“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 24 DE DEZEMBRO DE 2024
24 de dezembro de 2024“BUFÊ ESPIRITUAL” – LITURGIA DE 26 DE DEZEMBRO DE 2024
26 de dezembro de 2024NATAL DE NOSSO SENHO JESUS CRISTO
Saudação
– Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
– Amém.
– A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Oração firmadora do propósito de plenificar o viver com os tesouros brindados pela Santa Madre Igreja
Ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, obrigado por mais este dia. Iluminai-me, inspirai-me, orientai-me e sustentai-me para que eu siga no caminho cristão, usufruindo da melhor forma possível os maravilhosos tesouros brindados pela Santa Madre Igreja disponibilizados neste “buffet espiritual” – em meio à realização dos deveres da vocação a que fui chamado, de meu estado de vida. Que eu possa me enriquecer espiritualmente com os estímulos à santificação do dia e da vida em que consistem as orações matinais da Liturgia das Horas (“Invitatório”, “Ofício das Leituras” e “Laudes”); a Santa Missa; as Meditações da Palavra do Senhor e o estudo do Catecismo da Igreja Católica; o néctar espiritual potencializador da prática cristã na sessão IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA) – fundamental para o sustento, remédio e fortalecimento espiritual; os EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ (síntese das inspiradoras histórias de vida dos santos do dia) e os ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA E DA VIDA (em que também consistem as demais orações da Liturgia das Horas). Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé! Amém!
OFÍCIO DAS LEITURAS (NA MADRUGADA)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
PRIMEIRA LEITURA
Do Livro de Isaías 11, 1-10
A raiz de Jessé
Eis o que o diz o Senhor Deus:
«Sairá um ramo do tronco de Jessé
e um rebento brotará das suas raízes.
Sobre ele repousará o Espírito do Senhor:
espírito de sabedoria e de inteligência,
espírito de conselho e de fortaleza,
espírito de conhecimento e de temor de Deus.
Animado assim do temor de Deus,
não julgará segundo as aparências,
nem decidirá pelo que ouvir dizer.
Julgará os infelizes com justiça
e com sentenças rectas os humildes do povo.
Com o chicote da sua palavra atingirá o violento
e com o sopro dos seus lábios exterminará o ímpio.
A justiça será a faixa dos seus rins,
e a lealdade a cintura dos seus flancos.
O lobo viverá com o cordeiro,
e a pantera dormirá com o cabrito;
o bezerro e o leãozinho andarão juntos,
e um menino os poderá conduzir.
A vitela e a ursa pastarão juntamente,
suas crias dormirão lado a lado;
e o leão comerá feno como o boi.
A criança de leite brincará junto ao ninho da cobra,
e o menino meterá a mão na toca da víbora.
Não mais praticarão o mal nem a destruição em todo o meu santo monte:
o conhecimento do Senhor encherá o país,
como as águas enchem o leito do mar.
Nesse dia, a raiz de Jessé surgirá como bandeira dos povos;
as nações virão procurá-la, e a sua morada será gloriosa».
RESPONSÓRIO Lc 2, 14
R. Hoje o Rei dos Céus dignou-Se nascer de uma Virgem, para reconduzir ao reino celeste o homem que estava perdido. * Alegra-se o exército dos Anjos, porque a salvação eterna se manifestou ao género humano.
V. Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados. * Alegra-se o exército dos Anjos, porque a salvação eterna se manifestou ao género humano.
SEGUNDA LEITURA
Dos Sermões de São Leão Magno, papa
(Sermo 1 in Nativitate Domini, 1-3: PL 54, 190-193) (Sec. V)
Reconhece, ó cristão, a tua dignidade
Hoje, caríssimos irmãos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida, uma vida que destrói o temor da morte e nos infunde a alegria da eternidade prometida.
Ninguém é excluído desta felicidade, porque é comum a todos os homens a causa desta alegria: Nosso Senhor, vencedor do pecado e da morte, não tendo encontrado ninguém isento de culpa, veio para nos libertar a todos. Alegre-se o santo, porque se aproxima a vitória; alegre-se o pecador, porque lhe é oferecido o perdão; anime-se o gentio, porque é chamado para a vida.
Ao chegar a plenitude dos tempos, segundo os insondáveis desígnios divinos, o Filho de Deus assumiu a natureza do género humano para a reconciliar com o seu Criador, de maneira que o demónio, autor da morte, fosse vencido pela mesma natureza que ele tinha vencido.
Por isso, quando nasce o Senhor, os Anjos cantam jubilosos: Glória a Deus nas alturas; e anunciam: Paz na terra aos homens por Ele amados. Eles vêem, com efeito, como se levanta a Jerusalém celeste, formada pelos povos de toda a terra. Perante esta obra inefável da misericórdia divina, como não há-de alegrar-se o mundo humilde dos homens, se ela provoca tão grande júbilo nos coros sublimes dos Anjos?
Caríssimos irmãos, dêmos graças a Deus Pai, por meio de seu Filho, no Espírito Santo, porque na sua infinita misericórdia nos amou e teve piedade de nós: estando nós mortos pelo pecado, fez-nos viver com Cristo, para que fôssemos n’Ele uma nova criatura, uma nova obra das suas mãos.
Deponhamos, portanto, o homem velho com suas más acções e, já que fomos admitidos a participar do nascimento de Cristo, renunciemos às obras da carne.
Reconhece, ó cristão, a tua dignidade. Uma vez constituído participante da natureza divina, não penses em voltar às antigas misérias com um comportamento indigno da tua geração. Lembra-te de que cabeça e de que corpo és membro. Não esqueças que foste libertado do poder das trevas e transferido para a luz do reino de Deus.
Pelo sacramento do Baptismo, foste transformado em templo do Espírito Santo. Não queiras expulsar com as tuas más acções tão digno hóspede, nem voltar a submeter-te à escravidão do demónio. O preço do teu resgate é o Sangue de Cristo.
RESPONSÓRIO
R. Hoje desceu do Céu para nós a verdadeira paz. * Hoje os Céus destilam mel por todo o mundo.
V. Hoje brilhou para nós o dia de uma nova redenção, que foi preparado desde os tempos antigos e nos traz a felicidade eterna. * Hoje os Céus destilam mel por todo o mundo.
Se à celebração comunitária do Ofício de Leitura não segue a Missa da meia noite, diz-se o hino Te Deum. E em seguida a oração.
Hino Te Deum
Nós Vos louvamos, ó Deus, *
nós Vos bendizemos, Senhor.
Toda a terra Vos adora, *
Pai eterno e omnipotente.
Os Anjos, os Céus e todas as Potestades, *
os Querubins e os Serafins Vos aclamam sem cessar:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo, *
o céu e a terra proclamam a vossa glória.
O coro glorioso dos Apóstolos, *
a falange venerável dos Profetas,
o exército resplandecente dos Mártires *
cantam os vossos louvores.
A santa Igreja anuncia por toda a terra *
a glória do vosso nome:
Deus de infinita majestade, *
Pai, Filho e Espírito Santo.
Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, *
Filho do Eterno Pai,
para salvar o homem, tomastes a condição humana *
no seio da Virgem Maria.
Vós despedaçastes as cadeias da morte *
e abristes as portas do Céu.
Vós estais sentado à direita de Deus, na glória do Pai, *
e de novo haveis de vir para julgar os vivos e os mortos.
Socorrei os vossos servos, Senhor, *
que remistes com o vosso Sangue precioso;
e recebei-os na luz da glória, *
na assembleia dos vossos Santos.
¶ Salvai o vosso povo, Senhor, *
e abençoai a vossa herança;
sede o seu pastor e guia através dos tempos *
e conduzi-os às fontes da vida eterna.
Nós Vos bendiremos todos os dias da nossa vida *
e louvaremos para sempre o vosso nome.
Dignai-Vos, Senhor, neste dia, livrar-nos do pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Desça sobre nós a vossa misericórdia, *
porque em Vós esperamos.
Em Vós espero, meu Deus, *
não serei confundido eternamente.
LAUDES (INÍCIO DA MANHÃ)
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
LEITURA BREVE
Hebr 1, 1-2
Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual criou o universo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Senhor deu a conhecer a salvação. Aleluia, Aleluia.
R. O Senhor deu a conhecer a salvação. Aleluia, Aleluia.
V. Aos olhos das nações revelou a sua justiça.
R. Aleluia, Aleluia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Senhor deu a conhecer a salvação. Aleluia, Aleluia.
SANTA MISSA
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – EVANGELHO DO DIA MEDITADO PELO PADRE JOÃO CARLOS
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – REFLEXÃO POTENCIALIZADORA DA TÊMPERA CATÓLICA NA ORAÇÃO DA MANHÃ DE DOM ADAIR JOSÉ GUIMARÃES
MEDITAÇÃO DA PALAVRA DO SENHOR – LEITURA COMENTADA DE UM CAPÍTULO DAS SAGRADAS ESCRITURAS COM A IRMÃ ZÉLIA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – OUÇA TODOS OS DIAS E TERMINE EM UM ANO
IMPULSIONAMENTO AO ESTUDO ORANTE DA LITURGIA DIÁRIA (LECTIO DIVINA)
Liturgia diária
[Fonte: <http://www.novaalianca.com.br/index.php/liturgia-diaria2/4593-liturgia-de-25-de-dezembro-de-2024>]
NATAL DE NOSSO SENHO JESUS CRISTO
(branco, glória, creio, pref. do Natal –ofício da solenidade)
Antífona
– Alegremo-nos todos no Senhor, porque nosso Salvador nasceu no mundo. Hoje para nós, desceu do céu a verdadeira paz. (Sl 2,7)
Anúncio do Natal
(após o ato penitencial)
Transcorridos muitos séculos desde a criação do mundo, quando no princípio Deus criou o céu e a terra e formou o homem à sua imagem, depois de muitos séculos desde que, após o dilúvio, o Altíssimo pusera entre as nuvens o arco, sinal da aliança e de paz; vinte e um séculos depois que Abraão, nosso pai na fé, migrou da terra de Ur dos caldeus; treze séculos depois da saída do povo de Israel do Egito, conduzido por Moises; cerca de mil anos depois da unção real de Davi; na sexagésima quinta semana segundo a profecia de Daniel; durante a Olimpíada centésima nonagésima quarta; no ano setecentos e cinqüenta e dois da fundação de Roma; no quadragésimo segundo ano do império de César Otaviano Augusto, quando a paz reinava em toda a terra, Jesus Cristo, Deus eterno e Filho do eterno Pai, querendo santificar o mundo com o seu piíssimo advento, concebido pelo Espírito Santo, decorrido nove meses após sua concepção , nasceu em Belém de Judá, da Virgem Maria, feito homem: natividade de nosso Senhor Jesus Cristo segundo a carne.
Coleta
– Ó Deus, que fizestes resplandecer esta noite santíssima com a claridade da verdadeira luz, concedei que, tendo conhecido na terra este mistério, possamos participar da glória no céu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos
1ª Leitura: Is 9,1-6
– Graças a Deus.
Salmo Responsorial: Sl 96,1-2a.2b-3.11-12.13 (R: Lc2,11)
– Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
R: Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
– Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome!
R: Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
– Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios!
R: Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
– O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; os campos com seus frutos rejubilem e exultem as florestas e as matas
R: Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
– Na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo com justiça, e os povos julgará com lealdade.
R: Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
2ª Leitura: Tt 2,11-14
– Graças a Deus.
Aclamação ao santo Evangelho
Aleluia, aleluia, aleluia.
Aleluia, aleluia, aleluia.
– Eu vos trago a boa-nova de uma grande alegria: é que hoje vos nasceu o Salvador, Cristo, o Senhor (Lc 2,10s)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho de Jesus Cristo, segundo Lucas: Lc 2,1-14
– O Senhor esteja convosco.
– Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.
– Glória a vós, Senhor!

Invocação de busca do reto entendimento
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra! Oremos: ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação! Por Cristo, Senhor nosso! Amém!

1o degrau da lectio divina: leitura (lectio) para compreensão do que o texto diz; 2o degrau da lectio divina: meditação (meditatio) a respeito do que o texto orienta a fazer; 3o degrau da lectio divina: oração (oratio) de compromisso com que o texto faz dizer a Deus.



[Fonte: <https://aliturgia.com/natal-do-senhor-missa-da-noite-e-missa-do-dia/>]
Missa da Noite de Natal
Uma luz brilha em Belém
Descem anjos do céu, ouvem-se cânticos dando glória. Vêm pastores em busca da luz e com eles os humildes da terra. Dissipam-se as trevas na região da noite e surge um novo dia. Levantam-se os homens humilhados, caídos, esquecidos, abandonados. Deus vem ao nosso encontro envolvido nuns panos e deitado numa manjedoura.
LEITURA I Is 9, 2-7 (1-6)
O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.
O povo da região de Zabulão e Neftali vive uma situação que pode identificar-se com a noite e as sombras. Desprezados por Jerusalém são votados à periferia da vida social, política e religiosa. É ali, na região das sombras, a um povo humilhado, que Deus faz brilhar a sua luz.
Salmo 95 (96), 1-2a.2b-3.11-12.13
O salmo 95 canta a realeza do Senhor que, nesta noite de Natal reconhecemos em Jesus Cristo, nascido em Belém. Os céus e a terra rejubilam de alegria diante do Senhor que vem.
LEITURA II Tito 2, 11-14
Caríssimo: Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Ela nos ensina a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos, para vivermos, no tempo presente, com temperança, justiça e piedade, aguardando a ditosa esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que Se entregou por nós, para nos resgatar de toda a iniquidade e preparar para Si mesmo um povo purificado, zeloso das boas obras.
Paulo fala a Tito sobre a encarnação de Jesus, a grande manifestação de Deus em favor do seu povo, através da qual faz participantes a todos os homens da sua bem-aventurança. De facto, em Cristo Deus manifesta toda a sua glória, desde a sua encarnação até ao mistério da Cruz onde somos purificados.
EVANGELHO Lc 2, 1-14
Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. Este primeiro recenseamento efetuou-se quando Quirino era governador da Síria. Todos se foram recensear, cada um à sua cidade. José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia naquela região uns pastores que viviam nos campos e guardavam de noite os rebanhos. O Anjo do Senhor aproximou-se deles e a glória do Senhor cercou-os de luz; e eles tiveram grande medo. Disse-lhes o Anjo: «Não temais, porque vos anuncio uma grande alegria para todo o povo: nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura». Imediatamente juntou-se ao Anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».
Os anjos vêm do céu anunciar que o Salvador já nasceu. Contam que é um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura. Lucas convida-nos a reconhecer também hoje a presença de Jesus salvador no meio de nós.
Reflexão da Palavra
Isaías tem presente as regiões de Zabulão e Neftali situadas junto à “estrada do mar” que liga, através da Palestina, o Egito com a mesopotâmia. É uma região frequentada por caravanas de comerciantes de todas as nações que exercem a sua influência, política, social e religiosa sobre os Israelitas que ali habitam. A permeabilidade das relações faz com que os judeus de Jerusalém vejam com maus olhos as pessoas desta região. Religiosamente contaminados são um povo humilhado que vive como quem está nas trevas.
Isaías anuncia que, para aqueles que não era suposto, uma luz brilha e transforma em alegria a vida dos que habitam as sombras. Mais tarde iremos ver Jesus a dar início à sua vida pública precisamente nesta região.
É Deus quem faz brilhar a luz nas trevas e aumentar a alegria nos que ali habitam. Esta luz é como a de Madian quando Gedeão pôs em fuga os inimigos. E a alegria é como aquela se vive depois de uma vitória no campo de batalha. Termina a guerra, termina a opressão e recomeça a vida, um menino nasceu.
Este menino tem quatro nomes, “Conselheiro admirável”, “Deus forte”, “Pai eterno” e “Príncipe da Paz”. É um menino dado por Deus ao seu povo. Nele cumpre-se a promessa feita a David, mas de modo ainda mais admirável do que o esperado.
O que se diz deste menino ganha um novo sentido quando aplicado a Jesus e só atinge a plenitude da sua realização nele.
O salmo 95 é um hino à realeza do Senhor, aplicado aqui ao rei que acaba de nascer, Jesus. O salmista convida o céu, a terra, o mar, os campos e as árvores das florestas e tudo o que neles habita, a cantar um cântico novo porque o Senhor vem salvar o seu povo e vem julgar a terra. Esta notícia é para todos, deve ser espalhada pelo arauto em todas as nações e até junto dos pagãos.
A pequena carta dirigida por Paulo a Tito guarda no seu centro este resumo da realização da promessa esperada por toda a humanidade. Deus manifestou-se, quer dizer, na encarnação de Cristo, Deus deu a conhecer a sua glória e tronou os homens participantes da sua bem-aventurança. Na encarnação está já presente a cruz na qual a humanidade é purificada de todas as iniquidades a fim de se apresentar como um só povo diante do Grande Deus.
Paulo afirma na carta a Tito que Jesus é Deus e salvador. Nele manifestou-se a graça de Deus que é garantia do cumprimento da grande esperança que é a participação na bem-aventurança. Para participar dessa graça vale a pena viver com sobriedade, justiça e piedade. Este deve ser o estilo de vida de todos os que aguardam em esperança a manifestação final daquele que nos purificou das nossas iniquidades com a sua entrega na cruz. Nele somos irrepreensíveis e podemos apresentar-nos diante do Grande Deus.
A grande manifestação deu-se com a encarnação de Jesus no seio de Maria, cujo nascimento é relatado por Lucas no evangelho. Um acontecimento político serve de quadro histórico para Lucas dar início à narração do nascimento do Salvador. O decreto do imperador coloca José no caminho de Belém, que Lucas afirma ser a cidade de David, para a valorizar pelo seu papel na história da salvação, mas a cidade de David era Jerusalém.
Para Lucas é importante a referência à manjedoura. Mais do que o nascimento de Jesus, que Lucas resolve rapidamente “chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito”, o lugar onde Jesus é deitado, a manjedoura, fala do lugar onde nasceu o salvador, junto dos animais e dos viajantes que enchiam por completo o lugar reservado às pessoas.
Aquele que nasce é o filho primogénito de Deus, mais do que de José e de Maria. Ele pertence a Deus e não a César, mas cumpre as obrigações impostas pelo imperador. A sua condição de Messias tem uma dimensão espiritual e não política, por isso nasce em Belém, a “casa do pão” e não em Jerusalém, cumprindo do mesmo modo a referência a David que era anunciada na promessa.
Se o nascimento de Jesus é resolvido com uma frase, a notícia da chegada do salvador não pode permanecer no silêncio. Lucas dá grande relevo a este anúncio. A notícia do nascimento vem do céu e não da terra, é o anjo do Senhor quem comunica aos pastores. O medo que se apodera dos pastores revela que estão perante uma manifestação de Deus que lhes confia a notícia destinada a todos e lhes dá um sinal, “encontrareis um Menino recém-nascido, envolto em panos e deitado numa manjedoura”.
O cântico dos anjos revela o que acabou de acontecer e que Paulo traduz com a expressão “manifestou-se a graça de Deus”, Ele mesmo se revelou, mostrou o seu rosto no menino nascido em Belém. E este acontecimento tem repercussões na terra, porque este menino é o “príncipe da paz” como se vê na primeira leitura. No menino nascido em Belém realiza-se a glória de Deus e a paz na terra.
O texto termina com a atitude dos pastores que se puseram imediatamente a caminho de Belém.
Meditação da Palavra
O nascimento de Jesus é o início do cumprimento de todas as promessas feitas pelo Senhor através dos profetas. Nem sempre as promessas se realizam como os homens imaginam. O mais habitual é Deus ultrapassar a imaginação humana e chegar a realizar prodígios maiores do que poderemos alguma vez imaginar.
A vinda do Messias era uma esperança de Israel, mas ninguém espera um Messias pobre, humilde, pequeno, indefeso. Ninguém imagina um Messias que escolhe a noite, as sombras, a humilhação, a periferia, para se manifestar.
Isaías fala para a região de Zabulão e Neftali, estrada do mar, região de sombras e de noite, lugar de morte e humilhação, para anunciar a Luz que vem brilhar sobre a humanidade. “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar”.
Paulo fala a Tito sobre a encarnação de Jesus, reconhecendo que esta é a grande manifestação de Deus em favor do seu povo, através da qual faz participantes a todos os homens da sua bem-aventurança. De facto, em Cristo, Deus manifesta toda a sua glória, desde a sua encarnação até ao mistério da Cruz. É nele, Jesus, que somos purificados de toda a iniquidade para nos podermos apresentar diante do Grande Deus.
Sendo filho primogénito de Deus, Jesus é apresentado por Lucas como verdadeiro homem cumprindo as obrigações cívicas impostas aos cidadãos do império dominador da Palestina daquele tempo. E é também apresentado como pobre que nasce no lugar mais pobre, mais perto dos animais do que dos homens, porque entre os homens já não havia lugar.
O relato do nascimento é simples “chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura”. Mas a notícia do seu nascimento é dada com todo o detalhe. O anjo do Senhor vem do céu e anuncia aos pastores que primeiro se enchem de medo e logo de alegria. Recebem a notícia e vão ao encontro de Jesus conscientes de serem eles os mensageiros desta novidade.
A notícia é fundada nas escrituras. O texto da notícia diz: “nasceu-vos hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo Senhor”. Este menino deve ser procurado em Belém, a cidade de David, e anunciado a todos, como diz a escritura. Trata-se de uma grande alegria para todos.
Os elementos encontrados nos textos desta noite de Natal colocam-nos perante o mistério de Deus revelado aos homens em Jesus e o quadro do seu nascimento, a contemplação do presépio de Belém, é o caminho para chegarmos a acolher esse mistério que é dom de Deus para os homens. Deus manifesta-se para que o homem participe da sua bem-aventurança.
A notícia do nascimento de Jesus é a manifestação da graça de Deus que nos abre aos mais nobres sentimentos de paz, de justiça e de piedade. Como para os pastores a notícia é para nós oportunidade de encontro com Deus, porque em Jesus o céu desce à terra. Fazendo-se homem no menino envolto em panos, Deus assume a humanidade elevando-a à condição divina. Esta graça enche-nos de alegria porque se trata da salvação gratuita e dada a todos sem exceção.
Receber a notícia transforma-nos em mensageiros. O leitor do evangelho de Lucas, aprende com os pastores a escutar a palavra que vem do céu, a encher-se de alegria e a procurar o encontro com aquele que é o centro do evangelho, Jesus Cristo. E decide-se a ir comunicar a todos, com alegria e gratidão, louvando a Deus, a alegre notícia que mudou as suas vidas.
Nesta noite de Natal compreendemos que Deus se revela àqueles que não dão garantias de credibilidade, como os habitantes da região de Zabulão e Neftali, como os pobres de Belém que enchem a hospedaria, como os pastores daquele tempo.
A notícia do nascimento de Jesus, que interessa a todos os homens, interessa primeiramente aos que andam nas trevas, nas sombras da morte, aos humilhados, que vivem nas periferias das grandes cidades e à margem das oportunidades que garantem uma vida estável. Que hoje, ao sair, sejamos conduzidos com alegria ao encontro daqueles que se julgam indignos de receber o salvador e não acreditam que Jesus veio precisamente para eles.
Rezar a Palavra
Vem à noite e quebra as sombras deste mundo. Manifesta a tua graça no rosto dos humildes desta terra. Que a tua glória preencha os vazios e a tua luz a escuridão dos corações. Faz-nos mensageiros da boa nova que fala de ti, Deus próximo, amigo e bom.
Compromisso semanal
Quero ver-te nas palhas dos presépios humanos.
Missa do Dia
Que a tua luz brilhe em mim
O ato de ver, por ser tão natural e não exigir nenhum tipo de esforço, faz-nos crer que conseguimos ver tudo e que apenas existe o que os nossos olhos podem alcançar. No entanto, já nos aconteceu passar pela experiência de olhar e não ver, de andar à procura e não darmos conta de que está mesmo debaixo dos nossos olhos aquilo que procuramos.
“A Deus, nunca ninguém o viu”. Esta conclusão de João no seu evangelho, mostra que os nossos olhos não podem ver tudo e que, para além de tudo o que os nossos olhos podem alcançar, há uma realidade que, existindo, não pode ser vista com os olhos. Para vermos a Deus é necessário que nos seja revelado pelo “Filho Unigénito, que está no seio do Pai” porque ele “é que o deu a conhecer”.
“O Verbo é a Luz verdadeira que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina” (Jo 1,9).
LEITURA I Is 52, 7-10
Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é rei». Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque veem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações, e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.
O Senhor volta para Sião. As ruínas de Jerusalém já podem gritar de alegria porque o Senhor volta para a sua casa, vai habitar o seu templo. Quem o diz é o seu mensageiro e dizem-no também as sentinelas que, das suas guaritas, já veem, sem ver, o Senhor com os seus próprios olhos. Já não é uma promessa, é a realização da promessa. O próprio Senhor vem e diz: “Aqui estou”.
Salmo responsorial Sl 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)
O Senhor chega vitorioso à sua cidade santa. Conquistou a vitória com o seu santo braço. E todos podem contemplar este feito grandioso do Senhor. Esta vitória é salvação para todos os confins da terra.
LEITURA II Heb 1, 1-6
Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai, e Ele será para Mim um Filho»? E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».
O anúncio feito pelas sentinelas de Isaías era apenas uma imagem do verdadeiro anúncio. Deus falou de muitos modos no passado, mas agora fala por seu filho. Esplendor do Pai, o filho está na origem do universo e sustenta todas as coisas com a sua palavra. Veio ao mundo, sem deixar de ser filho, e purificou os homens do pecado, por isso, deve ser adorado.
EVANGELHO Jo 1, 1-18
No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele, e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo, e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho d’Ele, exclamando: «É deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.
Pela leitura do prólogo de João saímos do tempo e do espaço dos homens para irmos até ao tempo e coração de Deus. Ali, Deus é princípio e é Palavra e além dele não existe mais nada, porque ele é a origem de tudo. Na primeira noite Deus venceu as trevas com a Palavra e fez surgir a Luz. E na plenitude dos tempos, rompeu as trevas com a luz que é a própria Palavra, o Verbo, que é Filho e faz filhos aqueles que o receberam e acreditaram no seu nome.
Reflexão da Palavra
A liturgia deste dia de Natal, em que celebramos o nascimento de Jesus, apresenta a salvação de Deus como Palavra que chega até nós. Na primeira leitura é o mensageiro que traz a boa nova e as sentinelas gritam a chegada da salvação. O seu grito revela que o Senhor renasce das cinzas e faz renascer das cinzas o seu povo, restaura e renova a sua cidade santa. Não acreditar neste poder de Deus é não ver.
O Senhor que parecia vencido e desterrado do seu templo pelo poder dos homens que dominam o seu povo, vai regressar ao seu templo, vai restaurar as ruínas da cidade, vai restaurar o seu povo. A sua chegada já pode ser vista por todos aqueles que escutam o seu mensageiro e dirigem para ele o seu olhar. Esta manifestação do Senhor, que levanta o seu braço diante das nações, pode ser vista por todos os povos. O Senhor que vem, é salvação para todos.
Cantar é o sinal da alegria. Hoje canta-se a certeza da salvação que vem ao mundo em Jesus, por isso, no salmo afirmamos que “todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus”. É uma certeza. A liturgia celebra a salvação que já chegou até nós e que todos já podem contemplar e cantar.
A salvação chega na Palavra, porque o nosso Deus é um Deus que fala, ele próprio é Palavra. A carta aos Hebreus diz que Deus falou de muitos modos. Fala através da obra da criação, fala através dos anjos, fala através dos profetas. São muitos os modos e os mensageiros que trazem a Palavra, a Boa Nova, que anunciam a salvação. No entanto, “nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho”.
Quem é o Filho? A carta aos Hebreus diz que é o “herdeiro de todas as coisas” por meio do qual Deus “criou o universo”. É “o esplendor da glória” de Deus, “imagem da sua substância” que “tudo sustenta com a sua palavra poderosa”. É o “Primogénito” que veio ao mundo e a quem Deus disse: “Tu és meu Filho, eu hoje Te gerei”.
O evangelista João diz que este filho de Deus, que também é Deus, é “o Verbo”, a Palavra, que desde o princípio está em Deus e é Deus. Ele é a Palavra que estava no princípio a dar origem a todas as coisas.
A Palavra, diz João, é também a vida e a vida é luz que brilha nas trevas, que ilumina todo o homem. O Verbo, Palavra do Pai, veio ao mundo, “fez-se carne e habitou entre nós”. A chegada do Verbo é a chegada da graça e da verdade que revela a glória de Deus, que ninguém viu, mas que o Filho, o Verbo, a Palavra, pode revelar.
Como no princípio, na criação, também agora, nestes dias que são os últimos, a Palavra criadora de Deus entra em confronto com as trevas que rejeitam a luz, com o mundo que foi feito por ele mas que não o conheceu, com os homens que sendo seus não o receberam. No entanto, aqueles que nele acreditaram tornaram-se novas criaturas porque da “sua plenitude é que todos nós recebemos graça sobre graça“.
Agora, a Palavra veio ao mundo e acampou entre os homens. A Palavra fez-se carne e provoca um novo início, começa um novo dia, desponta uma nova luz que rompe as trevas, surge uma nova criação de entre as ruínas na velha criação, surge um homem novo.
Meditação da Palavra
A humanidade ferida pela guerra, pela inimizade, pelo egoísmo; espezinhada pelo desprezo para com os mais fracos, os mais pobres, os últimos; manchada com o desrespeito pela a vida, pela liberdade e pelo direito à integridade, não foi abandonada por Deus. Em algum momento podemos ser levados a acreditar que Deus se ausentou, abandonou o seu projeto e virou as costas ao homem, mas isso não é verdade.
As notícias que nos chegam diariamente, de perto e de longe, mostram a escuridão que cobre os povos, a cegueira que impede os olhos de ver mais além do horizonte e o desespero diante da realidade concreta que muitos são obrigados a viver. Estas notícias podem-nos fazer crer que não é possível a esperança, que não é possível um mundo diferente, um homem novo. O conhecimento do ódio que o homem é capaz de experimentar ao ponto de infligir ao seu semelhante o sofrimento da guerra que destrói vidas, famílias, futuros e produz milhares de mortos, de órfãos, solidão e desespero, pode fazer-nos desacreditar da humanidade.
O Senhor, porém, não abandonou o seu povo, pelo contrário, ele é o Deus connosco e mostra-se aos nossos olhos em Jesus, nascido em Belém, Palavra eterna do Pai, Palavra feita carne em Maria. Ele é a razão de toda a esperança. À sua chegada as sentinelas levantam a voz, as ruínas de Jerusalém gritam de alegria, porque nele, é o Senhor quem mostra o seu “santo braço”, recriando tudo com a sua luz.
A Palavra é, agora, Deus feito homem, palavra definitiva que vem salvar pela “purificação dos pecados”, Palavra que ecoa aos nossos ouvidos para que, escutando, acreditemos nele e recebamos o poder de nos tornarmos Filhos de Deus.
Nestes que são também os últimos dias, é a nós que esta Palavra se dirige, é para nós o Verbo encarnado, é para a nós a luz que vem de Belém. Se outrora Deus falou de muitos modos e nos últimos dias falou por seu Filho, hoje, o Filho fala através de nós os que recebemos “da sua plenitude, graça sobre graça”.
Se o Verbo que no “princípio” deu origem a uma humanidade que não o quis receber quando ele, por Maria, veio habitar entre nós, hoje, somos nós, homens novos, nascidos da Palavra que se tornou batismo, quem, em nome de todos os homens, somos chamados a recebê-lo e a torná-lo presente no meio do mundo para que a sua glória brilhe diante dos homens.
Se “a Deus, nunca ninguém o viu” e só “o Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que o dá a conhecer”, hoje, nós que pela fé nos tornámos também filhos de Deus, somos chamados, como Maria, a percorrer os caminhos da história para levar a todos o verdadeiro rosto de Deus, o rosto de Jesus nascido em Belém, para que o adorem todos os povos da terra.
Oração
No dia em que celebramos a vitória da luz, do amor e da verdade sobre a noite escura dos homens fechados no egoísmo que provoca as guerras e multiplica o vazio e a solidão, faz de nós, Senhor, arautos, sentinelas vigilantes que anunciam a aurora de novos tempos, porque nos fizeste teus filhos e porque podemos ver o teu verdadeiro rosto no Emanuel, o Deus connosco, o Filho de Maria nascido em Belém.
Compromisso para a semana
Iluminados por Cristo queremos recebê-lo em nossa casa, recebendo os irmãos que vivem na solidão e no abandono porque não têm família com quem partilhar o Natal e porque são rosto de Deus para nós.
[Referência: LEITURA ORANTE DA PALAVRA – LECTIO DIVINA FERIAL: <Leitura Orante da Palavra – Lectio Divina Ferial (liturgia.pt)>]

4o degrau da lectio divina: contemplação (contemplatio) – firme propósito de ver a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo; de tornar-se um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Oração firmadora do propósito de dedicar-se ao discipulado missionário de Jesus Cristo
Clamo-vos, ó Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, e rogo a intercessão da Virgem Maria e de todos os santos e anjos de Deus, para que me ilumineis, inspireis, orienteis e sustenteis de modo que eu veja a vida com os olhos da fé, com o olhar iluminado pelo Espírito Santo, tornando-me passo a passo, dia-a-dia, de acordo com a vossa santa vontade, um discípulo missionário de Jesus Cristo, ciente de que a Leitura Orante da Palavra de Deus se constitui base, estímulo e impulso para fazê-lo da melhor forma possível.
Que eu me empenhe para participar diariamente da Santa Missa (ou, caso não for possível, alternativamente, a assista por meio eletrônico), aproveitando para, antes ou depois depois da Santa Missa, devotar uma hora de adoração ao Santíssimo Sacramento (ou o tempo que for possível). Que eu recite o Santo Rosário e outras orações e devoções pelas quais me sinto particularmente tocado, em especial invocando a iluminação do Espírito Santo, bem como a proteção e orientação dos anjos.
Que eu leia ao menos as sínteses das vidas dos santos de cada dia, ricas em exemplos de prática cristã. Que eu me debruce sobre as leituras escolhidas pela Santa Madre Igreja para serem meditadas nos diversos momentos orantes que compõem a Liturgia das Horas, que consistem em preciosos estímulos para a santificação do dia – e da vida. Que na medida do possível eu recite as orações da Liturgia das Horas em seus respectivos horários e me coloque em silêncio por alguns momentos após elas, em atitude de adoração e profunda intimidade com o Senhor- ou pelo menos as ouça ao longo do dia.
Que eu me impregne profundamente da consciência do magnífico valor dos tesouros disponíveis no caminho cristão, tão rico em alimento espiritual, que podem – e devem – ser desbravados e conquistados pela alma que tem sede de Deus (Sl 41). Que eu passe a usufruí-los, gradual e progressivamente, de acordo com a realidade e as possibilidades, avançando na prática de orações mentais, meditando leituras recomendadas para tal. E que eu me dedique a ampliar o conhecimento da fé , bem como da doutrina cristã autêntica expressa nos documentos da Igreja e na grande diversidade de obras escritas pelos santos e pelos que se empenharam sinceramente para bem servir a Santa Madre Igreja.
Que eu siga o exemplo de profunda caridade de Jesus, de dar a vida pelos irmãos, fazendo do viver uma oblação, um doar-se pelo Reino: na convivência diária no âmbito da família e do trabalho; na vida comunitária – com especial zelo no seguimento das orientações da Santa Madre Igreja quanto a vida sacramental, de acordo com meu estado de vida e as circunstâncias específicas do viver (Batismo, Confirmação, Penitência, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos), buscando também contribuir da melhor forma possível para que muitos usufruam das graças sacramentais. E que eu me engaje frutuosamente em ações concretas para a promoção da vida plena e abundante que Jesus veio trazer a todos, praticando da forma mais elevada possível as virtudes teologais da fé, esperança e caridade, bem como as virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança. Amém!
SANTOS DO DIA – EXEMPLOS DE PRÁTICA CRISTÃ
[Fonte: <https://sagradamissao.com.br/2024/12/santos-do-dia-da-igreja-catolica-25-de-dezembro/>]
Santos do Dia da Igreja Católica – 25 de Dezembro
Postado em: por: marsalima
Natal de Jesus
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória…” (Jo 1,14).
A encarnação do Verbo de Deus assinala o início dos “últimos tempos”, isto é, a redenção da humanidade por parte de Deus. Cega e afastada de Deus, a humanidade viu nascer a luz que mudou o rumo da sua história. O nascimento de Jesus é um fato real que marca a participação direta do ser humano na vida divina. Esta comemoração é a demonstração maior do amor misericordioso de Deus sobre cada um de nós, pois concedeu-nos a alegria de compartilhar com ele a encarnação de seu Filho Jesus, que se tornou um entre nós. Ele veio mostrar o caminho, a verdade e a vida, e vida eterna. A simbologia da festa do Natal é o nascimento do Menino-Deus.
No início, o nascimento de Jesus era festejado em 6 de janeiro, especialmente no Oriente, com o nome de Epifania, ou seja, manifestação. Os cristãos comemoravam o natalício de Jesus junto com a chegada dos reis magos, mas sabiam que nessa data o Cristo já havia nascido havia alguns dias. Isso porque a data exata é um dado que não existe no Evangelho, que indica com precisão apenas o lugar do acontecimento, a cidade de Belém, na Palestina. Assim, aquele dia da Epifania também era o mais provável em conformidade com os acontecimentos bíblicos e por razões tradicionais do povo cristão dos primeiros tempos.
Entretanto, antes de Cristo, em Roma, a partir do imperador Júlio César, o 25 de dezembro era destinado aos pagãos para as comemorações do solstício de inverno, o “dia do sol invencível”, como atestam antigos documentos. Era uma festa tradicional para celebrar o nascimento do Sol após a noite mais longa do ano no hemisfério Norte. Para eles, o sol era o deus do tempo e o seu nascimento nesse dia significava ter vencido a deusa das trevas, que era a noite.
Era, também, um dia de descanso para os escravos, quando os senhores se sentavam às mesas com eles e lhes davam presentes. Tudo para agradar o deus sol.
No século IV da era cristã, com a conversão do imperador Constantino, a celebração da vitória do sol sobre as trevas não fazia sentido. O único acontecimento importante que merecia ser recordado como a maior festividade era o nascimento do Filho de Deus, cerne da nossa redenção. Mas os cristãos já vinham, ao longo dos anos, aproveitando o dia da festa do “sol invencível” para celebrar o nascimento do único e verdadeiro sol dos cristãos: Jesus Cristo. De tal modo que, em 354, o papa Libério decretou, por lei eclesiástica, a data de 25 de dezembro como o Natal de Jesus Cristo.
A transferência da celebração motivou duas festas distintas para o povo cristão, a do nascimento de Jesus e a da Epifania. Com a mudança, veio, também, a tradição de presentear as crianças no Natal cristão, uma alusão às oferendas dos reis magos ao Menino Jesus na gruta de Belém. Aos poucos, o Oriente passou a comemorar o Natal também em 25 de dezembro.
Passados mais de dois milênios, a Noite de Natal é mais que uma festa cristã, é um símbolo universal celebrado por todas as famílias do mundo, até as não-cristãs. A humanidade fica tomada pelo supremo sentimento de amor ao próximo e a Terra fica impregnada do espírito sereno da paz de Cristo, que só existe entre os seres humanos de boa vontade. Portanto, hoje é dia de alegria, nasceu o Menino-Deus, nasceu o Salvador.
Santa Anastácia
A vida de santa Anastácia, transmitida de geração a geração, desde os primórdios do cristianismo, traz os episódios históricos verídicos mesclados a fatos lendários e às tradições orais. Vejamos como chegou à cristandade no terceiro milênio.
Diocleciano foi imperador romano entre os anos 284 e 305. Na época, Anastácia, filha de Protestato e Fausta, ambos romanos e pagãos, era uma jovem belíssima. Junto com sua mãe, foi convertida à fé cristã por seu professor Crisogono, fururo santo mártir. As duas se dedicavam a ajudar os pobres e à conversão de pagãos.
Com a morte da mãe, o pai lhe impôs o casamento com Públio, um rico pagão da nobreza romana. Mesmo contra a vontade, Anastácia se casou. Logo o marido a proibiu de envolver-se com qualquer tipo de atividade, como era de costume entre as damas da sociedade. Mas ela continuou ajudando os pobres às escondidas e, quando o marido foi informado, puniu-a com crueldade. Foi proibida de sair de casa. Naquele momento, o consolo veio por meio dos conselhos do professor Crisogono, que já era perseguido e acabou sendo preso.
Na ocasião, o imperador Diocleciano nomeou Públio embaixador na Pérsia. Ele partiu deixando Anastácia sob a guarda de Codizo, homem cruel que tinha ordem de deixá-la morrer lentamente. Logo chegou a notícia da súbita morte de Públio. Anastácia foi libertada e soube que seu conselheiro, Crisogono, seria transferido para o julgamento na Corte imperial de Aquiléia. A discípula o acompanhou na viagem e assistiu o interrogatório e, depois, a sua decapitação.
Cada vez mais firme na fé, voltou a prestar caridade aos pobres e a pregar o evangelho de Cristo. Suspeita de ser cristã, foi levada à presença do prefeito de Roma, que tentou fazê-la renunciar à sua religião. Também o próprio imperador Diocleciano tentou convencê-la, mas tudo inútil. Anastácia voltou para a prisão.
Em seguida, Diocleciano partiu para a Macedônia, levando consigo os prisioneiros cristãos, inclusive ela. Da Macedônia foram para Esmirna, na Dalmácia, atual Turquia. Lá, outros cristãos denunciados foram presos. Entre eles estavam a matrona Teodora e seus três filhos, depois também santos da Igreja. A eles Anastácia dispensava especial atenção.
Os carcereiros informaram o imperador, que mandou prender Anastácia durante um mês no pior dos regimes carcerários. No fim do período, ela estava mais bela do que antes, e ainda mais firme na sua fé. Inconformado, o imperador a entregou para ser morta junto com os outros presos cristãos. Anastácia morreu queimada viva, no dia 25 de dezembro de 304, em Esmirna.
Primeiro, o corpo de Anastácia foi enterrado na diocese de Zara; depois, em 460, foi levado para Constantinopla. Seu culto, um dos mais antigos da Igreja, se espalhou por toda a cristandade do Oriente e do Ocidente. Em quase todos os países, existem igrejas dedicadas a ela, e muitas guardam, para devoção dos fiéis, um fragmento de suas relíquias. Sua celebração ocorre tanto no Oriente como no Ocidente, no dia de sua morte, sempre recordada na missa do período da tarde, em razão da festa do Natal de Jesus Cristo.


ESTÍMULOS À SANTIFICAÇÃO DO DIA – E DA VIDA
LEITURAS DAS ORAÇÕES DA LITURGIA DAS HORAS DE 25 DE DEZEMBRO DE 2024
[Fonte: <https://www.ibreviary.com/m2/breviario.php>]
ORAÇÃO DA HORA TERÇA (NOVE HORAS)
LEITURA BREVE
Tito 2, 11-12
Manifestou-se a graça de Deus, que traz a salvação para todos os homens. Ele nos ensina a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos e a viver no mundo presente com temperança, justiça e piedade.
V. O Senhor recordou-se da sua misericórdia, Aleluia.
R. E da sua fidelidade em favor da casa de Israel. Aleluia.
ORAÇÃO DA HORA SEXTA (DOZE HORAS)
LEITURA BREVE
1 Jo 4, 9
Assim se manifestou o amor de Deus para conosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigênito, para que vivamos por Ele.
V. Todos os confins da terra, Aleluia.
R. Viram a salvação do nosso Deus. Aleluia.
ORAÇÃO DA HORA NONA (QUINZE HORAS)
LEITURA BREVE
Actos 10, 36
Deus enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo, que é o Senhor de todos.
V. Encontraram-se a misericórdia e a fidelidade, Aleluia.
R. Abraçaram-se a paz e a justiça. Aleluia.
Oração
Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo ainda mais admirável o renovastes, fazei que possamos participar na vida divina de vosso Filho que Se dignou assumir a nossa natureza humana. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
V. Bendigamos o Senhor.
R. Graças a Deus.
ORAÇÃO DE VÉSPERAS (FINAL DA TARDE)
LEITURA BREVE
1 Jo 1, 1-3
O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos, o que tocámos com as nossas mãos acerca do Verbo da Vida, é o que nós vos anunciamos. Porque a Vida manifestou-Se, e nós vimos e damos testemunho d’Ela. Nós vos anunciamos a Vida eterna, que estava junto do Pai e nos foi manifestada. Nós vos anunciamos o que vimos e ouvimos, para que estejais também em comunhão connosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.
RESPONSÓRIO BREVE
V. O Verbo Se fez carne. Aleluia, Aleluia.
R. O Verbo Se fez carne. Aleluia, Aleluia.
V. E habitou entre nós.
R. Aleluia, Aleluia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. O Verbo Se fez carne. Aleluia, Aleluia.
ORAÇÃO DE COMPLETAS (ANTES DE DORMIR)
LEITURA BREVE
Ap 22, 4-5
Verão a face do Senhor, e o nome do Senhor estará escrito nas suas frontes. Nunca mais haverá noite, nem precisarão da luz da lâmpada nem da luz do sol, porque brilhará sobre eles a luz do Senhor Deus, e reinarão pelos séculos dos séculos.
RESPONSÓRIO BREVE
V. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Senhor, Deus fiel, meu Salvador.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.
confraria@catolicospraticantes.com.br
www.catolicospraticantes.com.br
Importante:
* A Liturgia Diária, a porção da Palavra de Deus escolhida para cada dia, consiste em refeição espiritual de escol brindada pela Santa Madre Igreja, preparatória para o alimento divino, a Sagrada Eucaristia. Auguramos que esse estudo orante possa contribuir para potencializar o sustento e o remédio que essas santas palavras são destinadas a proporcionar e que com cada vez maior assiduidade mais irmãos na fé priorizem sorver diariamente as delícias inefáveis da Santa Palavra e da Sagrada Eucaristia. Sugerimos, caso não for possível por alguma razão desfrutar a missa presencialmente, que se o faça ao menos virtualmente, pela televisão ou internet. Também recomendamos escrever na área de busca de sites veiculadores de vídeos na internet as palavras “Homilia diária” e aproveitar os momentos livres do pensamento (inclusive no decorrer da realização de atividades manuais que não requerem intensa concentração – como lavar louça, por exemplo) para ouvir as reflexões de clérigos qualificados para nos ajudar a compreender com cada vez mais profundidade os desígnios divinos. O católico que participar de todas as Missas diárias ou estudar a Liturgia Diária pelo período de três anos, terá estudado toda a Bíblia (exceto partes de algumas passagens que são apresentadas de forma sintetizada, das quais são suprimidos versículos considerados de importância secundária). Essa breve exegese da Liturgia Diária é recomendada para quem busca conhecer com profundidade a Palavra de Deus, para dela se tornar íntimo e colocá-la em prática.
** A Liturgia das Horas é composta por sete momentos orantes rezados pelo fiel ao longo do dia. O primeiro, na madrugada, se chama Ofício das Leituras, composto pela recitação de vários salmos; a primeira leitura (extraída da Bíblia); a segunda leitura (extraída da Sagrada Doutrina) e algumas orações próprias. O segundo, Laudes, se reza no início da manhã, incluindo a recitação de salmos; orações; leitura bíblica breve e inclui também preces. Os momentos orantes do “miolo do dia” (das 09 às 15 horas) chamados “da hora média”, são propostos para serem realizados com brevidade em três etapas: Hora Terça, em torno das 09:00 horas; Hora Sexta, em torno das 12:00 horas; e Hora Nona, em torno das 15:00. São compostos pela recitação de salmos; orações e uma leitura bíblica breve. O sexto momento orante se dá antes do pôr do sol, sendo denominado de Vésperas e inclui também algumas preces, além dos salmos, orações e leitura bíblica breve. O sétimo momento orante denomina-se Completas, sendo realizado antes de dormir, incluindo o exame de consciência, uma breve recitação dos salmos, leitura bíblica breve e orações próprias, sendo bastante conciso. Tais momentos orantes são destinados especialmente à santificação do dia. A Liturgia das Horas serve também como ponto de interseção entre todos os católicos, sendo prescrita em especial para ser recitada por todos os componentes do clero, religiosos, religiosas, diáconos… constituindo-se fundamental para a unidade da fé, prevenindo a queda em heresias (a “escolha” de partes das escrituras e da doutrina e o rechaço de outras). Recomendamos vivamente que todos quantos puderem se dediquem a essa maravilhosa prática e reputamos como mínimo necessário a meditação da segunda leitura do Ofício das Leituras (aqui trazida como leitura complementar, extraída do o site <http://www.ibreviary.com/>), com o que nos tornamos agraciados com os preciosíssimos tesouros da Sagrada Doutrina brindados pelos que cultivaram a fé desde o início da Igreja. Podemos acessar a Liturgia das Horas através de livro próprio, também chamado de Breviário, ou por meio de aplicativos ou sites na internet. O fiel pode ainda digitar na área de busca o nome do momento orante que deseja acompanhar e terá à disposição essa oração com os salmos cantados. Disponibilizamos diariamente nesse estudo orante da Palavra de Deus os textos das leituras de todos os momentos orantes da Liturgia Diária, reputando-os como estímulos para a santificação do dia.
*** Por que ler a vida do Santo do dia?
Você sabe porque é muito importante conhecer e meditar no exemplo de vida do Santo do dia?
É fácil perceber que os homens se influenciam mutuamente no relacionamento social. A criança imita os pais, os gestos de dois amigos tendem a se assemelhar, pois a imitação é conatural aos homens desde a infância, distinguindo-os como a criatura mais imitativa de todas.
Esse mimetismo inato vincado em nossa humanidade se verifica também no âmbito sobrenatural. Conforme frisou Bento XVI, “os Santos constituem o comentário mais importante ao Evangelho, uma atualização sua na vida cotidiana e, por conseguinte, representam para nós um verdadeiro caminho de acesso a Jesus”.(1) Podemos, sem dúvida, considerá-los como imagem de Deus transposta para o dia a dia.
O conceito de imitação de Cristo – diretamente ou através do Santo do Dia – está presente nos Livros Sagrados, sobretudo nas cartas de São Paulo, como a destinada aos filipenses: “Sede meus imitadores, irmãos, e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós” (3, 17).
São Francisco de Assis estava bem cônscio de seu papel simbólico quando dizia: “Devo ser modelo e exemplo para todos os frades”. (2)
Para o homem contemporâneo essas analogias entre Cristo e os Santos poderiam parecer despropositadas ou mesmo maldosamente tachadas de “culto à personalidade”.
Por isso, é fundamental ler a história do Santo do Dia para que conhecendo o exemplo deles e admirando-os, aprendamos como adequar nossas vidas à santidade que Deus quer de nós.
**** Leitura Orante da Palavra (Lectio divina)
Fonte: <https://www.ivcpoa.com.br/leitura-orante-da-palavra>
a) Como surgiu?
No século XII, o monge Guigo II estava trabalhando no mosteiro com uma escada na mão. Enquanto isso, pedia a Deus que lhe sugerisse um instrumento que o ajudasse a subir até ele. Sobre isso, ele escreveu: “Ocupado em um trabalho manual, comecei a pensar na atividade espiritual do ser humano e se apresentaram improvisadamente à minha reflexão quatro degraus espirituais, ou seja: 1) a leitura; 2) a meditação; 3) a oração; e 4) a contemplação”. Esta é a escada que se eleva da terra ao céu. Alguns chamam esse método de rezar de Lectio divina, isto é, leitura divina.
b) Os passos da Leitura Orante: 1) leitura; 2) meditação; 3) oração; e 4) contemplação.
1) Leitura: no primeiro momento, procure acolher a Bíblia não como um livro qualquer, mas como um tesouro que é a Palavra que Deus quer nos falar. Esforce-se para captar o sentido do texto do modo mais pleno possível. Para isso, podem ajudar algumas perguntas: • Quem? O que diz e o que faz cada personagem? • Onde? Como se situa este texto na Bíblia e em que contexto? • Que relação tem com outros textos? • Em síntese, o que diz o texto?
2) Meditação: A meditação vai responder à pergunta: “O que é que Deus, através deste texto, tem a nos dizer hoje?”. É muito importante perceber o que o texto diz para mim, não somente para os outros. Algumas vezes, as pessoas procuram no texto bíblico lições para ensinar aos outros. Aqui é diferente: o texto fala diretamente com o leitor, seja pessoalmente, seja comunitariamente. Entra-se em diálogo, facilitado por algumas perguntas, como: O que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa de hoje? O que a mensagem deste texto diz para a nossa situação? Que mudanças de comportamento nos sugere? Pode-se perceber o quanto as ideias de Deus são diferentes das nossas e a necessidade de deixar que a Palavra de Deus transforme as nossas convicções. Muitas vezes, é preciso mudar de mentalidade para aderir à vontade de Deus.
3) Oração: É o momento de expressar o que o texto nos faz dizer a Deus. A oração é a nossa resposta à Palavra de Deus lida e meditada. A oração provocada pela meditação inicia-se com uma atitude de admiração, silêncio e adoração ao Senhor. A oração suscitada pela meditação também pode ser recitação de preces e salmos. Dependendo do que se ouviu da parte de Deus, a resposta pode ser de louvor ou de ação de graças, de súplica ou de perdão. É importante que essa oração espontânea não seja só individual, mas tenha sua expressão comunitária em forma de partilha.
4) Contemplação: enxergar, saborear, agir. A contemplação ajuda a enxergar o mundo de maneira nova. Tira o véu e ajuda a descobrir o projeto de Deus na história que hoje vivemos. Leva-nos a perceber Cristo como centro de tudo. Pela Leitura Orante, vamos crescendo na compreensão do sentido e da força da Palavra de Deus, vamos sendo transformados e nos tornando capazes de transformar a realidade. Contemplar supõe viver de modo diferente. O centro da pessoa está em Cristo. A pessoa é transformada pela Palavra de Deus, por isso contempla a presença de Deus em sua vida e adquire um novo olhar sobre a realidade.
Leitura Orante na Prática
O monge que criou o método sugere a ideia de uma escada que nos ajude a subir até Deus. Vamos analisar os quatro degraus que devemos subir.

1º Degrau – Leitura (Lectio): O que o texto diz?
1. Leia lentamente o texto, ao menos duas vezes.
2. Ainda não é hora de tentar tirar uma mensagem para sua vida. Apenas tente compreender o que o texto poderia significar na época em que foi escrito.
3. Tente reconstruir o texto: Quem são as pessoas que aparecem no texto e qual é a situação de cada uma? De acordo com o texto, qual é o papel de cada uma e quais seriam seus sentimentos? Aparece algum conflito no texto? Como é resolvido? Qual é o rosto de Deus no texto?

2º Degrau – Meditação (Meditatio): O que o texto me diz?
1. Destaque os versículos que foram mais fortes para você (sem tentar interpretá-los).
2. Atualize o texto comparando a situação da época com a situação atual e procure perceber o que tudo isso tem a ver com a sua/nossa vida de cristão.

3º Degrau – Oração (Oratio): O que o texto me faz dizer a Deus?
1. Tudo o que foi lido e meditado é transformado em uma conversa orante com Deus.
2. A oração é o instante no qual se é convidado a falar com Deus através do louvor, do agradecimento, do pedido, da súplica, do oferecimento, do perdão dirigido a ele: “Senhor, eu te peço… Eu te louvo e agradeço meu Deus…”. Dialogar diretamente com Deus: tenha “um trato de amizade com aquele que nos ama” (Santa Teresa). É necessário silêncio…

4º Degrau – Contemplação (Contemplatio)
Contemplar é ver a vida com os olhos da fé. É sentir, quase intuitivamente, a presença da Santíssima Trindade ao nosso lado. Esse passo está ligado ao anterior; às vezes, não percebemos quando termina um e começa o outro. Volte-se para a sua realidade (ao seu dia a dia) e veja sua vida com o olhar iluminado pelo Espírito Santo. Não se trata de pensar “o que fazer”, mas de como irá seguir Jesus a partir desse texto? É a primazia do ser sobre o fazer. Este último será o resultado de um novo ser humano: discípulo missionário de Jesus Cristo.
Atenção! Este método é fascinante, mas exigente. Não supõe saber ou ter grandes estudos, mas requer dedicação e escuta atenta à Palavra de Deus. Se alguém ler o texto bíblico sem seguir o método orante, dificilmente entenderá os quatro degraus. Há alguns que dizem que é muito difícil seguir este processo, certamente porque querem resultados imediatos e não dão tempo para escutar o Senhor. Para seguir este método, é preciso muita humildade e deixar o Senhor falar. É preciso se livrar de conceitos prontos sobre o texto lido. Evite-se, igualmente, logo tirar uma mensagem para pôr em prática. Essa aplicabilidade da Palavra depende de uma escuta mais atenta, pois nem sempre o Senhor pede que se faça algo, mas solicita uma mudança em nosso ser – a nossa conversão.


