“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 2 DE NOVEMBRO DE 2024
2 de novembro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 4 DE NOVEMBRO DE 2024
4 de novembro de 2024DOMINGO – TODOS OS SANTOS E SANTAS
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início do Primeiro Livro dos Macabeus 1, 1-24
Vitória e soberba dos gregos
Depois de se ter apoderado da Grécia, Alexandre, filho de Filipe da Macedónia, oriundo do país de Quitim, atacou e venceu Dario, rei dos persas e dos medos, e começou a reinar em seu lugar. Travou inúmeras batalhas, conquistou praças fortes, matou reis, marchou até aos confins da terra e apoderou‑se dos despojos de muitas nações. A terra emudeceu diante dele, e o seu coração exaltou‑se e encheu‑se de orgulho. Reuniu um exército muito poderoso e submeteu províncias, nações e soberanos, fazendo‑os tributários. Mas depois caiu doente e compreendeu que ia morrer. Chamou os seus oficiais mais ilustres, que se tinham criado com ele desde a juventude e, ainda em vida, repartiu entre eles o seu reino. Alexandre reinava havia doze anos quando morreu. Os seus oficiais tomaram conta do poder, cada qual no seu território. Depois da morte de Alexandre, todos cingiram a coroa e, depois deles, os seus filhos, durante muitos anos; e multiplicaram‑se os males sobre a terra. Deles brotou aquela raiz de pecado, Antíoco Epífanes, filho do rei Antíoco, que estivera em Roma como refém e começou a reinar no ano cento e trinta e sete do império grego. Naqueles dias, apareceram em Israel homens perversos que seduziram muitas pessoas, dizendo: «Vamos fazer uma aliança com os povos que nos rodeiam, pois desde que nos separámos deles sucederam‑nos muitas desgraças». Estas palavras pareceram bem aos olhos daquela gente, e alguns de entre o povo apressaram‑se a ir ter com o rei, que lhes deu autorização para seguirem os costumes dos gentios. Construíram um ginásio em Jerusalém, de acordo com os usos pagãos; disfarçaram os sinais da circuncisão e afastaram‑se da santa aliança; coligaram‑se com os estrangeiros e tornaram‑se escravos do mal. Quando Antíoco se viu consolidado no poder, resolveu apoderar‑se do Egipto, a fim de reinar sobre ambos os reinos. Entrou no Egipto com um poderoso exército, com carros, elefantes, cavalos e uma grande armada, e travou combate com Ptolomeu, rei do Egipto. Ptolomeu foi desbaratado e fugiu, deixando muitos feridos. Os vencedores apoderaram‑se das cidades fortificadas do Egipto e saquearam o país. Depois de ter derrotado o Egipto, Antíoco regressou, no ano cento e quarenta e três, e marchou contra Israel e Jerusalém com um poderoso exército. Entrou com arrogância no santuário e apoderou‑se do altar de ouro, do candelabro das luzes com todos os seus acessórios, da mesa da proposição, dos vasos das libações, dos cálices e bandejas de ouro, do véu, das coroas e de todo o ornamento de ouro que havia na fachada do templo. Apoderou‑se também do ouro, da prata, dos objectos preciosos e de todos os tesouros ocultos que pôde encontrar. Com tudo isto, voltou para a sua terra, depois de ter feito grande carnificina e proferido palavras insolentes.
RESPONSÓRIO cf. 2 Mac 7, 33; Hebr 12, 11
R. Deus irritou-Se connosco por breve tempo, para nosso castigo e correcção; * De novo o Senhor Se reconciliará com os seus servos.
V. Toda a correcção parece no momento ser causa de tristeza, mas depois dá um fruto de paz e de justiça. * De novo o Senhor Se reconciliará com os seus servos.
SEGUNDA LEITURA
Da Constituição pastoral Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, sobre a Igreja no mundo contemporâneo
(N. 78) (Sec. XX)
Promover a paz
A paz não é apenas a ausência de guerra, nem se reduz a mero equilíbrio entre forças adversas, nem deriva de um domínio despótico, mas define‑se, com toda a razão e propriedade, como obra de justiça. É fruto daquela ordem que o divino Criador estabeleceu para a sociedade humana e que deve ser realizada pelos homens que anelam por uma justiça mais perfeita. O bem comum do género humano rege‑se fundamentalmente pela lei eterna; mas, quanto às suas exigências concretas, está sujeito a constantes modificações, ocasionadas pelo decorrer dos tempos; por isso a paz nunca se alcança de uma vez para sempre, mas tem de ser edificada continuamente. Além disso, como a vontade humana é frágil e está ferida pelo pecado, a manutenção da paz exige de cada um o constante domínio das paixões e requer da autoridade legítima uma contínua vigilância. Mas isto não basta. Esta paz não se pode alcançar na terra, se não se garante o bem das pessoas e se os homens não comunicarem entre si, livre e confiadamente, as riquezas do seu espírito e do seu talento. São absolutamente necessárias para a edificação da paz a vontade firme de respeitar a dignidade dos outros homens e povos e a prática assídua da fraternidade. Por isso deve dizer‑se que a paz é também fruto do amor, que ultrapassa os limites da justiça.
A paz terrena, nascida do amor do próximo, é imagem e efeito da paz de Cristo, que procede de Deus Pai. Com efeito, o próprio Filho encarnado, príncipe da paz, reconciliou todos os homens com Deus pela sua cruz, matando o ódio na sua própria carne e restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só corpo; e depois do triunfo da ressurreição, derramou o Espírito de amor no coração dos homens.
Por isso, todos os cristãos são instantemente chamados a praticar a verdade na caridade e a unir‑se com os homens verdadeiramente pacíficos para implorar e estabelecer a paz. Movidos pelo mesmo espírito, não podemos deixar de louvar aqueles que, renunciando à violência na reivindicação dos seus direitos, recorrem a meios de defesa que estão também ao alcance dos mais fracos, desde que isto se possa fazer sem lesar os direitos e obrigações de outros ou da comunidade.
RESPONSÓRIO cf. 1 Cron 29, 11.12; Sir 50, 25; 2 Mac 1, 24
R. Vosso é o reino e o poder para sempre, Vós estais acima de todos os povos. * Senhor, dai a paz aos nossos dias.
V. Deus, criador do universo, temível e poderoso, justo e compassivo, * Senhor, dai a paz aos nossos dias.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Ez 37, 12b-14
Assim fala o Senhor Deus: Vou abrir os vossos túmulos e deles vos farei ressuscitar, ó meu povo, para vos reconduzir à terra de Israel. Haveis de reconhecer que Eu sou o Senhor, quando abrir os vossos túmulos e deles vos fizer ressuscitar, ó meu povo. Infundirei em vós o meu espírito e revivereis. Hei-de fixar-vos na vossa terra, e reconhecereis que Eu, o Senhor, digo e faço – palavra do Senhor.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que estais sentado à direita do Pai.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4539-liturgia-de-03-de-novembro-de-2024>]
DOMINGO – TODOS OS SANTOS E SANTAS
(branco, glória, creio, prefácio próprio – ofício da solenidade)
Antífona
– Alegremo-nos todos no Senhor, celebrando este dia festivo em honra de todos os santos. Nesta solenidade os anjos se alegram e conosco dão gloria ao Filho de Deus.
Coleta
– Deus eterno e todo-poderoso, que nos permitis celebrar os méritos de todos os vossos santos numa única festa, concedei-nos, por intercessores tão numerosos, a desejada abundância da vossa misericórdia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
1ª Leitura: Ap 7,2-4.9-14
Salmo Responsorial: Sl 24,1-2.3-4ab.5-6. (R: 6)
– É assim a geração dos que procuram o Senhor!
R:É assim a geração dos que procuram o Senhor!
– Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.
R:É assim a geração dos que procuram o Senhor!
– “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” “Quem tem mãos puras e inocente o coração, quem não dirige sua mente para o crime.
R:É assim a geração dos que procuram o Senhor!
– “Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador”. “É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face”.
R:É assim a geração dos que procuram o Senhor!
2ª Leitura: 1 João 3,1-3
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Vinde a mim, todos vós que estais cansados e penais a carregar pesado fardo, e descanso eu vos darei, diz o Senhor! (Mt 11,28)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Mateus:Mt 5,1-12a
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Mateus.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/todos-os-santos-8/>]
LEITURA I Ap 7, 2-4.9-14
Eu, João, vi um Anjo que subia do Nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele clamou em alta voz aos quatro Anjos a quem foi dado o poder de causar dano à terra e ao mar: «Não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus». E ouvi o número dos que foram marcados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. Depois disto, vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. E clamavam em alta voz: «A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro». Todos os Anjos formavam círculo em volta do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres Vivos. Prostraram-se diante do trono, de rosto por terra, e adoraram a Deus, dizendo: «Amen! A bênção e a glória, a sabedoria e a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amen!». Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: «Esses que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?». Eu respondi-lhe: «Meu Senhor, vós é que o sabeis». Ele disse-me: «São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro».
A visão dos que passaram pela grande tribulação e lavaram as túnicas no sangue do Cordeiro e dos 144 mil que foram marcados na fronte, desperta em nós a coragem de atravessar a vida dando o melhor de nós mesmos como pessoas de fé, porque na casa do Pai há mesmo lugar para nós.
Salmo 23 (24), 1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)
O salmo recorda que somos “a geração dos que procuram o Senhor”. Ele é o Senhor de toda a terra e em todas as coisas percebemos a sua presença. Seremos sempre demasiado pequenos para entrar no santuário e ir à presença do Senhor, mas podemos sempre purificar o coração e as mãos de todas as ações e intenções que desfiguram a veste própria para o encontro com ele.
LEITURA II 1 Jo 3, 1-3
Caríssimos: Vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus. E somo-lo de facto. Se o mundo não nos conhece, é porque não O conheceu a Ele. Caríssimos, agora somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, na altura em que se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é. Todo aquele que tem n’Ele esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro.
O amor de Deus por nós manifestado em Cristo é razão suficiente para todo o esforço de purificação que nos é pedido, pois, como filhos, queremos ser semelhantes Deus.
EVANGELHO Mt 5, 1-12
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».
As bem-aventuranças são um caminho de perfeição que Jesus ensina aos seus discípulos para eles alcançarem a felicidade. Nem todos querem seguir por este caminho que implica renúncia e desprendimento, dedicação e compromisso social com os mais desfavorecidos e com as causas mais difíceis que podem atrair a incompreensão e a perseguição.
Reflexão da Palavra
O último livro da Bíblia, pouco conhecido do comum das pessoas, não é fácil de ler e interpretar, devido ao estilo apocalítico. Escrito pelo evangelista João, pretende apresentar uma interpretação do sentido e fim da história à luz de Jesus. O texto da primeira leitura é antecedido pela visão dos quatro anjos, colocados nos quatro pontos cardeais, que seguram os quatro ventos para que não soprem sobre a terra. Prender o vento significa que se vive um intervalo onde não há destruição, porque o vento quando sopra com força destrói, mas também significa que podem reter o ar e impedir a respiração ao que resta da criação.
Depois ouve-se a voz do anjo do oriente que ordena aos quatro anjos que respeitem a vida e não provoquem a destruição, “não causeis dano à terra, nem ao mar, nem às árvores”. Até quando? “até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”. Portanto, só depois de serem marcados todos os que foram eleitos e que, apesar das ameaças, permaneceram fiéis. São particularmente os mártires. Estes permitem que continuem a viver os que os perseguem, graças à sua fidelidade. Pode ler-se a este propósito Jeremias capítulo 9.
Estes são 144 mil, um número simbólico com fundamento nas 12 tribos de Israel. São marcados 12 000 de cada tribo (Ap 7,5-8). Todos são marcados com o selo, homens e mulheres que dão testemunho de Jesus, enfrentando a morte se necessário. Também os adoradores da Besta são marcados na mão e na fronte “a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, marcou-os com um sinal na mão direita e na fronte” (Ap 13,16).
Da luta entre os “servos do Senhor” e os “adoradores da Besta”, saem vitoriosos os servos do Senhor que vêm de todas as tribos e línguas, não apenas de Israel, e são introduzidos na liturgia celeste, colocando-se “diante do trono e na presença do Cordeiro”. A vitória, cantada pelos que foram salvos, deve-se ao “nosso Deus que está sentado no trono e ao Cordeiro”.
Entra em cena, então, um ancião com uma pergunta para a qual João não tem resposta. Por isso o ancião dá a resposta afirmando que, todos os que constituem aquela multidão vieram da “grande tribulação” e “lavram as túnicas no sangue do Cordeiro” e podem entrar na vida para cantar o cântico novo, que diz “a bênção e a glória, a sabedoria e a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus”.
O salmo 23 é um hino de louvor usado muito provavelmente nas celebrações do templo. Na sua composição podemos perceber três partes. O sacerdote começa por aclamar o Senhor pelo seu poder criador e pelo seu senhorio sobre todas as coisas; na segunda parte, levanta-se uma voz que pergunta quem pode aproximar-se do Senhor de toda a terra e entrar no seu santuário. A resposta dada pelo sacerdote invoca a pureza de coração como condição para entrar no santuário do Senhor. Finalmente, a conclusão anuncia a bênção para quem tem um coração puro juntamento com a decisão de todo o povo reconhecendo-se como “a geração dos que O procuram” e estão decididos a purificar o coração.
João faz a grande afirmação da experiência cristã, somos filhos de Deus nascido do seu amor “vede que admirável amor o Pai nos consagrou em nos chamar filhos de Deus”. Esta verdade não é compreendida por todos. João reconhece que muitos, a que ele chama “mundo”, não são capazes de reconhecer esta filiação, porque não conhecem a Deus. Mas aqueles que o reconhecem, sabem que a experiência filial é apenas o início do que seremos quando virmos Deus face a face. Então, “seremos semelhantes a Deus”. Esta certeza, que é esperança, motiva o cristão a “ser puro, como Deus é puro”.
Mateus recria a cena onde decorre o célebre sermão da montanha que vai ocupar os capítulos cinco, seis e sete do seu evangelho. Jesus sobe ao monte, lugar da manifestação de Deus, como em Ex 19, 16 quando Moisés subiu ao Sinai. Depois, Jesus senta-se como mestre reconhecido por todos pela autoridade com que fala e, por isso, vêm de longe para o escutar (Mt 4,25). O sermão da montanha não é uma nova lei, mas um programa de vida para os que querem seguir Jesus como discípulos. Embora o auditório esteja formado pelos discípulos e por numerosa multidão, o conteúdo do sermão dirige-se em primeiro lugar aos discípulos. No entanto, a multidão também se entusiasma com as palavras de Jesus (Mt 7,28-29).
O corpo do evangelho desta solenidade é constituído pelas nove bem-aventuranças (5,3-10). As primeiras oito estão construídas a partir de uma estrutura simples que começa com a proclamação de “bem-aventurados”, a indicação dos beneficiários e a conclusão, “porque”, indicando o motivo, sendo que a primeira e a oitava terminam do mesmo modo “porque deles é o Reino dos Céus” e referem-se ao presente enquanto as demais se remetem ao futuro.
Relativamente à nona Bem-aventurança é importante referir que tem uma construção diferente. Jesus retoma o tema da oitava, a perseguição, desenvolve-o explicando os motivos que a provocam e explica que os seus discípulos encontram aí motivo de alegria e não de desânimo ou tristeza.
Os pobres (aqueles que por si mesmos não consegue resolver as questões mais importantes da sua vida) têm o privilégio da primeira bem-aventurança. É o único grupo de pessoas citado em particular. Jesus veio anunciar a Boa Nova aos pobres, por isso, eles têm o primeiro lugar no seu ministério, são a sua primeira preocupação. As outras bem-aventuranças têm como destinatários todos os homens, independentemente da sua situação social, económica, política ou religiosa.
Os que choram, da segunda bem-aventurança, são todos os que, perante a realidade, sentem que ainda não está em curso a realização da promessa de Deus ao seu povo. Para esses Deus e só Deus, realizará a sua esperança.
Os humildes, cujo significado se aproxima muitos dos pobres, são os que têm por herança a terra. Estes são os que, podendo ser ricos, se desprendem de tudo, dos bens e do poder, e vivem confiados apenas em Deus. É curioso que Jesus se identifica precisamente com os humildes “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29).
Os que “têm fome e sede de justiça” são os que procuram o centro do evangelho, fazer a vontade de Deus. O próprio Jesus diz de si mesmo e recorda a João Batista “convém que cumpramos assim toda a justiça” (Mt 3,15). A justiça, que é um atributo de Deus, significa também misericórdia. Portanto, os que procuram a justiça são os que se identificam com Deus, procuram fazer a sua vontade e usam de misericórdia para com todos. A estes Jesus promete que um dia verão o mundo onde reina a justiça. Será quando todos se renderem à vontade de Deus e viverem uns com os outros com sentimentos de misericórdia.
Estes, que vivem sentimentos de misericórdia, de acordo com a quinta bem-aventurança, não são apenas pessoas de bons sentimentos, são pessoas ativas e dinâmicas em relação aos outros. Atuam de acordo com a misericórdia, compaixão, bondade e amor, como Deus, preocupados com a salvação de todos, prontos a prestar auxílio aos que necessitam e sobretudo dispostos ao perdão.
A pureza de coração é a condição, víamos no salmo 23 e na primeira carta de João, para entrar no santuário e ir ao encontro do Senhor. A relação com Deus constrói-se a partir deste requisito. Estes, os puros de coração, “verão a Deus”.
A desarmonia provocada pelo pecado afastou para longe a paz do paraíso perdido. A promessa de Deus, porém, prevê que a chegada do Messias será o regresso do paraíso, da paz desejada. “Pedi a paz para Jerusalém… haja paz dentro dos teus muros” (Sl 122). Os pacificadores são os que pedem a paz, os que restabelecem as relações entre as pessoas e os que trabalham pela união entre judeus e pagãos, os que se esforçam pela reconciliação e os que trabalham pela promoção dos povos. Jesus é o grande reconciliador da humanidade. Estes, como Jesus, são filhos de Deus.
A oitava bem-aventurança declara bem-aventurados os que sofrem perseguição. E diz que a razão da perseguição é a justiça, por quererem o que Deus quer. São como os profetas e como Jesus que, sentiram de forma permanente a vida ameaçada por causa da sua adesão à causa de Deus.
A razão da perseguição aos discípulos de Jesus é o próprio Jesus. Terem-se alistado no grupo dos seguidores do mestre atraiu para eles a perseguição. O leitor do evangelho de Mateus percebe que aderir a Jesus é perigoso. Aderir a Jesus, assumir o desejo de fazer a vontade de Deus, lutar pela reconciliação entre os homens e dos homens com Deus, perdoar e promover o perdão, desprender-se dos bens deste mundo, assumir uma atitude humilde e chorar com os que choram é perigoso, atrai a incompreensão que leva à perseguição. O discípulo, porém, deve alegrar-se “porque é grande nos Céus a vossa recompensa”.
Meditação da Palavra
No dia em que a Igreja celebra a solenidade de todos os santos ressoa um convite a subir ao templo do Senhor, colocar-se diante do trono do Cordeiro e prostrar-se de rosto por terra para o adorar. Este convite questiona-nos: “Quem poderá subir à montanha do Senhor? Quem habitará no seu santuário?”
O evangelista João diz, na primeira leitura tirada do livro do Apocalipse, que é possível entrar no templo e ir à presença do Cordeiro, porque o Senhor, o “Deus vivo”, impede os anjos dos quatro ventos de provocar dano à terra, e marca na fronte com o seu selo aqueles que lhe pertencem, “os servos do nosso Deus”, e diz quantos são “cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel”. É um número perfeito que indica a totalidade dos que, sendo israelitas por nascimento se converteram ao cordeiro tornando-se cristãos. Mas também podem subir à presença de Deus todos “os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro”, depois de terem passado pela “grande tribulação”, ou seja, “uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas”.
Quem pode, então, entrar no santuário do Senhor e permanecer na sua presença? “O que tem as mãos inocentes e o coração puro, o que não invocou o seu nome em vão”, diz o salmo 23, “os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro”, diz o livro do Apocalípse e “todo aquele que tem n’Ele, (no Pai) esta esperança purifica-se a si mesmo, para ser puro, como Ele é puro” diz João na primeira carta.
É possível, e o caminho está aberto a todos, porque “o Pai nos consagrou” no seu amor e agora somos filhos e seremos ainda mais, diz João na segunda leitura, quando se manifestar “o que havemos de ser”. Então, “seremos semelhantes a Deus, porque O veremos tal como Ele é”. É esta certeza que nos leva a exercer todo o esforço para chegar à pureza necessária e permanecermos diante de Deus “tal como ele é”.
Entrar no santuário do “Deus vivo” é possível para a todos os que “procuram a face de Deus”. Estes encontram nas bem-aventuranças um programa que os leva ao reino dos céus, como filhos de Deus e herdeiros da terra. O programa de Jesus propõe a pobreza livre e a opção pelo cuidado aos pobres que o são por imposição, como caminho para o reino dos céus. Valoriza os que choram e os que enxugam as lágrimas, os humildes porque põem a sua confiança unicamente em Deus e os famintos de justiça que desejam fazer sempre a vontade de Deus, os misericordiosos porque aprendem de Deus a compaixão e a bondade, sempre preocupados com a salvação de todos, prontos a prestar auxílio aos que necessitam e sobretudo dispostos ao perdão. Os que não têm maldade no coração e se purificam continuamente tornam-se lugares de paz, herdeiros do reino, filhos de Deus que o podem contemplar. Estes são os bem-aventurados, os felizes que podem entrar no santuário do Deus vivo. Estes, como diz o salmo 23, serão “abençoados pelo Senhor e recompensados por Deus, seu Salvador”. Estes podemos ser nós, se procurarmos a face de Deus, purificarmos as mãos e o coração, se, animados pela esperança que vem do amor com que Deus nos consagrou, lavarmos as nossas vestes no sangue do Cordeiro sem medo da tribulação em que vivemos por estarmos no mundo. Estes são todos os que se experimentam amados e por isso procuram aquele que os ama.
Rezar a Palavra
Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos a Deus, nosso Salvador. Vamos à sua presença e dêmos graças, ao som de cânticos aclamemos o Senhor. Grande Deus é o Senhor, Rei maior que todos os deuses. Em sua mão estão as profundezas da terra e pertencem-Lhe os cimos das montanhas. D’Ele é o mar, foi Ele quem o fez, d’Ele é a terra firme, que suas mãos formaram. Vinde, prostremo-nos em terra, adoremos o Senhor que nos criou. Ele é o nosso Deus e nós o seu povo, ovelhas do seu rebanho. (Sl 94).
Compromisso semanal
Prostro-me diante do Senhor em adoração.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/11/santos-do-dia-da-igreja-catolica-03-de-novembro/>
Santos do Dia da Igreja Católica – 03 de Novembro
Postado em: por: marsalima
São Martinho de Porres
Martinho de Lima, ou melhor, Marinho de Porres, conviveu com a injustiça social desde que nasceu, em 9 de dezembro de 1579, em Lima, no Peru. Filho de Juan de Porres, um cavaleiro espanhol, e de uma ex-escrava negra do Panamá, foi rejeitado pelo pai e pelos parentes por ser negro. Tanto que na sua certidão de batismo constou “pai ignorado”. O mesmo aconteceu com sua irmãzinha, filha do mesmo pai. Mas depois Juan de Porres regularizou a situação e viveu ainda algum tempo com os filhos, no Equador. Quando foi transferido para o Panamá como governador, deixou a menina aos cuidados de um parente e Martinho com a própria mãe, além de meios de sustento e para que estudasse um pouco.
Aos oito anos de idade, Martinho tornou-se aprendiz de barbeiro-cirurgião, duas profissões de respeito na época, aprendendo numa farmácia algumas noções de medicina. Assim, estava garantido o seu futuro e dando a volta por cima na vida.
Mas não demorou muito e a vocação religiosa falou-lhe mais alto. E ele, novamente por ser negro, só a muito custo conseguiu entrar como oblato num convento dos dominicanos. Tanto se esforçou que professou como irmão leigo e, finalmente, vestiu o hábito dominicano. Encarregava-se dos mais humildes trabalhos do convento e era barbeiro e enfermeiro dos seus irmãos de hábito. Conhecedor profundo de ervas e remédios, devido à aprendizagem que tivera, socorria todos os doentes pobres da região, principalmente os negros como ele.
A santidade estava impregnada nele, que além do talento especial para a medicina foi agraciado com dons místicos. Possuía muitos dons, como da profecia, da inteligência infusa, da cura, do poder sobre os animais e de estar em vários lugares ao mesmo tempo. Segundo a tradição, embora nunca tenha saído de Lima, há relatos de ter sido visto aconselhando e ajudando missionários na África, no Japão e até na China. Como são Francisco de Assis, dominava, influenciava e comandava os animais de todas as espécies, mesmo os ratos, que o seguiam a um simples chamado.
A fama de sua santidade ganhou tanta força que as pessoas passaram a interferir na calma do convento, por isso o superior teve de proibi-lo de patrocinar os prodígios. Mas logo voltou atrás, pois uma peste epidêmica atingiu a comunidade e muitos padres caíram doentes. Então, Martinho associou às ervas a fé, e com o toque das mãos curou cada um deles.
Morreu aos sessenta anos, no dia 3 de novembro de 1639, após contrair uma grave febre. Porém o padre negro dos milagres, como era chamado pelo povo pobre, deixou sua marca e semente, além da vida inteira dedicada aos desamparados. Com as esmolas recebidas, fundou, em Lima, um colégio só para o ensino das crianças pobres, o primeiro do Novo Mundo.
O papa Gregório XVI beatificou-o em 1837, tendo sido canonizado em 1962, por João XXIII, que confirmou sua festa no dia 3 de novembro. Em 1966, Paulo VI proclamou são Martinho de Porres padroeiro dos barbeiros. Mas os devotos também invocam sua intercessão nas causas que envolvem justiça social.
São Humberto de Liège
Muito pouco se sabe sobre a vida de Humberto, que nasceu no ano 656. Pertencia a uma família da nobreza, pois seu pai, Beltrão, era rei da Aquilânia, hoje França. Desde a infância mostrou prazer pela caça, crescendo forte e muito valente neste esporte. Conta a tradição que ele, na juventude, salvou a vida do rei, seu pai, que fora atacado por uma fera, numa de suas habituais caçadas.
Depois disso, foi enviado para estudar na Bélgica, mas seu pai, temendo que a corrupção daquela Corte pudesse envolver o jovem príncipe herdeiro, enviou-o aos cuidados do rei Pepino de Lotaríngia, Alemanha, que o preparou na carreira militar. Carreira tão cheia de sucessos que foi recompensado com um casamento. Para esposa, escolheu a filha do conde Dagoberto de Louvânia. Da união nasceu um filho, Floriberto.
Segundo uma antiga tradição cristã, a conversão de Humberto ocorreu de maneira surpreendente. Numa Sexta-feira da Paixão, dia de recolhimento cristão, ele resolveu ir caçar. Durante a perseguição de um veado, este parou diante do príncipe, que viu, entre os chifres do animal, um crucifixo iluminado. No mesmo instante, ouviu uma voz dizendo: “Se não voltares para Deus, cairás eternamente no inferno”.
Foi procurar seu confessor, o bispo Lamberto, que dirigia a sede episcopal de Liège, na Bélgica, e converteu-se sinceramente, tornando-se católico fervoroso. Pouco tempo depois, sua mulher morreu e seu pai agonizou em seus braços. A partir desses fatos, Humberto desistiu da vida da Corte. Abriu mão do trono em favor do irmão, mas deixou-lhe a tarefa de educar seu filho Floriberto, que mais tarde ordenou-se sacerdote. Entregou ao menino parte da herança e o restante doou aos pobres, indo dedicar-se à vida espiritual, recolhendo-se num mosteiro beneditino, entregando-se ao estudo da religião e trabalhando como horteleiro e pastor. Nessa ocasião, foi a pé, em peregrinação, para Roma, visitar os túmulos de são Pedro e são Paulo.
Ao retornar, Humberto procurou o bispo Lamberto, que o ordenou sacerdote e o enviou para evangelizar as populações que viviam nos bosques de Ardene. Mas pouco depois, Lamberto, que havia transferido a sede episcopal para Maastrich, Holanda, foi assassinado pelos inimigos do cristianismo. Humberto, então, foi convocado pelo papa Sérgio I, que, em Roma,o consagrou sucessor daquele bispo no ano 71.
Anos depois, por sua conduta de homem justo, reto na fé em Cristo, na obediência ao papa, e austero na pertinência e caridade cristã, recebeu do Espírito Santo o dom dos milagres e da sabedoria. O seu bispado foi de transformação, pois fundou e reformou igrejas, mosteiros, e instituiu vasta assistência aos pobres e doentes abandonados. Os pagãos que habitavam os bosques foram batizados e a região tornou-se uma grande comunidade cristã. A sua fama de santidade espalhou-se e, em 722, pôde retornar a sede episcopal para Liège.
Ficaram célebres os milagres operados por Deus através de suas mãos, como ele mesmo apregoava. Mas certo dia do ano 727, Humberto ouviu uma voz que anunciava a aproximação de sua morte. Entregou todas as atividades nas mãos dos seus sacerdotes e dedicou-se ao jejum, às orações e à penitência, falecendo no mesmo ano.
Sepultado na Catedral de São Pedro, em Liège, teve sua festa indicada para o dia 3 de novembro, data em que suas relíquias foram trasladadas para o altar maior dessa catedral em 743. O seu culto, muito difundido na Europa, espalhou-se para todo o mundo cristão ocidental, que venera são Humberto de Liège como o padroeiro dos caçadores.
Santa Sílvia
Sílvia era italiana, nascida em Roma em torno de 520, numa família de origem siciliana de cristãos praticantes e caridosos. Os dados sobre sua infância não são conhecidos. Porém a sua adolescência coincidiu com um difícil e turbulento período histórico, o declínio do Império Romano e a tomada do mesmo pelos bárbaros góticos.
Ela entrou para a família dos Anici em 538, quando se casou com o senador Jordão. Essa família romana era muito rica e influente, e muitos nomes forneceu para a história do senado italiano. Sílvia foi residir na casa do marido, um palácio que ficava nas colinas do monte Célio, onde ele vivia com suas duas irmãs, Tarsila e Emiliana.
O casal logo teve dois filhos. O primeiro foi Gregório, nascido em 540, e o segundo, que o próprio irmão citava com freqüência, nunca teve citado o nome. As cunhadas Tarsila e Emiliana tornaram-se santas, incluídas no calendário da Igreja, E seu primogênito foi o grande papa Gregório Magno, santo, doutor da Igreja e a glória de Roma do século VI.
Sílvia soube conduzir essa família de verdadeiros cristãos e romanos autênticos. Não permitiu que o ambiente da Corte que freqüentavam impedisse a santificação pela fé, mantendo sempre a pureza dos costumes separada da notoriedade pública. As cunhadas são um exemplo da figura de Sílvia, mãe providente e benfeitora, que soube conciliar as exigências de uma família de político atuante, como era o marido Jordão, com o desejo de perfeição espiritual representado pelas duas cunhadas.
Por falta de notícias precisas, a santidade de Sílvia aparece refletida através daquela de seu filho. Sem dúvida, sobre são Gregório Magno o exemplo e o ensinamento da mãe foi um peso que não se pode ignorar. Embora ele tenha escrito muito pouco sobre a mãe e as tias, nas pregações costumava citar-lhes o exemplo.
Dados encontrados sobre a vida de Silvia relatam que, quando o senador Jordão morreu em 573, ela tratou de uma doença grave do filho Gregório, que já adulto atuava no clero, levando pessoalmente as refeições até sua pronta recuperação. Depois disso, entregou o palácio onde residia para que o filho o transformasse num mosteiro.
Quando Gregório não precisou mais da sua ajuda e nem de sua orientação, Sílvia retirou-se para a vida religiosa num dos mosteiros existentes fora dos muros de Roma. No qual, com idade avançada, ela morreu serenamente, num ano incerto, mas depois de 594.
O Martirológio Romano indica o dia 3 de novembro para o culto litúrgico em lembrança da memória de santa Sílvia. Em 1604, suas relíquias foram levadas para a igreja de santos André e Gregório, construída no antigo mosteiro e palácio de monte Célio, onde o papa São Gregório Magno nasceu e santa Sílvia viveu com as duas cunhadas santas.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 3 DE NOVEMBRO DE 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 15-16
Vós não recebestes um espírito de escravidão, para recair no temor, mas o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abá, Pai». O próprio Espírito Santo dá testemunho, em união com o nosso espírito, de que somos filhos de Deus.
V. Em Vós, Senhor, está a fonte da vida:
R. Na vossa luz veremos a luz.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 8, 22-23
Nós sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não somente ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.
V. Bendiz, minha alma, o Senhor:
R. Ele salva da morte a tua vida.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Tim 1, 9
Deus salvou-nos e chamou-nos à santidade, não em virtude das nossas obras, mas do seu próprio desígnio e da sua graça, essa graça que nos foi dada em Cristo Jesus, desde toda a eternidade.
V. O Senhor conduziu-os seguros e sem temor
R. E introduziu-os na sua terra santa.
Oração
Deus eterno e onipotente, que, no vosso amor infinito, cumulais de bens os que Vos imploram muito além dos seus méritos e desejos, pela vossa misericórdia, libertai a nossa consciência de toda a inquietação e dai-nos o que nem sequer ousamos pedir. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Pedro 1, 3-5
Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na sua grande misericórdia nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe nem se mancha nem desaparece, reservada nos Céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
V. A Vós o louvor e a glória para sempre.
R. No firmamento dos céus.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Bendito sejais, Senhor, no firmamento dos céus.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.



