“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 5 DE NOVEMBRO DE 2026
5 de novembro de 2026Sexta-feira da Semana XXX do Tempo Comum
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Segundo Livro dos Macabeus 12, 32-46
O sacrifício pelos mortos
Depois da festa de Pentecostes, Judas e os seus companheiros marcharam contra Górgias, chefe militar da Idumeia. Este saiu a campo com três mil soldados de infantaria e quatrocentos de cavalaria. Travou-se combate e morreram alguns judeus.
Dositeu, um bravo cavaleiro de bacenor, apoderou-se de Górgias e, segurando-o pela capa, arrastou-o vigorosamente, na intenção de aprisionar vivo aquele maldito; mas um dos cavaleiros trácios lançou-se sobre ele e decepou-lhe o braço; e Górgias pôde fugir para Marisa. Entretanto, como os soldados de Esdrin estavam a combater havia muito tempo e se encontravam extenuados, Judas suplicou ao Senhor que fosse seu aliado e guia naquele combate. Depois de ter entoado na sua própria língua um canto de guerra, caiu inesperadamente sobre as tropas de Górgias e pô-las em debandada.
Então Judas, reagrupando o exército, dirigiu-se para a cidade de Odolão. No sétimo dia purificaram-se segundo o cos- tume e celebraram aí o sábado. No dia seguinte os soldados de Judas foram recolher os corpos dos que tinham sido mortos, como era necessário, para os sepultar com seus parentes nos túmulos de seus pais. E encontraram debaixo das túnicas dos mortos objectos consagrados aos ídolos de Jâmnia, que a Lei proíbe aos judeus. Assim se tornou claro para todos o motivo por que eles tinham perecido. Todos glorificaram o Senhor, justo juiz, que manifesta as coisas ocultas, e fizeram preces para que o pecado cometido fosse completamente perdoado. O valoroso Judas exortou a multidão a conservar-se sem pecado, vendo diante de seus olhos as consequências da falta dos que tinham morrido. Depois fez uma colecta de cerca de duas mil dracmas de prata e enviou-as a Jerusalém, para que se ofere- cesse um sacrifício pelos pecados dos que tinham morrido, praticando assim uma acção muito digna e nobre, inspirada na esperança da ressurreição. Porque se ele não esperasse que os que tinham sucumbido haviam de ressuscitar, teria sido vão e supérfluo orar pelos mortos. Além disso, pensava na magnífica recompensa que está reservada àqueles que morrem piedosamente. Era um santo e piedoso pensamento. Por isso mandou oferecer um sacrifício de expiação pelos mortos, para que fossem libertos do seu pecado.
RESPONSÓRIO cf. 2 Mac 12, 45.46
R. Aqueles que morrem piedosamente no Senhor. * Terão uma grande recompensa.
V. É um santo e piedoso pensamento orar pelos defuntos, para que sejam libertos do seu pecado. * Terão uma grande recompensa.
SEGUNDA LEITURA
Da Crónica dos Carmelitas da antiga e regular observância,
nos Reinos de Portugal, escrita pelo Cronista geral da Ordem
(Tom I, cap. XV-XVIII: Lisboa 1745, pp. 422-425. 429-431. 438. 440-441. 454. 459).
Exemplo de vida cristã
Admirável foi este santo varão pelas muitas e especiais virtudes que cultivou, não só depois do divórcio que fez com o mundo, mas também antes de receber o hábito religioso.
Na castidade foi sempre tão firme que jamais em prejuízo desta virtude se lhe conheceu o mais leve defeito.
Forçado da obediência se sujeitou ao casamento, que sem desagrado de seu pai, o não chegaria a evitar. Mas aos vinte e seis anos ficou absoluto do matrimónio, porque a inumana parca pôs termo à vida da sua esposa na flor de seus anos. Entrou El Rei no empenho de lhe dar outra esposa não menos digna de seu nascimento. Resistiu o invicto Condestável, encobrindo sempre o fundamento principal, que era o de viver casto.
Na oração foi tão incessante que admirava aos mesmos que faziam por ser nela seus imitadores. Faltava com o descanso ao corpo para se aproveitar da maior parte da noite orando mental e vocalmente.
Depois de ser religioso, estreitou mais o trato e familiaridade com o Senhor, porque então vivia no retiro conveniente para poder sem estorvo empregar todas as potências da alma no Divino Objecto que contemplava.
Na presença da soberana imagem da Virgem Maria Senhora Nossa, com o título da Assunção, derramava copiosas lágrimas; e com elas, melhor do que com as vozes, Lhe expunha as suas súplicas nas ocasiões que para si ou para os seus patrocinados Lhe pedia favores.
Exemplaríssima foi a humildade com que, fora e dentro da Religião, serviu a Deus em toda a vida. Como árvore frutífera cujos ramos mais se inclinam quando é maior o peso dos seus frutos, assim este virtuoso varão mais submisso se mostrava com os triunfos e com as virtudes. Nunca no seu espírito teve lugar a soberba: antes, quanto lhe foi possível, trabalhou por desterrá la dos ânimos dos que lhe seguiam as ordens e o exemplo.
Aos sacerdotes fazia tão profunda veneração que passava a ser obediência. A um criado seu de muita distinção, que havia tomado o hábito da nossa Ordem, assim que o viu professo e feito sacerdote, começou a respeitá lo em tal forma que a todos causava admiração.
Com o hábito religioso adquiriu o irmão Nuno muitos hábitos de mortificação. O sangue que lhe corria do corpo, quando com ásperos flagelos o lastimava, também lhe diminuia os alentos: mas ainda desta fraqueza tirava forças para, com pasmosa admiração dos Companheiros, continuar em semelhantes exercícios até ao último prejuízo da vida, que em desempenho do ardentíssimo desejo que teve de a sacrificar a Deus, sempre reconheceu como trabalho, e estimou a morte como lucro.
Depois de religioso, foi o servo de Deus mais admirável nos exercícios da caridade. Não se contentava com distribuir as esmolas pelo seu pagador, como no século fazia; mas pelas próprias mãos, na portaria deste convento, remediava a cada um a sua necessidade.
Não menos caritativo era para com o seu próximo nas ocasiões que se lhe ofereciam de lhe acudir nas enfermidades. Assistia aos pobres nas doenças, não só com os alimentos necessários, mas com os regalos administrados por suas próprias mãos.
Velava noites inteiras por não faltar com a assistência aos que nas doenças perigavam.
Continuando o Venerável Nuno de Santa Maria as asperezas da vida, sem nunca afrouxar dos seus primeiros fervores, chegou ao ano de 1431 tão destituído de forças, que no corpo apenas conservava alguns alentos para poder mover se.
Entrando enfim na última agonia, rogou que, para consolação do seu espírito, lhe lessem a Paixão de Cristo escrita pelo evangelista São João; logo que chegou à cláusula do Evangelho onde o mesmo Cristo, falando com sua Mãe Santíssima a respeito do amado discípulo, lhe diz: Eis o vosso filho, deu ele o último suspiro e entregou sua ditosa alma ao mesmo Senhor que a criara.
RESPONSÓRIO 1 Tim 6,12; Tg 1,12; 2 Tim 2,5;4,7
R. Procura combater o bom combate da fé e receberás a coroa da vida. * Nenhum atleta é coroado, se não lutar segundo as regras.
V. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde agora me está reservada a coroa de justiça que o Senhor me dará. * Nenhum atleta é coroado, se não lutar segundo as regras.
Oração
Senhor nosso Deus, que destes a São Nuno de Santa Maria a graça de combater o bom combate e o tornastes exímio vencedor de si mesmo, concedei aos vossos servos que, dominando como ele as seduções do mundo, com ele vivam para sempre na pátria celeste. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Rom 12, 1-2
Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que vos ofereçais a vós mesmos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, como culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo; mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito.
RESPONSÓRIO BREVE
V. A lei de Deus está no seu coração.
R. A lei de Deus está no seu coração.
V. Os seus passos não vacilam.
R. A lei de Deus está no seu coração.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. A lei de Deus está no seu coração.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM O PADRE ADRIANO ZANDONÁ
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/sexta-feira-da-semana-xxx-do-tempo-comum-7/>]
Sexta-feira da Semana XXX do Tempo Comum
Leitura I Fl 1, 1-11
Irmãos:
Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus,
a todos os fiéis de Cristo Jesus que estão em Filipos,
com os seus dirigentes e ministros:
A graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo
estejam convosco.
Dou graças ao meu Deus, todas as vezes que me lembro de vós,
e em todas as minhas orações
peço sempre por todos com alegria,
recordando-me da parte que tomastes na causa do Evangelho,
desde o primeiro dia até ao presente.
Tenho plena confiança
de que Aquele que começou em vós tão boa obra
há de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus.
Na verdade, é justo que eu tenha por vós estes sentimentos,
porque vos trago no coração,
a vós que no meu cativeiro
e na defesa e confirmação do Evangelho,
participais na graça que me foi concedida.
Deus é testemunha
de que vos amo a todos no coração de Cristo Jesus.
Por isso Lhe peço que a vossa caridade
cresça cada vez mais em ciência e discernimento,
para que possais distinguir o que é melhor
e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo.
Assim alcançareis a plenitude dos frutos de justiça
que se obtêm por Jesus Cristo,
para louvor e glória de Deus.
compreender a palavra
Paulo está preso e é da prisão que envia esta carta aos cristãos de Filipos que o assistiram com os seus bens num momento difícil. Na introdução, Paulo, manifesta os seus sentimentos para com esta comunidade mostrando o quanto os ama e guarda, rezando por eles. O seu afeto por eles deve-se ao facto de o terem acolhido, a ele e ao evangelho, desde o primeiro momento em que chegou àquele lugar. Estiveram com ele, defenderam-no nos momentos difíceis e defenderam o Evangelho participando no seu anúncio. Paulo reza por eles com alegria para que permaneçam irrepreensíveis para o dia de Cristo, porque lhes tem afeição em Cristo.
meditar a palavra
O anúncio do Evangelho gera relações de profunda amizade, de verdadeiro amor em Cristo. Muitos não entendem a necessidade de estar juntos, de se encontrarem, não apenas nas celebrações da fé, mas nos momentos da vida diária, porque não fizeram a experiência de estar juntos no anúncio do Evangelho. Quem sofre e se gasta pela evangelização cria laços indeléveis que nada pode apagar. Não se trata de experiências passageiras, furtuitas ou ocasionais. Trata-se de sofrer pelo Evangelho e gastar-se por Cristo para que ele seja conhecido. Quem vive esta experiência com outros fica ligado para sempre. Dar catequese, celebrar para os irmãos, ir em missão, assistir os pobres, lutar por uma causa, gera estes laços que são mais fortes que as amizades. Gera abraços mais fortes que as ligações de sangue. A família gerada no Evangelho tem um alicerce que é difícil encontrar nas relações familiares, porque é alicerçada em Cristo.
rezar a palavra
O teu Evangelho enraizado no meu coração tornou-se para mim a primeira de todas as causas. As pessoas que me deste pela adesão à tua palavra e na missão evangelizadora ficaram para sempre em mim. Não ficaram recordações de um tempo nem lembranças de algumas experiências. Ficaram gravadas no coração e são fonte permanente de alegria. Peço-te, Senhor, por todos os que anunciaram comigo o teu evangelho.
compromisso
Rezo por aqueles que desanimaram perante as dificuldades causadas pelo anúncio do evangelho.
Evangelho Lc 14, 1-6
Naquele tempo,
Jesus entrou, num sábado,
em casa de um dos principais fariseus
para tomar uma refeição.
Todos O observavam.
Diante d’Ele encontrava-se um hidrópico.
Jesus tomou a palavra
e disse aos doutores da lei e aos fariseus:
«É lícito ou não curar ao sábado?».
Mas eles ficaram calados.
Então Jesus tomou o homem pela mão,
curou-o e mandou-o embora.
Depois disse-lhes:
«Se um filho vosso ou um boi cair num poço,
qual de vós não irá logo retirá-lo em dia de sábado?».
E eles não puderam replicar a estas palavras.
compreender a palavra
Jesus atua em nome de Deus que cuida do necessitado. Não atua em nome dos homens, nem segundo o critério das normas legais, nem segundo os interesses dos poderosos. Jesus mostra que todas as leis sociais, políticas e mesmo religiosas devem estar submetidas ao grande princípio da pessoa humana. O homem é mais do que que as leis. Muitas vezes as normas e as leis aprisionam-nos e impedem-nos de ver a pessoa. A misericórdia é a atitude de Deus e Ele convida-nos a exercitar esta atitude uns com os outros.
meditar a palavra
O Senhor quer avisar-nos dos esquemas rígidos e abstratos que nos impedem de perceber a vontade de Deus e o bem dos homens. Onde houver uma pessoa a precisar de ajuda, um sofrimento a aliviar, uma necessidade a suprimir, devo antes de mais empenhar-me a favor da pessoa porque, agindo assim, cumpro a vontade de Deus. É este o verdadeiro culto agradável a Deus, a autêntica observância da sua Lei que é a lei do amor.
rezar a palavra
Senhor, sempre recusaste tudo o que – mesmo que se apresente como Lei de Deus – impede o homem de fazer o bem e de socorrer quem passa necessidade e experimenta o sofrimento. Para ti, a vontade do Pai não se exprime numa quantidade de práticas ou preceitos, mas no imperativo do amor que ajuda quem está em situação de mal-estar.
Por isso, não permitas que me deixe aprisionar por subtilezas e distinções que só nascem do egoísmo e do comodismo; mas torna-me atento e disponível a quem precisa da minha ajuda, da minha solidariedade e do meu socorro pronto e generoso.
compromisso
Darei especial atenção às pessoas que sofrem, para lhes oferecer a minha ajuda pronta e generosa.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver, buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://franciscanos.org.br/vidacrista/santo-do-dia/#gsc.tab=0>]
Bem-aventurada Bárbara MaixNatural de Viena, Áustria, filha de José Maix e Rosália Mauritz, nasceu no dia 27 de junho de 1818.Registros históricos nos relatam que José Maix era funcionário público. No ano de 1782, encontramo-lo trabalhando como ajudante de cozinha junto ao príncipe Luis José Liechtenstein. Pouco tempo depois, em 1786, passa a ser funcionário no Palácio de Schönbrunn, na função de criado doméstico e depois camareiro do imperador Ferdinand.As mortes na família Maix eram frequentes e a doença, contínua. Bárbara, a caçula de 09 filhos do segundo matrimônio, teve sua infância e adolescência marcadas por sequelas do tifo e privações, o que lhe causou debilidade orgânica.Certamente, era muito duro para o pai, José Maix, trabalhar no palácio onde se realizavam muitas festas, com requintes e luxo, e ver os filhos morrerem, por não conseguir vencer com o fruto de seu trabalho. Morava na casa número um (1) dos empregados, ao lado do palácio.Neste ambiente de contrastes, entre o luxo do palácio e a pobreza e a dor na família, a personalidade de Bárbara vai-se formando. Dos pais herda a fé cristã, o espírito de fortaleza e perseverança diante dos desafios. Desde a tenra idade e na juventude, capta a realidade que a cerca e já manifesta ânimo missionário e profético. Vai-se tornando audaciosa, destemida, a ponto de dirigir-se às autoridades do Império e da Igreja para alcançar seus objetivos. Vendo a situação social de desemprego e percebendo que o maior número de crianças nascidas era oriundo de mães solteiras, abre um pensionato visando à orientação e assistência a jovens desempregadas e empregadas domésticas, prevenindo-as da prostituição e demais desigualdades sociais.Em torno da jovem Maix se reúnem outras jovens com espírito de oração e solidariedade. Com elas, inicia o Projeto das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, inspirado no modo de ser das primeiras comunidades cristãs, desejando dedicar-se também à educação de crianças.A situação sócio-político-cultural e religiosa de Viena e de toda a Europa era de tensão e conflito pela difusão das ideias liberais. Durante a revolução de 1848, que tinha como base a Revolução Francesa, moveu-se uma verdadeira perseguição às Ordens Religiosas. As leis proibiam novas fundações e a entrada de novos membros. Essa situação fez com que Bárbara e suas 21 companheiras aceitassem a proposta de saírem do país.As jovens pretendiam estabelecer-se na América do Norte, porém, enquanto aguardavam, no Porto de Hamburgo, um navio que as transportasse para lá, aportou o “Merk”, um mercantil, que tinha como destino o Brasil. Bárbara compreendeu ser esta “a vontade de Deus”. Partiram. Sobre a viagem, escreveu Madre Isabel: “Chegamos ao Rio de Janeiro, em novembro (09/11/1848), sem dinheiro, sem conhecimento de ninguém, sem saber a língua, com muita fome, mas cheias de confiança em Deus e em Nossa Senhora.”Em 08 de maio de 1849, celebram, enfim, sua consagração religiosa e põem-se a serviço da população. Numa época em que a mulher não tinha participação social e acesso à Escola, Bárbara se fez educadora, permitindo o estudo às meninas. Atenta à realidade brasileira, com suas Irmãs, vai ao encontro das necessidades mais urgentes e passa a assumir Asilos onde acolhe órfãos e pobres e abre Pensionatos para jovens estudantes. Por ocasião das epidemias do cólera e febre amarela, bem como durante a Guerra do Paraguai, assume atividades em enfermarias e Hospitais.Diante de uma sociedade que mantém o regime de escravidão, Bárbara não aceita que pessoas trabalhem em condição de escravas junto às Irmãs. Todas realizam os mesmos serviços e têm os mesmos direitos numa relação de igualdade e partilha.As Ordens Religiosas eram de estilo contemplativo, viviam como em claustros. Bárbara apresenta uma inovação: uma forma de Vida Religiosa Consagrada com dinamismo missionário, que une fé e serviço social. Esse modelo de Vida Religiosa era novo para a Igreja e para o Estado.Com perspicaz inteligência, abre novos caminhos, supera obstáculos. Discerne e posiciona-se com firmeza na defesa e promoção da vida, especialmente dos pobres. Quando sua fé e esperança são hostilizadas, não se confunde. Rejeitada e desprezada, segue confiante, certa de que “a Obra é de Deus”. Às contraposições ao espírito do Carisma e da Missão da Congregação responde: “… não creio que haja autoridade na terra que me possa obrigar a fazer coisa alguma contra minha consciência. Não somos escravas, Senhor Administrador. Somos livres pela misericórdia de Deus.” (B. Maix)Madre Bárbara, pela sua firmeza na fé, esperança inabalável e amor misericordioso, superou muitas dificuldades: limites de saúde, falta de dinheiro, incompreensões, desprezo, perdas… Tudo viveu tendo o Imaculado Coração de Maria como “Mãe e modelo de todas as virtudes”, confiando-se à sua proteção e ajuda para, como Ela, seguir a estrada de Jesus, dando a vida para que outros a tivessem.Faleceu no dia 17 de março de 1873, deixando como herança o grande exemplo de “perdoar sempre, com todo gosto e consolo do Coração” e o amor à Verdade.Fonte: https://www.irbm.com.br/barbara-maix/A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Leonardo de Noblac e Ático.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 6 DE NOVEMBRO DE 2026
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 1, 16b-17
O Evangelho é força de Deus para a salvação de todo o crente. Porque no Evangelho se revela a justiça de Deus, que tem origem na fé e conduz à fé, conforme está escrito: «O justo viverá pela fé».
V. No Senhor se alegra o nosso coração
R. Em seu santo nome pomos a nossa confiança.
Oração
Senhor Jesus Cristo, que na hora de Tércia fostes levado ao suplício da cruz pela salvação do mundo, ajudai-nos a chorar os pecados da vida passada e a evitar as faltas no futuro. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 3, 21-22a
Independentemente da lei de Moisés, manifestou-se agora a justiça de Deus, de que dão testemunho a Lei e os Profetas; porque a justiça de Deus vem pela fé em Jesus Cristo, para todos os crentes.
V. Os preceitos do Senhor são rectos e alegram o coração,
R. Os mandamentos do Senhor são claros e iluminam os olhos.
Oração
Senhor Jesus Cristo, que à luz do meio-dia, enquanto as trevas envolviam o mundo, subistes à cruz para nossa salvação, concedei-nos sempre a vossa luz, para que ilumine os nossos caminhos e nos conduza à vida eterna. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Ef 2, 8-9
É pela graça que fostes salvos, por meio da fé. A salvação não vem de nós: é dom de Deus. Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar.
V. Na terra se conhecerão os vossos caminhos
R. E entre os povos a vossa salvação.
Oração
Senhor Jesus Cristo, que, suspenso na cruz, recebestes no reino eterno o ladrão arrependido, aceitai benignamente a humilde confissão das nossas culpas e abri-nos também a nós, depois da morte, as portas do paraíso. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Rom 8, 28-30
Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, dos que são chamados segundo o seu desígnio. Porque aos que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito de muitos irmãos. E àqueles que predestinou, também os chamou; e àqueles que chamou, também os justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Senhor é justo e ama a justiça.
R. O Senhor é justo e ama a justiça.
V. Os homens rectos contemplarão a sua face.
R. O Senhor é justo e ama a justiça.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Senhor é justo e ama a justiça.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Jer 14, 9
Estais no meio de nós, Senhor, e sobre nós foi invocado o vosso nome. Não nos abandoneis, Senhor nosso Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
