“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 6 DE OUTUBRO DE 2026
6 de outubro de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 7 DE OUTUBRO DE 2026
7 de outubro de 2026Em um diálogo com meu cabelereiro, ele, inquieto, perguntou-me ao iniciar o corte do cabelo:
– Será que o mundo ainda tem jeito?
Respondi-lhe:
– Apesar dos pesares, acredito que há alguém maior regendo tudo, as coisas não estão abandonadas ao acaso!
Me ocorreu e compartilhei a seguinte analogia:
– O amigo lembra o que ocorre com as árvores no outono?
– Sim, as folhas das árvores caem…
– Isso mesmo! Na primeira vez que vi esse fenômeno ao circundar uma floresta por uma autoestrada fiquei muito assustado, preocupado com o destino daquelas árvores “depenadas”… Porém o que ocorre é que as folhas caem servem como adubo, esse fenômeno faz parte do processo salutar de manutenção da natureza.
– Certo.
– Me parece que de modo similar ocorre na sociedade. Temos visto nos noticiários espetáculos deploráveis, que me evocam duas passagens das Sagradas Escrituras. Em Eclesiastes 1:9 lê-se: “(…) não há nada novo debaixo do sol.” Em Salmos (93/94):20 lê-se: “(…) o impostor tribunal da injustiça, que age mal, tendo a lei por pretexto(…)”
– Como assim? O que isso significa?
– Esses textos foram escritos há em torno de três mil anos… O amigo observa ocorrer algo semelhante nos dias atuais? Vê repetir-se o que foi descrito há milênios em alguma instituição importante, cujos integrantes deveriam dar o exemplo de seres íntegros, mas na sua maioria fazem exatamente o contrário do que deviam? Preciso falar algo mais?
– Entendi! Agora essas duas frases fizeram muito sentido, sim!
– Então… Vou lhe explicar porque me ocorreu essa percepção. Tenho a vívida impressão de que por trás das folhas podres estão brotando muitas plantas saudáveis, folhagens, flores… que prenunciam uma linda primavera!
– O que o faz ver as coisas com tanto otimismo?
– Fatos, meu amigo! Fatos singelos, porém lindos, inspiradores, profundamente alvissareiros!
– Fico muito feliz de ouvir isso! Notícias boas nesse cenário é algo que anima! Pode me deixar a par desses fatos?
– Com muita satisfação! Há alguns dias chamei para conversar a proprietária da casa que loquei após transformar a que habitava em diversas unidades para locação por temporada. Referi a ela que duas das unidades que loco, quando chove, preciso interditar e realocar os hóspedes em outras, pois não consegui resolver o problema do telhado. As goteiras tornam tais espaços impróprios para habitação.
– Entendi.
– Em seguida lhe expliquei que não poderia permanecer com minha família na casa que ela locou, pois ocorre ali o mesmo problema. Agradeci pela disposição em concertar tudo, pelas reiteradas tentativas de resolver o problema… Porém, da mesma forma que eu não consegui resolver, ela também não conseguiu… Eu compreendo, mas não poderei mais permanecer, tendo que providenciar outro espaço, como ocorre quando chove nas unidades que loco…
– E qual foi a reação dela?
– De uma pessoa que já faz parte da primavera que referi acima. Ela compreendeu a situação e reagiu com uma atitude que demonstra alto nível de integridade, ao contrário do que se observa nas folhas podres a que fiz menção…
– Pode me detalhar melhor? Estou curioso…
– Sim. Ocorre que no contrato assinado há a previsão de uma multa em caso de saída antes do prazo estipulado. Eu lhe pedi para que não cobre a multa, mas tão somente o período que permanecermos além do que já foi pago. Ela respondeu prontamente: “Não precisa pagar mais nada não, o valor além fica como compensação pelas despesas com a mudança.” Minha resposta: “De jeito nenhum! Eu e minha esposa fazemos questão de pagar por todo o período que permanecermos, pois foi feito todo o possível para sanar o problema, houve extrema boa vontade de sua parte e não queremos deixar de pagar por nenhum dia que usufruirmos do imóvel!”
– Cara, que legal, que coisa linda de ver!
– Sim! Ao contrário dos integrantes do “impostor tribunal da injustiça, que age mal tendo a lei por pretexto”, que usurpam de seus cargos para locupletar-se e proporcionar benefícios escusos aos seus apaniguados, demonstrando em suas condutas ganância, desprezo pelos princípios de equanimidade… existem miríades de pessoas que prezam pela integridade, equidade, fazendo absoluta questão de agir corretamente, pautar-se pelo que é certo!
– Bah! Muito interessante!
Dinheiro X valores
A busca do dinheiro, para os espíritos toscos, se sobrepõe ao cultivo dos valores. Os valores são como flores, que necessitam de cuidados como regar, retirar ervas daninhas próximas… mas embelezam sobremaneira a vida de quem os cultiva. Dá trabalho, exige esforço, às vezes algumas renúncias…
Viver com menos dinheiro, sacrificando “oportunidades de ter mais” quando isso se contrapõe à equidade, à equanimidade, ao que é certo… é uma escolha que aos olhos dos toscos parece estupidez.
Mas quem sabe de fato o que isso significa compreendeu que os valores enriquecem a vida com o que há de efetivamente mais precioso… E isso não tem preço!
Quiçá tenhamos em um momento alvissareiro da história alçadas aos cargos decisórios das nações pessoas que fazem parte dessa primavera… Enquanto isso permaneceremos vendo as tristes, deploráveis e asquerosas sagas de pessoas financeiramente opulentas, porém existencialmente, naquilo que mais importa, extremamente miseráveis!
