“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 26 DE OUTUBRO DE 2024
26 de outubro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 28 DE OUTUBRO DE 2024
28 de outubro de 2024DOMINGO DA XXX SEMANA DO TEMPO COMUM
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início do Livro da Sabedoria 1, 1–15
Louvor da Sabedoria de Deus
Amai a justiça, vós que governais a terra,
tende para com o Senhor sentimentos perfeitos
e procurai-O com simplicidade de coração;
porque Ele deixa-Se encontrar pelos que não O tentam
e revela-Se aos que n’Ele confiam.
Os pensamentos perversos afastam de Deus,
e o Omnipotente, posto à prova, confunde os insensatos.
A sabedoria não entra numa alma maliciosa,
nem habita num corpo sujeito ao pecado.
Porque o espírito sagrado, nosso educador, foge da hipocrisia,
afasta-se dos pensamentos insensatos
e retira-se quando chega a iniquidade.
A sabedoria é um espírito amigo dos homens,
mas não deixa sem castigo as palavras do blasfemo;
porque Deus é testemunha dos seus pensamentos,
observa o mais íntimo do seu coração e ouve as suas palavras.
Porque o espírito do Senhor enche o universo;
ele, que abrange todas as coisas, sabe tudo o que se diz.
Por isso aquele que profere palavras iníquas
não poderá esconder-se nem fugir à justiça vingadora.
Os pensamentos do ímpio serão examinados
e o eco das suas palavras chegará ao Senhor,
para castigo dos seus pecados.
Porque o ouvido ciumento ouve tudo
e o rumor das murmurações não lhe passa despercebido.
Acautelai-vos das murmurações inúteis
e guardai a vossa língua da maledicência,
porque a palavra mais secreta não ficará sem castigo
e a boca mentirosa mata a alma.
Não procureis a morte com a vossa vida desregrada,
nem provoqueis a ruína com as obras das vossas mãos.
Não foi Deus quem fez a morte,
nem Ele Se alegra com a perdição dos vivos.
Tudo criou para que subsista
e são salutares as criaturas do mundo.
Não há nelas veneno de morte,
nem o poder do Abismo reina sobre a terra,
porque a justiça é imortal.
RESPONSÓRIO Prov 3, 13a.15a.17; Tg 3, 17
R. Feliz o homem que encontrou a sabedoria: ela é mais preciosa do que as pérolas. * Os seus caminhos são agradáveis e as suas sendas são de paz.
V. A sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, compreensiva, cheia de misericórdia e de boas obras. * Os seus caminhos são agradáveis e as suas sendas são de paz.
SEGUNDA LEITURA
Da Carta de São Clemente I, papa, aos Coríntios
(Cap. 19, 2 – 20, 12: Funk 1, 87-89) (Sec. I)
Providenciando o bem de todos,
Deus ordena o mundo em harmonia e concórdia
Fixemos atentamente o nosso olhar no Pai e Criador do universo e reconheçamos gratamente os seus magníficos dons de paz e todos os seus incomparáveis benefícios. Contemplemo-l’O com o nosso pensamento e vejamos com os olhos da alma a magnanimidade dos seus desígnios; consideremos como é grande a sua benignidade para com todas as criaturas.
Os céus obedecem-Lhe em seus movimentos, com ordem e paz; o dia e a noite completam o curso por Ele estabelecido sem qualquer conflito; o sol e a lua bem como as constelações das estrelas mantêm-se nas órbitas por Ele assinaladas, sem qualquer erro e em perfeita harmonia. A terra fecunda, dócil à sua vontade, produz com abundância nas estações favoráveis o alimento para os homens, para as feras e para todos os seres vivos que nela habitam, sem transgredir nem alterar a ordem por Ele estabelecida.
Obedecem também às suas leis os abismos profundos e impenetráveis do mundo subterrâneo. A imensa vastidão do mar, concentrada em seu leito pela Sabedoria criadora, não ultrapassa os limites que lhe foram assinalados, observando o que Deus lhe ordenou. Disse Ele ao mar: Chegarás até aqui e não irás mais além; aqui se quebrarão as tuas vagas. O oceano que os homens não podem atravessar e os outros mundos que se encontram para além dele são governados pelas mesmas ordens do Senhor.
As estações da Primavera, Verão, Outono e Inverno sucedem-se harmoniosamente umas às outras. Os ventos executam, livres de qualquer impedimento, a sua própria função em tempos determinados. Igualmente as fontes inesgotáveis, destinadas ao bem-estar e à saúde, fornecem continuamente a abundância das suas águas para sustentar a vida humana. Também os mais pequeninos animais cooperam mutuamente em paz e concórdia.
Tudo isto é obra do Senhor, criador do mundo, que dispôs todas as coisas em paz e concórdia, comunicando os seus bens a todas as criaturas, mas com maior abundância a nós que recorremos à sua misericórdia por Nosso Senhor Jesus Cristo. A Ele a honra e a glória pelos séculos dos séculos. Amen.
RESPONSÓRIO cf. Judite 9, 12; 6, 19a
R. Senhor do céu e da terra, Criador das águas, Rei de toda a criação. * Escutai a oração dos vossos servos.
V. Senhor Deus, Rei do céu e da terra, vede a humilhação do vosso povo. * Escutai a oração dos vossos servos.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Ez 36, 25-27
Derramarei sobre vós água pura e ficareis limpos de todas as imundícies; purificar-vos-ei de todos os vossos deuses. Dar-vos-ei um coração novo e infundirei em vós um espírito novo; arrancarei do vosso peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. Infundirei em vós o meu espírito e farei que vivais segundo os meus preceitos, que observeis e ponhais em prática as minhas leis.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
V. Anunciamos as vossas maravilhas.
R. E invocamos o vosso nome.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Nós Vos louvamos, Senhor, e invocamos o vosso nome.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4532-liturgia-de-27-de-outubro-de-2024>]
DOMINGO DA XXX SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – II semana do saltério)
Antífona
– Exulte o coração que busca a Deus. Procurai o Senhor e seu poder, buscai constantemente a sua face (Sl 104, 3s).
Coleta
– Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e, para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Jr 31,7-9
Salmo Responsorial: Sl 126,1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R 3)
– Maravilhas fez conosco o senhor, exultemos de alegria!
R: Maravilhas fez conosco o senhor, exultemos de alegria!
– Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios, de canções.
R: Maravilhas fez conosco o senhor, exultemos de alegria!
– Entre os gentios se dizia: “Maravilhas fez com eles o Senhor!” Sim, Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!
R: Maravilhas fez conosco o senhor, exultemos de alegria!
– Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto. Os que lançam as sementes entre lágrimas ceifarão com alegria.
R: Maravilhas fez conosco o senhor, exultemos de alegria!
– Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes!
R: Maravilhas fez conosco o senhor, exultemos de alegria!
2ª Leitura: Hb 5,1-6
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Jesus Cristo, salvador, destruiu o mal e a morte; fez brilhar, pelo Evangelho, a luz e a vida imperecíveis (2Tm 1,10).
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos: Mc 10,46-52
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/xxx-domingo-do-tempo-comum/>]
LEITURA I Jr 31, 7-9
Eis o que diz o Senhor: «Soltai brados de alegria por causa de Jacob, enaltecei a primeira das nações. Fazei ouvir os vossos louvores e proclamai: ‘O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel’. Vou trazê-los das terras do Norte e reuni-los dos confins do mundo. Entre eles vêm o cego e o coxo, a mulher que vai ser mãe e a que já deu à luz. É uma grande multidão que regressa. Eles partiram com lágrimas nos olhos e Eu vou trazê-los no meio de consolações. Levá-los-ei às águas correntes, por caminho plano em que não tropecem. Porque Eu sou um Pai para Israel e Efraim é o meu primogénito».
Quando Israel está a viver a depressão causada pela derrota frente a Babilónia e a desgraça da deportação, Jeremias anuncia que o Senhor vai mudar a sorte do seu povo e trazer de volta todos os que partiram com lágrimas nos olhos e vai restaurar a primeira das nações.
Salmo 125 (126), 1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)
O salmo reconhece que Deus é quem pode mudar a sorte do seu povo. Como fez ao libertar o povo de Babilónia, faz também hoje e sempre, transformando as lágrimas em alegria, como a chuva muda o deserto num jardim.
LEITURA II Heb 5, 1-6
Todo o sumo sacerdote, escolhido de entre os homens, é constituído em favor dos homens, nas suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Ele pode ser compreensivo para com os ignorantes e os transviados, porque também ele está revestido de fraqueza; e, por isso, deve oferecer sacrifícios pelos próprios pecados e pelos do seu povo. Ninguém atribui a si próprio esta honra, senão quem foi chamado por Deus, como Aarão. Assim também, não foi Cristo que tomou para Si a glória de Se tornar sumo sacerdote; deu-Lha Aquele que Lhe disse: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei», e como disse ainda noutro lugar: «Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec».
Jesus é o sumo sacerdote escolhido por Deus segundo a ordem de Melquisedec. Do mesmo modo que os sacerdotes da antiga aliança eram escolhidos de entre os homens, Jesus é um homem, chamado de entre os homens e constituído sacerdote em favor dos homens.
EVANGELHO Mc 10, 46-52
Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-o». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?». O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.
O cego Bartimeu encontra em Jesus uma segunda oportunidade para sair do pó da estrada, de uma vida inútil para si e para todos, e voltar ao grupo dos discípulos, disposto a seguir pelo caminho da cruz.
Reflexão da Palavra
Jeremias, o profeta que nasceu ainda durante o reinado de Josias e foi chamado pelo Senhor para ser profeta quando era ainda muito jovem, está convencido que é possível restaurar a unidade do povo, dividido após a morte de Salomão, o que levou à destruição do reino do norte pelos assírios em 721. Os sucessores de Josias, Joaquim e Sedecias não conseguiram manter a paz e o reino de Babilónia, com Nabucodonosor à frente, deportou grande parte do povo, destruindo a esperança de Israel.
Jeremias, embora tenha estado acorrentado para ser levado a Babilónia, conseguiu que lhe fosse dada a possibilidade de permanecer em Jerusalém e ali ficou. Uma vez em Jerusalém podia ter seguido para o Egito como fizeram muitos para fugir ao desterro, podia ter ingressado no grupo dos que acreditavam ser possível recuperar a independência através da guerrilha, mas escolheu continuar como profeta da esperança junto dos que ficaram em Jerusalém.
É neste contexto que surgem as palavras da primeira leitura. Trata-se de um grito de esperança no meio do desespero, uma luz na noite escura da derrota, uma manifestação de alegria por entre as lágrimas. O profeta em muitas ocasiões anunciou a desgraça e com isso angariou inimigos entre os importantes e conselheiros do rei, na tentativa de evitar que seguissem pelo caminho da ruína. Agora, que tudo se desmoronou, anuncia a esperança e a alegria do regresso. Tem consciência que é uma notícia difícil de compreender tendo em conta a realidade em que o povo se encontra, por isso tem o cuidado de salientar que não é ele quem o diz, é o Senhor “eis o que diz o Senhor” e a confiança vem do facto de que, o Senhor é “um Pai para Israel e Efraim é o meu primogénito”.
A libertação anunciada é destinada a todos, ao “resto de Israel”, os que ficaram em Jerusalém, os que estão nas terras do norte, “o cego e o coxo, a mulher que vai ser mãe e a que já deu à luz”, todos os que “partiram com lágrimas nos olhos”, porque Deus não abandona ninguém.
Depois de analisarmos a primeira leitura entendemos o salmo 125 como uma composição escrita depois do regresso dos desterrados de Babilónia. O salmista evoca o passado para solicitar a atuação do Senhor no presente e alentar na confiança todos os que, por alguma razão, se vejam em lágrimas, pois o Senhor é capaz de mudar a sorte do seu povo.
De facto, no passado, quando o povo estava em Babilónia “o Senhor mudou o destino de Sião”. Foi algo tão inacreditável e inesperado, ainda que anunciado pelos profetas, que “parecia-nos viver um sonho”. Tratou-se de um feito tão extraordinário que “brotavam expressões de alegria”, soaram “cânticos de júbilo” e até os pagãos diziam “o Senhor fez por eles grandes coisas”.
Hoje, os que sobem a Jerusalém pedem ao Senhor “transformai o nosso destino, como as chuvas transformam o deserto do Negueb”. Israel tem como certeza o que profeta Jeremias anunciou, “os que semeiam em lágrimas recolhem com alegria”.
O mesmo Deus que no passado mudou a sorte de Israel, com a vinda de Jesus Cristo inaugura um tempo novo, instaura com ele uma nova aliança e um novo sacerdócio. A mudança dá-se na continuidade com o que Deus tinha realizado no passado, cumprindo as promessas feitas, mas revelando-se como uma grande novidade, porque em Jesus tudo é novo.
O autor da carta aos hebreus tem o cuidado de mostrar que Jesus não é sumo sacerdócio por se ter apoderado do título, por iniciativa própria, mas foi como os sacerdotes da antiga aliança, “tomado de entre os homens e constituído em favor dos homens”. Deste modo ele é verdadeiro sumo sacerdote, constituído como tal, por “aquele que Lhe disse: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»”. Com isto o autor quer dizer que aqueles que seguem Jesus não são infiéis às tradições dos seus pais, mas vivem o que eles esperaram durante séculos.
Jesus, não sendo da tribo de levi, a tribo sacerdotal, mas da descendência de David, não poderia nunca ser sum o sacerdote. No entanto, o autor de hebreus recorre ao salmo 109 para justificar que, “aquele que Lhe disse: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»” é o mesmo que lhe disse “tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec”. Com isto, faz a aproximação de Jesus a Abraão e revela a liberdade de Deus que não se sente obrigado a seguir pelos nossos esquemas, mas pode suscitar sacerdotes segundo os seus critérios. Ora, o filho de Deus que se fez homem é, por via da encarnação, o verdadeiro mediador entre Deus e os homens, capaz de “ser compreensivo para com os ignorantes e os transviados”.
O relato evangélico situa-nos diante da última cena antes da entrada messiânica de Jesus em Jerusalém e depois do terceiro anúncio da sua morte e do pedido dos filhos de Zebedeu para ocuparem o lugar ao lado de Jesus, como refletimos no passado domingo.
Estamos em Jericó. Marcos não descreve nada de importante que se tenha passado na cidade. É quando saem em direção a Jerusalém, que tudo se passa. Jesus segue rodeado de uma grande multidão quando um cego o surpreende pondo-se aos gritos a pedir a sua atenção. O cego, chamado Bartimeu (filho de Timeu), pede a Jesus “Jesus, Filho de David, tem piedade de mim”.
A forma como Marcos descreve esta cena é muito curiosa e tem muito a dizer-nos. O cego embrulhado na capa e sentado à beira do caminho, ao contrário do que poderíamos esperar, não é um desconhecido. Tem um nome, chama-se Bartimeu, e todos conhecem a sua família, é filho de Timeu. Quando começa a gritar “Jesus, Filho de David, tem piedade de mim” os discípulos reagem de modo inesperado mandando-o calar. É verdade que estão perto de Jerusalém e é perigoso fazer alarido sobre a presença de Jesus porque o querem matar, mas isso não justifica a reação.
O cego conhece Jesus, chama-lhe mestre e Filho de David. Por outro lado, Jesus conhece-lhe a voz e quando todos o impedem de gritar, Jesus manda-o chamar. Perante esta ordem tudo muda. Os discípulos incentivam-no a ter coragem porque o mestre chama e ele pode ter uma segunda oportunidade. Teria Bartimeu sido um do discípulo que abandonou o mestre e acabou cego, caído no pó da estrada numa vida inútil para ele e para os outros? Pode ser.
Jesus faz-lhe a mesma pergunta que tinha feito a Tiago e João “que queres que eu te faça?”, ao que o cego pede o que sabe que Jesus lhe pode dar. Jesus ilumina-o com a fé para que veja “a tua fé te salvou” e diz-lhe “Vai”, mas ele não foi. Diz o evangelho que ele “recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho” o que leva a crer que Jesus lhe disse o mesmo que a Pedro, quando ele o repreendeu após o primeiro anúncio da paixão. A Pedro Jesus também disse “vai-te da minha frente” que é entendido como “vai para trás de mim”, para o lugar dos discípulos seguindo-me. Também ao cego, Jesus, ao dizer “vai” quererá dar-lhe uma segunda oportunidade dizendo-lhe “vai para trás de mim, para o lugar dos discípulos.
Esta ideia torna-se ainda mais forte perante a atitude do cego ao ser chamado por Jesus. Ele “atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus”. Estas três atitudes têm um significado claro no evangelho de Marcos. Atirar a capa revela a decisão de mudar de vida, desprender-se de tudo para seguir Jesus, numa atitude totalmente contrária ao homem rico a quem Jesus desafiou a vender tudo para o seguir e não foi capaz. Deu um salto, o que manifesta decisão feliz. O chamamento era tudo o que esperava que lhe acontecesse e revela que Deus não deixa ninguém para trás. E apresentou-se diante de Jesus disposto a tudo com entusiasmo, coisa que os doze parecem ter perdido no caminho onde o medo tomou conta deles. Jesus reconhece no cego a fé necessária para seguir com ele a Jerusalém e subir à cruz, na esperança da ressurreição.
Meditação da Palavra
A palavra deste XXX domingo do tempo comum, afirma a certeza da possibilidade permanente da salvação porque Deus, que tem poder para mudar a nossa sorte, dá sempre uma segunda oportunidade a todos.
Na primeira leitura, Jeremias é a voz de Deus que desperta a esperança no meio do caos em que se tornou a vida de Israel. Ali, onde a desgraça esmagou o seu povo, quando a noite desceu sobre os corações, quando as correntes aprisionaram as mãos e os pés, Deus convida “soltai brados de alegria por causa de Jacob, enaltecei a primeira das nações” porque, ao contrário do que afirmam as armas da vitória e as lágrimas da derrota, “o Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel”.
O convite à alegria e à esperança vem da certeza de que Deus pode mudar o curso da história do seu povo e da história de cada homem em todos os tempos. Ele pode mudar“o destino de Sião” e transformar em alegria as lágrimas, como refere o salmo 125.
Bartimeu, o discípulo que abandonou Jesus num determinado momento da sua vida, misturou as lágrimas com o pó da terra e entrou na noite escura que o impede de ver quem passa pelo caminho. Caído na desgraça, espera o único conforto que pode ter quem perdeu tudo, até a dignidade de uma vida própria. Mas, ali, à saída de Jericó, onde e quando parecia impossível acontecer, surge Jesus, o mestre, Filho de David, a quem ele abandonara na esperança de poder ganhar o mundo inteiro, apenas porque entendeu que era mais importante despedir-se primeiro da sua família, ou preferiu ir sepultar o seu pai ou esperava algo mais do que uma pedra para reclinar a cabeça. Quem sabe, este cego não é aquele homem rico que tempos antes se aproximou de Jesus em busca da vida eterna e, por causa das riquezas, não teve coragem de o seguir.
Ali, caído por terra, sem luz nos olhos, consegue perceber que, aquele Jesus que ele abandonou, está a passar rodeado de gente que o impede de ver quem está sentado à beira da estrada. Só um grito, uma súplica tirada do fundo da alma, pode fazer parar Jesus. E grita “Filho de David, tem piedade de mim”. Correndo o risco de perder a última oportunidade, ele grita mais alto, contra a vontade da multidão, na esperança de ser atendido “tem piedade de mim”, e tem sorte porque Jesus reconheceu a sua voz e chamou-o novamente. Diante da força do chamamento o homem deixa tudo, dá um salto de alegria e dispõe-se a fazer tudo o que Jesus lhe pedir. E Jesus apenas renova o mesmo desafio de sempre, “põe-te atrás de mim”.
A luz que ilumina o olhar de Bartimeu, livre de preconceitos, disponível a tudo, centrado apenas no mestre, leva-o a Jerusalém, leva-o à cruz, abre-lhe a porta da vida eterna.
Nós somos o bartimeu, aquele cego que um dia teve a oportunidade de seguir Jesus e, por uma qualquer razão se perdeu dele. Ao escutar a palavra deste domingo, sabemos que Jesus, o sumo sacerdote que se compadece dos que, por ignorância se perdem do seu caminho e terminam caídos no pó da estrada entre lágrimas de arrependimento, não deixa ninguém para trás.
Jesus, rodeado de discípulos amedrontados, não deixa que ninguém fique na margem, à beira do caminho, caído, sentado, sem vida, sem luz, sem alegria. Ele conhece a voz do nosso coração que chora e anima a nossa esperança com uma nova oportunidade, “que queres que te faça?”.
E, como Israel, como o cego e tantos outros ao longo da história “parece-nos viver um sonho”. O deserto em que mergulhámos recebe as torrentes de água e as lágrimas transformam-se em alegria. Temos caminho, já não andamos à deriva. Agora, com Jesus, encontrámos um caminho.
Hoje, muitos homens e mulheres, jovens e até crianças vivem à beira do caminho, esperam uma nova oportunidade para encontrar Jesus e precisam de discípulos disponíveis para dizerem com entusiasmo “Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te”
Rezar a Palavra
Como o cego Bartimeu, também eu hoje grito do mais fundo da minha alma por piedade. Tem piedade de mim, Senhor, porque me perdi do caminho certo. Dá-me, Senhor, uma nova oportunidade para regressar ao grupo dos discípulos que querem ir contigo no caminho da vida. Acolhe-me com o teu olhar para que outros, vendo como regressei, sintam vontade de dar os passos necessários para chegar a ti.
Compromisso semanal
Quero dizer a todos “tem coragem! Ele está a chamar por ti”.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/10/santos-do-dia-da-igreja-catolica-27-de-outubro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 27 de Outubro
Postado em: por: marsalima
Santo Elesbão
No século VI, a nação etíope situada a oeste do Mar Vermelho possuía seus maiores limites de fronteira, era um vasto reino que incluía outros povos além dos etíopes. O soberano era Elesbão, rei católico, contemporâneo do imperador romano Justiniano, muito estimado por todos os súditos e seu reino era uma fonte de propagação da fé cristã.
O reino vizinho, formado pelos hameritas, era chefiado por Dunaan, que renegara a fé convertendo-se ao judaímo. Na ocasião, mandou matar todos os integrantes do clero e transformou as igrejas em sinagogas, tornando-se temido e famoso por seu ódio declarado aos cristãos.
Por isso, muitos deles, até o arcebispo Tonfar, buscaram abrigo e proteção nas terras do rei Elesbão, pois até a própria esposa de Dunaan, chamada Duna, foi morta por ele, juntamente com as filhas, por ser cristã. Os registros indicam que houve um verdadeiro massacre, no qual morreram cerca de quatro mil cristãos.
Elesbão decidiu reagir àquela verdadeira matança imposta aos irmãos católicos e declarou guerra a Dunaan. Liderando seu povo na fé e na luta, ganhou a guerra e a vizinhança passou a ser governada pelo rei Ariato, um cristão fervoroso.
Mas ele teve de vencer outra batalha ainda maior além dessa travada contra o inimigo, aquela contra si mesmo. Depois de um curto período de muita oração e penitência, aceitou o chamado de Deus. Abdicou do trono em favor do filho, seu sucessor natural, e dividiu seus tesouros entre os súditos pobres. Assim, Elesbão partiu para Jerusalém, onde depositou sua coroa real na igreja do Santo Sepulcro, e retirou-se para o deserto, vivendo como monge anacoreta até morrer em 555.
No Brasil, a partir dos escravos, foi muito difundida a devoção de santo Elesbão, o rei negro da Etiópia. Sua festa é celebrada em todo o mundo cristão, do Ocidente e do Oriente, no dia 27 de outubro, considerado o dia de sua morte.
São Frumêncio
Desde a adolescência Frumêncio teve sua vida marcada por acontecimentos surpreendentes que o levaram a uma região exótica e distante, a Etiópia, no coração da África, da qual se tornou o primeiro bispo. Antes disso, porém, foi discípulo de filósofo, e um escravo muito especial.
Era o tempo do imperador Constantino e Frumêncio estava entre os discípulos na comitiva que acompanhava o filósofo Merópio. Voltavam de uma viagem à Ìndia e a embarcação parou no porto de Adulis, no mar Vermelho. Então, foram atacados por ladrões etíopes, que saquearam o barco e mataram os passageiros e tripulantes. Todos, exceto os amigos adolescentes, Frumêncio e Edésio. Os dois foram salvos por um motivo banal: naquele momento estavam sob uma árvore, entretidos na leitura de um livro. Sobreviveram, porém foram levados para a Etiópia e entregues ao rei, como escravos.
Depois de conversar com eles e admirar-se com sua sabedoria, o rei decidiu mantê-los no palácio. Edésio como copeiro e Frumêncio como um secretário direto. Sua influência cresceu na Corte, principalmente junto à rainha. Ao tornar-se viúva, ela assumiu o poder para o filho menor, como regente. Libertou Frumêncio e Edésio, entregando-lhes a educação de seu filho, o futuro rei. Ou seja: só poderiam partir ao concluírem a tarefa.
Tempos depois, eles conseguiram da rainha autorização para construir uma igreja próxima ao porto, para servir os mercadores cristãos que passavam pelo país. Isso muito significou para a difusão da fé cristã junto ao povo etíope, embora com dificuldade. Lentamente, foi nela que a semente do cristianismo germinou no continente africano.
No tempo certo, obtiveram permissão de voltar à pátria, o Tiro, no sul da Síria, atual Líbano. Enquanto Edésio se dirigia para a cidade natal, onde se encontrou como o historiador, hoje santo, Rufino, que registrou toda a aventura, o amigo Frumêncio foi para Alexandria, no Egito. Queria pedir ao então bispo, santo Atanásio, que designasse um bispo e missionários para comandar a pregação católica na Etiópia. Atanásio não se fez de rogado, entendendo que o mais indicado era o próprio Frumêncio. Consagrou-o bispo da Etiópia.
Quando retornou, Frumêncio encontrou no trono da Etiópia o jovem rei seu pupilo, que lhe dedicava grande estima, que logo em seguida se converteu e foi batizado, convidando todo o seu povo a acompanhá-lo no seguimento de Cristo.
Frumêncio, chamado pelos etíopes de “Abba Salama”, ou seja, “Pai da Paz”, desenvolveu seu trabalho missionário na Etiópia até morrer no ano 380. A Igreja comemora no dia 26 de outubro aquele que considera o “Apóstolo da Etiópia”.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 27 de Outubro de 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 5, 1-2.5
Tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual temos acesso, na fé, a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
V. Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor
R. E para sempre proclamarei a sua fidelidade.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 26
O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos o que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.
V. A Vós, Senhor, se eleva a minha súplica:
R. Dai-me inteligência segundo a vossa palavra.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Cor 1, 21-22
Quem nos confirma em Cristo – a nós e a vós – é Deus. Foi Ele que nos concedeu a unção, nos marcou com um sinal e imprimiu em nossos corações o penhor do Espírito.
V. O Senhor é minha luz e salvação,
R. O Senhor é o protetor da minha vida.
Oração
Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, derramai sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
2 Tes 2, 13-14
Devemos continuamente dar graças a Deus por vós, irmãos amados por Deus, porque Deus vos escolheu como primícias para serdes salvos pelo Espírito que santifica e pela fé na verdade. Foi para isso que Ele vos chamou por meio do Evangelho, para possuirdes a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
V. Infinita é a sua sabedoria.
R. Admirável é o seu poder.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Grande é o Senhor, admirável é o seu poder.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


