“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 30 DE NOVEMBRO DE 2024
30 de novembro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 2 DE DEZEMBRO DE 2024
2 de dezembro de 2024DOMINGO DA I SEMANA DO ADVENTO ANO C
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Início do Livro de Isaías 1, 1-18
Repreensão ao povo
Visão que Isaías, filho de Amós,
teve acerca de Judá e de Jerusalém,
nos dias de Ozias, de Jotão, de Acaz e de Ezequias, reis de Judá.
Ouvi, ó céus, e tu, ó terra, escuta, que o Senhor vai falar:
«Criei filhos e fi-los crescer,
mas eles revoltaram-se contra Mim.
O boi conhece o seu dono,
e o jumento o estábulo do seu possuidor;
mas Israel nada conhece, o meu povo nada compreende».
Ai da nação pecadora, do povo carregado de crimes,
da raça de malfeitores, dos filhos corrompidos!
Abandonaram o Senhor, desprezaram o Santo de Israel,
voltaram-Lhe as costas.
De que servirá ainda fustigar-vos, se persistis na rebeldia?
Toda a cabeça está enferma, todo o coração está doente.
Da planta dos pés ao alto da cabeça, não há nada são:
tudo são feridas, contusões, chagas vivas,
que não foram pensadas, nem ligadas, nem tratadas com óleo.
O vosso país é um deserto, as vossas cidades estão queimadas,
e os estrangeiros à vossa vista devoram a vossa terra:
é um deserto, como se fosse devastada pelo invasor.
A filha de Sião ficou abandonada como cabana em uma vinha,
como abrigo em campo de pepinos, como cidade sitiada.
Se o Senhor do Universo
não nos tivesse conservado alguns sobreviventes,
ficaríamos como Sodoma, seríamos semelhantes a Gomorra.
Escutai a palavra do Senhor, chefes de Sodoma;
dai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra:
«De que Me serve a multidão dos vossos sacrifícios?
– diz o Senhor –
Estou farto dos holocaustos de carneiros
e da gordura de vitelos;
detesto o sangue de touros, cordeiros e cabritos.
Quando vindes à minha presença,
quem vos convidou a pisar os meus átrios?
Deixai de Me trazer ofertas inúteis:
o fumo do incenso Me repugna,
já não suporto as luas novas, os sábados, as assembleias,
a impiedade das vossas festas.
Abomino do íntimo da alma
as vossas luas novas e as vossas solenidades,
que se tornaram um peso para Mim e não as suporto mais.
Quando levantais as mãos, desvio de vós o meu olhar.
Ainda que multipliqueis as vossas preces,
não lhes darei atenção,
porque as vossas mãos estão cheias de sangue.
Lavai-vos, purificai-vos,
afastai dos meus olhos a malícia das vossas acções.
Deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem:
respeitai o direito, protegei o oprimido,
fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva.
Vinde então para discutirmos as nossas razões
– diz o Senhor –.
Ainda que os vossos pecados sejam como o escarlate,
ficarão brancos como a neve;
ainda que sejam vermelhos como a púrpura,
ficarão brancos como a lã».
RESPONSÓRIO Is 1, 16. 18. 17
R. Lavai-vos, purificai-vos, afastai a malícia das vossas acções. * E se os vossos pecados forem como o escarlate, ficarão brancos como a neve.
V. Deixai de praticar o mal, aprendei a fazer o bem, respeitai o direito. * E se os vossos pecados forem como o escarlate, ficarão brancos como a neve.
SEGUNDA LEITURA
Das Catequeses de São Cirilo de Jerusalém, bispo
(Cat. 15, 1-3: PG 33, 870-874) (Sec. IV)
Os dois adventos de Cristo
Anunciamos o advento de Cristo. Não, porém, um só, mas também o segundo, muito mais glorioso que o primeiro. Aquele revestiu um aspecto de sofrimento; este trará consigo o diadema do reino divino.
Sucede que quase todas as coisas são duplas em Nosso Senhor Jesus Cristo. Duplo é seu nascimento: um, de Deus, desde toda a eternidade; outro, da Virgem, na plenitude dos tempos. Dupla também é a sua descida: a primeira, na obscuridade e silenciosamente, como a chuva sobre a relva; a outra, no esplendor da sua glória, que se realizará no futuro.
No seu primeiro advento, foi envolvido em faixas e deitado num presépio; no segundo, será revestido com um manto de luz. No primeiro suportou a cruz, sem recusar a sua ignomínia; no segundo, aparecerá glorioso, escoltado pela multidão dos Anjos.
Não nos detemos, portanto, a meditar só no primeiro advento, mas vivemos na esperança do segundo. Assim como aclamamos no primeiro: Bendito o que vem em nome do Senhor, exclamaremos também no segundo, saindo ao encontro do Senhor juntamente com os Anjos, em atitude de adoração: Bendito o que vem em nome do Senhor.
Virá o Salvador, não para ser novamente julgado, mas para chamar a juízo aqueles que O julgaram. Ele que, ao ser julgado, guardou silêncio, lembrará as atrocidades dos malfeitores, que O levaram ao suplício da cruz, e lhes dirá: Tudo isto fizestes e Eu calei-me.
Naquele tempo veio para cumprir o desígnio de amor misericordioso, ensinando e persuadindo os homens com suavidade; no fim dos tempos, queiram ou não, todos se hão-de submeter ao seu reinado.
De ambos os adventos fala o profeta Malaquias: Depressa virá ao seu templo o Senhor a quem buscais. Isto quanto ao primeiro advento.
A respeito do segundo diz assim: E o Anjo da aliança por quem suspirais. Eis que vem o Senhor Omnipotente. Quem poderá suportar o dia da sua vinda? Quem poderá resistir quando Ele aparecer? Porque Ele virá como o fogo do fundidor, como a barrela dos lavandeiros. E sentar-se-á para fundir e purificar.
Escrevendo a Tito, também Paulo se refere aos dois adventos com estas palavras: Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens, ensinando-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos, e a viver no mundo presente com toda a sobriedade, justiça e piedade, aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo. Vê como falou do primeiro advento, pelo qual dá graças a Deus, e do segundo, que esperamos.
Por esse motivo, afirmamos na nossa profissão de fé, tal como a recebemos por tradição, que acreditamos n’Aquele que subiu aos Céus e está sentado à direita do Pai e que há-de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim.
Virá, portanto, do alto dos Céus, Nosso Senhor Jesus Cristo. Virá no fim deste mundo, em sua glória, no último dia. Será então o fim deste mundo criado e o início de um mundo novo.
RESPONSÓRIO Cf. Salmo 48 (49), 3; 79 (80), 2; 23 (24), 7. 9
R. Olhando ao longe, vejo aproximar-se o poder de Deus e uma nuvem que cobre a terra. * Ide ao seu encontro e dizei: * Revelai-nos se Vós sois o Messias, * Que vem reinar sobre o povo de Israel.
V. Humildes e poderosos, ricos e pobres * Ide ao seu encontro e dizei:
V. Pastor de Israel, escutai; Vós que conduzis José como um rebanho, * Revelai-nos se Vós sois o Messias.
V. Levantai, ó portas, os vossos umbrais; alteai-vos, pórticos antigos e entrará o Rei da glória. * Que vem reinar sobre o povo de Israel.
R. Olhando ao longe, vejo aproximar-se o poder de Deus e uma nuvem que cobre a terra. * Ide ao seu encontro e dizei: * Revelai-nos se Vós sois o Messias, * Que vem reinar sobre o
povo de Israel.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Rom 13, 11-12
Chegou a hora de despertarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que na altura em que abraçámos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo. Abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
V. Vós que haveis de vir ao mundo.
R. Tende piedade de nós.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4569-liturgia-de-01-de-dezembro-de-2024>]
DOMINGO DA I SEMANA DO ADVENTO ANO C
(roxo, creio, pref. do Advento I – I semana do saltério)
Antífona
– A vós meu Deus, elevo a minha alma e confio em vós. Que eu não seja envergonhado, nem se riam de mim os meus inimigos! Pois não será desiludido quem em vós espera (Sl 24,1s).
Coleta
– Ó Deus todo poderoso, concedei aos vossos fiéis o ardente desejo de acorrer com boas obras ao encontro do vosso Cristo que vem, para que, colocados à sua direita, mereçam possuir o Reino celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e conosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos
1ª Leitura: Jr 33,14-16
– Leitura do livro do profeta Jeremias: 14“Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei cumprir a promessa de bens futuros para a casa de Israel e para a casa de Judá. 15Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente da justiça, que fará valer a lei e a justiça na terra. 16Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante; este é o nome que servirá para designá-la: ‘O Senhor é a nossa justiça’”.
– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 25,4bc-5ab.8-9.10.14 (R: 1b)z
– Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
R: Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
– Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação!
R: Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
– O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho.
R: Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
– Verdade e amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seus preceitos. O Senhor se torna íntimo aos que o temem e lhes dá a conhecer sua Aliança.
R: Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
2ª Leitura: 1 Ts 3,12- 4,2
Aclamação ao santo Evangelho.
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade e a vossa salvação nos concedei! (Sl 84,8)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 21,25-28.34-36
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/domingo-i-do-advento-6/>]
LEITURA I Jr 33, 14-16
Eis o que diz o Senhor:
«Dias virão, em que cumprirei a promessa
que fiz à casa de Israel e à casa de Judá:
Naqueles dias, naquele tempo,
farei germinar para David um rebento de justiça
que exercerá o direito e a justiça na terra.
Naqueles dias, o reino de Judá será salvo
e Jerusalém viverá em segurança.
Este é o nome que chamarão à cidade:
‘O Senhor é a nossa justiça’».
A visão de horror e de guerra que os judeus contemplam no seu dia a dia faz com que o profeta se levante para anunciar que Deus vai cumprir a sua promessa. É a promessa feita a David. A promessa de um descendente que se sentará no trono de Israel para sempre, instaurando uma época de segurança e paz, num reino inabalável de justiça.
Salmo 24 (25), 4bc-5ab.8-9.10.14 (R.1b)
O salmista, angustiado por alguma razão, tem os olhos postos no Senhor e reconhece que ele é bom e reto, compassivo e justo e, por isso, pede que o guie e lhe ensine os seus caminhos. Sabendo-se pecador pede a Deus que olhe para ele e veja a sua miséria e o livre dos seus muitos inimigos.
LEITURA II 1 Ts 3, 12 – 4, 2
Irmãos:
O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade
uns para com os outros e para com todos,
tal como nós a temos tido para convosco.
O Senhor confirme os vossos corações
numa santidade irrepreensível,
diante de Deus, nosso Pai,
no dia da vinda de Jesus, nosso Senhor,
com todos os santos.
Finalmente, irmãos,
eis o que vos pedimos e recomendamos no Senhor Jesus:
recebestes de nós instruções
sobre o modo como deveis proceder para agradar a Deus,
e assim estais procedendo;
mas deveis progredir ainda mais.
Conheceis bem as normas que vos demos
da parte do Senhor Jesus.
Paulo convida os tessalonicenses e progredir cada vez mais na caridade, dando um verdadeiro testemunho e mantendo-se firmes no cumprimento das normas que lhes foram dadas da parte do Senhor, para serem santos e irrepreensíveis .
EVANGELHO Lc 21, 25-28.34-36
Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas
e, na terra, angústia entre as nações,
aterradas com o rugido e a agitação do mar.
Os homens morrerão de pavor,
na expetativa do que vai suceder ao universo,
pois as forças celestes serão abaladas.
Então, hão de ver o Filho do homem vir numa nuvem,
com grande poder e glória.
Quando estas coisas começarem a acontecer,
erguei-vos e levantai a cabeça,
porque a vossa libertação está próxima.
Tende cuidado convosco,
não suceda que os vossos corações se tornem pesados
pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida,
e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha,
pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra.
Portanto, vigiai e orai em todo o tempo,
para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer
e comparecer diante do Filho do homem».
Jesus convida os discípulos a dar testemunho da esperança diante das perseguições que se levantam contra eles por causa do seu nome. Serão fortes e permanecerão de pé e cabeça levantada, se forem vigilantes e não se deixarem enganar. No dia do Senhor, ele virá e dará a libertação a todos os que tiverem sabido esperar.
Reflexão da Palavra
O texto da primeira leitura, terá sido escrito por um discípulo do profeta Jeremias que escreve muitos séculos depois, num contexto histórico semelhante ao do profeta. Estamos provavelmente no século II a.C.. Afirmando a sua qualidade de profeta que fala em nome de Deus, começa por dizer “Eis o que diz o Senhor”. Desta forma alerta de imediato os ouvintes para receberem a palavra como palavra do Senhor e não sua, de modo que devem prestar atenção. Não se trata de uma palavra para animar aqueles a quem é dirigida, mas uma palavra que exige a fé para acolher a mensagem, o anúncio que vai ser feito, porque se vai cumprir o que o Senhor diz.
Deus fala, através do profeta, num tempo de ruína. Tudo foi devastado, ficando apenas um pequeno resto incapaz e derrotado. A promessa do Senhor, apresentada por Natan a David, de uma terra prometida, de um reino eterno, de paz e de justiça, tornou-se uma ilusão. É uma promessa que nunca mais se cumpre. Deus anuncia que se vai realizar, mas quando? “Naqueles dias, naquele tempo, farei germinar para David um rebento de justiça”. Parece que a resposta do Senhor é sempre num futuro desconhecido. É verdade que o Senhor diz “cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá”, mas quando será isso?
Precisamente no tempo de Jeremias o reino está dividido e o reino de Judá desfeito, como pode ele afirmar que o Senhor vai trazer a paz e a união de todas as tribos de Israel? Acreditar é um desfio quase impossível. O crente, no entanto, não mantém acesa a chama da esperança por ver cumprirem-se as promessas, mas porque a promessa é feita pelo Senhor. Se é o Senhor quem diz, então, pode levar tempo mas a sua palavra vai cumprir-se. Por outro lado, diz o profeta “o Senhor é a nossa justiça”, o que significa que tudo será feito por ele e não por nós, de modo que “neste lugar – que vós dizeis ser um deserto sem homens nem animais – nas cidades de Judá e nas ruas desoladas de Jerusalém, sem homens e sem animais, ouvir-se-ão novamente gritos de alegria, cânticos de júbilo” (Jr 33,10-11).
O salmo 24 é uma súplica confiante, construído em ordem alfabética, que pode dividir-se em três partes. Uma invocação inicial onde surge também a súplica com expressões como “mostrai-me os vossos caminhos… guiai-me na vossa verdade… lembra-te da tua compaixão… não recordes os meus pecados”. Uma segunda parte que apresenta uma reflexão de tipo sapiencial “o Senhor é bom e justo… os caminhos do Senhor são amor e fidelidade… o Senhor comunica os seus segredos aos que o temem”. E, uma terceira parte, que contém a súplica final “volta-te para mim… afasta as angústias do meu coração… vê a minha miséria… salva-me… livra Israel das suas angústias”.
O salmista, muito provavelmente um ancião, parece viver num momento de grande angústia, tanto ele como o seu povo, por isso, pede a Deus que afaste “as angústias do seu coração” e livre “Israel de todas as suas angústias”. Reconhecendo que o Senhor “é bom e reto”, “compassivo e justo”, dirige-lhe a sua súplica porque só nele pode encontrar o guia para o seu caminho, “o Senhor ensina o caminho”. O salmista percebe que a sua condição é a de um pecador e, por isso, suplica ao Senhor “perdoa o meu pecado, pois é muito grande” e “volta-te para mim… vê a minha miséria e o meu sofrimento… vê os meus inimigos… guarda a minha vida” porque “os meus olhos estão sempre postos” em ti e “eu confio em ti”.
Tessalónica foi evangelizada por Paulo cerca do ano 50 d.C., tendo consigo Silas e Timóteo. Muitos judeus e pagãos se converteram ali ao anúncio de Jesus, o Messias ressuscitado, depois de ter passado pela morte. Mas a oposição de alguns obrigou-o a seguir viagem e a mandar mais tarde Timóteo para confortar a comunidade que ali ficou (Ts 3,1). Esta carta foi motivada precisamente pelas boas notícias que Paulo recebeu de Timóteo, “vós fizestes-vos imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a palavra em plena tribulação… tendo-vos tornado modelo… partindo de vós, a palavra do Senhor ecoou na Macedónia e na Acaia e por toda a parte se propagou a fama da vossa fé” (1Ts 1,6-8)
A boa notícia trazida por Timóteo a Paulo leva-o a reconhecer que os tessalonicenses estão no bom caminho. Apesar de ter tido pouco tempo para lhes anunciar o nome do Senhor, eles aderiram com toda a fé à proposta do evangelho que lhes foi feita. Por isso Paulo os convida a progredir no caminho iniciado “deveis progredir ainda mais”. Progredir em quê? “na caridade uns para com os outros e para com todos”, “numa santidade irrepreensível” e, no “modo como deveis proceder para agradar a Deus”. Paulo recorda que este esforço para progredir deve ser feito sem desanimo, até ao “dia da vinda de Jesus, nosso Senhor”.
No início de um novo ano litúrgico recebemos a presença de um novo evangelista. Desta vez é Lucas quem nos vai acompanhar ao longo de todo o ano. Estamos em Jerusalém e Jesus, depois de comentar a oferta da pobre viúva que deitou na arca do tesouro tudo o que tinha, anuncia a destruição do templo “virá o dia em que, de tudo o que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra” (Lc 21, 6). As palavras de Jesus provocam a pergunta “quando sucederá isso?” (Lc, 217). A partir daqui desenvolve-se o discurso escatológico de Jesus no evangelho de Lucas. Jesus exorta os discípulos à vigilância “tende cuidado… não vos alarmeis” (v. 8.9), depois anuncia terramotos, fomes, epidemias e guerras (v. 10-11). Seguidamente anuncia a perseguição aos discípulos “vão deitar-vos as mãos e perseguir-vos” (v. 12-19) e a destruição da cidade (v. 20-24).
O texto deste domingo é tirado do final do capítulo 21 (v. 25-28.34-36), na parte em que se anuncia a vinda do Filho do Homem e se exorta à vigilância.
A linguagem apocalítica, (que significa revelar – levantar o véu e não desgraça e horror), serve a Lucas para apresentar a vinda do Filho do Homem como o Senhor que põe fim ao caos, à desordem que os poderes do mal provocam continuamente para destruir o projeto de harmonia e paz que Deus tem para o homem. De facto, o texto apresenta os “sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar”, como indicadores da situação que impõe a chegada daquele que traz a libertação. É o Filho do Homem, que todos podem ver, quem vem “numa nuvem, com grande poder e glória”, é a libertação que chega e põe fim as forças adversas.
Como é próprio da linguagem apocalítica, a intenção não é assustar, mas consolar aqueles que enfrentam situações dramáticas de guerra, perseguição e outras, como é o caso dos primeiros cristãos. Lucas escreve o evangelho no ano 90, quando os cristãos são perseguidos por causa do nome de Jesus. Nestas circunstâncias, os discípulos não podem desanimar mas, pelo contrário, “erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. A situação pode parecer difícil mas a vitória não é do mal, é daquele que vem numa nuvem, porque vem mudar a página da história numa nova história, um mundo novo.
Saber que o Filho de Homem vem salvar, não dispensa os discípulos da vigilância, pois esse dia “atingirá todos os que habitam a face da terra” e, portanto, também os discípulos podem ser encontrados de coração pesado. A certeza de que “os homens morrerão de pavor” só deve tornar os discípulos ainda mais atentos “tende cuidado convosco”, “vigiai e orai em todo o tempo”, porque só assim podeis “livrar-vos de tudo o que vai acontecer”e ser dignos de “comparecer diante do Filho do homem”.
Meditação da Palavra
A promessa da vinda do Senhor não pode deixar os crentes numa atitude passiva, de desânimo ou indiferença perante a realidade. Muitas vezes o mundo apresenta-se hostil à presença dos crentes, aos sinais de amor e ao desejo da paz e da justiça. A hostilidade e a indiferença provocam sofrimento nos que creem ser possível construir um mundo novo, uma sociedade fraterna onde a lei é o amor e o critério mais importante o da atenção aos mais pequenos.
A promessa de Deus é um compromisso a colaborar connosco na construção deste mundo novo. Mas, não pode significar abandono da nossa responsabilidade e contributo. Deus não faz o que nos pertence a nós fazer. Acabar com as guerras e hostilidades, ultrapassar as diferenças e divisões, vencer as inimizades, conflitos e intolerâncias depende de nós. Trata-se de uma cura do coração para que ele não se torne pesado.
A promessa do Senhor visa particularmente esta transformação do coração. Ele estará connosco transformando cada um no seu interior para que, de nós brotem os frutos da fé firme e confiante, da caridade fraterna dedicada a todos sem distinção de pessoas, da esperança alegre e sem limites que aguarda a chegada da nova terra e dos novos céus. É para aqui que aponta a palavra deste primeiro domingo do Advento.
A pequena comunidade de Tessalónica acolhe o evangelho e adere à fé em Jesus no meio de tribulações. Aquela experiência dolorosa não foi impedimento para permanecerem no amor e no cumprimento das normas que lhes foram transmitidas por Paulo e seus companheiros. Por isso, Paulo, na carta que lhes escreve, os elogia porque a sua fidelidade e firmeza se espalhou por toda a parte como um verdadeiro testemunho de fé. As dificuldades não esfriaram a sua adesão a Cristo e dedicação aos irmãos. Pelo contrário, enraizaram ainda mais a sua opção e aumentaram a sua caridade. Agora, Paulo incentiva-os a progredir ainda mais até ao “dia da vinda de Jesus, nosso Senhor”.
Os judeus, a quem são dirigidas as palavras da primeira leitura, estão a viver um momento dramático da sua história. Perante os horrores da destruição [“as casas desta cidade e os palácios dos reis de Judá, que foram demolidos” (Jr 33,4) e da guerra que deixa as ruas cheias “com os cadáveres dos homens” (Jr 33, 5)] as pessoas têm dificuldade em acreditar que o Senhor se lembra deles. Foram já muitos os momentos e as circunstâncias em que o Senhor prometeu cumprir as suas promessas, mas os olhos não veem a sua realização. O Senhor tarda enquanto o povo é devastado.
É a este povo desanimado, caído, a chorar e a lamentar-se que o profeta anuncia em nome do Senhor “cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá… farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra”. Parece difícil de acreditar, mas a fé é isso mesmo, ver sem ver, esperar contra toda a esperança, aguardar confiantes, porque não é o homem quem fala, mas o Senhor. É o próprio Senhor que faz justiça, “o Senhor é a nossa justiça”.
Os discípulos de Jesus, os cristãos das primeiras comunidades, a quem Lucas dirige o seu evangelho, vivem também no meio de perseguições. Para eles as palavras de Jesus não são um imaginário, mas uma realidade. Experimentam diariamente a violência das forças do mal dirigida contra eles e vivem refugiando-se no escuro, noite e dia, para não serem capturados. Sentem medo diante da possibilidade da tortura e da morte e o chão foge-lhes debaixo dos pés como acontece nos terramotos.
A eles é dirigida a palavra como uma consolação. Este tempo de medo, de violência, de incerteza, vai acabar porque o Senhor vem “numa nuvem, com grande poder e glória”. A certeza da libertação há de provocar neles a confiança de quem sabe que o Senhor é mais forte que todas as forças do mal que atuam no mundo. Os que confiam no Senhor não receiam, não temem os homens, não desanimam no meio das dificuldades, enfrentam com coragem as adversidades. É esta a mensagem do Senhor, “quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”.
Este tempo não é de medo mas de vigilância. Estai atentos, “tende cuidado”, “vigiai e orai” para não serdes surpreendidos, para que o coração não se torne pesado e poderdes “comparecer diante do Filho do homem”. Estai atentos para que o mal não venha de vós nem por vossa causa.
Esta é também a mensagem para nós. A vigilância ativa faz-nos permanecer na fé e confiantes no cumprimento das promessas do Senhor. E faz-nos progredir na caridade a fim de sermos irrepreensíveis na santidade “diante de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de Jesus, nosso Senhor” e faz-nos alegres na esperança para nos livrarmos “de tudo o que vai acontecer ecomparecermos diante do Filho do homem” e eficazes na caridade que destrói o mundo da violência, da guerra e da intolerância e constrói o mundo novo onde reina o amor, a paz e a justiça. Jesus nascido em Belém é a nossa paz, a nossa justiça e a fonte de todo o amor.
Rezar a Palavra
Quando se abre um tempo de esperança diante de mim, neste tempo litúrgico do Advento, no início de mais um ano, levanto para ti os meus olhos, Senhor, certo de que também para mim diriges o teu olhar. Como o povo que sente os horrores da perseguição, sinto necessidade de libertação. Vem, Senhor, sobre a nuvem, e domina as forças do mal que provocam a noite em mim para me afastarem de ti. Ensina-me os teus caminhos e guia-me para não me perder no desalento. Anima em mim a fé para que progrida na caridade e permaneça vigilante na esperança.
Compromisso semanal
Escuto o convite à vigilância e dirijo o meu olhar para o Senhor que vem salvar.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/11/santos-do-dia-da-igreja-catolica-01-de-dezembro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 01 de Dezembro
Postado em: por: marsalima
Santo Elói ou Elígio
Bispo, escultor, modelista, marceneiro e ourives, Elói ou Elígio foi um artista e religioso completo. Nasceu na cidade de Chaptelat, perto de Limoges, em 588, na França. Seus pais, de origem franco-italiana, eram modestos camponeses cristãos com princípios rígidos de honestidade e lealdade, transmitidos com eficiência ao filho. Com sabedoria e muito sacrifício, fizeram questão que ele estudasse, pois sua única herança seria uma profissão.
Assim foi que, na juventude, Elói ingressou na escola de ourives de Limoges, a mais conceituada da Europa da época e respeitada ainda hoje. Ao se formar mestre da profissão, já era afamado pela competência, integridade e honestidade. Tinha alma de monge e de artista, fugia dos gastos com jogos e diversões. tudo dispendia com os pobres. Levava uma vida austera e de oração meditativa, ganhando o apelido de “o Monge”. Conta-se que sua fama chegou à Corte e aos ouvidos do rei Clotário II, em Paris. Ele decidiu contratar Elói para fazer um trono de ouro e lhe deu a quantidade do metal que julgava ser suficiente. Mas, com aquela quantidade, Elói fez dois tronos e entregou ambos ao rei. Admirado com a honestidade do artista, ele o convidou para ser guardião e administrador do tesouro real. Assim, foi residir na Corte, em Paris.
Elói assumiu o cargo e também o de mestre dos ourives do rei. E assim se manteve mesmo depois da morte do soberano. Quando o herdeiro real assumiu o trono, como Dagoberto II, quis manter Elói na corte como seu colaborador, pois lhe tinha grande estima. Logo o nomeou um de seus conselheiros e embaixador, devido à confiança em suas virtudes.
Elói também realizou obras de arte importantes, como o túmulo de são Martinho de Tours, o mausoléu de são Dionísio em Paris, o cálice de Cheles e outros trabalhos artísticos de cunho religioso. Além disso, e acima de tudo, Elói era um homem religioso, não lhe faltou inspiração para grandes obras beneméritas e na arte de dedicar-se ao próximo, em especial aos pobres e abandonados. O dinheiro que recebia pelos trabalhos na Corte, usava-o todo para resgatar prisioneiros de guerra, fundar e reconstruir mosteiros masculinos e femininos, igrejas e para contribuir com outras tantas obras para o bem estar espiritual e material dos mais necessitados. Em 639, o rei Dagoberto II morreu. Elói, então, ingressou para a vida religiosa.
Dois anos depois, era consagrado bispo de Noyon, na região de Flandres. Foi uma existência totalmente empenhada na campanha da evangelização e reevangelização, no norte da França, Holanda e Alemanha, onde se tornou um dos principais protagonistas e se revelou um grande e zeloso pastor a serviço da Igreja de Cristo.
Durante os últimos dezenove anos de sua vida, Elói evitou o luxo e viveu na pobreza e na piedade. Foi um incansável exemplo de humildade, caridade e mortificação. A região de sua diocese estava entregue ao paganismo e à idolatria. Com as pregações de Elói e suas visitas a todas as paróquias, o povo foi se convertendo até que, um dia, todos estavam batizados.
Morreu no dia 1o de dezembro de 660, na Holanda, durante uma missão evangelizadora. A história da sua vida e santidade se espalhou rapidamente por toda a França, Itália, Holanda e Alemanha, graças ao seu amigo bispo Aldoeno que escreveu sua biografia.
A Igreja o canonizou e autorizou o seu culto, um dos mais antigos da cristandade. A festa de santo Elói ou Elígio, padroeiro dos joalheiros e ourives, ocorre na data de sua morte. Entretanto ele é celebrado também como padroeiro dos cuteleiros, ferreiros, ferramenteiros, celeiros, comerciantes de cavalos, carreteiros, cocheiros, garagistas e metalúrgicos.
São Charles de Foucauld
Charles de Foucauld nasceu em Strasburg, na França, em 15 de setembro 1858. Era descendente de família nobre, de tradição militar. Aos doze anos, morava com o avô, pois já era órfão. Aos dezesseis anos, Charles escolheu a carreira militar e, ao final dos estudos nas melhores escolas militares, era um subtenente do exército francês. Foi uma época repleta de entusiasmos, crises e desvios, que o levaram a abandonar a fé. Entregava-se, facilmente, a prazeres e amores libertinos, escandalizando a cidade. Porém sentia necessidade de preencher sua vida tão vazia e sem rumo.
Em 1883, Charles deixou o exército e viajou para o Marrocos, na África. Ele conhecia a Argélia e tinha fascínio pelo país que conhecera como oficial francês. Disfarçou-se de um rabino pobre, vivendo entre as comunidades judaicas, organizando mapas e esboços dos lugares por onde passava. Esse trabalho lhe conferiu uma medalha de ouro oferecida pela Sociedade Francesa de Geografia.
Desde a saída do exército começou a mudança de vida. Com grande apoio dos parentes e de seu conselheiro espiritual, retornou à fé cristã, que o arrebatou de vez. Em 1890, Charles decidiu viver apenas para servir a Deus. Ingressou como noviço num mosteiro trapista de Nossa Senhora das Neves, onde ficou por alguns anos. Mas a mesa farta e a disciplina pouco rígida, como ele próprio concluiu, não produzia monges “tão pobres quanto o Senhor Jesus”. Decidiu procurar um estilo de vida que se assemelhasse à humildade de Jesus.
Abandonou o mosteiro e foi à Terra Santa. Lá, sentiu-se mais próximo de Jesus e adotou a vida de pobreza total. Foi aceito no Mosteiro das irmãs clarissas de Nazaré, trabalhando nos serviços gerais. Em 1900, retornou a Paris e completou os estudos no Mosteiro de Nossa Senhora das Neves; recebeu a ordenação sacerdotal e voltou à África. Mas agora com uma nova missão: levar os ensinamentos de Cristo àqueles povos que não o conheciam.
Padre Charles desembarcou em Argel, capital da Argélia, em 1901 e rumou para o sul, bem próximo dos muçulmanos. Em pouco tempo, tornou-se um verdadeiro eremita e muito querido pela população local. Mas seu objetivo maior era ir para o Marrocos, evangelizar a terra dos muçulmanos. Contatou amigos tuaregues, espécie de nômades do deserto, para obter ajuda no seguimento da missão. Intensificou o estudo da língua nativa daqueles povos. Em 1904, já havia traduzido os quatro evangelhos na língua dos tuaregues, além de um dicionário tuaregue-francês. Estava estabelecido no povoado de Tamanrasset, era amigo do chefe dos tuaregues e tinha construído uma pequena cabana para viver, depois transformada no seu eremitério.
Em 1912, estourou a guerra entre a Turquia e a Itália. A tensão entre as tribos tuaregues aumentava. Embora o eremitério de Charles parecesse uma fortaleza, não era suficiente para protegê-lo. No dia 1º de dezembro de 1916, ele foi brutalmente assassinado com um tiro na cabeça, por um adolescente de quinze anos, durante uma tentativa de seqüestro e roubo naquele local.
O exemplo de Charles de Foucauld jamais foi esquecido. Em 1933, seus seguidores fundaram a união dos Irmãozinhos de Jesus, em sua homenagem. Mais tarde, em 1939, uma congregação feminina foi fundada com o mesmo nome. Ambas adotaram o estilo de vida que ele sugerira. A obra continuou a florescer e atingiu o alvorecer do terceiro milênio com mais de dez famílias de religiosos e leigos que seguem o seu carisma, espalhadas em missões em todos os continentes, especialmente no africano. Em 2001 a Santa Sé considerou Charles de Foucauld “venerável”, no dia 13 de novembro de 2005 o papa João Paulo II o declarou Bem-aventurado, e finalmente em 15 de maio de 2022 o mesmo foi canonizado pelo papa Francisco.
Maria Clementina Anuarite Nengapeta (Bem-Aventurada)
Anuarite Nengapeta era a quarta das seis filhas de Amisi e Isude. A família de pagãos africanos da etnia Wadubu vivia na periferia de Wamba, no Congo. Ela nasceu no dia 29 de dezembro de 1939, como depois comprovou a Santa Sé. Ao ser batizada em 1943, acrescentaram-lhe o nome Afonsina. Na ocasião, também receberam esse sacramento sua mãe e quatro irmãs. A mais velha nunca acompanhou a doutrina cristã. Seu pai, ao contrário, até começou a preparar-se para a conversão. Mas depois desistiu, pois formou outra família, enquanto trabalhava como soldado do exército congolês.
A nova situação familiar refletiu pouco na formação de Anuarite, que teve uma infância e adolescência consideradas normais. Era vivaz e caridosa, de personalidade marcante e temperamento amistoso e generoso. O nervosismo, porém, era o ponto fraco do seu caráter. Era muito sensível e instável, talvez por causa da separação de seus pais. Gostava de freqüentar a igreja, ia à missa aos domingos, com a mãe e as irmãs. Em seguida, ficava estudando o catecismo para poder receber a primeira comunhão, que ocorreu em 1948.
Iniciou os seus estudos e diplomou-se junto ao colégio das Irmãs do Menino Jesus de Nivelles, missionárias na África. Em 1957, decidiu ingressar na Congregação da Sagrada Família. Foi aceita e, durante o noviciado, teve como orientador espiritual o bispo de Wamba. Em 1959, diplomou-se professora, vestiu o hábito e emitiu os votos definitivos, tomando o nome de Maria Clementina. Desde então se dedicava e empenhava muito às funções destinadas: foi sacristã, auxiliar de cozinheira e professora de uma escola primária. Devota extremada de Maria e de Jesus, vivia feliz por ter-se consagrado ao seu serviço.
O Congo da época era governado pelos brancos. Em 1960, havia uma grande campanha contra esse domínio europeu. Fervilhava o ódio racial e não durou muito para traduzirem-se em barbárie os ideais políticos. A revolução dos Simbas explodiu no ano seguinte, iniciando um violento massacre para eliminar todos os europeus, seus amigos e colaboradores negros.
No Convento de Bafwabaka, tudo era calmo até 1964. Em agosto daquele ano, os rebeldes já tinham ocupado grande parte do país. A cada dia avançavam mais, saqueando e matando milhares de civis congoleses indefesos. Mais de cento e cinqüenta missionários, entre sacerdotes, religiosos e irmãos já haviam morrido também.
Os rebeldes chegaram ao convento em 29 de novembro e levaram as trinta e seis integrantes da Sagrada Família, entre elas irmã Maria Clementina Anuarite, de caminhão, para Isiro. Na noite do dia 1o. de dezembro de 1964, o coronel Olombe tentou seduzi-la. Mas como ela se recusou a satisfazer seus desejos carnais, ele a esbofeou e golpeu com a coronhada do fuzil, depois disparou, matando-a. Antes, porém, ela o perdoou e clamou ao Pai para que o perdoasse.
O papa João Paulo II, durante sua viagem ao Congo em 1985, beatificou Maria Clementina Anuarite Nengapeta. Tornou-se a primeira mulher “banto” a ser elevada aos altares da Igreja Católica, cuja festa deve ser no dia de sua morte. Na solenidade de beatificação, o sumo pontífice definiu Anuarite como modelo de fidelidade para todos os católicos do mundo. Depois, enalteceu sua castidade, e a igualou a Santa Inês, mártir do início da cristandade, dizendo: “Anuarite é a Inês do continente africano”.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 1 DE DEZEMBRO DE 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Rom 13, 13-14a
Vivamos dignamente, como em pleno dia, não em festins licenciosos e na embriaguez, não em desonestidades e libertinagens, não em contendas e invejas. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.
V. Os povos, Senhor, temerão o vosso nome
R. E todos os reis da terra a vossa glória
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Tes 3, 12-13
O Senhor vos faça crescer e abundar na caridade uns para com os outros e para com todos, tal como nós para convosco, a fim de que os vossos corações se conservem irrepreensíveis na santidade, diante de Deus nosso Pai, no dia da vinda de Jesus Nosso Senhor, com todos os seus Santos.
V. Lembrai-Vos de nós, Senhor, por amor do vosso povo
R. E visitai-nos com a vossa salvação.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
2 Tes 1, 6.7.10
É justo que Deus vos recompense pelas tribulações que sofrestes, dando-vos o descanso, juntamente connosco, quando aparecer o Senhor Jesus, descendo do Céu com os Anjos do seu poder, entre as aclamações do seu povo santo e a admiração de todos os crentes.
V. Vinde, Senhor, e não tardeis.
R. Perdoai os pecados do vosso povo.
Oração
Despertai, Senhor, nos vossos fiéis a vontade firme de se prepararem, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo, de modo que, chamados um dia à sua direita, mereçam alcançar o reino dos Céus. Por Nosso Senhor.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
ilip 4, 4-5
Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: Alegrai-vos. Seja de todos conhecida a vossa bondade. O Senhor está próximo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.
R. Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.
V. E dai-nos a vossa salvação.
R. Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.



