“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 5 DE SETEMBRO DE 2026
5 de setembro de 2026Domingo XXIII do Tempo Comum (Ano A)
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Jeremias 37, 21; 38, 14-28
Jeremias encarcerado exorta o rei Sedecias à paz
Naqueles dias, o rei Sedecias ordenou que Jeremias fosse detido no pátio da guarda e lhe dessem cada dia um pão da Rua dos Padeiros, até se esgotar todo o pão da cidade. E assim Jeremias ficou no pátio da guarda.
Depois o rei Sedecias mandou que trouxessem o profeta Jeremias à sua presença, junto da terceira entrada do templo do Senhor. O rei disse a Jeremias: «Tenho uma pergunta a fazer‑te; não me ocultes nada». Jeremias respondeu a Sedecias: «Se te der a resposta, mandas‑me matar. Se te der um conselho, não me escutarás». Então o rei Sedecias fez secretamente a Jeremias este juramento: «Em nome do Senhor que nos deu a vida, não te mandarei matar, nem te entregarei nas mãos desses homens que querem tirar‑te a vida».
Jeremias disse então a Sedecias: «Assim fala o Senhor, Deus do Universo, Deus de Israel: Se te renderes aos chefes do rei de Babilónia, salvarás a vida, e esta cidade não será pasto das chamas. Viverás tu e a tua família. Mas se não te renderes aos chefes do rei da Babilónia, esta cidade será entregue nas mãos dos caldeus, que lhe lançarão fogo, e tu não escaparás às suas mãos». O rei Sedecias disse a Jeremias: «Estou preocupado por causa dos judeus que se passaram para os caldeus: temo que me entreguem nas suas mãos e se riam de mim».
Jeremias respondeu: «Não te entregarão. Escuta a voz do Senhor, que se revela nas minhas palavras: tudo te correrá bem e terás a vida salva. Mas se recusares render‑te, eis o que o Senhor me revelou: Todas as mulheres que ficarem no palácio real de Judá serão levadas aos chefes do rei de Babilónia e dirão: ‘Enganaram‑te e iludiram‑te os teus amigos íntimos. Os teus pés atolaram‑se na lama, enquanto eles se puseram a salvo’. Todas as tuas mulheres e os teus filhos serão levados aos caldeus; tu mesmo não escaparás às suas mãos. Cairás em poder do rei de Babilónia, e esta cidade será pasto das chamas».
Sedecias disse a Jeremias: «Se ninguém tiver conhecimento destas palavras, não morrerás. Mas se os chefes souberem que eu falei contigo e te vierem dizer: ‘Conta‑nos o que disseste ao rei, não nos ocultes nada, e não te mataremos’, dir‑lhes‑ás: ‘Supliquei instantemente ao rei que não me fizesse voltar para casa de Jonatã, para ali morrer’».
De facto, todos os chefes vieram ter com Jeremias e interrogaram‑no. Ele respondeu‑lhes exactamente como o rei lhe tinha ordenado e os chefes deixaram‑no em paz, pois da conversa nada tinha transpirado. E Jeremias ficou no pátio da guarda, até ao dia em que Jerusalém foi tomada.
RESPONSÓRIO 2 Cor 6, 4-5; Judite 8, 27
R. Mostremo‑nos em tudo como ministros de Deus, com grande paciência nas tribulações, * Nas adversidades, nas angústias, nos açoites e nas prisões.
V. Todos quantos agradaram a Deus permaneceram fiéis. * Nas adversidades, nas angústias, nos açoites e nas prisões.
SEGUNDA LEITURA
Do Sermão de São Leão Magno, papa, sobre as Bem‑aventuranças
(Sermo 95, 4-6: PL 54,462-464) (Sec. V)
A sabedoria cristã
O Senhor continuou, dizendo: Bem‑aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Esta fome não deseja nada corporal, nem esta sede busca coisa alguma terrena, mas aspira aos bens da justiça, deseja conhecer o segredo de todos os mistérios, quer saciar‑se com o próprio Deus.
Feliz a alma que suspira por este alimento da justiça e deseja ardentemente esta bebida; certamente não a desejaria se não tivesse saboreado a sua suavidade. Pressentiu o gosto da doçura celeste ao ouvir a palavra profética: Saboreai e vede como é bom o Senhor; e de tal modo se inflamou nas alegrias do casto amor, que, renunciando a todas as coisas temporais, desejou ardentemente comer e beber a justiça e compreendeu a verdade daquele mandamento que diz: Amarás o Senhor Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças; porque amar a Deus é amar a justiça.
E assim como o amor de Deus está sempre associado à solicitude pelo próximo, também este desejo da justiça é sempre acompanhado pela virtude da misericórdia; por isso diz o Senhor: Bem‑aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Reconhece, ó cristão, a sublime dignidade da tua sabedoria e compreende a excelência dos seus caminhos e a admirável recompensa a que és chamado. Aquele que é a misericórdia quer que sejas misericordioso, Aquele que é a justiça quer que sejas justo, para que, mediante a imitação das obras divinas, o Criador Se manifeste na sua criatura e a imagem de Deus resplandeça no espelho do coração humano. Nunca será frustrada a fé dos que praticam boas obras; se assim fizeres, cumprir‑se‑ão os teus desejos e gozarás eternamente os bens que amas.
E porque através da esmola tudo se torna puro para ti, chegarás também àquela bem‑aventurança que a seguir foi prometida pelo Senhor com estas palavras: Bem‑aventurados os
puros de coração, porque verão a Deus. Grande é a felicidade, irmãos caríssimos, daquele para quem está preparado tão grande prémio. Que é ter o coração puro, senão praticar diligentemente as virtudes anteriormente mencionadas? E que inteligência é capaz de compreender, que língua saberá explicar a imensa felicidade que é ver a Deus? E no entanto é isso precisamente que há‑de conseguir a natureza humana quando for transformada: verá a Divindade em Si mesma, não já como num espelho, de maneira confusa, mas face a face; verá Aquele que jamais homem algum pôde ver; então, o que os olhos não viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pela mente humana, será conseguido na alegria inefável da contemplação eterna.
RESPONSÓRIO Salmo 30 (31), 20; cf. 1 Cor 2, 9a
R. Como é grande, Senhor, a vossa bondade que tendes reservada para aqueles que Vos temem. * Vós a concedeis aos que em Vós confiam.
V. Nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem a felicidade que preparastes para aqueles que Vos amam. * Vós a concedeis aos que em Vós confiam.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
Oração
Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Ezequiel 37, 12b-14
Assim fala o Senhor Deus: “Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra, e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço” – palavra do Senhor.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-xxiii-do-tempo-comum-ano-a/>]
Domingo XXIII do Tempo Comum (Ano A)
Há alguém a vigiar por nós
Põe, Senhor, uma sentinela de guarda à minha boca; defende a porta dos meus lábios. Não permitas que o meu coração se incline para o mal, nem que eu pratique a iniquidade com os ímpios, nem tome parte nos seus lautos banquetes.
Castigue-me o justo e repreenda-me com misericórdia; mas que o óleo do pecador nunca me perfume a cabeça. Não cessarei de orar contra os seus malefícios. Para ti, Senhor, se voltam os meus olhos; em ti me refugio, não me abandones.
LEITURA I Ez 33, 7-9
Leitura da Profecia de Ezequiel
Eis o que diz o Senhor:
«Filho do homem,
coloquei-te como sentinela na casa de Israel.
Quando ouvires a palavra da minha boca,
deves avisá-los da minha parte.
Sempre que Eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, hás de morrer’,
e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho,
o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade,
mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte.
Se tu, porém, avisares o ímpio,
para que se converta do seu caminho,
e ele não se converter,
morrerá nos seus pecados,
mas tu salvarás a tua vida».
Palavra do Senhor.
O Senhor estabelece o profeta como sentinela, conferindo-lhe a grave responsabilidade de vigiar e alertar o povo sobre os caminhos do erro. Solidário com o destino dos irmãos, o seu silêncio torna-o cúmplice, mas a sua palavra corajosa torna-se instrumento de salvação e vida.
Salmo 94 (95), 1-2.6-7.8-9 (R. cf. 8)
O salmista convida a escutar a voz de Deus: «quem dera ouvísseis hoje a sua voz!». O silêncio de Deus no meio do deserto, e a impaciência do povo perante ele, endureceu o coração de Israel ao ponto de se revoltar. O mesmo pode acontecer connosco; por isso, o salmista alerta: «não endureçais os vossos corações, como… vossos pais». Pelo contrário: «vinde!», exultai, aclamai, prostrai-vos em terra e adorai, porque «o Senhor é o nosso Deus e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho».
LEITURA II Rm 13, 8-10
Irmãos:
Não devais a ninguém coisa alguma,
a não ser o amor de uns para com os outros,
pois, quem ama o próximo, cumpre a lei.
De facto, os mandamentos que dizem:
«Não cometerás adultério, não matarás,
não furtarás, não cobiçarás»,
e todos os outros mandamentos,
resumem-se nestas palavras:
«Amarás ao próximo como a ti mesmo».
A caridade não faz mal ao próximo.
A caridade é o pleno cumprimento da lei.
Palavra do Senhor.
Para o Apóstolo, a única dívida que temos sempre por saldar é o amor. Todos os mandamentos, leis, normas ou determinações na vida cristã estão submetidos ao amor. Nunca está esgotada a possibilidade de amar mais e melhor.
EVANGELHO Mt 18, 15-20
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se o teu irmão te ofender,
vai ter com ele e repreende-o a sós.
Se te escutar, terás ganhado o teu irmão.
Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas,
para que toda a questão fique resolvida
pela palavra de duas ou três testemunhas.
Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja;
e se também não der ouvidos à Igreja,
considera-o como um pagão ou um publicano.
Em verdade vos digo:
Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu;
e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.
Digo-vos ainda:
Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa,
ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.
Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome,
Eu estou no meio deles».
Jesus dá orientações para a convivência na comunidade, centrando-se no dever da correção fraterna e no valor da reconciliação. Os passos que ele propõe são um caminho de caridade com o objetivo de recuperar o irmão que erra. O poder de ligar e desligar é estendido a todos os membros da comunidade como garantia da verdadeira unidade e da presença de Cristo no meio dos seus.
Compreender a Palavra
– O profeta é a boca de Deus, «quando ouvires a palavra da Minha boca», e a sua sentinela no meio do povo: «coloquei-te como sentinela». É o Senhor quem atribui a missão ao profeta, e este deve cumpri-la escrupulosamente: «sempre que Eu disser… e tu não falares… pedir-te-ei contas».
O profeta é chamado «filho de homem», distinguindo-se assim de Deus pela sua fragilidade. Não pode comparar-se ao Senhor, que é transcendente; é apenas um instrumento ao serviço da mensagem. Como sentinela, chamado a vigiar no alto das muralhas, o profeta não possui cidade nem fortaleza própria; o verdadeiro vigia é Deus que, ao ver o ímpio, encomenda a mensagem ao profeta para que este o avise, dando-lhe a oportunidade de se arrepender.
O silêncio do profeta, caso não fale como deve, torna-o culpado e corresponsável pela morte do ímpio. Omitir a verdade por medo, preguiça ou cobardia é uma falta grave, pois torna-o cúmplice do mal. A sua função não é atribuir o perdão ou o castigo, nem tem responsabilidade sobre a decisão final do prevaricador; a sua missão reside exclusivamente na fidelidade à mensagem.
O ímpio é sempre responsável pelos seus atos e livre para escutar ou ignorar a palavra transmitida; converter-se-á ou não, conforme o seu livre arbítrio. Em suma: a salvação do ímpio depende da sua conversão, mas a salvação do profeta depende da sua fidelidade ao anúncio.
– O Salmo, conhecido como o «Invitatório», une a adoração a Deus com a escuta da sua voz. O salmista invoca o Senhor como o «rochedo», assegurando a sua estabilidade e fidelidade, e convida o povo a entrar na presença divina servindo-se de imperativos: «vinde», «cantemos», «aclamemos», «adoremos». O Senhor é o Pastor deste povo, que é constituído pelas «ovelhas do seu rebanho», as quais devem escutar a sua voz.
O salmista recorda que nem sempre o povo escutou a voz do seu Pastor; em Meriba e Massa, os filhos de Israel revoltaram-se contra Deus e Moisés, desconfiando, sem razão, das intenções divinas ao libertá-los do Egito. Mas, hoje, o povo não deve agir assim; hoje: «não endureçais os vossos corações». Deixai-vos tocar pela Palavra de Deus.
– Para falar da primazia do amor em relação à Lei, Paulo usa a expressão: «não devais nada a ninguém». O cristão salda as suas dívidas materiais, mas mantém sempre um “débito” permanente no que respeita ao amor. Desta forma, os mandamentos encontram a sua plena realização, pois quem ama não se limita a cumprir o que está estabelecido na Lei, mas vai mais além, assumindo uma responsabilidade social do amor.
– O capítulo 18 de Mateus é conhecido como o Discurso Eclesiológico, que antecede a subida a Jerusalém. Nele, Jesus dá instruções sobre o modo de proceder entre os membros da comunidade relativamente ao pecador, no exercício do perdão. À proposta do Senhor, damos o nome de «correção fraterna»; o seu objetivo não é punir o prevaricador, mas recuperar a comunhão entre todos.
A proposta de Jesus segue três passos graduais: começa com um encontro discreto, a sós, com o intuito de trazer o irmão à verdade e, assim, recuperá-lo como um bem valioso. Se a correção for acolhida, o assunto resolve-se na caridade do diálogo privado. Se o irmão não escutar, o caso não se dá por encerrado. Prossegue com a presença de duas ou três testemunhas, para que a correção ganhe peso e seriedade, mantendo-se ainda na esfera reservada. Se, mesmo assim, não se alcançar o objetivo de ganhar o irmão, o caso é levado à Igreja para que esta exerça o seu discernimento. Se houver obstinação persistente, a comunidade reconhece-a e passa a tratar o prevaricador como «um pagão ou um cobrador de impostos».
Este tratamento final não significa abandono ou ódio, mas uma nova forma de ação fundada no amor: tal como Jesus fazia com os pagãos, a comunidade passa a olhar para aquele irmão como alguém que precisa de ser novamente evangelizado, rezando por ele com especial solicitude.
Em todos estes passos, está presente o poder de «ligar e desligar». Todos os membros da comunidade participam deste poder, embora o exerçam de modos diferentes: aquele que corrige a sós, as testemunhas que colaboram, a Igreja com o seu discernimento e a comunidade com a sua oração. Este poder emana de Jesus, que está sempre presente na vida comunitária. A comunidade reunida intercede pelos irmãos afastados e Jesus, presente no meio dela, é a garantia da resposta do Pai, ainda que sejam apenas dois ou três a pedir.
Meditar a Palavra
O sentido de responsabilidade mútua é o tema central da Palavra deste domingo. A vida em comunidade exige regras bem definidas para que ninguém seja abandonado e ninguém se torne juiz implacável dos outros, mas para que todos se sintam tratados como irmãos.
Para alcançar a verdadeira fraternidade, não basta o mero cumprimento da Lei; é absolutamente necessária a convicção de que só o amor é capaz de esbater as diferenças, vencer o pecado e ganhar o irmão. O cumprimento frio e estrito da norma não gera relações estáveis; pelo contrário, pode gerar medo e o desejo de prevaricar.
O profeta Ezequiel sente-se chamado por Deus a ser uma sentinela atenta no meio do seu povo. O Senhor, que o chamou, confiou-lhe a missão de escutar a sua voz e partir ao encontro daqueles que praticam o mal, chamando-os à razão. Deus deixou-lhe claro que o ímpio é réu do seu próprio pecado, mas que o profeta se torna cúmplice do mal se não for solícito em chamá-lo ao arrependimento.
No Evangelho, Jesus estabelece como norma da convivência comunitária a «correção fraterna». Os passos devem ser cumpridos de modo a recuperar, em qualquer momento, o irmão que corre o risco de se perder. A repreensão a sós, a presença de testemunhas, o discernimento da Igreja e a oração comunitária são etapas fundamentais no exercício do perdão. Com efeito, o poder dado por Jesus a Pedro, «tudo o que ligares na terra será ligado nos céus», do qual participa o grupo dos doze, é extensivo a todos os membros da comunidade, em diferentes formas de exercício.
A proposta de Jesus está longe do estrito legalismo. Para o Senhor, de quem Paulo se faz eco na Carta aos Romanos, o amor deve guiar todas as ações e ser o motor das intenções. O amor fraterno está acima da Lei e não pretende confrontar o irmão nem condená-lo, mas ganhá-lo para a comunidade como um bem precioso do qual não se pode prescindir. Nem mesmo depois de percorridos todos os passos de reconciliação se abandona o irmão. A comunidade reunida conta com a presença de Jesus, que é a garantia de que a oração comunitária chega ao Pai e recebe Dele a resposta desejada. Não importa quantos estão reunidos; importa que estejam reunidos em nome de Jesus e, por isso, ali reside também o poder de ligar e desligar.
Pelas palavras de Paulo, percebe-se que, no caminho do amor, não há limites. Somos sempre devedores em relação aos outros, porque é sempre possível amar mais e melhor, fazendo acontecer a salvação do irmão quando a lei se mostra insuficiente. No fim de tudo, que a Igreja não cesse de dizer a todos: «vinde, cantemos, aclamemos e adoremos o Senhor!»
Rezar a Palavra
Senhor, que a nossa comunidade seja um espaço de oração e perdão, onde a tua presença no meio de nós transforme cada gesto de reconciliação num sinal do teu Reino na terra. Faz de nós eternos devedores do amor, para que, unidos em teu nome, saibamos ligar os corações na caridade e caminhar juntos na alegria de sermos tua família. Ámen.
Compromisso semanal
Quero ser sentinela atenta ao irmão que sofre por não ter quem lhe mostre o amor de Deus.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
São ZacariasZacarias (cujo nome significa: o Senhor lembra), o profeta mais citado no Novo Testamento, depois de Isaías, penúltimo dos profetas menores, foi chamado ao ministério profético no mesmo ano de Ageu, 520. O seu ministério durou provavelmente até o término dá construção do Templo de Jerusalém, tema das suas exortações. Mediante visões e parábolas, anuncia o convite de Deus à penitência, condição para que se realizem as promessas: “Assim fala o Senhor dos exércitos: Convertei-vos a mim, e eu me voltarei a vós”.As suas profecias referem-se ao futuro do novo Israel, futuro próximo e futuro messiânico. Chegou o tempo da benevolência do Senhor para com Israel: o Templo se encaminha para a reconstrução e estão para serem reedificadas Jerusalém e as outras cidades de Judá, enquanto os povos que se alegraram com sua destruição serão punidos.Zacarias põe em evidência o caráter espiritual do novo Israel, a sua santidade, realizada progressivamente, ao lado da reconstrução material. A ação divina nesta obra de santificação atingirá a sua plenitude com o reino do Messias. Este renascimento é fruto do amor de Deus e da sua onipotência: “Eis que eu libertarei o meu povo. Reconduzi-lo-ei para habitar em Jerusalém: será o meu povo e eu serei o seu Deus, na fidelidade e na justiça”.A aliança na promessa messiânica feita a Davi retoma seu curso em Jerusalém: “Exulta com todas as tuas forças, filha de Sião, transborda o teu júbilo, filha de Jerusalém. Eis que teu rei vem a ti: ele é justo e vitorioso, é humilde e cavalga um burrinho, potro novo de uma jumenta.” A profecia realizou-se ao pé da letra com a entrada de Jesus em Jerusalém, entrada solene na cidade santa. O burrinho, em oposição ao cavalo de guerra, simboliza a índole pacífica do rei Messias.“Ele anunciará a paz aos povos; seu reino se estenderá de um a outro mar.” Assim, junto com amor ilimitado para com o seu povo, Deus une abertura total para com os povos, que, purificados, passaram a ser parte do reino: “Que felicidade, que beleza. O trigo dará vigor aos jovens e o vinho doce às meninas”.Neste vaticínio, claramente messiânico, é vislumbrada a eucaristia. Pertencente à tribo de Levi, nascido em Galaad e tendo voltado na velhice à Caldeia, na Palestina, Zacarias teria feito muitos prodígios, acompanhando-os com profecias de conteúdo apocalíptico, como o fim do mundo e o duplo juízo divino. Morreu muito velho e, provavelmente, foi sepultado ao lado do túmulo de Ageu.A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Ledo, Mansueto, Beltrão e Petrônio.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 6 DE SETEMBRO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 15-16
Vós não recebestes um espírito de escravidão, para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
V. Em Vós, Senhor, está a fonte da vida:
R. Na vossa luz veremos a luz.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 22-23
Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não somente ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
V. Bendiz, minha alma, o Senhor:
R. Ele salva da morte a tua vida.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Tim 1, 9
Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça, essa graça que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade.
V. O Senhor conduziu-os seguros e sem temor
R. E introduziu-os na sua terra santa.
Oração
Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Pedro 1, 3-5
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na sua grande misericórdia nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe nem se mancha nem desaparece, reservada nos Céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
