“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 24 DE JUNHO DE 2024
24 de junho de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 26 DE JUNHO DE 2024
26 de junho de 2024TERÇA FEIRA – XII SEMANA DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu empregue especial empenho e dedicação em prosseguir na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: o “Invitatório” das orações da Liturgia das Horas seguido do “Ofício das Leituras” e “Laudes”; a Santa Missa e a Meditação da Palavra do Senhor. Que na sequência, eu me empenhe em extrair o néctar espiritual potencializador da prática cristã nas sessões: IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese da história de vida do santo do dia) e ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA – em que consistem as demais orações da Liturgia das Horas. Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
Do Primeiro Livro de Samuel 17, 57 – 18, 9.20-30
Saul começa a invejar David
Naqueles dias, quando Davi regressava de matar o filisteu, Abner chamou-o e levou-o à presença de Saul, ainda com a cabeça do filisteu na mão. Saul perguntou-lhe: «De quem és filho, meu rapaz?». David respondeu-lhe: «Sou filho do teu servo Jessé de Belém».
Quando David acabou de falar a Saul, Jónatas sentiu a sua alma tão unida à de David que começou a amá-lo como a si mesmo. Desde aquele dia, Saul conservou Davi junto de si e não o deixou voltar para a casa paterna. E Jónatas fez um pacto com Davi, porque o amava como a si mesmo. Tirou o manto que trazia e deu-o a David, bem como a sua armadura, a sua espada, o seu arco e o seu cinturão. Davi levou a bom termo todas as expedições a que Saul o enviou. Por isso Saul colocou-o à frente dos seus guerreiros e ele ganhou a simpatia de todo o povo e até dos servos de Saul.
No seu regresso, quando voltavam de matar o filisteu, saíram as mulheres de todas as cidades de Israel ao encontro de Davi, a cantar e a dançar alegremente, ao som de sistros e tamborins. Iam dançando e cantando em coro: «Saul matou mil, Davi matou dez mil». Saul irritou-se muito. Levou a mal estas palavras e exclamou: «Dão dez mil a Davi e a mim apenas mil. Só lhe falta ser rei». E a partir desse dia, Saul começou a ver Davi com maus olhos.
Entretanto, Mical, filha de Saúl, apaixonou-se por David. Foram dizê-lo a Saul, a quem agradou a notícia. E pensou consigo: «Dar-lha-ei, mas será para ele uma armadilha que o fará cair nas mãos dos filisteus». Saul disse a David: «Hoje serás meu genro». E ordenou aos servos: «Falai em segredo a Davi e dizei-lhe: ‘O rei é teu amigo e todos os seus servos te estimam; procura ser genro do rei’». Os servos do rei repetiram estas palavras aos ouvidos de Davi, mas ele respondeu: «Parece-vos coisa fácil tornar-me genro do rei, sendo eu homem pobre e de baixa condição?».
Os servos foram dizer a Saul: «Foram estas as palavras de David». Saul respondeu: «Assim falareis a Davi: ‘O rei não quer dote, mas cem prepúcios de filisteus, para se vingar dos seus inimigos’». Saul contava assim fazer cair Davi nas mãos dos filisteus. Os servos de Saul foram comunicar estas palavras a David, a quem agradou esta proposta para se tornar genro do rei. Ainda não se tinha cumprido o prazo, quando David se levantou e partiu com a sua gente. Matou duzentos filisteus e trouxe os seus prepúcios, entregando-os todos ao rei, a fim de se tornar seu genro. Saul deu-lhe então sua filha Mical em casamento.
Ao ver isto, Saul compreendeu que o Senhor estava com Davi e que todo o Israel o amava. Começou então a temê-lo ainda mais e tornou-se seu inimigo para toda a vida. Os chefes dos filisteus continuaram a fazer incursões. E sempre Davi obtinha maior êxito que todos os servos de Saul. Por isso o seu nome tornou-se extraordinariamente famoso.
SEGUNDA LEITURA
Do tratado de São Gregório de Nissa, bispo, sobre a perfeição da vida cristã
(PG 46, 283-286) (Sec. IV)
Manifestemos a Cristo em toda a nossa vida
Há três coisas que revelam e distinguem a vida do cristão: a ação, a palavra e o pensamento. Entre estas, vem em primeiro lugar o pensamento; em segundo lugar vem a palavra, que manifesta e exprime, por meio de vocábulos, o pensamento concebido e impresso no espírito; depois do pensamento e da palavra, vem a ação, que põe em prática o que o espírito pensou. Portanto, sempre que nos sintamos impelidos a agir, a pensar, ou a falar, é necessário que todas as nossas palavras, obras ou pensamentos se orientem segundo a norma divina do conhecimento de Cristo, de tal modo que não pensemos, digamos ou façamos coisa alguma que se afaste desta norma sublime.
Aquele que foi digno de usar o nome de cristão deve examinar cuidadosamente todos os seus pensamentos, palavras e obras, e ver se tendem para Cristo ou se afastam dele. Este discernimento pode fazer-se de muitos modos. Com efeito, tudo quanto se faz, se pensa ou se diz com alguma perturbação, de modo nenhum está de acordo com Cristo, mas traz a característica e o sinal do inimigo, que se esforça por misturar com a pérola da alma a lama das perturbações, para deformar e apagar o brilho da pedra preciosa.
Mas aquele que está livre e puro de toda a afeição desordenada, esse está orientado para o autor e príncipe da tranquilidade, que é Cristo. Ele é a fonte pura e imaculada, e quem bebe e recebe desta fonte os sentimentos e afetos do seu coração apresentará uma semelhança perfeita com o seu princípio e origem, como a que tem com a sua fonte a água que corre no regato ou brilha na ânfora.
Na realidade, é a mesma transparência e pureza que há em Cristo e nas nossas almas; mas Cristo é a própria fonte donde nasce toda a pureza, e é dele que ela procede e corre para nós. É Cristo que nos comunica a beleza e perfeição dos pensamentos que produzem uma certa coerência e harmonia entre o homem interior e o homem exterior, desde que esses pensamentos e afetos que vêm de Cristo orientem realmente a vida e a conduzam à retidão e à santidade. Nisto consiste (segundo o meu modo de pensar) a perfeição da vida cristã: os que participam na dignidade do nome de Cristo devem assimilar e realizar plenamente toda a virtualidade desse nome, tanto no modo de pensar e de falar, como no modo de viver.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
LEITURA BREVE
Is 55, 1
Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite.
‘
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4404-liturgia-de-25-de-junho-de-2024>]
Terça-feira – XII Semana do Tempo Comum
Antífona
– O Senhor é a força do seu povo, é a fortaleza de salvação do seu ungido. Salvai vosso povo, Senhor, abençoai vossa herança e governai-a pelos séculos (Sl 27,8s)
Coleta
– Concedei-nos, Senhor, a graça de sempre temer e amar vosso santo nome, pois nunca cessais de conduzir os que firmais solidamente no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 2 Rs 19,9b-11.14-21.31-36
Salmo Responsorial: Sl 48,2-3a.3b-4.10-11 (R: 9d)
– O Senhor estabelece sua cidade para sempre.
R: O Senhor estabelece sua cidade para sempre.
– Grande é o Senhor e muito digno de louvores na cidade onde ele mora; seu monte santo, esta colina encantadora, é a alegria do universo.
R: O Senhor estabelece sua cidade para sempre.
– Monte Sião, no extremo norte situado, és a mansão do grande Rei! Deus revelou-se em suas fortes cidadelas um refúgio poderoso.
R: O Senhor estabelece sua cidade para sempre.
– Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade em meio a vosso templo; como vosso nome vai também vosso louvor aos confins de toda a terra.
R: O Senhor estabelece sua cidade para sempre.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus: Mt 7,6.12-14
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!


Ensinamentos – 1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) do que o texto diz.
[Fonte: <https://aliturgia.com/terca-feira-da-semana-xii-do-tempo-comum-10/>]
Leitura I (anos pares) 2Rs 19, 9b,-11.14-21.31-35ª.36
Naqueles dias Senaquerib, rei da Assíria, enviou de novo mensageiros a Ezequias para lhe dizer: «Isto direis a Ezequias, rei de Judá: não te deixes enganar pelo teu Deus, no qual puseste a tua confiança, pensando que Jerusalém não será entregue nas mãos do rei da Assíria. Ouviste dizer como os reis da Assíria trataram todos os países e os devastaram. Só tu é que irias escapar? Ezequias recebeu a carta das mãos dos mensageiros, leu-a, depois foi ao templo, e abriu-a diante do Senhor. E orou diante dele, dizendo: «Senhor, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins, só tu és o Deus de todos os reinos da terra. Tu fizeste os céus e a terra. Inclina, Senhor, os teus ouvidos e ouve! Abre, Senhor, os teus olhos e vê! Ouve, Senhor, a mensagem que Senaquerib mandou, para blasfemar contra o Deus vivo! É verdade, Senhor, que os reis da Assíria destruíram as nações, devastaram os seus territórios, e atiraram ao fogo os seus deuses, pois eles não eram deuses, eram apenas objetos feitos pelas mãos do homem, objetos de madeira e de pedra. Por isso, foram destruídos. Mas Tu, Senhor, nosso Deus, salva-nos agora das mãos de Senaquerib, a fim de que todos os povos da Terra saibam que Tu, o Senhor, és o único Deus.» Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: «Isto diz o Senhor, Deus de Israel: Eu ouvi a oração que me fizeste a respeito de Senaquerib, rei da Assíria. Eis o oráculo que o Senhor pronunciou contra ele: “A virgem, filha de Sião, despreza-te e escarnece de ti; atrás de ti meneia a cabeça a filha de Jerusalém. De Jerusalém surgirá um resto, e do monte de Sião sobreviventes. Fará tudo isto o zelo do Senhor. Portanto, eis o que diz o Senhor sobre o rei da Assíria: Ele não entrará nesta cidade, nem atirará flechas contra ela, não a rodeará de escudos, nem a cercará de trincheiras. Mas voltará pelo caminho por onde veio, sem entrar na cidade – oráculo do Senhor! Pois defenderei esta cidade e salvá-la-ei por amor de mim e de Davi, meu servo.» Nessa mesma noite, o anjo do Senhor apareceu no acampamento dos assírios e feriu cento e oitenta e cinco mil homens. Senaquerib, rei da Assíria retirou-se, retomou o caminho de sua terra e ficou em Nínive.»
Compreender a palavra [Leitura I]
Ezequias rei de Judá, permanece firme diante de Senaquerib rei da Assíria. Depois de ter devastado povos sem número e destruído a sua cultura e os seus deuses, Senaquerib aproxima-se de Jerusalém para a dominar. O rei Ezequias, porém, ao receber a carta do seu adversário resolve subir ao templo para rezar diante de Deus com a carta nas mãos. O Senhor ouviu a oração do rei e respondeu-lhe através do profeta Isaías, confirmando que não só escutara a sua oração como o protegerá a ele e à cidade de todo o ataque da Assíria e desta forma mostrará que não há outro Deus além do Deus de Israel.
Evangelho Mt 7, 6.12-14
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, não vão eles calcá-las aos pés e voltar-se para vos despedaçarem. Tudo quanto quiserdes que os homens vos façam fazei-o também a eles, pois nisto consiste a Lei e os Profetas. Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição e muitos são os que seguem por eles. Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à vida e como são poucos aqueles que os encontram!»
Compreender a palavra [Evangelho]
Jesus faz três ensinamentos de capital importância aos discípulos. Primeiro mostra-lhes que as coisas santas não são dadas a quem não as sabe apreciar. O fato de serem dadas de qualquer forma e sem qualquer critério faz com que aqueles a quem foram dadas sem as apreciar, se sirvam delas não para se santificarem, mas para perseguirem aqueles que lhas ofereceram. É a experiência da Igreja primitiva perante muitos que abandonavam a comunidade.
Em segundo lugar convida os discípulos a ir à frente. O discípulo não espera pelo mundo, vai adiante e faz o que quer que os outros façam para servir de exemplo e ser seguido no seu testemunho por todos.
Finalmente, Jesus apresenta a parábola dos dois caminhos. O mundo segue por um caminho fácil de encontrar e ao alcance de todos. Jesus diz que esse caminho leva à perdição. O discípulo tem outro caminho. Não será seguido por muitos porque se trata de um caminho de sacrifício, renúncia e perfeição, mas este caminho conduz à vida. É proposto a todos, mas nem todos querem seguir por ele.


2o e 3o degraus da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer e oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.
[Fonte: <https://aliturgia.com/terca-feira-da-semana-xii-do-tempo-comum-10/>]
Meditar a palavra [Leitura I]
Diante do perigo eminente somos levados a tomar decisões, tantas vezes precipitadas, por nos parecer que já não há salvação. De fato, Senaquerib dizia a Ezequias ‘todos sucumbiram diante de mim e tu também vais sucumbir’. Na nossa frágil vida não tem que ser assim. Somos pequenos e fracos diante de muitas batalhas da vida, mas não contamos apenas com as nossas forças, contamos com o Senhor que fez o céu e a terra. Somos fracos, mas ele é forte diante dos poderosos e faz-nos fortes e corajosos diante dos perigos. Se contamos apenas conosco cairemos por terra, porque não somos Deus. Mas se contamos com o Senhor, como o rei Ezequias, ninguém nos fará tremer.
Rezar a palavra [Leitura I]
Tu, Senhor, és o meu refúgio, o meu baluarte, a muralha onde me abrigo dos meus inimigos. Tu és aquele que me guarda e defende de todos os perigos. Renova em mim esta certeza para que não tema diante dos meus inimigos.
Compromisso
Reafirmo a minha confiança no Senhor. [Leitura I]
Meditar a palavra [Evangelho]
O Senhor deu-me os bens do céu. Os sacramentos, a Palavra, a comunidade dos irmãos, o amor fraterno, a fé, a conversão, são dons de Deus oferecidos ao longo da minha vida. Tantas vezes os acolhi e vivi como experiência de encontro com o amor generoso de Deus. Muitas vezes os desprezei como coisas menores, sem importância, perfeitamente desnecessárias. Talvez as tenha avaliado como o fazem muitos pagãos. «Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas». Estas palavras ficaram retidas na minha memória e afetam o meu coração. Hoje preciso refletir sobre elas. Sei que há dois caminhos e que posso levar muitos atrás de mim por qualquer deles. Estou no caminho da vida?
Rezar a palavra [Evangelho]
Porque hoje sei que muitas vezes me enganei em caminhos perdidos e meus passos trouxeram outros no engano, quero dizer-te, Senhor: “Esquece os meus passos mal andados, meu desamor e perdoa meu pecado. Eu sei que vai raiar a madrugada e não me deixarás abandonado. Se tu me dás a mão, não terei medo, meus passos serão firmes no andar. Luz terna, suave, leva-me mais longe: basta-me um passo para a ti chegar”.
Compromisso [Evangelho]
Como trato as coisas santas que o Senhor me oferece em cada dia?

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, , ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. E que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários – ou pelo menos as ouça.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
Santos do Dia da Igreja Católica – 25 de Junho
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/06/santos-do-dia-da-igreja-catolica-25-de-junho/>]

São Guilherme de Vercelli
Guilherme nasceu em Vercelli, no ano de 1085, de uma rica família da nobreza francesa. Aos quinze anos, já vestia o hábito de monge e era um fervoroso peregrino. Percorreu toda a Europa visitando os santuários mais famosos e sagrados, pretendendo tornar-se um simples monge peregrino na Terra Santa. Foi dissuadido ao visitar, na Itália, João de Matera, hoje santo, que lhe disse, profeticamente, que Deus não desejava apenas isso dele. Contribuiu também, para sua desistência, o fato de ter sido assaltado por ladrões de estrada, que lhe aplicaram uma violenta surra.
O incidente acabou levando-o a procurar a solidão na região próxima de Avellino, na montanha de Montevergine. Era uma terra habitada apenas por animais selvagens, onde, segundo a tradição, um lobo teria matado o burro que lhe servia de transporte. Guilherme, então, teria domesticado toda a matilha, que passou a prestar-lhe todo tipo de auxílio.
Vivia como eremita, dedicando-se à oração e à penitência, mas isso durou pouco tempo. Logo começou a ser procurado por outros eremitas, religiosos e fiéis. Acabou fundando, em 1128, um mosteiro masculino, o qual colocou sob as regras beneditinas e dedicou a Maria, ficando conhecido como o Mosteiro de Montevergine.
Dele Guilherme se tornou o abade, todavia por pouco tempo, pois transmitiu o cargo para um monge sucessor e continuou peregrinando. Entretanto tal procedimento se tornou a rotina de sua vida monástica. Guilherme acabou fundando um outro mosteiro beneditino, dedicado a Maria, em Monte Cognato. Mais uma vez se encontrou na posição de abade e novamente transmitiu o posto ao monge que elegeu para ser seu sucessor.
Desejando imensamente a solidão, foi para a planície de Goleto, não muito distante dali, onde, por um ano inteiro, viveu dentro do buraco de uma árvore gigantesca. E eis que tornou a ser descoberto e mais outra comunidade se formou ao seu redor. Dessa vez teve de fundar um mosteiro “duplo”, ou seja, masculino e feminino. Contudo criou duas unidades distintas, cada uma com sua sede e igreja própria.
E foi assim que muitíssimos mosteiros nasceram em Irpínia e em Puglia, como revelou a sua biografia datada do século XII. Desse modo, ele, que desejava apenas ser um monge peregrino na Terra Santa, fundou a Congregação Beneditina de Montevergine, que floresceu por muitos séculos. Somente em 1879 ela se fundiu à Congregação de Montecassino.
Guilherme morreu no dia 25 de junho de 1142, no mosteiro de Goleto. Teve os restos mortais transferidos, em 1807, para o santuário do Mosteiro de Maria de Montevergine, o primeiro que ele fundara, hoje um dos mais belos santuários marianos existentes. Em 1942, o papa Pio XII canonizou-o e declarou são Guilherme de Vercelli Padroeiro principal da Irpínia.

São Máximo de Turim
Máximo nasceu depois da metade do século IV, na região do Piemonte, na Itália. Não se sabe muito sobre sua vida, mas seu legado está entre os mais importantes da Igreja.
Era discípulo de dois grandes santos: Eusébio de Vercelli e Ambrósio de Milão, sob a orientação de ambos fundou a diocese de Turim, da qual foi nomeado o primeiro bispo.
Deixou obras literárias muito respeitadas, como o livro que reuniu seus numerosos “sermões e homilias”, um total de oitenta e nove. Seu estilo claro, persuasivo e de uma refinada e sutil ironia, exortava os paroquianos a unirem-se para lutar contra o exército dos bárbaros pagãos que atormentavam os pacatos habitantes.
De personalidade firme e decidida, com caráter manso e benévolo, diante da invasão dos bárbaros chegou a propor aos seus fiéis, amedrontados pela aproximação do inimigo destruidor, empunhar as armas do jejum, da oração e da misericórdia para enfrentá-lo.
Aos medrosos e acovardados, que pensavam em abandonar a cidade, pregou que seriam injustos e pífios se abandonassem a mãe no perigo, pois a pátria é sempre uma doce mãe.
Entretanto, ao tratar dos temas da doutrina dogmática, a sua palavra era uma luz que aclarava imensamente os textos bíblicos, os quais interpretava com a mais perfeita ortodoxia. Venerado como um dos Padres da Igreja pela Igreja ocidental, documentos mais recentes revelam que ele teria convocado o Concílio de Turim, na condição de primeiro bispo daquela diocese, em 398.
Morreu no ano 423, na sua querida diocese. Segundo antiga tradição local, suas relíquias ficaram escondidas por muitos séculos. Depois, perderam-se durante as várias invasões dos bárbaros e pela ação dos hereges iconoclastas no início do século IX. Finalmente, alguns poucos fragmentos dessas relíquias foram encontrados no século XVII e são conservados na catedral de Turim.
O bispo Máximo tinha uma particular veneração por São João Batista, cuja devoção incutiu aos fiéis que elegeram aquele santo como padroeiro de Turim. Por esse motivo, a Igreja marcou a festa litúrgica de são Máximo de Turim para 25 de junho, um dia após a celebração da Natividade de são João Batista.

São Próspero de Aquitânia
Próspero estudou na sua cidade natal, Aquitânia, atual Limoges, França, e logo se tornou escritor e teólogo. As suas obras são quase as únicas fontes de informação sobre ele próprio. Escrevia tanto em verso como em prosa. Por causa do poema “Dê um esposo à sua mulher”, atribuído à sua autoria, chegou-se a supor que ele pudesse ter sido casado. Porém é certo que ele nunca se ordenou sacerdote, embora tenha vivido no mosteiro de Marselha, desde 426. Até morrer, manteve-se apenas um monge leigo. Também não foi mártir e nem patrocinou prodígio algum. Entretanto a Igreja o venera como “Professor da Fé”.
No meio dos sacerdotes marselheses, Próspero viu difundir-se a doutrina herética apregoada por Pelágio, que negava o pecado original e a necessidade da graça divina para a salvação humana. Portanto o ser humano seria capaz de salvar-se apenas praticando o bem e segundo a sua própria vontade, pois a graça divina era importante, mas não indispensável.
Próspero, desde o seu ingresso no mosteiro, tomou parte ativa na luta contra os erros doutrinais divulgados por Pelágio, que os monges marselheses se interessavam na propagação. Próspero defendeu e trabalhou pessoalmente com Agostinho, pois tinha o mesmo entendimento que ele sobre a graça divina. Por isso contou a Agostinho que os “marselheses” eram-lhe os novos opositores doutrinais. Instigado, Agostinho escreveu aquela que foi a sua maior obra: “Da predestinação dos santos e dom da perseverança”. Agostinho morreu logo após, em 430.
Mas nem mesmo após sua morte as críticas dos “marselheses” à sua doutrina atenuaram. Por isso, um ano depois, Próspero decidiu ir a Roma para pedir a intervenção do papa Celestino I, que mandou uma carta aos bispos da França para que acabassem de vez com as críticas ao grande mestre e doutor da Igreja, Agostinho.
Só então Próspero transferiu-se para Roma, em 435, onde continuou com suas obras. Escreveu um comentário sobre os salmos e, principalmente, sobre seu mestre Agostinho, assentando-lhe a doutrina e corrigindo certos exageros encontrados nos seus textos. Próspero captava com facilidade o pensamento muitas vezes obscuro de Agostinho, devido à sua apurada educação literária e filosófica. Ele próprio se tornou um teólogo de rara grandeza para a Igreja.
A partir de 440, Próspero foi convocado pelo papa Leão Magno para ser seu secretário, exercendo a função até depois de 463, quando faleceu. Deixou um grande número de escritos teológicos eclesiásticos, sempre em resposta às diversas calúnias e objeções à rígida doutrina de Agostinho. Aliás, o conteúdo era tão apurado e preciso que continuaram convencendo também os outros pontífices que se sucederam em Roma durante séculos.
O único indício de homenagem a são Próspero de Aquitânia remonta à antiguidade, que é uma pintura na igreja de São Clemente, em Roma. Sem dúvida, trata-se deste santo, porque naquela igreja o papa Zózimo, em 417, condenou o “pelagianismo”, heresia que o grande teólogo combateu ferrenhamente por meio de suas obras.
Próspero de Aquitânia só foi canonizado no século VIII, por isso foi inserido erroneamente no Martirológio Romano por César Baronio, que o confundiu com o bispo de Régio Emilia, seu homônimo, que foi martirizado pela fé no século VIII. Motivo pelo qual os dois santos recebem as homenagens litúrgicas no mesmo dia, 25 de junho.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 22 de Junho de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Jo 3, 17-18
Se alguém possui bens deste mundo e, ao ver seu irmão passar necessidade, lhe fecha o coração, como pode estar nele o amor de Deus? Meus filhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e em verdade.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 30, 11.14
A lei que hoje te imponho não está acima das tuas forças nem fora do teu alcance. Está perto de ti, está na tua boca e no teu coração, para que a possas cumprir.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Is 55, 10-11
Não roubes o pobre, porque é pobre; nem oprimas o infeliz às portas da cidade. Porque o Senhor advogará a sua causa e tirará a vida aos opressores.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
Col 3, 16
Habite em vós com abundância a palavra de Cristo, para vos instruirdes e aconselhardes uns aos outros com toda a sabedoria; e, com salmos, hinos e cânticos inspirados, cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Pedro 5, 8-9a
Sede sóbrios e estai vigilantes: o vosso inimigo, o demónio, anda à vossa volta, como leão que ruge, procurando a quem devorar. Resisti-lhe firmes na fé.
confraria@catolicospraticantes.com.br
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Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.
