“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 31 DE OUTUBRO DE 2026
31 de outubro de 2026“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 2 DE NOVEMBRO DE 2026
2 de novembro de 2026Todos os Santos
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início do Primeiro Livro dos Macabeus 1, 1-24
Vitória e soberba dos gregos
Depois de se ter apoderado da Grécia, Alexandre, filho de Filipe da Macedónia, oriundo do país de Quitim, atacou e venceu Dario, rei dos persas e dos medos, e começou a reinar em seu lugar. Travou inúmeras batalhas, conquistou praças fortes, matou reis e marchou até aos confins da terra e apoderou-se dos despojos de muitas nações. A terra emudeceu diante dele, e o seu coração exaltou-se e encheu-se de orgulho. Reuniu um exército muito poderoso e submeteu províncias, nações e soberanos, fazendo-os tributários. Mas depois caiu doente e compreendeu que ia morrer. Chamou os seus oficiais mais ilustres, que se tinham criado com ele desde a juventude e, ainda em vida, repartiu entre eles o seu reino. Alexandre reinava havia doze anos quando morreu.
Os seus oficiais tomaram conta do poder, cada qual no seu território. Depois da morte de Alexandre, todos cingiram a coroa e, depois deles, os seus filhos, durante muitos anos; e multiplicaram-se os males sobre a terra.
Deles brotou aquela raiz de pecado, Antíoco Epífanes, filho do rei Antíoco, que estivera em Roma como refém e começou a reinar no ano cento e trinta e sete do império grego.
Naqueles dias, apareceram em Israel homens perversos que seduziram muitas pessoas, dizendo: «Vamos fazer uma aliança com os povos que nos rodeiam, pois desde que nos separámos deles sucederam-nos muitas desgraças». Estas palavras pareceram bem aos olhos daquela gente, e alguns de entre o povo apressaram-se a ir ter com o rei, que lhes deu autorização para seguirem os costumes dos gentios. Construíram um ginásio em Jerusalém, de acordo com os usos pagãos; disfarçaram os sinais da circuncisão e afastaram-se da santa aliança; coligaram-se com os estrangeiros e tornaram-se es cravos do mal.
Quando Antíoco se viu consolidado no poder, resolveu apoderar-se do Egipto, a fim de reinar sobre ambos os reinos. Entrou no Egipto com um poderoso exército, com carros, elefantes, cavalos e uma grande armada, e travou combate com Ptolomeu, rei do Egipto. Ptolomeu foi desbaratado e fugiu, deixando muitos feridos. Os vencedores apoderaram-se das cidades fortificadas do Egipto e saquearam o país.
Depois de ter derrotado o Egipto, Antíoco regressou, no ano cento e quarenta e três, e marchou contra Israel e Jerusalém com um poderoso exército. Entrou com arrogância no santuário e apoderou-se do altar de ouro, do candelabro das luzes com todos os seus acessórios, da mesa da proposição, dos vasos das libações, dos cálices e bandejas de ouro, do véu, das coroas e de todo o ornamento de ouro que havia na fachada do templo. Apoderou-se também do ouro, da prata, dos objectos preciosos e de todos os tesouros ocultos que pôde encontrar. Com tudo isto, voltou para a sua terra, depois de ter feito grande carnificina e proferido palavras insolentes.
RESPONSÓRIO cf. 2 Mac 7, 33; Hebr 12, 11
R. Deus irritou-Se connosco por breve tempo, para nosso castigo e correcção; * De novo o Senhor Se reconciliará com os seus servos.
V. Toda a correcção parece no momento ser causa de tristeza, mas depois dá um fruto de paz e de justiça. * De novo o Senhor Se reconciliará com os seus servos.
SEGUNDA LEITURA
Da Constituição pastoral Gaudium et spes,
do Concílio Vaticano II,
sobre a Igreja no mundo contemporâneo (N. 78) (Sec. XX)
Promover a paz
A paz não é apenas a ausência de guerra, nem se reduz a mero equilíbrio entre forças adversas, nem deriva de um domínio despótico, mas define-se, com toda a razão e propriedade, como obra de justiça. É fruto daquela ordem que o divino Criador estabeleceu para a sociedade humana e que deve ser realizada pelos homens que anelam por uma justiça mais perfeita. O bem comum do género humano rege-se fundamentalmente pela lei eterna; mas, quanto às suas exigências concretas, está sujeito a constantes modificações, ocasionadas pelo decorrer dos tempos; por isso a paz nunca se alcança de uma vez para sempre, mas tem de ser edificada continuamente. Além disso, como a vontade humana é frágil e está ferida pelo pecado, a manutenção da paz exige de cada um o constante domínio das paixões e requer da autoridade legítima uma contínua vigilância.
Mas isto não basta. Esta paz não se pode alcançar na terra, se não se garante o bem das pessoas e se os homens não comunicarem entre si, livre e confiadamente, as riquezas do seu espírito e do seu talento. São absolutamente necessárias para a edificação da paz a vontade firme de respeitar a dignidade dos outros homens e povos e a prática assídua da fraternidade. Por isso deve dizer-se que a paz é também fruto do amor, que ultrapassa os limites da justiça.
A paz terrena, nascida do amor do próximo, é imagem e efeito da paz de Cristo, que procede de Deus Pai. Com efeito, o próprio Filho encarnado, príncipe da paz, reconciliou todos os homens com Deus pela sua cruz, matando o ódio na sua própria carne e restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só corpo; e depois do triunfo da ressurreição, derramou o Espírito de amor no coração dos homens.
Por isso, todos os cristãos são instantemente chamados a praticar a verdade na caridade e a unir-se com os homens verdadeiramente pacíficos para implorar e estabelecer a paz. Movidos pelo mesmo espírito, não podemos deixar de louvar aqueles que, renunciando à violência na reivindicação dos seus direitos, recorrem a meios de defesa que estão também ao alcance dos mais fracos, desde que isto se possa fazer sem lesar os direitos e obrigações de outros ou da comunidade.
RESPONSÓRIO cf. 1 Cron 29, 11.12; Sir 50, 25; 2 Mac 1, 24
R. Vosso é o reino e o poder para sempre, Vós estais acima de todos os povos. * Senhor, dai a paz aos nossos dias.
V. Deus, criador do universo, temível e poderoso, justo e compassivo, * Senhor, dai a paz aos nossos dias.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
Oração
Deus eterno e misericordioso, de quem procede a graça de Vos servirmos fiel e dignamente, fazei-nos caminhar sem obstáculos para os bens por Vós prometidos. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Ez 37, 12b-14
Assim fala o Senhor Deus: Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra, e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço – palavra do Senhor.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/todos-os-santos-10/>]
Todos os Santos
O poder de um olhar
Tinha os olhos postos no horizonte. Não ouvia nada do que se passava à sua volta: O cantar dos passarinhos, os gritos das crianças a brincar, o ruído dos carros em movimento constante, o barulho das máquinas nas obras, a insistência da mulher a chamar… O seu olhar estava para lá do que a vista podia alcançar, estava aonde o coração queria chegar. É para lá daqueles montes, muito para lá do mar, é em outro continente, é muito longe… O filho estava para lá do pôr do sol… mas naquela direção. Ele sabia que era naquela direção. O seu olhar via-o, o seu coração falava com ele, ele sabia onde era, mas os olhos…. ainda não viam.
LEITURA I Ap 7, 2-4.9-14
Eu, João, vi um anjo que subia do Nascente,
trazendo o selo do Deus vivo.
Ele clamou em alta voz
aos quatro anjos a quem foi dado o poder
de causar dano à terra e ao mar:
«Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores,
até que tenhamos marcado na fronte
os servos do nosso Deus».
E ouvi o número dos que foram marcados:
cento e quarenta e quatro mil,
de todas as tribos dos filhos de Israel.
Depois disto, vi uma multidão imensa,
que ninguém podia contar,
de todas as nações, tribos, povos e línguas.
Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro,
vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão.
E clamavam em alta voz:
«A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono,
e ao Cordeiro».
Todos os anjos formavam círculo
em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos.
Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra,
e adoraram a Deus, dizendo:
«Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a ação de graças,
a honra, o poder e a força
ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!».
Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me:
«Esses que estão vestidos de túnicas brancas,
quem são e de onde vieram?».
Eu respondi-lhe:
«Meu Senhor, vós é que o sabeis».
Ele disse-me:
«São os que vieram da grande tribulação,
os que lavaram as túnicas
e as branquearam no sangue do Cordeiro».
João recorda aos cristãos perseguidos que eles foram marcados no batismo e, agora, pertencem ao Deus vivo. Esta pertença não os libertas das provações deste mundo, a “grande tribulação”, mas garante que, vivendo na fidelidade, serão purificados no sangue do Cordeiro e incorporados à multidão daqueles que, no céu, adoram a Deus.
Salmo 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)
O Salmo começa por afirmar a soberania universal de Deus, ele é o Senhor de toda a terra. Diante de um Deus assim, quem pode considerar-se digno de se aproximar da Sua santidade, “subir à montanha do Senhor“, “habitar na sua casa?” Só aqueles que não deixaram o coração prender-se aos ídolos, nem sujaram as mãos a oferecer-lhe sacrifícios nem mancharam os lábios na idolatria. Os que assim procederam são a “geração dos que procura a face de Deus” e, como recompensa, recebe a Sua bênção e salvação.
LEITURA II 1 Jo 3, 1-3
Caríssimos:
Vede que admirável amor o Pai nos consagrou
em nos chamar filhos de Deus.
E somo-lo de facto.
Se o mundo não nos conhece,
é porque não O conheceu a Ele.
Caríssimos, agora somos filhos de Deus
e ainda não se manifestou o que havemos de ser.
Mas sabemos que, na altura em que se manifestar,
seremos semelhantes a Deus,
porque O veremos tal como Ele é.
Todo aquele que tem n’Ele esta esperança
purifica-se a si mesmo,
para ser puro, como Ele é puro.
São João convida a contemplar o amor extraordinário do Pai, que não apenas nos chama filhos, mas nos faz seus verdadeiramente filhos. Esta filiação já é uma realidade, mas há de manifestar-se plenamente um dia. Entretanto, vivemos no meio do mundo que não conhece nem crê e nele nos havemos de purificar.
EVANGELHO Mt 5, 1-12
Naquele tempo,
ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.
Rodearam-n’O os discípulos
e Ele começou a ensiná-los, dizendo:
«Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os humildes,
porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que choram,
porque serão consolados.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos,
porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração,
porque verão a Deus.
Bem-aventurados os que promovem a paz,
porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,
porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,
vos insultarem, vos perseguirem
e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.
Alegrai-vos e exultai,
porque é grande nos céus a vossa recompensa».
A felicidade proposta por Jesus não é um paliativo para as dificuldades de cada dia nem uma tentativa de resignação perante a dor e o sofrimento. A felicidade proposta nas Bem-aventurança é já uma realidade na vida de todos os que se comprometem com a vida a transformar o mundo num lugar onde Deus se faz presente com o seu reino.
Reflexão da Palavra
Carregado de linguagem simbólica, o livro do Apocalipse é um bom exemplo da literatura apocalítica. João, é o seu autor, como ele próprio diz por diversas vezes, “eu João vi”, não sendo certo que se trate do apóstolo e evangelista. Foi escrito para as sete comunidades cristãs da Ásia Menor, provavelmente no tempo de Domiciano, que impunha o culto ao império e ao imperador exigindo ser tratado como “Dominus et Deus”. Moveu uma perseguição contra os cristãos porque não reconheciam o imperador como Deus.
João, através de imagens simbólicas, faz uma crítica à situação política do império, afirma a soberania de Deus e do Cordeiro imolado e anima os cristãos à perseverança no meio da perseguição.
Para compreender o texto da liturgia de Todos os Santos temos que recordar o final do capítulo seis, onde João: “Chegou o grande dia da sua ira!” e pergunta:“Quem poderá resistir?” (Ap 6, 17). A resposta a esta pergunta é dada no capítulo sete através das duas visões do autor: a primeira, a dos 144.000 que ainda combatem a grande tribulação e foram marcados na fronte porque pertencem a Deus, são a Igreja da terra protegida por Deus e pelos seus anjos; e a segunda, a da multidão inumerável, dos que já foram salvos, “de todas as nações, tribos, povos e línguas“, são a Igreja celeste, glorificada.
144 mil é um número simbólico que não pretende restringir a salvação a um pequeno número mas indicar que a salvação se destina a todos. A multidão incontável revela isso mesmo, que todos se podem salvar. Estes são os que cantam ao Cordeiro, apresentados como tendo sido purificados, pois estão revestidos de “túnicas brancas”, e como vitoriosos, pois têm “palmas nas mãos”. São os santos e os mártires, que “vieram da grande tribulação”, da terra, onde derramaram o seu sangue e foram purificados “no sangue do Cordeiro”. Apesar de terem derramado o sangue por Cristo não é a sua morte que lhes dá a vitória, mas é o sangue de Cristo, o cordeiro, quem os salva.
Com estes símbolos João pretende animar os cristãos das comunidades perseguidas para se manterem fiéis, porque um dia poderão participar, como estes, na liturgia celeste.
O salmo 23 faz parte da liturgia do templo de Jerusalém. Os peregrinos eram confrontados nas celebrações do templo com a grandeza de Deus. Ele é o Senhor de toda a terra: “Do Senhor é a terra e o que nela existe, o mundo e quantos nele habitam”. Perante esta afirmação surge a pergunta: “Quem poderá subir à montanha do Senhor? Quem habitará no seu santuário?”. Quem poderá ser suficientemente santo para entrar e habitar na casa do Senhor? As condições são claras: “as mãos inocentes e o coração puro”e“não invocou o seu nome em vão”. Aquele que não se deixou contaminar pelos ídolos, não lhes entregou o coração, não lhes ofereceu sacrifícios com as suas mãos e não lhes rendeu culto com os seus lábios. Esse pode entrar e habitar na casa do Senhor porque só para ele elava o seu olhar, é o seu rosto que ele procura.
A leitura da carta de João, dirigida a uma comunidade que vive atormentada com falsas doutrinas sobre Jesus, começa com um convite “Vede”. Na Bíblia fala-se muito deste ver: “Deus viu que era bom”, o povo de Deus viu as maravilhas que o Senhor realizou a seu favor, o olhar de Deus que se dirige para o justo, o pobre, o órfão e a viúva, o peregrino e o pecador procuram ver “a face de Deus”. Há também um outro modo de ver que não agrada a Deus: a mulher, Eva, viu que o fruto era agradável à vista, O povo viu os ídolos dos outros povos, Jesus alerta para um modo de ver “será mau o teu olhar…?”.
João distingue o olhar do cristão e o olhar do mundo. O olhar do cristão vê o “admirável amor o Pai”, “o mundo não o conheceu” porque tem os olhos fechados para esse amor que nos chama e faz de nós “filhos de Deus”. Não é um amor comum, mas um amor divino que nos transforma, recria, à imagem do Filho, “semelhantes a Deus”.
A filiação divina não é uma promessa para futuro, ela é “já”uma realidade que o cristão possui por graça, “agora somos filhos de Deus”, no entanto, “ainda não” se revelou a plenitude desta filiação, essa plenitude pertence ao futuro. No presente temos uma certeza: sabemos com segurança porque contemplamos em nós o amor do Pai que, quando esse dia chegar, “seremos semelhantes a Deus”. Nesse dia poderemos vê-lo face a face e nessa visão seremos assimilados, transformados definitivamente pelo seu amor.
Conhecer esta verdade não é um ato meramente intelectual, é o exercício da esperança que exige compromisso no presente, pois, a visão futura motiva a purificação atual, “para ser puro, como Ele é puro”. A vida cristã é isso mesmo, uma imitação de Cristo, um caminho de conformação com a sua santidade.
O evangelho recolhe o texto das Bem-aventuranças que em Mateus dá início ao “Sermão da Montanha”. Jesus “sobe ao monte”, numa imagem que recorda Moisés que sobe ao Sinai para receber os dez mandamentos. Jesus é o novo Moisés. Jesus “sentou-se” como Mestre rodeado dos discípulos e da multidão e ensina a nova lei que vem completar e não abolir a antiga lei.
A “lei” está composta por oito bem-aventuranças (alguns autores dizem ser nove contando também o versículo 11 conclusivo). Todas se iniciam com “Bem-aventurados”; seguindo-se a indicação de um determinado grupo de pessoas e circunstâncias: os pobres, os que choram, os que lutam; e terminam com a indicação da recompensa que tem ligação direta com o Reino de Deus e que pode ser dada já ou no futuro. No final, o que pode ser a nona bem-aventurança, está dirigida aos discípulos e incide sobre a perseguição sofrida “por minha causa“. As bem-aventuranças mais de que de uma felicidade superficial, indicam um estado profundo de bem-estar, uma bênção divina, uma participação na alegria do Reino de Deus. Uma felicidade que contrasta com as circunstâncias externas. A força das palavras de Jesus afirma que já são felizes aqueles que o mundo considera desgraçados.
Meditação da Palavra
Quando pensamos em “santos”, talvez nos venham à mente imagens de estátuas distantes, vitrais coloridos ou histórias de vidas heroicas, quase sobre-humanas. A Solenidade de Todos os Santos vem hoje alargar o nosso olhar e aquecer o nosso coração. Esta não é apenas a festa dos grandes nomes do calendário; é a festa de uma “multidão imensa, que ninguém podia contar“: a festa dos nossos avós, pais, amigos e vizinhos que viveram na fé e nos precederam na casa do Pai. É a festa da nossa família do Céu. E, mais ainda, é a festa da nossa própria vocação, do nosso destino.
A primeira leitura, do Livro do Apocalipse, abre uma janela para o Céu e mostra-nos o destino que nos espera. O que vemos? Não um clube exclusivo, mas uma multidão incontável de todas as nações, culturas e línguas. Estão de pé, vitoriosos, vestidos de branco e com palmas na mão, cantando o louvor de Deus. A sua santidade não é uniforme; é uma sinfonia de rostos e histórias.
E de onde vêm eles? Qual o segredo do seu sucesso? Um ancião explica: “São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro“. A sua santidade não foi uma vida fácil, sem problemas. Foi uma vida de luta (“a grande tribulação“), mas uma luta cuja vitória não veio das suas próprias forças, mas da graça de Cristo, simbolizada no “sangue do Cordeiro“.
Se o Apocalipse nos mostra o destino, o Evangelho de hoje dá-nos o mapa para lá chegar. Jesus sobe ao monte e proclama as Bem-aventuranças. Este não é um código de leis, mas o retrato-falado do cidadão do Reino dos Céus. É o auto-retrato de Cristo e, por isso, o retrato de todos os que O seguem.
E que retrato é este? É uma vida ao contrário da lógica do mundo. Felizes não são os ricos, os auto-suficientes, os que dominam. Felizes são os “pobres em espírito“, os humildes, os que choram, os que têm fome de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os construtores da paz e os perseguidos. Ser santo não é fazer coisas extraordinárias; é viver o ordinário da vida com a lógica extraordinária do amor, da misericórdia e da humildade de Cristo.
Este caminho das Bem-aventuranças pode parecer-nos uma montanha demasiado alta para escalar. Mas a segunda leitura, de São João, revela-nos o segredo que torna a viagem possível. Ele não começa por dizer “Tendes de ser”, mas sim “Vede o que já sois“: “Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto“.
A nossa santidade não parte do zero. Parte de uma identidade que já nos foi dada gratuitamente no Batismo. Somos filhos de Deus. A vida cristã não é um esforço desesperado para ganhar o amor de Deus, mas a resposta feliz de quem já se sabe amado. E esta identidade tem um futuro glorioso: “sabemos que […] seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é“. A esperança neste destino dá-nos a força para nos purificarmos e caminharmos, dia após dia.
Rezar a Palavra
Senhor, quero ver como João, para contemplar o teu amor de Pai e compreender-me filho. Os meus olhos ainda não podem ver-te face a face e não consigo ter noção do que serei quando um dia experimentar o abraço que renova e salva todas as coisas. Dá-me, Senhor, o dom da esperança que compromete na mudança interior e na transformação do mundo.
Compromisso semanal
Recordo os meus antepassados e reconheço neles a ação da graça divina que os santificou ao longo da vida, fazendo deles homens e mulheres de esperança.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Solenidade de Todos os Santos“Todos os fiéis cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Todos são chamados à santidade: ‘Deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito’ “(Mt 5,48)
(Catecismo da Igreja Católica 2013).Fruto da conversão realizada pelo Evangelho é a santidade de muitos homens e mulheres do nosso tempo; não só daqueles que foram proclamados oficialmente santos pela Igreja, mas também dos que, com simplicidade e no dia a dia da existência, deram testemunho da sua fidelidade a Cristo.(1) São João Paulo II, Homilia durante a Missa de encerramento da II Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Europa (23 de Outubro de 1999), 4: AAS 92 (2000), 179.Durante o ano, a Igreja celebra ou faz memória de um santo diariamente. Mas no dia 1º de novembro, ela reúne-os todos numa festa comum. Isso porque, mesmo entre os canonizados, muitos santos não têm um dia exclusivo para sua homenagem. Essa celebração começou no século III, na Igreja do Oriente. Já em Roma, a festa de Todos os Santos ocorreu pela primeira no dia 13 de maio de 609, quando o papa Bonifácio IV transformou o Panteão, templo dedicado a todos os deuses pagãos do Olimpo, em uma igreja em honra à Virgem Maria e a Todos os Santos.Próximo do ano 800, houve a mudança do dia graças à intervenção do abade inglês Alcuíno de York, professor de Carlos Magno. Os pagãos celtas entendiam o dia 1º de novembro como um dia de comemoração que anunciava o início do inverno. Quando eles se convertiam, queriam continuar com a tradição da festa. Assim, a veneração de Todos os Santos, lembrando os cristãos que morreram em estado de graça, foi instituída no dia 1º de novembro.O papa Gregório IV, em 835, fixou e estendeu para toda a Igreja a comemoração em 1º de novembro. Oficialmente, a mudança do dia da festa de Todos os Santos, de 13 de maio para 1º de novembro, só foi decretada em 1475, pelo do papa Xisto IV.Mas quem são os santos? Santos são todos os que foram canonizados pela Igreja ao longo dos séculos e também os que não foram e nem sequer a Igreja conhece o nome e que nos precederam em vida na terra perseverando na fé em Cristo. Todos viveram na terra uma vida semelhante à nossa. Batizados, marcados com o sinal da fé, fiéis aos ensinamentos de Cristo, eles precederam-nos na pátria celeste e convidam-nos a irmos ter consigo. Nos primeiros séculos, os cristãos praticavam o culto dos santos, a começar pelos mártires, por isto hoje vivemos esta tradição, na qual nossa Mãe Igreja convida-nos a contemplarmos os nossos “heróis” da fé, esperança e caridade.Além disso, a solenidade de Todos os Santos enche de sentido a homenagem de Todos os Finados, que ocorre no dia seguinte.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 1 DE NOVEMBRO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 15-16
Vós não recebestes um espírito de escravidão, para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
V. Em Vós, Senhor, está a fonte da vida:
R. Na vossa luz veremos a luz.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 22-23
Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não somente ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
V. Bendiz, minha alma, o Senhor:
R. Ele salva da morte a tua vida.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Tim 1, 9
Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça, essa graça que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade.
V. O Senhor conduziu-os seguros e sem temor
R. E introduziu-os na sua terra santa.
Oração
Deus omnipotente e misericordioso, de quem procede a graça de Vos servirmos fiel e dignamente, fazei-nos caminhar sem obstáculos para os bens por Vós prometidos. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Pedro 1, 3-5
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na sua grande misericórdia nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe nem se mancha nem desaparece, reservada nos Céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
