli, * tibi caeli et univérsae potestátes,
tibi chérubim et séraphim * incessábili voce proclámant:
Sanctus, * Sanctus, * Sanctus * Dóminus Deus Sábaoth.
Pleni sunt caeli et terra * maiestátis glóriae tuae.
Te gloriósus * Apostolórum chorus,
te prophetárum * laudábilis númerus,
te mártyrum candidátus * laudat exércitus,
Te per orbem terrárum * sancta confitétur Ecclésia,
Patrem * imménsae maiestátis;
venerándum tuum verum * et únicum Fílium;
Sanctum quoque * Paráclitum Spíritum.
Tu rex glóriae, * Christe.
Tu Patris * sempitérnus es Fílius.
Tu, ad liberándum susceptúrus hóminem, *
non horruísti Vírginis úterum.
Tu, devícto mortis acúleo, *
aperuísti credéntibus regna caelórum.
Tu ad déxteram Dei sedes, * in glória Patris.
Iudex créderis * esse ventúrus.
Te ergo, quaésumus, tuis fámulis súbveni, *
quos pretióso sánguine redemísti.
Aetérna fac cum sanctis tuis * in glória numerári.
Salvum fac pópulum tuum, Dómine, *
et bénedic haereditáti tuae.
Et rege eos * et extólle illos usque in aetérnum.
Per síngulos dies * benedícimus te;
et laudámus nomen tuum in saéculum, *
et in saéculum saéculi.
Dignáre, Dómine, die isto * sine peccáto nos custodíre.
Miserére nostri, Dómine, * miserére nostri.
Fiat misericórdia tua, Dómine, super nos, *
quemádmodum sperávimus, in te.
In te, Dómine, sperávi, * non cónfúndar in aetérnum.
Esta última parte pode omitir-se.
Oração
Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Ap 7, 10b.12
Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a acção de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xxi-do-tempo-comum-ano-a/>]
Domingo XXI do Tempo Comum (Ano A)
Administrador do bens de Deus
Sentado na cadeira da sua miséria, sentia-se o dono do mundo. Construiu um estrado, degrau a degrau, acreditando que a altura lhe daria o respeito, o poder e a confiança para dominar. Serviu-se de uma inteligência fina e ardilosa para enganar a todos, julgando-se merecedor de todas as honras.
Na sua arrogância, não percebeu que, quanto mais alto o trono, mais isolado o rei. Sem notar, a sua busca por domínio tornou-se a sua própria cela; o que julgava ser o pedestal da sua importância era, afinal, o limite da sua própria liberdade. Acabou refém do trono que ele próprio ergueu para se sentir grande.
LEITURA I Is 22, 19-23
Eis o que diz o Senhor a Chebna, administrador do palácio:
«Vou expulsar-te do teu cargo, remover-te do teu posto.
E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim,
filho de Elcias.
Hei de revesti-lo com a tua túnica,
hei de pôr-lhe à cintura a tua faixa,
entregar-lhe nas mãos os teus poderes.
E ele será um pai para os habitantes de Jerusalém
e para a casa de Judá.
Porei aos seus ombros a chave da casa de David:
há de abrir, sem que ninguém possa fechar;
há de fechar, sem que ninguém possa abrir.
Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme,
e ele será um trono de glória para a casa de seu pai».
O Senhor depõe Chebna da administração do palácio e investe de poder Eliacim, filho de Elcias. A entrega da túnica, da faixa e, sobretudo, das «chaves da casa de David» são símbolos de uma autoridade que deve ser exercida com atitude paterna e em favor do povo. Esta investidura prefigura a autoridade definitiva do Messias, que exercerá a justiça plena em nome de Deus.
Salmo 137 (138), 1-2a.2bc-3.6. 8bc (R. 8bc)
O salmista compromete-se com Deus a louvá-lo com todo o coração porque não há ninguém acima de Deus nem mais forte do que ele. E ainda, porque apesar de ser grande ele se faz próximo dos humildes e atende a sua oração.
LEITURA II Rm 11, 33-36
Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus!
Como são insondáveis os seus desígnios
e incompreensíveis os seus caminhos!
Quem conheceu o pensamento do Senhor?
Quem foi o seu conselheiro?
Quem Lhe deu primeiro,
para que tenha de receber retribuição?
D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas.
Glória a Deus para sempre. Amen.
Ao proclamar que tudo pertence a Deus, tem nele a sua origem e para ele se orienta, Paulo convida-nos a uma atitude de humildade e espanto, lembrando-nos de que a nossa única resposta adequada perante o mistério de Deus é o louvor e a entrega absoluta.
EVANGELHO Mt 16, 13-20
Naquele tempo,
Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe
e perguntou aos seus discípulos:
«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?».
Eles responderam:
«Uns dizem que é João Batista,
outros que é Elias,
outros que é Jeremias ou algum dos profetas».
Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?».
Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse:
«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
Jesus respondeu-lhe:
«Feliz de ti, Simão, filho de Jonas,
porque não foram a carne e o sangue que to revelaram,
mas sim meu Pai que está nos Céus.
Também Eu te digo: Tu és Pedro;
sobre esta pedra edificarei a minha Igreja,
e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus:
tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus,
e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
Então, Jesus ordenou aos discípulos
que não dissessem a ninguém
que Ele era o Messias.
Em Cesareia de Filipe, ao proclamar que Jesus é o Messias e o Filho de Deus, Pedro não fala por si mesmo, mas instruído pelo Pai, o que lhe confere a missão de ser a rocha visível sobre a qual Cristo edifica a Sua Igreja. O dom das «chaves do Reino» e o poder de ligar e desligar estabelecem uma autoridade de serviço e comunhão, garantindo que, apesar das provações, a comunidade dos discípulos permanecerá em Cristo.
Compreender a Palavra
No reinado de Ezequias (século VIII a.C.), quando Israel é ameaçado pela Assíria, Chebna, o administrador do palácio, ocupa-se com a construção de um túmulo luxuoso para si próprio, em vez de se ocupar das coisas de Deus num tempo de crise profunda.
Deus, o verdadeiro Rei de Israel, é quem depõe o administrador, «vou expulsar-te… remover-te», e é ele quem nomeia outro em seu lugar. A escolha recai sobre o «meu servo», palavra que diz muito sobre como deve ser exercido o poder: como serviço e como «um pai para os habitantes de Jerusalém».
Para isso, Deus investe de poder o novo administrador, atribuindo-lhe as insígnias correspondentes: a túnica, a faixa e as chaves da Casa de David. As chaves da Casa de David significam o poder de abrir e fechar o acesso ao Rei e ao tesouro real, representando o poder de gerir a herança messiânica de David.
Eliacim será colocado no lugar de governo como uma estaca, bem firme e estável, como uma segurança para todo o Israel. Será honra para a sua família, ao contrário de Chebna, que se tornou uma vergonha. Eliacim é apresentado, assim, como figura do Messias, aquele que, em plenitude, será o verdadeiro administrador da Casa de Deus.
O Salmo 137 afirma o poder de Deus diante de todos os poderes da terra e do Céu. Diante dele, o salmista compromete-se a manter indiviso o seu coração: «de todo o coração, Senhor, eu vos dou graças», sem receio de nenhum poder, nem dos anjos do Céu, nem dos ídolos, pois a sua vida está orientada para o Senhor, «voltada para o vosso templo santo».
No Senhor, encontra a segurança que não se pode esperar de nenhum outro poder, pois só Deus é Misericórdia e Fidelidade. No meio da angústia, só o Senhor o atende: «Quando Vos invoquei, me respondestes», e dá-lhe a força de que precisa: «aumentastes a fortaleza da minha alma».
Reconhecendo que Deus se aproxima do humilde e detesta os soberbos, o salmista suplica ao Senhor que não abandone a obra das suas mãos.
No final da primeira parte da Carta aos Romanos, depois de abordar a resistência de Israel em aceitar a fé em Jesus, Paulo serve-se da Escritura (Dt 4, 32-35; Is 40, 13; Jb 41, 3) para manifestar a absoluta autonomia de Deus. Ele não precisa de conselheiros para realizar o seu projeto universal de salvação, nem fica em dívida para com ninguém, pois não recebeu de outrem nada que tenha de retribuir. Em Deus, a riqueza, a sabedoria e a ciência possuem uma profundidade tal que o homem não pode, por si só, perscrutar os desígnios nem os caminhos do Senhor.
É de Deus que vêm todas as coisas e todas lhe pertencem. Ele é a origem de tudo o que existe, é ele quem tudo sustenta e é ele o fim para onde tudo se dirige; nada escapa ao seu domínio. O homem recebe desta abundância gratuitamente; por isso, Deus deve ser glorificado eternamente. Com o Ámen final, Paulo sela a sua adesão plena e a sua convicção profunda relativamente a este conhecimento de Deus.
Jesus encontra-se em território de forte influência pagã, numa região dedicada ao imperador: Cesareia de Filipe. Ali, Jesus interroga os discípulos afirmando-se como o «Filho do Homem», numa clara referência ao Livro de Daniel sobre a vinda do Messias. A pergunta de Jesus incide sobre a Sua identidade: numa região onde é visível o poder dos homens, o imperador e o filho de Herodes, Jesus quer saber o que as multidões pensam dele. As opiniões dividem-se, mas mantêm sempre uma referência profética: «João Batista, Elias, Jeremias ou algum dos profetas». Os discípulos, porém, pela boca de Pedro, confessam a missão e a filiação divina de Jesus: ele é o Messias e o Filho de Deus.
A resposta de Pedro manifesta um conhecimento que não é acessível apenas pelo esforço humano; só Deus pode instruir o homem para que reconheça a natureza de Jesus. Por isso, o Senhor lhe diz: «não foram a carne nem o sangue» quem to revelou; foi um dom do Pai, e essa revelação é causa de bem-aventurança: «És feliz, Simão!».
O dom do Pai faz de Pedro alvo de um chamamento que altera a sua condição, a começar pelo nome. Ele é a rocha sobre a qual se edifica a Igreja, o garante da unidade e da fidelidade ao projeto de Deus. As chaves pertencem ao Messias, mas são entregues a Pedro para que seja o mordomo, o administrador da Casa de Deus; aquele a quem se confiam os tesouros, o homem de confiança que decide em nome do Senhor. Por fim, Jesus impõe silêncio sobre a sua identidade, para evitar mal-entendidos políticos desnecessários sobre a natureza do seu messianismo.
Meditar a Palavra
Em território marcadamente político, Cesareia de Filipe, Jesus exige dos discípulos um compromisso com ele, desafiando-os a dizer quem ele é, numa confissão de fé que vai além do que as pessoas dizem a seu respeito. Jesus começa por perguntar: «quem dizem os homens que Eu sou?», e os discípulos respondem baseados no que ouvem do mundo. Para Jesus, porém, a opinião da multidão não é o essencial; interessa-lhe o olhar daqueles que privam com ele, os que ele escolheu e que estão por perto.
Pedro toma a iniciativa e responde algo que nem ele mesmo entendeu plenamente na altura: «tu és o Messias, o Filho de Deus vivo!». A identidade de Jesus escapa à mera compreensão humana e só é manifestada àqueles a quem o Pai a quiser revelar. A sua missão é difícil de entender porque o messianismo, naquela época, ganhara contornos políticos que nada tinham a ver com os critérios de Cristo.
Perante a resposta de Pedro, Jesus declara-o «feliz», porque «não foi a carne nem o sangue» quem lho revelou. Jesus insiste que há verdades que escapam ao homem e que este só conhece por dom do Alto. As palavras de Pedro são o conteúdo de uma fé que não é fruto de um raciocínio, nem conquista da inteligência humana, mas puro dom de Deus.
Deus pode edificar a Sua Igreja sobre um homem frágil como Pedro, mas não sobre um homem a quem não tenha sido revelado o mistério da fé. Pedro recebeu o dom de Deus e foi investido de uma missão. O seu nome novo constituiu-o como rocha da Igreja, e as chaves que recebe investem-no do poder para administrar os bens de Deus, a «casa de David», como se refere na primeira leitura, a fim de que o inferno não prevaleça contra a Sua Igreja e esta permaneça como elo de ligação entre o Céu e a terra. Pedro é o administrador fiel que o Senhor coloca à frente de todos os seus bens para dar a cada um o necessário (Lc 12, 42).
A Igreja não pertence a Pedro, mas a Cristo («Minha Igreja»), e a sua missão é ser o espaço onde o Céu e a terra se ligam através da confissão de fé e do exercício da misericórdia. Se um administrador se tornar soberbo como Chebna, cuidando de si próprio e não da Casa de Deus, será destituído do seu cargo em favor de outro que agrade a Deus pela sua humildade e misericórdia no trato com os irmãos.
Esta é a misteriosa riqueza, sabedoria e ciência de Deus, que o homem só conhece por revelação e recebe como dom, e não como mérito, porque tudo pertence ao Senhor, nele tem a sua origem e o seu fim. Diante de tão profunda sabedoria, ao homem resta o maravilhamento, para que glorifique a Deus eternamente.
Rezar a Palavra
Senhor Jesus, que em Cesareia de Filipe desafiaste os teus amigos a olhar para além das vozes do mundo, concede-nos hoje a graça de uma fé que não nasce da carne nem do sangue, mas do teu Espírito. Dá-nos a luz para confessar a tua identidade com a mesma coragem de Pedro, reconhecendo que a nossa força não reside na inteligência humana, mas no dom que vem do Alto. Livra-nos da autossuficiência e ensina-nos a administrar com misericórdia os bens que nos confiaste. Ámen.
Compromisso semanal
Confesso com humildade a minha confiança no Senhor que escuta a minha prece.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Santa Rosa de LimaA Ásia, a Europa e a África foram regadas pelo sangue de muitos mártires e adornadas durante muitos séculos com o exemplo esplêndido de um sem-número de santos, ao passo que as vastas regiões da América ficaram desertas até que a fé de Cristo começou a iluminá-las a partir do século XVI, e esta jovem surgiu nesta terra qual rosa entre espinhos, como um dos primeiros frutos dos seus santos canonizados. Ela era de descendência espanhola, nasceu em Lima, capital do Peru, em 20 de abril de 1586. Era a décima dos treze filhos de Gaspar Flores e Maria de Oliva. À medida que crescia com o rosto rosado e belo, recebeu dos familiares o apelido de Rosa, como ficou conhecida. Seus pais eram ricos espanhóis que se haviam mudado para a próspera colônia do Peru, mas os negócios declinaram e eles ficaram na miséria.Ainda criança, Rosa teve grande inclinação à oração e à meditação, sendo dotada de dons especiais de profecia. Já adolescente, enquanto rezava diante da imagem da Virgem Maria, decidiu entregar sua vida somente a Cristo. Apesar dos apelos da família, que contava com sua ajuda para o sustento, ela ingressou na Ordem Terceira Dominicana, tomando como exemplo de vida santa Catarina de Sena. Dedicou-se, então, ao jejum, às severas penitências e à oração contemplativa, aumentando seus dons de profecia e prodígios. E, para perder a vaidade, cortou os cabelos e engrossou as mãos, trabalhando na lavoura com os pais.Aos vinte anos, pediu e obteve licença para emitir os votos religiosos em casa e não no convento, como terciária dominicana. Quando vestiu o hábito e se consagrou, mudou o nome para Rosa e acrescentou Santa Maria, por causa de sua grande devoção à Virgem Maria, passando a ser chamada Rosa de Santa Maria.Construiu uma pequena cela no fundo do quintal da casa de seus pais, levando uma vida de austeridade, de mortificação e de abandono à vontade de Deus. A partir do hábito, ela imprimiu ainda mais rigor às penitências. Começou a usar, na cabeça, uma coroa de metal espinhento, disfarçada com botões de rosas. Aumentou os dias de jejum e dormia sobre uma tábua com pregos. Passou a sustentar a família com as rendas e bordados que fazia, pois seu confessor consentiu que ela não saísse mais de sua cela, exceto para receber a eucaristia. Vivendo em contínuo contato com Deus, atingiu um alto grau de vida contemplativa e experiência mística, compreendendo em profundidade o mistério da Paixão e Morte de Jesus.Rosa cumpriu sua vocação, devotando-se à eucaristia e à Virgem Maria, cuidando para afastar o pecado do seu coração, conforme a espiritualidade da época. Aos trinta e um anos de idade, foi acometida por uma grave doença, que lhe causou sofrimentos e danos físicos. Assim, retirou-se para a casa de sua benfeitora, Maria de Uzátegui, agora Mosteiro de Santa Rosa, para cumprir a profecia de sua morte. Todo ano, ela passava o Dia de São Bartolomeu em oração, pois, dizia: “este é o dia das minhas núpcias eternas”. E assim foi, até morrer no dia 24 de agosto de 1617. O seu sepultamento parou toda a cidade de Lima.Muitos milagres aconteceram por sua intercessão após sua morte. Rosa foi beatificada em 1667 e tornou-se a primeira santa da América Latina ao ser canonizada, em 1671, pelo papa Clemente X. Dois anos depois, foi proclamada Padroeira da América Latina, das Filipinas e das Índias Orientais, com a festa litúrgica marcada para o dia 23 de agosto. A devoção a santa Rosa de Lima propagou-se rapidamente nos países latino-americanos, sendo venerada pelos fiéis como Padroeira dos Jardineiros e dos Floristas.A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Zaqueu e Tiago de Bevagna.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 23 DE AGOSTO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 15-16
Vós não recebestes um espírito de escravidão, para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
V. Em Vós, Senhor, está a fonte da vida:
R. Na vossa luz veremos a luz.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 22-23
Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não somente ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
V. Bendiz, minha alma, o Senhor:
R. Ele salva da morte a tua vida.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Tim 1, 9
Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça, essa graça que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a
eternidade.
V. O Senhor conduziu-os seguros e sem temor
R. E introduziu-os na sua terra santa.
Oração
Deus todo-poderoso e eterno, dirigi a nossa vida segundo a vossa vontade, para que mereçamos produzir abundantes frutos de boas obras, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 3-4
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as tribulações, para podermos também confortar aqueles que sofrem qualquer tribulação, por meio da consolação que nós próprios recebemos de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
