1 Samuel 15, 22
11 de setembro de 2024Gálatas 5, 26; 6, 2
12 de setembro de 2024QUINTA-FEIRA – XXIII SEMANA DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu prossiga com diligência na senda cristã, buscando, gradual e progressivamente, plenificar meu viver usufruindo os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual”: os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”), bem como a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Que eu possa usufruir esses tesouros da melhor forma possível, em meio às atividades que me cumpre realizar como deveres inerentes ao meu estado de vida, à vocação para a qual fui chamado. Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
PRIMEIRA LEITURA
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
Início do Livro das Lamentações 1, 1-12.18-20
Desolação de Jerusalém
Como está solitária a cidade outrora tão populosa! Tornou-se como uma viúva a que era grande entre as nações; a princesa entre as províncias ficou sujeita ao tributo.
Passa as noites a chorar, e as lágrimas correm-lhe pelas faces. Não há ninguém que a console entre todos os que a amavam; todos os seus amigos a traíram, tornaram-se seus inimigos.
Judá partiu para o exílio, sob o peso da miséria e de uma dura escravidão; habita no meio das nações, sem encontrar descanso. Todos os seus perseguidores se apoderaram dela no meio das suas angústias.
Os caminhos de Sião estão de luto, porque já não há quem venha às solenidades. Todas as suas portas se encontram destruídas, gemem os seus sacerdotes, as suas virgens estão desoladas, e ela vive oprimida de amargura.
Os seus opressores dominam, os seus inimigos prosperam; foi o Senhor que a afligiu por causa dos seus muitos crimes. Os seus filhinhos foram levados cativos diante do opressor.
Desapareceu da filha de Sião toda a sua glória. Seus chefes tornaram-se como veados que não encontram pastagem: caminhavam sem força diante do perseguidor.
Jerusalém recorda-se dos dias de miséria e vida errante, quando o seu povo sucumbia às mãos do adversário, sem que ninguém viesse em seu auxílio. Os adversários olhavam para ela e riam-se da sua ruína.
Jerusalém pecou gravemente; por isso tornou-se um sítio imundo. Quantos a veneravam mostram-lhe desprezo, porque viram a sua nudez; entretanto ela geme e esconde o seu rosto.
A sua impureza mancha-lhe as vestes; ela nunca previra este fim; a sua queda foi terrível, não há quem a console. «Vede, Senhor, a minha miséria, porque o inimigo triunfa».
O opressor estendeu a mão sobre todos os seus tesouros. E ela viu os pagãos penetrarem no seu santuário, aqueles a quem tínheis proibido que entrassem na vossa assembleia.
Todo o seu povo geme, à procura de pão; troca as suas jóias por alimento para conservar a vida. «Vede, Senhor, e considerai como sou desprezada».
Vós todos que passais pelo caminho, olhai e vede se há dor semelhante à minha dor, que tanto me atormenta; porque o Senhor me feriu no dia da sua cólera ardente.
O Senhor é justo, porque eu fui rebelde às suas ordens. Escutai, povos todos, e vede a minha dor. As minhas donzelas e os meus jovens partiram para o cativeiro.
Chamei pelos meus amigos, mas eles traíram-me. Os meus sacerdotes e os meus anciãos pereceram na cidade, quando buscavam alimento para conservar a vida.
«Vede, Senhor, como estou angustiada. Estremecem as minhas entranhas, o meu coração perturba-se dentro de mim, porque fui muito rebelde». Fora, a espada mata os meus filhos; dentro, não há senão morte.
RESPONSÓRIO cf. Job 16, 16; Lam 1, 16b.18b
R. Escureceram-se os meus olhos de tanto chorar, porque está longe de mim aquele que me consolava. Vede, povos todos, * Se há dor semelhante à minha dor.
V. Vós todos que passais pelo caminho, considerai e vede. * Se há dor semelhante à minha dor.
SEGUNDA LEITURA
Do Comentário de São Bruno, presbítero, sobre os salmos
(Ps. 83: edit. Cartusiae de Pratis, 1891, 376-377) (Sec. XI)
Se me esquecer de ti, Jerusalém…
Como é agradável a vossa morada! A minha alma suspira ansiosamente pelos átrios do Senhor, isto é, pela Jerusalém celeste, a grande cidade do Senhor.
O profeta revela-nos o motivo por que deseja entrar nos átrios do Senhor: «Porque sois o Senhor Deus dos Exércitos celestes, meu Rei e meu Deus! Felizes os que habitam em vossa casa, a Jerusalém celeste». É como se dissesse: «Quem não desejaria entrar nos vossos átrios, sabendo que Vós sois Deus, isto é, o Criador e Senhor dos Exércitos e Rei do universo? Quem não suspiraria pela vossa morada, sabendo como são felizes os que habitam em vossa casa?». átrios e casa têm aqui o mesmo significado. E quando diz felizes, sugere que a sua felicidade é tão profunda que não se pode imaginar. E são felizes, porque Vos louvarão com devoção e amor pelos séculos dos séculos, isto é, eternamente; nem poderiam louvar eternamente se não fossem eternamente felizes.
Ninguém poderia por si próprio alcançar esta felicidade, apesar da sua esperança, fé e caridade; são felizes somente aqueles que em Vós encontram a sua força, para subir os caminhos da felicidade que medita em seu coração. Quer dizer: só poderá chegar a esta felicidade suprema aquele que recebe o auxílio da graça para que o seu coração se vá elevando cada vez mais, através das virtudes e boas obras; pois ninguém pode por si próprio, isto é, sem a graça divina, subir à bem-aventurança celeste, como afirma o Senhor: Ninguém subiu ao Céu, isto é, por si próprio, senão o Filho do homem que está no Céu.
Digo que Ele dispõe o seu coração para subir às alturas da felicidade, porque o homem encontra-se no vale de lágrimas desta vida, que é cheia de sofrimentos e humilhações, comparada com a vida eterna, que é uma excelsa montanha, cheia de alegria sem fim.
Mas como o profeta declara feliz o homem que em Vós encontra a sua força, poderia alguém perguntar: Concede Deus o seu auxílio para esta ascensão à felicidade? Ele responde: Sem dúvida alguma, Deus concede aos santos este auxílio. Cristo, o nosso legislador, não só nos deu a lei mas também nos dá e dará continuamente as suas bênçãos, isto é, os variados e abundantes dons da graça, e assim elevará os seus fiéis à felicidade. Por meio destas bênçãos irão subindo com entusiasmo sempre crescente, até ver a Deus em Sião, quer dizer, até contemplarem um dia a Cristo, Deus dos deuses, na Sião celeste. Ele, que é Deus, divinizará os seus santos. Assim poderão contemplar o Deus dos deuses, isto é, a Santíssima Trindade. Quer dizer: com a sua inteligência, verão a Deus em Si mesmo, a quem neste mundo ninguém pode ver, e então Deus será tudo em todos.
RESPONSÓRIO cf. 1 Jo 3, 2-3
R. Agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. * Sabemos que, na altura em que Deus Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.
V. Todo aquele que tem esta esperança em Deus torna-se puro como Ele é puro. * Sabemos que, na altura em que Deus Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos na sua glória.
Oração
Senhor nosso Deus, que nos enviastes o Salvador e nos fizestes vossos filhos adoptivos, atendei com paternal bondade as nossas súplicas e concedei que, pela nossa fé em Cristo, alcancemos a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
1 Pedro 4, 10-11
Cada um de vós ponha ao serviço dos outros os dons que recebeu, como bons administradores da graça de Deus, tão variada nas suas formas. Se alguém fala, diga palavras de Deus; se alguém exerce um ministério, faça-o como um mandato recebido de Deus, para que em tudo seja Deus glorificado, por Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. De todo o coração eu clamo: Ouvi-me, Senhor.
R. De todo o coração eu clamo: Ouvi-me, Senhor.
V. Quero observar os vossos decretos.
R. Ouvi-me, Senhor.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. De todo o coração eu clamo: Ouvi-me, Senhor.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4485-liturgia-de-12-de-setembro-de-2024>]
QUINTA FEIRA – XXIII SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, ofício do dia)
Antífona
– Vós sois justo, na verdade, ó Senhor, e os vossos julgamentos são corretos. Conforme o vosso amor, Senhor, tratai-me (Sl 118,137.124).
Coleta
– Ó Deus, Pai de bondade, os que redimistes e adotastes como filhos e filhas, e concedei aos que creem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: 1 Cor 8,1b-7.11-13
Salmo Responsorial: Sl 139,1-3.13-14ab.23-24 (R: 24b)
– Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!
R: Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!
– Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos.
R: Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!
– Fostes vós que me formastes as entranhas, e no seio de minha mãe vós me tecestes. Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes! Que prodígio e maravilha as vossas obras!
R: Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!
– Senhor, sondai-me, conhecei meu coração, examinai-me e provai meus pensamentos! Vede bem se não estou no mau caminho, e conduzi-me no caminho para a vida!
R: Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Se nós nos amarmos, irmãos, Deus vive unido conosco e, em nós, seu amor fica pleno! (1Jo 4,12).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 6,27-38
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/quinta-feira-da-semana-xxiii-do-tempo-comum-5/>]
Leitura I 1Cor 8, 1b-7.11-13
Irmãos: A ciência envaidece, ao passo que a caridade edifica. Se alguém pensa que sabe alguma coisa, ainda não sabe como deve saber. Mas se alguém ama a Deus, é conhecido por Deus. Sobre a questão de comer carnes imoladas aos ídolos, bem sabemos que um ídolo não é nada no mundo e que não há senão um único Deus. Porque, embora digam haver deuses no céu e na terra, – na verdade são muitos esses deuses e esses senhores – para nós há um só Deus: o Pai, de quem tudo procede e para o qual fomos criados; e há um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual tudo existe e pelo qual também nós existimos. Mas nem todos têm esta ciência. Alguns, habituados até há pouco tempo à idolatria, comem as carnes imoladas como se estivessem consagradas aos ídolos, e a sua consciência, que é fraca, fica manchada. Deste modo, pela tua ciência, perecerá o fraco, esse irmão por quem Cristo morreu! E ao pecardes assim contra esses irmãos, ferindo a sua consciência, que é fraca, é contra Cristo que pecais. Por isso, se o alimento se torna para o meu irmão ocasião de pecado, nunca mais comerei carne, a fim de não ser para ele ocasião de pecado.
Compreender a palavra
Paulo alerta alguns homens de Corinto que, achando-se mais sábios que os outros, fazem coisas que não devem e pelas quais põem em risco outros irmãos que, sendo mais fracos, não têm a mesma consciência nem os mesmos conhecimentos. Os cristãos têm um único Deus e um único Senhor, Jesus Cristo. Embora no mundo haja muitos ídolos, muitos deuses e os homens sacrifiquem carnes de animais a esses deuses e depois as comam como alimento espiritual, os cristãos sabem que esse alimento não faz nada e por isso até poderiam comê-lo. Mas, diz Paulo, para não escandalizar ou induzir em erro os irmãos recém convertidos, que são mais fracos e que vendo outros mais sábios e mais antigos na fé a comê-las, podem deixar-se perder adorando os ídolos e não o Senhor Jesus. Paulo adverte que estes também pecam, porque são causa de erro para os mais fracos.
Meditar a palavra
Encontramos pessoas simples que adoram a Deus no seu coração com toda a sinceridade e encontramos os sábios, os que sabem como se deve adorar e se riem dos simples por acharem ridícula a sua forma de se dirigirem a Deus. Educar na fé, ensinar e orientar exige caridade e não a vaidade de possuir a ciência. Diz Paulo que a ciência envaidece enquanto a caridade edifica. De facto, recorda ainda Paulo, quem julga saber afinal não sabe é nada porque o importante é o amor e aquele que ama é visto por Deus nos seus gestos sinceros de fé simples. Não provoquemos os outros com a soberba de quem julga saber tudo.
Rezar a palavra
Ai daqueles que provocam escândalo, dizes tu Senhor. E é tão fácil provocarmos situações em que os outros ficam melindrados na sua verdade, na sua fé, na sua maneira de expressar o amor para contigo. Ensina-me, Senhor, a caridade para com os irmãos reconhecendo-os na sua fé simples e aprendendo com eles a verdade do amor com que te rezam.
Compromisso
Aprendo com os simples o amor verdadeiro.
Evangelho Lc 6, 27-38
Naquele tempo, Jesus falou aos seus discípulos, dizendo: «Digo-vos a vós que Me escutais: Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam. Abençoai os que vos amaldiçoam, orai por aqueles que vos injuriam. A quem te bater numa face, apresenta-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, deixa-lhe também a túnica. Dá a todo aquele que te pedir e ao que levar o que é teu, não o reclames. Como quereis que os outros vos façam, fazei-lho vós também. Se amais aqueles que vos amam, que agradecimento mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam. Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto. Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem nada esperar em troca. Então será grande a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, que é bom até para os ingratos e os maus. Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e dar-se-vos-á: deitar-vos-ão no regaço uma boa medida, calcada, sacudida, a transbordar. A medida que usardes com os outros será usada também convosco».
Compreender a palavra
A intervenção de Jesus está construída em três partes, uma introdução e uma conclusão. As duas primeiras partes são construídas a partir dos imperativos “amai”, “abençoai”, “orai”, “apresenta”, “Leva”, “dá”. A segunda parte constrói-se a partir de perguntas retóricas que colocam o acento na diferença de procedimento entre os pagãos e os discípulos. A conclusão surge após a ligação entre o anteriormente dito na qual o Pai é a chave para todo o comportamento “Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso”. Desta forma a conclusão aposta na recompensa como resposta ao comportamento refinado dos discípulos de Jesus.
Meditar a palavra
“Como quereis que os homens vos façam, fazei-lho vós também” e ”Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso” são os conteúdos fundamentais do texto evangélico. Jesus diz-me que, todos os acontecimentos do meu dia devem passar pelo crivo desta afirmação que tem os outros como centro e o Pai como modelo. A atitude para com o próximo determina o meu comportamento e o exemplo do Pai reclama de mim mais do que aquilo que seria justo em qualquer homem bom. A bondade, o amor, o altruísmo do cristão está marcado pelo sem limite da misericórdia do Pai.
Rezar a palavra
“Sede!”. Pedes-me, Senhor, que construa a minha vida como um lugar onde eu sou, cada vez mais, aquilo que tu és. Olhar os outros e atendê-los naquilo que são as suas necessidades e urgências e responder positivamente aos seus pedidos, tomando os seus desejos como meus desejos e não olhar à condição que têm diante de mim, como amigos ou inimigos, é um desafio para que eu seja como tu. O meu coração não é capaz de agir com a mesma misericórdia que o Pai manifesta para comigo. Ensina-me, Senhor, a ir mais longe e ser como tu, misericórdia.
Compromisso
Vou rezar pelos meus inimigos, pelos que me querem mal, pelos que me tornam a vida mais difícil.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor – ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2023/09/santos-do-dia-da-igreja-catolica-12-de-setembro/>
Santos do Dia da Igreja Católica – 12 de Setembro
Postado em: por: marsalima
São Guido de Anderlecht
Guido de Anderlecht viveu entre os séculos X e XI, tendo nascido em Brabante, Bélgica. Desde a infância, já demonstrava seu desapego pelos bens terrenos, tanto que, na juventude, distribuiu aos pobres tudo o que possuía e ganhava. Na ânsia de viver uma vida ascética, Guido abandonou a casa dos pais, que eram bondosos cristãos camponeses, e foi ser sacristão do vigário de Laken, perto de Bruxelas, pois assim poderia ser mais útil às pessoas carentes e também dedicar-se às orações e à penitência.
Quando ficou órfão, decidiu ser comerciante, pois teria mais recursos para auxiliar e socorrer os pobres e doentes. Mas seu navio repleto de mercadorias afundou nas águas do Sena. Então, o comerciante Guido teve a certeza de que tinha escolhido o caminho errado. De modo que se convenceu do equívoco cometido ao abandonar sua vocação religiosa para trabalhar no comércio, mesmo que sua intenção fosse apenas ajudar os mais necessitados.
Sendo assim, Guido deixou a vida de comerciante, vestiu o hábito de peregrino e pôs-se novamente no caminho da religiosidade, da peregrinação e assistência aos pobres e doentes. Percorreu durante sete anos as inseguras e longas estradas da Europa para visitar os maiores santuários da cristandade.
Depois da longa peregrinação, que incluiu a Terra Santa, Guido voltou para o seu país de origem, já fraco e cansado. Ficou hospedado na casa de um sacerdote na cidade de Anderlecht, perto de Bruxelas, de onde herdou o sobrenome. Pouco tempo depois, morreu, com fama de santidade. Foi sepultado naquela cidade e sua sepultura tornou-se um pólo de peregrinação. Assim, com o passar do tempo, foi erguida uma igreja dedicada a ele, para guardar suas relíquias.
Ao longo dos séculos, a devoção a são Guido de Anderlecht cresceu, principalmente entre os sacristãos, trabalhadores da lavoura, camponeses e cocheiros. Aliás, ele é tido como protetor das cocheiras, em especial dos cavalos. Diz a tradição que Guido não resistiu a uma infecção que lhe provocou forte desarranjo intestinal, muito comum naquela época pelos poucos recursos de saneamento e higiene das cidades. Seu nome até hoje é invocado pelos fiéis para a cura desse mal.
A sua festa litúrgica, tradicionalmente celebrada no dia 12 de setembro, traz uma carga de devoção popular muito intensa. Na cidade de Anderlecht, ela é precedida por uma procissão e finalizada com uma benção especial, concedida aos cavalos e seus cavaleiros.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 12 de Setembro de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Sab 19, 20b
Em tudo, Senhor, engrandecestes e glorificastes o vosso povo; e não o desprezastes, antes o assististes em todo o tempo e lugar.
V. Vós sois o Deus que realiza maravilhas:
R. Manifestastes entre as nações o vosso poder.
Oração
Senhor, que à hora de Tércia enviastes o Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos em oração, concedei-nos a graça de tomar parte nos dons do mesmo Espírito. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Deut 4, 7
Não há nação tão grande que tenha a divindade tão perto de si, como está perto de nós o Senhor nosso Deus, sempre que O invocamos.
V. O Senhor está perto de quantos O invocam
R. E ouve a sua oração.
Oração
Deus eterno e omnipotente, para quem nada existe de obscuro e tenebroso, fazei brilhar sobre nós a claridade da vossa luz, para que, guardando os vossos mandamentos, andemos generosamente nos caminhos da vossa lei. Por Nosso Senhor.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Est 10, 3f
A minha nação é Israel, que invocou o Senhor e foi salva. O Senhor salvou o seu povo e livrou-nos de todos os males. Deus fez prodígios e maravilhas, como não fez semelhantes entre todas as nações.
V. Eu Vos darei graças, Senhor, porque me ouvistes
R. E fostes o meu Salvador.
Oração
Olhai benignamente, Senhor, para a vossa família em oração, e fazei que, imitando a paciência de vosso Filho Unigénito, nunca desanime perante a adversidade. Por Nosso Senhor
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Pedro 3, 8-9
Permanecei unidos nos mesmos sentimentos, na compaixão, no amor fraterno, na misericórdia e na humildade. Não pagueis o mal com o mal, nem injúria com injúria. Pelo contrário, abençoai, porque para isto fostes chamados, a fim de vos tornardes herdeiros da bênção de Deus.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha
R. O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha.
V. Saciou-o com o mel dos rochedos.
R. Com a flor da farinha.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Senhor alimentou o seu povo com a flor da farinha.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
1 Tess 5, 23
O Deus da paz vos santifique totalmente, para que todo o vosso ser – espírito, alma e corpo – se conserve irrepreensível para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.

